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terça-feira, 19 de novembro de 2013

As treze relíquias: magia e lendas nos tempos atuais

Por Vanessa Carvalho

Em tempos em que a literatura tem mais volumes que a enciclopédia Barsa, encontrar um livro que tenha começo, meio e fim é praticamente ganhar na loteria. Essa loteria se torna acumulada quando a história em questão é muito agradável de ler. O livro em questão é “As treze relíquias” de Michael Scott e Collete Freedman. Editora Planeta e 413 páginas.

A história, que se passa nos tempos atuais, o que a meu ver é o primeiro ponto positivo, começa com uma senhora simpática de setenta e poucos anos, sendo assassinada em sua casa assim como uma aspirante a atriz que foi tentar ajudá-la. A senhora era guardiã de uma das treze relíquias da Britânia. E a partir daí vemos uma verdadeira caça as bruxas de assassinos cruéis que estão em busca dessas relíquias. Aprendemos neste livro que os nomes têm força e que não devem ser falados levianamente. E que há magias tão antigas quanto o próprio tempo. E que, cada uma das relíquias, dentre elas uma espada, uma corneta e um manto, detém um poder que, se liberado, trará todas as desgraças para o nosso mundo.

E em meio a todo esse turbilhão de lendas e magias, temos Sarah, uma garota comum, que por ajudar uma senhora, Judith Walker, acaba no epicentro de toda essa trama. Sarah recebe de Judith a missão de entregar sua relíquia para seu sobrinho Owen, do qual deverá cuidar com a sua vida.
Outro ponto positivo do livro é que ele é narrado em terceira pessoa. Chega de livros em primeira pessoa onde personagens juvenis e insegura narram suas aventuras deixando o que há de melhor para apenas a nossa imaginação.

Os capítulos não são enormes e o nível de detalhes é necessário para que nossa própria imaginação faça o resto. A narrativa também é dinâmica, e muitas vezes queremos atropelar linhas e parágrafos para sabermos logo o que vai acontecer.

Os guardiões das relíquias vão de personagens egoístas e arrogantes a senhoras simpáticas e solitárias que, em sua juventude se depararam com um segredo maior que suas próprias vidas. Tais personagens selam o destino de todos os outros, sem contar que em determinado momento da trama temos uma verdadeira viagem pelas paisagens afrodisíacas do Reino Unido atual. Para aquelas pessoas que gostam de lendas, dentre elas a do Arthur, bretão que virou rei, o livro é uma ótima pedida.

Até mesmo para aqueles que não gostam de ler, vão se perder nas páginas deste livro. E para aqueles que estão pensando que é mais uma história com personagens juvenis, esqueça, todos os personagens, apesar de jovens, não são adolescentes e nem a história é juvenil. O nível de detalhes das profecias, e magias e assassinatos, mostram que de leve e juvenil a história não tem nada.
E para os que são ávidos por sagas, e séries e continuações, deixo um aviso que o livro pode tanto ser volume único, pois o mesmo fecha todos os buracos abertos pelos autores durante a trama, como pode haver continuações. Sinceramente, eu acredito que não haja continuações, ou se houver, não será para logo.

De qualquer forma, recomendo o livro que é repleto de aventura e magia.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Ah, Esmeralda!

Por André Cavalini


A leitura é uma oportunidade de conhecer mundos e mundos sem precisar sair do lugar.
Lendo, você conhece profundamente pessoas, de uma maneira que talvez jamais conheça alguém em sua vida. E embora essas pessoas sejam apenas personagens de alguma ficção, é delicioso ter suas companhias por algum tempo.
Nos envolvemos em intrigas, desencontros, amores, traição. Saímos de nosso mundo para viver em outro lugar. Deixamos nossa realidade de lado, para viver uma outra realidade. E felizes daqueles que conseguem se entregar a uma boa leitura, e viajar em seu universo.
Óbvio que para tudo isso acontecer, é preciso um bom livro, uma boa história. Uma trama que prenda a atenção e proporcione assim, a viagem aquele mundo ainda estranho para nós, mas que a cada página vai ficando mais e mais interessante de ser descoberto.




Convido então a todos para realizar uma grandiosa viagem através das páginas do livro Esmeralda, de autoria de Lucius, psicografado por Zíbia Gasparetto.
Um livro espírita sim, mas que não se foca em  pregar a doutrina e sim em contar um bela história, capaz de envolver a qualquer um, independente da religião que segue.

A história nos leva para a Espanha dos tempos antigos, onde fidalgos, reis e rainhas habitavam seus castelos monumentais. Onde os ciganos viviam a dançar e a festar em suas caravanas.
Eis que Esmeralda, a mais bela cigana de todos, a mulher que tem os homens aos seus pés, tem o coração tocado por um fidalgo. Explode ali uma grande paixão em ambos.
Porém, os ciganos são mau vistos, e o amor dos dois se torna algo proibido, desencadeando ai, toda a trama da história.

Sem falar que Esmeralda é uma dessas personagens arrebatadoras, das quais se ama ou se odeia, se venera ou se despreza, se quer em casa ou bem longe.

E como se não bastasse a boa história, o livro ainda ensina uma importante lição sobre o perdão. Sobre como a vingança e o ódio não levam a nada, e sobre como a vida sempre sabe o que faz.
Tem um final que surpreende e emociona, e por tudo isso é uma excelente opção para sua distração.



Ao regressar de sua viagem, quando terminar de ler a última palavra da última página, Esmeralda não será apenas um livro esquecido e empoeirado na sua estante. Ela será algo vivo em seu interior, pulsante em suas lembranças...
...porque quem conhece Esmeralda, não a esquece jamais!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cinquenta tons de Lavoisier

Por Daniel Couri

O químico francês Antoine Lavoisier, considerado o pai da química moderna, tornou mundialmente conhecido no século XVIII o que hoje se chama Lei de Lavoisier: "Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". A tal lei continua atualíssima até hoje.

Lavoisier
Seja na TV, no cinema, na música ou na literatura nada se cria, tudo se transforma. Ou, como dizem os mais radicais, "tudo se copia". Está na moda, gente. Cada vez mais vemos releituras de filmes, peças, shows, canções, novelas... Sem querer desmerecer os talentos da atualidade, muitas vezes ficamos com a impressão de que as coisas antigas eram "melhores". Na verdade elas pareciam melhores porque eram novidade. Ao vermos velhas ideias relidas e repaginadas, ficamos com aquela sensação de dejà vu, como se no passado tivéssemos apreciado algo semelhante, porém melhor. Era o sabor da novidade.

Cinquenta tons de cinza – o fenômeno literário do ano passado – escrito pela britânica E.L. James, vendeu 40 milhões de exemplares rapidamente. Romance erótico com toques de sadomasoquismo, o livro consagrou sua autora como a inventora (?) de um novo gênero que mistura romance açucarado e erotismo pretensamente transgressor.


O mérito literário de E.L. James não vem ao caso. É um caso típico da Lei de Lavoisier somado à memória curta do público. Muito antes desse modismo gerado por Cinqüenta tons de cinza, leitores do mundo todo já tinham seus momentos de "prazer proibido" com os livros do americano Harold Robbins, só para citar um exemplo. Quando começou a ser publicado aqui no Brasil, Robbins era um ilustre desconhecido. Numa jogada esperta para atrair leitores e realçar o teor caliente dos livros, a editora Record usou um artifício mais tarde revelado: o nome de Nelson Rodrigues como tradutor.

Os mais radicais chamam de fraude, outros acham quem a estratégia não passou de uma malandragem inocente, coisa dos distantes anos 60/70. Mas o fato é que Nelson Rodrigues nunca fez muita questão de esconder que não falava nada de inglês (nem de qualquer outra língua além do português).

Na biografia O anjo pornográfico, Ruy Castro conta que a ideia fora de Alfredo Machado (dono da Editora Record na época), para "ajudar Nelson a faturar um dinheirinho fácil. Mas era também muito conveniente para sua editora: ao ler 'Tradução de Nelson Rodrigues' com destaque na capa de livros de Harold Robbins, como Os insaciáveis, Os libertinos e Escândalo na sociedade, o comprador via naquilo uma garantia. Sabia que era literatura 'pesada'. Como poderia imaginar que Nelson era o mais acabado monoglota da língua portuguesa...?"


O filho de Alfredo, Sérgio Machado – à frente do Grupo Editorial Record, o maior da América Latina – contou em uma entrevista, não faz muito tempo, que a tradução dos livros de Harold Robbins era feita por outra pessoa. O nome de Nelson era apenas para atrair o público:

O momento talvez fundamental da nossa história foi quando meu pai perguntou ao meu tio: "Décio, por que a gente não faz livro que vende?" Meu tio disse que era porque não tinha; porque o José Olympio já tinha comprado. Meu pai então falou: "Estou lendo um livro que me deram, Os Insaciáveis, do Harold Robbins. O negócio de conseguir direitos é comigo mesmo." Comprou e publicou pela primeira vez um livro com o objetivo exclusivo de vender para o leitor. Ele tinha aquela coisa de publicitário, de jornalista. Veja o que fez para lançar esse livro, que era bem apimentado: pôs que a tradução era de Nelson Rodrigues. Nelson nunca aprendeu inglês! A cada tiragem, ele ia lá na editora pegar um dinheirinho. 

O negócio deu tão certo que nada menos que catorze livros de Robbins vêm com a tradução falsamente assinada por Nelson Rodrigues. Também foram feitos vários licenciamentos para a Abril Cultural, o Círculo do Livro e a Nova Cultural até a segunda metade dos anos 80, sempre com altíssimas tiragens e várias reedições. As tramas apimentadas, sempre recheadas com sofisticados cenários, mulheres fogosas, homens insaciáveis e muito dinheiro vendiam como água. 

A edição número 1 da revista Veja, de 11/09/1968, dedicou duas páginas a uma matéria sobre o sucesso dos livros de Harold Robbins. Na época, ele era o autor mais vendido do mundo, com 40 milhões de exemplares (exatamente como E. L. James hoje). Um dos trechos diz:

Qualitativamente, Harold Robbins não existe para a crítica americana, que invariavelmente despreza os seus romances. Como seu tradutor brasileiro, Nelson Rodrigues, que diz: "Harold Robbins é um momento da estupidez humana". O autor de "Ninguém é de ninguém" confessa ter "tropeçado por acaso" na literatura quando começou a descrever a elite endinheirada da Europa e América. Mas desde então, como excelente homem de negócios, Robbins percebeu depressa que tinha na máquina de escrever uma galinha que punha ovos de dólares.


Apesar de ser considerado literatura adulta e erótica, Cinquenta tons de cinza, ao contrário dos livros de Harold Robbins, se revela totalmente infantilizado, como se tivesse sido escrito para um público adolescente e bem menos exigente. Mais ou menos como os populares livrinhos de banca das séries Júlia, Sabrina e Bianca. O surpreendente é como E.L. James conseguiu virar o furacão editorial da atualidade usando um fórmula tão batida, sem nenhum requinte literário ou narrativo. A série Cinquenta tons já conta com mais dois livros: Cinquenta tons de liberdade e Cinquenta tons mais escuros, sem falar nos inúmeros pastiches que lotam as vitrines das livrarias mundo afora. Uma prova de que, apesar da internet, o público ainda tem bastante fôlego para consumir enlatados apimentados. Ainda que hoje eles estejam mais para fast food.


domingo, 30 de setembro de 2012

UMA BOA HISTÓRIA: SEUS VEÍCULOS E SEUS MEIOS

Por Denis Pessoa

Olá, pessoal!
           
Depois de algum tempo, volto a postar por aqui, e hoje escrevo para comentar sobre os atuais meios e veículos utilizados para se contar histórias. Ora, já sabemos que ficção é quase como oxigênio, e precisamos dela todos os dias de nossas vidas. Porém, ela está mais presente do que imaginamos em uma primeira reflexão, e não apenas nos momentos que optamos por relaxar.

Nina, a mais recente vingadora.
O faz-de-conta é tão importante em nossas vidas, que, mesmo sem perceber, ocupamos muito de nosso tempo analisando, comentando, refletindo, como se o que discutimos se tratasse de algum fato real, sobre as histórias que nos são apresentadas: filmes, novelas, seriados, livros, peças. Cada um com um jeito singular de prender a atenção, de entreter e comover, de fixar em seu público a mensagem pretendida.

Norma, de vítima a monstro.
Pois bem: a meu ver, pouco se comenta sobre o modo de fazer essas histórias. Costumamos falar sobre o produto final – se gostamos, odiamos, se compreendemos ou não. Porém, geralmente ignoramos que o material que estamos acompanhando possui uma estrutura única, própria para o meio em que é veiculado, e ao seu público.

Nesse post quero falar basicamente sobre estrutura e linguagem. Por que o cinema se comunica de um jeito, TV de outro, se tudo é imagem? Por que não posso escrever um romance no formato de um roteiro e despertar o mesmo interesse? Por que as pessoas não leem meu roteiro com a mesma facilidade e interesse que leem um romance?

Emily: vingadora americana.
Vamos começar com a TV, já que vivemos em uma sociedade audiovisual. Especificamente, as novelas: diferentemente do cinema, tiveram, no inicio, como base, as radionovelas, que já existiam, ou seja, a prioridade, embora hoje, com TV’s maiores e melhores, que permitem imagens incríveis ainda é do áudio. Precisamos ouvir os personagens, seja o dizem ou o que pensam. Compreender ações e pensamentos dos personagens através de gestos singelos e olhares não combina com a telenovela, onde precisamos saber o que o personagem sabe. Segredos? Nosso protagonista pode ter com outros personagens, jamais com o publico. Novela é espiar o cotidiano alheio, é ter acesso diário aqueles personagens, em todos os instantes de suas vidas, é ter um compromisso com eles, por meses. Novela, diferente do cinema, é convivência. E descobrir algo desconhecido de alguém com quem se convive por meses não poderia despertar outra sensação que não a de traição.
O romance que inspirou nossas atuais justiceiras.

Novelas, por serem obras muito mais longas, não permitem muitas sutilezas. Tudo precisa ser expansivo, suntuoso, ter todo seu potencial dramático explorado até as últimas consequências e lágrimas.



Edmond Dantés: o vingador mais famoso.
Diferente das novelas, que possuem um público mais abrangente, o cinema pode restringir ao extremo os seus temas, intentos e público alvo, embora evidentemente o cinema como indústria possa visar exatamente o contrário. O cinema pode dar-se o luxo de ser subjetivo em suas “morais da história”. Permite com mais facilidade personagens e desfechos ambíguos. Em novelas isso também é permitido, porém, obra mais democrática, a telenovela precisa fazer com que sua mensagem seja captada pelo público em sua totalidade. Embora possa oferecer algumas dúvidas, é obrigada a proporcionar quantidade superior de certezas.

Famoso e cruel romance epistolar.
Com os seriados, a coisa funciona um pouco diferente. Utilizando como base os seriados americanos, já que a produção de seriados dramáticos no Brasil não é tão prioritária e não segue os formatos que já estamos acostumados a ver, podemos perceber que nessas obras, os personagens já podem ser menos lineares. Como a novela pede personagens mais evidentes – não quer dizer personagens rasos – os personagens de seriados podem oscilar mais, ser ambíguos. Não há necessidade de ser bom. Como o seriado abrange um publico mais restrito, fica possível explorar mais possibilidades, arriscar mais. De uma temporada para outra, um personagem pode retornar com a personalidade completamente reformulada, sem que isso altere ou deturpe o produto final. Um vilão pode ser o protagonista. Não há obrigatoriedade de ter um representante do bem, por exemplo, se a série é sobre mafiosos. Ou o bem não necessariamente triunfa nestes casos. Isso não choca e revolta o público. Em seriados, falamos de mundos restritos: polícia, advogados, serial killers, atores, enfim.

Adaptação do romance em 1989.
Fica sendo o grande diferencial dos seriados em relação às novelas. Em parte devido ào tamanho da obra, um seriado, consideravelmente menor em capítulos e maior em período de produção que uma novela, tende a ter menos personagens, e se focar mais na trama central que em tramas paralelas. Nas novelas, o público geral pede uma grande variedade de personagens na mesma obra: os que fazem rir, os que fazem chorar, os que dão medo. Em um seriado, os mesmo personagens adquirem todas essas funções ao mesmo tempo.

Por fim, sua versão teen contemporânea.
Nos seriados, assim como nas novelas, existe a convivência com os personagens e seu universo. Embora só os vejamos em momentos cruciais e marcantes de suas vidas, diferente de uma novela, onde podemos acompanhar nossos heróis e vilões em todo tipo de situação corriqueira, em tal ponto, nos sentimos íntimos deles, especialmente porque geralmente esperamos uma semana para reencontrá-los.

Romance de 1958.
Depois disso vem a sétima arte, visual por natureza. O cinema não pede diálogos obrigatoriamente. Aqui os atores não precisam falar: imagens, expressões e ações valem mais e dizem mais, pois aqui, o tempo é curto. Por isso, exige-se do cinema um realismo e verossimilhança maiores. Uma novela sem diálogos cansaria um telespectador.

Temos também a literatura, e aqui nos me restrinjo aos romances. Os romances literários tem incontáveis formatos e estilos e é muito difícil generalizar, sendo talvez a forma mais livre de todas para se contar uma história. Nem por isso deixa de ter suas regras. Aqui, prima-se pela narrativa dos acontecimentos, pensamentos e diálogos. Em literatura, a despeito dos grandes romances e franquias literárias, dificilmente se exercita a convivência, embora possamos nos sentir íntimos dos personagens através da exposição, clara ou metafórica dos seus sentimentos. Algo único, em se comparando à TV e o cinema.

Sônia Braga: Gabriela na TV e no cinema.
Então, temos o teatro. Tal qual o cinema, o teatro tem como meio de transmissão de sua mensagem, a imagem. Porém, não somente isso. Com o contato direto com o ator e o cenário, o público tem o prazer de imaginar. Ao contrário do cinema e da TV, que oferece um universo pronto, o teatro, tal qual a literatura, expõe fragmentos de uma imagem ou pensamento. O resto fica por conta da imaginação de quem assiste a peça. Assim como o cinema, o teatro tem um tempo muito curto para passar uma mensagem, ou seja, precisa ser bem incisivo, ou corre o risco de não mostrar a que veio.

Juliana Paes: nova adaptação.
Espero que vocês tenham notado, nessa breve análise, que cada tipo de obra preenche necessidades únicas, que se completam . Obra completa contada através de um único meio é algo que não existe. Se pegarmos a mesma história e adaptarmos para teatro, cinema, TV, literatura ou música, serão diferentes releituras, novos significados, novas versões. À exemplo, a “Gabriela” de Walcyr Carrasco, que, tenha sido embora fiel ao livro, precisou de arranjos para se tornar uma novela com mais de 60 capítulos. Walcyr extraiu cada gota de informação oferecia pelo livro de Jorge Amado – algo que o autor tem feito muito bem por sinal. Transformou cada mera citação do romancista em uma trama em potencial para a novela, e com isso, deu uma nova cara a já louvada obra. Como por exemplo, o casal Osmundo e Sinhazinha, que quando o livro começa já estão mortos, na novela tem a oportunidade de viver, em detalhe a sua história de amor e desfecho trágico.

Pessoal, vou ficando por aqui, pois acho que vocês já sacaram o que eu quis dizer. Encerro este post perguntando a vocês por mais exemplos de formatos para se contar uma historia, além de bons exemplos de histórias que já foram contados em mais de um formato, as que vocês gostaram, as que não gostaram, e por quê.

Comentem! Participem!

Um grande abraço!

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Retrato de Dorian Gray

                                                                                                             
Por Antenor Azevedo


Uma história envolvendo uma paixão de um pintor por um modelo, a beleza como única solução para os problemas e vida dupla, no século XXI não são uma novidade para a sociedade, mas nos anos finais de 1800 isso causou um reboliço no high society da Inglaterra e arredores.

Muito influenciado pelo Esteticismo, movimento recém-chegado na época, Oscar Wild foi convidado a escrever um livro repleto de ideias esteticistas. Uma visita ao estúdio de um pintor, Wild viu a pintura de um jovem modelo finalizada e pensou: “é uma pena que tal gloriosa criatura um dia envelheça”. E o pintor consentiu respondendo que “seria maravilhoso se ele pudesse permanecer exatamente como ele é a imagem do quadro que deveria ganhar as marcas do tempo”. Depois do ocorrido, a primeira edição do polêmico “O Retrato de Dorian Gray” foi lançada em 20 de junho de 1890 na revista literária norte-americana Lippincott’s Monthly Magazine. 

Um jovem com seus 17 aninhos dono de uma beleza apaixonante tirava o sono de homens e mulheres por onde passava, sabe quando uma pessoa entra num lugar e nos remete aquele efeito câmera lenta, aquela magia?  Assim era com Dorian, Basil Hallward, famoso pintor entre os nobres, logo quis fazer uma obra com a figura do reservado rapaz.
Quadro finalizado, Dorian é apresentado ao interessante e cínico Lorde Henry Wotton, esse é daqueles que coloca perdida a pessoa de alma mais pura. Harry, assim chamado pelos mais próximos, logo ficou amigo de Gray, colocando certas ideias na cabeça do rapaz que mudaria seu destino para sempre.
Seduzido pelo mundo da beleza e da vida profana, Dorian sente-se capaz de tudo, ele vê todos rastejando aos seus pés, eu diria que ele tinha uma estima muito elevada não fosse sua fraqueza mental ao deixar-se influenciar por terceiros.


Com tantas polêmicas, Oscar Wild teve que relançar o livro acrescentando algumas histórias para suavizar um pouco a vida desse moço bonito chamado Dorian Gray. A versão original, a mais polêmica e intensa e essa que eu recomendo que vocês leiam, contém 13 capítulos e a segunda versão finalizou em 20 capítulos.

Claro que eu não iria revelar os lances dessa maravilhosa obra prima, espero que leiam e se deliciem. 

Segue abaixo o trailer do filme 


sexta-feira, 1 de junho de 2012

RESENHA DO LIVRO “POBRE NÃO TEM SORTE”

Por Denis Pessoa


Olá, pessoal!

Há quase dois meses entrevistei para o blog a escritora Leila Rego, que desde 2010 tem sido bem-sucedida em utilizar a internet como meio de divulgação de seu trabalho: os chick-lits protagonizados pela personagem Mariana Louveira.

A entrevista com a escritora você pode ler AQUI.
Aqui, você acessa o site oficial da escritora.

Pois bem: depois da entrevista, Leila gentilmente enviou uma cópia da segunda edição do seu romance de estreia, chamado “Pobre Não Tem Sorte”. Com uma simpática dedicatória, aproveito o post para agradecer a gentileza da Leila, tanto em conceder a entrevista, quanto em enviar o livro.

Levei pouco tempo para terminar, e foi uma experiência prazerosa. A protagonista é cativante em seus delírios de consumo e status. Mariana vive no interior de São Paulo, almejando uma vida de muito glamour e pouco esforço que só existe em sua cabeça.

O prólogo cumpre sua missão, que é despertar a curiosidade para o que vem por aí. Porém, logo em seguida, a fluidez da história são interrompidas por uma descrição prolongada das relações cotidianas da personagem principal. Embora fossem informações fundamentais, ganhariam mais agilidade se fossm se fosse diluídas ao longo do livro. Isso, no entanto não compromete a qualidade, e não diminuiu meu interesse em relação a história.

Findas as apresentações, o universo de Mari torna-se envolvente até o ponto em que o livro termina. São diversos os momentos engraçados e emocionantes, e salvos algumas tiradas que não me agradaram, existem situações memoráveis, como as sequências em que Mari trabalha no shopping center.

O ponto de partida da trama é o noivado da protagonista, seguido dos preparativos do seu casamento com Edu, um médico residente charmoso e bem de vida. Então, a odisseia de Mariana começa. Ela passa a ignorar toda a realidade de sua vida para preparar-se para o casamento. Não a união com o futuro marido, e sim, com a cerimônia.

Entre preparativos, compras e gastos, Mariana diverte e irrita, porém, embora seja fútil, demonstra transparência. É digna em sua futilidade, porque não a oculta. Pelo contrário.

Um ótimo momento do livro é o “dia de noiva” pela qual a personagem passa, assim como toda a sequência do dia de seu casamento, que nos leva de volta ao momento inicial. A partir daí é que podemos ler os melhores momentos do livro.


O que se segue é um misto de comédia romântica e drama. Confesso que esperava uma literatura extremamente light, descompromissada, isenta de qualquer emoção. Mas não foi o que aconteceu. As cenas que narram as desilusões de Mariana ao ver seus planos fracassarem conseguiram me deixar emocionado, e até mesmo triste por ela. Assim como o fim foi eficaz em injetar esperança, além de despertar o desejo para ler a continuação.

A história termina em aberto. Afinal, já existe a sequência, “Pobre Não tem Sorte 2”, que em breve pretendo resenhar também.

O livro vai esquentando aos poucos. A história começa lenta, morna, porém, vai ficando intensa, magnética. É uma leitura válida, e acima de tudo, creio que Leila e muitos outros escritores nacionais merecem nosso prestígio. Afinal, são nossa gente. E para que haja aprimoramento e sucesso, é preciso que o público valorize isso.

Aproveito pra finalizar que, se você não prestigiou um novo autor nacional, faça isso. Tem gente nova surgindo, contando histórias de todos os gêneros, estilos e tamanhos. É só procurar!

Um grande abraço, e até a próxima!

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Escrita Marginal


Por Júlio Damásio

Definir a escrita marginal, esta longe de ser uma tarefa fácil. Muitos discursos já foram produzidos em relação a esta temática, portanto não é esta a intenção aqui, o que buscamos é como bem definiu João do Rio, observador e cronista do cotidiano da cidade do Rio de Janeiro do século XIX, flanar, entre as questões que envolvem este tema. A literatura marginal assume um caráter social, fato inegável, fundamental é sua contribuição na formação de novos leitores, pelo fato de chegar a locais onde dificilmente um escritor vinculado a um selo editorial chegaria, seja vendendo livros de porta em porta, seja visitando escolas e ministrando palestras de incentivo a leitura. Todavia o que nos últimos tempos, parece estar criando um caráter único é justamente o sentido atribuído ao escritor marginal, vários artigos, entrevistas e produções acadêmicas estabelecem certo enquadramento nos segmentos periféricos. Obviamente autores marginais como o caso de Férrez, por exemplo, especificam muito bem seu contexto de marginalidade, estando este vinculado ao espaço geográfico em que estão inseridos e na vivência de um cotidiano marcado pela violência, exclusão, ou seja, neste caso, o conceito de literatura marginal esta representado pelas vozes periféricas. Já na década de 70, eram as pessoas da classe média e alta que falavam sobre seu cotidiano de modo irônico que davam voz a literatura marginal. No caso da contemporaneidade a escrita marginal esta inserida em inúmeras roupagens, mas o que nos interessa aqui é o sentido de “estar à margem”, especificamente de um selo editorial.

A interferência, imposição das editoras começa pelo título e muitas vezes, vai até o ponto final do texto do livro, não nos preocupamos aqui com a crítica literária, pois como nos lembra Miguel Sanches Neto, “a crítica está desaparecendo dos jornais e das revistas”. Cada autor além de seu estilo tem seu foco, o meu é cativar, conquistar novos leitores, não somente para meus livros, mas também para outros autores. Tenho certeza que a melhor forma de criar o hábito de leitura antes de mais nada, é contar uma boa história, de forma que o leitor não se sinta um imbecil por não entender o enredo. A literatura contemporânea tem quase uma regra para ditar a literatura, quando falamos em prosa, o texto começa no meio da ação e termina por ali mesmo, ou seja, a literatura de hoje não tem começo meio e fim, mas só meio. Acredito no valor do final em aberto, mas esse mesmo “final” que encanta alguns leitores experimentados, deixa indignados os novos leitores, sem contar que em muitos casos autores se utilizam dessa técnica por incompetência para finalizar sua história. A arte que emociona ficou em desuso aos olhos da maioria, restando apenas o olhar de espanto, perplexidade, traduzido quase sempre em um questionamento que o leitor se faz: O que ele quis me dizer?

Talvez esta pergunta esteja martelando em sua mente neste exato momento, o que Júlio Damásio quis me dizer com este texto que começa com aquele flanar pela literatura marginal e acaba com apontamentos sobre a arte nos dias de hoje, o desuso de tudo que emociona a indignação do leitor frente a histórias que para ele não fazem sentido?

Sou um escritor marginal, estou desvinculado a um selo editorial, hoje por opção, faço literatura marginal, por ter em meus textos aquilo que observei seja nas periferias das grandes cidades em que morei, seja em áreas consideradas nobres pelo mercado de capitais, mas de uma coisa tenho certeza, os sotaques e a língua podem ser diferentes, mas os sentimentos os mesmos, traduzo em meus textos as distintas realidades em que estive inserido, o que me define como escritor marginal é a própria história que está nas entrelinhas de minha produção e que muitas vezes não é contada, mas está ali presente em cada novo livro editado e distribuído pelas minhas mãos.

Imagens: Google Imagens
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