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sábado, 9 de novembro de 2013

As novelas do século XIX: Os romances de José de Alencar

Por Leonardo Mello de Oliveira

É indiscutível a relação entre a literatura e a teledramaturgia brasileira. A primeira foi a base para que tivéssemos hoje as nossas telenovelas, inspiradas nos romances publicados em forma de folhetim durante o século XIX. Os romances urbanos, onde a mulher tinha um papel de destaque e as histórias de amor açucaradas eram o mote principal, talvez tenham sido as nossas primeiras novelas. E é impossível falar de romances brasileiros sem citar José de Alencar, romancista que tentou caracterizar o Brasil através de suas mais diferentes formas de expressão.
      José de Alencar experimentou todos os tipos de romances do período romântico brasileiro: o indianista, o regional e o urbano. Além de usar dos principais ingredientes destes tipos de literatura, tentava escrever com uma linguagem brasileira e fazer críticas à sociedade da época. Algumas de suas principais obras foram adaptadas para a TV, o que mostra como a sua linguagem e estilo contextualizam com a teledramaturgia brasileira.
      O primeiro romance de Alencar a ser adaptado também foi o seu romance que mais ganhou adaptações para TV. Senhora foi primeiramente adaptada pela TV Paulista em 1953 e pela Tupi em 1962. Ganhou uma versão moderna na Tupi em 1972, com o título de O Preço de um Homem. A adaptação mais conhecida foi a escrita por Gilberto Braga, na Globo, em 1975, com Norma Blum e Cláudio Marzo como o casal protagonista. A última versão de Senhora foi feita em 2004, na novela Essas Mulheres, que também contava a história de outros dois romances de José de Alencar: Diva e Lucíola. O livro se diferenciava dos outros romances urbanos por apresentar uma crítica ao sistema de casamento da época. A história tratava do amor entre Aurélia Camargo e Fernando Seixas. Ambicioso, Fernando larga Aurélia ao ser-lhe oferecido um dote para se casar com outra mulher. Porém, Aurélia acaba herdando uma grande fortuna, e oferece um dote maior a Fernando para que se casasse com ela. Mas Aurélia passa a desprezá-lo, afirmando que o casamento foi apenas um “negócio”, apesar de amá-lo e ele a amar também. A trama central é tão bem bolada que provavelmente já inspirou novelas com histórias semelhantes, como Rainha da Sucata.
      Outro romance de Alencar que virou um grande sucesso da TV foi As Minas de Prata. Escrita por nada mais nada menos que Ivani Ribeiro, em 1966, foi uma superprodução da TV Excelsior, que contava com Fúlvio Stefanini, Regina Duarte e Renato Master nos papéis principais. O romance histórico ainda serviria como base para a novela A Padroeira, de 2001, escrita por Walcyr Carrasco, na Globo. O livro contava a história de Estácio, que procurava as minas de prata encontradas por seu pai. Ele contava com o dinheiro para se casar com Inesita, cujo pai queria que se casasse com outro homem. A trama se passava em Salvador, no século XVII.
      Apesar de menos conhecida, Sinhazinha Flô (1977), de Lafayette Galvão, apresentou três obras de José de Alencar em uma só novela: Til, A Viuvinha e O Sertanejo. A novela foi uma homenagem ao centenário da morte do autor. A trama era centralizada nas protagonistas de cada romance: Flô (Bete Mendes), Chiquinha (Thaís de Andrade) e Clotilde (Heloísa Raso). Porém, a junção de dois romances regionais com um urbano, gerando um conflito de estilos, e a grande quantidade de situações prejudicaram o bom andamento da novela, que se mostrava um tanto quanto revolucionária ao abordar tantas tramas no horário das seis em plenos anos 70.
      O romance indianista O Guarani foi adaptado por Walcyr Carrasco em 1991, em formato de minissérie, na Rede Manchete. O elenco, um tanto quanto estranho, podemos dizer, contava com Angélica como Cecília, Leonardo Brício como Péri e Luigi Baricelli como D. Diogo. A história tratava da vinda do português D. Antônio de Mariz ao Brasil com sua família. Se desenvolvem várias tramas a partir daí, como o amor do índio Péri pela filha de D. Antônio, Cecília, e uma revolta indígena provocada pela morte de uma índia, morta por D. Diogo durante uma caçada. Vale lembrar de Loredano, ex-frei, ambicioso e devasso que se infiltra na família de D. Antônio com o intuito de destruí-la e raptar Cecília. Como todos os outros romances indianistas, o índio é retratado como um ser heróico e “civilizado”, ou seja, um índio idealizado para a época.
      Por fim, devemos falar de outra junção de três obras de José de Alencar: a telenovela Essas Mulheres, da Record, que juntava Senhora, Diva e Lucíola. Diva já havia tido uma adaptação na época da TV ao vivo, pela TV Paulista. Foi escrita por Marcílio Moraes e Rosane Lima. Assim como Sinhazinha Flô, Essas Mulheres também centrava sua trama nas três personagens femininas de cada romance. Christine Fernandes, Carla Regina e Myrian Freeland interpretaram as três protagonistas. A novela apresentava as três personagens de Alencar como amigas que enfrentavam a difícil vida das mulheres durante o século XIX. Considerada por muitos como a melhor novela já produzida pela Record, Essas Mulheres foi a última adaptação de José de Alencar para a televisão.
      Com tantas obras adaptadas, é quase impossível não darmos a José de Alencar o título de primeiro autor de novelas brasileiro. Dono de histórias bem boladas e desenvolvidas, seus romances publicados em folhetins na época deviam ter instigado a curiosidade da população assim como as nossas telenovelas instigam nossa curiosidade hoje em dia. Como ninguém, o escritor tentou dar brasilidade a nossa literatura, escrevendo, mesmo com um estilo idealizador, sobre os cidadãos das mais diferentes regiões do Brasil. Alguns autores, como Janete Clair e Dias Gomes, tentaram fazer o mesmo com suas novelas. Esperamos mais José de Alencar na nossa TV, até porque, suas histórias parecem ser sempre sinônimo de sucesso e repercussão.

domingo, 30 de setembro de 2012

UMA BOA HISTÓRIA: SEUS VEÍCULOS E SEUS MEIOS

Por Denis Pessoa

Olá, pessoal!
           
Depois de algum tempo, volto a postar por aqui, e hoje escrevo para comentar sobre os atuais meios e veículos utilizados para se contar histórias. Ora, já sabemos que ficção é quase como oxigênio, e precisamos dela todos os dias de nossas vidas. Porém, ela está mais presente do que imaginamos em uma primeira reflexão, e não apenas nos momentos que optamos por relaxar.

Nina, a mais recente vingadora.
O faz-de-conta é tão importante em nossas vidas, que, mesmo sem perceber, ocupamos muito de nosso tempo analisando, comentando, refletindo, como se o que discutimos se tratasse de algum fato real, sobre as histórias que nos são apresentadas: filmes, novelas, seriados, livros, peças. Cada um com um jeito singular de prender a atenção, de entreter e comover, de fixar em seu público a mensagem pretendida.

Norma, de vítima a monstro.
Pois bem: a meu ver, pouco se comenta sobre o modo de fazer essas histórias. Costumamos falar sobre o produto final – se gostamos, odiamos, se compreendemos ou não. Porém, geralmente ignoramos que o material que estamos acompanhando possui uma estrutura única, própria para o meio em que é veiculado, e ao seu público.

Nesse post quero falar basicamente sobre estrutura e linguagem. Por que o cinema se comunica de um jeito, TV de outro, se tudo é imagem? Por que não posso escrever um romance no formato de um roteiro e despertar o mesmo interesse? Por que as pessoas não leem meu roteiro com a mesma facilidade e interesse que leem um romance?

Emily: vingadora americana.
Vamos começar com a TV, já que vivemos em uma sociedade audiovisual. Especificamente, as novelas: diferentemente do cinema, tiveram, no inicio, como base, as radionovelas, que já existiam, ou seja, a prioridade, embora hoje, com TV’s maiores e melhores, que permitem imagens incríveis ainda é do áudio. Precisamos ouvir os personagens, seja o dizem ou o que pensam. Compreender ações e pensamentos dos personagens através de gestos singelos e olhares não combina com a telenovela, onde precisamos saber o que o personagem sabe. Segredos? Nosso protagonista pode ter com outros personagens, jamais com o publico. Novela é espiar o cotidiano alheio, é ter acesso diário aqueles personagens, em todos os instantes de suas vidas, é ter um compromisso com eles, por meses. Novela, diferente do cinema, é convivência. E descobrir algo desconhecido de alguém com quem se convive por meses não poderia despertar outra sensação que não a de traição.
O romance que inspirou nossas atuais justiceiras.

Novelas, por serem obras muito mais longas, não permitem muitas sutilezas. Tudo precisa ser expansivo, suntuoso, ter todo seu potencial dramático explorado até as últimas consequências e lágrimas.



Edmond Dantés: o vingador mais famoso.
Diferente das novelas, que possuem um público mais abrangente, o cinema pode restringir ao extremo os seus temas, intentos e público alvo, embora evidentemente o cinema como indústria possa visar exatamente o contrário. O cinema pode dar-se o luxo de ser subjetivo em suas “morais da história”. Permite com mais facilidade personagens e desfechos ambíguos. Em novelas isso também é permitido, porém, obra mais democrática, a telenovela precisa fazer com que sua mensagem seja captada pelo público em sua totalidade. Embora possa oferecer algumas dúvidas, é obrigada a proporcionar quantidade superior de certezas.

Famoso e cruel romance epistolar.
Com os seriados, a coisa funciona um pouco diferente. Utilizando como base os seriados americanos, já que a produção de seriados dramáticos no Brasil não é tão prioritária e não segue os formatos que já estamos acostumados a ver, podemos perceber que nessas obras, os personagens já podem ser menos lineares. Como a novela pede personagens mais evidentes – não quer dizer personagens rasos – os personagens de seriados podem oscilar mais, ser ambíguos. Não há necessidade de ser bom. Como o seriado abrange um publico mais restrito, fica possível explorar mais possibilidades, arriscar mais. De uma temporada para outra, um personagem pode retornar com a personalidade completamente reformulada, sem que isso altere ou deturpe o produto final. Um vilão pode ser o protagonista. Não há obrigatoriedade de ter um representante do bem, por exemplo, se a série é sobre mafiosos. Ou o bem não necessariamente triunfa nestes casos. Isso não choca e revolta o público. Em seriados, falamos de mundos restritos: polícia, advogados, serial killers, atores, enfim.

Adaptação do romance em 1989.
Fica sendo o grande diferencial dos seriados em relação às novelas. Em parte devido ào tamanho da obra, um seriado, consideravelmente menor em capítulos e maior em período de produção que uma novela, tende a ter menos personagens, e se focar mais na trama central que em tramas paralelas. Nas novelas, o público geral pede uma grande variedade de personagens na mesma obra: os que fazem rir, os que fazem chorar, os que dão medo. Em um seriado, os mesmo personagens adquirem todas essas funções ao mesmo tempo.

Por fim, sua versão teen contemporânea.
Nos seriados, assim como nas novelas, existe a convivência com os personagens e seu universo. Embora só os vejamos em momentos cruciais e marcantes de suas vidas, diferente de uma novela, onde podemos acompanhar nossos heróis e vilões em todo tipo de situação corriqueira, em tal ponto, nos sentimos íntimos deles, especialmente porque geralmente esperamos uma semana para reencontrá-los.

Romance de 1958.
Depois disso vem a sétima arte, visual por natureza. O cinema não pede diálogos obrigatoriamente. Aqui os atores não precisam falar: imagens, expressões e ações valem mais e dizem mais, pois aqui, o tempo é curto. Por isso, exige-se do cinema um realismo e verossimilhança maiores. Uma novela sem diálogos cansaria um telespectador.

Temos também a literatura, e aqui nos me restrinjo aos romances. Os romances literários tem incontáveis formatos e estilos e é muito difícil generalizar, sendo talvez a forma mais livre de todas para se contar uma história. Nem por isso deixa de ter suas regras. Aqui, prima-se pela narrativa dos acontecimentos, pensamentos e diálogos. Em literatura, a despeito dos grandes romances e franquias literárias, dificilmente se exercita a convivência, embora possamos nos sentir íntimos dos personagens através da exposição, clara ou metafórica dos seus sentimentos. Algo único, em se comparando à TV e o cinema.

Sônia Braga: Gabriela na TV e no cinema.
Então, temos o teatro. Tal qual o cinema, o teatro tem como meio de transmissão de sua mensagem, a imagem. Porém, não somente isso. Com o contato direto com o ator e o cenário, o público tem o prazer de imaginar. Ao contrário do cinema e da TV, que oferece um universo pronto, o teatro, tal qual a literatura, expõe fragmentos de uma imagem ou pensamento. O resto fica por conta da imaginação de quem assiste a peça. Assim como o cinema, o teatro tem um tempo muito curto para passar uma mensagem, ou seja, precisa ser bem incisivo, ou corre o risco de não mostrar a que veio.

Juliana Paes: nova adaptação.
Espero que vocês tenham notado, nessa breve análise, que cada tipo de obra preenche necessidades únicas, que se completam . Obra completa contada através de um único meio é algo que não existe. Se pegarmos a mesma história e adaptarmos para teatro, cinema, TV, literatura ou música, serão diferentes releituras, novos significados, novas versões. À exemplo, a “Gabriela” de Walcyr Carrasco, que, tenha sido embora fiel ao livro, precisou de arranjos para se tornar uma novela com mais de 60 capítulos. Walcyr extraiu cada gota de informação oferecia pelo livro de Jorge Amado – algo que o autor tem feito muito bem por sinal. Transformou cada mera citação do romancista em uma trama em potencial para a novela, e com isso, deu uma nova cara a já louvada obra. Como por exemplo, o casal Osmundo e Sinhazinha, que quando o livro começa já estão mortos, na novela tem a oportunidade de viver, em detalhe a sua história de amor e desfecho trágico.

Pessoal, vou ficando por aqui, pois acho que vocês já sacaram o que eu quis dizer. Encerro este post perguntando a vocês por mais exemplos de formatos para se contar uma historia, além de bons exemplos de histórias que já foram contados em mais de um formato, as que vocês gostaram, as que não gostaram, e por quê.

Comentem! Participem!

Um grande abraço!

sábado, 14 de janeiro de 2012

REBELDE: 50% DE ACERTO DA REDE RECORD.


POR Thiago Ribeiro


Arthur Aguiar e Lua Blanco 

Exibida pela Tv Record e segunda parceria com a emissora mexicana Televisa, a novela Rebelde, adaptação da mexicana Rebelde, que por sua vez é uma versão da Argentina Rebelde Way, é um sucesso nas redes sociais, os adolescentes comentam e compram os cds que estão sendo comercializados, ou seja, é um pequeno sucesso da emissora. Porém, Rebelde além de ter que lidar com a desconfiança dos fãs das outras versões empaca com alguns probleminhas que fazem com que sua audiência patine diariamente.

A autora Margareth Boury

Sou fã do texto dinâmico da autora Margareth Boury, alias, adorei Alta Estação (2006). Mas a novela tem em determinados momentos um dinamismo que me incomoda. A edição é ágil, uma coisa bem teen, que ajuda, mas mesmo assim em determinadas cenas o texto soa falso demais. O que também não ajuda no desempenho dos intérpretes.
Sophia Abrahão e Micael Borges

Os seis protagonistas são jovens bonitos, mas que precisam comer muito feijão com arroz para chegar num nível pelo menos, aceitável. Cantar, não cantam nada, com a exceção talvez de Chay Suede e Lua Blanco. Mesmo assim, para mim como espectador chega ser insuportável ouvi-los cantando. Talvez eu esteja ficando velho. Significa isso Brasil???

Daniel Erthal e Eduardo Pires
Dentre os seis eu destacaria a interpretação mais natural (se é que isso é possível) da novata Mel Froncowiack, que vive a bulímica Carla. Os outros cinco estão num patamar que eu, como humilde telespectador classifico como “suportável”... Outros que merecem um destaque negativo, por assim dizer, são Daniel Erthal e Eduardo Pires. Já pude ver o trabalho dramático de Eduardo Pires na novela Luz do Sol, também exibida pela Record e em Sinhá Moça, exibida na Globo. Em ambas o rapaz teve um bom desempenho. Mas em Rebelde, Eduardo se utiliza uma série de tiques, que aliás ele compartilha com seu colega de cena Daniel Erthal. Chega ser insuportável assistir as cenas farsescas protagonizadas por ambos. Uma coisa que deveria ser engraçada se torna algo constrangedor de assistir.
Mel Froncowiack

Mas Rebelde não tem só coisas ruins, muito pelo contrário. O visual colorido que a cenografia imprimiu aos cenários ajudou na “abrasileiração” da trama. A edição, já citada, dá um excelente tom juvenil. Dentre o elenco, destaques são os jovens Rayanna Carvalho (Pilar), Carla Diaz (Márcia), Bernardo Falcone (Téo), Karen Marinho (Cilene) e os veteranos Adriana Garambone (Eva Messi), Claudia Lira (Beth), Eliana Guttman (Ofelia), Cassia Linhares (Silvia), Floriano Peixoto (Jonas) e Edwin Luisi (Genaro).


Mesmo patinando na audiência Rebelde terá uma segunda temporada que será exibida a partir de março (caso não haja desistência da emissora). É torcer para que a novela melhore e que seja mais um sucesso da teledramaturgia da Record.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Minisséries e Novelas: 2012 é todo delas

Brunno Duprat

“... Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar, mas sem barulho e nem confusão o tal do mundo não se acabou...

Ainda bem, pois não perderemos lançamentos fantásticos, uns nem tanto, para o ano de 2012. Mas pra quem é fã do gênero sempre vale pena, mesmo que seja para falar mal depois com os amigos ou em redes sociais... rsrs -  Feliz Ano Novo e lá vamos nós!!!

Pra começar em alto nível de produção e cultura, Maria Adelaide Amaral abre os caminhos com a missão de revelar ao mundo Dolores Gonçalves Costa, mulher de caráter firme e sóbrio que se popularizou como Dercy Gonçalves, um grande nome do cenário artístico nacional. A microssérie será baseada na biografia da atriz, escrita por Maria Adelaide há mais de 15 anos. Para viver a protagonista estão devidamente escaladas Heloísa Perrisé e Fafy Siqueira. NO elenco figuram Rosi Campos, Mayana Neiva e Samara Filippo entre outros nomes. Com certeza vale muito a pena conferir mais uma espetacular produção assinada por esta brilhante autora. 
No ar semana que vem!

“... Eu nasci assim, eu cresci assim.
Eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim.
Gabriela sempre Gabriela...”

E lá vem ela, a mais brasileira de todas as personagens, com seu cheirinho de cravo e canela. Imortalizada por Sonia Braga em 1975, ganhará vida desta vez por Juliana Paes. Após o bem sucedido remake de O Astro bateu-se o martelo e em abril Walcyr Carrasco reescreverá a trama baseada na obra de Jorge Amado, com direção de Roberto Talma e Mauro Mendonça. No casting desta produção figuram nomes como Humberto Martins (Nacib), Flavia Alessandra (Zarolha), Ary Fontoura, Elizabeth Savala (vencedora do troféu APCA 1975 como revelação feminina por sua estreia na Tv, debutando como Malvina neste mesmo folhetim na 1ª versão), Max Fercondini (Mundinho Falcão) e Maitê Proença. Um fim de noite com todos os encantos  e feitiços da Bahia. 
Que venha logo o mês de Abril, ansioso!!!

Por falar em remakes, 29 anos depois de sua exibição original Guerra dos Sexos  ganhará uma nova versão com assinatura de Silvio de Abreu e direção de Jorge Fernando, repetindo assim a parceria de sucesso na trama original de1983. Para viver Bimbo e Charlô já estão devidamente escalados Tony Ramos e Irene Ravache. Tão reservados quanto estão Reynaldo Gianecchinni como o motorista Nando e Claudia Raia causando como a exuberante Vânia. Recentemente foi veiculado que Mariana Ximenes fará Juliana, papel que fora de Maitê Proença. Quer mais um motivo para ver? - Tem o charme sedutor de Edson Celulari e a presença iluminada de Gloria Pires, revivendo Felipe e Roberta Leone, respectivamente. Essa eu não perco por nada, fato!!!
Estreia no segundo semestre.

Já quase no finzinho do ano ou no começo de 2013, embarcaremos nós rumo a Turquia conhecendo seu povo, costumes e tradições. É Glória Perez chegando com mais obra. Como não podeira deixar de ser, a autora abordará temas de relevância social (onde reina absoluta) e o principal deles é o tráfico de pessoas. Fazendo um contraponto com a riqueza de Istambul, haverá um núcleo situado no Complexo do Alemão ( grupo de favelas do subúrbio carioca recém pacificado pela Polícia Militar). Contrariando as informações plantadas  pela mídia, Gloria afirma que no elenco por enquanto só estão certos: Rodrigo Lombardi, Nanda Costa, Tiago Abravanel e Domingos Montagner.
Enquanto fazemos o check in rumo ao velho continente, vejamos o novo trabalho de João Emanuel CarneiroAvenida Brasil - que contará com elenco luxuoso para falar de um tema ainda misterioso. Sabe-se que Murilo Benício e Cauã Reymond serão jogadores de futebol e que haverá um núcleo situado num aterro sanitário, onde viverão os personagem de Vera Holtz e José de Abreu. Completam o time Debora Falabella, Nathalia Dill, Debora Bloch, Alexandre Borges, Carolina Ferraz e Adriana Esteves como a grande vilã. Na direção, mais uma vez Ricardo Waddington.
É aguardar e conferir logo após o fim de Fina Estampa.


Ratificando a importância de lançar novos autores, teremos Marias do Lar (Filipe Miguez e Izabel de Oliveira) e um folhetim de época pelas mãos de João Ximenes Braga e Claudia Lage.  Marias do Lar sucederá Aquele Beijo na faixa das 19 horas e fará um caminho inverso a tudo que se vê: fará de três empregadas domésticas protagonistas. Caberá a Tais Araújo, Isabelle Drummond e Leandra Leal defenderem as personagens. A novela ainda será responsável pelo retorno de Cacau (Claudia Abreu) às telinhas após um afastamento de quase 4 anos. Sua personagem será a vilã da estória, uma cantora trash com pegada cômica. Núcleo de Denise Saraceni. É esperar para ver. Sobre o texto de Claudia Lage e João Ximenes Braga, ainda não há previsão de estreia, apenas sabe-se que sucederá a próxima trama de Elizabeth JhinAmor, eterno amor” que também abordará a espiritualidade, bem como Escrito nas EstrelasGabriel Braga Nunes viverá o mocinho da trama, que contará também com a presença de Carol Castro, Marcelo Faria, Carolina Kasting entre outros. Rogério Gomes é o diretor mais uma vez. No ar assim que A Vida da Gente acabar!

Nos estúdios de Edir Macedo também é tempo de novidades. Apostando em temas bíblicos, vamos juntos conhecer um pouco mais sobre a vida de Rei Davi, personagem destinado a Leonardo Brício. Completam o time atores desta minissérie Renata Dominguez, Bianca Castanho e Raquel Nunes. Teremos ainda Máscaras novela assinada por Lauro Cezar Muniz e direção de Ignácio Coqueiro. Estrelando: Paloma Duarte e Petrônio Gontijo, com Gisele Itié, Flávia Monteiro, Luiza Tomé e mais alguns bons nomes do elenco da Rede Record.

OBSERVAÇÃO: 
Embora sejam verídicas, todas as afirmações acima são passíveis de mudança, uma vez que ainda estão em fase de produção e algumas em pré-produção.

Para nós que amamos novelas, 2012 promete tudo de bom e mais um pouco!
De olhos bem abertos na telinha!!!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A época clássica do horário das seis

Por Fábio Costa

O título alude não exatamente a uma época do horário global de novelas das seis “melhores que a de hoje”, mas à primeira fase do núcleo em que as produções eram todas baseadas em clássicos da literatura brasileira. As primeiras novelas das seis da Rede Globo foram exibidas no início da década de 1970, numa fase experimental em que se produziu histórias com motivação educacional, a exemplo da primeira, Meu Pedacinho de Chão (1971/72), de Benedito Ruy Barbosa. Através dos habitantes de um vilarejo do interior o autor tratou de problemas como a alfabetização, as doenças que atingem o homem do campo, higiene, vacinação e mesmo novas técnicas de plantio, a partir de dados fornecidos a Benedito e seu coautor Teixeira Filho pelas secretarias municipais de Agricultura e de Saúde. A ela seguiram-se Bicho do Mato (1972), que contava a mudança na vida do jovem Juba (Osmar Prado) ao ter de se habituar à cidade grande e ganhou nova versão na Record em 2006/07, e A Patota (1972/73), única incursão da dramaturga Maria Clara Machado no gênero, que trazia a professora Nely (Débora Duarte) e seu desejo de levar sua turma de alunos, a patota do título, para uma viagem à África. Depois disso o horário foi ocupado por enlatados norte-americanos e apenas em abril de 1975 a dramaturgia brasileira voltou a ele, com uma adaptação de Pluft, o Fantasminha, peça de Maria Clara Machado, “novela jovem” em dez capítulos exibidos duas vezes por semana.
Foi em maio de 1975 que a Rede Globo decidiu inaugurar oficialmente o horário das 18h para novelas dirigidas ao público adulto, partindo de clássicos literários. O primeiro romance escolhido para adaptação foi Helena, de Machado de Assis, que foi exibido em vinte capítulos dirigidos por Herval Rossano. Gilberto Braga adaptou a história do amor que nasce entre os jovens Helena (Lúcia Alves) e Estácio (Osmar Prado), que se acreditam irmãos devido ao testamento do Conselheiro Vale, pai de Estácio, que faz de Helena uma das herdeiras com a revelação de que seria uma filha bastarda, mas não é. Ao longo dos anos podemos identificar até produtos chamados de minisséries com bem mais capítulos que os vinte de Helena, mas à época não havia ainda conceitos como os de minisséries e mininovelas, bastava-se a narrativa linear e a exibição de segunda a sexta-feira para que fossem novelas, tivessem vinte ou duzentos capítulos.
Teatro também é literatura. E, se não era possível adaptar Dias Gomes ou Nelson Rodrigues para o horário, houve opções de grande qualidade. Em junho de 1975 estreou a segunda produção do horário, O Noviço, adaptada por Mário Lago da comédia teatral de Martins Pena também em vinte capítulos e com o mesmo Herval Rossano na direção. O trambiqueiro Ambrósio (Jorge Dória) planeja se apossar da fortuna da viúva Florência (Isabel Ribeiro), e para isso manda seu sobrinho Carlos (Pedro Paulo Rangel) estudar com num seminário, o que pretende fazer também com os dois herdeiros diretos dela, seus filhos Emília (Maria Cristina Nunes) e Juca (Fábio Massimo), para tirá-los do caminho. Mas o rapaz não se conforma com isso, pois não deseja ser padre e está apaixonado por Emília, com quem pretende se casar, e atrapalha os planos do tio. 
Norma Blum como Aurélia em Senhora.
A terceira produção do núcleo das 18h já teve outro tratamento. Senhora, do romance de José de Alencar, inaugurou as cores no horário em adaptação de Gilberto Braga, foi programada para 80 capítulos (de junho a outubro de 1975) e teve até música composta especialmente para ela pelo maestro Walter Blanco. A famosa história da jovem Aurélia Camargo (Norma Blum), que é preterida pelo noivo Fernando Seixas (Cláudio Marzo) em prol da rica Adelaide Amaral (Fátima Freire) e que, ao enriquecer graças à herança de seu avô fazendeiro, dá um dote maior e compra para si o noivo que a tinha repudiado. Depois de muitos desencontros, Fernando acaba por se convencer de que Aurélia fez o que fez por amor e não apenas por despeito, e eles enfim conseguem viver felizes.
Em seguida veio A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, adaptado por Marcos Rey, de outubro de 1975 a fevereiro de 1976. As transformações sociais e políticas do Rio de Janeiro de meados do século XIX, com as lutas pela abolição da escravatura de um lado e os bailes, saraus e flertes na ilha de Paquetá do outro. É nesse cenário que se desenvolve a história de amor entre os jovens Carolina (Nívea Maria) e Augusto (Mário Cardoso). Para ter meios de criar os 80 capítulos encomendados Marcos Rey incorporou à trama de A Moreninha elementos de outros livros de Macedo como Memórias da Rua do Ouvidor, e transferiu-a a ação de 1844, época do romance, para de 1866 a 1868, tornando possível a menção a fatos históricos como a Guerra do Paraguai. Mais um sucesso do horário, no qual a Rede Globo exibia grande requinte de produção com uma história de época atrás da outra.
No início do século XX, o cotidiano do Rio de Janeiro através da família de Seu Pedro (Alberto Perez), na qual o filho mais velho Fernando (Eduardo Tornaghi) enfrenta o pai e resolve sair de casa para viver seu romance com Suzana (Norma Blum), uma mulher mais velha. Vejo a Lua no Céu, de Sylvan Paezzo, adaptação do conto de Marques Rebelo Três Caminhos, ocupou o horário de fevereiro a junho de 1976 e teve 100 capítulos, vinte a mais que as duas novelas anteriores. Depois, O Feijão e o Sonho, de Orígenes Lessa, em adaptação de Benedito Ruy Barbosa, atravessa décadas contando a vida do casal formado pelo sonhador poeta Juca Campos Lara (Cláudio Cavalcanti) e a racional Maria Rosa (Nívea Maria).
Rubens de Falco e Lucélia Santos em Escrava Isaura.
Em seguida veio um clássico absoluto do horário e da teledramaturgia brasileira, conhecido no mundo inteiro. Em outubro de 1976 estreou A Escrava Isaura, romance de Bernardo Guimarães que chegou à telenovela pelas mãos de Gilberto Braga e lançou a atriz Lucélia Santos no papel-título. As desventuras da pobre escrava branca, filha de uma escrava da fazenda do Comendador Almeida (Gilberto Martinho) com um homem branco, e a perseguição incansável que sofre da parte do filho do comendador, Leôncio (Rubens de Falco), um estroina obcecado por ela que não mede esforços para conquistar seu amor, ainda que para isso imponha-lhe os piores sofrimentos, chegando a dar cabo de Tobias (Roberto Pirillo), por quem Isaura se apaixona. Aliás, Gilberto criou o personagem Tobias e seu romance com Isaura, inexistentes no romance, para poder desenvolver a novela, já que o público não gostaria de acompanhar uma história em que a mocinha não tivesse nenhum envolvimento amoroso e apenas sofresse nas mãos de um algoz impiedoso como no romance, em que o mocinho Álvaro (Edwin Luisi) demora a aparecer. Foram muitas as críticas dos mais puristas, que defendiam uma adaptação fiel à obra.
Escrava Isaura ficou no ar até fevereiro de 1977 e em seu lugar vieram duas adaptações de peças teatrais. A primeira foi À Sombra dos Laranjais, de Viriato Corrêa, adaptada por Benedito Ruy Barbosa. O eixo da história era o romance do famoso jurista Pedro Lemos (Herval Rossano) com Madalena (Aracy Cardoso), noiva que o espera há 28 anos, desde que ele saiu da cidade, para onde ele volta depois de se meter em várias enrascadas por ser um conquistador inveterado. Um circo chega a Laranjais e seus integrantes se envolvem com os moradores da cidade, merecendo destaque aqui o personagem Tomé (Ary Fontoura), irmão de Madalena, homem triste que se transforma ao personificar o palhaço Estopim.
Yara Cortes em Dona Xepa.
Depois foi a vez de outro título marcante do horário: a Dona Xepa de Pedro Bloch, em mais uma adaptação de Gilberto Braga. Xepa (Yara Cortes), apelido da batalhadora Carlota, foi abandonada pelo marido e trabalhando como feirante criou sozinha os dois filhos, Edison (Reynaldo Gonzaga) e Rosália (Nívea Maria). O rapaz a recompensa com seu empenho nos estudos, enquanto a moça renega a origem humilde e quer ascender socialmente. Xepa se vê alvo da vergonha de ambos, depois de todo o sacrifício que teve para educá-los. No lado rico da história a ação é comandada pela família Becker, dona de uma cadeia de revistas, cujos patriarcas são Henrique (Ênio Santos) e Isabel (Ida Gomes). Os filhos do casal, Otávio (Cláudio Cavalcanti) e Heloísa (Fátima Freire), se relacionam com os moradores da vila em que mora Xepa graças às investidas profissionais de Edison e tentativas de ascensão de Rosália. Ainda hoje Dona Xepa é uma das novelas de maior audiência do horário das 18h e alçou Gilberto à faixa nobre, na qual estrearia no ano seguinte com Dancin’ Days.
Para celebrar o centenário de José de Alencar, foi planejada a junção de três de seus romances: Til, O Sertanejo e A Viuvinha. Escrita por Lafayette Galvão, a adaptação chamou-se Sinhazinha Flô (que vem de Flor, protagonista feminina de O Sertanejo) e trazia no papel-título Bete Mendes. A tônica da novela era a transformação sociopolítica brasileira do final do século XIX, com a luta abolicionista aliada à emancipação feminina, por que se empenhavam Flô e suas amigas Chiquinha (Thaís de Andrade) e Clotilde (Heloísa Raso).
Cláudio Cavalcanti e Nívea Maria, verdadeira rainha do horário, em Maria, Maria
Em 1978, Manoel Carlos escreveu sua primeira novela diária. Maria, Maria tinha por base o romance de Lindolfo Rocha Maria Dusá, uma verdadeira redescoberta literária. A história se passa na Bahia do século XIX, região de mineração, e traz um triângulo amoroso formado pelo tropeiro Ricardo Valeriano Brandão (Cláudio Cavalcanti) e duas irmãs gêmeas (interpretadas por Nívea Maria) que desconheciam uma à outra, ambas de nome Maria. Ricardo conhece a humilde Maria Alves no sertão e se apaixona por ela à primeira vista; depois, no Xique-Xique, depara-se com a outra Maria, Maria Dusá, requintada e cheia de admiradores, e sem saber que são gêmeas pensar que ela é a mesma jovem que conhecera tempos antes. Em seguida veio um romance urbano, Gina, de Maria José Dupret, em adaptação de Rubens Ewald Filho com Christiane Torloni no papel-título. A história se desenrola ao longo de duas décadas, de 1956 a 1978, e conta a vida de Gina desde os tempos de colégio, quando morava com o pai Pasquale (Luiz Orioni), a madrasta Julica (Mirian Pires) e a meio-irmã Zelinda (Fátima Freire), até a atualidade em que começa a ser reconhecida como artista plástica e desfruta de uma vida confortável ao lado do marido Fernando (Emiliano Queiroz), um diplomata que conheceu quando estudava nos Estados Unidos, sempre com a presença da falsa amiga Mirtes (Theresa Amayo).
Susana Vieira em A Sucessora.
Em seguida uma viagem à década de 1920, com toda sua etiqueta baseada nos costumes franceses, e a tormenta na vida de uma jovem do interior que se casa com um milionário viúvo e sai da fazenda em que foi criada para ir viver com ele no Rio de Janeiro em sua casa coordenada por uma governanta que a detesta e cultiva a imagem da patroa falecida. Marina (Susana Vieira) era a personagem-título de A Sucessora, romance de Carolina Nabuco adaptado por Manoel Carlos, com Rubens de Falco como seu marido Roberto Stein e Nathália Timberg vivendo Juliana, a criada. Um grande momento do núcleo das 18h, de primorosa reconstituição de época. Logo após veio O Atheneu, de Raul Pompeia, com o nome de Memórias de Amor em adaptação de Wilson Aguiar Filho, então estreando no gênero. O romance dos jovens Jorge (Eduardo Tornaghi) e Lívia (Sandra Bréa) com a oposição de Aristarco Argolo de Ramos (Jardel Filho), o dono do maior colégio interno para rapazes do Rio, o Atheneu. Talvez a escolha tenha sido audaciosa demais, uma vez que o romance tem forte tônica homossexual com base nas relações dos internos do Atheneu e isso não caberia no horário das 18h, talvez mesmo hoje.
“Cabocla, seu olhar está me dizendo/Que você está me querendo/Que você gosta de mim...” Na voz de Nelson Gonçalves, os belos versos de “Mágoas de Caboclo” (Leonel Azevedo/J. Cascata) embalavam a abertura de Cabocla, outro marco do horário e mais um acerto de Benedito Ruy Barbosa. O jovem Luís Jerônimo (Fábio Jr.) descobre que está com tuberculose e vai para o interior do Espírito Santo, na pequena Vila da Mata, para passar uns tempos com o casal de primos Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro) e Emerenciana (Neusa Amaral). Na fazenda ele conhece a caboclinha Zuca (Glória Pires) e os dois se apaixonam, embora ela seja noiva de Tobias (Roberto Bonfim), um dos peões. Grande sucesso, tendo uma nova versão sido produzida em 2004, a novela possui também um forte lado político na rixa entre os dois coronéis, Boanerges e Justino (Gilberto Martinho), cujos filhos Belinha (Simone Carvalho) e Neco (Kadu Moliterno) se apaixonam.
Por essa época a emissora teve problemas com o horário, já que Benedito Ruy Barbosa mudou-se para a Rede Bandeirantes e a novela para substituir Cabocla ainda não estava em condições de estrear, e exibiu um compacto de Escrava Isaura em trinta capítulos entre meados de dezembro e fins de janeiro de 1980, até que estreasse novamente uma novela inédita: Olhai os Lírios do Campo, escrita pelo veterano da Rede Tupi Geraldo Vietri com base no romance de Érico Veríssimo. No sul do país, o amor entre os jovens médicos Eugênio (Cláudio Marzo) e Olívia (Nívea Maria), atrapalhado pela ambição dele e a vergonha que sente de sua origem pobre. Em seguida o horário investiu numa novela moderna, atual, ensolarada, influenciado pelo sucesso do então cartaz das 20h, Água Viva: Marina, adaptação de Wilson Aguiar Filho para o romance Marina, Marina, de Carlos Heitor Cony e Sulema Mendes, trouxe Denise Dummont no papel-título, uma jovem criada numa ilha pelo pai Estêvão (Carlos Zara) e que é obrigada a ir para a cidade grande para prosseguir seus estudos, enfrentando vários preconceitos. A fórmula de sucesso às 20h não funcionou bem às 18h, mas logo após veio outra novela urbana e atual: As Três Marias, do romance de Rachel de Queiroz, que começou escrita por Wilson Rocha, mas em seu decorrer passou a ter Walter Negrão como autor. Maria José (Glória Pires), Maria Augusta (Nádia Lippi) e Maria da Glória (Maitê Proença): três amigas de colégio cujas vidas se entrelaçam mesmo fora dele, quando voltam ao convívio de suas famílias após estudarem na Suíça.
Sílvia Salgado, Eva Wilma, Priscila Camargo e Lucélia Santos em Ciranda de Pedra.
A volta às tramas de época aconteceu na novela seguinte. Teixeira Filho assinou uma adaptação de Ciranda de Pedra, romance de Lygia Fagundes Telles cuja história se passa na década de 1940 e traz como protagonista a jovem Virgínia (Lucélia Santos), em conflito com suas irmãs Otávia (Priscila Camargo) e Bruna (Sílvia Salgado), que foram criadas pelo pai, o jurista Natércio Prado (Adriano Reys), enquanto ela viveu com a mãe Laura (Eva Wilma), que sofre de problemas psiquiátricos, na casa do médico dela, Dr. Daniel (Armando Bogus), seu pai verdadeiro. Um drama muito bem alinhavado com base nas relações entre casais, a partir do desajuste maior que é o casamento falido de Prado e Laura. Em 2008 Alcides Nogueira fez uma nova adaptação do romance de Lygia, mas que não pode ser considerada um remake desta.
Jorge Amado às seis? Parece impossível, mas isso aconteceu entre 1981 e 1982, quando foi exibida Terras do Sem Fim, escrita por Walter George Durst. O autor uniu aqui as tramas de três romances do escritor baiano (Terras do Sem Fim, São Jorge dos Ilhéus e Cacau) e apresentou uma boa história, tendo como base os conflitos entre dois coronéis, o Sinhô Badaró (Carlos Kroeber) e Horácio da Silveira (Jonas Mello), mas realmente algo inadequada para o horário, em que não se podia explorar adequadamente os elementos característicos da obra de Jorge como o coronelismo do interior da Bahia e o apelo erótico de personagens como a prostituta Margot (Maria Cláudia).
Em 1982 foi exibida a última adaptação literária do ciclo: depois de Jorge Amado, quem diria, Nelson Rodrigues teve uma obra escolhida para o horário das 18h. O Homem Proibido, romance que o “anjo pornográfico” assinou como Suzana Flag nos anos 50, chegou à TV pelas mãos de Teixeira Filho, trazendo nos papéis principais David Cardoso como Paulo, o tal do título; Elizabeth Savalla e Lídia Brondi como Sônia e Joyce, as primas que o disputavam; Leonardo Villar e Lilian Lemmertz como Dario e Flávia, pais de Sônia e tios de Joyce. Claro que houve apreensão e a Censura agiu: impediu a estreia da novela, marcada para 28 de fevereiro, e apenas depois de se certificar de que realmente nada de mais havia, permitiu que o primeiro capítulo fosse levado ao ar no dia seguinte.
A substituta de O Homem Proibido foi Paraíso, outra história interiorana bem ao estilo de Benedito Ruy Barbosa, com a qual a Rede Globo pôs fim ao ciclo de inspiração literária imprescindível para as novelas das 18h. Houve outras, como Sinhá-Moça (1986) e Salomé (1991), mas em tempos em que não se considerava necessário que as novelas das seis partissem obrigatoriamente de temas da literatura. Foram sete anos consecutivos em que a procura dos romances escolhidos para adaptação aumentou bastante, motivando relançamentos, altas vendagens e comparações entre as obras literárias e televisivas, popularizando a literatura e proporcionando ao público grandes momentos da teledramaturgia. Uma prova de que televisão e literatura podem perfeitamente andar juntas sem que uma desvalorize ou atrapalhe a outra e uma tendência que poderia ser mais explorada, mesmo que as minisséries tenham tomado um pouco para si essa função posteriormente.
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