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sábado, 29 de setembro de 2012

Hebe, uma estrela no ar!


Por Eduardo Vieira

Esse era o prefixo do seu programa com o qual eu cresci, adolesci, fiquei adulto. Estava longe e confesso, triste de ela estar numa emissora diferente da do Sbt. Temos uma visão idealizada de algumas coisas e a relação dela com o Silvio Santos não foi diferente. Por mais desgastada que estivesse, sempre fora muito bonita.


Quando criança eu via programas como o dela e da Elizeth Cardoso na Tv Record para o qual ela não poderia voltar por conta de suas alusões a sua Santa querida. (A religião definitivamente é um paradoxo – não liga ninguém) Desde criança também assistia a seu programa na Tv Bandeirantes, quando as pessoas mandavam carta para ganhar a famosa casinha colmeína - marca de uma cera famosa na época - uma casa linda de vidro – objeto de cobiça de toda família assim como o mais do que esperado telefonema de Flávio Cavalcante para bradarmos “boa noite, brasil”, título do programa que nos garantia uma boa soma em dinheiro.


Não conhecia a Hebe em preto e branco até então. Uma mulher cuja carreira engatinhou junto à Tv, uma Tv mais discreta, muito mais espontânea (como a própria Hebe) e muitíssimo culta a qual havia teleteatros, programas musicais e de entrevistas com personalidades de um quilate do cronista Rubem Braga, mesmo péssimo entrevistado, segundo ela. Já peguei o programa com esse formato, do sofá e convidados que interagiam com a apresentadora, de Rita Lee a Leonardo, artistas bissextas como Maria Bethânia e Marisa Monte passaram pelo Sbt em seu sofá para lançar seus trabalhos. 


Hebe era sempre assunto, pela sua postura, pela sua pouca cultura elitista que ela mesma confessava, pela sua falta de vergonha, pelos seus vestidos, pela ostentação, pelas perucas ou penteados que lançavam discussões tão profundas como se ela ficava melhor de Evita ou de chanel à Vanusa. Várias facetas a acompanharam: Tina Turner, cara-pintada, Xuxa, Carlitos, Julieta... Sempre homenageando os quadros de humor do passado em que seu Romeu era Ronald Golias numa Tv pura, ou quadros musicais como os com Ivon Curi. Ela trazia a história do Rádio, do Cinema e da Tv em seus comentários, até por vezes datados.


Noveleira, sempre reclamava quando tal novela estava mais ou menos e tietava os artistas quando estes compareciam a seu programa, quebrava a barreira de não se falar bem ou mal de tal emissora como poucos faziam. Fausto Silva aprendeu isso com ela, o que é bom. Era a sua marca a espontaneidade e todos tiveram aval para gostar dela e tornou-se numa certa época tradução da cidade de São Paulo pela revista Veja-São Paulo.Os artistas iam a seu programa ainda pra poder garantir uma boa platéia em peças e vi muita gente lá como Paulo Autran, Renata Sorrah, Lucélia Santos, Nívea Maria, Antonio Fagundes que sabiam que seu programa estava acima do bem e do mal. 


Mesmo quando seu programa não estava do jeito que ela gostava sempre deixava um recado em um comentário quando recebia pseudo-artistas, por exemplo, ou havia algum programa, até na própria emissora em que estivesse, que ela decididamente não gostava como os de cunho muito popular, por exemplo. Mas tinha um grande feeling para o que era bom, claro que com algumas exceções.


Por mais que se escreva não se pode abarcar vida tão plural como a da cantora, apresentadora, amiga, fã da arte que se permitia errar, talvez por essa razão nunca tenha ido para Rede Globo, templo da perfeição à toda prova e todo custo.


Sentirei falta de sua naturalidade, de sua positividade (até excessiva por vezes), de sua frivolidade, de sua consciência social (política, nem sempre) do seu apoio aos artistas e das rosas de Kátia Gianini. Tchau, Hebe!!!
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