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sexta-feira, 17 de abril de 2015

A magia do anti-heroísmo na ficção



Por Henrique Melo

Em minha postagem anterior aqui no blog, falei um pouco sobe os vilões e o fascínio provocado por esses personagens, tão aclamados pelo público. Mas nem só de maldades versus bondades vive o universo ficcional. Existe uma categoria que dança na corda bamba de sombrinha entre a turma do bem e do mal: a dos anti-heróis.

Ao contrário do arquétipo de herói, proveniente da antiguidade grega e cujos personagens são dotados de grandes virtudes, voltando-se sempre contra o mal provocado pelos vilões e se sacrificando em nome de uma razão nobre, os anti-heróis são personagens mais comuns e que agem movidos por interesses pessoais. Muitas vezes se utilizam de métodos pouco aceitáveis, como vingança, roubo e até homicídio. Mesmo diante disso, recebem a torcida popular e ganham admiradores. 


Não podem ser considerados maus ou vilões devido ao seu lado mais humano. Os anti-heróis carregam traumas do passado, como maus tratos na infância, assassinatos dos pais e por aí vai... Também são carismáticos e têm atitudes heroicas, embora visem, quase sempre, o benefício próprio. Nasce daí o jogo dúbio, que tem rendido ótimas produções ultimamente, tanto na literatura, quanto no Cinema e na TV.


Vejamos alguns exemplos:

Beto Rockefeller


Interpretado por Luís Gustavo na saudosa TV Tupi, o personagem Beto Rockefeller foi o responsável por uma grande revolução nas telenovelas brasileiras. O simplório vendedor de sapatos consegue se infiltrar na alta sociedade paulistana, passando-se por herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes dos EUA: os rockefeller.

Odorico Paraguaçu – O Bem Amado


O prefeito de Sucupira adora levar o seu povo no bico. Abusando de neologismos, Odorico Paraguaçu sempre se utiliza de um discurso pouco compreensível e de sua lábia irresistível. Determinado a inaugurar um cemitério em Sucupira, uma cidade onde ninguém morre, Odorico contrata os serviços de um assassino de aluguel.

Comendador José Alfredo – Império


O último sucesso global no horário nobre, Império, tinha como protagonista o garimpeiro José Alfredo que constrói um verdadeiro império ao se tornar traficantes de diamantes. Além disso, o personagem teve um caso com a cunhada, matou, mentiu e traiu a esposa com uma moça bem mais jovem. Sua (suposta) morte no desfecho do folhetim causou rebuliço nas redes sociais, pois muitos a julgaram “injusta”. 

Walter White – Breaking Bad


De professor de química a traficante, Walter White faz de tudo para se curar do câncer e garantir uma vida segura a sua esposa e filho. Na aclamada série americana, ele chega até mesmo a matar friamente. Mas o público o adora.

Dr. House


O mesmo acontece com o arrogante House, personagem de Hugh Laurie na série homônima. Apesar de salvar muitas vidas a cada episódio, seu mau-humor e ego inflado o tornam deliciosamente insuportável.

Malévola


Na readaptação feita pela Disney em 2014, a personagem-título deixa de ser uma vilã para se tornar a anti-heróina da história. Ao se vingar de seu amor do passado, ela lança uma maldição sobre a filha dele. Anos depois, arrependida do que fez, passa a proteger a garota. 

Amora – Sangue Bom


A protagonista de Sangue Bom passou uma infância difícil nas ruas, sem ter ao menos um par de sapatos para calçar. Após ser adotada por uma atriz decadente, Amora virou o jogo e se tornou uma ambiciosa it girl, humilhando e pisando em todo mundo (com um dos milhares de pares de sapatos de seu closet). 

Sister Jude – Asylum (2º temporada de American Horror Story)


Judy atropelou uma menina enquanto dirigia embriagada e fugiu sem prestar socorro. No manicômio católico de Briarcliff encontrou abrigo e se converteu, tornando-se Sister Judy. Mas seu lado freira está longe da santidade, pois ela é sádica e cruel. Após pagar (com juros) por todos os seus pecados nas mãos da literalmente diabólica Sister Mary Eunice, Judy se arrepende de suas maldades e ajuda Lana Banana, que estava internada injustamente no lugar, a fugir.

Severus Snape – Saga Harry Potter


O ranzinza professor de poções sempre pareceu fazer parte da galera do Lorde Voldemort. Mas no fim da história, descobriu-se que o tempo todo Snape se empenhou para proteger Harry Potter, filho de sua grande paixão da adolescência, das maldades do Lorde das Trevas. 

Jacques Laclair e Victor Valentim


No bem sucedido remake de Ti Ti Ti (2010), pudemos nos divertir com as peripécias de dois canalhas: André Spina, vulgo Jacques Laclair, e seu inimigo de morte Ariclenes Martins, que ficou conhecido nos tabloides de fofoca como Victor Valentim. Enquanto um não tinha o menor talento para ser estilista, se aproveitando de sua amante Jacqueline Maldonado para poder criar modelos fashions, o outro nunca tinha pegado em uma agulha na vida, copiando descaradamente os vestidos que a morada de rua Cecília, a quem passa a ajudar, criava para suas bonecas. 

Atualmente, temos um exemplo de anti-heroína clássica na novela das 21h global, a Inês de Babilônia. Determinada a se vingar de sua amiga de adolescência, Beatriz, que se envolveu com seu pai quando as duas ainda eram jovens e foi responsável por sua prisão. Eu, particularmente, estou aguardando com imensa ansiedade o momento em que Inês irá fazer sua rival pagar pelos crimes que cometeu. E espero que isso movimente a audiência da novela que, até agora, tem se mostrado inexpressiva. 


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Por que os vilões nos fascinam?


Por Henrique Melo

Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora, contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais doentios da essência humana.


Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú. Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.

Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes, ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no desfecho de tudo. 

Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.

Independente de qual for a sua situação financeira!
Faça questionamentos sobre a sua vida com Félix Khoury

Como afugentar gente chata com elegância.
Siga os ensinamentos da Rainha da Mentira...
Manifeste sua dor, ao ser bloqueado no Whattsapp, com Soraya Montenegro!
Aprenda a ter autoestima com Nazaré Tedesco

Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são dotados de um lado bom e ruim. 



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Para quem faz questão de brilhar!

Por Henrique Domingos Melo

Certa vez, há alguns anos, vi um anúncio de um produto de limpeza com o seguinte slogan: “Para quem faz questão de brilhar!”. O reclame não teria me chamado tanto a atenção caso a modelo não fosse ninguém menos que Elizabeth Savalla, no auge de seus 50 anos e a beleza genuína que a consagrou durante quase quatro décadas de telenovelas.

Ignorando a dúbia interpretação que o anúncio comercial exige, e o empregando em seu sentido literal, Elizabeth Savalla Casquel pode não fazer muita questão de brilhar, mas o de cumprir sua tarefa com maestria, o que é inevitável para alguém com tanto talento. Se houver alguma dúvida sobre isso, pode-se comprovar ligando a TV às 21h00min da noite enquanto “Amor à Vida” estiver sendo exibida. Dona de boa parte das cenas, a atriz consegue domar a construção textual farsista de Walcyr Carrasco e fazer da caricata ex-chacrete Márcia, uma personagem humana e de forte apelo popular.  Resultado disso? Savalla teve seu valor reconhecido e ganhou, recentemente, o Prêmio Extra de Melhor Atriz Coadjuvante.  Foi mais que merecido.


Em seu discurso emocionado, a atriz disse fazer parte de uma geração de atores que “sonhava” em mudar o mundo, usando seu trabalho para algo maior do que simplesmente se manter forte na mídia – o que parece ser a prioridade de muitos profissionais de artes cênicas atualmente -, levando para cada lar provocação e reflexão, que gerasse mudanças positivas no telespectador. Frente ao deprimente rumo que a televisão tem tomado, surge o desejo de que esta geração nunca morra. Ou pelo menos deixe suas marcas imortalizadas quando partir.

Ainda em seu agradecimento, Elizabeth declarou sua satisfação de fazer uma “novela das nove” por atingir um número maior de pessoas. Particularmente, nunca entendi a razão de a atriz não emprestar seu brilho ao horário nobre global há mais de vinte anos. Seja lá qual for, Tetê Parachoque e Paralama e seus hot dogs, filha periguete e infame bordão que não pegou, foi uma das poucas coisas que funcionou em Amor à Vida. Prova de que a atriz merece figurar em outras produções desta faixa, brindando o público com mais personagens dignamente Savallianas.

Falando nisso, farei um breve (e um tanto negligente) apanhado da contribuição desta grande diva para o teatro, televisão e cinema. 

Malvina, Gabriela – 1975 


Ainda muito jovem, porém com atuação madura e competente, interpretou a feminista Malvina, na adaptação de Walter George Durst para a TV da obra Gabriela de Jorge Amado

Lili, O Astro – 1977.


Outro personagem extremamente popular da atriz. O jeito desbocado, encantador e batalhador de Lili, não demorou em fisgar o público na novela de Janete Clair.

Marcela, Plumas e Paetês – 1981


Uma anti-heroína singular que, nas mãos de Savalla, se tornou um primor. Arrisco em dizer que Marcela foi a mais interessante protagonista de Cassiano Gabus Mendes.

Bruna, Pão, Pão, Beijo, Beijo – 1982


Calou a boca de todos que duvidaram de sua capacidade de encarar uma vilã. Bruna foi tão odiada, que Savalla quase apanhou na rua pelas vilanias de sua personagem.

Auxiliadora, Quatro por Quatro – 1994 


Na novela de Carlos Lombardi, viveu a dona de casa vingativa Auxiliadora. A suavidade de sua atuação marcou época e arrancou muitos risos de quem acompanhou a trama.

Morgana, Sítio do Picapau Amarelo – 2002


Nem mesmo a temida Cuca foi páreo para suas maldades e brilhante interpretação. As crianças da época passaram a idolatrá-la como uma “mãe”.

Jezebel, Chocolate com Pimenta – 2003


Seu trabalho mais feliz ao lado de Walcyr Carrasco. Uma vilã saborosa como chocolate e ardente como pimenta, munida do antológico refrão “Ai como eu sofro!”

Friziléia, uma esposa a beira de um ataque de nervos! – Peça Teatral


Talentosa também fora da TV, Elizabeth Savalla arrasa nos palcos. No monólogo escrito por seu marido, ela é uma esposa neurótica, que diverte a platéia por mais de uma hora de peça.
Em 2007, deu nome ao troféu do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora – MG. Ao lado de seu esposo, Camilo Átila, criou o ESCA, grupo teatral. Além de ser incentivadora das Artes Cênicas. 

Mariana, Pra Frente Brasil – Filme de 1982


Nas telonas, Beth Savalla também deu as caras em um filme do início da década de 80. Na produção de Roberto Farias, viveu uma guerrilheira de esquerda, numa clara crítica ao regime político da época. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Horário ingrato? É difícil fazer sucesso na sexta à noite

Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres
 Por Jonathan Pereira

Desde a série Os Normais, exibida entre 2001 e 2003, a Globo não emplaca um programa que dure três anos seguidos na sexta à noite. A faixa destinada à linha de shows depois do Globo Repórter não teve só fracassos, mas ajudou a enterrar algumas atrações e causou a morte prematura de outras.

Depois que as desventuras de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) saíram do ar, muita coisa foi testada, mas poucas deixaram saudade. Na sequência veio Sexo Frágil, quadro do Fantástico que ganhou vida devido à graça de ver Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Lúcio Mauro Filho vestidos de mulher. Vinte episódios divididos em duas temporadas foram o suficiente para deixar a grade e o elenco ser aproveitado  em outras atrações.

Cidade dos Homens, continuação do filme Cidade de Deus, teve uma temporada exibida às terças-feiras, e suas duas últimas ocuparam a sexta a noite, quando chegou ao fim já desfigurada da proposta original e com a missão de mostrar o crescimento de Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) mais que cumprida.

Também adaptada de um filme, Carandiru - Outras Histórias teve 10 episódios exibidos em 2005. Essa não dá para culpar o horário pela não continuidade e sim o esgotamento do tema, já que no roteiro foram utilizadas histórias que estavam no livro Estação Carandiru não desenvolvidas nas telonas. Nessa linha, Antônia ganhou duas temporadas entre 2006 e 2007 depois que o longa levou a Brasilândia, na zona Norte de São Paulo, para o cenário nacional. E Ó Pai Ó, protagonizada por Lázaro Ramos assim como no filme, também resistiu duas temporadas, embora no fim da segunda já apresentasse a mesma semidescaracterização que atingiu Cidade dos Homens.

Outra que começou às terças e viu seu término chegar quando disputou a atenção do público com o início do fim de semana foi Carga Pesada. Embora atraísse um público mais velho que geralmente fica em casa mesmo na sexta, seus episódios foram sofrendo um desgaste natural que, aliado ao pouco apelo para o público jovem, tiraram o fôlego de Pedro e Bino para continuar suas aventuras nas estradas.

O elenco de Os Aspones
Os Aspones, em 2004, foi elogiada pela crítica, mas não passou da primeira temporada, apesar de ser de autoria de Fernanda Young e Alexandre Machado, os mesmos que escreveram Os Normais, e do bom elenco. Selton Mello, Andréa Beltrão, Marisa Orth, Pedro Paulo Rangel e Drica Moraes eram funcionários de um escritório que não tinham o que fazer. A dupla de roteiristas tentaria novamente em 2007 emplacar O Sistema, com Selton e Graziella Moretto, mas o projeto morreu com uma única temporada.

Em mais uma tentativa, eles se uniram com Luiz Fernando Guimarães para criar Minha Nada Mole Vida. Esta conseguiu quebrar o estigma dos roteiristas com as anteriores pós-sucesso, rendendo três levas de episódios em 2 anos. Empolgado, o ator protagonizou Dicas de um sedutor, que penou com a baixa audiência.
Pasquim e Winits em "Guerra e Paz"

O último trabalho de Carlos Lombardi como autor titular na Globo foi com a série Guerra e Paz, na qual Danielle Winits e Marcos Pasquim repetiam o par romântico que já haviam formado em Uga Uga (2000) e Kubanacan (2003). Ele demorou a achar o tom para histórias que começassem e terminassem no mesmo dia e só quando deu continuidade aos episódios é que foi engrenar. Já era tarde. Mais uma que não passou da primeira temporada, infelizmente.

Em 2009 Tudo Novo de Novo e Decamerão - A Comédia do Sexo ocuparam a faixaFernanda Young e Alexandre Machado voltariam a acertar com Separação?!, que em 2010 pulou de 12 para 23 semanas no ar, devido à boa audiência das enrascadas que as personagens de Débora Bloch e Vladimir Brichta se metiam. Reis do horário, os roteiristas ainda desenvolveram Macho Man, com Jorge Fernando voltando a atuar entre 2011 e 2012.

Bruno Mazzeo foi um dos responsáveis por Junto e Misturado que, embora tenha trazido um pouco de frescor ao humor, teve a segunda temporada cancelada. Desgastados às terças, a turma do Casseta & Planeta ficou um ano fora do ar e voltou às sextas trocando o Urgente! pelo Vai Fundo. A graça não veio junto e foi tirado do ar ainda em 2012 para não mais voltar.

Marcelo Adnet, o Dentista Mascarado
Outro que não agradou, embora bastante esperado, foi o projeto para Marcelo Adnet em seu retorno à Globo, onde fez pequenas participações em novelas como Pé na Jaca (2006/07) antes de se destacar na finada MTV. O Dentista Mascarado flertava com os quadrinhos e super heróis, mas estava longe do adequado para prender a atenção tanto dos jovens que estão saindo para curtir a noite quanto os de mais idade que estavam vendo o Globo Repórter. Se foi sem deixar saudades.

Os Normais saiu de cena no auge por opção dos roteiristas, que desenvolveram ainda dois longas com o casal. Já se especulou a produção de novos episódios, assim como de A Diarista, o que nunca aconteceu. Com a volta do Sai de Baixo, que teve quatro episódios inéditos produzidos para o canal Viva, pode haver esperança entre os fãs que Rui e Vani voltem a aprontar daqui a algum tempo. E você, sente saudade de qual desses programas?

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Bráulio Pedroso – um autor pouco lembrado (Parte II)

Por Guilherme Fernandes

No texto anterior, abordei a genialidade criativa de Bráulio Pedroso, desde sua estreia na TV Tupi de São Paulo, com a paradigmática Beto Rockfeller. Falei também sobre a “alternância” de sucessos e não sucessos do autor em tramas (isso vale para todas) com características inovadoras. Além de Beto, outro grande sucesso de Bráulio foi “O Cafona”, sua estreia na TV Globo. Das inovadoras, mas sem repercussão popular estão “Super Plá”, “O Bofe” e “A volta de Beto Rockfeller”. Recomendo a leitura do texto anterior antes de continuar a ler este. Basta clicar aqui.
No post anterior, ao abordar o “O Rebu”, dizia que o “triângulo” Sílvia-Cauê-Mahler foi o responsável pela morte da garota na festa que Mahler proporcionava para a princesa italiana. Durante a festa, Mahler descobriu que Cauê pretendia fugir com Sílvia ainda naquela noite. Sílvia, já havia negociado com Braga (José Lewgoy) que conseguiria descobrir o valor da proposta de Mahler para a compra do banco Reunido (Braga, assim como Mahler, era um banqueiro. Ambos disputavam a compra desde banco, que ocorreria no dia seguinte da festa). Sílvia já havia iniciado um affaire com Álvaro (Mauro Mendonça) – que inclusive foi quem conseguiu o convite da vilã, e acreditava que ele poderia lhe contar algo a este respeito. Embora empenhada em conseguir descobrir o valor da proposta para Braga, Sílvia também oferece o mesmo serviço para Mahler. Contudo, o que a garota não esperava era que além de descobrir tal plano, Mahler também descobre a “traição” de Cauê. Então, em uma forte discussão em um dos quartos do segundo andar, Mahler acaba discutindo corpo-a-corpo com Sílvia e, ao aproximar da janela, a jovem caí “acidentalmente” no jardim, falecendo na hora.
Ao perceber o ocorrido, Mahler (naturalmente a cena que descrevemos agora não aconteceu simultaneamente à revelação de que Mahler foi o assassino de Sílvia. As cenas ocorram capítulos depois, em flashback, nas recordações de Mahler à ocasião na investigação policial), usando uma passagem “secreta”, desce até a biblioteca e vai ao jardim – sem ser visto – retira o corpo de Sílvia do chão e o coloca sentado na beira da piscina. Boneco (Lima Duarte), que estava dormindo no jardim, ao ver Sílvia “sentada” a empurra para dentro d’água. Ao ver que a jovem não reagia, mesmo sem saber nadar, pulou para tentar salvá-la, quando percebeu que ela havia morrido.
A investigação criminal prossegue e Boneco se apresenta como culpado e explica que havia empurrado Sílvia na piscina (momentos antes, os jovens estavam fazendo esta brincadeira, depois, impossibilitadas de permanecerem com a mesma roupa, as garotas vestiram os ternos de Cauê, por isso, não se sabia se o corpo era de um homem ou de uma mulher, visto que as mulheres estavam trajando vestimentas tipicamente masculinas). Contudo, o laudo policial sabia que Sílvia não havia morrido afagada, mas sim com uma pancada na cabeça. Influenciado pela persuasão de Mahler e também por receber uma boa quantia financeira, Boneco acaba sustentando uma versão que antes de empurrar Sílvia havia atingido a vilã com uma bancada.
Mesmo com a confissão, a equipe liderada pelo delegado Xavier (Edson França) sabia que Boneco não havia cometido o crime, sendo o verdadeiro assassino Mahler. Contudo não havia provas contra ele. Eliminado todos os convidados da cena do crime, o único que poderia testemunhar que Mahler estava com ele no momento exato que Sílvia foi morta era Kiko (Rodrigo Santiago). Sabendo disto – inclusive antes dos policiais – Mahler procura Kiko e oferece uma boa grana, já que ele estava em busca para abrir um negócio. Kiko sustenta a versão e Boneco vai preso.
Um emaranhado de outros conflitos aconteceu. De certa forma, todos os convidados tiveram modificações de comportamento e isso refletiu na vida que seguia após a festa. Um dos destaques foi a postura de Glorinha (Isabel Ribeiro) que estava cansada da vida que levava com Álvaro. A “amizade” com Roberta (Regina Viana) – personagem claramente lésbica – fez a perceber que existiam outras formas de amor. No dia seguinte, Glorinha e Roberta decidem deixar para trás o mundo das aparências e passam a viver um amor a bordo de um navio sem rumo no Oceano Atlântico.
O último capítulo ainda revela outra morte na piscina. Ao saber da morte de Sílvia, Cauê e alguns amigos vão para um quarto de motel para se esquivarem da investigação criminal. Todos estavam dispostos a fugir, porém Cauê passa a ter visões de Sílvia e esta, arrependida, o convida para viverem juntos. Em diálogos com o “fantasma” de Sílvia, Cauê sabe que Mahler a matou, contudo o perdoa. Os policiais acabam descobrindo o paradeiro dos garotos (neste momento Kiko já havia abandonado o quarto de motel) e os leva até a mansão de Mahler. Cauê não quer conversar com seu protetor. Inclusive, em seu depoimento final para os investigadores, Cauê diz não saber quem foi o assassino de Sílvia e diz que Mahler não seria o culpado. Sensibilizado com o depoimento de Cauê, Malher tenta novamente falar com seu protegido, que diz que o perdoa, mas que irá fazer a “coisa certa”. Cauê corre pelos corredores gritando por Sílvia que o chama para viver o “amor subaquático”. Sílvia, vestida de noiva, aparece no centro da piscina, Cauê pula, a câmera foca para um beijo entre os dois e em seguida, aparece o corpo de Cauê boiando na piscina, tal qual o de Sílvia no primeiro capítulo, e a câmara foca para a lágrima que corre nos olhos de Mahler, claramente arrependido pelo que havia feito.  Assim termina esta que possivelmente foi a mais ousada telenovela brasileira e também uma das mais incompreendidas.
“O Rebu” não chegou a ser um fracasso, mais ficou longe de ser um sucesso. Críticos, como Artur da Távola, reconhecerem o mérito e a inovação de Pedroso, mas a grande parte do público não entendeu a história. Possivelmente (até porque apesar da novela ter sido transmitida em cores, a grande massa só havia TV preto e branco) as cenas de flashback dificultaram o entendimento.

Três anos se passaram até a próxima novela de Pedroso “O Pulo do Gato” (1978), também feita para o horário das 22h. A trama anterior deste horário, “Nina”, de Walter Durst, não foi bem. “Nina” teve que ser “improvisada” pelo fato da trama original de Durst “Despedida de Casado”, mesmo com capítulos gravados, ter sido vetada pela Censura Federal (O mesmo que ocorrera em 1975 com “Roque Santeiro” de Dias Gomes). 
O “Pulo do Gato”, que também não foi um grande sucesso (embora tenha recuperado a audiência de “Nina”) repetiu basicamente o mesmo enredo que Pedroso tratou em todas as telenovelas que havia escrito anteriormente. Esta trama abordou novamente, em tom de comédia, a decadência da alta sociedade. Contudo, de forma diferente de “Beto Rockfeller”, “O Cafona”, “O Bofe” e “O Rebu”. 
Mesmo não trazendo as mesmas contribuições (inovadoras) estéticas das tramas anteriores, “O Pulo do Gato” se caracteriza tanto por estar bem mais próximo da realidade e especialmente pela valorização da cultura negra (sobre esse ponto, vale a leitura de outro texto que já escrevi para esse blog). No campo estético, Bráulio inovou ao aproximar da linguagem das radionovelas apresentando um narrador que só apareceu no último capítulo, papel que coube ao ator Paulo Silvano.
O enredo foi centrado no playboy Bubi Mariano (Jorge Dória), que já decadente sobrevivia graças aos golpes que aplicava com a falsificação de obras de arte de sua pinacoteca com a ajuda do amigo e pintor Caxuxo (Milton Gonçalves). Aproximando da linguagem das radionovelas, a telenovela apresentava um narrador que só apareceu no último capítulo, papel que coube ao ator Paulo Silvano. O dinheiro da falsificação não foi o suficiente e Bubi parte para golpe em grã-finos, com isso acaba perdendo a mulher (Noêmia – Sandra Bréa) e a filha (Maíra – Marly Aguiar). De acordo com Joel Zito, a consciência racial foi um dos pontos trabalhados na telenovela com os personagens Caxuxo e Marli (Julciléia Telles). Caxuxo apoiou a criação do Grêmio Recreativo Arte Negra Quilombo, onde acabou se casando com Marli nos capítulos finais.
Com o fim do horário das 22h, Bráulio Pedroso escreve Feijão Maravilha (1979) para o horário das 19h, sendo esta sua última telenovela. De certa forma, Bráulio inaugurou a “novela comédia” às 19h, sendo até hoje a grande marca deste horário no âmbito da Rede Globo. Posteriormente, Cassiano Gabus Mendes, Sílvio de Abreu e Carlos Lombardi radicalizaram a proposta da comédia em clássicos como “Marron Glacé” (1979), “Guerra dos Sexos” (1983), “Vereda Tropical” (1984) “Cambalacho” (1986). Feijão Maravilha também realizou uma homenagem ao cinema brasileiro, especialmente as chanchadas da década de 50 (que nada tem de semelhante às pornochanchadas das décadas de 70 e 80!). Os personagens da trama estavam reunidos no Hotel Internacional, no Rio de Janeiro. Os personagens faziam referências aos filmes da Atlântica, inclusive, Eliana Macedo e Anselmo Duarte, estrelas da Atlântica, participaram do folhetim. José Lewgoy deu vida ao mafioso Ambrósio, sempre acompanhando da bela Marilyn Méier (Clarice Piovesan). Lucélia Santos foi a recepcionista Eliana, apaixonada pelo trambiqueiro Anselmo (Stepan Nercessian). Os divertidos Benevides (Grande Otelo) e Oscar (Olney Cazarré) também trabalhavam no hotel. Todos temiam o misterioso Sombra, que na verdade era o irmão gêmeo de Ambrósio, o Ambrásio.

[Site Arquivo Lucélia Santos]

Ainda na Rede Globo, Pedroso escreveu episódios para os seriados “Plantão de Polícia”, “Amizade Colorida” e “Mário Fofoca”. Em 1982 escreveu a minissérie “Parabéns pra você” em que relatava a crise existencial relacionada ao aniversário de 40 anos do Mendonça (Daniel Filho), uma dos raros momentos de forte densidade psicológica na teledramaturgia brasileira. 

[Canal Mofo TV]
Em 1985 migrou para a TV Manchete, onde ficou até 1986 e escreveu a minissérie “Tudo em cima” e o seriado “Tamanho Família” (1985). 


Depois de um tempo desempregado,  foi compor o quadro de autores do SBT (1989), onde iria escrever o que declarou ser sua última telenovela. A obra, contudo, não chegou a sair do papel. Bráulio faleceu em 15 de agosto de 1990 aos 59 anos vítima de fratura na coluna cervical causada por uma queda no banheiro de sua casa. Seu corpo foi encontrado pelo ator Cláudio Marzo que dividia o apartamento com Bráulio. Bráulio ainda escreveu 15 peças de teatro.


Confira a parte 1.

domingo, 28 de outubro de 2012

Assim não há telespectador que aguente!


Por Isaac Abda

Sou um cara que torce pela livre concorrência entre as emissoras de TV. Que seja justa, leal, movimente o mercado. Algo absolutamente saudável, principalmente pra nós, telespectadores. Sou todo contentamento quando um novo produto é lançado sobre bases sólidas, de qualidade, bem planejado e bem realizado. O público corresponde, óbvio. Mas   é quando a audiência não é tão louvável e ainda assim optam por considerar a relevância da execução do projeto, que sobram motivos pra comemorar. A qualidade sobreposta aos interesses de alguns empresários famigerados. Algo raríssimo em tempos modernos. 

Percebo uma frustração nas redes sociais quando o assunto é a programação exibida em alguns canais de TV. Eu poderia fazer uma postagem interminável e generalizada, mas prefiro focar naquela que atualmente tem liderado no quesito insistência em desrespeitar ao seu público. Não atentando para o fato de jogar exclusivamente contra si. Tá [Já passou da...] na hora de acordar, Rede Record. 

Naquilo que era proposto, o extinto Note e Anote era agradável, bem sucedido. Mudou-se para algo mais moderno, dinâmico e funcionou bem. O Hoje em Dia fez escola, mas como tudo que dá certo na emissora é "obrigatório" ser explorado à exaustão, o público enjoa. Quando não é deste modo, é pelas constantes mudanças, o público foge. Posso estar totalmente equivocado, mas o erro mortal cometido contra esse programa, foi ter se permitido um diretor "estrela". O mesmo que construiu o sucesso, se inflamou de tal modo que tudo começou a desandar. Hoje já está noutro programa, mas o matinal já não é nem de longe o mesmo de origem. Vejam um dos defeitos gritantes da emissora: "descobrir um santo pra vestir outro". Dois dos apresentadores do programa saíram pra projetos solos, agora continuam com estes, mas voltam a dividir o palco nas tardes da emissora, numa versão piorada de todas as revistas eletrônicas, uma espécia de clone do Hoje em Dia. O Programa da Tarde surge com todo o jeitão de tapa buraco, de "vamos ver no que dá". Aliás, uma falha cometida costumeiramente pela Record: testa-se no ar, dando certo estica-se o programa pra trocentas horas de exibição, não dando certo, esconde-se ou até mata o programa. Quem gosta e acompanha tem que estar preparado para tais possibilidades. 

Darei dois exemplos de jornalismo que eu adorava acompanhar e que foram abolidos pela direção da emissora: o matinal Fala Brasil [nos moldes originais], e anos depois, o vespertino Tudo a Ver [de igual modo]. Na contramão disto, vê-se programas de baixíssima qualidade, gosto duvidoso, explícita busca desenfreada por míseros pontinhos a mais de audiência. Balanço Geral, Cidade Alerta, e algumas versões, acreditem, pioradas, apresentadas pelas emissoras afiliadas, "escondidas" da crítica especializada que volta os olhos apenas para o que é veiculado no eixo Rio-Sampa. Estes programas, sobretudo, exploradores da desgraça alheia nunca terão o meu respeito, muito menos a minha audiência. Mas vale ressaltar que a partir do momento em que eu for indiferente a este lixão na TV Record, ela não terá, definitivamente, as minhas críticas, muito menos a minha torcida.


Outra questão desfavorável é a transformação numa emissora de "eventos". Compra-se este ou aquele evento esportivo e tudo gira em torno disto.  


2004 foi um ano desafiador para a teledramaturgia da emissora. 2005, criou-se o RecNov [Complexo de estúdios para produção de teledramaturgia], todos vibramos e torcemos com a notícia. Vieram boas produções, algumas, "incontestavelmente", inovando a teledramaturgia, vide Vidas Opostas. Mas fizeram muito barulho e não se prepararam como deveriam para a manutenção saudável, sustentável do Setor. Como lidar com épocas difíceis, de crise? Momento de preocupação e lamento para os profissionais envolvidos. Felizmente a emissora tem reagido e um novo responsável pelo departamento tem demonstrado não medir esforços pra reverter a situação. No entanto, pasmem, leio notas [não sei até que ponto verdades ou não] sobre novela tal ser empurrada para determinado horário, ou adiantada pra outro horário, ou ainda, é apenas o que falta, ser abduzida por uma emissora extraterrestre. 


Não dá pra levar a sério um produto se nem mesmo a dona deste souber vendê-lo. Quem curte novelas, embora alguns não se sintam a vontade pra reconhecer isto, torce pelo sucesso delas em qualquer que seja a emissora a transmiti-las. Torce pelo elenco, pelos autores, diretores, torcem pelo gênero. E se as críticas parecem "pirraça", "trolagens" gratuitas, eu não percebo desta forma. Sinto que há uma torcida pelo sucesso, mas a irritação diante de algumas falhas gritantes, não corrigidas e que continuam a ser percebidas, parece ser maior que a boa vontade com o que ali é produzido. E nem adianta questioná-los sob a justificativa de que aquela outra emissora também comete os seus erros, pois esta outra emissora, tem sim as suas falhas, mas em proporções infinitamente menores que os acertos, daí a sua tradição inconteste na teledramaturgia. Aliás, seu carro chefe.

Faz-se imprescindível que a emissora, ou ao menos a teledramaturgia da Record, se desvencilhe da ótica religiosa de sua alta cúpula, de seu dono, pra ser mais específico. Ora, não interessa a mim, acredito que pra uma maioria também, sentir que há uma resistência em determinados temas serem abordados pela teledramaturgia. Em alguns raros momentos [Bicho do Mato, Essas Mulheres] viu-se padres, madres em novelas, mas curiosamente [pra não ser mais incisivo, rs], destoando das histórias, se tornou algo recorrente, ver personagens pastores celebrando casamento de personagens que em momento algum da trama declararam ser evangélicos. 

Aqui não estou a defender ou propagar esta ou aquela religião, mas a sugerir que as novelas estejam isentas de qualquer preconceito na hora de realizá-las. Lembro de quando o Tiago Santiago fez a sua adaptação de A Escrava Isaura, os negros escravos pareciam adeptos de uma religião que remetia a tudo, menos ao candomblé. Não pode esta, não retrate nenhuma.

Talvez por essas resistências é que a teledramaturgia da emissora ainda não se firmou, não conquistou o devido respeito do grande público e da crítica especializada. Elogia-se, dá-se audiência a uma ou outra novela bonitinha, agradável, bem sucedida, mas findada, volta-se ao mesmo ponto de descrédito, porque não se observa a teledramaturgia do canal de modo geral, mas pontual. 

No dia em que a "Record" vencer a si mesma, aos seus medos, traumas, soberba, orgulho, teimosia, terá dado um primeiro passo para fazer uma TV digna.

Pra finalizar, evidencio alguns pontos que podem perfeitamente soar como um desafio aos padrões da emissora, mas que adoraria se um dia fossem observados:

  • Uma novela ao estilo Jorge Amado seria saudável ao seu crescimento.
  • Uma trama passada na Bahia traria um frescor à sua teledramaturgia, talvez pela ousadia.
  • Uma minissérie que não seja bíblica é também uma boa pedida. De preferência, de época.
  • Dar um "descanso" para as pirotecnias, tramas que sempre enveredam pela abordagem da violência.
  • Uma novela rural cairia bem. Uma novela de época, idem.
  • Novelas curtas [tomara as notícias de que começarão a ser realizadas, se concretizem] são bem vindas.
  • Acabar com o complexo de desmerecer alguns do seu casting em função de novas contratações de recém saídos da Globo, uns até mesmo mesmo medíocres, considerando apenas a questão da vitrine. Isso é uma vergonha.
  • Ponderar na questão do pudor extremo. Ousar um pouco mais [sem descambar pra baixaria] em cenas de amor, de nudez, de sensualidade. Bons folhetins não pecam nesse sentido, apenas agregam.
  • Planejar as substitutas com tempo suficiente para a produção de algo excelente.
  • Justificar a existência do RecNov. Tanto investimento deve valer a pena!
  • Dar uma atenção especial aos figurinos e cenários de suas novelas. Os padrões atuais da Televisão não toleram mais cenários fakes, de "papelão", ou que mais parecem um conjunto de bugigangas reaproveitadas. 
  • A iluminação não pode incomodar, tem que ser natural. Nos fazer acreditar que estamos diante de algo real.
  • Deixar de ostentação no sentido de não querer jogar na cara do telespectador que tem dinheiro pra fazer essa ou aquela cena mirabolante e que por vezes, acaba ficando gratuita. Tipo: Navios, aviões [o exagero é proposital] sendo explodidos. 
  • Entender que as reprises de novelas não podem, nem devem concorrer com produtos inéditos da concorrência, no horário nobre. Aliás, o público da Record não compra a ideia de rever as novelas do canal. Isto já ficou mais que demonstrado, mas se querem continuar tentando que escolham um horário "ideal" e se responsabilizem pelas consequências. Desrespeitar o público tirando a novela do ar é o cúmulo do absurdo, da incompetência.
  • Fixar os horários deve ser uma lei na programação da emissora. Acabe-se com os testes no ar. Se serão duas novelas, que sejam duas novelas. Em quais horários serão exibidas? Definidos? Assumam o sucesso ou fracasso destas decisões. Vai chocar com o horário do jornalismo ou da teledramaturgia da Globo? A novela atual da emissora líder é bombástica? Faça-se o melhor possível, mas com dignidade prezem pelo respeito a quem optar por continuar a ver os seus produtos. Se neste horário são 10 (dez)os pontos obtidos pela audiência, o que estes significam pra emissora? É preciso criar uma tradição. Olhar pra si e não ficar toda a vida baseando-se no que for levado ao ar pela concorrência. A inveja não é uma qualidade, ela pode matar, então caso a emissora não se dê conta, certamente tudo o que se deseja será frustrado. 

"A gente sofre muito: o que é preciso é sofrer bem, com discernimento, com classe, som serenidade de quem já é iniciado no sofrimento. Não para tirar dele uma compensação, mas um reflexo."
  • Fernando Sabino
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