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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Retrospectiva e Expectativa – Parte 2

         

Por Leonardo Mello de Oliveira

              
              Assim como em qualquer início de ano, os aficionados por TV ficam na espera por melhores produções e por novidades que melhorem o estado instável da atual televisão brasileira. Em 2015, temos promessas de boas novelas para comemorar os 50 anos da Globo, com autores novos e veteranos tentando emplacar sucessos, seja no horário das seis, sete, nove ou onze.
            Na segunda e última parte dessa postagem especial, falaremos sobre as novelas globais que estrearão neste novo ano. Tentaremos nos ater um pouco à história, à equipe e ao que se esperar de cada uma.

            SETE VIDAS


            Horário: 18h
            Estréia: 9 de março
            Autor: Lícia Manzo
            Direção: Jayme Monjardim
       Elenco: Domingos Montagner, Débora Bloch, Vanessa Gerbelli, Ângelo Antônio, Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues e Regina Duarte.
  História: Miguel (Domingos Montagner) é um fotógrafo que foi doador de sêmen, o que o faz pai de 6 jovens. Depois de passar um período depressivo, decide se dedicar ao seu trabalho e viaja para a Antártida. Lá, sofre um acidente e é dado como morto, o que abala Lígia (Débora Bloch), com quem teve um relacionamento antes de sua viagem e que se descobre grávida de Miguel. Depois de anos, Júlia (Isabelle Drummond), uma das filhas geradas pelo personagem de Montagner, acaba se apaixonando por um meio-irmão, Pedro (Jayme Matarazzo), também filho de Miguel. Juntos, resolvem reunir todos os 7 irmãos e ir atrás do pai.
 O que esperar: Autora da excelente A Vida da Gente (2011), Lícia promete uma novela polêmica, com direito a Regina Duarte em um papel homossexual e muita discussão sobre a doação de sêmen. Podemos esperar uma história realista, com personagens femininas fortes, dramas familiares e diálogos bem escritos. Lícia possui um estilo semelhante ao de Manoel Carlos, o que se evidencia ainda mais com a direção de Monjardim. A novela será curta, o que pode extinguir a barriga que novelas mais pé-no-chão podem originar. Aliás, Sete Vidas possui diversos elementos muito mais ficcionais, diferente de sua irmã de 2011, cuja história era super simples e realista. Apesar de talvez não segurar muita audiência, a história envolvente e diferente, com o estilo de Lícia, pode reerguer o horário, que anda mal das pernas nos últimos anos.

ENCONTRO MARCADO



Horário: 18h
Estreia: Segundo semestre de 2015
Autor: Elizabeth Jhin
Direção: Rogério Gomes
Elenco: Rafael Cardoso (cotado), Letícia Persiles, Nívea Maria e Jandira Martini
História: Ainda não há muitas informações quanto à história, apenas sabe-se que seguirá o estilo espírita da autora, terá a cabala como seus temas e a Serra Gaúcha como pano de fundo.
O que esperar: O estilo de romance com o espiritismo, já bem explorado por Elizabeth Jhin, se mostrou um pouco desgastado na sua última obra, Amor Eterno Amor (2012). No entanto, a autora parece buscar temas diferentes a serem trabalhados neste novo folhetim, além de contarmos com uma direção mais amadurecida de Rogério Gomes, como se vê atualmente em Império. A autora não deverá repetir seu erro na novela de 2012, onde explorou por demasia o espiritismo, esquecendo a história principal. Também se deve esperar que tanto autora quanto diretor evitem um elenco gigantesco, como aconteceu em Amor Eterno Amor, onde personagens acabam sendo mal-explorados. A escritora domina os métodos para se ter um folhetim agradável, portanto, pode nos surpreender.

PARAISÓPOLIS FOREVER



Horário: 19h
Estreia: Abril
Autor: Alcides Nogueira e Mário Teixeira
Direção: Wolf Maya
Elenco: Bruna Marquezine, Tatá Werneck, Maurício Destri, Caio Castro e Letícia Spiller.
História: Marizete/Mari (Bruna Marquezine) viaja com sua amiga Fernanda (Tatá Werneck) para os Estados Unidos, com a esperança de uma vida melhor. No entanto, ambas são obrigadas a voltar para Paraisópolis, favela onde cresceram. Mari vai trabalhar como segurança na casa de Soraia (Letícia Spiller), que quer destruir a favela para construir condomínios. Maria se apaixona pelo filho da vilã, Benjamin (Maurício Destri), mas também tem que resolver sua situação com o ex-namorado Grego (Caio Castro), criminoso de Paraisópolis.
O que esperar: De todas as novelas de 2015, Paraisópolis Forever é a que dá mais medo. Com uma sinopse cheia de clichês e elementos bizarros, o clima é de desconfiança. O tom popular foge do estilo de Alcides Nogueira, que já escreveu novelas mais refinadas, como Ciranda de Pedra (2008) e O Astro (2011). A direção de Wolf Maya também preocupa, além do elenco ser bem fragmentado, com atores bons, médios e ruins. Agora é esperar e ver se as próximas notícias nos animam mais. O que dá esperanças é o estilo de texto de Nogueira e a experiência de Mário Teixeira, que foi co-autor de O Cravo e a Rosa, uma ótima comédia. O último trabalho de Alcides e sua equipe de colaboradores foi o remake de O Astro, onde mostrou um grande profissionalismo e adaptou de uma maneira excelente uma das obras mais marcantes de Janete Clair. Então, talvez possamos nos surpreender com uma abordagem completamente diferente dos elementos populares em folhetins.

BABILÔNIA



Horário: 21h
Estreia: 23 de março
Autor: Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga
Direção: Dennis Carvalho
Elenco: Glória Pires, Adriana Esteves, Camila Pitanga, Thiago Fragoso, Gabriel Braga Nunes, Marcos Palmeira, Bruno Gagliasso, Sophie Charlotte, Chay Suede, Cássio Gabus Mendes, Daisy Lúcidi, Nathália Timberg e Fernanda Montenegro.
História: Com várias tramas paralelas que se encontram, Babilônia gira em torno de 3 mulheres: Regina (Camila Pitanga) é uma moradora do Morro da Babilônia, batalhadora e que namora Vinícius (Thiago Fragoso), um advogado rico e idealista, e também é cortejada pelo malandro Luis Fernando (Gabriel Braga Nunes); Beatriz (Glória Pires) é uma ninfomaníaca assassina que se aproxima do milionário Evandro (Cássio Gabus Mendes); e Inês (Adriana Esteves), rival ferrenha de Beatriz, que faz tudo para prejudicá-la. A filha de Inês, que será vivida por Sophie Charlotte, deverá se tornar uma prostituta de luxo agenciada pelo cafetão interpretado por Bruno Gagliasso. A novela ainda conta a história do casal formado por Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg), que vive sendo perseguido por Consuelo (Daisy Lúcidi), uma rica perua que, suspeita-se, seja uma homossexual enrustida. O casal possui um filho, Rafael (Chay Suede), que sofreu discriminação por ser filho de um casal homossexual.
O que esperar: Gilberto Braga volta ao horário das nove com uma trama forte, envolvente e que promete abordar diversas polêmicas. O elenco de peso (há tempos não se via tantos astros em uma só produção) e a direção, que sempre se reinventa, de Dennis Carvalho, só aumenta as expectativas. Braga sempre apresentou um texto refinado, com crítica social e diálogos muito bem pensados. Como sempre, o autor deve abordar a diferença de classes e a ascensão social, além de falar mais sobre homossexualismo. Com doses de elementos tanto populares quanto sofisticados, Babilônia tem tudo para ser um fenômeno tão grande quanto foi Avenida Brasil. E é o que esperamos que seja.

FAVELA CHIQUE



Horário: 21h
Estreia: Setembro
Autor: João Emanuel Carneiro
Direção: Amora Mautner
Elenco: Murilo Benício, Giovanna Antonelli, Andreia Horta, Cauã Reymond, Marco Pigossi, Juliano Cazarré, Marcos Caruso e Suzana Vieira.
História: A novela conta a história de um bandido (Murilo Benício), que age nas favelas, mas que decide abandonar o crime e virar uma pessoa do bem. Ele se relaciona com uma mulher de moral duvidosa (Giovanna Antonelli) e outra mais jovem (Andreia Horta). Esta última também mantém um relacionamento com o chefe comunitário de uma favela (Cauã Reymond). A história mostrará uma visão da favela do futuro, com estabelecimentos sofisticados, mas que ainda sofre com os núcleos criminosos.
O que esperar: Depois de escrever o último grande fenômeno da Globo, Avenida Brasil (2012), João Emanuel Carneiro, o JEC, volta com uma trama diferente, mas que conterá as principais características das obras do autor. Muito se espera de Favela Chique, o que pode ser ruim. As comparações com Avenida Brasil serão inevitáveis, o que faz com que JEC tenha que escrever algo muito melhor que seu folhetim anterior para agradar. A estréia de Amora Mautner como diretora de núcleo também causa curiosidade. O elenco ainda está sendo escalado, mas se vê que as panelinhas vão continuar, o que não é ruim, já que atores como Benício, Reymond e Caruso sempre se dão bem com o texto de João Emanuel e a direção de Amora.

VERDADES SECRETAS



Horário: 23h
Estreia: Ainda não confirmada, provavelmente no fim do primeiro semestre ou no início do segundo
Autor: Walcyr Carrasco
Direção: Mauro Mendonça Filho
Elenco: Deborah Secco, Rodrigo Lombardi, Reynaldo Gianecchini, Marieta Severo, Guilhermina Guinle, Klara Castanho, Mouhamed Harfouch e Marco Nanini
História: A sinopse ainda não foi divulgada. Tudo indica que há uma força-tarefa na emissora para que a sinopse não seja revelada até o momento desejado pela Globo. Porém, há boatos de que a novela seja parcialmente baseada no livro Mildred Place, em que uma mulher (Deborah Secco) mal-tratada pelo marido deixa a família e se torna uma bem sucedida empresária. Entretanto, seu mundo desaba quando descobre que seu novo amor (Rodrigo Lombardi) a trai com sua filha.
O que esperar: Walcyr retorna ao horário das onze com uma trama que promete ser polêmica, com violência e cenas de sexo. O autor está obstinado a não deixar a sinopse da novela vazar, o que faz com que pouco possa se esperar da trama. Mauro Mendonça Filho, assim como Amora Mautner, estreia como diretor de núcleo. O autor fez um trabalho razoável em Gabriela (2012), e talvez se saia melhor que na criticada Amor à Vida (2013). A novela será a primeira inédita do horário. Todas as demais foram remakes de folhetins dos anos 70 da Globo.

Ainda neste ano, teremos mais uma novela das sete, que deve substituir Paraisópolis Forever, escrita pela atual autora de Malhação, Rosane Svartman. Não há ainda muitos detalhes da trama. Mais uma temporada de Malhação também estreia em Agosto, com o autor, já experiente na novela teen, Emanoel Jacobina.

Como se vê, muitas obras estão para estrear em 2015. A Globo provavelmente irá caprichar nestas produções, de modo que marquem os 50 anos da emissora. Qual novelas vocês, leitores do blog, mais esperam? Quais acreditam que serão os fiascos do ano? Concordam com as expectativas? Deixem sua opinião. Um ótimo 2015 a todos, e que também possamos dizer isso a todas as novelas que virão por aí.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

... E tudo termina em sequestro

Por Flávio Michelazzo

Não importa qual seja a novela, o horário, o autor. O clichê da criança sequestrada se repete ad nauseam e é gancho de quase todo penúltimo capítulo. Quando não é uma criança, é o protagonista. Céus, os autores não tem outro clímax?


Só nesta década, todas terminaram assim. "Salve Jorge" com Jéssica Vitória - filha de Morena -, "Avenida Brasil" com o trio de protagonistas, em "Fina Estampa" a vítima foi Griselda, em "Insensato Coração", Marina (que aliás, terminou e começou a novela sendo sequestrada, pobre animal!). Da década passada, me vem na mente, agora, "Celebridade", com Laura sequestrando a filha de Maria Clara, Nazaré sequestrando a "neta" em "Senhora do Destino", Bia Falcão sequestrando a bisneta em "Belíssima"... Nem "Cheias de Charme", que foi um turbilhão de inovações e frescor na TV fugiu disso! 


Não entendo por que os autores se valem tanto dessa fórmula. Fica parecendo que a novela teve uma boa (ou não) e eletrizante história para contar, e chega no fim, a vontade de dar o ponto final da maneira mais fácil e rápida fala mais alto. Esses últimos capítulos que citei vieram recheados de outras cenas boas. Não consigo entender qual a necessidade de colocar sempre esse jargão para pular do penúltimo para o último. Fica meu apelo para que isso seja deixado de lado. Existem outros recursos que prendam a atenção do espectador na hora do "Fim" aos montes. O sequestro de hoje é o casório de ontem.

sábado, 9 de novembro de 2013

As novelas do século XIX: Os romances de José de Alencar

Por Leonardo Mello de Oliveira

É indiscutível a relação entre a literatura e a teledramaturgia brasileira. A primeira foi a base para que tivéssemos hoje as nossas telenovelas, inspiradas nos romances publicados em forma de folhetim durante o século XIX. Os romances urbanos, onde a mulher tinha um papel de destaque e as histórias de amor açucaradas eram o mote principal, talvez tenham sido as nossas primeiras novelas. E é impossível falar de romances brasileiros sem citar José de Alencar, romancista que tentou caracterizar o Brasil através de suas mais diferentes formas de expressão.
      José de Alencar experimentou todos os tipos de romances do período romântico brasileiro: o indianista, o regional e o urbano. Além de usar dos principais ingredientes destes tipos de literatura, tentava escrever com uma linguagem brasileira e fazer críticas à sociedade da época. Algumas de suas principais obras foram adaptadas para a TV, o que mostra como a sua linguagem e estilo contextualizam com a teledramaturgia brasileira.
      O primeiro romance de Alencar a ser adaptado também foi o seu romance que mais ganhou adaptações para TV. Senhora foi primeiramente adaptada pela TV Paulista em 1953 e pela Tupi em 1962. Ganhou uma versão moderna na Tupi em 1972, com o título de O Preço de um Homem. A adaptação mais conhecida foi a escrita por Gilberto Braga, na Globo, em 1975, com Norma Blum e Cláudio Marzo como o casal protagonista. A última versão de Senhora foi feita em 2004, na novela Essas Mulheres, que também contava a história de outros dois romances de José de Alencar: Diva e Lucíola. O livro se diferenciava dos outros romances urbanos por apresentar uma crítica ao sistema de casamento da época. A história tratava do amor entre Aurélia Camargo e Fernando Seixas. Ambicioso, Fernando larga Aurélia ao ser-lhe oferecido um dote para se casar com outra mulher. Porém, Aurélia acaba herdando uma grande fortuna, e oferece um dote maior a Fernando para que se casasse com ela. Mas Aurélia passa a desprezá-lo, afirmando que o casamento foi apenas um “negócio”, apesar de amá-lo e ele a amar também. A trama central é tão bem bolada que provavelmente já inspirou novelas com histórias semelhantes, como Rainha da Sucata.
      Outro romance de Alencar que virou um grande sucesso da TV foi As Minas de Prata. Escrita por nada mais nada menos que Ivani Ribeiro, em 1966, foi uma superprodução da TV Excelsior, que contava com Fúlvio Stefanini, Regina Duarte e Renato Master nos papéis principais. O romance histórico ainda serviria como base para a novela A Padroeira, de 2001, escrita por Walcyr Carrasco, na Globo. O livro contava a história de Estácio, que procurava as minas de prata encontradas por seu pai. Ele contava com o dinheiro para se casar com Inesita, cujo pai queria que se casasse com outro homem. A trama se passava em Salvador, no século XVII.
      Apesar de menos conhecida, Sinhazinha Flô (1977), de Lafayette Galvão, apresentou três obras de José de Alencar em uma só novela: Til, A Viuvinha e O Sertanejo. A novela foi uma homenagem ao centenário da morte do autor. A trama era centralizada nas protagonistas de cada romance: Flô (Bete Mendes), Chiquinha (Thaís de Andrade) e Clotilde (Heloísa Raso). Porém, a junção de dois romances regionais com um urbano, gerando um conflito de estilos, e a grande quantidade de situações prejudicaram o bom andamento da novela, que se mostrava um tanto quanto revolucionária ao abordar tantas tramas no horário das seis em plenos anos 70.
      O romance indianista O Guarani foi adaptado por Walcyr Carrasco em 1991, em formato de minissérie, na Rede Manchete. O elenco, um tanto quanto estranho, podemos dizer, contava com Angélica como Cecília, Leonardo Brício como Péri e Luigi Baricelli como D. Diogo. A história tratava da vinda do português D. Antônio de Mariz ao Brasil com sua família. Se desenvolvem várias tramas a partir daí, como o amor do índio Péri pela filha de D. Antônio, Cecília, e uma revolta indígena provocada pela morte de uma índia, morta por D. Diogo durante uma caçada. Vale lembrar de Loredano, ex-frei, ambicioso e devasso que se infiltra na família de D. Antônio com o intuito de destruí-la e raptar Cecília. Como todos os outros romances indianistas, o índio é retratado como um ser heróico e “civilizado”, ou seja, um índio idealizado para a época.
      Por fim, devemos falar de outra junção de três obras de José de Alencar: a telenovela Essas Mulheres, da Record, que juntava Senhora, Diva e Lucíola. Diva já havia tido uma adaptação na época da TV ao vivo, pela TV Paulista. Foi escrita por Marcílio Moraes e Rosane Lima. Assim como Sinhazinha Flô, Essas Mulheres também centrava sua trama nas três personagens femininas de cada romance. Christine Fernandes, Carla Regina e Myrian Freeland interpretaram as três protagonistas. A novela apresentava as três personagens de Alencar como amigas que enfrentavam a difícil vida das mulheres durante o século XIX. Considerada por muitos como a melhor novela já produzida pela Record, Essas Mulheres foi a última adaptação de José de Alencar para a televisão.
      Com tantas obras adaptadas, é quase impossível não darmos a José de Alencar o título de primeiro autor de novelas brasileiro. Dono de histórias bem boladas e desenvolvidas, seus romances publicados em folhetins na época deviam ter instigado a curiosidade da população assim como as nossas telenovelas instigam nossa curiosidade hoje em dia. Como ninguém, o escritor tentou dar brasilidade a nossa literatura, escrevendo, mesmo com um estilo idealizador, sobre os cidadãos das mais diferentes regiões do Brasil. Alguns autores, como Janete Clair e Dias Gomes, tentaram fazer o mesmo com suas novelas. Esperamos mais José de Alencar na nossa TV, até porque, suas histórias parecem ser sempre sinônimo de sucesso e repercussão.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Horário ingrato? É difícil fazer sucesso na sexta à noite

Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres
 Por Jonathan Pereira

Desde a série Os Normais, exibida entre 2001 e 2003, a Globo não emplaca um programa que dure três anos seguidos na sexta à noite. A faixa destinada à linha de shows depois do Globo Repórter não teve só fracassos, mas ajudou a enterrar algumas atrações e causou a morte prematura de outras.

Depois que as desventuras de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) saíram do ar, muita coisa foi testada, mas poucas deixaram saudade. Na sequência veio Sexo Frágil, quadro do Fantástico que ganhou vida devido à graça de ver Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Lúcio Mauro Filho vestidos de mulher. Vinte episódios divididos em duas temporadas foram o suficiente para deixar a grade e o elenco ser aproveitado  em outras atrações.

Cidade dos Homens, continuação do filme Cidade de Deus, teve uma temporada exibida às terças-feiras, e suas duas últimas ocuparam a sexta a noite, quando chegou ao fim já desfigurada da proposta original e com a missão de mostrar o crescimento de Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) mais que cumprida.

Também adaptada de um filme, Carandiru - Outras Histórias teve 10 episódios exibidos em 2005. Essa não dá para culpar o horário pela não continuidade e sim o esgotamento do tema, já que no roteiro foram utilizadas histórias que estavam no livro Estação Carandiru não desenvolvidas nas telonas. Nessa linha, Antônia ganhou duas temporadas entre 2006 e 2007 depois que o longa levou a Brasilândia, na zona Norte de São Paulo, para o cenário nacional. E Ó Pai Ó, protagonizada por Lázaro Ramos assim como no filme, também resistiu duas temporadas, embora no fim da segunda já apresentasse a mesma semidescaracterização que atingiu Cidade dos Homens.

Outra que começou às terças e viu seu término chegar quando disputou a atenção do público com o início do fim de semana foi Carga Pesada. Embora atraísse um público mais velho que geralmente fica em casa mesmo na sexta, seus episódios foram sofrendo um desgaste natural que, aliado ao pouco apelo para o público jovem, tiraram o fôlego de Pedro e Bino para continuar suas aventuras nas estradas.

O elenco de Os Aspones
Os Aspones, em 2004, foi elogiada pela crítica, mas não passou da primeira temporada, apesar de ser de autoria de Fernanda Young e Alexandre Machado, os mesmos que escreveram Os Normais, e do bom elenco. Selton Mello, Andréa Beltrão, Marisa Orth, Pedro Paulo Rangel e Drica Moraes eram funcionários de um escritório que não tinham o que fazer. A dupla de roteiristas tentaria novamente em 2007 emplacar O Sistema, com Selton e Graziella Moretto, mas o projeto morreu com uma única temporada.

Em mais uma tentativa, eles se uniram com Luiz Fernando Guimarães para criar Minha Nada Mole Vida. Esta conseguiu quebrar o estigma dos roteiristas com as anteriores pós-sucesso, rendendo três levas de episódios em 2 anos. Empolgado, o ator protagonizou Dicas de um sedutor, que penou com a baixa audiência.
Pasquim e Winits em "Guerra e Paz"

O último trabalho de Carlos Lombardi como autor titular na Globo foi com a série Guerra e Paz, na qual Danielle Winits e Marcos Pasquim repetiam o par romântico que já haviam formado em Uga Uga (2000) e Kubanacan (2003). Ele demorou a achar o tom para histórias que começassem e terminassem no mesmo dia e só quando deu continuidade aos episódios é que foi engrenar. Já era tarde. Mais uma que não passou da primeira temporada, infelizmente.

Em 2009 Tudo Novo de Novo e Decamerão - A Comédia do Sexo ocuparam a faixaFernanda Young e Alexandre Machado voltariam a acertar com Separação?!, que em 2010 pulou de 12 para 23 semanas no ar, devido à boa audiência das enrascadas que as personagens de Débora Bloch e Vladimir Brichta se metiam. Reis do horário, os roteiristas ainda desenvolveram Macho Man, com Jorge Fernando voltando a atuar entre 2011 e 2012.

Bruno Mazzeo foi um dos responsáveis por Junto e Misturado que, embora tenha trazido um pouco de frescor ao humor, teve a segunda temporada cancelada. Desgastados às terças, a turma do Casseta & Planeta ficou um ano fora do ar e voltou às sextas trocando o Urgente! pelo Vai Fundo. A graça não veio junto e foi tirado do ar ainda em 2012 para não mais voltar.

Marcelo Adnet, o Dentista Mascarado
Outro que não agradou, embora bastante esperado, foi o projeto para Marcelo Adnet em seu retorno à Globo, onde fez pequenas participações em novelas como Pé na Jaca (2006/07) antes de se destacar na finada MTV. O Dentista Mascarado flertava com os quadrinhos e super heróis, mas estava longe do adequado para prender a atenção tanto dos jovens que estão saindo para curtir a noite quanto os de mais idade que estavam vendo o Globo Repórter. Se foi sem deixar saudades.

Os Normais saiu de cena no auge por opção dos roteiristas, que desenvolveram ainda dois longas com o casal. Já se especulou a produção de novos episódios, assim como de A Diarista, o que nunca aconteceu. Com a volta do Sai de Baixo, que teve quatro episódios inéditos produzidos para o canal Viva, pode haver esperança entre os fãs que Rui e Vani voltem a aprontar daqui a algum tempo. E você, sente saudade de qual desses programas?

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Por que "Bang Bang" não deu certo?

Por Jonathan Pereira

Bang Bang chegou ao horário das 19h em 2005 com a proposta de inovar. Passada no Velho Oeste no século 19, a trama, no entanto, derrubou a audiência e entrou para a história como um dos maiores fiascos da Globo. Por que isso aconteceu?

Foram vários fatores. Mário Prata estava há muitos anos fora das novelas - seus trabalhos mais recentes eram ter assumido O Campeão na Band no lugar de Ricardo Linhares em 1996 e ter co-escrito Helena na Manchete, em 1987. Nesse período muita coisa mudou na linguagem dos folhetins, que se tornaram mais ágeis. Sua escrita não acompanhou isso e o que se via na tela não conquistou o telespectador, tamanha a morosidade. Meio capítulo parecia 5! Tudo muito arrastado.

A ideia de colocar elementos modernos sendo usados naquele ambiente de época, como celulares e outros meios de comunicação que surgiriam muito depois, também não foi assimilada. Soava bobo, provocando riso de segundos. Os nomes dos personagens, americanizados, eram de difícil memorização para o público de novelas, e as homenagens aos Beatles através de alguns nomes não eram associadas.

Fernanda Lima foi muito criticada como a protagonista Diana, mas a culpa do fracasso está longe de ser dela. Para sua primeira novela, a apresentadora/atriz deu conta do recado, só tendo dificuldade nas cenas de choro. Mais tarde ela mostraria seu talento como protagonista Maria de Pé na Jaca.



O autor pediu afastamento e Bang Bang ficou perdida. Carlos Lombardi foi chamado para supervisionar o texto e tentar salva-la, mas era tarde demais. A trama ganhou um pouco de ritmo e situações inusitadas, mas não haveria quem fizesse os que não gostaram superar o trauma e voltar a assisti-la. O público já tinha migrado para Prova de Amor, que passava no mesmo horário na Record e garantia altos índices para a emissora.


Com a audiência em baixa, o jeito foi diminuir a duração dos capítulos, que passaram a começar às 19h40. A novela tinha apenas duas coisas boas: cenografia e figurino. A vinda de Lombardi fez com que perdesse uma delas, o figurino: personagens passaram a aparecer sem camisa jogando futebol ou com bem menos roupa. Se "Alma Gêmea", às 18h, chegava a ultrapassar 40 pontos, esse índice despencava na faixa seguinte, cuja média geral foi de 27,6. Hoje o número parece normal, mas há 8 anos era um fiasco! Cobras e Lagartos, que a sucedeu, fechou com 38.

Evandro Mesquita vestido de mulher
Evandro Mesquita e Kadu Moliterno se vestiam de mulher, mas não tinham graça. Paulo Miklos e Luiz Melodia chegaram a atuar, mas seus personagens foram sumindo no decorrer da trama. Rodrigo Lombardi, como o mágico Zoltar e Ricardo Tozzi, na pele do DR. Harold, estreavam em novelas da Globo. Já a trilha sonora mesclava nacional e internacional em um mesmo CD.

A ideia foi apresentada à Manchete em 1986, mas não vingou. Com a estrutura Global, tinha tudo para ser um sucesso, se tivesse trilhado outros caminhos - talvez uma minissérie de três meses fosse perfeita para mostrar o Velho Oeste com agilidade. No formato novela, não funcionou, uma pena. Ainda bem que mesmo assim o horário continuou permitindo que outros autores experimentassem, o que na maioria das vezes também não deu certo.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Clima adulto é o lado bom de “O Profeta”


Por Jonathan Pereira

Embora não atinja altos índices de audiência, “O Profeta” ainda é de longe a melhor opção das tardes na TV aberta. Quem viu a versão original garante que a exibida em 2006 e no ar atualmente no “Vale a Pena Ver de Novo” pouco ou nada tem a ver com a que Ivani Ribeiro escreveu para a TV Tupi em 1977.

Uma das diferenças é que Ivani preferiu uma história contemporânea, enquanto Walcyr Carrasco – que supervisionou o início da trama – quis ambientá-la nos anos 50, já que tinha assinado 4 novelas de época na Globo – “O Cravo e a Rosa” (2000), “A Padroeira” (2001), “Chocolate com Pimenta” (2003) e “Alma Gêmea” (2005).


O primeiro mês, nas mãos de Walcyr, é uma chatice. Ainda bem que duas então novas autoras, Duca Rachid e Thelma Guedes, puderam caminhar sozinhas com a história do homem com poderes paranormais que acaba utilizando seu dom para ganhar dinheiro. Elas deram uma guinada na trama, que ficou com temática bem adulta, coisa que não se via às 18h desde o remake de“Anjo Mau” (1997). Violência doméstica, jogatina e planos sórdidos dominam a tela.

Fernanda Souza era Carola
Com o passar dos meses aquela aura clara e amena do início dá lugar a um tom sombrio, com músicas de tensão que prendem o telespectador.  Nota-se a mudança inclusive no visual de Marcos (Thiago Fragoso), que deixa o rostinho liso do início para adotar uma barba. Quando tudo parece estar resolvido e Sônia se livra de Clóvis (Dalton Vigh) podendo ficar com seu amado, surge Sabine (Gisele Itié), que mesmo sem atrair o coração do Profeta os separa aproveitando a ganância do protagonista.

Paolla Oliveira conseguiu se manter crível como a sofrida Sônia, que passa a apanhar constantemente de Clóvis e a ser trancada no porão. A repetição dessas situações poderia fazer o público se desinteressar, mas o ator conseguiu absorver toda a maldade que a novela precisava, já que Malvino Salvador e Carol Castro, inicialmente escalados para serem os vilões Camilo e Ruth, não deram conta do recado. Camilo foi se apagando até ser morto e Ruth está longe de entrar na lista memorável das maléficas, mesmo que afunilemos só para as malvadas do horário.

Clóvis se tornou um sisudo psicopata, em um dos melhores papéis de Dalton na TV. Possessivo, quer fazer
com Sônia o mesmo que com sua mulher, Laura (Carolina Kasting), que foi trancada e obrigada a comer comida envenenada até definhar. Outros chamam a atenção, como Carola (Fernanda Souza, que engordou 7 Kg para a personagem e ainda usava enchimentos) e Tainha (último papel de Rodrigo Faro na Globo). 

A novela foi a última das 18h a atingir média de 33 pontos. A reprise está com desempenho abaixo do esperado, mas não se sabe ao certo se o público não queria ver “O Profeta” em si, se não aguenta mais novelas de época após praticamente 10 anos de tramas desse tipo seguidas – a baixa audiência de “Lado a Lado” às 18h endossa essa teoria – ou se foi um desgaste da faixa após ter optado por três re-reprises seguidas (“Mulheres de Areia”, “Chocolate com Pimenta” e “Da Cor do Pecado”, sendo as duas últimas bem recentes tanto na exibição quanto na reprise).
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