segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Eu Sou Rebelde e Você?!

Permitam-me ser o primeiro a responder a pergunta do Silvestre Mendes, pois também eu, sou Rebelde! De modo que não poderia faltar aqui, um post sobre esse bem sucedido projeto da Record, e ninguém melhor a fazê-lo que o amigo citado. Bastou convidá-lo, para ele prontamente desenvolver o texto que abaixo posto... Valeu, amigo!



Por Silvestre Mendes
Blogueiro Convidado

Eu sou Rebelde, e você? Nunca deixei de contestar uma ordem, se acreditasse no oposto do que estava sendo “mandado”. Também nunca segui “modinha”, sempre fui do contra. Que moda o quê? Prefiro ser o único a escutar determinada banda ou música (ao menos achar que era o único), ao ser mais um a berrar que aquela era a música da minha vida! Enquanto vários amigos carregavam um só hino, eu estava ao lado deles, claro, mas carregando o meu próprio. Nunca fui fã de ser mais um na multidão e com o gosto moldado aos de milhões da mesma idade.

Se você se reconheceu com o meu desabafo a cima, bem, você é Rebelde! E se você se identificou e achou que a principio o texto iria falar sobre a novela que também se chama Rebelde, pode ter certeza que teve mais um acerto! De segunda a sexta, desde março, a Rede Record vem apresentando a sua versão dos jovens Rebeldes. E afirmo, com propriedade, que ao lado do original Argentino é a “versão” mais próxima da realidade dos jovens. Na verdade, quero começar tirando o rótulo de versão e remake. Pra mim, Rebelde de Margareth Boury é um original, mas que apresenta – assim como inúmeras novelas inéditas que estão no ar – tipos de personagens que já conhecemos. E que estão presentes em basicamente toda história. O que muda é que além dos tipos, algumas motivações de alguns personagens já não eram novidade. Como por exemplo, a raiva de Pedro por Franco, formação dos casais e da banda, e alguns nomes de personagem. Tirando isso, ninguém sabia como a trama Brasileira seria conduzida.

A saída foi simples: falar como o jovem brasileiro fala. Rebelde deixou as tintas de dramalhão mexicano de lado e se focou no que todo adolescente curte: O romance. E achou o seu próprio ritmo de contar essa história.

Mas nem toda novela é feita só de amor. Existe muito sobre amizade em jogo. Afinal, não é na escola que fazemos amigos que muitas vezes levamos para o resto de nossas vidas? Além de falar sobre a tolerância e aprender a conviver com o diferente e as diferenças. Sim, Rebelde apresenta todo aquele esqueleto que programas adolescentes exigem, mas a diferença é que é bem escrito. Em nenhum momento os diálogos parecem forçados. Ou as gírias mal colocadas. Falando em gírias, Rebelde apresenta seu próprio repertório, o que faz sair do lugar comum de tentar ser um documentário sobre jovens e ser uma novela sobre e para adolescentes.

Vale lembrar que existem personagens novos e que são grandes aquisições. Um deles é o Vicente Campos, Professor de português, e brilhantemente interpretado por Eduardo Pires. A cada aula exibida é um show de interpretação e texto. Não tem como não ter desejado aulas tão divertidas e inteligentes como a que assistimos. Outro ator que vem se destacando a cada nova fala e mudança de humor de seu personagem é Daniel Erthal ou Arthur Paz, professor de matemática. Daniel, assim como Eduardo, vem conseguindo um belo destaque para o seu personagem. Sem exageros extremos, tudo na medida certa, como a novela pede.

Considero outro ponto forte a forma com que mexem com alguns problemas corriqueiros na vida dos adolescentes. Como por exemplo, a bulimia. Essa doença pertence a uma das personagens principais. E não querendo desmerecer a beleza de Sophia Abrahão e Lua Blanco, mas Mel Fronckowiak, a Carla Ferrer, é entre as meninas principais a que tem o corpo mais bonito e fica impossível de imaginar como uma menina dessas poderia sofrer de um distúrbio alimentar tão grave, mas é o mais comum. Garotas bonitas que se acham feias ou gordas.

Se as meninas sofrem com a ditadura da beleza, o que dizer sobre os meninos? Téo Marques, interpretado por Bernardo Falcone, sofreu Bullying boa parte do inicio da história e foi em apoio ao personagem que boa parte das amizades nasceu ou ficaram mais fortes entre os Rebeldes. Como foi o caso de Alice e Roberta, que se uniram para dar um novo visual ao amigo Téo. E tentar, de uma vez por todas, acabar com os ataques que ele sofria diariamente na escola.


É com essas abordagens e questionamentos que mora o brilhantismo de Rebelde. Se a novela fosse seguir a risca tudo o que já foi visto, qual seria o nosso elemento surpresa? Como os jovens poderiam se identificar, caso fosse acontecer passo a passo tudo o que foi mostrado na versão mexicana exibida pelo Sbt?

A novela começou com o mundo contra. Fãs ardorosos da versão mexicana, antes mesmo de assistir ao que havia sido feito, já torciam o nariz. Tantos outros que não acompanharam a trama da televisa, também tinha os olhos revirados para a produção nacional. Já que se baseando em um texto enlatado, nada de bom poderia surgir... Mas quanto engano de todos os lados. Quanto pré-conceito em cima de uma história que nem tinha começado ou mostrado a que veio. E vencendo cada um desses obstáculos a novela vem mantendo sua boa audiência e virando mania entre os adolescentes brasileiros.




Quero deixar registrado que muito se deve ao texto rápido, sagaz e inteligente. Que não faz de ninguém bem ou mal. Todos em Rebelde são adolescentes e tem um pouco de sua personalidade amplificada pelo momento que estão passando. Descobertas, amores e aquele sentimento que todos nós conhecemos de medo, por não ter quem ou o quê queremos. Não existe um super vilão ou vilã, só a adolescência que mostrando a sua cara.


Cada um tem um jeito de ser Rebelde e o Brasil encontrou o seu! Graças a Margareth Boury, com a colaboração de Renê Belmonte e Valéria Motta.

Silvestre Mendes é Roteirista (ex-aluno do Curso de Roteirista ministrado pelo Autor Aguinaldo Silva), Editor de conteúdo do  - Tudo sobre o mundo das séries e da TV. Cinema, música e literatura.

domingo, 28 de agosto de 2011

Glória e Tony, os aniversariantes da semana


Por Glauce Viviana


Na semana que passou tivemos dois ilustres aniversariantes. Glória Pires e Tony Ramos. Glória, mais conhecida como Glorinha ou "Dona Norma", faz aniversário em 23 de agosto e Tony em 25 de agosto.

Glorinha começou sua carreira ainda criança, com apenas 5 anos de idade fez sua estréia na TV, participando da novela "A Pequena Órfã" da TV Excelsior em 1968. Depois participou de alguns humorísticos ao lado de Chico Anysio e do seu pai, o saudoso comediante Antônio Carlos. Participou também das novelas Selva de Pedra (1972), O Semideus (1973) e Duas Vidas (1976). Até que em 1978, aos 15 anos, recebeu seu primeiro papel de grande destaque, a Marisa de Dancin'Days, uma adolescente que foi criada pela tia socialite. A partir daí veio um sucesso atrás do outro, As Três Marias (1980), Água Viva (1980), Partido Alto (1984), O Tempo e o Vento (1985), Direito de Amar (1987).


Em 1988 ela interpreta magistralmente a Maria de Fátima de Vale Tudo, a filha mais ingrata da televisão, entrando definitivamente para o rol das grandes atrizes. Depois vieram Mico Preto (1990), O Dono do Mundo (1991), Mulheres de Areia (1993), na qual ela demonstrou todo seu potencial de grande atriz ao viver dois personagens, Memorial de Maria Moura (1994), Anjo Mau (1997), Insensato Coração (2011), entre outras, que a consagraram como uma das melhores, senão a melhor, atriz de televisão do país. Mas não é só isso, ela também se destacou no cinema, levou uma multidão ao cinema para vê-la trocar de corpo com o outro homenageado da semana, Tony Ramos, em "SE EU FOSSE VOCÊ" e "SE EU FOSSE VOCÊ 2", participou do filme brasileiro indicado ao Oscar, "O QUATRILHO", além de outras produções de sucesso. Gloria Pires é uma das raras unanimidades do meio, sucesso de crítica e público. Uma atriz nata, que cresceu dentro da TV e faz bem tudo o que faz. Seu talento, carisma e simpatia são incontestáveis. O outro aniversariante da semana também é um monstro (#reginaduartefeelings) sagrado da televisão do Brasil. Tony Ramos é um dos melhores atores que nós temos, sabe emocionar, sabe fazer bem qualquer papel. Já foi mocinho do bem, já foi mocinho mau caráter, bandido, sofredor, alegre, surdo-mudo, gêmeos...versatilidade é sua grande característica.

Assim como Glória, Tony é um ator mais que consagrado e uma unanimidade entre os profissionais do meio. Começou sua carreira em 1965, até hoje já fez mais de 50 trabalhos na TV, tais como O Astro  (1977), Pai Herói (1979), Chega Mais (1980), Baila Comigo (1981), na qual interpretou de forma irrepreensível os gêmeos Quinzinho e João Victor, Sol de Verão (1982), Selva de Pedra (1986), O Primo Basilio (1988) Rainha da Sucata (1990), Felicidade (1991), A Próxima Vítima (1995), Torre de Babel (1998), Paraíso Tropical (2007), Passione (2010), entre outros.


Que dupla! Parabéns aos dois homenageados da semana, que são exemplos de humildade e dedicação ao trabalho. Merecem toda nossa reverência, homenagem e admiração.

sábado, 27 de agosto de 2011

E aí, você embarca nesse novo Carrossel?

Por Isaac Abda




O Ano era 1991, estavam no ar O Dono do Mundo, pela Globo e Carrossel, pelo SBT. Tenho lembrança de algumas das principais tramas da novela global, mas confesso que sendo criança, a inocente Carrossel me atraía e eu era fiel à sua audiência. É provável que infelizmente, as crianças de hoje, nem tenham o mesmo interesse pela Carrossel original, e de imaginar o que possa ser feito para tornar "atrativa" a versão que o SBT está produzindo, temo.

Carrossel nos apresentava diariamente crianças como nós éramos, talvez daí o meu maior encantamento. óbvio, havia ali um certo maniqueísmo também nos personagens infantis, mas muito bem dosado para os padrões mexicanos, e respeitando os conflitos das crianças. A trama se passava a maior parte do tempo na Escola Mundial, onde a querida Professora Helena convivia com os alunos da 2ª série. A professora dos sonhos de qualquer aluno, meiga, doce, carinhosa, exemplar, paciente, bonita, educadora, conselheira, só nisto percebe-se o quão mágica era a Carrossel.

Então vejamos, quem eram o Cirilo e a Maria Joaquina? O primeiro, um garotinho pobre e negro, estudante de um colégio em que ele era uma exceção e sofria por isso as humilhações impostas, principalmente pela garota por quem era apaixonado. Uma paixão ingênua, quase "burra", a garota é ela, a Maria Joaquina.

Eu só faltava entrar na história e dar um choque de realidade no Cirilo, pois não aguentava vê-lo maltratado por ela; tadinho, perdi as contas de quantos "eu só quis dizer" ele respondeu às grosserias da menina mal humorada. Numa dessas ironias da vida, a Maria Joaquina tem a sua mãe salva da morte, após um acidente de carro, por uma transfusão de sangue da mãe do Cirilo.


Embora não justificasse o seu egoísmo, racismo, sua postura de superioridade com os demais colegas, típica de crianças mimadas, é possível perdoá-la, considerando a "falta" de estrutura familiar em que foi crada. A Maria Joaquina, só teve as suas maldades diminuídas, a partir da da entrada do personagem Jorge Del Salto, um garoto tão ou mais prepotente que ela. Quem não lembra da corrida disputada entre ele e Cirilo, que finalmente mostrava-se mais esperto e competia de modo igualitário com o seu antagonista, cada um em seu "carro motorizado"? Sim, eu disse "cada um no seu", à essa altura o pai do Cirilo era um homem sortudo, apostou e ganhou na loteria tornando-se um homem rico. Ah, o Cirilo! rs... o mulek aprontava tudo que se possa imaginar, e sempre em função de conquistar a sua "amada". O que foi aquele episódio em que ele se pintou de branco para tentar ser aceitável?! Seria cômico, se não houvesse uma lição por trás disso.

A paixão do Cirilo é tamanha e proporcionalmente igual a indiferença da garota, que em determinada fase da novela, decepcionado, ele passa a se comportar como um garoto revoltado. Aqui cabe ressaltar a importância do tema "drogas nas escolas", abordado pela novela, com leveza mas com o realismo necessário. Os alunos eram vítimas dos traficantes, que vendiam bombons "recheados" na porta da escola. Cirilo e Laura, foram alvo dessa maldade e compraram os doces, inocentemente.

Laura, uma menina doce, aliás ela adorava doces... salgados, tudo que fosse comestível, rs. Sentimental, via romantismo em tudo.



Davi e Valéria formavam o típico "casal de namorados" que permeia o imaginário das crianças, desde sempre, rs.



Nunca época em que vivemos o "cada um por si", lembrar da amizade sincera dessa garotada, chega a ser um refrigério. Como esquecer da "Patrulha Salvadora" idealizada e criada pelo Daniel Zapatta, o menino gênio da turma? Graças a essa iniciativa, em muitas oportunidades alguns alunos mais necessitados de ajuda, sempre eram amparados pelos demais. A exemplo da Carmem, uma garota pobre, que em determinadas circunstâncias de pobreza extrema, nem mesmo tinha como se alimentar e vestir-se.



Mas a novela nos apresentava também, momentos de pura descontração, como as travessuras impagáveis do Paulo, sempre ajudado pelo "japinha" Kokimoto. E quem não se lembra do "grande" Jaime Palilo (tenho na memória o seu nome sendo chamado pela professora Helena, o 1º da lista), o gordinho bem humorado, que se utilizava do seu corpo avantajado para impor respeito? Sua única deficiência era com relação aos estudos.



Percebe-se que Carrossel é um marco da teledramaturgia, não se pode dizer brasileira, embora tenha feito enorme sucesso por aqui, mas é inegável a sua importância, principalmente às crianças na época, hoje adultos saudosistas, como eu... Como é bom ter podido assisti-la. Vale a menção ao personagens secundários, mas nem por isso, menos marcantes, tais quais a professora de música, a diretora da escola, o porteiro Firmino, este último teve o seu intérprete substituído em determinado momento, por motivo de saúde.




Originalmente exibida no México em 1989, com 375 capítulos, foi lançada no Brasil em 1991, conquistando enorme audiência, chegando a bater de frente com "O Dono do Mundo". A repercussão positiva foi tanta que alguns dos principais nomes do elenco, estiveram visitando o Brasil, a exemplo da intérprete da Professora Helena, a atriz Gabriela Riviero, recebida pelo então Presidente Collor de Mello, em Brasília. Foram lançados Álbuns de Figurinhas, LP com a trilha sonora. 


Quanto ao remake que o SBT está produzindo, desejo sorte e que eles sejam felizes ao adaptar a trama, e tenho certeza que será um sucesso. Tal qual foi a original já exibida, sei que não, seria quase utópico pensá-lo, pois o SBT já não é o mesmo, o público também é outro. Aliás, a hipocrisia reinante na TV brasileira que se vê ultimamente, dificultaria até mesmo uma nova reexibição da novela original, censurariam as "crianças sob efeito de drogas", a relação racista da Maria Joaquina com o Cirilo, as maldades do Jorge Del Salto. Contudo espera-se que respeitem e mantenham intacta a estrutura da novela nessa nova versão. E que o bom senso fale mais alto na hora de escalar o elenco, oxalá seja talentoso!    

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A DONA DO INSENSATO CORAÇÃO




 POR THIAGO RIBEIRO

Não meu querido leitor, você não leu errado, Insensato Coração tem uma dona e não um dono como todos acham. Gilberto Braga é sempre Gilberto Braga. Reverenciado como um dos melhores e maiores escritores de novela do Brasil, o discípulo de Janete Clair despertou expectativas nos telespectadores que ansiavam pela sua próxima obra prima. Insensato Coração, chega ao fim agora, depois de 185 capítulos sem deixar saudades no grande público.


Insensato começou com uma novela dentro da novela. Impossível deixar de comentar o “Caso Ana Paula Arósio”. Há muito confirmada como a mocinha da trama, a atriz abandonou as gravações em Florianópolis (na verdade, não compareceu às gravações), sendo substituída por Paola Oliveira. Teve seu contrato rescindido, desligando-se da Tv Globo. Pouco tempo depois, foi a vez de Fábio Assunção, deixar a novela, alegando problemas de saúde. Gabriel Braga Nunes foi então escolhido para assumir o personagem Léo, principal antagonista e responsável pelo deslanchar da história.

Gabriel pegou o personagem com unhas e dentes, transformando Léo num dos donos da novela, como a sinopse pedia. Sempre soube que Gabriel era um bom ator, mas confesso que estava com um pé atrás com ele. Mas me surpreendi positivamente. O talento do ator, aliado à falta de carisma de Eriberto Leão como mocinho, fez Léo emplacar, seja aliado a Cortez (Herson Capri), ou matando senhoras (Carmem, Nívea Maria) e, claro, enganando uma certa enfermeira mal amada e de cabelos com pontas duplas, a dúbia Norma (Glória Pires).
 

Norma me cativou no exato instante em que a personagem foi apresentada. A cena singela no hospital, em que Léo conhece a moça, foi imprescindível para mostrar o tipo de relação que os personagens manteriam dali por diante. Norma era uma mulher dedicada ao trabalho, com um patrão insuportável (Hugo Carvana), e sem grandes expectativas de vida. Aquela típica vizinha sua que nunca se casou e que tudo que mais deseja é guardar um dinheirinho para viajar no fim do ano. Norma se entregou de corpo e alma aquele jovem lindo e apaixonado que se apresentou à sua frente. Resultado: foi enganada, presa injustamente e atormentada num presídio de segurança máxima por uma detenta barra pesada, Araci (Cristiana Oliveira). No presídio, ela evoluiu psicologicamente usando os acontecimentos ao seu redor em seu favor. E num golpe de sorte, matou Araci, se apoderando do dinheiro que esta mantinha fora da prisão. Mesmo matando por legítima defesa, já que Araci a ameaçou de morte, ela já começava a mostrar a mudança que se operava em sua personalidade. Norma manteve-se o tempo todo lúcida, focada em Léo tal qual Leôncio em Isaura, no intuito de se vingar de seu algoz.


Uma vez fora da cadeia, a mocinha injustiçada reencontra o algoz, que novamente a humilha. O público comunga da injustiçada Norma, do desejo de sapatear na cara do vilão de olhos claros. Decidida a se vingar de verdade, ela toma consciência de que só poderá executar sua vingança caso se torne uma mulher rica, poderosa. O destino (leia-se Gilberto Braga e Ricardo Linhares) lhe dá uma ajudinha, colocando em seu caminho o empresário Teodoro (Tarcísio Meira), que se encanta com a dedicação de sua nova enfermeira (fetiche?). Acabam por se casar, e Norma então manda o pobre Tide conhecer o Nosso Lar, no outro lado da vida. Viúva, rica e com um chanel sem pontas duplas, Norma parte para a vingança. Ta, desculpa. DONA Norma parte para a vingança- Público vibra, uma sucessão de orgasmos múltiplos acontece automaticamente em diversos sofás Brasil a fora. Todos esperando pra ver o safado vilão se dar mal. Durante alguns capítulos, Léo é submetido a uma série de humilhações, o que faz alegria dos telespectadores ir as alturas, assim como o Ibope.


Mas quando tudo parecia perfeito, a vingadora assume continuar apaixonada pelo algoz. Um oooohhh geral de decepção sai em coro da boca da grande massa brasileira que acompanha a novela. Boba! Idiota! Burra! Diziam da pobre moça (agora rica, não se esqueça!). Léo percebe isso e trata de envolvê-la mais uma vez com seu charme, fazendo-se de submisso, virando assim, o jogo a seu favor.


No momento em que o Brasil se depara com os momentos finais dessa história, fiquei a pensar na rica trajetória da verdadeira mocinha da novela das 8. Norma foi e sempre será a verdadeira mocinha e DONA de Insensato Coração, o que se justifica inclusive, no título da trama.

Embora algumas pessoas (Brasil e meio, diga-se de passagem) não tenham gostado do fato da enfermeira ter caído nas garras de Léo pela segunda vez, era necessário que isso acontecesse para que se chegasse a um final digno de Gilberto Braga: mortes, sangue, sirenes e um sambinha antes do esperado fim. Faço minha reverência ao já citado Gabriel Braga Nunes, mas não posso deixar de destacar todo o trabalho de Glória Pires, que mais uma vez arrasou. Norma me conduziu num verdadeiro carrossel de emoções. Foi inocente, dúbia, culpada, apaixonada, vingativa... Ah! Quase ia me esquecendo: Norma também foi atriz, dando na cara da Fernanda Montenegro ao se fazer de boa gente para Fabíola (Roberta Rodrigues) e cia do Horto. E a atriz (agora me refiro a Glória Pires) mais uma vez deu um show.


P.S: Agora que a novela acabou e que já sabemos quem matou Norma, posso expor minha opinião sobre o assassino. Eu não curti o assassino ser a Wanda (Natália do Vale... Transporte – tá, não resisti à piada!), embora tenha sido coerente. Apostei até o fim no Léo, embasado, claro, pelos finais de Celebridade (2003) e Paraíso Tropical (2007), onde os assassinos eram os próprios vilões, Laura (Cláudia Abreu) e Olavo (Wagner Moura) respectivamente (aliás, adoro usar essa palavra, tentei incluí-la a todo custo no post).

O que eu curti em INSENSATO CORAÇÃO:

  • A trama familiar de Raul, Wanda, Léo e Pedro. A história era boa, prometia muito. Não sei a quê se deve o fato de não ter engrenado como prometia. Texto? Atores? #Mistééério!
  • Paola Oliveira como protagonista. Sou fã da atriz e acredito que o fato de Marina não ter engrenado foi justamente a chatice da personagem, o que não desmerece o trabalho de Paola, escalada aos 46 do segundo tempo.
  • Personagens móveis durante a trama. Lavínia Vlasak, Tarcísio Meira, Guilherme Leme, Fernanda Machado, Hugo Carvana, Nívea Maria, entre outros, deram um dinamismo à novela.
  • Os novatos Rodrigo Andrade, Giovanna Lancelloti, Bruna Lizmayer, Taís Muller. Gostei do trabalho deles. Corretos em suas atuações.
  • A dupla impagável Tia Neném e Wanda, sempre as turras na reta final da novela. Aliás, Ana Lúcia Torre deu um show, estendendo inclusive sua participação até o final da trama.
  • Deborah Secco alternou momentos bons e nus, digo, maus. Mas conseguiu dar uma diferenciada da Darlene, de Celebridade, da qual Natalie Lamour, sua personagem parecia ser fonte de inspiração. Fez uma ótima parceria com Leonardo Miggiorin, o Roni.
  • Déborah Evelyn sabe como ninguém interpretar uma invejosa interesseira. E Eunice foi tudo isso. Sua fome de poder e de dinheiro foram responsáveis por grandes crises na sua família. Como presente pelo destaque, Eunice ganhou um romance hot hot hot na reta final.  E pimba na gorduchinha da diretora da Liga da Família Carioca.

Numa média geral, eu daria nota 8,0 para Insensato Coração. Foi uma trama morna, a qual muitas vezes não tive a menor vontade de assistir. Nada que desmereça o currículo de Gilberto Braga, mas também não é uma pérola para o Vale a Pena Ver de Novo. 

E você? Que nota dá para INSENSATO CORAÇÃO?  

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma vez Maitê... sempre Maitê!!!

Conversando com um amigo sobre o meu desejo de homenagear a Maitê Proença aqui no Blog, fiz-me de desentendido quando quase que instantaneamente ele retrucou: "mas você não sabe que sou super fã da Maitê, a minha Diva?, tem que ser eu a fazê-la!"... Mas claro que eu já sabia, rs, estava apenas aguçando o seu interesse pela produção de um texto em homenagem à talentosa e belíssima atriz. O Amigo de quem falo e  que prontamente aceitou o convite, é o Adilson Oliveira. Valeu, amigão! Confiram:  


Início de 1982. Maitê Proença aparece linda na pele da vilã Carla, na novela Jogo da vida, de Sílvio de Abreu. Eu, nesse tempo, não sabia ainda o que era novela. Acompanhava minha irmã à casa da vizinha. Tudo para mim era a mesma coisa: novela, comercial... Aquelas imagens ininterruptas não me diziam absolutamente nada, não seduziam o garoto de sete anos de idade, com exceção de quando Maitê aparecia no vídeo. Diante da imagem daquela bela mulher, eu ficava seduzido pelos seus olhos claros, pela voz doce e rouca e pelo seu sorriso. Não sabia ainda quem era aquela atriz que, apesar de vilã na novela, era o meu anjo da guarda. Eu, desde o primeiro momento, me apaixonei por aquela mulher que habitaria para sempre os meus sonhos.


Daquele primeiro contato, guardo em mim a imagem da Maitê, translúcida como se fora ontem, talvez porque essa imagem se multiplicaria, no decorrer dos anos, em várias outras aparições da atriz na TV, no cinema, no teatro, nas revistas e nos jornais. A Carla, de Jogo da vida, transformou-se, em 1983, na doce Juliana, de Guerra de sexos, também de Sílvio de Abreu. Nesse período, já tinha consciência do que era novela, não conseguia, porém, separar a Maitê da Juliana: ambas eram igualmente encantadoras e eu já me enfeitiçara definitivamente por essa mulher.

Nos anos de 1984 e 1986, Maitê muda de casa e de século. Deixa de lado as mulheres contemporâneas para viver, respectivamente, Domitila de Castro Canto e Mello e Ana Jacinta de São José, nas obras Marquesa de Santos e Dona Beija, ambas de Wilson Aguiar Filho. Como amante de D. Pedro I ou como a mais famosa cortesã da história, Maitê emocionou o país inteiro, que mudou de canal para se deixar seduzir pela atriz que era, ao mesmo tempo, símbolo de beleza e de talento. Deixamos as amarras de uma sociedade tradicional e torcemos apaixonadamente pela cortesã, acompanhando com olhos atentos a nudez do seu corpo e da sua alma. Nudez contemplada, também, na capa da revista Playboy, em fevereiro de 1987, que bate recordes de venda nas bancas de todo o país. Eu, ainda garoto, contemplo cada página como se não houvesse vida além daquela revista. Olhos, seios, boca, sexo... tudo ali tem um gosto de desejo.




Maitê, em 1987/1988, volta à atualidade e à Globo. Dessa vez, cede espaço à Camila, de Sassaricando, em mais uma parceria com o mestre Sílvio de Abreu. Nessa novela, a atriz abusa da sensualidade e dá vida à fotógrafa mais charmosa da teledramaturgia. Em 1989, o Brasil acompanha o romance improvável entre a professorinha Clotilde e o matuto Sassá Mutema, na novela O salvador da pátria, de Lauro César Muniz. Nessa novela, Maitê presenteia os fãs com um dos papéis mais marcantes de sua carreira. A doce professora rouba o coração de Sassá e de seu intérprete Lima Duarte; rouba, também, o coração de toda uma nação, que torce pelo improvável desfecho feliz daquela estranha história de amor.



Em 1991, Maitê surge na pele da protagonista de Felicidade. Helena é uma mulher, ao mesmo tempo, forte e frágil, corajosa e amedrontada, um pássaro com o desejo de voar para longe de Vila Feliz e buscar a felicidade no Rio de Janeiro. A novela de Manoel Carlos, baseada nos contos de Aníbal Machado, imortalizou a Helena de Maitê, transformando esse papel num dos mais importantes de sua carreira na telinha e desmitificando a ideia de heroína idealizada.


De 1994 a 2005, Maitê se metamorfoseou em Heloísa, Eugênia, Kalinda, Daniela, Maria Regina, Clara e Verinha. Essas duas últimas são grandes sucessos da atriz nas novelas Torre de babel, de Sílvio de Abreu, e Da cor do pecado, de João Emanuel Carneiro. Nesta, ela é a trambiqueira Verinha que, ao lado do Ney Latorraca, vive de golpes e do desejo de ascensão social; naquela, ela é a sofrida Clara, uma mulher sem brilho que, ao descobrir o amor nos braços de Clementino, se transforma em uma nova mulher. Em 1996, no aniversário da revista Playboy, mostra-se mais uma vez nua para deleite de italianos e brasileiros.


Depois da Walkíria e da Nanda, nas novelas Três irmãs e Caminho das Índias, Maitê deu vida à bela e adúltera Stela, na novela Passione, 2010/2011. Na sua mais recente parceria com Sílvio de Abreu, a atriz mostra ao país porque ainda é uma das mulheres mais desejadas de todos os tempos. Nessa novela, trai o marido com garotões que ela caça como uma verdadeira predadora. O Brasil inteiro cede aos encantos da linda atriz e aprova os desatinos da nossa belle de jour.


Além das novelas, Maitê, nesses mais de 30 anos de carreira, deu o ar de sua graça em minisséries, em peças de teatro e no cinema, vivendo papéis marcantes e construindo uma linda história na dramaturgia brasileira.
Os jornais e as revistas ajudam a contar essa bela história. Como fã, recorto as notícias e reconstruo a trajetória dessa grande atriz. Nas minhas pastas de recortes, estão lado a lado: a Joaninha, de Dinheiro Vivo – sua primeira novela; a Maria da Glória, de As três Marias, a Juliana, a Beija, a Clotilde, a Helena, a Stela e, por trás de todas elas, está a minha sempre Maitê Proença.


Adilson Oliveira é Professor Universitário, Roteirista e poeta apaixonado por corujas, além de, um grande amigo!

sábado, 20 de agosto de 2011

Insensato Coração - Crítica Final




“... Numa estrada dessa vida eu te conheci, oh flor!
Vinhas tão desiludida, mal sucedida por falso amor
Dei afeto e carinho...”

Como retribuição, recebi um casal de falso protagonistas que arrastaram uma história de amor nada convincente de janeiro até aqui. Admito saber que o mesmo talento para criar personagens maravilhosamente ardilosos Gilberto Braga não tem na hora de criar os seus mocinhos. Mas Pedro e Marina nem de porre desce. Paola e Eriberto são bonitos e juntos formaram um belo par. Mas isso é muito pouco para sustentar o principal casal de uma novela. Não aconteceu a química, suas falas eram pobres e melosas demais. São dois atores de talento, mas como casal realmente não deu certo. Não sou o maior fã de Gilberto Braga, mas acompanho suas novelas desde “Força de um Desejo” e confesso que fiquei meio frustrado com Insensato Coração. Prometia muito mais e mostrou de menos. Fez jus ao título e foi “insensatamente coerente”.

Marina – personagem fraca, altamente secundária. Não é protagonista nem na Televisa. Não exige uma intérprete de grande talento, mas necessita que role uma empatia forte junto ao público. Só assim a personagem poderia ser  menos indiferente. Gosto do trabalho de Paola Oliveira, mas seu carisma não se compara ao de Ana Paula Arósio. Mais sorte na próxima vez...



Pedro – muito humilhado, bobo, um perfeito idiota. Ninguém gosta de ter por perto uma pessoa que vive se lamentando e se colocando como a última das criaturas. Não há de ser numa novela que iríamos suportar isso. Ao menos dois meses antes do fim o personagem acordou e ficou mais esperto, mas não menos chato... Eu não gostei!

O Insensato Coração bate no peito de Norma, mulher simples e honesta que se deixa envolver e cai na lábia de um cafajeste que lhe aplica um golpe que a faz passar alguns anos na prisão. Pronto, nasce a personagem mais bem estruturada da novela, com a assinatura da grife Glória Pires. O enredo de Norma foi bem contado, de mulher frágil e ingênua a uma vingativa que de tudo faz para ter em domínio o homem que destruíra sua vida e brincara com seu amor. É a protagonista da história, a personagem título, a mais aguardada. Amei a sua trajetória, mas odiei seu fim. É claro que a insensatez de seu coração poderia levá-la aos os extremos, mas eu torcia pela vingança perfeita, com Norma viva e por cima.  Sobre Gloria Pires... O nome fala por si só. É chover no molhado. É capaz de dar vida a tudo que lhe apresentam...

Carol - Camila Pitanga assumiu o posto de “mocinha da trama”, cheia de nuances, conflitos tocantes e atuais, encontros e desencontros sentimentiais com direito a um triangulo amoroso com o amor do passado e uma relação sólida do presente. Mulher, mãe e profissional. Carol foi o retrato da mulher atual, impossível não se identificar. Não foi um sucesso como Bebel, mas agradou em cheio ao publico em geral. A química com Lázaro Ramos foi perfeita e mesmo Andre sendo cafajeste, houve muita torcida para que eles terminassem juntos. Porém ela ficou com Raul.
 
 Lázaro Ramos, vítima de muitas críticas no inicio da novela, acertou o tom de seu personagem no desenrrolar da sua história e conseguiu me conquistar. Tais críticas e rejeições mostram o quão preconceituosa é a nossa sociedade. Se fosse um ator branco e de cabelos lisos, seria natural o seu rodízio sexual com exuberantes mulheres. Mas ator era negro, tinha cabelo duro e fugia do padrão de beleza imposto. Isso incomodou. E muito. 

Natalie – quando tomei conhecimento do perfil da personagem, logo pensei: "Darlene - a evolução Pokémon". Mas os autores e atriz calaram minha boca antes que ela proferisse isso. Natalie lembra Darlene pelo sensual, mas são perfis distintos e Débora soube defender como poucas. Emprestou todo o seu carisma à vilã. Sim, vilã. Embora não seja assassina, Natalie teve uma conduta que passava longe da dignidade. Roubou e prejudicou algumas pessoas para conseguir o que queria, com muito charme, é claro. A D O R E I o seu final como deputada, um tapa com luva de pelica nesse circo chamado de Congresso Nacional.

Demorei um pouco para entender a Wanda e só consegui no final... rs! - mas a presença de Natalia do Valle me traz as melhores expectativas possíveis e dessa vez não foi diferente. Que show de emoção e naturalidade na cena em que soubera da “morte” de Léo. Tudo perfeito: as pausas entre as palavras, a respiração, a voz, ou melhor, a falta dela... E a confissão de culpa pelo assassinato de Norma foi inclassificável. Não há adjetivos cabíveis. Wanda, insensato coração de mãe!

Não posso deixar de citar atores veteranos, mas que continuam atuando com vigor e sem cair na canastrice de alguns colegas. Senhoras e senhores uma salva de palmas para:

Débora Evelyn
Marcelo Vale
Ana Lucia Torre
Cristina Galvão
Cássio Gabus Mendes
Louise Cardoso
Ana Beatriz Nogueira
Herson Capri
Rosi Campos
José de Abreu

Mas como nem tudo são flores, preciso dizer que é um afronte daqueles convidar uma atriz do naipe de Nathalia Timberg para aparecer 03 vezes na semana defendendo uma personagem ridícula, sem função, com falas clichês e de 4º nível. Mais respeito por tudo que essa atriz representa e pelos grandes trabalhos já realizados com este autor. Isso não foi digno!

Também achei um despropósito ver Bete Mendes em uma personagem fraca, extremamente coadjuvante e talvez desnecessária. Poderiam ter oferecido a outra atriz. O mesmo digo de Louise Cardoso, que poderia muito bem ser a Wanda, mas não foi a personagem que lhe coube e a mesma defendeu muito bem o papel designado.

Antônio Fagundes como Raul parecia o Ivan Meirelles de Vale Tudo: mais velho, mais chato, mais gordo e mais grisalho.

Inconcebível nos dias de hoje o boicote às cenas homoafetivas entre Hugo e Eduardo. Curioso uma cena amor entre iguais chocar mais do que a série de assassinatos que predominou nesta novela, a mais mórbida que eu já vi. Se o relacionamento gay não pode ser explorado, o mesmo não posso dizer sobre a Homofobia. Foi um trabalho muito bem feito em cima deste tema e alertou a nível nacional para crimes que quase sempre passam despercebidos e a união estável foi a cereja do bolo. Com ou sem boicote o recado foi dado!

Tão exagerado quanto à censura no núcleo gay, foram as participações especiais. Ajudaram a movimentar a trama, mas ao mesmo tempo deixaram a sensação de vazio, de coisa vã. Destaco a presença de Cristiana Oliveira e Milton Gonçalves. Ela como Araci, traficante já condenada cumprindo pena no presídio e algoz de Norma Pimentel em sua fase ingênua. Ele como o pai relapso, frio e ausente, incapaz de estabelecer uma relação de afeto com o filho, o único a estar ao seu lado na hora do fim. Duas participações verdadeiramente especiais.

Se alguns veteranos deixaram a desejar, jovens atores perceberam em seus pequenos papéis uma chance de brilhar. Giovanna Lancellotti deu vida a charmosa e romântica Cecília, irmã da menina furacão Leila, numa atuação da também competente Bruna Linzmeyer. Esse mesmo talento também se aplica a Tainá Muller, intérprete da frígida e arrogante Paula Cortez.



Se as meninas mandaram bem, os meninos não ficaram atrás. Depois de um começo duvidoso e pouco louvável, Jonatas Faro encontrou o tom certo para conduzir a trajetória de Rafael, o bom menino rico. Thiago de Los Reyes defendeu muito bem o amigo invejoso de Rafa, que arma contra o amigo movido pela inveja e a péssima influência do Vinicius de Thiago Martins, no seu melhor desempenho e papel numa telenovela até então. Mostrou-se um ator versátil, pois seu personagem embora fosse mau caráter, escondia esse lado da família e para ela mostrava-se um menino estudioso que não teve vida fácil. Thiago flertou com a dualidade forma coerente, andou na corda bamba de sombrinha e não caiu.

Por fim a redenção de Gabriel Braga Nunes. Antes de sua passagem pela Record, Gabriel fora do casting da Rede Globo, mas sem nenhum grande personagem ou maiores oportunidades. Nesse seu retorno a velha casa, Gabriel recebeu o que todo ator quer: um vilão. E de Gilberto Braga, expert no assunto.  Tá certo que comparado a outros vilões já criados pelo autor, Léo sai perdendo feio. Não teeve a imponência de "Odete Roitman" nem a malícia de "Maria de Fátima". Léo é artificial, impalpável, diferente. Porém reina absoluto dentro desta novela. Desde sua primeira aparição chamou para si os holofotes do folhetim e apenas o dividiu com a Norma Pimentel Amaral.
 
Sendo assim termino este post com a certeza absoluta que a novela em si, não foi boa, mas teve seus elementos positivos. E entre tantas mortes e feridas, Gabriel se salvou com louvor!!!


sexta-feira, 19 de agosto de 2011

SBT 30 Anos - Muito Amor!!!

Celso Garcia é um jovem blogueiro que dentre outras paixões faz questão de enfatizar o seu amor pelo SBT. Numa data tão especial em que se comemora os 30 anos da TV do Silvio Santos, e que é também, um pouquinho de todos nós que a acompanhamos desde... não poderíamos prestar melhor homenagem. Pensando nisso o convidei a escrever um texto comemorativo, ele aceitou e desde já o agradecemos! Vale muito a pena conferir: 


Televisão é hábito. E não sou eu quem estou dizendo isso. Os papas da comunicação, os grandes executivos das emissoras, os professores nas universidade são unânimes: não é do dia para a noite que se constrói um bom relacionamento entre público e os canais de TV. Neste mês de setembro, mais especificamente no dia 19, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT, para os íntimos) completa 30 anos. E ao longo de tanto tempo, a emissora de Sílvio Santos construiu uma belíssima história. Cheia de altos e baixos? Sim. Com bons e maus programas? Também. Mas impossível dizer que a antiga TVS passe desapercebida pela telinha de boa parte dos brasileiros.


Geralmente, ao se falar de uma data comemorativa como essa, temos a tendência de olhar para o passado e ir voltando para o futuro, acompanhando a evolução natural das coisas. Mas não é isso que pretendo fazer. Primeiro, porque no caso do SBT ficaríamos com um gosto ruim na boca ao final desta homenagem (e, oras, se é homenagem, que se faça algo pra cima). Segundo, porque quero enfatizar o que talvez seja o maior tesouro da emissora do Patrão: a memória afetiva do público.
Portanto, saiamos destes tempos atuais. O SBT passa por um momento complicado. Por um lado, fugiu de suas raízes e passou a apostar em programas duvidosos. Por outro lado, perdeu nomes importantes de seu artístico. Some-se a isso a crise financeira do Grupo Sílvio Santos e a concorrência da Record, emissora com inesgotáveis recursos financeiros que subiu ao posto de segunda maior emissora do país. O SBT hoje em dia, mesmo em sua faixa nobre, chega a perder em audiência para a Band. Sim, a atual situação da TV mais feliz do Brasil não é das mais confortáveis. Vamos então nos focar nos anos dourados, em momentos que não saem de nossa memória.


Como, por exemplo, há cerca de 10 anos atrás, quando Sílvio Santos surpreendeu a todos colocando no ar, pela primeira vez no Brasil, um reality show de confinamento com alguns artistas de segundo escalão. "A Fazenda"? Não, era a "Casa dos Artistas". Aliás, comparado à audiência da "Casa", o reality da Record não faz nem sombra. Aos domingos, durante a eliminação, "A Casa dos Artistas" atingia incríveis picos de 50 pontos de audiência, deixando o tradicionalíssimo "Fantástico" a ver navios.
E como se esquecer dos tipos inesquecíveis do programa "A Praça é Nossa", o mais antigo humorístico do país? Por lá já passaram talentos únicos como Ronald Golias, Rony Rios (a Velha Surda, Explicadinho, Philadelpho), Maria Tereza (Vamércia, a fofoqueira), Roni Cócegas (Cocada), Simplício (que popularizou para o país inteiro que lá na cidade de Itu é tudo grande), Arnaud Rodrigues (o Povo Brasileiro, Chitãoró) e muitos outro que se sentaram ao lado do grande Carlos Alberto de Nóbrega. Mas nem só de "A Praça é Nossa" viveu o SBT: por ali passaram "Ô, Coitado", com Gorete Milagres (a Filó), "Escolinha do Golias" (com a participação sempre hilária de Nair Belo), sem falar dos especiais "Romeu e Julieta", com Golias e Hebe nos papeis principais.


Aliás, por falar em Hebe, nos lembramos de uma marca importante do SBT: os programas de auditório, que foram (e são) muitos. Antigamente minha família toda se reunia em frente à TV aos domingos por volta da hora do almoço e de lá só sairia quando Sílvio Santos dissesse sua famosa frase: "Fiquem agora com o filme X, na Sessão das Dez. Eu não assisti esse filme, mas minha mulher assistiu, minhas filhas já assistiram e me disseram que o filme é muito bom". Lembro-me de ser obrigatório assistir ao "Topa tudo por dinheiro" para que na escola, no dia seguinte, eu pudesse participar das rodas de conversa. E somam-se ao "Topa tudo" outros programas como "Porta da Esperança", "TV Animal", "Viva a noite", "Domingo Legal", "Show de Calouros" e "Play Game" (jogo que colocava os participantes dentro da tela de um jogo de vídeo game, mais interativo impossível - e isso em 1993!).


Se eu fosse falar de tudo sobre o SBT, discorreria por páginas e páginas a fio (olha eu aqui abrindo mão de citar os gameshows como "Show do Milhão" e afins). Conforme começo a me lembrar de um programa, rapidamente sou remetido a outro. Por exemplo, acabei de me lembrar de uma das novelas que mais me emocionaram, "Carrossel", novela mexicana da Televisa exibida aqui entre 1991 e 1992. A novela tinha a proeza de incomodar o "Jornal Nacional", além de cativar a família inteira com as histórias de Cirilo e companhia. Quando se fala em novelas do SBT, muitos são remetidos às suas clássicas novelas mexicanas ("Rosa Selvagem", "Usurpadora", etc), mas quem acompanha o canal com atenção sabe que por ali já houveram novelas de qualidade, como "Éramos Seis" e "As pupilas do senhor reitor", só para citar as duas que mais gosto.


Pouca gente sabe que o SBT inovou o jornalismo nacional com o policialesco "Aqui Agora". A estética, o envolvimento do repórter com a notícia, o ritmo da informação, nada disso foi o mesmo depois que Gil Gomes, Celso Russomano e companhia invadiram nossos televisores com aquela câmera tremida.


Pra fechar, fico com as mais saudosas de minhas memórias. As manhãs e tardes que passava em frente à TV quando criança. Foi ali que aprendi a ser apaixonado por este meio de comunicação e, nisso, o SBT tem grande "culpa". Bozo, Angélica, Mara Maravilha, Sérgio Mallandro, Vovó Mafalda e Papai Papudo, muito obrigado por me viciarem neste veículo no qual hoje trabalho!


Quando, no começo deste texto, eu disse que o maior tesouro do SBT é a memória afetiva de seu público, era a tudo isso que eu me referia. A ex-TVS está presente na memória de muita gente - cada um teria um programa ou uma história diferente para contar, uma memória querida, um momento de cumplicidade com a telinha. Quando o SBT se refere a si mesmo como a TV mais feliz do Brasil, pode ser que não estejam brincando, ou apenas fazendo marketing. É comum ler por aí seus empregados (boa parte funcionários antigos da casa) se referindo com amor à emissora e ao patrão, o icônico Senor Abravanel, vulgo Seu Sílvio. Talvez esteja neste carinho a força para que o SBT se reencontre consigo mesmo, que ache o caminho da retomada. Não seria ruim que eles pudessem disputar de novo a segunda posição no audiência nacional. Ganha o mercado com a concorrência. E ganhamos nós, público, com programas que nos emocionam e que ficam guardados por outros 30 anos em nossa memória! Parabéns, SBT, a TV mais feliz do Brasil! Feliz aniversário para as nossas boas lembranças!






Celso Garcia
Formado em Comunicação Social - Rádio e TV pela UNESP/Bauru. É assistente de direção, escritor e roteirista de televisão.
Mora no Rio de Janeiro.
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