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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Êxodo: Deuses e Reis - Exuberância, Luta e Morte


Por Henrique Melo

Não sou crítico de cinema.  Sou apenas um espectador que gosta de assistir a um bom filme e comentar o que achou a respeito. Pois bem, o longa metragem Êxodo: Deuses e Reis, de Riddley Scott, nos remete a toda a suntuosidade do Egito antigo com belas tomadas panorâmicas da cidade de Memphis. A caracterização e fotografia também não ficam para trás. Tudo é muito exuberante e caprichado, embora se torne um pouco exaustivo devido a sua longa duração.

Christian Bale dá vida a Moisés, herói do Velho Testamento bíblico, sem exagerar nas tintas e/ou cair na pieguice. Seu Moisés é mais sensível e humano, demonstrando nuances interessantes dentro do enredo; inicialmente renegando sua origem hebreia até passar, gradativamente, para o lado do povo escravizado pelo Egito. Embora a atuação de Joel Edgerton como Ramses não tenha sido bem recebida pela crítica, considero que ele conseguiu cumprir bem o papel de dar vida ao faraó tirano e inseguro.


O filme conta também com várias mensagens que criticam claramente o cristianismo. A começar pela personificação de Deus na pele de um garotinho. Eis a metáfora de que Ele é, na visão de Riddley Scott, como uma criança mimada, vingativa e impiedosa. Há outro momento em que este posicionamento fica ainda mais explícito quando Ramses, diante da praga que tirou a vida de todas as crianças egípcias incluindo o seu filho, pergunta a Moisés: “Que povo é este tão fanático a ponto de idolatrar um Deus assassino?”.



Visualmente falando, é um filme agradável. Há erros e acertos em sua execução, mas quem for ao cinema irá sair da sessão satisfeito. Vencendo as comparações com o terrível “Noé”, Êxodo consegue aproveitar bem as passagens bíblicas como as pragas que assolaram o Egito e a travessia do Mar Vermelho. Acredite, são os melhores momentos deste épico. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Malévola e a desconstrução do maniqueísmo



Por Henrique Domingos de Melo

Ora, ora... Aos meus poucos e fiéis leitores, tenho a felicidade de dizer que voltei. Pois é, a vida anda corrida, mas aproveitei que estou de férias da faculdade para dar o ar de minha graça por aqui – numa aparição estilo “Malévola chegando ao batizado da princesa Aurora”.
O impressionante em Malévola é que o filme conseguiu criar raízes sólidas na cultura mainstream antes mesmo de seu lançamento. Graças a uma divulgação massiva, é claro, e a popularidade que ganhou nas redes sociais, gerando uma infinidade de gifs, comentários com foto, pages e enfim.  O que imagino ter sido essencial neste alvoroço pré-estreia, foi a presença de Angelina Jolie interpretando o clássico personagem da Disney.  Até mesmo sua caracterização, muito exuberante, foi inspirada na personagem homônima da animação da década de 50, alimentando a curiosidade dos nostálgicos e caindo no gosto da comunidade LGBT, que adora adotar uma vilã para chamar de sua.

É exatamente o vilanismo de Malévola que pode decepcionar alguns, pois ele simplesmente não existe nesta nova versão. Quer dizer, não da maneira alegórica em que é retratado em A Bela Adormecida. A personagem-título é uma fada boa, forte e destemida que sofre uma traição por parte de Stefan, seu amor de adolescência, sendo este o verdadeiro antagonista da história. Uma das referências mais cult do filme é quando ela perde as asas e se torna um ser obscuro e amargurado. Não sei se alguém além de mim notou a semelhança com Lúcifer, o anjo caído, mas achei a conotação bíblica fortíssima. Além dos chifres, que sempre lhe deram uma aparência diabóica, a perda das asas significou a queda de Malévola em um “inferno pessoal”, presente na passagem em que ela transforma o reino dos Mors em um lugar sufocante, tal como seu estado de espírito.

Não estou levantando nenhuma teoria da conspiração contra a Disney, pelo contrário, pois ninguém melhor do que Deus e o Diabo para servir como parâmetro em um filme que questiona a fragilidade entre o bem e o mal. Neste ponto a produção está de parabéns, pela forma como mergulha na desconstrução de maniqueísmos que nos acomodaram desde a infância. As três fadas boas, por exemplo, mostram-se negligentes no cuidado com Aurora, competitivas, invejosas, bajuladoras e rancorosas. Longe do exemplo de virtude de versões anteriores. Rei Stefan também não é mais o pai zeloso dos contos de fadas, mas um rei ambicioso e paranoico (que agride fadas e a própria filha, cadê a Maria da Penha numa hora dessas?).




O príncipe encantando deixa de ser o herói da história e não serve nem para salvar a princesa. Parece mais um adolescente pervertido que sai por ai beijando donzelas amaldiçoadas, coagido por três fadas atrapalhadas. E Aurora cumpre seu papel de princesa sem graça, andando feito uma tonta pelo castelo atrás de espetar o dedo em uma agulha.


Como não sou crítico de cinema, quis deixar aqui minhas impressões sobre a mensagem do filme. Que os vilões talvez não sejam tão maus, mas apenas injustiçados pela vida. Que o amor verdadeiro existe e, às vezes, parte de onde menos esperamos. Talvez você fique decepcionado com a história, mas não poderá deixar de negar que ela propõe uma grande reflexão.  

terça-feira, 19 de novembro de 2013

As treze relíquias: magia e lendas nos tempos atuais

Por Vanessa Carvalho

Em tempos em que a literatura tem mais volumes que a enciclopédia Barsa, encontrar um livro que tenha começo, meio e fim é praticamente ganhar na loteria. Essa loteria se torna acumulada quando a história em questão é muito agradável de ler. O livro em questão é “As treze relíquias” de Michael Scott e Collete Freedman. Editora Planeta e 413 páginas.

A história, que se passa nos tempos atuais, o que a meu ver é o primeiro ponto positivo, começa com uma senhora simpática de setenta e poucos anos, sendo assassinada em sua casa assim como uma aspirante a atriz que foi tentar ajudá-la. A senhora era guardiã de uma das treze relíquias da Britânia. E a partir daí vemos uma verdadeira caça as bruxas de assassinos cruéis que estão em busca dessas relíquias. Aprendemos neste livro que os nomes têm força e que não devem ser falados levianamente. E que há magias tão antigas quanto o próprio tempo. E que, cada uma das relíquias, dentre elas uma espada, uma corneta e um manto, detém um poder que, se liberado, trará todas as desgraças para o nosso mundo.

E em meio a todo esse turbilhão de lendas e magias, temos Sarah, uma garota comum, que por ajudar uma senhora, Judith Walker, acaba no epicentro de toda essa trama. Sarah recebe de Judith a missão de entregar sua relíquia para seu sobrinho Owen, do qual deverá cuidar com a sua vida.
Outro ponto positivo do livro é que ele é narrado em terceira pessoa. Chega de livros em primeira pessoa onde personagens juvenis e insegura narram suas aventuras deixando o que há de melhor para apenas a nossa imaginação.

Os capítulos não são enormes e o nível de detalhes é necessário para que nossa própria imaginação faça o resto. A narrativa também é dinâmica, e muitas vezes queremos atropelar linhas e parágrafos para sabermos logo o que vai acontecer.

Os guardiões das relíquias vão de personagens egoístas e arrogantes a senhoras simpáticas e solitárias que, em sua juventude se depararam com um segredo maior que suas próprias vidas. Tais personagens selam o destino de todos os outros, sem contar que em determinado momento da trama temos uma verdadeira viagem pelas paisagens afrodisíacas do Reino Unido atual. Para aquelas pessoas que gostam de lendas, dentre elas a do Arthur, bretão que virou rei, o livro é uma ótima pedida.

Até mesmo para aqueles que não gostam de ler, vão se perder nas páginas deste livro. E para aqueles que estão pensando que é mais uma história com personagens juvenis, esqueça, todos os personagens, apesar de jovens, não são adolescentes e nem a história é juvenil. O nível de detalhes das profecias, e magias e assassinatos, mostram que de leve e juvenil a história não tem nada.
E para os que são ávidos por sagas, e séries e continuações, deixo um aviso que o livro pode tanto ser volume único, pois o mesmo fecha todos os buracos abertos pelos autores durante a trama, como pode haver continuações. Sinceramente, eu acredito que não haja continuações, ou se houver, não será para logo.

De qualquer forma, recomendo o livro que é repleto de aventura e magia.

domingo, 27 de outubro de 2013

Temporada de séries 2013


A temporada de séries (Ou show de TV como queiram) começou com gratas surpresas (E algumas decepções que logo foram canceladas). Estúdios de TV sempre em busca de melhores atrações para atrair o público não medem esforços para que seus programas sejam cada vez mais elaborados, cheios de efeitos especiais e bons roteiros.


Entre as mais antigas, séries consagradas como Once Upon a Time fez tanto sucesso que houve necessidade de criar um derivado para que mais “contos de fadas” pudessem ser trabalhados. Once Upon a time in Wonderland conta a história de Alice no país das maravilhas sob os olhos dos figurões da ABC. Trazendo a fórmula que tanto agradou na série original, Wonderland mostra Alice sendo uma moça de 20 e poucos anos apaixonada pelo gênio da lâmpada do Aladin que foi sequestrado e é mantido preso pela rainha de copas e Jafar. A série é um pouco mais rápida já que a proposta é que ela tenha no máximo (Se os produtores assim acharem conveniente) três temporadas. O roteiro é muito bom, não deixa buracos além do necessário para manter o mistério e os personagens são fortes e marcantes. O único ponto fraco da série é em relação aos efeitos especiais, que parecem mal feito ou feito às pressas; mas não estraga em nada a série no geral.


Já a FOX vem com uma proposta um pouco mais sombria. SleepyHollow traz à tona a lenda do cavaleiro sem cabeça, mas, digamos, com um universo estendido. Na série a cidade começa a presenciar misteriosos assassinatos. Crane, que teve seu destino ligado a um soldado mascarado depois de uma sangrenta batalha, volta à vida através de uma magia que sua mulher lhe fez 200 anos atrás. Aparentemente a cidade esteve no epicentro da guerra da independência e George Washington possuía mais mistérios do que se imaginava. Icabogh Crane precisa se unir a Tenente Mills para poder resolver esses misteriosos assassinatos que envolvem magia negra e os quatro cavaleiros do apocalipse. Um roteiro forte, e citações e referências a história dos Estados Unidos são o ponto forte da série que foca a desconfortável relação de um soldado do século XVIII com a modernidade do século XXI.


A NBC resolveu fazer mais do mesmo com Drácula. Usando como base o livro de Bran Stroker, Drácula volta à vida numa série repleta de luxuria, acordos escusos e fortes uniões de personagens que durante alguns séculos foram inimigos. Jonathan Rhys Meyer (Henrique VIII da série Tudors) dá a vida ao personagem título com um toque de modernidade ligada à antigas tradições. O piloto foi ao ar esta semana e já nos primeiros 10 minutos notamos que em nada lembra as funérias histórias vampíricas que tem nos bombardeado ultimamente. Drácula volta com sede de vingança (Vendeta como foi mencionado). Adotando o nome de Alexander, Drácula está atrás dos membros de uma ordem chamada Ordem do Dragão, responsáveis pela morte de seu grande amor, ressuscitado na pele da doce Mina. Todos nós conhecemos a história, resta esperar para saber que modificações a NBC nos trará. Mas não se assustem, ao menos por enquanto, ele não brilha no sol.


Falando em Tudors, parece que a sede de conhecimento da época de Henrique VIII não cessa. Reign, nova série da CW, e minha aposta mais quente, conta a história de Mary Stuart, rainha da Escócia na época em que a mesma era independente da Inglaterra e sua principal inimiga A série se passa no conturbado episódio em que Mary fora prometida para o filho de Henrique VIII dando início a um conflito religioso entre a Inglaterra protestante e a Escócia católica. Com 15 anos, Mary foi obrigada a abandonar o convento onde morava e seguir para a França a fim de conhecer seu futuro marido, o príncipe Francis. Não fugindo de suas origens a CW nos brinda com triângulos amorosos, conflitos políticos e magia. Para reforçar isso, há a aparição de Nostradamus como conselheiro da Rainha que, depois de uma visão, organiza planos para que Mary não se case com seu filho. Além de um roteiro sério, figurinos e locações belíssimas, o canal nos brinda com uma trilha sonora jovem, vibrante e alegre, contraponto com as intrigas e traições da corte francesa.

Além dessas, outras séries merecem destaque como Agents ofShields (com um Phil Coulson tendo que explicar sua milagrosa sobrevivência),Atlantis (Com mitos e lendas Gregas, a série se passa na cidade perdida de Atlantida), Tomorrow people (Que apesar de tratar de mutantes, é algo completamente diferente dos estudantes do professor X) e Bruxas de East End (Uma família de bruxas tentando encontrar caminhos para burlar uma terrível maldição). Há ainda as já consagradas Revolution, que em sua segunda temporada parte do ponto pós bomba nuclear e Onde Upon a Time, onde Emma precisa enfrentar seus medos para salvar seu filho das mãos de Peter Pan.

Programas não faltam. Muitas outras séries novas e renovadas estão com fôlego novo para essa, que promete ser uma das melhores temporadas para aqueles que não perdem a oportunidade de entretenimento de qualidade.

domingo, 29 de setembro de 2013

Palmas à dublagem brasileira.



Versão brasileira... Herbert Richards” se você foi criança alguma vez na sua vida, provavelmente já escutou essa frase nos vários filmes que passam na sessão da tarde (Quando a mesma era um dos programas imperdíveis), e como ninguém nasce sabendo ler, provavelmente também, você se acostumou a escutar certas vozes na programação da sua TV. A dublagem brasileira, apesar de várias controvérsias é considerada uma das melhores do mundo, servindo, inclusive de escola para vários outros países.

Existe, sem motivo nenhum, um preconceito muito grande quando o assunto é abordado, e sinceramente, não entendo por qual razão. Assim como em todas as profissões, existem bons e maus profissionais, e claro, na dublagem não é diferente.

Primeiramente, diferente do que se pensa, não é somente ter uma voz bonita, aliás, a voz “bonita” é a última coisa que se leva em consideração. Para ser dublador, não é apenas chegar num estúdio e começar a falar sem parar, é necessários técnicas de voz, técnicas de atuação (ATUAÇÃO SIM, já que antes de ser dublador, é necessário ser ator e ter registro no sindicato dos atores), além de cursos de línguas como inglês e espanhol, principalmente.


No universo infantil então isso toma proporções maiores, pois crianças aprendendo a ler não tem a mesma facilidade para ler as legendas, e convenhamos quem, no país consegue escutar a voz do Scooby doo legendada? Desculpa, mas isso é algo impossível. Ou mesmo os filmes da sessão da tarde como Os Goonies ou Curtindo a vida adoidado?


Claro, sempre viram aquelas pessoas que vão citar um ou outro trabalho onde a voz parece estar flutuando nos personagens, mas isso não é culpa da dublagem, e sim de empresas que teimam em chamar pessoas famosas que não estão familiarizados com este universo para dar mais charme e glamour ao seu trabalho.

Quando isso acontece, claro que existem suas exceções, aliás, grandes nomes brasileiros como Francisco Milani (Ou a voz do Magnum), Chico Anisyo, Selton e Danton Melo, Daniel de Oliveira já se aventuraram (E muito bem, por sinal) no mundo da dublagem dando conta do recado, aliás, nomes consagrados hoje como Lima Duarte começou sua carreira sendo dublador do personagem Dum dum do desenho “Coelho Ricochete” (Infelizmente a geração y e z não sabem do quão divertido eram esses desenhos).


E se você está na casa dos 30 (Ou mais) com certeza lembra as vozes do MacGver, Lion (Thundercats) e He-man, não lembra? Vocês por acaso gostariam de ver esses programas legendados? Pode até ser que sim, mas com certeza, vai achar que algo está faltando sem as vozes do Newton da Mata e do Garcia Jr.


Aliás, Newton da Mata (Falecido no início dos anos 2000) deixou Bruce Willis com um charme a mais até Sin City, último filme em que nosso querido Newton emprestou a voz ao ator. A dublagem do Newton foi tão icônica que o próprio Bruce, certa vez divulgando um dos vários filmes dele aqui no Brasil, fez questão de conhecê-lo pessoalmente.

Para dar mais veracidade ao que eu estou falando, alguém imagina o Ogro Shrek com outra voz que não seja a do saudoso Bussunda? Um era praticamente o alter ego do outro, e quando Bussunda faleceu, o Ogro perdeu metade do seu charme e carisma.

Recentemente, saiu a notícia que 85% dos pagantes de TV a cabo tem preferência para os programas dublados, e isso se refletiu na indústria cinematográfica, onde várias distribuidoras notaram que suas sessões dubladas tinha mais vendas que as suas cópias legendadas.


Agora, o fato de a dublagem brasileira ser uma das melhores do mundo, não dá o direito para empresas de grande importância, como a Disney, mandar e desmandar no mercado nacional. Por ser uma das melhores do mundo é que a dublagem deve ser respeitada. Devemos dar mais valor a dubladores como Guilherme Briggs e Alexandre Moreno, dubladores de grande parte dos personagens mais adorados atualmente, o astronauta Buzz e o leão Alex de Toy Story e Madagascar respectivamente. O Briggs, aliás, vem colecionando personagens maravilhosos na sua carreira, além de ser um ser humano ímpar.


Valorizar a dublagem brasileira não é mostrar que você é preguiçoso ou que não gosta de ler (Sim, escutei isso várias vezes), mas que você é pura e simplesmente apaixonado por vozes que fizeram e irão fazer parte da sua vida para sempre.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Shakespeare seria uma Fraude?

Por Vanessa Carvalho


Shakespeare foi uma fraude? E se o maior dramaturgo de todos os tempos não passava de um ator analfabeto e ignorante usado apenas para encobrir o verdadeiro autor de todas as peças que conhecemos? Essa é a questão que aparece no filme Anônimo (2011).

Nela, o conde de Oxford, Edward, vive um dilema na corte da rainha Elizabeth I. Proibido de escrever peças por seu sogro, Willian Cecil, que a arte da escrita indigna, Edward paga um escritor local sem muito talento para assinar as suas peças a muito guardadas em seu escritório. O problema é que este mesmo escritor teme represálias de Cecil por ver que há severas críticas a ele nas peças; então ele escolhe um ator, William Shakespeare, para que este assine as peças. Shakespeare, vendo o sucesso que as peças começaram a alcançar, começou a chantagear Edward para conseguir mais dinheiro.


Com este enredo, o filme prende não somente pelas citações de peças consagradas do dramaturgo como Romeu e Julieta, Sonhos de uma noite de verão, Macbeth dentre outras. Ele prende pelo alto teor político e pela trama brilhantemente construída. Mostra uma rainha Elizabeth crítica e seca, além de seus romances secretos ao longo de quarenta anos. E a forma como Cecil a mantém em seu constante domínio sendo uma das pessoas mais importantes da trama toda.


O que mais chama atenção neste filme é o elenco de peso; com nomes consagrados do teatro inglês. Ele conta com Vanessa Redgrave como Rainha Elizabeth I, que não precisa de muitos elogios. Com Rhys Ifans (O Espetacular Homem Aranha e Harry Potter) como conde de Oxford e pivô do que poderia ter sido a ruina do reinado de Elizabeth, com David Thewils (Remus Lupin) como William Cecil e muitos outros.

Um destaque maior para o personagem de David, pois é através dele que sabemos de conspirações contra Elizabeth, histórias de incestos e a forma como a política era tratada numa época em que a personalidade mais importante da Inglaterra foi uma mulher, filha de um Tudor.

A produção de arte do filme foi uma das mais fieis ao contexto histórico com figurinos, locações, e ambientações. O teatro ao ar livre de Shakespeare, que é onde se passa boa parte do filme, nos transporta de volta a época em que Teatro era considerado indigno. 


Os produtores e roteiristas optaram por uma história em flashback, o que pode ser um ponto negativo do filme, caso o espectador não preste muita atenção à trama, pode se perder com as várias idas e vindas de tempo. Entre uma Elizabeth nova (Interpretada pela filha da atriz Vanessa Redgrave) e o reinado de Elizabeth já próxima a sua morte.

Com uma trilha sonora peculiar, sendo basicamente músicas instrumentais, se insere ao filme, que mesmo passando despercebida em alguns momentos, completa o filme de maneira sublime.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Parece novela, mas é a vida real!

Por Paula Teixiera

Todos os dias, ocorrem dezenas de Júris pelo Brasil. O Tribunal do Júri é o responsável pelas decisões relacionadas aos crimes contra a vida. Nele, não é o juiz togado que condena ou absolve, e sim os jurados (juízes leigos), representantes diretos do corpo social.


Tribunal do Júri de Contagem, Minas Gerais. Foto: Wagner Antônio/Divulgação TJMG

Cometer um crime é romper com a lei. Matar alguém é a mais grave quebra do contrato social. É violar o direito primordial do ser humano: a vida.

Eu nunca tinha estado em um Júri. Acompanhei alguns de forma mediada (pela TV), mas nunca tinha visto e escutado tudo, ao vivo. Os rituais e momentos de um Tribunal do Júri se assemelham a uma narrativa. E, pensando bem, é. Diferentes histórias (ou estórias!) são contadas: uma versão dos réus, outra da acusação e mais uma da defesa.

Quem não é "personagem" daquela história, sempre acompanhada de sofrimento, muitas vezes tem a sensação de estar assistindo a uma novela. Somente parentes das vítimas, réus, familiares destes e os diretamente envolvidos com toda a situação que não conseguem ter esse momento de distanciamento, de um verdadeiro "assistir".

Durante os três dias em que acompanhei o primeiro júri relacionado às vítimas Eliza Samudio e o seu filho, Bruninho, vivi essa oscilação: quando olhava para a mãe da jovem e para os réus, recordava da realidade. Quando olhava para o público e para a totalidade do plenário, enquanto escutava debates, interrogatórios, tudo parecia ficcional, irreal. Quando a tese da acusação relatava a morte, eu era puxada novamente para o real.

Uma autora de novelas, Glória Perez, foi citada pela advogada de defesa de Fernanda Gomes de Castro, condenada por sequestro e cárcere privado de Eliza e o seu filho. Palavras da advogada: nem uma autora como Glória Perez poderia escrever uma "estória" como essa.

Acredito que a citação, justamente dessa autora, foi "adequada". É de conhecimento de todos que a filha de Perez, Daniella Perez, foi brutalmente assassinada por um colega de trabalho, com a ajuda da esposa, Paula Thomaz. Ambos foram condenados. Desde então, a novelista trava uma batalha para mudanças na legislação. Um modificação ela conseguiu: incluir o homicídio qualificado no grupo de crimes hediondos.A outra alteração que proibia a progressão de regime para penas por crimes hediondos foi retirada em 2006, por uma decisão do Supremo Tribunal Federal.

Para quem acompanha casos como de Isabela Nardoni e Eliza Samudio de uma forma mediada, ou seja, escutando a narrativa a partir da mídia e não participa efetivamente do processo, tudo parece realmente uma ficção, uma realidade criada. Mas não é novela, é a vida real. E mais surpreendente (para o bem e para o mal) do qualquer novela das 9.
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