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domingo, 23 de março de 2014

3 anos de blog - Eles também passaram por aqui



Ainda como parte da comemoração de aniversário, conheça a postagem mais acessada de cada colaborador que passou pelo blog nesses 3 anos:

por Ana Paula Calixto, em 15/06/2012

por André Araújo, em 26/06/2013

por Antenor Azevedo, em 23/04/2012

por Autran Amorin, em 16/03/2013  

por Bernardo Dugin, em 27/06/2012

por Breno Ribeiro, em 01/05/2013

De cigana à Pombagira - Merimée por Glória Perez
por Brunno Duprat, em 05/10/2011

Minha novela favorita: História de Amor

por Denis Pessoa, em 23/10/2011

Gabriela: um clássico em progresso
por Eduardo Vieira, em 30/11/2011 

por Emerson Felipe, em 03/06/2013

por Fábio Leonardo, em 17/03/2012

O Astro, um verdadeiro novelão
por Glauce Viviana, em 14/08/2011

por Júlio César Martins, em 21/01/2013

por Júlio Damásio, em 08/03/2012

por Júnior Bueno, em 04/08/2011

por Jurandir Dalcin, em 02/08/2013

por Marcelo Ramos, em 08/08/2012

por Mateus Peres, em 01/08/2011


por Paulo Lannes, em 10/10/2012

por Rafael Tupinambá, em 20/01/2012


por Romulo Barros, em 31/03/2012

por Serginho Tavares, em 02/02/2013


por Thiago Ribeiro, em 10/08/2011

Obrigado a todos! 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Glória Perez: Levando milhões de brasileiros pro seu mundo encantado.

Por Patrick Reis

Em sua última novela, exibida há um ano, Glória Perez recebeu duras críticas sobre a saga de Morena (Nanda Costa) e seu "herói" Téo (Rodrigo Lombardi). Salve Jorge teve problemas com a audiência - bem como outras novelas da atualidade -, mas chegou ao fim; uns alegam que foi justamente por seus absurdos que a novela cativou, já tem quem garanta que ela teve seu potencial. A verdade é que como se pode condenar uma autora como Glória por um simples trabalho quando olhamos pra trás e vemos sua enorme bagagem, que inclusive conquistou o Brasil e o mundo. Antes de acompanhar o post, confira o gif biográfico #risos da autora! 



Mas vamos ao que interessa: sua carreira. Glória começou por um apoio do destino, quando o script de um episódio de Malu Mulher que ela havia escrito, foi parar nas mãos de Janete Clair. Esta, que era (e ainda é) considerada sinônimo de sucesso na TV, a convidou para escrever a novela Eu Prometo (1983). Dentro desse processo, a autora escreveu em seguida Partido Alto (1984), sem muito êxito e foi parar na Manchete com a novela Carmem (1987). Porém, ela já havia entregado pra Rede Globo a sinopse de Barriga de Aluguel, que seria aceita somente em 1990. Esta novela foi considerada um grande sucesso pro horário das 18 hs. e é lembrada até hoje por muitos telespectadores.  Porém, em sua novela seguinte, Glória começava a interligar a realidade com uma ficção surreal. De Corpo e Alma (1992), novela das 20 horas, causou um enorme frisson por tantos tabus, como a relação de uma mulher mais velha com um striper. Também teve seu ápice quando se deu a morte da filha da autora, Daniela Perez, assassinada pelo colega de trabalho, Guilherme de Pádua. Porém, se focarmos na trama principal veremos um choque de ficção e verossimilhança. Através de um transplante de coração, um homem sai em busca de sua amada na pessoa cujo coração foi transplantado. E o melhor é que a mulher, que estava com o coração da falecida, se vê apaixonada por aquele homem. A ciência não explica, mas a Glória fabrica! 


Em sua próxima trama ela abordou o mundo virtual, que em 1995 ainda era pura ficção científica. Se hoje o whatsapp, chat de redes sociais, etc. é uma coisa comum, no passado tudo era meio estranho. E quando Glória assinou Explode Coração, ela foi novamente criticada por abordar uma coisa tão "surreal". Nos anos seguintes, Glória Perez criou a minissérie Hilda Furacão (1998), baseada no romance de Roberto Drummond e Pecado Capital (1998), remake de um sucesso de sua mestra, Janete Clair. Em 2001, ela vem a escrever aquele que seria seu maior sucesso. O Clone usou e abusou da ficção escancarada, não ousou em ser uma novela realista! Clonagem de seres humanos, muçulmanos falando português, enfim, tudo ali já era "absurdo", e mesmo assim o público não criticou, mas acabou se jogando de cabeça naquela bela história de amor proibido. A novela conseguiu atingir a maior audiência do horário, desde 1997, com a novela  A Indomada (de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares). Quando se deu a estreia, a emissora ficou meio atordoada. A novela teve início em outubro de 2001, algumas semanas depois dos ataques ao 11 de setembro, por membros da população árabe. Por conta de abordar essa mesma população, muito se comentou a respeito da estreia ousada da novela naquele ano. Outro grande problema que a novela quase enfrentou foi o reality show do SBT, A Casa dos Artistas. Estreando de surpresa, o programa do canal do Sílvio (Santos) cativou um público grande e a catástrofe não foi maior, porque Glória conseguiu prender o público no sofá da Globo e bateu de frente com um dos maiores empecilhos para a Vênus platinada, desde Pantanal (TV Manchete, 1990). Sua próxima trama, América (2005) não trouxe grandes "absurdos dramatúrgicos", mas fez com que Glória sofresse ameaças dos ditos "defensores de animais", por abordar o rodeio. A novela conseguiu uma audiência muito mais do que relevante em seu último capítulo - muitos consideram que tenha sido pelo suposto primeiro beijo gay da TV. Com picos de 70 pontos, América foi um dos seus grandes sucessos. 
Tempos depois, Glória volta à sua temática de sucesso, um país exótico e uma trama de amor proibido. Caminho das Índias (2008) chegou com cara de cópia de O Clone, mas saiu levando nas mãos o maior prêmio da TV mundia: o Emmy Awards. Mas nada disso impediu de que começassem a surgir as típicas críticas de que "se falava português na Índia", de que a Índia retratada não fazia jus ao país nos idos de 2008, etc. E em Salve Jorge, Glória finalizou (até então) sua trilogia de países exóticos, abordando a Turquia. Por conta dos novos tempos, onde ser "crítico" de novela se tornou algo tão banal quanto comer arroz e feijão, a autora recebeu uma bordoada de ofensas e piadas em seu twitter. E  sua novela acabou sendo a chacota nacional em 2012/2012 - mesmo com os absurdos de Amor à Vida. Na realidade eu estou aqui, em meu primeiro post, para dizer que uma mulher de tamanhas qualidades como Glória, com grandes sucessos em sua carreira não pode e nem deve ser achincalhada por conta de algumas falhas em apenas uma novela. A autora, com seus vôos - que não são de hoje, como fiz questão de abordar nesse texto -, levou milhões de brasileiros a voarem junto com ela, a tornar a vida menos árdua e mostrar que a ficção pode ser muitas vezes, mais interessante que a vida real. Que Glória Perez nos presenteie com obras tão boas e cativantes quanto as que ela já nos brindou. Essa é a minha estreia no blog, um noveleiro convicto que tentará extrair o melhor da ficção nacional pra vocês! 

Fonte: Teledramaturgia, Memória Globo. 

sábado, 23 de novembro de 2013

Novela de época... pero no mucho!

                                                                                                                        Por Daniel Pilotto

E mais uma vez temos no ar uma novela de época que não faz muita força para de ser considerada de época.
JÓIA RARA das autoras Thelma Guedes e Duca Rachid é atual trama do horário seis, apresentada ao público com uma embalagem aparentemente situada entre 1934 e 1945 (a segunda fase da história). E digo aparentemente, pois é só ter um olhar um pouco mais atento e minucioso para descobrir diversos equívocos que para os mais puristas no gênero (entre os quais me incluo) soam bastante incômodos.
A trama conta a história de uma criança brasileira que é a reencarnação de um monge budista que vivia num mosteiro no Himalaia, e a aceitação deste fato inusitado em sua família e no meio que a cerca. Até aí, sem problema algum, afinal a capacidade de criação e fantasia dos nossos autores é infindável e este é o propósito da teledramaturgia, inovar e ousar sempre em cima do velho e bom folhetim. Entretanto a questão que quero discutir é o por quê de se fazer uma novela de época sem um comprometimento total com o período retratado?

A trama da novela poderia ser crível e autêntica para quem assiste se a produção, direção ou sabe lá Deus quem, respeitasse o simples fato de que existe algo chamado: ambientação histórica.
Sei que muitos irão dizer que isto é irrelevante. E a emissora por sua vez, nesta sanha voraz de se popularizar a qualquer custo não perde tempo com os detalhes. Afinal, como alcançar classes mais baixas se ficar retratando tudo exatamente como era na época? Eles mesmos já decidiram que uma parcela do público não gosta de tramas de época, e não gosta de ver como era um comportamento específico, uma estética ou uma sociedade tão diferente da qual eles vivem.
Em parte por preguiça do público e comodismo da emissora, temos no ar algo não muito definido e muito incoerente até, por parte de uma emissora que sempre pode se gabar das melhores produções de época da TV brasileira. Capacidade e qualidade sempre existiram. Seja no princípio, nos tempos áureos das novelas de época das seis dos anos 70 e 80 como ESCRAVA ISAURA, O FEIJÃO E O SONHO, MARIA, MARIA, A SUCESSORA, OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO, TERRAS DO SEM FIM, DIREITO DE AMAR, BAMBOLÊ, VIDA NOVA, PACTO DE SANGUE, SALOMÉ e nas mais recentes anos 90 e 2000 com FORÇA DE UM DESEJO, ESPLENDOR, O CRAVO E A ROSA entre outras.

Anteriormente no horário tivemos dois exemplos bem específicos, as novelas CORDEL ENCANTADO (coincidentemente das mesmas autoras) e LADO A LADO da dupla João Ximenes Braga e Claudia Lage. A primeira era um conto de fadas ambientando em algum lugar do começo do século XX, digo algum lugar, pois nada era definido exatamente, existiam diversas influências estéticas na trama e nada era muito preciso. Neste exemplo tudo era perdoável já que a novela era vendida assim, como um cordel, um conto, uma história farsesca e quase teatral que não estava inserida em nenhum contexto. Portanto não podemos estranhar o fato de Jesuíno (Cauã Reymond) usar calças jeans em pleno sertão nordestino.
Já no caso de LADO A LADO, o momento histórico de um Rio de Janeiro da primeira década do século XX era bastante evidente, ali as influências históricas davam o tom e moviam as personagens da trama. Por conta disto era inadmissível ouvir uma personagem bem nascida e educada como a Laura (Marjorie Estiano) chamar a mãe, a Baronesa Constância (Patrícia Pillar) de “você”. Ou então ter atitudes comportamentais muito, mas muito à frente de seu tempo. Mesmo que os autores queiram nos fazer crer que ela era uma precursora.

Em JÓIA RARA as atitudes e as características das personagens não estão tão distantes da época retratada. Neste quesito as autoras até que mantém bem marcado o rigor e a formalidade da década, e com isto compõe os dramas e situações.
Exceto é claro pela caracterização equivocada das personagens criadas por elas. 


Um dos exemplos mais gritantes vem do núcleo do Cabaré da novela. É ali que coristas e bailarinas cometem as maiores incoerências, a começar pelo excesso de cabelos tingidos de “platinum blonde” por metro quadrado. Nos anos 30 este tipo de descoloração do cabelo era moda, influenciada por atrizes do cinema americano como Jean Harlow ou Carole Lombard, entretanto a moda era apenas para as mulheres que tivessem mais posses, afinal de conta era um tratamento caro e não se fazia num salão da esquina. Aliás, aqui no Brasil isto era praticamente inexistente já que estes produtos eram em sua maioria importados e muito complexos de serem manipulados. Então fica a pergunta. Como as coristas que mal tem dinheiro para pagar suas contas na pensão onde moram fazem um tratamento de cabelo tão caro?
E como se não bastasse, na trama outras personagens aparecem com o mesmo tipo de cabelo, ou então como explicar o cabelo de Volpina (Paula Burlamaqui) a lavadeira do cortiço da novela? Ela é russa, dinamarquesa? É a novela com a maior quantidade de loiras (mesmo que tingidas) já feita até hoje. E não, a novela não se passa no Sul do país.


Outra que chegou há pouco na trama e também é um completo equívoco temporal, é a personagem de Mariana Ximenes, Aurora Lincoln. Vedete internacional a moça chegou ao Brasil vinda de Paris, trazendo suas modas e costumes. O que não explicaram muito bem é o por que de em plenos 1945 a personagem tem um visual completamente final dos anos 50? Sim, além do cabelo (nitidamente inspirado em Marilyn Monroe no auge de sua carreira dos anos 50, já que nos 40 Marilyn era ruiva de cabelos compridos), ela também usa roupas que jamais seriam usadas na época, mesmo por uma pessoa que trouxe a moda de fora. Nos anos 40, em nenhum lugar do mundo se usava calça fuseau, simplesmente por que elas não existiam. E ainda mais para sair na rua. Uma mulher? Nem prostituta “das mais rampeira” como diria a Perpétua de TIETA. 


Isto sem falar nos sapatos. Aurora é realmente muito a frente de seu tempo, pois dia destes apareceu usando um modelo destes que vemos hoje nas lojas de sapatos femininos, bem modernos e estranhos.
Aí fica a dúvida, é uma desconexão total da figurinista com a época da trama ou uma liberdade para fazer moda e propaganda de produtos para as consumistas atuais? Numa entrevista recente a figurinista da novela Marie Salles deu a seguinte declaração: "Me senti livre para percorrer diferentes momentos da história. Pego vários elementos. Peguei referências de grandes atrizes do cinema, de Madonna e até de Beyoncé, nos dias de hoje. Não preciso ficar presa no tempo. Eu vou e volto", ela explica.


Agora, por que não fazer uma novela de época exatamente como a época retratada, uma pesquisa exata. E emissora já tinha ambientado uma novela em 1945 e a reconstituição, tanto cenográfica quanto de figurinos e composição era exatíssima. Em VIDA NOVA (1988) estes detalhes eram fundamentais e davam o tom na viagem no tempo do telespectador. A única personagem loura (e não platinum blonde) daquela trama era uma prostituta interpretada por Vera Zimerman, que tinha origens polonesas.

Ainda na parte do Cabaré, temos também um avanço no que se refere aos musicais apresentados no palco. Quando a trama ainda estava na primeira fase, portanto anos 30, a personagem Lola (Letícia Spiller) apareceu cantando “Copacabana”. Nada ruim se não fosse o fato de que esta música foi composta por Barry Manilow no auge da discoteca em 1978.
Agora nos anos 40, é Aurora (novamente) que tem o seu famoso número antecipado no tempo. A personagem interpreta “Fever”, canção que ficou famosíssima na voz da cantora americana Peggy Lee apenas no final dos anos 50 (novamente).
E por falar em trilha sonora, a da novela não fica muito diferente do que é apresentado na história. As músicas escolhidas são uma viagem pelas mais diferentes épocas, menos a que nos remete à trama. Sinto muito quem não gosta de músicas antigas em trilhas de novela, mas sinceramente, como se situar nos anos 40 ouvindo Novo Baianos cantando “A menina Dança” ou então Tim Maia com “Eu Amo Você” ( aliás, pela terceira vez em trilhas)? Canções com um estilo tão anos 70?

Enfim, poderia ficar horas lembrando coisas fora de época nesta novela de época. Ainda mais por que a novela ainda não terminou e muita água vai rolar.
Na contramão disto tudo a surpresa vem da concorrente, Record. Lá Carlos Lombardi leva ao ar seu PECADO MORTAL. A trama ambientada nos anos 70 (mais precisamente em 1977) os detalhes são de um rigor absoluto. Tudo ali nos remete a década, desde os figurinos, cenários e expressões usadas pelos personagens. E antes que me questionem, anos 70 também já é de época.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

... E tudo termina em sequestro

Por Flávio Michelazzo

Não importa qual seja a novela, o horário, o autor. O clichê da criança sequestrada se repete ad nauseam e é gancho de quase todo penúltimo capítulo. Quando não é uma criança, é o protagonista. Céus, os autores não tem outro clímax?


Só nesta década, todas terminaram assim. "Salve Jorge" com Jéssica Vitória - filha de Morena -, "Avenida Brasil" com o trio de protagonistas, em "Fina Estampa" a vítima foi Griselda, em "Insensato Coração", Marina (que aliás, terminou e começou a novela sendo sequestrada, pobre animal!). Da década passada, me vem na mente, agora, "Celebridade", com Laura sequestrando a filha de Maria Clara, Nazaré sequestrando a "neta" em "Senhora do Destino", Bia Falcão sequestrando a bisneta em "Belíssima"... Nem "Cheias de Charme", que foi um turbilhão de inovações e frescor na TV fugiu disso! 


Não entendo por que os autores se valem tanto dessa fórmula. Fica parecendo que a novela teve uma boa (ou não) e eletrizante história para contar, e chega no fim, a vontade de dar o ponto final da maneira mais fácil e rápida fala mais alto. Esses últimos capítulos que citei vieram recheados de outras cenas boas. Não consigo entender qual a necessidade de colocar sempre esse jargão para pular do penúltimo para o último. Fica meu apelo para que isso seja deixado de lado. Existem outros recursos que prendam a atenção do espectador na hora do "Fim" aos montes. O sequestro de hoje é o casório de ontem.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Rei do Torto marcou época

Por André Araújo

Não é uma praxe, mas volta e meia os telespectadores/noveleiros se dão conta de que existe vida fora da Rede Globo. Foi o que aconteceu em 1987 com a novela “CORPO SANTO” [Rede Manchete], de José Louzeiro, que tirou o sono da Vênus Platinada. A mesma coisa aconteceu três anos depois, com “PANTANAL”, do Benedito Ruy Barbosa. A diferença foi que com a história de Juma Marruá (CRISTIANA OLIVEIRA) dominando o Brasil, a emissora do falecido jornalista Roberto Marinho reagiu, e assim todos ganharam, pois era uma novidade atrás da outra e o público saiu satisfeito.
Anos depois, a Rede Record decidiu faturar em cima desse filão e entrou com tudo na briga. Depois do sucesso de “PROVA DE AMOR” e “A ESCRAVA ISAURA”, ambas do ex-global Tiago Santiago, e “ESSAS MULHERES”, do veterano MARCÍLIO MORAES, a emissora do Bispo Edir Macedo produziu uma novela que muito agradou: “VIDAS OPOSTAS”, do mesmo Marcílio Moraes. A trama abordava os dramas de uma comunidade comandada pelo tráfico. E mesmo com uma história forte e recheada de violência, o público não virou as costas e nem mudou de canal. Tudo ali deu tão certo que a novela ganhou o troféu imprensa [2008] de melhor novela, dividindo o prêmio com “PARAÍSO TROPICAL”, do Gilberto Braga.


Começando pelo romance entre o rico Miguel (Léo Rosa) e a doce e pobre Joana (Maytê Piragibe), a novela agradou desde o início.
Quando a novela começou, Miguel era noivo da estilista Erinia (Lavínia Vlasak), mas se envolvia com Joana, ex-namorada de um perigoso traficante, Jeferson (Angelo Paes Leme), que àquela altura, cumpria pena de quatro anos na cadeia.


Apaixonado, Miguel rompia com Erinia para ficar com Joana, mas o inesperado aconteceu: Jeferson saiu da prisão e voltou para a favela, disposto a reconquistar sua ex, que a essa altura já estava caída de amores pelo milionário.


Jeferson voltava ao mundo do crime e queria transformar a amada Joana na rainha da bandidagem, mas ela se recusava, gerando sua ira. E como se não bastasse, Erinia também passou a praticar diversas armações para ter seu noivo de volta, o que quase aconteceu.
Na favela, a comunidade tomou o partido de Joana, e torcia para que ela ficasse com Miguel. Jeferson acaba morto. É quando entra em cena o perigoso Jacson (Heitor Martinez), irmão do falecido que, além de se tornar o novo chefe do tráfico, decide ficar com Joana também, resultando numa guerra. O novo “rei do Torto”, contava com um aliado poderosíssimo: O delegado corrupto Dênis Nogueira (Marcelo Serrado), que o favorecia.


Uma história paralela também chamou atenção: A viúva Ísis (Lucinha Lins), mãe de Miguel, embora fosse rica, linda e chique, vivia sozinha, comandando os negócios que seu falecido deixara. Mas se reencontra com Bóris (Nicola Siri), um italiano dado como morto há muitos anos. Foi ele o grande amor de Ísis na juventude. E é no momento em que a mãe de Miguel está prestes a perder tudo devido a um golpe financeiro de Mário (Cecil Thiré), vice-presidente da empresa, que Bóris surge e salva Ísis da falência, desmascarando o vilão que contava com o apoio do advogado Félix (Roger Gobeth) e de Maria Lúcia (Flávia Monteiro), prima da mãe de Ísis.


Desesperado de paixão, Jacson chega a sequestrar Joana, mas a delegada Carmo (Raquel Nunes) invade o cativeiro e atira no bandido. Jacson morre nos braços da mocinha, numa cena lírica; Erinia, que havia se tornado aliada do delegado Nogueira, acaba matando-o, mas é presa depois da denúncia de sua mãe Cilene (Silvia Bandeira). Mário, Félix e Maria Lúcia são processados.
morte de Jacson
morte de Nogueira
Ísis e Bóris até que se esforçam, mas concluem que não podem ficar juntos, uma vez que o italiano vive fugindo da polícia. A despedida dos dois é emocionante e o beijo que eles trocam, inesquecível.
Joana e Miguel? Nada mais justo que fiquem juntos e felizes, o que de fato acontece.


Com 240 capítulos, por muitas vezes “VIDAS OPOSTAS” bateu a Rede Globo em audiência, o que era praxe às quartas-feiras. A novela foi levada ao ar entre 21 de Novembro de 2006 e 27 de Agosto de 2007. O último capítulo registrou 25 pontos de audiência, um recorde.

Reprisada entre 28 de Março e 11 de Junho de 2012, o sucesso não foi o mesmo, mas chamou atenção e muita gente reviu a  melhor novela que a Rede Record produziu nos últimos sete anos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Novelas Infantis: Um gênero promissor e lucrativo

Por Henrique Domingos de Melo

Quem não parou, ao menos uma vez, para acompanhar as novelas infantis exibidas pelo SBT? Vamos lá, pode confessar, não tem ninguém olhando... Nestes tempos em que o canal entra no horário nobre com a divertida abertura de “Chiquititas”,  ao som de “mexe, mexe, mexe com as mãos/mexe, mexe, mexe com os pés”,  lembranças de um passado assistindo – quase sempre escondido – à versão da década de 90 me vieram à mente. 

Mas embora muitos se sintam constrangidos ao admitir que  gostam ou gostaram deste tipo de atração,  provavelmente já pararam em frente à TV para acompanhar as historinhas cheias de inverossimilhanças, romances inocentes, vilões caricatos e tramas rocambolescas.  O exemplo mais recente disso é o bem sucedido remake do sucesso mexicano Carrossel que, ao longo de seus 310 capítulos, manteve o fôlego e a atenção dos pequenos (e grandes), tornando-se referência no assunto.

Com a direção segura de Reinaldo Boury e o texto criativo de Íris Abravanel, Carrossel tratou com muita leveza de assuntos como discriminação racial e social, bullying e ascensão da classe C. Sem muitas pretensões, poucos esperavam que professora Helena e sua turma fossem agradar tanto a ponto de se tornar um fenômeno.  Dentro e fora da TV, uma vez que dominou as redes sociais até seu último capítulo, marcando presença nos Trending Topics e ultrapassando meio milhão de curtidas em sua página do Facebook. Outro ponto positivo para a novelinha,  foi seu número de vendas de produtos licenciados, que quase fez dela uma “galinha dos ovos de ouro da emissora”. Mas como na fábula, onde os donos matam a ave para conseguir mais rápido o ouro que há em seu interior, o SBT também quis explorá-la além do recomendado e arriscou em uma reprise precipitada. Claro que  não deu certo.


Novelas voltadas a um público-alvo menor ganharam presença na televisão. A Rede Vida, canal religioso,  está reprisando as peripécias do menino Zezé em “Meu pé de laranja lima”, produzido pela Band. O SBT, devido ao sucesso de Carrossel, resolveu investir pesado e abriu um horário específico para o gênero. E até a Globo, que diminuiu consideravelmente o espaço da criançada em sua grade,  está se preparando para estrear “Gaby Estrella”, sobre uma garotinha da cidade que vai morar no campo , em seu canal a cabo Gloob.

O segredo do sucesso talvez seja único. Que todos, crianças e adultos, gostam de sonhar. Ou, como diria uma famosa novelista global, “voar”.  Atualmente existe certa intolerância por parte dos telespectadores, que exigem um nível máximo de verossimilhança  e não perdoam nada que julguem irreal demais. Claro que é mesmo difícil aceitar que, em pleno século XXI, alguém não conheça a existência de um  pen drive ou que uma mulher de quase dois metros de altura consiga sair por aí matando pessoas com na base da seringada.  Mas quando se trata de novela infantil a conversa é outra! Suas histórias conseguem resgatar a essência da infância. Ver as coisas através daquela ótica onírica, onde tudo tem  gosto de faz-de-conta.

E o que é a telenovela brasileira senão um grande faz-de-conta? Muitas vezes sério, crítico, mas que nos leva a viajar em histórias incríveis. Novelas infantis trazem muito disso. Às vezes é gostoso fugir um pouco dos dramas pesados de produções adultas e entrar neste universo paralelo que pode até ser pouco condizente com a realidade, mas exerce atração irresistível. 


Aliás, quem observou mais atentamente deve ter percebido que os alunos da Escola Mundial muitas vezes apresentavam  nuances melhor trabalhadas do que personagens de tramas ditas “maduras”, transmitidas na mesma época. O que se pode concluir: mesmo sendo “infantil” este gênero tem se mostrado competente na construção de boas personalidades. E gerando lucros grandiosos para quem acredita nele. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“Pecado Mortal” estreia quebrando alguns tabus

por José Vitor Rack


Carlos Lombardi estava fora do ar desde 2010, quando participou da equipe do seriado A Vida Alheia, de Miguel Falabella. Sua última telenovela foi Pé Na Jaca, em 2006. Depois de décadas trabalhando na TV Globo. Lombardi foi respirar novos ares na TV Record e estreou nesta quarta-feira sua nova produção.

Pecado Mortal começou provando que alguns tabus de nossa teledramaturgia eram coisas absolutamente sem sentido. Vejamos:

1 – Retratar a década de 1970 é muito difícil por ser um passado recente.

A cenografia e o figurino da novela são excelentes, fiéis à época e vivos, coloridos, iluminados. Os carros, os adereços, tudo é muito 1977.


2 – O Lombardi só sabe fazer novela das sete. Nem todo autor dá certo em qualquer horário.

A novela das dez da Record é a cara de seu autor. Seu humor sarcástico e suas obsessões estão todas ali, sem descaracterizar a pegada adulta que uma novela transmitida mais tarde precisa ter. A TV Globo habituou o público a acompanhar determinado tipo de história em horários muito fixos, segregando e estigmatizando alguns autores como sendo pouco versáteis. Uma simples mudança de autores nas faixas de novelas da emissora poderia fazer um bem enorme tanto ao produto telenovela quanto a estes autores, que teriam novos desafios fresquinhos pela frente.

3 – A Record teria melhores resultados em suas novelas se tivesse um elenco melhor.

Ter estrelas, atores de reconhecida competência e prestígio numa produção é sempre bom. Todo autor gostaria de contar com esse luxo. Mas o essencial em um ator é saber interpretar. Se o ator é talentoso e sabe ler o texto com razoável inteligência, o público acompanhará apaixonadamente. Maytê Piragibe deu um show no prólogo do primeiro capítulo. Não se trata de nenhuma grande estrela. É apenas e tão somente uma boa atriz. E bons atores o elenco da Record tem.


4 – Preocupação com fotografia e estética acaba mais atrapalhando do que ajudando.

Alexandre Avancini está mostrando em Pecado Mortal que conteúdo combina com uma boa embalagem. Na verdade, é um casamento perfeito. O melhor dos mundos.

5 – A Record é conservadora e retrógrada.

Nenhuma novela da TV Globo hoje pode se dizer mais ousada e progressista que Pecado Mortal.

O primeiro capítulo deu picos de 13 pontos no IBOPE. Carlos Lombardi deu apenas o primeiro passo dessa nova fase de sua carreira. Uma fase que pode tirar a Record de uma fase ruim na teledramaturgia. Espero sinceramente que esse passo seja firme e seguro em direção ao que todos nós, escritores e roteiristas, almejamos para nossa profissão: liberdade de criação e qualidade de produção.


O resto o tempo diz.


Dona Xepa, uma nova novela

Por Eduardo Vieira

Existem dois tipos de remakes – aqueles que respeitam o máximo possível o original e outros que passam longe, ou seja, tornam-se outra história.
Esse segundo é o caso da novela de Gustavo Ruiz, Dona Xepa, adaptação livre da peça de Pedro Bloch já levada ao ar como teledramaturgia em 78, em uma brilhante adaptação do autor Gilberto Braga.
Não é à toa que tal trama ainda resista aos dias de hoje, mesmo o núcleo principal – jovem com vergonha da mãe deseja ascensão social a todo custo – esteja em quase todos os folhetins. O plot ainda emociona pela figura redentora da mãe coragem impregnada de honestidade por todos os lados.

No papel imortalizado por Yara Cortes, na TV Globo, houve uma excelente escolha, dando o primeiro papel central a uma atriz sempre muito competente, hoje mais conhecida por ser a mãe de outra ótima atriz, Leandra Leal - Ângela Leal que sempre se destacou na tevê; podemos até comprovar isso com a reprise de Água Viva, em que ela faz a sofrida Sueli.
Para quem se queixa da falta de papéis para mulheres mais velhas, a feirante iletrada e super espontânea que trabalha a vida inteira apenas para ajudar os filhos é um prato cheio. E a atriz arrebenta, seja em cenas cômicas, com seus bordões... “os problema tudo”, “expressoroso” ou em cenas de verdadeira humilhação, com a filha e também com os personagens de Angelina Muniz e Luiza Thomé.

O remake da Record apresenta como núcleo uns 4 personagens iguais à primeira trama, Xepa, Rosália, Edson e a fiel escudeira de Xepa, a agregada Camila. Aliás, quanto a Rosália, não é mais possível comentar esse papel sem notar que ela é projeto de um personagem que já se tornou um arquétipo  teledramatúrgico, Maria de Fátima,  feito  por Glória Pires em Vale Tudo, não por coincidência também de Gilberto Braga.
Aliás, nesse remake vemos que Rosália, feita com perfeição por Thaís Fersoza (e a Globo ainda perde tempo com Mariana Rios!) tem muito mais tintas da personagem de Glória do que a original feita pela atriz Nívea Maria.

Também se sente uma agilidade na costura da novela que lembra de longe outro remake da casa, Betty, a feia, pois as duas giram em torno de uma empresa. No caso da nova D. Xepa, temos uma de produtos alimentícios, a Sabor& Luxo, que vem fundir os núcleos da novela.
Ainda, como na versão original também se tem os núcleos tanto de drama quanto os mais cômicos. Os personagens da fictícia vila paulista do antigo bonde são responsáveis por essa trama, com destaque pra ótima atuação de Manoelita Lustosa, aquela que foi a avó desalmada em Mulheres Apaixonadas, como uma brasileira que diz ser japonesa (talvez uma homenagem a Beatrice Lillle em Positivamente Millie?) e outros menos inspirados como o da mulher fruta para dar um ar de atualização ao remake.

Outra atriz que também não havia dito ao que veio na globo e esteve muito angelical foi Pérola Faria, fazendo a aspirante a estilista, Yasmin.
Assim como Pérola, outros atores jovens deram bastante conta do recado, como os ex-Rebelde Arthur Aguiar, como o filho Edson e Rayana Carvalho, como Lis.


O autor e sua equipe mostraram inteligência em mudar o contexto, já que se sabe que hoje os valores e gostos de pobres e ricos confundem-se e há maior consumo de elementos unicamente considerados de uma classe mais baixa. Isso se percebe quando é industrializada a comida típica da vila, a chamada entulhada da Xepa, dando à personagem uma estabilidade social. Com isso nota-se claramente que o preconceito é mais comportamental do que puramente social como na versão anterior em que o dinheiro era a grande muralha que separava o ambiente da feira da riqueza dos personagens da classe A, classe, aliás, inexistente nessa adaptação.


Claro que os personagens coadjuvantes da versão de 78 eram bem mais consistentes e serviram mais à trama principal. Nesse novo arranjo há também tramas mais interessantes e outras descartáveis. Luiza Thomé destacou-se como a socialite Meg Pantaleão, a atriz esteve muito inspirada como uma espécie de Tereza Cristina do bem com sua Crô, Lidiane Cristina (Ana Zettel), uma governanta atrapalhada que deseja ser um clone da patroa, e como ela, adora tomar uma “champa” e repetindo à exaustão o bordão “adoooooro”.


Também funcionou o triângulo entre Júlio César, Meg e Pérola, personagem de Angelina Muniz às voltas com a procura de um filho roubado na sua juventude. Aliás, tal trama nos ofereceu uma boa solução dramatúrgica: enquanto todos pensavam que este seria um dos mocinhos da história, ele aparece na figura de um dos maiores inimigos dos próprios pais, François, papel de Gabriel Gracindo, mostrando personalidade em um personagem bem dúbio.


Também no remake aparece o estereótipo do político corrupto, que deseja destruir a vila e a feira para construir um grande centro comercial, feito de modo igualmente estereotipado pelo ator Giuseppe Oristânio, o que talvez tenha sido um dos pontos fracos da trama.


Gustavo Reiz ainda ousou em seu remake, matando a sua mocinha, a doce Isabela, feita com muita verdade pela linda e excelente Gabriela Durlo. Sempre é bom recordar que personagens centrais não costumam mais morrer em tramas.


Talvez o fato de ter passado num horário avançado, 23h, tenha afugentado o público-alvo da novela, o que é um fato a se pensar numa emissora que prenuncia uma superprodução e deseja incrementar os caminhos da teledramaturgia.

Mesmo assim, foi um belo exercício de como se fazer um remake sem se ver obrigado a fazer uma cópia, com uma boa atualização e, sobretudo com uma história bem contada.

capítulo de estréia [completo]
último capítulo [completo]
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