Mostrando postagens com marcador Lado a Lado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lado a Lado. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de março de 2013

Lado a Lado - Os negros nas telenovelas.


Por Guilherme Fernandes

A emancipação feminina e o divórcio em “Escalada” (TV Globo, 1975, de Lauro César Muniz); a naturalização da homossexualidade em “Brilhante” (TV Globo, 1981, de Gilberto Braga); o modismo de “Dancin’Days” (TV Globo, 1978, de Gilberto Braga). Esses exemplos mostram a radicalização de propostas iniciadas com alguns folhetins. Pensando nessa radicalização, gostaria de indicar “Lado a Lado” (TV Globo, 2012, de João Ximenes Braga e Cláudia Lage) como um marco televisivo na discussão da cultura negra e da abolição da escravatura – embora a novela inicie já nos tempos da República, em 1903, para ser mais exato.

Os livros “Helena” (1876) de Machado e Assis e “Senhora” (1875) de José de Alencar ganharam diversas versões para a televisão, inclusive no seu período não-diário. Os romances tinham como tempo e espaço o Rio de Janeiro de 1860-1970, na obra de José de Alencar, que chega a citar a Guerra do Paraguai (1864-1870), e 1859, no caso de Machado de Assis. As obras, e suas adaptações, não têm a discussão da Abolição como foco. Ainda assim, trazem personagens negros interpretando mucamas, guarda-costas ou figurantes – para compor o cenário do século XIX.

“A Moreninha”, de Joaquim Manuel de Macedo, publicado em 1844, também (e obviamente) não retratou (os problemas da) a escravidão. Contudo, em sua segunda adaptação pela TV Globo, em 1975 (a primeira foi em 1965, adaptada e dirigida por Otávio Graça Mello), Marcos Rey insere elementos da crônica “Memórias da Rua do Ouvidor” (de 1878, também de Macedo) para retratar a luta abolicionista. Rey transfere o romance para os anos de 1866 a 1868 e também aborda a Guerra do Paraguai. O escravo Simão (Haroldo de Oliveira), apaixonado por Duda (Léa Garcia), não via com naturalidade o regime escravista e sempre fugia do capitão-do-mato João Bala (Jaime Barcelos). O mocinho da trama, Augusto (Mário Cardoso), foi transformado em um dos heróis da abolição, da mesma forma que Leonardo (Eduardo Tornaghi), que liderou uma campanha para a libertação dos negros e acabou sendo morto por João Bala. Estranhamente (?), Carolina, a moreninha, foi vivida por duas atrizes que nada têm de morena – Marília Pera em 1965 e Nívea Maria em 1975. Essa foi a primeira representação do movimento abolicionista, narrado como uma luta de brancos progressistas e de estudantes. No último capítulo foi mostrada a luta de estudantes a favor da Lei do Ventre Livre, a alforria de Simão e Tobias (Sidney Marques, jovem alfabetizado que de posse da carta vê a possibilidade de ser ator do teatro Alcazar). Duda e Simão se casam, têm um filho de nome Palmares, que, mesmo sem a aprovação da Lei do Ventre Livre, ganha a carta de alforria. O fim romântico de “A moreninha” mostra a “bondade” branca e a “conformação” negra. Estes, gratos pela liberdade!


O romance “A Escrava Isaura”, do autor abolicionista Bernardo Guimarães foi publicado em 1875, treze anos antes da Lei Áurea. Isaura é mestiça, filha da escrava Juliana com o português Miguel. Em sua versão televisiva, novamente, a atriz escalada, Lucélia Santos, não é morena, como na obra literária. Gilberto Braga, ao escrever a novela para a Rede Globo em 1976, é fiel ao livro nesse sentido. Os personagens negros na obra ou eram protetores de Isaura, como Januária (Zeni Pereira) uma espécie de mammie dos filmes norte-americanos, ou antagonistas (vilãs) Rosa (Léa Garcia), uma escrava invejosa dos privilégios de Isaura.

O pesquisador Joel Zito Araújo observou que os negros da trama não tinham orgulho de sua raça e mostravam-se inferiores aos seus senhores. Uma possível exceção era a vilã Rosa, que tinha consciência de sua condição escrava e por isso fazia de tudo para fugir do tronco, ou seja, dormia com todos os homens (do sinhozinho ao capataz) e infernizava a vida de Isaura. Chega um dia em que Álvaro, na condição de senhor, resolve libertar todos os escravos e propõe que eles continuem em sua fazenda, com remuneração e direito a um pedaço de terra.


A trama praticamente não refletiu os costumes negros. Januária era a única que praticava religião de matriz africana. Também não se discutiu a resistência à escravidão e a abolição foi narrada, mais uma vez, como uma luta dos brancos “bondosos”. O último capítulo mostrou a gratidão dos negros ao senhor Álvaro; na última cena, um beijo de Isaura e Álvaro, com os negros dançando ao redor. Destaque para a abertura da trama, com quadros do pintor francês Jean-Baptiste Debret e, especialmente, a música “Retirantes” de Jorge Amado e Dorival Caymmi, que representa os lamentos dos escravos.

A próxima telenovela a abordar a escravidão foi “Sinhazinha Flô” de Lafayette Galvão. Essa trama celebrou o centenário de morte de José de Alencar e se baseou em três obras dele: “A Viuvinha”, “Til” e “O Sertanejo”. Dirigida por Herval Rossano, a trama foi ambientada em 1880, época de grande efervescência política no Império Brasileiro. A abolição foi o fio condutor de toda a trama. A partir daí, as tramas abolicionistas passaram a demonstrar um papel mais ativo no negro na luta por sua liberdade. A novela também retratou a luta pela emancipação feminina. Juca (José Maria Monteiro) foi o personagem que mais lutou pelo fim da escravidão, inclusive foi enviado pelo próprio André Rebouças (personagem da História do Brasil, um engenheiro que funda no Rio de Janeiro uma associação pró-abolição, com Joaquim Nabuco e outros abolicionistas. A mãe de Rebouças era uma escrava alforriada). Já Flor, a sinhazinha Flô (Bete Mendes) era uma mulher a frente do seu tempo. Como boa parte das tramas das 18h, havia um triângulo amoroso que foi se desenvolvendo ao longo da narrativa, formado por Flor, Arnaldo (Eduardo Tornaghi) e Jorge (Márcio de Lucca), todos vividos por atores brancos. Novamente o estereótipo do branco como responsável pela libertação dos negros do cativeiro e da sua condição de pária, como atesta Joel Zito Araújo.

Outra importante ruptura na representação do escravo negro foi “Sinhá Moça” de Benedito Ruy Barbosa, exibida em 1986, dez anos após o sucesso de “Escrava Isaura” e novamente com Lucélia Santos e Rubens de Falco. “Sinhá Moça”, baseado no romance homônimo de Maria Dezonne Pacheco Fernandes, é ambientada no interior paulista em 1886, dois anos antes do fim da escravidão.

Sinhá Moça (Lucélia Santos) é filha de Ferreira, o barão de Araruna (Rubens de Falco). Apaixona-se por Rodolfo (Marcos Paulo), um republicano que sem que ninguém saiba atua como o “Irmão do Quilombo”, libertando escravos do engenho. Sinhá Moça, a frente do seu tempo, também luta pelo fim da escravidão, a contragosto de seu pai. Embora o cenário principal seja composto por brancos, alguns personagens negros adquiriram bastante destaque na trama. O ex-escravo Rafael (Raymundo de Souza), adota o nome de Dimas e retorna à cidade com o intuito de vingar-se do barão. Rafael, na verdade é filho do barão com a escrava Maria das Dores (Dhu Moraes), passou a infância ao lado de Sinhá Moça e depois foi vendido pelo pai.

A primeira cena da trama mostra a morte de Pai José (Milton Gonçalves) no tronco. Pai José era considerado rei em sua terra natal, quando foi trazido como escravo ao Brasil. Na trama, tinha dois filhos, Justino (Antonio Pepeu) e Fulgêncio (Gésio Amadeu); Maria das Dores era sua neta e Rafael seu bisneto. Pai José não pediu clemência, foi forte e apanhou até que o feitor Bruno (Walter Santos) não aguentou mais. No leito de morte, revela a Rafael que ele é irmão de Sinhá Moça. A partir daí, os escravos partem para vingar a morte de Pai José. O último capítulo foi no dia 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea. De forma diferente às demais produções, não foi mostrado um conformismo (ou gratidão) dos escravos. O capítulo também mostrou a morte do barão que morre na senzala, em chamas. A destruição da senzala também representou a libertação dos escravos que haviam sido mortos ali, entre eles Pai José. Em seguida, uma fila de escravos libertos, liderados por Nhá Balbina (Ruth de Souza), aparece andando pela estrada, vagando por um destino. De outro lado, diversos imigrantes italianos chegam esperançosos à fazenda, sem saber o futuro que os espera.


Na Rede Globo, Benedito Ruy Barbosa escreveu duas telenovelas com a tônica nos imigrantes italianos, “Terra Nostra” (1999), retratando o período pós-escravidão e “Esperança” (2002) com o foco na década de 1930. Em 2006 a Rede Globo produziu um remake de “Sinhá-Moça”, adaptada pelas filhas de Benedito, Edmara e Edilene Barbosa. Milton Gonçalves viveu novamente o Pai José.

Para comemorar os 100 anos da Lei Áurea, a Rede Globo produziu a trama “Pacto de Sangue”, escrita por Regina Braga. O início é em 1870, na cidade fluminense de Campos dos Goytacazes, quando o jovem Antônio (Marcelo Serrado) morre ao ajudar um negro a escapar da fazendo de seu pai, o juiz Queiroz Antunes (Carlos Vereza). Antes de morrer, ele pede ao pai que crie o pequeno escravo Bento (Armando Paiva) como filho. A convivência foi responsável para a revisão de valores do conservador Antunes, que se envolve com a abolicionista Aimée (Carla Camurati). Joel Zito Araújo destaca a trama e diz que foi a que reuniu um maior elenco de atores negros. Havia um grupo de heroínas negras, reunidas no Quilombo Loana, chefiado pela babalorixá Mãe Quitina (Ruth de Souza). Também faziam parte do grupo a líder guerreira Baoni (Angela Corrêa) – verdadeira mãe de Bento – e outros dois líderes, que moravam na cidade, Damião (Haroldo de Oliveira) e Maria (Zezé Mota). O idioma ioruba foi utilizado pelos atores quando estavam no terreiro de Mãe Quitina – traço forte da cultura afro. Os personagens também mostravam orgulho de seu povo. Os romances principais, entretanto, eram protagonizados por brancos.

Apesar de outras tramas também retratarem esse período, uma nova ruptura só aconteceu com “Lado a Lado”, que não se passou no período abolicionista. Graças aos personagens Afonso (Milton Gonçalves) e Tia Jurema (Zezeh Barbosa) o período foi constantemente relembrado. Os personagens eram orgulhosos de sua raça e não demostravam nenhuma espécie de apego ou saudade de seus senhores. Todos os negros da trama, habitantes do Morro da Providência, sentiam orgulho de seu povo e faziam questão de referenciar sua cultura: artística, religiosa, desportista, gastronômica etc. Na contramão, a vilã Constância (Patrícia Pillar), a baronesa da Boa Vista, não estava contente com os tempos republicanos e sentia saudades da época em que era uma senhora de engenho.


A trama de João Ximenes Braga e Cláudia Lage mostrou diversos acontecimentos importantes da história brasileira, especialmente no período de 1903 a 1910. O casal protagonista, vivido por Zé Maria (Lázaro Ramos) e Isabel (Camila Pitanga) tinha suas idas e vindas, sempre com um pano de fundo histórico. Logo nos primeiros capítulos, o cortiço onde Zé Maria e Isabel moravam foi invadido por ordens do presidente Rodrigues Alves, processo conhecido como “Bota - Abaixo”. A demolição aconteceu exatamente no dia do casamento de Zé Maria e Isabel. Zé Maria, que era capoeirista, lutou e acabou preso. O ocorrido não permitiu que ele fosse ao próprio casamento.

Com o fim dos cortiços, os antigos moradores se viram obrigados a ocupar o Morro da Providência, que, na época, já tinha alguns moradores, que haviam participado da Guerra de Canudos. Esses moradores esperavam a casa própria, prometida pelo governo. Uma das vilãs da história, a invejosa Berenice (Sheron Menezzes) e seu namorado Caniço (Marcello Melo Jr.) também viviam no morro e foram os responsáveis pelo rompimento da ordem do casal Zé Maria e Isabel.

Zé Maria foi o verdadeiro herói em praticamente todos os episódios retratados pela trama. Assim foi com a Revolta da Vacina (1904) e Revolta da Chibata (1910). Isabel, por sua vez, foi uma das precursoras do samba. O samba que conhecemos hoje teve seu surgimento basicamente em 1916 com a gravação de “Pelo Telefone” de Donga. Isabel, segundo a jornalista e pesquisadora de samba, Maria Fernanda França, dançava uma mistura de Lundu, Maxixe e Batuque, danças africanas que em sua “brasilidade” deu origem ao nosso genuíno samba. Chico (César Mello), que havia lutado com Zé Maria na revolta da Chibata, viveu o famoso episódio em que um jogador negro do Fluminense foi pintado de branco (pó de arroz) para participar de uma partida de futebol. Os dois elementos cruciais da identidade brasileira, o samba e o futebol – estavam presentes na narrativa. Os cordões carnavalescos, que mais tarde deram início às escolas de samba, foram mostrados em duas oportunidades, tanto em 1903 como em 1911, sendo severamente reprimidos pela força policial.


Todos esses elementos identitários foram mostrados na abertura da telenovela, seguramente a melhor dos últimos anos. Ao som do samba enredo da Imperatriz Leopoldinense, campeã do carnaval de 1989, “Liberdade, Liberdade, abra as asas sobre nós”, à época comemorando o centenário da abolição, a abertura mesclava elementos da cultura negra e da vida na cidade. A expressão da arte e as vaidades. Ressaltando o batuque, o samba, a capoeira e o futebol como elementos brasileiros. A trilha sonora também foi primorosa, com destaque para a gravação original de Beth Carvalho do samba “O mundo é um moinho” de Cartola.

Enfim, os 154 capítulos desta trama nos reservaram grandes surpresas. Mas, o grande legado de Lado a Lado foi apresentar outra versão para a história do negro. Mostrar que não existiu nenhum conformismo em relação aos senhores de engenho e que a luta abolicionista não foi uma luta empenhada somente por brancos. “Lado a Lado” mostrou o orgulho pela raça e pelo passado. Importantes traços culturais como a música, a dança, a gastronomia, a capoeira e o candomblé foram tratados com respeito. Destaque para o fato de o tradicional romance novelesco ser protagonizado por um casal de negros, ruptura que nem “Pacto de Sangue” conseguiu mostrar. Para ser justo com a trama como um todo, também tenho que destacar o papel pró emancipação feminina. Laura (Majorie Estiano) lutou contra um casamento de fachada, lutou para trabalhar fora de casa, levantou a discussão sobre divórcio, enfim, eis um outro mérito da novela.

Embora a telenovela se passasse na década de 1910 percebemos ainda hoje o comportamento de muitas Constâncias. Ver um deputado recentemente afirmar que o lugar da mulher é no seio da família cuidando dos filhos e impossibilitadas de trabalharem fora é mostrar que ainda vamos brigar pelos mesmos assuntos que Laura, Isabel e Edgar fizeram nos primeiros anos da República. Lado a Lado deixou um gosto de quero mais. Que venham as próximas tramas de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, juntos ou separados.

Aos que se interessam pela trajetória do negro na telenovela brasileira, é de fundamental importância a leitura de “A negação do Brasil” (Senac SP, 2000) de Joel Zito Araújo.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Você votou e aqui estão os melhores de 2012!!!

Por Júnior Bueno e Emerson Felipe



Alô, alô, graças a Deus! 2012 já se foi e o Posso Contar Contigo orgulhosamente apresenta o Melhores e Piores do Ano, onde você escolheu quem foi bem e quem foi mal no ano que passou. A todos vocês nosso muito obrigado, esperamos contar com vocês em 2013 também. Vemos ao resultado?

Homenageada do Ano: Betty Faria


Em 2012 tivemos a grata surpresa de ver a maravilhosa Betty Faria de volta ao lugar de onde não deveria ter saído: o horário nobre. E deu vida ao núcleo mais chatinho de Avenida Brasil, o do Cadinho e suas mulheres. No papel de Pilar, a tresloucada e divertida mãe de Aléxia (Carolina Ferraz), Betty nos lembrou o quanto faz diferença em cena e o como uma estrela com seu talento e a sua história precisa ser valorizada. Sem contar que ela também esbanja simpatia e carisma no twitter. Vida longa e mais papéis incríveis pra essa diva da TV.


Melhor novela de 2012: Avenida Brasil


Um sucesso como há muito tempo não se via, Avenida Brasil inovou na narrativa ágil, na fotografia de cinema, e no enfoque, trazendo pro centro da ação o subúrbio do Rio, com suas cores, sons e personagens carismáticos. Em Avenida Brasil ocorreu a junção de todos os fatores que geralmente contribuem para um êxito: texto inteligente, direção precisa e um elenco afiado, onde todos se destacaram. Outro fator que contribuiu para o sucesso da novela foi sua popularização nas redes sociais. Era uma hora de novela e 23 horas de meme. 



Pior novela de 2012: Máscaras

Anunciada como uma superprodução, a novela da Record causou um estranhamento do público com uma estrutura e texto confusos e derrubou a audiência da emissora dos bispos. Quando a equipe se propôs a fazer alterações, a emissora empurrou a novela pro ingrato horário das 00:30. O diretor chegou a ser trocado e o autor, o veterano Lauro César Muniz anunciou sua aposentadoria das novelas. Um trabalho que tinha tudo pra dar certo e deu tudo errado, infelizmente.


Melhor Atriz de 2012: Adriana Esteves (Carminha em Avenida Brasil)


A personagem de TV do ano foi a vilã mais adoravelmente odiosa dos últimos tempos: Carminha, a primeira-dama do Divino. A atriz esbanjou talento com suas caras e bocas, suas frases de efeito e seu jeito dissimulado. E pensar que Adriana não era a primeira opção para a personagem. 



Pior Atriz de 2012: Cláudia Raia (Lívia em Salve Jorge)


Uma vilã da novel das nove é um prato cheio pra qualquer atriz mais experiente, certo? Não pra intérprete da atual malvada do horário nobre. Um tom engessado e uma fala robótica foi tudo que Cláudia Raia conseguiu imprimir à chefe do tráfico de mulheres na trama de Glória Perez. Com um ar apático e duro, a personagem vem perdendo espaço pra Totia Meireles (indicada ao prêmio de atirz coadjuvante). Uma pena, já que Cláudia Raia vinha de excelentes trabalhos em Tititi e A favorita.


Melhor ator de 2012: José de Abreu (Nilo em Avenida Brasil)


Na novela do Oioioi quem brilhou foi o cara do hihihi. Explico: o veterano ator José de Abreu encontrou aquele que certamente foi um dos melhores personagens e a melhor interpretação de sua carreira. O velho asqueroso se tornou num dos preferidos pelo público que foi brindado por uma brilhante atuação. 


Pior ator de 2012: Jesus Luz (Ronaldo em Guerra dos sexos)


Se como DJ, Jesus Luz é um ótimo modelo, como ator ele é um excelente DJ. Apesar de viver um personagem menor, ver o ex-namorado da Madonna "contracenando" com gigantes como Irene Ravache e Tony Ramos é constrangedor. Inexpressivo é pouco.


Melhor atriz coadjuvante de 2012: Laura Cardoso (Doroteia em Gabriela)


Um grande acerto na versão de Walcyr Carrasco pro romance de Jorge Amado foi a inclusão da beata, inexistente no romance e na versão de 1975 da novela. Laura Cardoso brilhou (qual a surpresa?) em cada cena, cada fala, cada palavra do texto. A detestável personagem se tornou a salvação da novela nos momentos em que a trama principal não andava. Escrever sobre o talento da divina Laura Cardoso sem dizer nada do que já foi dito sobre ela é impossível. Só nos resta admirá-la em cena, encantados e  emocionados.

Melhor ator coadjuvante de 2012: Juliano Cazarré (Adauto em Avenida Brasil)


Juliano Cazarré fez do ingênuo Adauto o sonho de consumo das telespectadoras (e alguns telespectadores, diga-se). O personagem puro, apaixonado e meio burrinho acabou por roubar a cena com  suas tiradas e o ótimo ator brasiliense (indicado como ator revelação no ano passado) se destacou. Tanto que foi dele o gol que fez do time do Divino campeão e encerrou a novela. Moral, hein?

Atriz Revelação: Cacau Protásio (Zezé em Avenida Brasil)

"Eu quero ver tu me chamar de amendoim..." Um refrão que vai ficar eternizado é a prova do talento de uma  grande atriz ainda em seus primeiros passos. A empregada da família Tufão chegou de mansinho e aos poucos foi ganhando cada vez mais espaço na trama de João Emanuel Carneiro, a ponto de se tornar uma das preferidas do público. Queremos mais amendoim nas telinhas.


Ator revelaçãode 2012: José Loreto (Darkson em Avenida Brasil)


Um ator grandalhão ou um fofo? Os dois, se for o Jorge Loreto que conquistou corações dentro e fora da novela. O moço que já tinha dado as caras em papéis menores teve sua grande chance de crescer e aparecer como o rei dos bailes charm do Divino. Perdoem o trocadilho, mas charme é o que ele tem de sobra, né?



Melhor ator/atriz infantil de 2012: Mel Maia (Ritinha em Avenida Brasil)


Bastou alguns poucos capítulos no ar pro Brasil se emocionar com a história triste da Ritinha e se apaixonar pela criaturinha fofa por trás da personagem. Carismática e esperta, Mel é daquelas crianças que não parecem estar atuando e sim brincando em frente à câmera, coisa rara na TV de pequenos adultos cheios de poses. Não sei se é precipitado dizer, mas Mel terá um futuro brilhante se continuar atriz, tem tudo pra ser uma Glória Pires das próximas décadas.



Melhor série/seriado de 2012: Louco por elas


2012 foi um ano tão pródigo em minisséries e seriados, a grande maioria superior á média que neste ano não tivemos seriados em quantidade suficiente pra eleger a pior, de modo que em 2012 só teremos a categoria Melhor série. E público elegeu a simpática série de João Falcão que em duas temporadas no mesmo ano mostrou que com um texto ágil e um elenco inspirado (ave Glória Menezes), o seriado rendeu boas risadas em frente à TV. E terá mais temporadas, ainda bem.




Melhor casal de 2012: Ritinha e Batata (Mel Maia e Bernardo Simões) - Avenida Brasil


Um amor de infância é difícil de esquecer, não é mesmo? Que o digam Nina (Débora Falabella) e Jorginho (Cauã Reymond). O casal problemático na vida adulta foi na primeira fase da novela uma dos casais mais lindos da novela e o preferido do público em 2012. Muito puro e cheio de magia o casal mirim deixou pra trás pares românticos tradicionais na eleição deste blog. Uns românticos vocês, hein?



Pior Casal de 2012: Morena e Théo (Nanda Costa e Rodrigo Lombardi) - Salve Jorge

Uma prova de que química é tudo prum casal de novela: em 2011 Rodrigo Lombardi levou, junto com Carolina Ferraz o prêmio de melhor casal (em O astro). Este ano, a história de amor entre soldado e a moça da favela não deu liga. Ao som de Esse cara sou eu, as juras de amor inverossímeis e as cenas mais mexicanas entre os dois não convenceram o público. O casal está atualmente separado e Nanda Costa tem se dado melhor nessa fase da novela, onde é traficada na Turquia. Tomara que não volte pro Théo tão cedo.


Melhor tema musical de 2012: Vida de Empreguete (Isabele Drummond, Leandra Leal e Taís Araújo) - Cheias de Charme

O primeiro sucesso do trio Empreguetes foi uma divertida mistura de realidade e ficção: as atrizes cantavam a música, as personagens produziram e lançaram o vídeo na rede, o público de casa assistiram em primeira mão na internet. E o hit estourou nas rádios - e baladas - do país. A música foi composta por Quito Ribeiro especialmente pra novela foi a sensação do ano.



Melhor cena de 2012: Carminha enterra Nina viva (Avenida Brasil)


A cena que marcou uma virada em Avenida Brasil foi ao ar no capítulo 102 e deixou a audiência de cabelo em pé. Com uma fotografia impecável e atuações perfeitas e o clima sombrio necessário a cena preferida do público em 2012 entrou para o hall das grandes cenas da teledramaturgia brasileira. assista a cena aqui


Pior cena de 2012: Théo tenta impedir a viagem de Morena (Salve Jorge)


Uma cena melodramática demais inverossímel demais, com um personagem chato  demais. Na mesma sequência o mocinho da novela impede um assalto num ônibus, rouba uma moto, fura o bloqueio da segurança do aeroporto numa fuga alucinada e não consegue alcançar a mocinha. Muito barulho por nada, confira aqui.


Melhor fala de 2012

Não irei descrever, apenas vejam:




Bom, é isso, pessoal, muito obrigado e até a próxima!!!










sábado, 8 de dezembro de 2012

Trilhas Sonoras embalando nossas vidas!

Por Vanessa Carvalho


É estranho quando começamos algo pela primeira vez, por mais que saibamos o que estamos fazendo, sempre há aquele frio na barriga por medo de fracassar. Nesses dias que se passaram, fiquei pensando no que escrever, pois o assunto mais corriqueiro do blog são as novelas, e confesso que ando algum tempo afastada delas; e como a que eu costumava assistir, estreou algum tempo, não gostaria de falar no lugar comum.
 
Foi quando pensei em escrever sobre trilhas sonoras e o efeito que elas têm na vida das pessoas, afinal de contas, o que seria de uma produção (Seja ela novela, série, filmes, etc.) se não fosse sua trilha sonora? É a trilha sonora que liga o espectador ao programa (Seja ele de forma positiva ou não). E as trilhas sonoras mais interessantes que eu já vi no que se trata de novelas, são as de “Lado a Lado” e “Salve Jorge”.

Ambas são recheadas por artistas consagrados da música brasileira e dificilmente se encontra uma música ruim nelas... Bem, sejamos sinceros? Tirando “Esse cara sou eu” que parece que já encheu a paciência de todo mundo!

Sempre gostei das trilhas sonoras, algumas das novelas que eu mais gostei, eu sempre lembro primeiro da sua trilha sonora. É ela que me liga a determinada cena ou personagem. Particularmente, estou fascinada com a trilha de “Lado a Lado”, delicada e sincera assim como a novela. Caso as músicas já não existissem há algum tempo, seria possível dizer que todas as músicas foram compostas especificamente para a novela.

De Nando Reis a Diogo Nogueira, a trilha passeia pelos anos que se seguiram à Proclamação da República trazendo a baila assuntos que, ainda hoje, são atuais. Salve Jorge é o tipo de trilha alegre e divertida que nos faz esquecer um pouco do tempo e relaxar com os grandes intérpretes da nossa música.

São duas trilhas sonoras que valem a pena ter para a coleção de músicas. E tenho certeza que vocês irão se divertir bastante.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Lado a Lado com os laços de amizade no início do século XX


Por Flávio Michelazzo

Acima de todos os elogios que eu teria a fazer à novela das 18h, "Lado a Lado", de João Ximenes Braga e Cláudia Lage com supervisão de texto de Gilberto Braga e direção de Dennis Carvalho e Vinícius Coimbra, está, na minha opinião, a amizade entre as duas protagonistas, Laura (Marjorie Estiano) e Isabel (Camila Pitanga). 

As duas formam, sob meu ponto de vista, o que tradicionalmente é visto como o "par romântico" de uma novela, ou seja, a história é  em torno não de duas pessoas que se apaixonam carnalmente num acaso da vida, mas de duas pessoas que têm uma identificação imediata de amizade tão forte e verdadeira, capaz de sustentar toda uma história em torno delas. Prova disso é que todas as adversidades convencionais de um casal da teledramaturgia - principalmente de época -, como viver em mundos diferentes, o que impede que se relacionem entre si, acontece justamente com as duas amigas. José Maria (Lázaro Ramos) e Edgar (Thiago Fragoso) pertencem às mesmas classes sociais que suas amadas Isabel e Laura, respectivamente. Isso, apesar de não chegar a ser necessariamente uma inovação, contravêm ao óbvio. 

Mas, como toda boa trama que se preze, vários conflitos são criados para separar os casais, mesmo que não pareçam tão fortes diante do ódio que Constância (Patrícia Pillar) tem ao ver a filha Laura cultivar uma amizade com a filha de escravos alforriados Isabel. Portanto, penso que a intenção dos autores é, antes de contar a história do Rio de Janeiro pelo viés da ficção, de mostrar o fim dos cortiços e o início das favelas e o preconceito latente que os negros alforriados sofriam, é mostrar o nascimento e o fortalecimento de uma bonita história de amizade entre duas pessoas tão diferentes, mas com um ideal em comum: Serem felizes. Talvez por isso foi criada uma expectativa muito maior no reencontro de ambas que com seus amados, anos depois, na passagem de fase do folhetim. 

Para finalizar, gostaria de propor uma reflexão: "Será que foi necessário mergulhar no passado para falar de uma amizade verdadeira? Será que nos dias de hoje seria crível contar a história de pessoas que se amam, se respeitam e são honestas e sinceras umas com as outras? A amizade se banalizou?".


(Foto: João Cotta/Rede Globo)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...