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domingo, 15 de setembro de 2013

Joia Rara - Uma nova revolução estética na história da telenovela brasileira

Pedi ao querido Bruno Fracchia que evidenciasse as suas impressões sobre o capítulo de estréia de Joia Rara. Ele topou. Desde já o agradeço. Confiram!


Não bastasse contar no elenco com as musas da minha vida (Cláudia Ohana, Letícia Spiller e Mariana Ximenes), as lindas e envolventes chamadas de “Joia Rara” me levaram a me programar para estar em casa em condições de assistir ao primeiro capítulo da novela. Não me arrependi. 


Quem estuda a telenovela brasileira, sabe que há alguns “marcos zeros”: 24599 Ocupado” , “Beto Rockfeller”, “Guerra dos Sexos”, “Pantanal” são alguns exemplos. Sem receio do equívoco, tenho convicção de que “Joia Rara” entra para esta seleta lista.
“Marcos zeros” evidentemente são conceitos didáticos para facilitar estudos e que, em geral, são o ápice de uma construção que já se desenhava: antes de “Beto Rockfeller”, por exemplo, a novela “Antônio Maria” já apresentava personagens populares em papel de destaque e linguagem cotidiana. Mas o que se desenhava explodiu na mítica novela da TV Tupi. Logo, “Marcos zeros” são mais do que necessários e contém seus méritos únicos.

Da mesma forma, em “Avenida Brasil” e “Cordel Encantado” a imagem televisiva próxima da estética audiovisual, com primoroso trabalho de luz e enquadramentos fora do habitual já foram utilizados. No entanto, este primeiro capítulo de “Joia Rara” (não por acaso obra com direção geral da diretora de “Avenida Brasil e “Cordel Encantado” e escrita pela dupla de autoras da segunda trama) potencializou demais este recurso, dando condições para que esta obra seja considerada um novo marco zero! 
O que vimos no primeiro capítulo de “Joia Rara” foi o maior exemplo já visto na televisão brasileira de hibridização de linguagens (É cinema? É vídeo?), ficando firmemente “terreno na desterritorialização” de linguagens.


Os estudos acadêmicos e críticas bem fundamentadas sobre telenovelas felizmente vem aumentando. No entanto, desconheço algum que trate da evolução da imagem na telenovela e da análise do trabalho da direção. Que alguém num futuro breve se atreva a esta tarefa!
Através de enquadramentos já existentes em “Avenida Brasil” e também apresentados no capítulo de hoje, Amora Mautner se afirma como uma diretora da linhagem de um Walter Avancini: ambos trabalham num produto “fabricado em série”, mas nem por isso deixam de imprimir marcas autorais!


Os anos 80 testemunharam o retorno da telenovela aos estúdios, deixando pouco espaço para a linguagem imagética. Já os anos 2000 viram a quase total exclusão dos temas políticos. “Joia Rara” em seu primeiro capítulo aponta com força e esperanças para esta saída da camisa de força dos estúdios, a revitalização da linguagem plástica do produto televisivo e a volta dos temas políticos (através da existência de personagens inseridos no Movimento Operário do início do século).


Gênero não se reinventa  Gênero se renova. Na televisão, assim como no cinema e no teatro, tentativas pretensiosas de reinventar os gêneros sempre fracassam quando partem para a ignorante negação de tudo o que já foi feito. Nega-se uma estética anterior a um dado período, por exemplo, mas retornando a conceitos de períodos ainda mais antigos para se propor algo novo (no sentido de revitalização). Desta dialética necessária é que poderá surgir uma síntese a apontar para o futuro: a fotografia e a direção de pouco valeriam se não houvesse no ar uma trama com elementos clássicos de telenovela (tanto que os olhos deste escriba lacrimejaram quando o casal protagonista – Bianca Bin e Bruno Gagliasso (nosso Al Pacino brasileiro – pelo tamanho e pelo talento) se encontraram.


Falando em hibridizações, a última novela das 18h com potencial para às 21h foi “Força de um Desejo” (há 13 anos). “Joia Rara” rasga também esta divisão, necessária comercialmente, mas do ponto de vista estético empobrecedor. Um elenco de horário nobre (Marcos Caruso, Nelson Xavier, Reginaldo Faria, José de Abreu, Nicete Bruno e Ana Lúcia Torre, entre outros, estão entre os melhores intérpretes do país) numa trama com história e imagem para ocupar o posto do produto mais visto da televisão brasileira.


Por fim, saindo do formalismo das análises críticas, “Joia Rara” me lembra aquelas novelas que me fizeram ter vontade de ser ator e sonhar em estar no casting. Falando em casting, Letícia Spiller como uma verdadeira “Ingrid Bergman” dos trópicos é para hipnotizar qualquer um. Não quero nem ver quando Mariana Ximenes entrar no ar. Ou melhor, quero ver sim! Vida longa a “Joia Rara” (que, desde já, aposto que será estendida). E a todas as novelas que trilharem o caminho inaugurado com competência por esta preciosidade.



Bruno Fracchia é ator, dramaturgo, produtor, mas antes de tudo isso, noveleiro. Formado em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo, estudou com Aguinaldo Silva, sendo um dos criadores da sinopse da telenovela "Fina Estampa". Atualmente, Fracchia está em cartaz com o espetáculo "Algumas Histórias", obra-homenagem ao ator Paulo José, escrita, produzida e interpretada por ele.

*Postado hoje (16/09, às 22:58), mas com data retroativa, por questões de programação.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Entrevista com o ator Bruno Fracchia - Intérprete de "Algumas Histórias" do talentoso Paulo José


Por Isaac Santos


Isaac Santos - Fale um pouco sobre a sua formação profissional.
Bruno Fracchia - Comecei no teatro em 1998, num curso em Santos. Em 2002/2003 comecei a sentir a necessidade de novos ares, comecei a perceber que minha formação não era uma formação, que precisa de novos rumos, novos conhecimentos. Foi neste momento, após tirar meu DRT (por exame de banca do SATED). Estudei com Cleyde Yáconis em São Paulo. Mas a formação mesmo, a base (porque formado um ator nunca pode se considerar) veio somente ao cursar a USP. Na USP tive minha formação teórica e durante o curso universitário comecei e desenvolvi meus estudos na área da dramaturgia, destacando, sem dúvida nenhuma, entre as experiências, as aulas magmas que eram a Master Class, ministradas por nosso querido professor Aguinaldo Silva.
Isaac Santos - A Master Class ministrada pelo Aguinaldo Silva foi sobre roteiros. É de sua autoria o texto do espetáculo "Algumas Histórias"?
Bruno Fracchia - Digamos que a adaptação, a construção dramatúrgica seja minha, mas o ponto de partida, a inspiração (e a base da dramaturgia) é o livro “Memórias Substantivas”, de Tânia Carvalho (escritora e jornalista de uma generosidade ímpar).
Isaac Santos - Foi imediatamente a partir da leitura do “Memórias Substantivas” que surgiu a ideia pro espetáculo, ou serviu apenas como incentivo pra concretização de um desejo adormecido seu?
Bruno Fracchia - Foi a partir da leitura. Imediatamente após ler o livro (que peguei na biblioteca da ECA-USP) sugeri a um professor que convidassem o Paulo José pra dar uma palestra, pois havia muitas coisas importantes a serem compartilhadas com jovens.
O professor sugeriu que eu selecionasse uns trechos e falasse pra classe. Até cheguei a rascunhar, separar algo, mas decorei e não levei a idéia adiante. Porém a vontade de compartilhar as palavras nunca morreu.
Até que em 2009, quando estava no Rio de Janeiro fazendo a Master Class, li uma entrevista da Fernanda Montenegro falando que o monólogo era de certa forma a única alternativa restante a muitos atores. Daí, maio de 2009, começou a nascer a idéia de levar as palavras, algumas histórias de Paulo aos palcos.
Isaac Santos - Imagino que não seja tarefa fácil destacar num monólogo, pontos importantes da trajetória do Paulo José. Como se deu o levantamento de "todo" o histórico da carreira do ator?
Bruno Fracchia - Não é mesmo. Se dependesse de mim a peça teria umas 4 horas (risos), porque um defeito de quem pesquisa muito é ter dificuldade em cortar texto, situações. O que seria uma adaptação fiel do livro ganhou mais "completude", mais olhares, pois partimos para outras entrevistas do Paulo e sobre o Paulo.
Inicialmente pus tudo o que queria no papel, daí, durante os ensaios, começamos a fazer cortes. E até agora, após a pré-estréia, ouvindo a Paula D´Albuquerque, minha excelente diretora, e outros artistas da equipe, e sentindo a peça com o púbico, faremos novos cortes, novas alterações.
Seja na dramaturgia, na cenografia, na interpretação, nunca teremos uma peça fechada, acabada. Mesmo porque a pesquisa sobre Paulo José nunca parará!

Isaac Santos - Com base num livro biográfico já publicado, o homenageado precisa querer sê-lo e dar a sua permissão para que o espetáculo aconteça?
Bruno Fracchia - No Brasil, até o presente momento sim. Tendo a autorização dele (quando o artista é vivo), aí sim, se pode pedir a autorização da editora que detém os direitos do livro, e/ou do autor do mesmo.
Isaac Santos - Espetáculo já com estréia marcada nos próximos dias, óbvio, a equipe envolvida cumpriu todo esse processo. Mas, especificamente, como foi recebida pelo Paulo José, a proposta do espetáculo?
Bruno Fracchia - Nunca conversei com o Paulo. Meu contato foi por e-mail, através da secretaria dele. Mas pela simplicidade com a qual obtive o aval, acredito que a proposta tenha sido recebida com naturalidade. Naturalidade no bom sentido, não com empáfia (risos).

Isaac Santos - Pro ator de formação, vocação, ainda que difícil interpretar um personagem real, é sempre prazeroso e só enriquece a sua carreira artística. Você que nunca teve contato pessoal com o interpretado, como encontrou o tom, a postura, enfim, as características adequadas pra compor o personagem?
Bruno Fracchia - Não posso dizer que tenha encontrado. Deixemos o público e o tempo dizer isso (risos), mas o que procurei fazer foi assistir muitos vídeos (o you tube nos ajuda muito) e filmes antigos, para buscar o "meu Paulo José" nas diferentes faixas etárias do artista.
Também precisei usar a imaginação e uma liberdade criativa, pois o Paulo criança e o Paulo adolescente são frutos da minha imaginação. Não tenho registros da época.
Parti sempre do Paulo atual para criar a criança e o adolescente a partir deste referencial. Seja buscando semelhanças ou diferenças. E, sempre tendo ciência de que nunca poderei dizer que faço o Paulo. É uma leitura minha.
Em busca da universalidade dos sentimentos, fundamental foi a convivência com portadores de Parkinson. Durante quase dois anos ministrei oficina de teatro em uma ONG e a convivência com os "meus alunos/mestres" foi fundamental. Não porque tenha estudado-os. Não os estudei. A relação foi de amizade, carinho, amor. Mas, por osmose, quando me dei conta os estava levando para cena.
E procuro me aperfeiçoar. Posturas, gestos, "caminhares". Algumas coisas observei no Paulo (em vídeo), outras, "apreendi" na convivência com meus amigos parkinsonianos (aos quais dedico o espetáculo!).

Isaac Santos - Se pretende um tom de espetáculo com merchandising social?
Bruno Fracchia - Não diria merchandising social. Mas apelo social, papel social sim! Tanto que além do espetáculo, onde for possível, realizaremos atividades falando do Cinema Novo e do Teatro Brasileiro dos anos 60 e, em especial, da importância da arte como uma ferramenta, sim, de inclusão social. Falaremos de respeito aos portadores de limitações.
Isaac Isaac Santos - Há uma ordem cronológica de apresentação do espetáculo?
Bruno Fracchia - Não. Num dado momento, o espetáculo passa a trabalhar com essa ordem. Mas ele não começa com ela e tampouco a trata de forma ininterrupta quando a adota.

Isaac Santos - Houve ao longo do processo, algum impasse, cenas reescritas, cortes, acréscimos, por orientação da autora do livro, ou mesmo por interferência do próprio Paulo José?
Bruno Fracchia - Jamais. Não do modo que você perguntou. Houve impasses e cenas reescritas, com cortes e acréscimos pelo processo do próprio trabalho. Mas nunca por interferência. Liberdade total.
Isaac Santos - Descreva o momento "o ator Bruno Fracchia interpreta Paulo José, sob o olhar atento do homenageado".
Bruno Fracchia - “Um sonho que me leva a um sorriso de orelha a orelha, a visualizar imagens muito concretas e a não ter ideia de como me sentiria. Um sonho difícil de concretizar, mas que só deixará este projeto ser completo se for realizado!".

Isaac Santos - Rir, chorar, sensibilizar-se. O que o público pode esperar do espetáculo? 
Bruno Fracchia - Eu diria que principalmente sensibilizar-se. Há momentos em que se pode chorar, em que se pode rir. Em especial, refletir.
Isaac Santos - Bruno, desejo excelentes apresentações. Agradeço pela atenção!
Bruno Fracchia - Também agradeço e aproveito para convidar o público do blog para prestigiar o espetáculo.


Espetáculo homenageia Paulo José

"Algumas Histórias", de Bruno Fracchia, traz aos palcos a vida do ator e diretor. O espetáculo estréia de 3 a 6 de maio, em Santos, e percorre diversas cidades do Estado

Programação

3 de maio (sexta-feira)

21h: Apresentação do espetáculo

4 de maio (sábado)

16h: Mesa redonda “A importância de práticas artísticas para portadores de deficiência”

A mesa apresenta experiências artísticas que, além de valiosos instrumentos de inserção e reinserção social, contribuem para a melhoria da qualidade de vida das pessoas acometidas por enfermidades ou limitações físicas e /ou mentais. Com Waldir Côrrea (Grupo Viva a Vida de Teatro para Afásicos), Cláudia Rodrigues (Grupo Lótus – Associação Parkinson da Baixada Santista) e Tina Cruz (Trup TriArte). Mediação de Ana Carolina Ramos.

21h: Apresentação do espetáculo

5 de maio (domingo)

17h: Apresentação do espetáculo

20h: Apresentação de dança em cadeira de rodas, seguida por apresentação do espetáculo

6 de maio (segunda)

15h: Coral do Lar das Moças Cegas e apresentação do espetáculo exclusiva para ONGs (gratuito, necessário agendamento prévio)

20h: Apresentação gratuita para escolas de teatro, seguida de bate-papo sobre o processo (necessário agendamento prévio)

Apresentações:

Teatro Municipal Brás Cubas
Av. Pinheiro Machado, 48 – Vila Mathias, Santos
Tel.: 3226-8000

Venda de ingressos e agendamento:

Teatro Municipal Brás Cubas (endereço citado acima)
Centro Europeu
Rua Timbiras, 7, Gonzaga, Santos
Tel.: 3301101

Agendamentos para apresentações:
 


Interpretação e dramaturgia: Bruno Fracchia
Direção: Paula D´Albuquerque
Direção musical: Alexandre Birkett
Preparação Vocal: Cadu Witter
Preparação para canto: Cláudia Rodrigues
Figurino: Kadu Veríssimo
Cenografia: Karla Lacerda
Adereços:Gilson de Melo Barros
Iluminação (desenho e operação): André Cajaíba
Operador de som e vídeo: David Sebastião
Produção audiovisual: Dino Menezes
Edição e mixagem de som: Rodrigo Alves
Assessoria de imprensa: Márcio Garoni
Assessoria jurídica: Grace Carreira/ Márcia Haron Cardoso 
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