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sexta-feira, 17 de abril de 2015

A magia do anti-heroísmo na ficção



Por Henrique Melo

Em minha postagem anterior aqui no blog, falei um pouco sobe os vilões e o fascínio provocado por esses personagens, tão aclamados pelo público. Mas nem só de maldades versus bondades vive o universo ficcional. Existe uma categoria que dança na corda bamba de sombrinha entre a turma do bem e do mal: a dos anti-heróis.

Ao contrário do arquétipo de herói, proveniente da antiguidade grega e cujos personagens são dotados de grandes virtudes, voltando-se sempre contra o mal provocado pelos vilões e se sacrificando em nome de uma razão nobre, os anti-heróis são personagens mais comuns e que agem movidos por interesses pessoais. Muitas vezes se utilizam de métodos pouco aceitáveis, como vingança, roubo e até homicídio. Mesmo diante disso, recebem a torcida popular e ganham admiradores. 


Não podem ser considerados maus ou vilões devido ao seu lado mais humano. Os anti-heróis carregam traumas do passado, como maus tratos na infância, assassinatos dos pais e por aí vai... Também são carismáticos e têm atitudes heroicas, embora visem, quase sempre, o benefício próprio. Nasce daí o jogo dúbio, que tem rendido ótimas produções ultimamente, tanto na literatura, quanto no Cinema e na TV.


Vejamos alguns exemplos:

Beto Rockefeller


Interpretado por Luís Gustavo na saudosa TV Tupi, o personagem Beto Rockefeller foi o responsável por uma grande revolução nas telenovelas brasileiras. O simplório vendedor de sapatos consegue se infiltrar na alta sociedade paulistana, passando-se por herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes dos EUA: os rockefeller.

Odorico Paraguaçu – O Bem Amado


O prefeito de Sucupira adora levar o seu povo no bico. Abusando de neologismos, Odorico Paraguaçu sempre se utiliza de um discurso pouco compreensível e de sua lábia irresistível. Determinado a inaugurar um cemitério em Sucupira, uma cidade onde ninguém morre, Odorico contrata os serviços de um assassino de aluguel.

Comendador José Alfredo – Império


O último sucesso global no horário nobre, Império, tinha como protagonista o garimpeiro José Alfredo que constrói um verdadeiro império ao se tornar traficantes de diamantes. Além disso, o personagem teve um caso com a cunhada, matou, mentiu e traiu a esposa com uma moça bem mais jovem. Sua (suposta) morte no desfecho do folhetim causou rebuliço nas redes sociais, pois muitos a julgaram “injusta”. 

Walter White – Breaking Bad


De professor de química a traficante, Walter White faz de tudo para se curar do câncer e garantir uma vida segura a sua esposa e filho. Na aclamada série americana, ele chega até mesmo a matar friamente. Mas o público o adora.

Dr. House


O mesmo acontece com o arrogante House, personagem de Hugh Laurie na série homônima. Apesar de salvar muitas vidas a cada episódio, seu mau-humor e ego inflado o tornam deliciosamente insuportável.

Malévola


Na readaptação feita pela Disney em 2014, a personagem-título deixa de ser uma vilã para se tornar a anti-heróina da história. Ao se vingar de seu amor do passado, ela lança uma maldição sobre a filha dele. Anos depois, arrependida do que fez, passa a proteger a garota. 

Amora – Sangue Bom


A protagonista de Sangue Bom passou uma infância difícil nas ruas, sem ter ao menos um par de sapatos para calçar. Após ser adotada por uma atriz decadente, Amora virou o jogo e se tornou uma ambiciosa it girl, humilhando e pisando em todo mundo (com um dos milhares de pares de sapatos de seu closet). 

Sister Jude – Asylum (2º temporada de American Horror Story)


Judy atropelou uma menina enquanto dirigia embriagada e fugiu sem prestar socorro. No manicômio católico de Briarcliff encontrou abrigo e se converteu, tornando-se Sister Judy. Mas seu lado freira está longe da santidade, pois ela é sádica e cruel. Após pagar (com juros) por todos os seus pecados nas mãos da literalmente diabólica Sister Mary Eunice, Judy se arrepende de suas maldades e ajuda Lana Banana, que estava internada injustamente no lugar, a fugir.

Severus Snape – Saga Harry Potter


O ranzinza professor de poções sempre pareceu fazer parte da galera do Lorde Voldemort. Mas no fim da história, descobriu-se que o tempo todo Snape se empenhou para proteger Harry Potter, filho de sua grande paixão da adolescência, das maldades do Lorde das Trevas. 

Jacques Laclair e Victor Valentim


No bem sucedido remake de Ti Ti Ti (2010), pudemos nos divertir com as peripécias de dois canalhas: André Spina, vulgo Jacques Laclair, e seu inimigo de morte Ariclenes Martins, que ficou conhecido nos tabloides de fofoca como Victor Valentim. Enquanto um não tinha o menor talento para ser estilista, se aproveitando de sua amante Jacqueline Maldonado para poder criar modelos fashions, o outro nunca tinha pegado em uma agulha na vida, copiando descaradamente os vestidos que a morada de rua Cecília, a quem passa a ajudar, criava para suas bonecas. 

Atualmente, temos um exemplo de anti-heroína clássica na novela das 21h global, a Inês de Babilônia. Determinada a se vingar de sua amiga de adolescência, Beatriz, que se envolveu com seu pai quando as duas ainda eram jovens e foi responsável por sua prisão. Eu, particularmente, estou aguardando com imensa ansiedade o momento em que Inês irá fazer sua rival pagar pelos crimes que cometeu. E espero que isso movimente a audiência da novela que, até agora, tem se mostrado inexpressiva. 


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Por que os vilões nos fascinam?


Por Henrique Melo

Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora, contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais doentios da essência humana.


Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú. Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.

Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes, ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no desfecho de tudo. 

Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.

Independente de qual for a sua situação financeira!
Faça questionamentos sobre a sua vida com Félix Khoury

Como afugentar gente chata com elegância.
Siga os ensinamentos da Rainha da Mentira...
Manifeste sua dor, ao ser bloqueado no Whattsapp, com Soraya Montenegro!
Aprenda a ter autoestima com Nazaré Tedesco

Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são dotados de um lado bom e ruim. 



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Retrospectiva e Expectativa – Parte 2

         

Por Leonardo Mello de Oliveira

              
              Assim como em qualquer início de ano, os aficionados por TV ficam na espera por melhores produções e por novidades que melhorem o estado instável da atual televisão brasileira. Em 2015, temos promessas de boas novelas para comemorar os 50 anos da Globo, com autores novos e veteranos tentando emplacar sucessos, seja no horário das seis, sete, nove ou onze.
            Na segunda e última parte dessa postagem especial, falaremos sobre as novelas globais que estrearão neste novo ano. Tentaremos nos ater um pouco à história, à equipe e ao que se esperar de cada uma.

            SETE VIDAS


            Horário: 18h
            Estréia: 9 de março
            Autor: Lícia Manzo
            Direção: Jayme Monjardim
       Elenco: Domingos Montagner, Débora Bloch, Vanessa Gerbelli, Ângelo Antônio, Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues e Regina Duarte.
  História: Miguel (Domingos Montagner) é um fotógrafo que foi doador de sêmen, o que o faz pai de 6 jovens. Depois de passar um período depressivo, decide se dedicar ao seu trabalho e viaja para a Antártida. Lá, sofre um acidente e é dado como morto, o que abala Lígia (Débora Bloch), com quem teve um relacionamento antes de sua viagem e que se descobre grávida de Miguel. Depois de anos, Júlia (Isabelle Drummond), uma das filhas geradas pelo personagem de Montagner, acaba se apaixonando por um meio-irmão, Pedro (Jayme Matarazzo), também filho de Miguel. Juntos, resolvem reunir todos os 7 irmãos e ir atrás do pai.
 O que esperar: Autora da excelente A Vida da Gente (2011), Lícia promete uma novela polêmica, com direito a Regina Duarte em um papel homossexual e muita discussão sobre a doação de sêmen. Podemos esperar uma história realista, com personagens femininas fortes, dramas familiares e diálogos bem escritos. Lícia possui um estilo semelhante ao de Manoel Carlos, o que se evidencia ainda mais com a direção de Monjardim. A novela será curta, o que pode extinguir a barriga que novelas mais pé-no-chão podem originar. Aliás, Sete Vidas possui diversos elementos muito mais ficcionais, diferente de sua irmã de 2011, cuja história era super simples e realista. Apesar de talvez não segurar muita audiência, a história envolvente e diferente, com o estilo de Lícia, pode reerguer o horário, que anda mal das pernas nos últimos anos.

ENCONTRO MARCADO



Horário: 18h
Estreia: Segundo semestre de 2015
Autor: Elizabeth Jhin
Direção: Rogério Gomes
Elenco: Rafael Cardoso (cotado), Letícia Persiles, Nívea Maria e Jandira Martini
História: Ainda não há muitas informações quanto à história, apenas sabe-se que seguirá o estilo espírita da autora, terá a cabala como seus temas e a Serra Gaúcha como pano de fundo.
O que esperar: O estilo de romance com o espiritismo, já bem explorado por Elizabeth Jhin, se mostrou um pouco desgastado na sua última obra, Amor Eterno Amor (2012). No entanto, a autora parece buscar temas diferentes a serem trabalhados neste novo folhetim, além de contarmos com uma direção mais amadurecida de Rogério Gomes, como se vê atualmente em Império. A autora não deverá repetir seu erro na novela de 2012, onde explorou por demasia o espiritismo, esquecendo a história principal. Também se deve esperar que tanto autora quanto diretor evitem um elenco gigantesco, como aconteceu em Amor Eterno Amor, onde personagens acabam sendo mal-explorados. A escritora domina os métodos para se ter um folhetim agradável, portanto, pode nos surpreender.

PARAISÓPOLIS FOREVER



Horário: 19h
Estreia: Abril
Autor: Alcides Nogueira e Mário Teixeira
Direção: Wolf Maya
Elenco: Bruna Marquezine, Tatá Werneck, Maurício Destri, Caio Castro e Letícia Spiller.
História: Marizete/Mari (Bruna Marquezine) viaja com sua amiga Fernanda (Tatá Werneck) para os Estados Unidos, com a esperança de uma vida melhor. No entanto, ambas são obrigadas a voltar para Paraisópolis, favela onde cresceram. Mari vai trabalhar como segurança na casa de Soraia (Letícia Spiller), que quer destruir a favela para construir condomínios. Maria se apaixona pelo filho da vilã, Benjamin (Maurício Destri), mas também tem que resolver sua situação com o ex-namorado Grego (Caio Castro), criminoso de Paraisópolis.
O que esperar: De todas as novelas de 2015, Paraisópolis Forever é a que dá mais medo. Com uma sinopse cheia de clichês e elementos bizarros, o clima é de desconfiança. O tom popular foge do estilo de Alcides Nogueira, que já escreveu novelas mais refinadas, como Ciranda de Pedra (2008) e O Astro (2011). A direção de Wolf Maya também preocupa, além do elenco ser bem fragmentado, com atores bons, médios e ruins. Agora é esperar e ver se as próximas notícias nos animam mais. O que dá esperanças é o estilo de texto de Nogueira e a experiência de Mário Teixeira, que foi co-autor de O Cravo e a Rosa, uma ótima comédia. O último trabalho de Alcides e sua equipe de colaboradores foi o remake de O Astro, onde mostrou um grande profissionalismo e adaptou de uma maneira excelente uma das obras mais marcantes de Janete Clair. Então, talvez possamos nos surpreender com uma abordagem completamente diferente dos elementos populares em folhetins.

BABILÔNIA



Horário: 21h
Estreia: 23 de março
Autor: Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga
Direção: Dennis Carvalho
Elenco: Glória Pires, Adriana Esteves, Camila Pitanga, Thiago Fragoso, Gabriel Braga Nunes, Marcos Palmeira, Bruno Gagliasso, Sophie Charlotte, Chay Suede, Cássio Gabus Mendes, Daisy Lúcidi, Nathália Timberg e Fernanda Montenegro.
História: Com várias tramas paralelas que se encontram, Babilônia gira em torno de 3 mulheres: Regina (Camila Pitanga) é uma moradora do Morro da Babilônia, batalhadora e que namora Vinícius (Thiago Fragoso), um advogado rico e idealista, e também é cortejada pelo malandro Luis Fernando (Gabriel Braga Nunes); Beatriz (Glória Pires) é uma ninfomaníaca assassina que se aproxima do milionário Evandro (Cássio Gabus Mendes); e Inês (Adriana Esteves), rival ferrenha de Beatriz, que faz tudo para prejudicá-la. A filha de Inês, que será vivida por Sophie Charlotte, deverá se tornar uma prostituta de luxo agenciada pelo cafetão interpretado por Bruno Gagliasso. A novela ainda conta a história do casal formado por Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg), que vive sendo perseguido por Consuelo (Daisy Lúcidi), uma rica perua que, suspeita-se, seja uma homossexual enrustida. O casal possui um filho, Rafael (Chay Suede), que sofreu discriminação por ser filho de um casal homossexual.
O que esperar: Gilberto Braga volta ao horário das nove com uma trama forte, envolvente e que promete abordar diversas polêmicas. O elenco de peso (há tempos não se via tantos astros em uma só produção) e a direção, que sempre se reinventa, de Dennis Carvalho, só aumenta as expectativas. Braga sempre apresentou um texto refinado, com crítica social e diálogos muito bem pensados. Como sempre, o autor deve abordar a diferença de classes e a ascensão social, além de falar mais sobre homossexualismo. Com doses de elementos tanto populares quanto sofisticados, Babilônia tem tudo para ser um fenômeno tão grande quanto foi Avenida Brasil. E é o que esperamos que seja.

FAVELA CHIQUE



Horário: 21h
Estreia: Setembro
Autor: João Emanuel Carneiro
Direção: Amora Mautner
Elenco: Murilo Benício, Giovanna Antonelli, Andreia Horta, Cauã Reymond, Marco Pigossi, Juliano Cazarré, Marcos Caruso e Suzana Vieira.
História: A novela conta a história de um bandido (Murilo Benício), que age nas favelas, mas que decide abandonar o crime e virar uma pessoa do bem. Ele se relaciona com uma mulher de moral duvidosa (Giovanna Antonelli) e outra mais jovem (Andreia Horta). Esta última também mantém um relacionamento com o chefe comunitário de uma favela (Cauã Reymond). A história mostrará uma visão da favela do futuro, com estabelecimentos sofisticados, mas que ainda sofre com os núcleos criminosos.
O que esperar: Depois de escrever o último grande fenômeno da Globo, Avenida Brasil (2012), João Emanuel Carneiro, o JEC, volta com uma trama diferente, mas que conterá as principais características das obras do autor. Muito se espera de Favela Chique, o que pode ser ruim. As comparações com Avenida Brasil serão inevitáveis, o que faz com que JEC tenha que escrever algo muito melhor que seu folhetim anterior para agradar. A estréia de Amora Mautner como diretora de núcleo também causa curiosidade. O elenco ainda está sendo escalado, mas se vê que as panelinhas vão continuar, o que não é ruim, já que atores como Benício, Reymond e Caruso sempre se dão bem com o texto de João Emanuel e a direção de Amora.

VERDADES SECRETAS



Horário: 23h
Estreia: Ainda não confirmada, provavelmente no fim do primeiro semestre ou no início do segundo
Autor: Walcyr Carrasco
Direção: Mauro Mendonça Filho
Elenco: Deborah Secco, Rodrigo Lombardi, Reynaldo Gianecchini, Marieta Severo, Guilhermina Guinle, Klara Castanho, Mouhamed Harfouch e Marco Nanini
História: A sinopse ainda não foi divulgada. Tudo indica que há uma força-tarefa na emissora para que a sinopse não seja revelada até o momento desejado pela Globo. Porém, há boatos de que a novela seja parcialmente baseada no livro Mildred Place, em que uma mulher (Deborah Secco) mal-tratada pelo marido deixa a família e se torna uma bem sucedida empresária. Entretanto, seu mundo desaba quando descobre que seu novo amor (Rodrigo Lombardi) a trai com sua filha.
O que esperar: Walcyr retorna ao horário das onze com uma trama que promete ser polêmica, com violência e cenas de sexo. O autor está obstinado a não deixar a sinopse da novela vazar, o que faz com que pouco possa se esperar da trama. Mauro Mendonça Filho, assim como Amora Mautner, estreia como diretor de núcleo. O autor fez um trabalho razoável em Gabriela (2012), e talvez se saia melhor que na criticada Amor à Vida (2013). A novela será a primeira inédita do horário. Todas as demais foram remakes de folhetins dos anos 70 da Globo.

Ainda neste ano, teremos mais uma novela das sete, que deve substituir Paraisópolis Forever, escrita pela atual autora de Malhação, Rosane Svartman. Não há ainda muitos detalhes da trama. Mais uma temporada de Malhação também estreia em Agosto, com o autor, já experiente na novela teen, Emanoel Jacobina.

Como se vê, muitas obras estão para estrear em 2015. A Globo provavelmente irá caprichar nestas produções, de modo que marquem os 50 anos da emissora. Qual novelas vocês, leitores do blog, mais esperam? Quais acreditam que serão os fiascos do ano? Concordam com as expectativas? Deixem sua opinião. Um ótimo 2015 a todos, e que também possamos dizer isso a todas as novelas que virão por aí.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis - Exuberância, Luta e Morte


Por Henrique Melo

Não sou crítico de cinema.  Sou apenas um espectador que gosta de assistir a um bom filme e comentar o que achou a respeito. Pois bem, o longa metragem Êxodo: Deuses e Reis, de Riddley Scott, nos remete a toda a suntuosidade do Egito antigo com belas tomadas panorâmicas da cidade de Memphis. A caracterização e fotografia também não ficam para trás. Tudo é muito exuberante e caprichado, embora se torne um pouco exaustivo devido a sua longa duração.

Christian Bale dá vida a Moisés, herói do Velho Testamento bíblico, sem exagerar nas tintas e/ou cair na pieguice. Seu Moisés é mais sensível e humano, demonstrando nuances interessantes dentro do enredo; inicialmente renegando sua origem hebreia até passar, gradativamente, para o lado do povo escravizado pelo Egito. Embora a atuação de Joel Edgerton como Ramses não tenha sido bem recebida pela crítica, considero que ele conseguiu cumprir bem o papel de dar vida ao faraó tirano e inseguro.


O filme conta também com várias mensagens que criticam claramente o cristianismo. A começar pela personificação de Deus na pele de um garotinho. Eis a metáfora de que Ele é, na visão de Riddley Scott, como uma criança mimada, vingativa e impiedosa. Há outro momento em que este posicionamento fica ainda mais explícito quando Ramses, diante da praga que tirou a vida de todas as crianças egípcias incluindo o seu filho, pergunta a Moisés: “Que povo é este tão fanático a ponto de idolatrar um Deus assassino?”.



Visualmente falando, é um filme agradável. Há erros e acertos em sua execução, mas quem for ao cinema irá sair da sessão satisfeito. Vencendo as comparações com o terrível “Noé”, Êxodo consegue aproveitar bem as passagens bíblicas como as pragas que assolaram o Egito e a travessia do Mar Vermelho. Acredite, são os melhores momentos deste épico. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Se tem que findar

Por Isaac Santos

Embora seja o conjunto de uma obra que define ou não um primor artístico, todo autor que se preza põe sobre os primeiros e últimos capítulos de sua criação um olhar ainda mais apaixonado.
Mas considerando a pressão exercida pelo público sobre um profissional que durante meses se dedica a um processo árduo de inventividade, é fácil compreender que a maioria das apresentações e desfechos de tramas não se distancie de um padrão. Quando autores mais arrojados o fazem, precisam estar aptos a lidar com os aplausos do público, da crítica “especializada” e da empresa contratante, ou com a massacrante rejeição dos mesmos. No processo industrial de telenovelas não há espaço para meio termo: É sucesso ou fracasso.
Num aspecto prático do “parir histórias” dentro de um sistema mecânico, todos os autores estariam condicionados a finalizar suas obras convencionalmente. No entanto, alguns poucos dão ao público oportunidades únicas de experimentação.

Muitos anos antes de o personagem Félix (Mateus Solano) conquistar a grande maioria dos telespectadores de Amor à Vida, mais precisamente em 1986, o personagem Renato Villar (Tarcísio Meira), da novela Roda de Fogo (dos mestres Lauro Cesar Muniz e Marcílio Moraes), de vilão passou a ser bem querido pelo público, com direito a redenção.  Destaque para a sensível cena final do último capítulo: Renato Villar morre no colo de sua amada, Lúcia Brandão (Bruna Lombardi). Veja aqui.

Em 1986, a novela Dona Beija (adaptação dos romances “Dona Beija, a Feiticeira do Araxá” de Thomas Leonardo e “A Vida em Flor de Dona Beja” de Agripa Vasconcelos) se mostra um dos maiores sucessos da teledramaturgia da Manchete e figura entre as melhores telenovelas brasileiras. Ao final da história, os autores Wilson Aguiar e Carlos Heitor Cony colocam a sua protagonista Beija (Maitê Proença) sendo julgada por ter mandado matar o homem a quem amava. Ela é absolvida e apenas o escravo que cumpriu suas ordens é considerado culpado. Amargurada, ela deixa a cidade na tentativa de recomeçar uma vida diferente. 

versão dublada
Em 1990, a novela Barriga de Aluguel era enorme sucesso de audiência. As pessoas assistiam e se envolviam com as tramas. Daí um problema para a autora Glória Perez: Com qual das mães ficaria o bebê. Ela decide que o público não saberá. Mas o final mostra Clara (Cláudia Abreu) e Ana (Cássia Kiss) dispostas a repensar a relação de ambas em função do filho. 

Foi em 1990, na novela Meu Bem Meu Mal, que o mestre Cassiano Gabus Mendes, com a colaboração de Maria Adelaide Amaral entre outros, possibilitou ao público ver um dos desfechos mais apaixonantes da teledramaturgia brasileira. Pode soar como exagero para alguns, mas é sempre inspirador para mim, rever a cena final em que a vilã Isadora Venturini (Sílvia Pfeifer) alcança a tão almejada presidência da empresa, por um alto preço: A indiferença de todos; A solidão.


Benedito Ruy Barbosa é outro professor em envolver o telespectador. Para finalizar a bem sucedida Pantanal (1990), ele escreve um cena fascinante, com destaque para três personagens: Filó (Jussara Freire), Zé Leôncio e o velho do rio (ambos vividos por Cláudio Marzo).


Em 1994, Silvio de Abreu e Rubens Edwald Filho, autores de Éramos Seis (adaptação do romance homônimo de Maria José Dupret), poderiam ter suavizado a cena final da novela sem comprometer o destino da protagonista, que bem ratifica o título, mas optaram por fazer um desfecho harmonioso com toda a trajetória sofrida da batalhadora Lola (Irene Ravache). 


Imagens: Globo.com
 Mofo TV
Memória da TV
Fábio Menezes Oliveira

domingo, 23 de março de 2014

3 anos de blog - Eles também passaram por aqui



Ainda como parte da comemoração de aniversário, conheça a postagem mais acessada de cada colaborador que passou pelo blog nesses 3 anos:

por Ana Paula Calixto, em 15/06/2012

por André Araújo, em 26/06/2013

por Antenor Azevedo, em 23/04/2012

por Autran Amorin, em 16/03/2013  

por Bernardo Dugin, em 27/06/2012

por Breno Ribeiro, em 01/05/2013

De cigana à Pombagira - Merimée por Glória Perez
por Brunno Duprat, em 05/10/2011

Minha novela favorita: História de Amor

por Denis Pessoa, em 23/10/2011

Gabriela: um clássico em progresso
por Eduardo Vieira, em 30/11/2011 

por Emerson Felipe, em 03/06/2013

por Fábio Leonardo, em 17/03/2012

O Astro, um verdadeiro novelão
por Glauce Viviana, em 14/08/2011

por Júlio César Martins, em 21/01/2013

por Júlio Damásio, em 08/03/2012

por Júnior Bueno, em 04/08/2011

por Jurandir Dalcin, em 02/08/2013

por Marcelo Ramos, em 08/08/2012

por Mateus Peres, em 01/08/2011


por Paulo Lannes, em 10/10/2012

por Rafael Tupinambá, em 20/01/2012


por Romulo Barros, em 31/03/2012

por Serginho Tavares, em 02/02/2013


por Thiago Ribeiro, em 10/08/2011

Obrigado a todos! 
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