Em sua última novela, exibida há um ano, Glória Perez recebeu duras críticas sobre a saga de Morena (Nanda Costa) e seu "herói" Téo (Rodrigo Lombardi). Salve Jorge teve problemas com a audiência - bem como outras novelas da atualidade -, mas chegou ao fim; uns alegam que foi justamente por seus absurdos que a novela cativou, já tem quem garanta que ela teve seu potencial. A verdade é que como se pode condenar uma autora como Glória por um simples trabalho quando olhamos pra trás e vemos sua enorme bagagem, que inclusive conquistou o Brasil e o mundo. Antes de acompanhar o post, confira o gif biográfico #risos da autora!
Mas vamos ao que interessa: sua carreira. Glória começou por um apoio do destino, quando o script de um episódio de Malu Mulher que ela havia escrito, foi parar nas mãos de Janete Clair. Esta, que era (e ainda é) considerada sinônimo de sucesso na TV, a convidou para escrever a novela Eu Prometo (1983). Dentro desse processo, a autora escreveu em seguida Partido Alto (1984), sem muito êxito e foi parar na Manchete com a novela Carmem (1987). Porém, ela já havia entregado pra Rede Globo a sinopse de Barriga de Aluguel, que seria aceita somente em 1990. Esta novela foi considerada um grande sucesso pro horário das 18 hs. e é lembrada até hoje por muitos telespectadores. Porém, em sua novela seguinte, Glória começava a interligar a realidade com uma ficção surreal. De Corpo e Alma (1992), novela das 20 horas, causou um enorme frisson por tantos tabus, como a relação de uma mulher mais velha com um striper. Também teve seu ápice quando se deu a morte da filha da autora, Daniela Perez, assassinada pelo colega de trabalho, Guilherme de Pádua. Porém, se focarmos na trama principal veremos um choque de ficção e verossimilhança. Através de um transplante de coração, um homem sai em busca de sua amada na pessoa cujo coração foi transplantado. E o melhor é que a mulher, que estava com o coração da falecida, se vê apaixonada por aquele homem. A ciência não explica, mas a Glória fabrica!
Em sua próxima trama ela abordou o mundo virtual, que em 1995 ainda era pura ficção científica. Se hoje o whatsapp, chat de redes sociais, etc. é uma coisa comum, no passado tudo era meio estranho. E quando Glória assinou Explode Coração, ela foi novamente criticada por abordar uma coisa tão "surreal". Nos anos seguintes, Glória Perez criou a minissérie Hilda Furacão (1998), baseada no romance de Roberto Drummond e Pecado Capital (1998), remake de um sucesso de sua mestra, Janete Clair. Em 2001, ela vem a escrever aquele que seria seu maior sucesso. O Clone usou e abusou da ficção escancarada, não ousou em ser uma novela realista! Clonagem de seres humanos, muçulmanos falando português, enfim, tudo ali já era "absurdo", e mesmo assim o público não criticou, mas acabou se jogando de cabeça naquela bela história de amor proibido. A novela conseguiu atingir a maior audiência do horário, desde 1997, com a novela A Indomada (de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares). Quando se deu a estreia, a emissora ficou meio atordoada. A novela teve início em outubro de 2001, algumas semanas depois dos ataques ao 11 de setembro, por membros da população árabe. Por conta de abordar essa mesma população, muito se comentou a respeito da estreia ousada da novela naquele ano. Outro grande problema que a novela quase enfrentou foi o reality show do SBT, A Casa dos Artistas. Estreando de surpresa, o programa do canal do Sílvio (Santos) cativou um público grande e a catástrofe não foi maior, porque Glória conseguiu prender o público no sofá da Globo e bateu de frente com um dos maiores empecilhos para a Vênus platinada, desde Pantanal (TV Manchete, 1990). Sua próxima trama, América (2005) não trouxe grandes "absurdos dramatúrgicos", mas fez com que Glória sofresse ameaças dos ditos "defensores de animais", por abordar o rodeio. A novela conseguiu uma audiência muito mais do que relevante em seu último capítulo - muitos consideram que tenha sido pelo suposto primeiro beijo gay da TV. Com picos de 70 pontos, América foi um dos seus grandes sucessos.
Tempos depois, Glória volta à sua temática de sucesso, um país exótico e uma trama de amor proibido. Caminho das Índias (2008) chegou com cara de cópia de O Clone, mas saiu levando nas mãos o maior prêmio da TV mundia: o Emmy Awards. Mas nada disso impediu de que começassem a surgir as típicas críticas de que "se falava português na Índia", de que a Índia retratada não fazia jus ao país nos idos de 2008, etc. E em Salve Jorge, Glória finalizou (até então) sua trilogia de países exóticos, abordando a Turquia. Por conta dos novos tempos, onde ser "crítico" de novela se tornou algo tão banal quanto comer arroz e feijão, a autora recebeu uma bordoada de ofensas e piadas em seu twitter. E sua novela acabou sendo a chacota nacional em 2012/2012 - mesmo com os absurdos de Amor à Vida. Na realidade eu estou aqui, em meu primeiro post, para dizer que uma mulher de tamanhas qualidades como Glória, com grandes sucessos em sua carreira não pode e nem deve ser achincalhada por conta de algumas falhas em apenas uma novela. A autora, com seus vôos - que não são de hoje, como fiz questão de abordar nesse texto -, levou milhões de brasileiros a voarem junto com ela, a tornar a vida menos árdua e mostrar que a ficção pode ser muitas vezes, mais interessante que a vida real. Que Glória Perez nos presenteie com obras tão boas e cativantes quanto as que ela já nos brindou. Essa é a minha estreia no blog, um noveleiro convicto que tentará extrair o melhor da ficção nacional pra vocês!
E mais uma vez temos no ar uma novela de época que não faz
muita força para de ser considerada de época.
JÓIA RARA das autoras Thelma Guedes e Duca Rachid é atual
trama do horário seis, apresentada ao público com uma embalagem aparentemente
situada entre 1934 e 1945 (a segunda fase da história). E digo aparentemente,
pois é só ter um olhar um pouco mais atento e minucioso para descobrir diversos
equívocos que para os mais puristas no gênero (entre os quais me incluo) soam
bastante incômodos.
A trama conta a história de uma criança brasileira que é a
reencarnação de um monge budista que vivia num mosteiro no Himalaia, e a
aceitação deste fato inusitado em sua família e no meio que a cerca. Até aí,
sem problema algum, afinal a capacidade de criação e fantasia dos nossos
autores é infindável e este é o propósito da teledramaturgia, inovar e ousar
sempre em cima do velho e bom folhetim. Entretanto a questão que quero discutir
é o por quê de se fazer uma novela de época sem um comprometimento total com o
período retratado?
A trama da novela poderia ser crível e autêntica para quem
assiste se a produção, direção ou sabe lá Deus quem, respeitasse o simples fato
de que existe algo chamado: ambientação histórica.
Sei que muitos irão dizer que isto é irrelevante. E a emissora
por sua vez, nesta sanha voraz de se popularizar a qualquer custo não perde
tempo com os detalhes. Afinal, como alcançar classes mais baixas se ficar
retratando tudo exatamente como era na época? Eles mesmos já decidiram que uma
parcela do público não gosta de tramas de época, e não gosta de ver como era um
comportamento específico, uma estética ou uma sociedade tão diferente da qual
eles vivem.
Em parte por preguiça do público e comodismo da emissora,
temos no ar algo não muito definido e muito incoerente até, por parte de uma
emissora que sempre pode se gabar das melhores produções de época da TV
brasileira. Capacidade e qualidade sempre existiram. Seja no princípio, nos
tempos áureos das novelas de época das seis dos anos 70 e 80 como ESCRAVA ISAURA,
O FEIJÃO E O SONHO, MARIA, MARIA, A SUCESSORA, OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO, TERRAS
DO SEM FIM, DIREITO DE AMAR, BAMBOLÊ, VIDA NOVA, PACTO DE SANGUE, SALOMÉ e nas
mais recentes anos 90 e 2000 com FORÇA DE UM DESEJO, ESPLENDOR, O CRAVO E A
ROSA entre outras.
Anteriormente no horário tivemos dois exemplos bem
específicos, as novelas CORDEL ENCANTADO (coincidentemente das mesmas autoras)
e LADO A LADO da dupla João Ximenes Braga e Claudia Lage. A primeira era um
conto de fadas ambientando em algum lugar do começo do século XX, digo algum
lugar, pois nada era definido exatamente, existiam diversas influências
estéticas na trama e nada era muito preciso. Neste exemplo tudo era perdoável
já que a novela era vendida assim, como um cordel, um conto, uma história farsesca
e quase teatral que não estava inserida em nenhum contexto. Portanto não
podemos estranhar o fato de Jesuíno (Cauã Reymond) usar calças jeans em pleno
sertão nordestino.
Já no caso de LADO A LADO, o momento histórico de um Rio de
Janeiro da primeira década do século XX era bastante evidente, ali as influências
históricas davam o tom e moviam as personagens da trama. Por conta disto era
inadmissível ouvir uma personagem bem nascida e educada como a Laura (Marjorie
Estiano) chamar a mãe, a Baronesa Constância (Patrícia Pillar) de “você”. Ou
então ter atitudes comportamentais muito, mas muito à frente de seu tempo.
Mesmo que os autores queiram nos fazer crer que ela era uma precursora.
Em JÓIA RARA as atitudes e as características das
personagens não estão tão distantes da época retratada. Neste quesito as
autoras até que mantém bem marcado o rigor e a formalidade da década, e com
isto compõe os dramas e situações.
Exceto é claro pela caracterização equivocada das
personagens criadas por elas.
Um dos exemplos mais gritantes vem do núcleo do Cabaré da
novela. É ali que coristas e bailarinas cometem as maiores incoerências, a
começar pelo excesso de cabelos tingidos de “platinum blonde” por metro
quadrado. Nos anos 30 este tipo de descoloração do cabelo era moda,
influenciada por atrizes do cinema americano como Jean Harlow ou Carole
Lombard, entretanto a moda era apenas para as mulheres que tivessem mais
posses, afinal de conta era um tratamento caro e não se fazia num salão da
esquina. Aliás, aqui no Brasil isto era praticamente inexistente já que estes
produtos eram em sua maioria importados e muito complexos de serem manipulados.
Então fica a pergunta. Como as coristas que mal tem dinheiro para pagar suas
contas na pensão onde moram fazem um tratamento de cabelo tão caro?
E como se não bastasse, na trama outras personagens aparecem
com o mesmo tipo de cabelo, ou então como explicar o cabelo de Volpina (Paula
Burlamaqui) a lavadeira do cortiço da novela? Ela é russa, dinamarquesa? É a
novela com a maior quantidade de loiras (mesmo que tingidas) já feita até hoje.
E não, a novela não se passa no Sul do país.
Outra que chegou há pouco na trama e também é um completo
equívoco temporal, é a personagem de Mariana Ximenes, Aurora Lincoln. Vedete
internacional a moça chegou ao Brasil vinda de Paris, trazendo suas modas e
costumes. O que não explicaram muito bem é o por que de em plenos 1945 a
personagem tem um visual completamente final dos anos 50? Sim, além do cabelo
(nitidamente inspirado em Marilyn Monroe no auge de sua carreira dos anos 50,
já que nos 40 Marilyn era ruiva de cabelos compridos), ela também usa roupas
que jamais seriam usadas na época, mesmo por uma pessoa que trouxe a moda de
fora. Nos anos 40, em nenhum lugar do mundo se usava calça fuseau, simplesmente
por que elas não existiam. E ainda mais para sair na rua. Uma mulher? Nem
prostituta “das mais rampeira” como diria a Perpétua de TIETA.
Isto sem falar nos sapatos. Aurora é realmente muito a
frente de seu tempo, pois dia destes apareceu usando um modelo destes que vemos
hoje nas lojas de sapatos femininos, bem modernos e estranhos.
Aí fica a dúvida, é uma desconexão total da figurinista com
a época da trama ou uma liberdade para fazer moda e propaganda de produtos para
as consumistas atuais? Numa entrevista recente a figurinista da novela Marie
Salles deu a seguinte declaração: "Me senti livre para percorrer
diferentes momentos da história. Pego vários elementos. Peguei referências de
grandes atrizes do cinema, de Madonna e até de Beyoncé, nos dias de
hoje. Não preciso ficar presa no tempo. Eu vou e volto", ela explica.
Agora, por que não fazer uma novela de época exatamente como
a época retratada, uma pesquisa exata. E emissora já tinha ambientado uma
novela em 1945 e a reconstituição, tanto cenográfica quanto de figurinos e
composição era exatíssima. Em VIDA NOVA (1988) estes detalhes eram fundamentais
e davam o tom na viagem no tempo do telespectador. A única personagem loura (e
não platinum blonde) daquela trama era uma prostituta interpretada por Vera
Zimerman, que tinha origens polonesas.
Ainda na parte do Cabaré, temos também um avanço no que se
refere aos musicais apresentados no palco. Quando a trama ainda estava na
primeira fase, portanto anos 30, a personagem Lola (Letícia Spiller) apareceu
cantando “Copacabana”. Nada ruim se não fosse o fato de que esta música foi
composta por Barry Manilow no auge da discoteca em 1978.
Agora nos anos 40, é Aurora (novamente) que tem o seu famoso
número antecipado no tempo. A personagem interpreta “Fever”, canção que ficou
famosíssima na voz da cantora americana Peggy Lee apenas no final dos anos 50
(novamente).
E por falar em trilha sonora, a da novela não fica muito
diferente do que é apresentado na história. As músicas escolhidas são uma
viagem pelas mais diferentes épocas, menos a que nos remete à trama. Sinto
muito quem não gosta de músicas antigas em trilhas de novela, mas sinceramente,
como se situar nos anos 40 ouvindo Novo Baianos cantando “A menina Dança” ou
então Tim Maia com “Eu Amo Você” ( aliás, pela terceira vez em trilhas)?
Canções com um estilo tão anos 70?
Enfim, poderia ficar horas lembrando coisas fora de época nesta
novela de época. Ainda mais por que a novela ainda não terminou e muita água
vai rolar.
Na contramão disto tudo a surpresa vem da concorrente,
Record. Lá Carlos Lombardi leva ao ar seu PECADO MORTAL. A trama ambientada nos
anos 70 (mais precisamente em 1977) os detalhes são de um rigor absoluto. Tudo
ali nos remete a década, desde os figurinos, cenários e expressões usadas pelos
personagens. E antes que me questionem, anos 70 também já é de época.
Não importa qual seja a novela, o horário, o autor. O clichê da criança sequestrada se repete ad nauseam e é gancho de quase todo penúltimo capítulo. Quando não é uma criança, é o protagonista. Céus, os autores não tem outro clímax?
Só nesta década, todas terminaram assim. "Salve Jorge" com Jéssica Vitória - filha de Morena -, "Avenida Brasil" com o trio de protagonistas, em "Fina Estampa" a vítima foi Griselda, em "Insensato Coração", Marina (que aliás, terminou e começou a novela sendo sequestrada, pobre animal!). Da década passada, me vem na mente, agora, "Celebridade", com Laura sequestrando a filha de Maria Clara, Nazaré sequestrando a "neta" em "Senhora do Destino", Bia Falcão sequestrando a bisneta em "Belíssima"... Nem "Cheias de Charme", que foi um turbilhão de inovações e frescor na TV fugiu disso!
Não entendo por que os autores se valem tanto dessa fórmula. Fica parecendo que a novela teve uma boa (ou não) e eletrizante história para contar, e chega no fim, a vontade de dar o ponto final da maneira mais fácil e rápida fala mais alto. Esses últimos capítulos que citei vieram recheados de outras cenas boas. Não consigo entender qual a necessidade de colocar sempre esse jargão para pular do penúltimo para o último. Fica meu apelo para que isso seja deixado de lado. Existem outros recursos que prendam a atenção do espectador na hora do "Fim" aos montes. O sequestro de hoje é o casório de ontem.
Não
é uma praxe, mas volta e meia os telespectadores/noveleiros se dão conta de que
existe vida fora da Rede Globo. Foi o que aconteceu em 1987 com a novela “CORPO
SANTO” [Rede Manchete], de José Louzeiro, que tirou o sono da Vênus Platinada.
A mesma coisa aconteceu três anos depois, com “PANTANAL”, do Benedito Ruy
Barbosa. A diferença foi que com a história de Juma Marruá (CRISTIANA OLIVEIRA)
dominando o Brasil, a emissora do falecido jornalista Roberto Marinho reagiu, e
assim todos ganharam, pois era uma novidade atrás da outra e o público saiu
satisfeito.
Anos
depois, a Rede Record decidiu faturar em cima desse filão e entrou com tudo na
briga. Depois do sucesso de “PROVA DE AMOR” e “A ESCRAVA ISAURA”, ambas do
ex-global Tiago Santiago, e “ESSAS MULHERES”, do veterano MARCÍLIO MORAES, a
emissora do Bispo Edir Macedo produziu uma novela que muito agradou: “VIDAS
OPOSTAS”, do mesmo Marcílio Moraes. A trama abordava os dramas de uma
comunidade comandada pelo tráfico. E mesmo com uma história forte e recheada de
violência, o público não virou as costas e nem mudou de canal. Tudo ali deu tão
certo que a novela ganhou o troféu imprensa [2008] de melhor novela, dividindo
o prêmio com “PARAÍSO TROPICAL”, do Gilberto Braga.
Começando
pelo romance entre o rico Miguel (Léo Rosa) e a doce e pobre Joana (Maytê
Piragibe), a novela agradou desde o início.
Quando
a novela começou, Miguel era noivo da estilista Erinia (Lavínia Vlasak), mas se
envolvia com Joana, ex-namorada de um perigoso traficante, Jeferson (Angelo
Paes Leme), que àquela altura, cumpria pena de quatro anos na cadeia.
Apaixonado,
Miguel rompia com Erinia para ficar com Joana, mas o inesperado aconteceu:
Jeferson saiu da prisão e voltou para a favela, disposto a reconquistar sua ex,
que a essa altura já estava caída de amores pelo milionário.
Jeferson
voltava ao mundo do crime e queria transformar a amada Joana na rainha da
bandidagem, mas ela se recusava, gerando sua ira. E como se não bastasse, Erinia
também passou a praticar diversas armações para ter seu noivo de volta, o que
quase aconteceu.
Na
favela, a comunidade tomou o partido de Joana, e torcia para que ela ficasse
com Miguel. Jeferson acaba morto. É quando entra em cena o perigoso Jacson
(Heitor Martinez), irmão do falecido que, além de se tornar o novo chefe do
tráfico, decide ficar com Joana também, resultando numa guerra. O novo “rei do
Torto”, contava com um aliado poderosíssimo: O delegado corrupto Dênis Nogueira
(Marcelo Serrado), que o favorecia.
Uma
história paralela também chamou atenção: A viúva Ísis (Lucinha Lins), mãe de
Miguel, embora fosse rica, linda e chique, vivia sozinha, comandando os
negócios que seu falecido deixara. Mas se reencontra com Bóris (Nicola Siri), um
italiano dado como morto há muitos anos. Foi ele o grande amor de Ísis na
juventude. E é no momento em que a mãe de Miguel está prestes a perder tudo
devido a um golpe financeiro de Mário (Cecil Thiré), vice-presidente da
empresa, que Bóris surge e salva Ísis da falência, desmascarando o vilão que
contava com o apoio do advogado Félix (Roger Gobeth) e de Maria Lúcia (Flávia
Monteiro), prima da mãe de Ísis.
Desesperado
de paixão, Jacson chega a sequestrar Joana, mas a delegada Carmo (Raquel Nunes)
invade o cativeiro e atira no bandido. Jacson morre nos braços da mocinha, numa
cena lírica; Erinia, que havia se tornado aliada do delegado Nogueira, acaba
matando-o, mas é presa depois da denúncia de sua mãe Cilene (Silvia Bandeira). Mário,
Félix e Maria Lúcia são processados.
morte de Jacson
morte de Nogueira
Ísis
e Bóris até que se esforçam, mas concluem que não podem ficar juntos, uma vez
que o italiano vive fugindo da polícia. A despedida dos dois é emocionante e o
beijo que eles trocam, inesquecível.
Joana
e Miguel? Nada mais justo que fiquem juntos e felizes, o que de fato acontece.
Com
240 capítulos, por muitas vezes “VIDAS OPOSTAS” bateu a Rede Globo em
audiência, o que era praxe às quartas-feiras. A novela foi levada ao ar entre
21 de Novembro de 2006 e 27 de Agosto de 2007. O último capítulo registrou 25
pontos de audiência, um recorde.
Reprisada
entre 28 de Março e 11 de Junho de 2012, o sucesso não foi o mesmo, mas chamou atenção
e muita gente reviu a melhor novela que
a Rede Record produziu nos últimos sete anos.
Quem não parou, ao menos uma vez, para acompanhar as novelas infantis exibidas pelo SBT? Vamos lá, pode confessar, não tem ninguém olhando... Nestes tempos em que o canal entra no horário nobre com a divertida abertura de “Chiquititas”, ao som de “mexe, mexe, mexe com as mãos/mexe, mexe, mexe com os pés”, lembranças de um passado assistindo – quase sempre escondido – à versão da década de 90 me vieram à mente. Mas embora muitos se sintam constrangidos ao admitir que gostam ou gostaram deste tipo de atração, provavelmente já pararam em frente à TV para
acompanhar as historinhas cheias de inverossimilhanças, romances inocentes,
vilões caricatos e tramas rocambolescas. O exemplo mais recente disso é o bem sucedido
remake do sucesso mexicano Carrossel que, ao longo de seus 310 capítulos, manteve o fôlego e a
atenção dos pequenos (e grandes), tornando-se referência no assunto.
Com a direção segura de Reinaldo Boury e o texto criativo de
Íris Abravanel, Carrossel tratou com muita leveza de assuntos como
discriminação racial e social, bullying e ascensão da classe C. Sem muitas
pretensões, poucos esperavam que professora Helena e sua turma fossem agradar
tanto a ponto de se tornar um fenômeno. Dentro e fora da TV, uma vez que dominou as
redes sociais até seu último capítulo, marcando presença nos Trending Topics e
ultrapassando meio milhão de curtidas em sua página do Facebook. Outro ponto
positivo para a novelinha, foi seu número
de vendas de produtos licenciados, que quase fez dela uma “galinha dos ovos de
ouro da emissora”. Mas como na fábula, onde os donos matam a ave para conseguir
mais rápido o ouro que há em seu interior, o SBT também quis explorá-la além do recomendado e arriscou em uma reprise precipitada. Claro que não deu certo.
Novelas voltadas a um público-alvo menor ganharam presença
na televisão. A Rede Vida, canal religioso,
está reprisando as peripécias do menino Zezé em “Meu pé de laranja lima”, produzido pela Band. O SBT, devido ao sucesso de Carrossel, resolveu investir pesado e
abriu um horário específico para o gênero. E até a Globo, que diminuiu
consideravelmente o espaço da criançada em sua grade, está se preparando para estrear “Gaby
Estrella”, sobre uma garotinha da cidade que vai morar no campo , em seu canal a cabo Gloob.
O segredo do sucesso talvez seja único. Que todos, crianças
e adultos, gostam de sonhar. Ou, como diria uma famosa novelista global,
“voar”. Atualmente existe certa
intolerância por parte dos telespectadores, que exigem um nível máximo de
verossimilhança e não perdoam nada que
julguem irreal demais. Claro que é mesmo difícil aceitar que, em pleno século
XXI, alguém não conheça a existência de um pen drive ou que uma mulher de quase dois
metros de altura consiga sair por aí matando pessoas com na base da seringada. Mas quando se trata de novela
infantil a conversa é outra! Suas histórias conseguem resgatar a essência da
infância. Ver as coisas através daquela ótica onírica, onde tudo tem gosto de faz-de-conta.
E o
que é a telenovela brasileira senão um grande faz-de-conta? Muitas vezes sério,
crítico, mas que nos leva a viajar em histórias incríveis. Novelas infantis
trazem muito disso. Às vezes é gostoso fugir um pouco dos dramas pesados de
produções adultas e entrar neste universo paralelo que pode até ser pouco
condizente com a realidade, mas exerce atração irresistível.
Aliás, quem observou mais atentamente deve ter percebido que os
alunos da Escola Mundial muitas vezes apresentavam nuances melhor trabalhadas do que personagens
de tramas ditas “maduras”, transmitidas na mesma época. O que se pode concluir: mesmo sendo “infantil” este gênero tem se mostrado competente na
construção de boas personalidades. E gerando lucros grandiosos para quem acredita
nele.
Carlos
Lombardi estava fora do ar desde 2010, quando participou da equipe do seriado A
Vida Alheia, de Miguel Falabella. Sua última telenovela foi Pé Na Jaca, em
2006. Depois de décadas trabalhando na TV Globo. Lombardi foi respirar novos
ares na TV Record e estreou nesta quarta-feira sua nova produção.
Pecado Mortal
começou provando que alguns tabus de nossa teledramaturgia eram coisas
absolutamente sem sentido. Vejamos:
1 – Retratar a
década de 1970 é muito difícil por ser um passado recente.
A cenografia e
o figurino da novela são excelentes, fiéis à época e vivos, coloridos,
iluminados. Os carros, os adereços, tudo é muito 1977.
2 – O Lombardi
só sabe fazer novela das sete. Nem todo autor dá certo em qualquer horário.
A novela das
dez da Record é a cara de seu autor. Seu humor sarcástico e suas obsessões
estão todas ali, sem descaracterizar a pegada adulta que uma novela transmitida
mais tarde precisa ter. A TV Globo habituou o público a acompanhar determinado
tipo de história em horários muito fixos, segregando e estigmatizando alguns
autores como sendo pouco versáteis. Uma simples mudança de autores nas faixas
de novelas da emissora poderia fazer um bem enorme tanto ao produto telenovela
quanto a estes autores, que teriam novos desafios fresquinhos pela frente.
3 – A Record
teria melhores resultados em suas novelas se tivesse um elenco melhor.
Ter estrelas,
atores de reconhecida competência e prestígio numa produção é sempre bom. Todo autor
gostaria de contar com esse luxo. Mas o essencial em um ator é saber
interpretar. Se o ator é talentoso e sabe ler o texto com razoável inteligência,
o público acompanhará apaixonadamente. Maytê Piragibe deu um show no prólogo do
primeiro capítulo. Não se trata de nenhuma grande estrela. É apenas e tão
somente uma boa atriz. E bons atores o elenco da Record tem.
4 –
Preocupação com fotografia e estética acaba mais atrapalhando do que ajudando.
Alexandre
Avancini está mostrando em Pecado Mortal que conteúdo combina com uma boa
embalagem. Na verdade, é um casamento perfeito. O melhor dos mundos.
5 – A Record é
conservadora e retrógrada.
Nenhuma novela
da TV Globo hoje pode se dizer mais ousada e progressista que Pecado Mortal.
O primeiro capítulo deu picos de 13 pontos no IBOPE. Carlos
Lombardi deu apenas o primeiro passo dessa nova fase de sua carreira. Uma fase
que pode tirar a Record de uma fase ruim na teledramaturgia. Espero
sinceramente que esse passo seja firme e seguro em direção ao que todos nós,
escritores e roteiristas, almejamos para nossa profissão: liberdade de criação
e qualidade de produção.
Existem
dois tipos de remakes – aqueles que respeitam o máximo possível o original e
outros que passam longe, ou seja, tornam-se outra história.
Esse
segundo é o caso da novela de Gustavo Ruiz, Dona Xepa, adaptação livre da peça
de Pedro Bloch já levada ao ar como teledramaturgia em 78, em uma brilhante
adaptação do autor Gilberto Braga.
Não
é à toa que tal trama ainda resista aos dias de hoje, mesmo o núcleo principal
– jovem com vergonha da mãe deseja ascensão social a todo custo – esteja em
quase todos os folhetins. O plot ainda emociona pela figura redentora da mãe
coragem impregnada de honestidade por todos os lados.
No
papel imortalizado por Yara Cortes, na TV Globo, houve uma excelente escolha,
dando o primeiro papel central a uma atriz sempre muito competente, hoje mais
conhecida por ser a mãe de outra ótima atriz, Leandra Leal - Ângela Leal que
sempre se destacou na tevê; podemos até comprovar isso com a reprise de Água
Viva, em que ela faz a sofrida Sueli.
Para
quem se queixa da falta de papéis para mulheres mais velhas, a feirante
iletrada e super espontânea que trabalha a vida inteira apenas para ajudar os
filhos é um prato cheio. E a atriz arrebenta, seja em cenas cômicas, com seus
bordões... “os problema tudo”, “expressoroso” ou em cenas de verdadeira
humilhação, com a filha e também com os personagens de Angelina Muniz e Luiza
Thomé.
O
remake da Record apresenta como núcleo uns 4 personagens iguais à primeira
trama, Xepa, Rosália, Edson e a fiel escudeira de Xepa, a agregada Camila.
Aliás, quanto a Rosália, não é mais possível comentar esse papel sem notar que
ela é projeto de um personagem que já se tornou um arquétipo teledramatúrgico, Maria de Fátima, feito
por Glória Pires em Vale Tudo, não por coincidência também de Gilberto
Braga.
Aliás,
nesse remake vemos que Rosália, feita com perfeição por Thaís Fersoza (e a
Globo ainda perde tempo com Mariana Rios!) tem muito mais tintas da personagem
de Glória do que a original feita pela atriz Nívea Maria.
Também
se sente uma agilidade na costura da novela que lembra de longe outro remake da
casa, Betty, a feia, pois as duas giram em torno de uma empresa. No caso da
nova D. Xepa, temos uma de produtos alimentícios, a Sabor& Luxo, que vem
fundir os núcleos da novela.
Ainda,
como na versão original também se tem os núcleos tanto de drama quanto os mais
cômicos. Os personagens da fictícia vila paulista do antigo bonde são
responsáveis por essa trama, com destaque pra ótima atuação de Manoelita
Lustosa, aquela que foi a avó desalmada em Mulheres Apaixonadas, como uma
brasileira que diz ser japonesa (talvez uma homenagem a Beatrice Lillle em
Positivamente Millie?) e outros menos inspirados como o da mulher fruta para
dar um ar de atualização ao remake.
Outra
atriz que também não havia dito ao que veio na globo e esteve muito angelical
foi Pérola Faria, fazendo a aspirante a estilista, Yasmin.
Assim
como Pérola, outros atores jovens deram bastante conta do recado, como os ex-Rebelde
Arthur Aguiar, como o filho Edson e Rayana Carvalho, como Lis.
O
autor e sua equipe mostraram inteligência em mudar o contexto, já que se sabe
que hoje os valores e gostos de pobres e ricos confundem-se e há maior consumo
de elementos unicamente considerados de uma classe mais baixa. Isso se percebe
quando é industrializada a comida típica da vila, a chamada entulhada da Xepa,
dando à personagem uma estabilidade social. Com isso nota-se claramente que o
preconceito é mais comportamental do que puramente social como na versão
anterior em que o dinheiro era a grande muralha que separava o ambiente da
feira da riqueza dos personagens da classe A, classe, aliás, inexistente nessa
adaptação.
Claro
que os personagens coadjuvantes da versão de 78 eram bem mais consistentes e
serviram mais à trama principal. Nesse novo arranjo há também tramas mais
interessantes e outras descartáveis. Luiza Thomé destacou-se como a socialite
Meg Pantaleão, a atriz esteve muito inspirada como uma espécie de Tereza
Cristina do bem com sua Crô, Lidiane Cristina (Ana Zettel), uma governanta atrapalhada que
deseja ser um clone da patroa, e como ela, adora tomar uma “champa” e repetindo
à exaustão o bordão “adoooooro”.
Também
funcionou o triângulo entre Júlio César, Meg e Pérola, personagem de Angelina
Muniz às voltas com a procura de um filho roubado na sua juventude. Aliás, tal
trama nos ofereceu uma boa solução dramatúrgica: enquanto todos pensavam que
este seria um dos mocinhos da história, ele aparece na figura de um dos maiores
inimigos dos próprios pais, François, papel de Gabriel Gracindo, mostrando
personalidade em um personagem bem dúbio.
Também
no remake aparece o estereótipo do político corrupto, que deseja destruir a
vila e a feira para construir um grande centro comercial, feito de modo
igualmente estereotipado pelo ator Giuseppe Oristânio, o que talvez tenha sido
um dos pontos fracos da trama.
Gustavo
Reiz ainda ousou em seu remake, matando a sua mocinha, a doce Isabela, feita
com muita verdade pela linda e excelente Gabriela Durlo. Sempre é bom recordar
que personagens centrais não costumam mais morrer em tramas.
Talvez
o fato de ter passado num horário avançado, 23h, tenha afugentado o
público-alvo da novela, o que é um fato a se pensar numa emissora que prenuncia
uma superprodução e deseja incrementar os caminhos da teledramaturgia.
Mesmo
assim, foi um belo exercício de como se fazer um remake sem se ver obrigado a
fazer uma cópia, com uma boa atualização e, sobretudo com uma história bem
contada.