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sábado, 5 de janeiro de 2013

Você votou e aqui estão os melhores de 2012!!!

Por Júnior Bueno e Emerson Felipe



Alô, alô, graças a Deus! 2012 já se foi e o Posso Contar Contigo orgulhosamente apresenta o Melhores e Piores do Ano, onde você escolheu quem foi bem e quem foi mal no ano que passou. A todos vocês nosso muito obrigado, esperamos contar com vocês em 2013 também. Vemos ao resultado?

Homenageada do Ano: Betty Faria


Em 2012 tivemos a grata surpresa de ver a maravilhosa Betty Faria de volta ao lugar de onde não deveria ter saído: o horário nobre. E deu vida ao núcleo mais chatinho de Avenida Brasil, o do Cadinho e suas mulheres. No papel de Pilar, a tresloucada e divertida mãe de Aléxia (Carolina Ferraz), Betty nos lembrou o quanto faz diferença em cena e o como uma estrela com seu talento e a sua história precisa ser valorizada. Sem contar que ela também esbanja simpatia e carisma no twitter. Vida longa e mais papéis incríveis pra essa diva da TV.


Melhor novela de 2012: Avenida Brasil


Um sucesso como há muito tempo não se via, Avenida Brasil inovou na narrativa ágil, na fotografia de cinema, e no enfoque, trazendo pro centro da ação o subúrbio do Rio, com suas cores, sons e personagens carismáticos. Em Avenida Brasil ocorreu a junção de todos os fatores que geralmente contribuem para um êxito: texto inteligente, direção precisa e um elenco afiado, onde todos se destacaram. Outro fator que contribuiu para o sucesso da novela foi sua popularização nas redes sociais. Era uma hora de novela e 23 horas de meme. 



Pior novela de 2012: Máscaras

Anunciada como uma superprodução, a novela da Record causou um estranhamento do público com uma estrutura e texto confusos e derrubou a audiência da emissora dos bispos. Quando a equipe se propôs a fazer alterações, a emissora empurrou a novela pro ingrato horário das 00:30. O diretor chegou a ser trocado e o autor, o veterano Lauro César Muniz anunciou sua aposentadoria das novelas. Um trabalho que tinha tudo pra dar certo e deu tudo errado, infelizmente.


Melhor Atriz de 2012: Adriana Esteves (Carminha em Avenida Brasil)


A personagem de TV do ano foi a vilã mais adoravelmente odiosa dos últimos tempos: Carminha, a primeira-dama do Divino. A atriz esbanjou talento com suas caras e bocas, suas frases de efeito e seu jeito dissimulado. E pensar que Adriana não era a primeira opção para a personagem. 



Pior Atriz de 2012: Cláudia Raia (Lívia em Salve Jorge)


Uma vilã da novel das nove é um prato cheio pra qualquer atriz mais experiente, certo? Não pra intérprete da atual malvada do horário nobre. Um tom engessado e uma fala robótica foi tudo que Cláudia Raia conseguiu imprimir à chefe do tráfico de mulheres na trama de Glória Perez. Com um ar apático e duro, a personagem vem perdendo espaço pra Totia Meireles (indicada ao prêmio de atirz coadjuvante). Uma pena, já que Cláudia Raia vinha de excelentes trabalhos em Tititi e A favorita.


Melhor ator de 2012: José de Abreu (Nilo em Avenida Brasil)


Na novela do Oioioi quem brilhou foi o cara do hihihi. Explico: o veterano ator José de Abreu encontrou aquele que certamente foi um dos melhores personagens e a melhor interpretação de sua carreira. O velho asqueroso se tornou num dos preferidos pelo público que foi brindado por uma brilhante atuação. 


Pior ator de 2012: Jesus Luz (Ronaldo em Guerra dos sexos)


Se como DJ, Jesus Luz é um ótimo modelo, como ator ele é um excelente DJ. Apesar de viver um personagem menor, ver o ex-namorado da Madonna "contracenando" com gigantes como Irene Ravache e Tony Ramos é constrangedor. Inexpressivo é pouco.


Melhor atriz coadjuvante de 2012: Laura Cardoso (Doroteia em Gabriela)


Um grande acerto na versão de Walcyr Carrasco pro romance de Jorge Amado foi a inclusão da beata, inexistente no romance e na versão de 1975 da novela. Laura Cardoso brilhou (qual a surpresa?) em cada cena, cada fala, cada palavra do texto. A detestável personagem se tornou a salvação da novela nos momentos em que a trama principal não andava. Escrever sobre o talento da divina Laura Cardoso sem dizer nada do que já foi dito sobre ela é impossível. Só nos resta admirá-la em cena, encantados e  emocionados.

Melhor ator coadjuvante de 2012: Juliano Cazarré (Adauto em Avenida Brasil)


Juliano Cazarré fez do ingênuo Adauto o sonho de consumo das telespectadoras (e alguns telespectadores, diga-se). O personagem puro, apaixonado e meio burrinho acabou por roubar a cena com  suas tiradas e o ótimo ator brasiliense (indicado como ator revelação no ano passado) se destacou. Tanto que foi dele o gol que fez do time do Divino campeão e encerrou a novela. Moral, hein?

Atriz Revelação: Cacau Protásio (Zezé em Avenida Brasil)

"Eu quero ver tu me chamar de amendoim..." Um refrão que vai ficar eternizado é a prova do talento de uma  grande atriz ainda em seus primeiros passos. A empregada da família Tufão chegou de mansinho e aos poucos foi ganhando cada vez mais espaço na trama de João Emanuel Carneiro, a ponto de se tornar uma das preferidas do público. Queremos mais amendoim nas telinhas.


Ator revelaçãode 2012: José Loreto (Darkson em Avenida Brasil)


Um ator grandalhão ou um fofo? Os dois, se for o Jorge Loreto que conquistou corações dentro e fora da novela. O moço que já tinha dado as caras em papéis menores teve sua grande chance de crescer e aparecer como o rei dos bailes charm do Divino. Perdoem o trocadilho, mas charme é o que ele tem de sobra, né?



Melhor ator/atriz infantil de 2012: Mel Maia (Ritinha em Avenida Brasil)


Bastou alguns poucos capítulos no ar pro Brasil se emocionar com a história triste da Ritinha e se apaixonar pela criaturinha fofa por trás da personagem. Carismática e esperta, Mel é daquelas crianças que não parecem estar atuando e sim brincando em frente à câmera, coisa rara na TV de pequenos adultos cheios de poses. Não sei se é precipitado dizer, mas Mel terá um futuro brilhante se continuar atriz, tem tudo pra ser uma Glória Pires das próximas décadas.



Melhor série/seriado de 2012: Louco por elas


2012 foi um ano tão pródigo em minisséries e seriados, a grande maioria superior á média que neste ano não tivemos seriados em quantidade suficiente pra eleger a pior, de modo que em 2012 só teremos a categoria Melhor série. E público elegeu a simpática série de João Falcão que em duas temporadas no mesmo ano mostrou que com um texto ágil e um elenco inspirado (ave Glória Menezes), o seriado rendeu boas risadas em frente à TV. E terá mais temporadas, ainda bem.




Melhor casal de 2012: Ritinha e Batata (Mel Maia e Bernardo Simões) - Avenida Brasil


Um amor de infância é difícil de esquecer, não é mesmo? Que o digam Nina (Débora Falabella) e Jorginho (Cauã Reymond). O casal problemático na vida adulta foi na primeira fase da novela uma dos casais mais lindos da novela e o preferido do público em 2012. Muito puro e cheio de magia o casal mirim deixou pra trás pares românticos tradicionais na eleição deste blog. Uns românticos vocês, hein?



Pior Casal de 2012: Morena e Théo (Nanda Costa e Rodrigo Lombardi) - Salve Jorge

Uma prova de que química é tudo prum casal de novela: em 2011 Rodrigo Lombardi levou, junto com Carolina Ferraz o prêmio de melhor casal (em O astro). Este ano, a história de amor entre soldado e a moça da favela não deu liga. Ao som de Esse cara sou eu, as juras de amor inverossímeis e as cenas mais mexicanas entre os dois não convenceram o público. O casal está atualmente separado e Nanda Costa tem se dado melhor nessa fase da novela, onde é traficada na Turquia. Tomara que não volte pro Théo tão cedo.


Melhor tema musical de 2012: Vida de Empreguete (Isabele Drummond, Leandra Leal e Taís Araújo) - Cheias de Charme

O primeiro sucesso do trio Empreguetes foi uma divertida mistura de realidade e ficção: as atrizes cantavam a música, as personagens produziram e lançaram o vídeo na rede, o público de casa assistiram em primeira mão na internet. E o hit estourou nas rádios - e baladas - do país. A música foi composta por Quito Ribeiro especialmente pra novela foi a sensação do ano.



Melhor cena de 2012: Carminha enterra Nina viva (Avenida Brasil)


A cena que marcou uma virada em Avenida Brasil foi ao ar no capítulo 102 e deixou a audiência de cabelo em pé. Com uma fotografia impecável e atuações perfeitas e o clima sombrio necessário a cena preferida do público em 2012 entrou para o hall das grandes cenas da teledramaturgia brasileira. assista a cena aqui


Pior cena de 2012: Théo tenta impedir a viagem de Morena (Salve Jorge)


Uma cena melodramática demais inverossímel demais, com um personagem chato  demais. Na mesma sequência o mocinho da novela impede um assalto num ônibus, rouba uma moto, fura o bloqueio da segurança do aeroporto numa fuga alucinada e não consegue alcançar a mocinha. Muito barulho por nada, confira aqui.


Melhor fala de 2012

Não irei descrever, apenas vejam:




Bom, é isso, pessoal, muito obrigado e até a próxima!!!










quarta-feira, 16 de maio de 2012

Entrevista Exclusiva com o Autor Lauro Cesar Muniz - Sem "Máscaras"!



Por Isaac Abda e José Vitor Rack 

José Vitor Rack – Referências a Ionesco (A Cantora Careca), Fellini, ao materialismo... “Máscaras” é claramente uma novela que retrata fielmente seu autor. Isso foi plenamente consciente ou foi involuntário?

Lauro Cesar Muniz – Quando fiz as contas de quantos anos eu teria na próxima novela cheguei à conclusão de que “Máscaras” seria a última. Tenho feito novelas de dois em dois anos na TV Record, logo, ao terminar a que está atualmente no ar, eu teria 75 anos. Mais dois seriam 77! Com meus 74 anos atuais já estou bastante desgastado logo no início do trabalho, o que poderia acontecer aos 77?

Então resolvi fazer citações em Máscaras das minhas paixões literárias, dos meus filmes cults, das peças teatrais. De uma forma orgânica, ou seja, sem gratuidade. Por isso criei algumas tramas e citei algumas obras primas como “E La Nave vá” de Fellini, “A Cantora Careca” de Ionesco, “Quem tem medo de Virgínia Woolf” de Edward Albee, “Profissão Repórter” de Antonioni, sempre de forma jocosa, distorcendo as bases originais.


José Vitor Rack – A verdadeira história de Nameless se cruza com a de Otávio Benaro ou se trata de um encontro armado pelo destino mesmo?

Lauro Cesar Muniz – Nada é armado pelo destino nessa história. Trata-se claramente de um encontro marcado com objetivos claros. Nameless (depois batizada como Eliza) por uma organização internacional, tem uma clara missão de atravessar na vida de Martim Salles, mas acaba, sem saber se ligando a Otávio Benaro, que assumiu a identidade do cunhado Martim.


Isaac Abda – Há um mês sendo exibida, além da audiência abaixo do esperado pela emissora, “Máscaras” tem sofrido críticas pela ousadia/sofisticação do texto, que em determinados momentos parece confuso, ao menos para alguns. Imagino que um autor experiente saiba lidar com diferentes possibilidades de resposta do telespectador, prevendo-as inclusive. Qual a sua análise sobre a novela? Acredita que o produto esteja sendo injustiçado? De que modo você pretende alcançar também esse público que ainda não “comprou” a proposta da novela?

Lauro Cesar Muniz – Muitas vezes se confunde a palavra texto com diálogo. Texto é o conjunto da criação escrita, com idéia, temas, estruturas, rubricas e até diálogos.

Eu quis evitar fazer um diálogo plano que apenas levasse à ação dramática, então, com todo o cuidado para não generalizar os temas, mas ligá-lo com clareza aos personagens, me propus a discutir assuntos candentes do momento como ideologia, religião (de forma cuidadosa), estética, sempre em função da vida dos personagens. Nunca impondo regras ou fechando questões sobre qualquer tema. Uma espécie de levantar a bola para discussão. Para isso eu precisaria ter atores e atrizes com pleno domínio desses temas, o que não aconteceu.  Quando um ator emite uma opinião sobre um tema que desconhece parece uma frase descosida, um elemento estranho, sem vida, decorado.

Eu acho que me empolguei demais em criar uma trama policial cheia de mistérios e cometi o grave erro de abrir esses mistérios sem fechá-los em pouco tempo. Isso deu a sensação de trama sem clareza. No ar, a maioria das respostas está sendo dada, mas talvez seja tarde. O público tem pressa. Como eu não tinha quando escrevi – a novela ainda não estava no ar – eu perdi essa perspectiva. Foi o erro mais grave que eu cometi.

Meus diálogos são simples e realistas. Se, dão a alguns a impressão de serem “literários” (no mau sentido) é porque a direção da novela se equivocou no tom, dando aos atores certa solenidade. Por mais que eu alertasse, no início, não obtive a atenção dos diretores, pois estavam envolvidos com uma gravação dificílima em um navio. Ao voltar havia um atraso considerável e as reuniões não sanaram este problema.

Não me sinto injustiçado, não. Ao contrário me sinto “justiçado” – cometi um erro grave e estou pagando por isso. É uma pena que eu tenha errado em minha última novela. “Máscaras” vai para meu rol de equívocos como “Os Gigantes”.  Eu gostaria de acordar desse pesadelo.


Isaac Abda – Se em ‘Poder Paralelo’ sobraram críticas elogiosas à direção do Ignácio Coqueiro, o mesmo não acontece com o seu atual trabalho na emissora. ‘Máscaras’ é sempre discutida nas redes sociais, e há quem defenda a tese de que a novela é boa, mas mal realizada. Certamente que você assistiu aos primeiros capítulos antes de a novela estrear. E o que tem ido ao ar tá dentro do desejado por você? Caso haja necessidade, existe a hipótese de mudança na direção geral da novela, tal qual aconteceu em Cidadão Brasileiro?

Lauro Cesar Muniz – Eu jamais mudaria o diretor de minha novela, como não fiz isso em “Cidadão Brasileiro”. Corre uma idéia de que em “Cidadão” fui eu que troquei o diretor. Engano. Fui o último a aceitar a idéia da troca. Admiti o clamor geral quando não havia mais condições. O diretor estava sendo muito cobrado e reagia de forma desequilibrada.

O Ignácio Coqueiro, diretor de Máscaras, encontrou muitas dificuldades durante a produção. Gravar no navio foi extremamente difícil. Na volta havia atrasos na produção e ele nem teve tempo de reunir seus diretores para dar um tom bem definido como qualquer novela exige. Até hoje não acertaram o passo e a cada dia os problemas se agravam mais. A novela poderia ter tido muito mais tempo para a preparação. Entreguei o projeto ainda em 2010.


Isaac Abda – Óbvio que sendo uma obra aberta, estando apenas no início, tudo é passível de alterações. O que vem por aí em “Máscaras”?  

Lauro Cesar Muniz – Estou lutando mais para corrigir os muitos erros cometidos por mim, pela direção e pela produção, do que olhar para o futuro próximo. Tenho uma boa trama e o público, amante de policiais, vai seguir daqui para frente, desde que sejam sanados todos os erros. É possível. Já perdi grandes sucessos que estavam em minhas mãos e me surpreendi com novelas que começaram equivocadas e depois encontraram seu caminho, até recordes de audiência. Minha carreira é longa e seria exaustivo nomear exemplos aqui.

Foi ótimo poder desabafar em um blog de boa qualidade como este.

Posso Contar Contigo? – Nós nos sentimos honrados por tê-lo mais uma vez como entrevistado. Obrigado pela deferência. Saiba que torcemos pela resolução de todos os problemas envolvendo ‘Máscaras’, e que isto ocorra em tempo hábil.   


Imagens: Portal R7.com

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Máscaras: Uma velha nova novela!



Por Eduardo Vieira

Uma trama passada num transatlântico de luxo: um homem que deseja se curar do trauma do desaparecimento da mulher e do filho recém nascido, uma prostituta que deseja recomeçar a vida e apaixona-se por um empresário, duas irmãs que vivem às turras pelo cuidado obsessivo da mais velha em relação à caçula, um grupo de amigas que pregam uma maior liberdade nos relacionamentos e pretendem, como no filme de Fellini, “E La Nave Va” jogar no mar as cinzas de uma amiga que morreu de câncer, um cantor que vive em uma crise de carreira entre a arte e o dinheiro, um homem casado que vai com a amante e tem como surpresa a presença e a aprovação da esposa para que esse romance aconteça, uma mulher que observa a vida do juiz que a condenara por vários anos por um crime que ela diz não ter cometido, juiz com problemas com o filho que é desajustado socialmente e um casal que tem um filho imaginário.

Tal trama parece ter vindo daqueles livros de sinopses de novelas antigas da Tupi ou até com melhor vontade, da própria Globo. Para quem não sabe essa história é a linha mestra da novela do horário nobre da Record, substituta da bem sucedida e longa “Vidas em Jogo”, cujo título é “Máscaras”.


Porém a novela divide opiniões: uns acham que ela não tem ritmo, que a história é circular, outros ainda reclamam do certo non sense de algumas tramas e cenas, já ainda outros compartilham da ideia que é uma volta às antigas tramas climáticas que eram exibidas nos anos de ouro das telenovelas. 

A novela é dividida pelo plot principal, o sequestro de uma mãe com depressão pós parto, Miriam Freeland, por meio de uma organização que apenas o público fica conhecendo. Essa onda de mistério envolve o marido, o médico e melhor amigo do casal e o irmão sem muito caráter da vítima, Maria, vividos respectivamente por Fernando Pavão, Petrônio Gontijo e Heitor Martinez, este último já expert em vilões na telinha da Record.

A novela tem claramente um aspecto teatral desde os diálogos nem sempre naturalistas, fruto talvez da origem do autor Lauro César Muniz, novelista com experiência em teledramaturgia, mas também dramaturgo, além de contar com o também escritor de teatro Mário Viana, e de mais dois colaboradores.


O problema é que nem sempre tal fusão, a trama do sequestro junto às várias subtramas, exibe um ritmo ao qual o público de hoje, seja classe a ou d, esteja mais acostumado. Cenas compridas por demais em um único cenário como no início na fazenda com apenas 3 ou 4 atores, ou cenas de gosto duvidoso como o final de uma celebração em uma cena muita bem imaginada: um descasamento (referência ao desaniversário de Alice?) Dos personagens de Beth Coelho e Henri Pagnocnelli, uma agente cultural e um político, que culminará numa comemoração apenas feminina com todas dançando um Rock In Roll para expiar suas culpas e desopilar a influência machista que permeia a vida delas. Nos anos 70, seria uma boa ideia tal final de cena. Hoje soa um tanto ridículo.

Entretanto, há a melhor trama com duas belas atrizes, Daniela Galli e Karen Junqueira. Elas fazem as duas irmãs que rivalizam e ao mesmo tempo mostram um amor uma pela outra, bem fora do usual com cobranças, jogos de sedução, competições. Mais uma vez a figura do homem como elemento repressor, meio surpreendente em um autor que sempre traz os personagens masculinos com grande destaque.

No caso, há um herói debilitado pelos traumas passados, com a aparência de um Jesus Cristo justiceiro que busca explicação pelo repentino desaparecimento de sua amada. Tal imagem só vem reforçar certo clichê que em nada ajuda a trama, pois o ator Fernando Pavão se sai bem num difícil papel.

Também há uma trama bem comum às histórias de Lauro Cesar Muniz, uma organização por trás do seqüestro e ligada à figura de Martin, irmão de Suzana, o principal vilão da história. Essa organização misteriosa traz como agente um personagem que pretende ser misterioso, mas também termina por ser outro clichê ambulante, a tal Nameless, bem interpretada pela sempre talentosa Paloma Duarte, mas que outra vez, vem com uma carga irônica que a sua Fernanda Lira já tinha na anterior “Poder Paralelo”.

Como essas histórias vão se unir ou não, é difícil pressupor, mas ao menos nota-se cada vez mais uma procura por um ritmo maior nessa trama desse misterioso sequestro e uma troca de identidades que tumultuará a história. Contudo por enquanto, vemos cenas muito bem feitas como gravações de conversas vistas de modo subjetivo, mas também outras cenas constrangedoras com o ator Dado Dollabella como uma espécie de “adulto índigo”.

O ritmo de uma novela não precisa ser vertiginoso com lances rápidos como em “Avenida Brasil”, mas também, e ainda mais numa trama que exige mais ação, não precisa ser tão entremeado de tramas com papos-cabeça pseudo filosóficos. 

Mesmo assim a novela traz boas interpretações até inesperadas como de Gisele Itiê, como a garota propaganda Manu, que consegue humanizar bastante a personagem, a já falada Daniela Galli e principalmente de Petrônio Gontijo como a figura dúbia do médico apaixonado pela vítima do sequestro, Dr. Décio.

Não sou adepto da ideia de que toda novela deva ter o mesmo andamento, os mesmos tipos de personagens, e com isso, espero que sobressaia na novela o contar da história e que esta utilize os personagens a contento, pois para fazer uma obra diferente deve se contar com uma boa escrita. Essa lei é válida para todos os textos, mais ou menos convencionais, como é o caso de “Máscaras”.


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