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Olá caros leitores! Em primeiro lugar, peço desculpas pela ausência um tanto longa devido ao falecimento de minha mãe em janeiro último. No mais, esse texto é um convite a uma reflexão em conjunto sobre uma REALIDADE cada vez mais evidente, refletida na ficção: "como isso tem se apresentado?", "tem sido útil?", "oq se tem feito a partir da introdução desse tema nas casas brasileiras, através das tramas televisivas?". Perguntas básicas para incitar tal reflexão.
"A Carminha de Adriana Esteves comprova que se novela fosse teatro, Tereza Cristina foi a vilã de uma peça bem infantil." Diz Dona Heliodora, personagem de ficção em sua página de humor no Facebook.

A personagem Carminha (Adriana Esteves) da novela "Avenida Brasil" mostra uma face não só de uma madrasta carrasca, que remete aos contos de fadas infantis, mas ao reflexo de uma adulta mal resolvida, sádica e que encontra sua vítima perfeita, retratando uma realidade muito mais constante do que se imagina, infelizmente.
Interessante como para quem lida no dia-a-dia com esse fenômeno de violência, tratando diretamente com vítimas como eu em meu trabalho não se sinta tão a vontade de ver isso na tv. Mas, entendam q essa é uma dificuldade pessoal pois, muito me causou ver tantas pessoas se manifestando com indignação em relação à personagem vilã. E até me senti contente quando ouvia alguém dizer que não conseguia nem ver aquilo! Sinal de que a violência contra crianças não se banalizou... ainda[?].
Mas, qual o objetivo de se levar para dentro dos lares brasileiros uma trama que envolva maus tratos contra criança, que é um tipo de violência contra menores de idade, ainda mais focando na violência doméstica: tendo como algoz um dos responsáveis? Acredito que ESTA seja a grande questão que, tanto pode ser positiva, quanto negativa.
1º) Levar essa relação conflitiva ao seio dos nossos lares pode servir para confrontar de algum modo algo que possa ser visto como "assunto intocável". Ainda mais, com a tendência sulista (de profissionais e do próprio judiciário) em desconfiar mais da presença de alienação parental e/ou mentira da criança do que na real situação de vitimização por parte dela. Isso abre alas para grandes debates, para a própria reflexão interna dos casais e seus cônjuges a cerca de como é sua dinâmica familiar, sejam ainda companheiros ou separados.
2º) E pode ser só mais um tema que o telespectador veja, mas como público pudico não "queira mexer". Oq pode ser estimulado tal reação senão for dada abertura para abordagem do tema em outros programas de tv, mais nos noticiários e, principalmente, com vistas a INFORMAR A SOCIEDADE DE COMO RECONHECER ESSE FENÔMENO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇA E DO QUE FAZER A RESPEITO!
Concorda comigo, caro leitor?
E para que esse texto não caia no erro da 2ª colocação, listo algumas orientações:
* Em caso de seu filho ou filha relatar a vc uma situação de conflito com a outra figura parental (o marido ou a esposa, sejam pais legais ou não), NÃO DESCONSIDERE DE TODO! Importante é o argumento da dúvida para com o outro, mas também é ainda mais importante o argumento da credibilidade no relato da CRIANÇA que, EM TODA E QUALQUER RELAÇÃO DE PODER É A PARTE MAIS FRÁGIL, VULNERÁVEL.
*O diálogo constante com seu filho ou filha é crucial. Cabe uma conversa franca com a outra parte, mas não de imediato. Observar alguns detalhes pode lhe nortear melhor: como anda o rendimento escolar, a sociabilidade da criança, toda e qualquer mudança de comportamento estranha como medo repentino do escuro, sensação de ver monstros, pesadelos constantes, mudanças de humor constantes e muitas outras coisas que podem estar associadas a uma série de situações de violência infantil, indo desde bullyng até a violência doméstica.
*Caso a dúvida persista, busque ajuda de uma profissional psicólogo para um psicodiagnóstico do que se passa com a criança.
*Havendo CERTEZA dos maus tratos, que podem ser físicos, sexuais e psicológicos, procure o CONSELHO TUTELAR DE SUA REGIÃO, podendo vc mesmo levar o caso a Delegacia de Crimes Contra Criança e Adolescente do seu estado/município, ou a uma Delegacia comum. E ainda: ao MINISTÉRIO PÚBLICO DE ONDE VC MORA!
*No entanto, senão quiser se identificar por quaisquer motivos, use o Disque Denúncia - Disque 100.
SÓ NÃO SE CALE, NÃO SE OMITA!
E então, agora como vc vê a abordagem do tema na trama da novela "Avenida Brasil"?
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Beijos e que seus lares
sejam SEMPRE desprovidos
de toda e qualquer violência!


