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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Das ruas para o estúdio


Em meio a tantas histórias essa podia ser mais uma contada por um artista que vive a se reinventar, Adilson Dias já contou para o público deste blog sua historia de superação. Detalhes de como foi ser menino de rua e virar um diretor de teatro com a ajuda do teatrólogo Sergio Britto, o que foi conviver com as crianças chacinadas na Igreja da candelária e montar uma polêmica paixão de Cristo na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
Hoje Adilson Dias se revela um poeta das artes e em suas muitas facetas, a descoberta da música. Intuitivo e autodidata, ele passou a vestir seus versos com música e partiu para as ruas com seu violão. Dessa vez sem pés descalços, sem canivete ou gargalho de garrafa, mas como artista que é hoje. O poeta vem cantando e encantando nos trens da Super via e nas praças por onde passa.

Em suas andanças o seu som acabou parando em um estúdio musical. Com a ajuda do produtor Guilherme Gê, que percebeu o talento do ‘Poeta de Rua’ e decidiu produzir suas canções.  Gê que já produziu grandes nomes da musica brasileira como Sergio Brito dos Titãs, Luis Melodia e Roberto Menescal, vem investindo na descoberta de novos talentos da MBP e Adilson Dias é um deles. Confira o bate-papo com Adilson Dias:

Como aconteceu seu encontro com o Guilherme Gê?

Eu assistia ao programa Dando as Letras, do canal Music Box Brasil da TV por assinatura. Um programa apresentado por Guilherme Gê, Alan Dias e Marcos Suzano. Decidi procurar o Guilherme no Facebook e ficamos amigos, trocamos algumas ideias e lhe enviei o áudio de minha canção, gravado no celular mesmo. Ainda muito receoso de receber um não, mas ele gostou do que ouviu e me chamou para gravar. Eu dei pulos de alegria e não acreditei no que estava acontecendo. Tomei coragem e fui.

Você me disse que nunca havia entrado num estúdio de música profissional. Fala do processo de gravação...

Ainda estou na gravação da primeira canção que foi feita no Estúdio Hanói, em Botafogo (RJ). Quando eu cheguei ao estúdio foi um baque. O lugar é maravilhoso, parece uma nave espacial. Tocar e cantar em um estúdio num silêncio total é muito diferente de fazer isso numa rua com muita poluição sonora. Era como se eu estivesse patinando no gelo depois de ralar muito os meus pés e minha garganta no chão grosso.

A música em sua vida é algo recente...

Foi no ano de 2012, quando voltei de Cuba e percebi certa musicalidade em meus versos. Então comprei um violão em um brechó e comecei a bater tentando tocar. Aprendi algumas notas em uma revistinha de música e hoje faço acordes que não sei o nome. Ando pelo braço do violão como se fosse a extensão do meu próprio braço, ouço minhas palavras vestidas com som e tenho muito prazer em fazer isso. Não me considero um cantor, mas gosto de cantar e poder dizer o que penso em minhas canções. 

Fale sobre as canções que comporão seu primeiro CD independente. A propósito, alguém está o financiando? Existe mercado musical para o seu trabalho? 

São canções autorais mais politizadas e também coisas que falam de amor e outros universos. O titulo vai ao encontro com o que vivo no cotidiano de tocar e cantar pelas ruas da cidade, minha poesia sempre bem-vinda nas margens urbanas. Não penso em expor meu trabalho atrelado a um Rio de Janeiro de uma mídia alienada que vende a cidade como uma referência internacional de arte e cultura, mas que fecha as portas para o fluxo cultural existente na mesma. Pra mim, o Rio que vivo está aberto. Aberto para as artes do gueto em suas ruas, favelas e periferias. Quando não há palco e nem foco de luz, tem sempre uma calçada e uma gambiarra pra eu fazer um show. 

Às vezes penso que seria muito mais comercial se eu fosse só “uma linda história de superação”, mas eu penso e falo o que penso. E isso não é legal para esse sistema alienador. Um suposto ‘mercado musical’ alucinante sofrendo de amor e agressão. Por isso, na dúvida: “Se dou na cara dela ou bato em você” eu não pago cinquenta reais! (risos)...

Estou estudando a possibilidade do financiamento coletivo para terminar de fazer o CD. Quero entregar um bom trabalho ao publico que estou conquistando. Venho estudando, buscando e me esforçando para isso. Uma qualidade sonora que vista com sinceridade os meus versos.

Um caminho alternativo no atual cenário de produção industrial...

O caminho para mim é fazendo shows em espaços mais alternativos, coisa que já faço. Procurar um selo que se interesse na comercialização do meu trabalho e divulgar. Não dá para ralar tanto, fazer um CD e colocar na gaveta. Eu tenho plena consciência da crise fonográfica existente em nosso país, mas o que mais me preocupa é a crise auditiva. Às vezes parece que todos estão com o ouvido no mesmo lugar, querendo ouvir repetidas vezes as mesmas coisas. Caindo no feitiço dos jabás financiados pelos fazendeiros universitários que não se formam nunca. Não me preocupo com o que está na moda, faço o que acredito e o que me faz bem. Ter discernimento sobre o que eu ouço é o que me inspira e me faz feliz.

Você ouve...

Não vou cair no clichê de dizer que ouço de tudo um pouco, porque estarei mentindo. Ouço Beatles, Caetano Veloso, João Gilberto, Nina Simone, Lenine e por ai vai. Querendo ou não, pra mim o que ouço influencia diretamente na minha musicalidade, por isso preciso ter critérios no que estou ouvindo e também ter um pensamento critico sobre o mundo que estou vivendo.

Margens Urbanas é o título do seu CD. Qual é a proposta desse trabalho?

Eu espero conseguir comunicar, tocar nas pessoas. Acho que pra fazer algum sentido. Não quero ser genial, quero só fazer música e ser feliz.

Que venha Margens Urbanas... Sucesso e obrigado!   

domingo, 12 de janeiro de 2014

Um Beijo Para o Recalque


Por Henrique  Melo

Agora que 2013 chegou ao fim,  as festividades se encerraram, e você sobreviveu às piadas do pavê e às perguntas de sua tia solteirona, eis a hora de retirar os enfeites de Natal da sala e aquela linda guirlanda com neve artificial da porta. Vou pular o discurso otimista característico desta época, porque todos já o conhecem por ouvi-lo de janeiro a janeiro, como diria a música do Nando Reis. Porém relembrar é viver, por isso falarei aqui sobre o “Ano do Recalque”... Você está se perguntando o “porquê” do apelido. Porque em 2013 este termo foi repetido como nunca, quase à exaustão.

No dicionário Aurélio, recalque tem o seguinte significado:

 “s.m. O mesmo que recalcamento. / Psicanálise: Processo inconsciente pelo qual uma idéia, sentimento ou desejo que o indivíduo tem por repugnante é por este excluído de admissão consciente  mas persiste na vida psíquica, causando distúrbios mais ou menos graves. (Deve-se a Freud a teoria do recalque.) (Sin.: censura.)”


Deu para entender que, literalmente falando, a palavra recalque se relaciona aos processos de Engenharia Civil, como é o caso da Torre de Pisa, que é toda trabalhada em cima do recalque...

 O Recalque Diferencial é o fenômeno que ocorre ao famoso monumento italiano, cujo solo sob o qual foi erigido sofreu um adensamento. Então não se preocupe, pois até a Torre de Pisa é recalcada!

E também no momento “Freud explica” desta postagem, o pai da Psicanálise classificou o recalque como aqueles pensamentos que são rejeitados por nós e ficam no nosso inconsciente, mas sempre acabam voltando para nos infernizar.  Eu, você, e a torcida da Seleção Brasileira sofremos de “recalque” alguma vez na vida. 


Mas o significado que foi estabelecido o “oficial” da palavra foi o de inveja. Isso mesmo, um dos setes pecados capitais ganhou um novo sinônimo, que procura abranger não só o sentimento de inveja em si, como toda a inferioridade, complexidade e humilhação que este pode conferir ao sujeito que o possui. Fazendo uma retrospectiva geral do ano que se retirou, podemos citar diversas situações em que o recalque deu o ar de sua graça, de um jeito ou de outro.


Máfia “Brindada”


Religiosamente, como em todos os anos, o Big Brother Brasil ganhou mais uma edição. E logo no início, uma das participantes, a recepcionista Aline, mostrou que não iria se deixar abalar diante do “recalque”. Em uma discussão com o “repetente” Kléber BamBam, a sister mandou logo que tinha o corpo “brindado” contra pragas e seus derivados. Porém, sua auto-confiança (e personalidade fortíssima) não ajudaram a evitar a evidente eliminação logo no início do programa.


Glória Perez se revolta contra o Bonde do Recalque



O ano não começou muito bem para a novelista Glória Perez, pois sua novela “Salve Jorge” não agradou ao público e recebeu muitas críticas negativas do na Internet. Cansada de tanta humilhação em rede social, Glória  resolveu ensinar O Bonde do Recalque a usar o controle remoto, em um dos tweets mais geniais que eu já vi. 


Pi Pi Pi Pi Olha o recalque...


Glória não só mandou indiretas para os recalcados nas redes sociais. Através da personagem Maria Vanúbia, um dos seus maiores acertos na novela, ela muitas vezes dava alfinetadas certeiras no Bonde do Recalque. A periguete tinha até um sensor para detectar quando alguém com este sentimento se aproximava, e lançava logo o seu “Pi Pi Pi Pi Olha o recalque...”. Isso é que é poder!


Um exemplo Neozelandês de Recalque


Em 2013, a cantora neozelandesa Lorde deu muitas declarações polêmicas sobre outras colegas e coisas do mundo Pop. Sempre destilando seu “veneninho”, a estrela de “Royals” alfinetou Britney Spears, Selena Gomez, Lana Del Rey, Miley Cyrus... Enfim! Tanta crítica pode ser um pouquinho de recalque, não, Lorde? Pois é... Muitas fãs bases iradas trataram de dizer que o que ela não passa de uma RECALCADA!


Mais amor, menos recalque!


O falecido funkeiro MC Daleste, que Deus o tenha, pediu mais amor e menos recalque. Apesar da morte precoce, é bom que ele tenha deixado como legado uma mensagem tão positiva e altruísta de que as pessoas devem alimentar sentimentos bons em detrimentos dos ruins. A música é adorável, então pegue o seu fone de ouvido e dê o play.

O Recalque nas redes sociais


As redes sociais também foram lugar para as pessoas expressarem seu desconforto com o recalque alheio em 2013. Uma overdose de postagens e frases durante o ano revelaram o quanto os usuários repudiam este sentimento tão destrutivo. Basta dar uma olhada para verificar o tamanho da febre “anti-recalque”, inclusive no perfil de algum amigo seu. 


Oi Oi Oi


Ninguém esperava que Lado a Lado saísse vitoriosa na premiação do Emmy 2013. Muito menos os fãs absolutos de Avenida Brasil, que ficaram indignados com a derrota. Como diria Maria Vanúbia, aceita que dói menos e para de recalque!


Beijinho no Ombro


“Pro recalque passar longe...” Foi com essa trilha sonora funk/pop luxuosa que 2013 chegou ao fim. Surpreendendo a todos, pela qualidade da produção, coreografia, fotografia, cenário, letra e música de seu mais novo sucesso, a funkeira Valesca Popozuda colocou as inimigas no chinelo, fazendo referência clara à divas como Beyoncé no clipe de “Beijinho no Ombro”. Em um ano onde não se falou em outra coisa além do famigerado “Recalque”, a cantora soube (inteligentemente) usar isto a seu favor. Para aqueles com auto-estima lá em cima e que gostam de repelir a energia negativa dos inimigos, soa quase como um hino.

Depois deste retrospecto, basta esperar que em 2014 sentimentos mais positivos imperem nos corações das pessoas!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vamos ser uma Legião.

 Por Vanessa Carvalho


Que Renato Russo foi uma pessoa ímpar como líder da Legião Urbana ninguém duvida. Agora é difícil imaginar alguém como ele sendo “normal”. Estudando, trabalhando, se relacionando, tendo amigos. É essa fase da vida dele que aparece no filme “Somos tão jovens” (2011), filme que mostra o começo da formação musical dele.

O filme não conta a história de Renato Russo em si, mas mostra como Renato Manfredini Júnior se tornou Renato Russo. Ele era um cara normal, vivendo em Brasília, numa época em que o “punk” inglês estava crescendo. Através de um colega de trabalho, Renato é apresentado ao Sex Pistols e logo começa a se questionar sobre tudo que o cerca.

O que mais me chamou a atenção no filme não foi a forma como mostraram as criações de músicas que escutamos desde o início dos anos 80 ou as relações que ele tinha com o Herbert Vianna ou Dinho Ouro Preto, mas foi a caracterização dos personagens, principalmente do Tiago Mendonça. Alguns momentos do filme é preciso lembrar que Renato morreu.


Tendo Brasília como pano de fundo, fica fácil imaginar como era a vida na capital do país no final da década de 70 e início da década de 80. A criação do Aborto Elétrico, o som punk rock que eles faziam ocupa boa parte do filme. Há também um pouco de como surgiu a Plebe Rude e o Capital Inicial.

Os pontos negativos que eu vi no filme, além do roteiro um pouco fraco, foi a caracterização do Herbert Vianna e do Dinho Ouro Preto. Ambos os atores, muito parecidos com os artistas, se esforçaram tanto para se parecerem com eles, que se tornou uma caricatura grosseira dos originais. E o sumiço repentino do pai do Renato na metade do filme. Ele aparece em uma cena e na outra não mais sem explicação nenhuma. Mas nada que estrague a beleza e sutileza do filme.

A bissexualidade do cantor, um dos traços mais fortes da personalidade forte dele, foi tratada de uma forma tão naturalmente simples que faz com que não se sinta falta dela. Nem os grandes conflitos que passava na cabeça das pessoas naquela época. Uma das cenas mais divertidas do filme é quando o Renato está conversando com a mãe dele sobre sua orientação sexual. Foi uma forma tão naturalmente divertida que fica impossível não se divertir com isso. Isso não agradou boa parte dos fãs mais fervorosos do cantor, que podem ver tal cena como um deboche.


Tiago Mendonça foi o grande diferencial do filme. Se há uma coisa que não se pode questionar foi na caracterização do ator. A semelhança física com o Renato no início da carreira é um ponto que não se pode passar despercebido, claro, mas foi na interpretação da forma como o Renato via o mundo que Tiago ganhou toda a atenção da mídia. Ele mostra com maestria a profunda depressão que perseguiu o Renato por toda a sua vida. E a forma como ele canalizou isso para as suas músicas.

As relações pessoais também foram tratadas de maneira séria, porém leve. A relação com sua eterna amiga Ana, a primeira paixão por um amigo de banda, o relacionamento conturbado com os integrantes do Aborto, foram tratados tão delicadamente que é até difícil não imaginar o quanto conviver com ele era sublime. A relação familiar, o apoio dos pais, assim como a preocupação deles foi tratado tão rápido que acabou nem fazendo falta.
Ir ao cinema assistir ao filme esperando a vida do Renato, como apareceu no filme “Cazuza” é pedir para sair decepcionado. Os produtores não quiseram mostrar o Renato Russo, e sim o processo para o surgimento da Legião Urbana. Tanto que, o filme termina quando a banda começa a ser mais conhecida.

“Somos tão jovens” é um filme que vale a pena assistir não pela vida do Renato em si, mas por trazer o cantor mais próximo do público, mostrar um pouco do pensamento dos jovens em plena ditadura, e principalmente pela trilha sonora.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

ABBA no Brasil: das rádios para as novelas

Por Daniel Couri *
  
Com a inauguração do museu oficial do ABBA na próxima terça-feira, em Estocolomo, capital da Suécia, o momento é mais do que oportuno para trazer à baila o nome do quarteto que dominou as paradas de sucesso nos anos 70. Ainda que aqui no Brasil o evento não crie a expectativa que vem criando na Europa, não se pode negar que o ABBA tem conquistado mais espaço também entre os brasileiros nos últimos anos.


O crescente interesse pelo grupo só reforça seu carisma internacional. Em 2010, por exemplo, o ABBA entrou para o Rock and Roll Hall of Fame, honra concedida apenas aos gigantes da música (Elvis Presley, Beatles, Rolling Stones, Michael Jackson etc.). Naquele mesmo ano, Mamma Mia!, um dos musicais mais famosos do mundo – composto de canções do ABBA – ganhou uma montagem brasileira e permaneceu um ano em cartaz em São Paulo. Em 2012, finalmente o mercado editorial brasileiro resolveu traduzir um livro sobre o ABBA (O Que Há por Trás de Cada Canção, ed. Larousse), do inglês Robert Scott.

Agora em maio, além da inauguração do museu do grupo, Agnetha Fältskog (a loira do ABBA) lança também seu álbum solo A, depois de quase dez anos em silêncio. A volta de Agnetha também tem causado alvoroço entre os fãs do grupo. Benny e Björn, os homens do ABBA, compuseram We Write the Story, o tema para a edição 2013 do Eurovision Song Contest (o festival musical que catapultou o ABBA para a fama em 1974).


Ainda que o mercado brasileiro seja bem limitado no que diz respeito ao quarteto sueco, as coisas parecem mudar aos poucos. Sorte da nova geração de fãs brasileiros do ABBA, que encurta as distâncias graças à internet. Mas houve um tempo em que a música do grupo era presença constante nas rádios, programas de televisão e lojas de discos no Brasil. Sem falar nas novelas, cujas trilhas sonoras internacionais funcionavam como uma espécie de ‘suprassumo’ do que havia de melhor no hit parade mundial. Aliás, as novelas foram um dos fatores que contribuíram para a descoberta do ABBA no Brasil, na segunda metade dos anos 70.


A canção Honey Honey (que o grupo havia lançado em 1974) foi incluída na trilha sonora internacional da novela O Casarão (1976), de Lauro César Muniz. Isso chamou a atenção dos brasileiros, que começaram a querer conhecer outros trabalhos daquela banda até então misteriosa por aqui. Depois disso, outros sucessos do ABBA apareceriam em trilhas sonoras de telenovelas de sucesso.


 No ano seguinte foi a vez de The Name Of The Game integrar a trilha internacional de outro sucesso da Rede Globo: O Astro (1977-78), de Janete Clair. Nessa época o ABBA já estava entre os mais tocados nas rádios brasileiras. Mas foi em 1980 que um dos maiores hits do grupo, The Winner Takes It All, fez imenso sucesso na trilha internacional de Coração Alado, também de Janete Clair. A música foi tema dos personagens de Vera Fischer e Tarcísio Meira, nos papeis de Vivian e Juca, respectivamente. A canção rendeu bastante por aqui e originou várias versões em português.


Em 1983 o ABBA já havia se dissolvido. Seus ex-integrantes trilharam caminhos separados, mas duas canções solo das mulheres fizeram parte das trilhas sonoras internacionais de duas novelas da Globo naquele ano: I Know There’s Something Going On, do álbum solo de Frida Something’s Going On, entrou no LP internacional da novela Louco Amor, de Gilberto Braga. Wrap Your Arms Around Me, do álbum homônimo de Agnetha, foi usada na trilha de Eu Prometo, última novela de Janete Clair.


Lembranças de um tempo em que o sucesso dos temas internacionais das novelas continuava mesmo após o fim da novela. Exatamente como o sucesso dos indefectíveis hits do ABBA.



Twitter: @danielcouri

(*) Autor de Made in Suécia – O paraíso pop do ABBA (Página Nova, 2008) e Mamma Mia! (Panda Books, 2011).

sábado, 20 de abril de 2013

Selma Reis: voz marcante na teledramaturgia

Por Isaac Santos 

Não sei precisar se a música internacional divide com a MPB a atenção do telespectador de novelas, de modo equitativo. Mas ambas fazem toda a diferença nas produções de teledramaturgia. Quem curte telenovelas não consegue imaginá-las sem as tradicionais trilhas sonoras. É um casamento perfeito, mas não de aparência. Há um envolvimento, um sentimento harmonioso pra toda a vida.
Eu curto algumas internacionais. Porém minha preferência tende a ser pelas nossas músicas. Adoro escutá-las. E quem me conhece, bem sabe que elas fazem parte de minha rotina [o exagero é proposital]. Seja amenizando o estresse diário no transporte público, com fones providenciais, ou mesmo em som ambiente em meu local de trabalho, ou ainda, quando fazendo faxina em minha casa... Hoje foi dia [risos]. Clima frio, super agradável. Convidei a Selma Reis pra me fazer companhia [mais risos]. Pedi que cantasse seus maiores sucessos, e ela prontamente me atendeu. Ok! Antes que perguntem, esclareço que não era a própria, em pessoa. Não, não era. Quem esteve aqui em casa foi a sua voz forte, marcante. Aliás, ainda está a tocar enquanto escrevo estas linhas.

Que prazer poder apreciar belas canções de uma cantora, dona de expressividade tão particular. Selma Reis já fez participações como atriz, na TV e também no Teatro. Mas é cantando que seu talento é facilmente ratificado.
Em 1990 a Globo exibia a minissérie Riacho Doce, e a música “O que é o Amor” embalava as cenas da romântica e sofredora Francisca, personagem de Luiza Tomé. Letra e música totalmente pertinentes à trama. Algo cada vez mais raro em produções atuais.

No mesmo ano, estreava na emissora a novela Araponga e a cantora emplacava mais uma música. “Estrelas de Outubro” era tema do personagem Érico, interpretado por Paulo José.

Ter uma música incluída em trilha sonora de novela, e ainda mais sendo da Globo, antigamente não era pra qualquer cantor/grupo. Selma teve a honra de, em 1991, já em sua terceira inserção na área musical da teledramaturgia, ser convidada pra cantar o tema de abertura da novela Salomé. “Sombra em Nosso Olhar”, uma adaptação da “Smoke Gets In Your Eyes” do The Platters. Bela canção pra uma belíssima novela.

Noutra trama das seis, Despedida de Solteiro (1992), Selma canta as dores e mágoas da personagem Marta, vivida por Lucinha Lins. “Deságua” é uma de minhas prediletas da cantora.

Curiosamente, Selma Reis parecia ter a preferência da diretoria musical quando se tratava de escalação das trilhas sonoras das novelas do horário das seis.
O ano era 1993. A novela Sonho Meu alcançava índices memoráveis à época, e lá estava a voz penetrante da Selma mais uma vez abrilhantando uma trama. A personagem Cláudia, protagonizada pela Patrícia França, sofria nas mãos do marido violento, e ao fugir dele perde a guarda da filha. A música “O Preço de uma vida” calhava perfeitamente com a trama.

Interessante observar que há uma característica comum às músicas interpretadas pela Selma Reis e que ilustraram essa postagem. Falam de mágoas, infelicidades, tristezas, dores, amores, amarguras, paixões, desejos da alma, de sentimentos muito fortes do homem. Não são banais, não são coloridas, e talvez por isso mesmo toquem no profundo do ser.

Tomara, em breve possamos ter o prazer de mais uma vez curtir a voz da cantora numa trilha sonora.        

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Seria a volta do "As Sublimes"?!



Por Isaac Santos

Em maio, o ‘Posso Contar Contigo?’ publicou uma matéria sobre a campanha ‘Volte Sublimes’, falando da história do grupo que marcou uma época, quebrando paradigmas e abrindo espaço para a Black Music com vozes femininas no Brasil.

Na semana passada Isabel Fillardis, Karla Prietto, Lilian Valeska e Flávia Santana (ex-integrante do grupo) se reuniram com o ator Rodrigo Hallvys, presidente do FanClub oficial, para gravar um vídeo de agradecimento aos fãs que fizeram depoimentos e publicaram no youtube, pedindo por sua volta.

-É muito bom sentir que não sou órfão sozinho. A internet tornou-se uma aliada de peso, uma ferramenta que facilitou para encontrar vários fãs. Tanta gente com histórias bacanas passadas em plateia de shows, de lembranças das Sublimes na mídia. É gostoso ver e ouvir isso. Aproveito para agradecer ao ‘Posso Contar Contigo?’, por ter acompanhado a campanha desde o início. – comenta Rodrigo.




Isabel Fillardis fala de como foi ser uma das Sublimes. “Chegou um momento que tive que deixar o grupo porque não conseguia conciliar a agenda dos trabalhos. Foi uma decisão muito difícil para mim. Mas com elas eu aprendi muito. Se hoje em dia faço teatro musical é graças à escola que As Sublimes foram em minha vida. Até hoje pessoas me perguntam se a gente tem vontade de voltar. Quem sabe né? Quem sabe rola um revival? – comenta, a atriz.

-Considero essa campanha de suma elegância. Somos amigas até hoje, mesmo estando com dificuldades de nos encontrar. Mas não tinha como deixarmos de agradecer esse carinho, esse movimento que os fãs estão fazendo. Desejo tudo de bom a essa galera. – frisa, Karla Prietto, atualmente integrando o grupo Revelação.

Lilian Valeska, que é uma das atrizes mais requisitadas para musicais no teatro brasileiro e, está em turnê com ‘Tim Maia – Vale Tudo’, complementa. “Ser uma das Sublimes foi importante para todas nós. Não era só o prazer de trabalhar com o que amamos, que é música e arte. Mas de amigas nos tornamos irmãs. Aprendemos a timbrar juntas. Cantar em trio é muito bom” – ressalta.

Flávia Santana, substituta de Isabel Fillardis no segundo disco do grupo emociona-se ao falar. “Eu só tenho a agradecer. Eu ainda era quase uma adolescente quando entrei para o grupo. Aprendi a ser artista, aprendi a me maquiar, aprendi a ser humana com As Sublimes. Isso tudo é um presente muito importate”, em meio às lágrimas de felicidade por estar atravessando o momento do lançamento de seu primeiro disco solo, que estará nas lojas dentro de quinze dias.

Outra situação que causou alegria tem relação com a novela ‘Cheias de Charme’, há alguns dias a novela expôs a separação das Empreguetes e colocou uma campanha para elas retornarem.
-É uma coincidência muito saudável. A campanha ‘Volte Sublimes’ começou há quase quatro meses. Ver algo acontecendo na ficção de forma similar e da mesma forma que estamos fazendo é satisfatório. Espero poder ainda agradecer aos autores em nome do FanClub. - comenta Rodrigo.

E por falar em fanclub, o site está com mais materiais sobre As Sublimes. Incluindo vídeos de apresentações delas em programas de televisão e o vídeo de agradecimento aos fãs pela campanha (feito no encontro ocorrido).

Quem quiser visitar é só acessar: www.geocities.ws/sublimes

Fotos: Alexander Rodrigues

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Caetano e as Novelas!



Por Eduardo Vieira

Não sei se Caetano gosta de novelas, entretanto sei que “Caetanamente” falando, gosto que as músicas dele ou cantadas por ele estejam nas nossas obras. Contudo não me atrevo a  tentar situar de modo cronológico a presença desse grande compositor e intérprete no vasto mundo noveleiro.

A primeira música que sempre me vem à cabeça é a que tocava na abertura de “O Homem Proibido” que estranhamente foi substituída por uma versão instrumental. A letra sobre a submissão e visões de um mesmo amor cabia perfeitamente ao triângulo de Nelson Rodrigues, as duas mulheres aos pés da virilidade do personagem de David Cardoso.


Um pouco antes recordo de uma canção que sabia toda, mesmo sem lê-la, que falava de uma mulher, de unhas negras e íris cor de mel, tema da desbocada e destemida Cintia Levy, personagem de Sônia Braga em Espelho Mágico, que galgava o seu estrelato de modo não muito ético, desta vez a música era cantada pela voz emprestada à persona de Sônia na época, Gal Costa. Mesmo sabendo que a composição fora feita para uma das frenéticas, a imagem de Sônia é a primeira de que me recordo quando ouço os primeiros acordes de guitarra.


Aconteceu algo parecido com a música que o compositor havia feito para sua irmã Irene cujo riso era bem característico e quando no exílio ele disparava de modo infantil que queria voltar para ouvir “Sua Risada”. Na época Betty Faria que fazia uma anti mocinha em Véu de Noiva, de Janete Clair, a outra, oposto da heroína certinha de Regina Duarte, ganhou esse nome na trama e a música-tema. Não vi a novela, mas tenho certeza de que personagem e tema devem ter casado muito bem, pois a risada de Betty não nos deixa indiferentes até hoje.


Por falar em Betty Faria, não há como não lembrar de Tieta e seu teaser com a música que literalmente levantava poeira em um arranjo pop no princípio da chamada axé music, a vibrante “Meia Lua Inteira”, que se não fosse falada que era da autoria de Carlinhos Brown, poderíamos piamente acreditar que Caetano teria feito tal canção, tamanha propriedade como canta a música, tema de  locação de Santana do Agreste, cidade onde acontecia a ação da trama adaptada perfeitamente por Aguinaldo Silva da obra de Jorge Amado, cuja adaptação mais famosa, Gabriela, não tem uma canção sequer do artista baiano. Aliás, as ditas grandes trilhas não possuem uma só música de Caetano, a dizer, O Bem Amado, Gabriela, Roque Santeiro, o que Meia Lua Inteira veio cobrir, dando ao artista um sucesso, voltando às rádios na época.
Como sou apreciador de temas que se relacionem diretamente aos personagens, não posso deixar de citar em “Chega Mais” o tema de um artista musical feito otimamente por Osmar Prado, o igualmente baiano Amaro que recebe a linda “trilhos urbanos” que nos remete a uma mítica cidade da infância de Caetano, Santo Amaro da purificação, uma música-memória.


Também é difícil uma novela do grande Gilberto Braga, famoso pelas escolhas de repertório de suas histórias, não haver em suas trilhas algo de Caetano, seja na voz dele ou de outro. Foi assim que como Tom Jobim já o fizera em Brilhante, Caetano grava o tema da personagem Raquel Acciolly, tema este que transborda do personagem pra locação e vira hino nacional dentro do caminho de integridade que a personagem simboliza, no samba de Ary Barroso, “Isto Aqui o Que é?”, que nos lembra um tempo em que o país era mais puro e as pessoas mais crédulas. Dentro da mesma novela ele cria o tema de amor dos personagens Raquel e Ivan, o bolero urbano “Tá Combinado”, retratando um amor maduro e adulto, mas não menos mágico e frágil, como na letra da canção que fala do “Equilibrista em Cima do Muro”, que embalava as idas e vindas do casal por vezes tão diferente, mas que se amavam pela admiração que um nutria pelo outro.


O baiano também se aventurou em outras línguas como o italiano, e ilustrou o riquíssimo personagem de Raul Cortez, um banqueiro que redescobre o amor nos braços de uma moça linda e simples feita pela estreante na Globo,  Maria Fernanda Cândido... A canção “Luna Rossa” acompanhava o casal em seus encontros na rua, nos banhos que ela preparava para o seu amado e marca muito o personagem do inocente sedutor Francesco.


Caetano Veloso fez 70 anos e até hoje nos brinda com participações com suas composições ou apenas interpretações nas novelas, com perfumarias como a regravação de moça para “Três Irmãs”, canção de Wando, só vou gostar de quem gosta de mim, famosa versão de Rossini Pinto, para “A Lua Me Disse”.


Porém atualmente acertaram em cheio por duas vezes: na abertura de “A Vida da Gente”, estréia da autora Lícia Manzo com Maria Gadu cantando a linda “Oração ao Tempo”, dando o tom do assunto da novela, os conflitos geracionais e o próprio tempo que tudo pode resolver no caso da não muito leve trama das seis e ainda em cordel encantado, outra trilha que já é um clássico com o poema de Haroldo de Campos, que se não fosse por esse trabalho tão esmerado nunca constaria numa trilha. Falo de “Circuladô De Fulô” que era tema de locação geral! mas que me lembra por vezes o beato feito pelo bissexto ator de televisão, Matheus Nachtergaele.


Esse post é uma homenagem ao artista que mesmo bastante combatido ainda exibe a coragem do ineditismo errando  acertando  e sobretudo experimentando com sua musicalidade e  letras altamente sofisticadas que transitam do mais requintado ao mais popular. Salve Caetano e que suas escolhas sejam sempre bem encaixadas nas nossas histórias.
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