No ar em Além do Tempo, a experiente Ana Beatriz Nogueira
dá vida (novamente) a uma vilã. Sua Emília Beraldini é amarga, vingativa e
carrega as dolorosas marcas de ter sido abandonada pela mãe, Vitória Ventura,
ainda criança. Uma personagem tão profunda e cheia de nuances, brilhantemente
defendida pela atriz que sabe como ninguém interpretar megeras deste gênero.
O olhar altivo, quase duro, a voz rouca e a sofisticação
de Ana lhe conferem um ar antagônico, mesmo quando interpreta personagens “do
bem”. Não é de hoje que essa dama da TV provoca a ira do público com as
maldades de suas vilãs. Como forma de homenagem, e congratulação, ao trabalho
primoroso da atriz no atual folhetim das 18h global, vale a pena relembrar
outras vezes em que ela aterrorizou na pele do mal.
Ana Paula Dinis Moutinho – Celebridade
Apesar de não ser a antagonista da história, Ana Paula
era uma oponente de peso. Não teve a mesma sorte que a irmã Maria Clara Diniz,
objeto de seu ódio, ambição e inveja. Por isso, aliou-se a pérfida Laura
Prudente para poder destruir Maria Clara. Foi a primeira malvadona da longa
lista de Ana Beatriz e foi tão bem recepcionada pelo público, que rendeu outros
tantos personagens do mesmo naipe.
Leocádia – Essas Mulheres
Na adaptação livre das obras de José de Alencar para a
telenovela Essas Mulheres, da Record, Ana viveu Leocádia, uma matriarca nada
gentil. Empenhada em perseguir a filha Mila, todas as vezes que Leocádia
entrava em cena a nossa vontade era espancar a tela da TV!
Lili Sampaio – Bicho do Mato
Durante quase toda a exibição da novela, todos julgavam
que a personagem Lili Sampaio de Bicho do Mato fosse do bem. Aliás, a
jornalista vivida por Ana nesta novela revelava um grande lado cômico,
surpreendendo a todos no desfecho da história quando foi revelado que ela era
uma das aliadas do vilão Ramalho e a responsável pelo assassinato do mesmo.
Frau Herta – Ciranda de Pedra
A primeira grande vilã de Ana Beatriz Nogueira, Frau
Herta foi responsável por muitas maldades nesta readaptação para a TV da obra
Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Teles. Uma governanta fria, ardilosa e
calculista, que engendrava planos diabólicos ao lado do patrão Natércio, vivido
por Daniel Dantas. Em uma atuação impecável, a atriz não deixou a dever em nada
para o também primoroso trabalho de Norma Blumm na versão de 1981.
Eva – A vida da gente
Outra antagonista de peso de Ana e talvez o melhor
momento da atriz na telinha global. Eva era uma mãe manipuladora, que não
escondia de ninguém a predileção pela filha Ana e o desprezo por Manuela, a
quem destratava constantemente. Por ser um texto mais realista, Eva não era uma
personagem muito maniqueísta e de grandes vilanias, porém não menos detestável.
A título de comparação, lembrava (de longe) a Branca Letícia de Por Amor
remoçada e mais humana. Rendeu ótimos momentos, como os em que discutia com a
mãe Iná ou com a neta Júlia.
O fato é: seja como heroína ou como nêmesis, Ana Beatriz
Nogueira sempre dá um show! Todos esperamos que em Além do Tempo, Emília perdoe
Vitória e se torne uma mulher melhor graças ao amor de Bernando, rumando para o
final feliz. Enquanto isso não acontece, vamos acompanha-la por muito tempo
empenhada em se vingar da mãe.
Ao lado de outras divas como Fernanda Montenegro, Joanna
Fomm, Cláudia Raia, Adriana Esteves, Eva Wilma, Elizabeth Savalla, Marília Pêra,
Drica Moraes e tantas outras famosas por suas vilãs, Ana já faz presença com
seu talento inquestionável.
Bang Bang chegou ao horário das 19h em 2005 com a proposta de inovar. Passada no Velho Oeste no século 19, a trama, no entanto, derrubou a audiência e entrou para a história como um dos maiores fiascos da Globo. Por que isso aconteceu?
Foram vários fatores. Mário Prata estava há muitos anos fora das novelas - seus trabalhos mais recentes eram ter assumido O Campeão na Band no lugar de Ricardo Linhares em 1996 e ter co-escrito Helena na Manchete, em 1987. Nesse período muita coisa mudou na linguagem dos folhetins, que se tornaram mais ágeis. Sua escrita não acompanhou isso e o que se via na tela não conquistou o telespectador, tamanha a morosidade. Meio capítulo parecia 5! Tudo muito arrastado.
A ideia de colocar elementos modernos sendo usados naquele ambiente de época, como celulares e outros meios de comunicação que surgiriam muito depois, também não foi assimilada. Soava bobo, provocando riso de segundos. Os nomes dos personagens, americanizados, eram de difícil memorização para o público de novelas, e as homenagens aos Beatles através de alguns nomes não eram associadas.
Fernanda Lima foi muito criticada como a protagonista Diana, mas a culpa do fracasso está longe de ser dela. Para sua primeira novela, a apresentadora/atriz deu conta do recado, só tendo dificuldade nas cenas de choro. Mais tarde ela mostraria seu talento como protagonista Maria de Pé na Jaca.
O autor pediu afastamento e Bang Bang ficou perdida. Carlos Lombardi foi chamado para supervisionar o texto e tentar salva-la, mas era tarde demais. A trama ganhou um pouco de ritmo e situações inusitadas, mas não haveria quem fizesse os que não gostaram superar o trauma e voltar a assisti-la. O público já tinha migrado para Prova de Amor, que passava no mesmo horário na Record e garantia altos índices para a emissora.
Com a audiência em baixa, o jeito foi diminuir a duração dos capítulos, que passaram a começar às 19h40. A novela tinha apenas duas coisas boas: cenografia e figurino. A vinda de Lombardi fez com que perdesse uma delas, o figurino: personagens passaram a aparecer sem camisa jogando futebol ou com bem menos roupa. Se "Alma Gêmea", às 18h, chegava a ultrapassar 40 pontos, esse índice despencava na faixa seguinte, cuja média geral foi de 27,6. Hoje o número parece normal, mas há 8 anos era um fiasco! Cobras e Lagartos, que a sucedeu, fechou com 38.
Evandro Mesquita vestido de mulher
Evandro Mesquita e Kadu Moliterno se vestiam de mulher, mas não tinham graça. Paulo Miklos e Luiz Melodia chegaram a atuar, mas seus personagens foram sumindo no decorrer da trama. Rodrigo Lombardi, como o mágico Zoltar e Ricardo Tozzi, na pele do DR. Harold, estreavam em novelas da Globo. Já a trilha sonora mesclava nacional e internacional em um mesmo CD.
A ideia foi apresentada à Manchete em 1986, mas não vingou. Com a estrutura Global, tinha tudo para ser um sucesso, se tivesse trilhado outros caminhos - talvez uma minissérie de três meses fosse perfeita para mostrar o Velho Oeste com agilidade. No formato novela, não funcionou, uma pena. Ainda bem que mesmo assim o horário continuou permitindo que outros autores experimentassem, o que na maioria das vezes também não deu certo.
Se
estivesse no ar, a extinta Rede Manchete teria completado três décadas de
atividade no dia 5 de junho. Marcou a história da televisão brasileira por suas
investidas ousadas nos setores da teledramaturgia e do jornalismo, programas
infantis de qualidade, musicais nacionais e internacionais, programação de bons
filmes e séries e em especial pela alternativa de qualidade que simbolizava
ante à hegemonia da Rede Globo, à grade assumidamente popularesca do SBT e ao
esporte constante da Rede Bandeirantes.
A
história da Rede Manchete de Televisão remonta não a 1983, mas a dois anos
antes, 1981, quando o governo abriu concessão para redistribuir os canais da
recém-extinta Rede Tupi e também outros dois que na ocasião já estavam inativos
havia mais de dez anos: o canal 9 paulista (TV Excelsior) e o canal 9 carioca
(TV Continental). Eram ao todo sete emissoras das Associadas mais as duas
supracitadas; nove canais, divididos em duas redes. O governo tinha por
objetivo criar não uma, mas duas novas redes que simbolizariam nova
concorrência à hegemonia global mais do que instaurada e afirmada dia a dia
pelos altos índices de audiência alcançados por seus programas.
Finalizado
o processo, que teve como partes interessadas o Grupo Abril, Henry Maksoud e o
Jornal do Brasil, entre outros, decidiu-se que cinco emissoras ficariam com as
Edições Bloch e as outras quatro seriam do Grupo Silvio Santos. Assim, deu-se
início ao SBT (que na ocasião já contava com o canal 11 do Rio de Janeiro) e à
Rede Manchete. Enquanto Silvio Santos inaugurou seus novos canais em agosto do
mesmo ano (1981), a Manchete ainda levaria quase para iniciar suas atividades
quase o prazo limite para que as concessões não fossem perdidas (dois anos).
Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete.
A
emissora entrou no ar de forma oficial em 5 de junho de 1983, às 19 horas.
Seria em 29 de maio, mas optou-se por adiar em uma semana a entrada da emissora
no ar para que todos os equipamentos fossem checados e funcionassem sem
problemas. Após o top de oito segundos, um erro durante o discurso de Adolpho
Bloch fez com que entrasse no ar o primeiro comercial da Manchete (que foi do
óleo para automóveis Lubrax-4, da Petrobras), voltando em seguida a imagem do
dono das Empresas Bloch, que enfim pôde fazer seu discurso de inauguração,
breve e amistoso para com as demais emissoras de televisão em operação no
Brasil.
O
primeiro programa da Rede Manchete chamou-se Mundo Mágico, mescla de números
musicais ao vivo com outros pré-gravados e um apanhado jornalístico do que
compunha o conglomerado Bloch. Entre outros artistas, apresentaram-se no
programa Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Elba Ramalho, Alceu Valença, Astor
Piazzola, a dupla Kleiton e Kledir, a banda Blitz e o pianista Arthur Moreira
Lima. Por volta das 22 horas entrou no ar o primeiro filme pela emissora: Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de
Steven Spielberg, protagonizado por Richard Dreyfuss. A Manchete chegou ao
primeiro lugar de audiência e os acordes iniciais do tema do filme foram por
algum tempo uma espécie de “plim plim” da emissora. Terminado o filme, mais ou
menos à uma da madrugada da segunda-feira, 6 de junho, a Manchete encerrou suas
transmissões inaugurais.
Um dos muitos logotipos que o Jornal da Manchete teve.
Na
segunda a programação entrou no ar às 17 horas com o Clube da Criança, infantil
apresentado pela modelo e atriz Xuxa Meneghel, com brincadeiras no palco e
desenhos animados então inéditos na televisão. Logo após, às 19 horas,
concorrendo com o primeiro capítulo da novela global das sete Guerra dos Sexos,
de Sílvio de Abreu, foi ao ar o primeiro Jornal da Manchete, que ficou no ar
até as 20h40 com apresentação de Carlos Bianchini e Ronaldo Rosas. Logo após o
término do capítulo da novela global das oito, Louco Amor, de Gilberto Braga, a
Manchete colocava no ar séries que chamaram a atenção como O Caçador de
Aventuras, Trapper John - Médico, Fama (que partiu do filme homônimo) e Acredite se Quiser,
apresentada por Jack Palance (e que em 1985 ganhou um segmento brasileiro apresentado por Walter Forster, veterano ator da Tupi).
Walmor Chagas no comando do musical Bar Academia.
Em
seus primeiros meses no ar, a Rede Manchete já começou a se firmar como uma
opção de qualidade para o público, com um jornalismo de prestígio, bons filmes
e séries, musicais como o Bar Academia (apresentado por Walmor Chagas), as
entrevistas de Roberto D’Ávila no Conexão Internacional (que está no ar até
hoje, exibido pela TV Brasil com o nome de Conexão Roberto D’Ávila) e o
Programa de Domingo (espécie de Fantástico da Manchete, que ficaria no ar
durante todo o período de operação da emissora).
Num
só texto é impossível abarcar o que a Rede Manchete deixou na lembrança em
todos os gêneros de programação televisiva e em nossa memória afetiva. Por
isso, nas próximas semanas falarei mais sobre a TV de Adolpho Bloch, os
programas musicais, infantis e de variedades, musicais, o jornalismo, as séries
e sessões de filmes, as produções de teledramaturgia; seus altos e baixos, sua
trajetória marcante.
Embora não atinja altos índices de audiência, “O Profeta”
ainda é de longe a melhor opção das tardes na TV aberta. Quem viu a versão
original garante que a exibida em 2006 e no ar atualmente no “Vale a Pena Ver
de Novo” pouco ou nada tem a ver com a que Ivani Ribeiro escreveu para a TV
Tupi em 1977.
Uma das diferenças é que Ivani preferiu uma história
contemporânea, enquanto Walcyr Carrasco – que supervisionou o início da trama –
quis ambientá-la nos anos 50, já que tinha assinado 4 novelas de época na Globo
– “O Cravo e a Rosa” (2000), “A Padroeira” (2001), “Chocolate com Pimenta”
(2003) e “Alma Gêmea” (2005).
O primeiro mês, nas mãos de Walcyr, é uma chatice. Ainda bem
que duas então novas autoras, Duca Rachid e Thelma Guedes, puderam caminhar
sozinhas com a história do homem com poderes paranormais que acaba utilizando
seu dom para ganhar dinheiro. Elas deram
uma guinada na trama, que ficou com temática bem adulta, coisa que não se via
às 18h desde o remake de“Anjo Mau” (1997). Violência doméstica, jogatina e
planos sórdidos dominam a tela.
Fernanda Souza era Carola
Com o passar dos meses aquela aura clara e amena do início dá
lugar a um tom sombrio, com músicas de tensão que prendem o telespectador.Nota-se a mudança inclusive no visual de
Marcos (Thiago Fragoso), que deixa o rostinho liso do início para adotar uma
barba. Quando tudo parece estar resolvido e Sônia se livra de Clóvis (Dalton Vigh) podendo
ficar com seu amado, surge Sabine (Gisele Itié), que mesmo sem atrair o coração do Profeta os separa
aproveitando a ganância do protagonista.
Paolla Oliveira conseguiu se manter crível como a sofrida
Sônia, que passa a apanhar constantemente de Clóvis e a
ser trancada no porão. A repetição dessas situações poderia fazer o público se
desinteressar, mas o ator conseguiu absorver toda a maldade que a novela
precisava, já que Malvino Salvador e Carol Castro, inicialmente escalados para
serem os vilões Camilo e Ruth, não deram conta do recado. Camilo foi se
apagando até ser morto e Ruth está longe de entrar na lista memorável das
maléficas, mesmo que afunilemos só para as malvadas do horário.
Clóvis se tornou um sisudo psicopata, em um dos melhores
papéis de Dalton na TV. Possessivo, quer fazer
com Sônia o mesmo que com sua
mulher, Laura (Carolina Kasting), que foi trancada e obrigada a comer comida envenenada até
definhar. Outros chamam a atenção, como Carola (Fernanda Souza, que engordou 7
Kg para a personagem e ainda usava enchimentos) e Tainha (último papel de
Rodrigo Faro na Globo).
A novela foi a última das 18h a atingir média de 33 pontos.
A reprise está com desempenho abaixo do esperado, mas não se sabe ao certo se o
público não queria ver “O Profeta” em si, se não aguenta mais novelas de época
após praticamente 10 anos de tramas desse tipo seguidas – a baixa audiência de “Lado
a Lado” às 18h endossa essa teoria – ou se foi um desgaste da faixa após ter
optado por três re-reprises seguidas (“Mulheres de Areia”, “Chocolate com
Pimenta” e “Da Cor do Pecado”, sendo as duas últimas bem recentes tanto na exibição
quanto na reprise).
José Raimundo Oliveira ou simplesmente Zé Raimundo, é um jornalista conceituado, repórter da TV Globo, um dos mais respeitados profissionais da área. Autêntico e solícito, como de costume, ele topou bater um papo com o blog. O agradeço por isso. Confiram:
Por Denis Pessoa
Como aconteceu o seu primeiro encontro
com o jornalismo?
Foi no serviço de alto-falante da minha cidade, Riachão do Jacuípe
[Bahia]. O dono era Plínio Enoy, locutor famoso na região. Depois, já em Feira
de Santana, fui noticiarista da Rádio Sociedade de Feira. O meu amigo Jair
Cesarinho naquela época era o titular do horário. Eu era o reserva dele, com
muito orgulho.
Fale um pouco a respeito de sua
experiência com o Jornal A Cidade, de Riachão do Jacuípe.
Ainda no ginásio (hoje é ensino fundamental) tive a idéia de criar o
Jornal "A Cidade". Começou lá, na Escola N. S. Da Conceição, em
Riachão. A idéia evoluiu para o jornal impresso, já com a participação de
colegas e amigos da cidade. Ninguém tinha experiência, muito menos formação
acadêmica. Éramos todos, digamos, aventureiros da escrita querendo aprender. E,
claro, descobri que levava jeito, pelo menos para jornaleiro. Além de escrever
eu também vendia o jornal nas ruas de Riachão.
Em sua opinião, quais as características
de um bom repórter?
Ser honesto com a informação e com as fontes, nunca esquecer que existem
os dois lados da notícia, sempre duvidar das facilidades que muitas vezes
cercam o repórter, ouvir muito, ficar atento ao que acontece em volta do
assunto da pauta e ter a ética como guia.
Existe algum trabalho que te trouxe
frustração por ter saído abaixo de suas expectativas? Qual?
Sempre há reportagens que gostaríamos de esquecê-las. Mas o tempo acaba
se encarregando de resolver as frustrações. Não consigo eleger agora qual foi a
que menos gostei de ter feito. Foram várias, certamente.
Qual reportagem te trouxe mais
realização ao concluí-la?
Do mesmo jeito que tenho dificuldade de eleger as reportagens que não
gostaria de ter feito, também para as melhores sinto o mesmo dilema. Claro, me
sinto realizado quando consigo, através do meu trabalho, ajudar a resolver
algum problema, preferencialmente, de famílias e comunidades que têm o
jornalista como interlocutor. As reportagens que denunciam distorções e
injustiças são feitas com esse intuito. Só pra citar uma das últimas, as
crianças que foram levadas de forma arbitrária por casais paulista. Fizemos a
denuncia no Fantástico e pouco mais de 2 meses depois elas voltaram pra Monte
Santo. É gratificante alcançar resultados assim. Acompanhamos tudo desde o
momento da denuncia, cobramos providencias e elas aconteceram da forma que
deveria: corrigindo uma decisão equivocada de um juiz que pensa que a justiça
foi feita para os ricos.
Você já foi assediado pela concorrência
alguma vez?
Sim.
Programas sensacionalistas ocupam cada
dia mais a programação das emissoras de TV, tanto pela audiência quanto pelo
retorno financeiro. Fosse feita uma proposta para você compor a equipe de um
programa tal, como lidaria com o desafio?
Acho que não seria capaz de negociar algum trabalho que tenha o
sensacionalismo como foco. Não tenho perfil pra isso, não me vejo explorando a
tragédia humana, por exemplo, pra ganhar audiência e dinheiro. Há formas mais
dignas de se conquistar o público. A mais importante é a credibilidade.
Quais foram seus maiores aprendizados em
sua trajetória no rádio e na TV?
Aprendi muita coisa, principalmente na TV. Aprendi que tenho um
instrumento poderoso nas mãos e que devo usá-lo com responsabilidade.
Como surgiu sua relação com assuntos
relacionados ao meio ambiente?
Desde que me entendo como repórter cultivo as pautas
relacionadas ao meio ambiente. É uma atração que me acompanha há muitos anos.
Talvez seja a preocupação com futuro do planeta, com o futuro dos meus filhos,
netos, bisnetos, enfim, com as gerações que estão começando a viver e com as
que ainda virão ao mundo.
Qual a relevância do trabalho das ONG’s
na preservação ambiental? Você acredita que o trabalho das ONG’s que visam à
preservação do meio ambiente é divulgado de forma satisfatória ao público?
Acho importante a participação das ONGs no trabalho de Educação
ambiental, principalmente. Mas é importante saber distinguir as que realmente
são comprometidas com a causa das são oportunistas. Há organizações não
governamentais que foram criadas com a única intenção de tirar dinheiro do
governo e de outras instituições. Os espaços na mídia são conquistados
naturalmente, de acordo com o merecimento. Os bons exemplos e os resultados do
trabalho, em minha opinião, são divulgados de forma satisfatória.
Em sua premiação para a ABI (Associação
Baiana de Imprensa), como Personalidade da Comunicação do ano de 2009, você
citou que “o jornalista é um coadjuvante”. Em sua visão, o que pode acontecer
caso um jornalista esqueça este detalhe, e queira passar a “brilhar” mais que a
notícia, mais que a reportagem, e mais que a pessoa que o
entrevistado/pesquisado?
Em minha opinião, o repórter, em nenhuma
hipótese é mais importante que a notícia. Nenhuma boa reportagem se sustenta
sem bons personagens. São eles as estrelas da história, portanto, o alvo do
trabalho de reportagem. Insisto: o repórter é sim um coadjuvante, o
interlocutor entre a notícia e o publico. Reportagem em que o repórter se
considera mais importante que a notícia não merece confiança. Ainda mais em
televisão que, obrigatoriamente, prioriza a imagem da notícia, do fato.
Ano passado, foi ao ar uma matéria sua
no Jornal da Globo, falando sobre o desmatamento da Mata Atlântica do Piauí por
conta das carvoarias. O que você sentiu ao ver tamanha destruição ilegal, e
trabalhadores em condições tão precárias?
Na verdade foi uma região do Piauí, Sul do
estado, que concentra três biomas: mata atlântica, cerrado e caatinga. A
caatinga predomina e, infelizmente, está desaparecendo para alimentar as
siderúrgicas de Minas. É um crime ambiental grave patrocinando a indústria do
ferro gusa. E quem vai pagar esse passivo quando tudo virar cinza? Essa
reportagem foi feita para o Jornal da Globo e Ganhou uma versão para o Globo
News Especial. Ela conquistou dois grandes prêmios nacionais: Embratel e
Allianz.
Você já recebeu alguma represália por
suas matérias que denunciam este tipo de ato?
Já fui ameaçado algumas vezes. A última foi no
Pará, no município de Anapu, aquele mesmo que foi palco do assassinato covarde
da Irmã Dorothy. O dono de uma serraria clandestina, insatisfeito com o nosso
trabalho, chegou a coçar a cintura pra puxar uma arma. Consegui sair com a
equipe antes que acontecesse o pior. Geralmente, as denúncias provocam a ira
dos denunciados e o risco vem acompanhando os crimes. Mas nunca espero pra ver.
Cerco-me de todas as precauções possíveis. A vida está acima da profissão, sem
dúvida.
Você é adepto do Candomblé ou de alguma
outra religião de matriz africana? Se sim, já sofreu/sofre discriminação por
conta disto?
Nunca sofri nenhum tipo de discriminação
religiosa. E sou radicalmente contra preconceitos de qualquer natureza. Sou de
família Católica e admirador do Espiritismo e do Candomblé. Os rituais
africanos me emocionam, assim como as evidências do mundo espiritual. Agora, o
respeito a toda e qualquer manifestação de fé é regra básica na minha conduta.
Não morasse na Bahia, onde seria?
Não troco Salvador, apesar da péssima fase que
atravessa, por nenhuma outra cidade. Mas se fosse obrigado a escolher outra
capital pra morar escolheria o Rio de Janeiro.
O “Posso Contar Contigo?” agradece a sua
gentileza.
Desejo muito sucesso e vida longa ao Blog “Posso
Conta Contigo?”. Um abraço!
Nascida e criada na Barra da Tijuca, um dos bairros mais
caros e luxuosos do Rio de Janeiro, filha de jornalista e editor de livros, Talita
Werneck Arguelhes tinha tudo pra ser uma daquelas patricinhas bem fúteis e
arrogantes que a alta roda carioca poderia ter. Mas não foi isso que aconteceu.
Desde criança Talita já sabia o que queria, expulsa várias
vezes dos colégios, sempre fazendo bagunça junto aos meninos de sua turma, sua
mãe Claudia Werneck foi incentivada a coloca-la no curso de teatro e assim aos
nove anos, Tata entrou no curso de Sura Berditchevsky e seu primeiro trabalho
profissional nos palcos foi aos onze anos.
Formada em Publicidade e Propaganda e Artes Cênicas, Tata
tornou-se uma mulher bonita, inteligente e muito engraçada. Fã da comédia
escrachada, ela começou sua carreira no grupo chamado Improváveis, depois
Improvisáveis, depois Avacalhados onde ficou durante alguns anos e finalmente o
grupo DezNecessários.
Além dos DezNecessários, Tata tem um projeto chamado “Os
Inclusos e os Sisos”, o espetáculo foi pensado para as minorias, pessoas com
todos os tipos de deficiência que não tinham a oportunidade de ir ao teatro. A peça
feita pelo grupo “Escola de Gente”, tem toda uma produção especial que contam
com intérpretes de Libras, braile e Closed Caption. E todos os teatros tem que
ser acessíveis. O grupo já tem mais de oito anos e faz um grande sucesso entre
as minorias, que segundo a Tata somos todos nós.
Talento e
vocação fazem da Tata Werneck umas das atrizes comediantes mais populares do
Brasil, com milhares de seguidores nas redes sociais, ela conquistou uma legião
de fãs com suas personagens hilárias entre elas a Fernandona e a Roxanne.
Considerada a queridinha do canal MTV, ela nos faz rir com
suas apresentações ao lado de outros grandes atores no programa “Comédia MTV”.
E no youtube podemos conferir vídeos do “Quinta Categoria”, programa exibido
entre 2010 e 2011, onde podemos ver o impecável talento para improvisação da
nossa baixinha, fora outros vídeos da musa da comédia da nova geração.
Se tem uma coisa que esse noveleiro aqui adora é abertura. Tanto que eu às vezes passo a gostar de novelas consideradas ruins por causa das aberturas, quando são boas (O amor está no ar, Lua cheia de amor e Pé na jaca são exemplos). E torço o nariz , quando a novela tem uma abertura feia ou pouco criativa, que não marca. Já fiz até um post aqui sobre isso. Mas hoje vou trazer algumas coisas realmente curiosas pra vocês. Com a minha mania de fuçar pelo Youtube atrás de raridades aleatórias me deparei com as aberturas (ou genéricos, como eles chamam) mais bizarras já criadas. Aqui vou listar cinco que não "fazem o requisito", como diria a moça da lage e três que eu achei bem feitinhas. Mas tem mais no Youtube, recomendo, são hilárias.
As Bizarras:
Flor do Mar - A princípio, a imagem da mulher nua (rola um peitinho!) dá a impressão de algo na linha de Mulheres de areia, mas a colagem com o chroma key é tão mal feita, e as imagens de flores se abrindo no fundo do mar (literais eles né?) não deixam dúvidas, é uma novela portuguesa com certeza!
Mar de Paixão - Mais uma trama sobre o mar, mas dessa vez o responsável estava sob efeito de chá-de-cogumelo. Nada mais explica a a profusão de imagens onde nada combina com nada, sem falar na medonha maquiagem dos bailarinos.
Sedução - Dessa vez o fator responsável pelo humor involuntário é o carão da atriz Maria João Luis (só pra constar, toda novela tem de lá tem pelo menos uma Maria João no elenco). A moça é expressividade pura.
Olhos de Água - Se existir um Troféu Sem Noção, com certeza vai pra essa abertura. Começa bem, com um imagem poética de gotas de orvalho, mas daí aparece uma árvore com corpo de mulher (what?), com direito a peitinhos (what²?), seguido por um relógio voador (what ³?) e de repente uma menina aparece (criança e mulher com peitinho de fora na mesma abertura, reparem) o relógio vira um espelho e tudo que acontecer de surreal aí já vai ser normal.
Ganancia - Segundo a Wikipedia, essa novela foi protagonizada pelo Leonardo Vieira, embora ele não conste nos crédito. Mas a curiosidade maior sobre a novela, ou melhor sobre a abertura é a semelhança do modelo com Lord Voldemort, o vilão de Harry Potter. Antes de gritarem plágio, saibam que a novela é de 2001, ou seja antes.
As bem-feitinhas
Perfeito Coração - Primeiro, reparem em quem aparece na abertura: o NOSSO Ricardo Pereira, hoje galã de Aquele Beijo. Segundo, a música é um fado de Amália Rodrigues (a cantora-símbolo portuguesa) cantado por um grupo chamado Amália Hoje, que recria as músicas da diva pros dias de hoje. Recomendo. Por último, não é bonitinha (e cafoninha) essa abertura? Passaria facilmente numa novela daqui, das 6, ou da Record.
Sentimentos - Amei a solução que deram pra apresentar os personagens na abertura, já que o título é bem vago e poderia gerar as mais variadas interpretações para a abertura. Os créditos acompanhando o movimento da câmera é um luxo só. Lembra um pouco Sete pecados.
Vila Faia - Trata-se de um remake da primeira produção portuguesa, datada de 1980 (quase 30 anos depois da primeira brasileira, diga-se). A primeira abertura é risível, mas a da segunda versão é soberba, mostrando o passo-a-passo do vinho da parreira à taça. E a tipografia dos créditos, então? E o logotipo? Tudo muito lindo.