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terça-feira, 11 de setembro de 2012

“A Próxima Vítima” x “Renascer”: o duelo de reprises


Lirismo rural de Benedito Ruy Barbosa desbanca o thriller de Sílvio de Abreu na grade do Canal Viva!


Por Júlio Cesar Martins
Reprodução da home-page oficial do "Vídeo Show": mais de 8 mil acessos ao vídeo de "Renascer"

Embalado pelas comemorações de 2 anos de sucesso, o Canal Viva (do Grupo Globosat)  anunciou com antecedência as novidades programadas para a grade vespertina: as novelas “Felicidade” – sucesso de Manoel Carlos - e “A Próxima Vítima” – rocambole policial de Sílvio de Abreu - substituem “Top Model” e “Barriga de Aluguel” no segundo semestre. As chamadas de “Felicidade” já pipocam ao longo da programação e reestréia em 24 de setembro.

No início do mês, o site oficial do Canal anunciou a substituição de “A Próxima Vítima” por “Renascer”, e justificou: “A apresentação de “Renascer” atende aos constantes pedidos dos assinantes pela trama. Por esse motivo, o canal decidiu antecipar a exibição da novela assim que conseguiu a liberação de seus direitos.”

Muita gente não engoliu esse papo torto. Nem eu. Agora vamos aos fatos:

Em junho, o “Vídeo Show” exibiu em seu novo quadro-coqueluche, o “Novelão da Semana”, um resumo de “Renascer”, em 5 partes. O primeiro vídeo da série alcançou números surpreendentes de acessos no site oficial do programa – mais de 8.000 – uma marca incomum. A repercussão inusitada provavelmente reverberou na direção do canal, ansiosa para repetir o burburinho causado pela reprise de “Vale Tudo”, no ano passado.

Patrícia França e Antônio Fagundes em "Renascer"
Trocando em números, basta pesquisar um pouco para descobrir que a expectativa de “A Próxima Vítima” em 1995 era elevar a audiência do horário das oito - em crise por conta do quiproquó ufanista de Gilberto Braga, “Pátria Minha”. Mas ao contrário do esperado, o suspense de Sílvio de Abreu derrubou ainda mais a audiência: o capítulo de estréia atingiu bons índices - 52 pontos - mas no sábado seguinte, já amargava a assustadora marca de 35 pontos. Habilidoso, o autor conseguiu pouco a pouco elevar os números, e no final das contas a novela acabou registrada na história da teledramaturgia como “um grande sucesso”, graças aos truques de suspense. Porém, o mistério já está mais do que desvendado, já conhecemos os finais – o original e o alternativo – e o apelo popular está enfraquecido, portanto.

“Renascer” trouxe um sopro de luz para o horário das oito, espantando de vez o clima nefasto da antecessora “De Corpo e Alma”, por conta do assassinato de Daniella Perez. A saga rural, ambientada no interior da Bahia, trazia de volta o melhor de Benedito Ruy Barbosa para a Vênus Platinada. Satisfeito por ter conseguido provar seu valor de novelista para a Globo depois do efeito “Pantanal”, em 1990, ele voltou por cima da carne seca direto para o horário nobre, com a responsabilidade de superar ou, no mínimo, repetir a repercussão da novela que escreveu para a emissora concorrente. Logo de cara, os primeiros capítulos arrebataram o Brasil, que se encantou com as desventuras de José Inocêncio (Leonardo Vieira/ Antônio Fagundes). As sequências antológicas do jovem coronel que vivia entre a fábula e a realidade, aliadas ao trabalho de direção apurado de Luiz Fernando Carvalho – com seus enquadramentos incomuns, perscrutando frestas e janelas, sobrevoando o cenário natural em travellings gigantescos – trouxeram um frescor cinematográfico para o confortável ambiente da telenovela. As novidades garantiram os Prêmios APCA e Troféu Imprensa de melhor novela de 1993 e a média geral consolidada de 60 pontos de audiência.

“Barriga de Aluguel” é a única novela do Viva com 4 anunciantes: Papel Higiênico Personal, Maionese Hellmans, Iogurte Activia Danone e Embelleze. Será que os anunciantes torceram o nariz para a escolha de “A Próxima Vitima” e induziram a troca?

Só sei que, entre todas as possibilidades, a da “substituição a pedido dos assinantes” me parece a menos provável.
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