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sábado, 9 de maio de 2015

É Claudia Raia, Saaabe?

Por Marcelo Alves

Ela comemora seus 30 anos de carreira este ano. Dos musicais às novelas, ela nos presenteia com suas atuações marcantes, sua presença tão agradável na telinha. Não tem pra ninguém, seja no teatro ou na TV, ela rouba a cena e nunca passa despercebida – nem teria como – pelo público.
Nesta data tão importante, rememoremos a carreira da nossa principal triple threat brasileira: CLAUDIA RAIA!

Rebobinamos a fita para o ano de 1985, mais precisamente na novela Roque Santeiro. Claudia estreia nas novelas no papel de Ninon, uma das dançarinas da boate Sexus.

“Eu fazia uma figuração de luxo [...] Eu fiz a primeira cena, que eu tinha uma frase que era ‘eu também’[...] Eu fiquei um mês assim ‘Eu também... eu também... eu também... eu também... eu também” [...] A minha fala era no meio de duas da Regina [Duarte], que tinha laudas pra decorar [...] E eu ali na minha ‘deixa’. Aí no ensaio ela emendou uma fala na outra, eu falei: ‘Não, não, pera ai, pelo amor de Deus!’”

No decorrer da novela a personagem cresceu, graças ao encantamento do público. Por esta personagem, Claudia ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).


Em 1988, na novela Sassaricando, de Silvio de Abreu, com quem viria a trabalhar em várias outras novelas, viveu a espevitada Tancinha, que é uma de suas personagens mais lembradas até hoje. A feirante Tancinha, umas das filhas de Aldonza (Lolita Rodrigues), não levava desaforo pra casa. Era disputada por Beto (Marcos frota) e Apolo (Alexandre Frota). Seu sotaque paulistano exagerado e seu jeito diferente de oferecer melões na feira, balançando junto com os seus seios, são sua marca registrada.

“Acho que foi uma das personagens de maior sucesso que fiz, mas malharam no início. Era uma mulherona, meio Sophia Loren, mas superingênua.”


Em 1989, no quadro “As Presidiarias” do programa TV Pirata, Tonhão, uma presidiária lésbica, fez enorme sucesso. No quadro, a personagem tinha trejeitos masculinos e dava em cima das companheiras de cela, em mais uma brilhante atuação de Claudia.

“Eu sempre fazia a gostosona, até que, depois do quarto programa, cheguei para o Guel Arraes e disse: ‘Olha, eu queria mudar’. Tonhão foi o meu maior sucesso no programa. Eu me descobri uma comediante de verdade, e o estilo de comédia que gosto de fazer.”

Em Rainha da sucata (1990) a atriz deu vida a Adriana de Albuquerque Figueroa, que é lembrada até hoje como “bailarina da coxa grossa”. Ao lado do gago Caio Szimanski (Antônio Fagundes), protagonizaram ótimas cenas de humor, no decorrer da novela. Uma personagem divertidíssima, uma de minhas preferidas.

“Esse papel foi uma consagração né? A bailarina da coxa grossa e o gago eram um casal completamente inadequado. Silvio disse: ‘Escrevi um papel para você, mas queria que você engordasse, porque queria que fizesse a bailarina da coxa grossa, que nada dá certo para ela. E ela se apaixona por um gago. Quero que seja um casal de comédia: você e Antonio Fagundes’. Fiquei uma balofa!”

A certa altura, Claudia não aguentou mais ficar tão acima de seu peso e pediu a Silvio de Abreu que fizesse a personagem emagrecer, e o autor criou sequencias divertidíssimas de Adriana tentando perder peso.


Em 1992, na novela Deus nos Acuda, viveu Maria Escandalosa, uma trambiqueira de marca maior, que é salva da morte pelo anjo Celestina (Dercy Gonçalves), e passa a ser vigiada por forças divinas, com o intuito de torná-la uma pessoa de bom caráter. Foi durante as gravações desta novela, que a atriz começou um romance real com o ator Edson Celulari, que fazia seu par romântico. Com ele se casou e tiveram dois filhos. A relação durou até alguns anos atrás.

Na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), Claudia interpretou a personagem titulo, na segunda fase. Uma mulher bonita, mãe de família e religiosa, que é casada com Zózimo (Pedro Paulo Rangel) e vive uma paixão secreta com Luiz Claudio (Alexandre Borges). A atriz faz questão de citar em suas entrevistas, que a partir de Engraçadinha se tornou uma atriz que podia fazer drama.




Em Torre de Babel (1998), Claudia viveu a perversa Ângela Vidal, primeira vilã de sua carreira. Braço direito da família Toledo na administração do Tropical Towers Shopping, nutria uma paixão platônica por Henrique Toledo (Edson Celulari). Da paixão não correspondida brota um sentimento doentio. Ela se torna uma mulher fria, assassina perigosa. A personagem tem um trágico desfecho: se joga do alto do shopping.

"Sabia que ela era uma vilã horrível. Foi estratégia do Silvio [de Abreu] começar devagar, pela sombra, aparecendo uma coisinha aqui e ali. Tive que estudar muito para fazer esse papel. Quando começa uma novela, a gente brinca que, depois de dois ou três meses, o papel sai na urina. A Ângela não saiu facilmente para mim."


Em 2001, em As Filhas da Mãe, Claudia encarnou a estilista Ramona, um transexual, que choca a família ao voltar ao Brasil com a novidade de que teria mudado de sexo. Envolve-se amorosamente com Leonardo (Alexandre Borges).

“Não me pergunte como um transexual, num país que é machista e conservador, pôde ter feito tanto sucesso. As crianças diziam: ‘Ramona, você tem que ficar com o Leonardo. A gente está torcendo!’ Era um sucesso inacreditável, foi uma novela ousada.”


Em O Beijo do Vampiro (2002), interpretou a esfuziante vampira Mina de Montmartre. Era uma grande atriz parisiense de sua época. Foi conduzida ao mundo sobrenatural em algum momento do século XIX. Bonita, sensual, cruel e engraçada, foi seduzida e vampirizada por Bóris (Tarcísio Meira), tornando-se cúmplice dele por mais de um século. 


Já em Belíssima (2005), Claudia interpretou Safira, filha de Katina e Murat (Irene Ravache e Lima Duarte, respectivamente). Depois de vários casamentos, vai se sentir fortemente atraída pelo mecânico Paschoal (Reynaldo Gianecchini). Os dois protagonizaram cenas pra lá de calientes!


Em 2007, Claudia vivia mais uma vilã em sua carreira, Agatha, na novela Sete Pecados de Walcyr Carrasco. Sua primeira (e única) parceria com o autor não foi algo muito bom para a carreira de Claudia. Ela foi novamente criticada por seu desempenho como vilã e, segundo boatos, após inserir cacos (improvisação nas falas) no texto – o que o autor não admite que façam de forma alguma – teve sua personagem morta.


Em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro, deu vida a Donatela Fontini. A socialite vê sua vida virar um inferno com a saída de Flora (Patrícia Pillar) da cadeia, a quem ela acusa de ter matado seu marido, Marcelo (Flávio Tolezani).

“O João Emanuel escreveu a Donatela pra mim, por causa da Engraçadinha.”


No remake de Tititi (2010), na pele de Jaqueline Maldonado, Claudia brilhou! Sua personagem não ficou devendo em nada para a Jaqueline de Sandra Bréa. Uma tresloucada perua, que se apaixona pelo estilista Jaques Leclair (Alexandre Borges). Nesta novela a atriz viveu ótimos momentos, cenas divertidíssimas que só reafirmaram o talento da atriz para o humor. A personagem fez tanto sucesso com o público que quase virou um seriado. Quem aí não se lembra de quando Jaqueline, que adorava Xuxa, cantou com a própria? Ou quando fundou um grife no convento? Jaqueline entrou para a galeria de suas melhores personagens.


Lívia Marine, de Salve Jorge (2013), da autora Glória Perez, talvez tenha sido a personagem mais criticada de Claudia. A vilã elegante e acima de qualquer suspeita, que agenciava garotas para sua quadrilha de tráfico internacional de pessoas, não agradou. Muito porque Lívia acabou sendo esmagada por outra vilã da novela: Wanda (Totia Meireles).

O método assassino da vilã virou piada na internet. Quem não se lembra da Seringada da Lívia?


Samantha Santana, sua personagem mais recente, fez muito sucesso na trama das sete, Alto Astral, que teve o seu último capítulo exibido nesta sexta. Ao lado de seu fiel escudeiro, Pepito (Conrado Caputo), arrancou boas risadas do público. Samantha, uma das melhores personagens da novela, vai deixar saudades!




Ah, mas o sucesso foi tanto, que se fala na criação de um seriado para a personagem e seu parceiro Pepito. 


Marcelo Alves é um jovem estudante do ensino médio, apreciador da teledramaturgia brasileira, curioso por tudo que envolva o gênero telenovela. 

Sua fonte de pesquisa: Sites Memória Globo, Teledramaturgia e Folha de São Paulo.     

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Se tem que findar

Por Isaac Santos

Embora seja o conjunto de uma obra que define ou não um primor artístico, todo autor que se preza põe sobre os primeiros e últimos capítulos de sua criação um olhar ainda mais apaixonado.
Mas considerando a pressão exercida pelo público sobre um profissional que durante meses se dedica a um processo árduo de inventividade, é fácil compreender que a maioria das apresentações e desfechos de tramas não se distancie de um padrão. Quando autores mais arrojados o fazem, precisam estar aptos a lidar com os aplausos do público, da crítica “especializada” e da empresa contratante, ou com a massacrante rejeição dos mesmos. No processo industrial de telenovelas não há espaço para meio termo: É sucesso ou fracasso.
Num aspecto prático do “parir histórias” dentro de um sistema mecânico, todos os autores estariam condicionados a finalizar suas obras convencionalmente. No entanto, alguns poucos dão ao público oportunidades únicas de experimentação.

Muitos anos antes de o personagem Félix (Mateus Solano) conquistar a grande maioria dos telespectadores de Amor à Vida, mais precisamente em 1986, o personagem Renato Villar (Tarcísio Meira), da novela Roda de Fogo (dos mestres Lauro Cesar Muniz e Marcílio Moraes), de vilão passou a ser bem querido pelo público, com direito a redenção.  Destaque para a sensível cena final do último capítulo: Renato Villar morre no colo de sua amada, Lúcia Brandão (Bruna Lombardi). Veja aqui.

Em 1986, a novela Dona Beija (adaptação dos romances “Dona Beija, a Feiticeira do Araxá” de Thomas Leonardo e “A Vida em Flor de Dona Beja” de Agripa Vasconcelos) se mostra um dos maiores sucessos da teledramaturgia da Manchete e figura entre as melhores telenovelas brasileiras. Ao final da história, os autores Wilson Aguiar e Carlos Heitor Cony colocam a sua protagonista Beija (Maitê Proença) sendo julgada por ter mandado matar o homem a quem amava. Ela é absolvida e apenas o escravo que cumpriu suas ordens é considerado culpado. Amargurada, ela deixa a cidade na tentativa de recomeçar uma vida diferente. 

versão dublada
Em 1990, a novela Barriga de Aluguel era enorme sucesso de audiência. As pessoas assistiam e se envolviam com as tramas. Daí um problema para a autora Glória Perez: Com qual das mães ficaria o bebê. Ela decide que o público não saberá. Mas o final mostra Clara (Cláudia Abreu) e Ana (Cássia Kiss) dispostas a repensar a relação de ambas em função do filho. 

Foi em 1990, na novela Meu Bem Meu Mal, que o mestre Cassiano Gabus Mendes, com a colaboração de Maria Adelaide Amaral entre outros, possibilitou ao público ver um dos desfechos mais apaixonantes da teledramaturgia brasileira. Pode soar como exagero para alguns, mas é sempre inspirador para mim, rever a cena final em que a vilã Isadora Venturini (Sílvia Pfeifer) alcança a tão almejada presidência da empresa, por um alto preço: A indiferença de todos; A solidão.


Benedito Ruy Barbosa é outro professor em envolver o telespectador. Para finalizar a bem sucedida Pantanal (1990), ele escreve um cena fascinante, com destaque para três personagens: Filó (Jussara Freire), Zé Leôncio e o velho do rio (ambos vividos por Cláudio Marzo).


Em 1994, Silvio de Abreu e Rubens Edwald Filho, autores de Éramos Seis (adaptação do romance homônimo de Maria José Dupret), poderiam ter suavizado a cena final da novela sem comprometer o destino da protagonista, que bem ratifica o título, mas optaram por fazer um desfecho harmonioso com toda a trajetória sofrida da batalhadora Lola (Irene Ravache). 


Imagens: Globo.com
 Mofo TV
Memória da TV
Fábio Menezes Oliveira

domingo, 23 de março de 2014

3 anos de blog - Eles também passaram por aqui



Ainda como parte da comemoração de aniversário, conheça a postagem mais acessada de cada colaborador que passou pelo blog nesses 3 anos:

por Ana Paula Calixto, em 15/06/2012

por André Araújo, em 26/06/2013

por Antenor Azevedo, em 23/04/2012

por Autran Amorin, em 16/03/2013  

por Bernardo Dugin, em 27/06/2012

por Breno Ribeiro, em 01/05/2013

De cigana à Pombagira - Merimée por Glória Perez
por Brunno Duprat, em 05/10/2011

Minha novela favorita: História de Amor

por Denis Pessoa, em 23/10/2011

Gabriela: um clássico em progresso
por Eduardo Vieira, em 30/11/2011 

por Emerson Felipe, em 03/06/2013

por Fábio Leonardo, em 17/03/2012

O Astro, um verdadeiro novelão
por Glauce Viviana, em 14/08/2011

por Júlio César Martins, em 21/01/2013

por Júlio Damásio, em 08/03/2012

por Júnior Bueno, em 04/08/2011

por Jurandir Dalcin, em 02/08/2013

por Marcelo Ramos, em 08/08/2012

por Mateus Peres, em 01/08/2011


por Paulo Lannes, em 10/10/2012

por Rafael Tupinambá, em 20/01/2012


por Romulo Barros, em 31/03/2012

por Serginho Tavares, em 02/02/2013


por Thiago Ribeiro, em 10/08/2011

Obrigado a todos! 

domingo, 9 de março de 2014

3º Aniversário do blog: Rememore com a gente



Há 3 anos estreávamos.
Somos gratos aos leitores, aos blogueiros convidados, aos entrevistados, aos autores que passaram por aqui, aos que continuam somando... Obrigado! 
  
Em comemoração, relembraremos postagens de convidados do blog. Confiram:

pelo saudoso Rogério Sabath, em 01/04/2011 

por Walter de Azevedo, em 15/04/2011

por Silvestre Mendes, em 18/04/2011  

por Marcos Silvério, em 10/05/2011

por Celso Garcia, em 19/08/2011

por Adilson Oliveira, em 22/08/2011

por Silvestre Mendes, em 29/08/2011

por Aladim Miguel, em 01/10/2011

por Antônio Costa, em 19/03/2012

por Marcelo Ramos, em 08/04/2012

por David Oak, em 22/06/2012

por Marcelo Ramos, em 30/06/2012

As novidades na telinha e o frescor dos "novos velhos"
por Warney Oliveira, em 04/08/2012

por Robério Silva, em 26/09/2012

por Dan Vícola, em 12/10/2012

por Robério Silva, em 07/11/2012

por Marcelo Alves, em 27/02/2013

por Renato Coelho, em 29/03/2013

por Aladim Miguel, em 15/06/2013

por Pedro Arthur, em 12/09/2013

por Bruno Fracchia, em 15/09/2013

por Murilo Pitombo, em 18/09/2013

por Duh Secco, em 24/09/2013

por Adilson Oliveira, em 03/01/2014

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Rei do Torto marcou época

Por André Araújo

Não é uma praxe, mas volta e meia os telespectadores/noveleiros se dão conta de que existe vida fora da Rede Globo. Foi o que aconteceu em 1987 com a novela “CORPO SANTO” [Rede Manchete], de José Louzeiro, que tirou o sono da Vênus Platinada. A mesma coisa aconteceu três anos depois, com “PANTANAL”, do Benedito Ruy Barbosa. A diferença foi que com a história de Juma Marruá (CRISTIANA OLIVEIRA) dominando o Brasil, a emissora do falecido jornalista Roberto Marinho reagiu, e assim todos ganharam, pois era uma novidade atrás da outra e o público saiu satisfeito.
Anos depois, a Rede Record decidiu faturar em cima desse filão e entrou com tudo na briga. Depois do sucesso de “PROVA DE AMOR” e “A ESCRAVA ISAURA”, ambas do ex-global Tiago Santiago, e “ESSAS MULHERES”, do veterano MARCÍLIO MORAES, a emissora do Bispo Edir Macedo produziu uma novela que muito agradou: “VIDAS OPOSTAS”, do mesmo Marcílio Moraes. A trama abordava os dramas de uma comunidade comandada pelo tráfico. E mesmo com uma história forte e recheada de violência, o público não virou as costas e nem mudou de canal. Tudo ali deu tão certo que a novela ganhou o troféu imprensa [2008] de melhor novela, dividindo o prêmio com “PARAÍSO TROPICAL”, do Gilberto Braga.


Começando pelo romance entre o rico Miguel (Léo Rosa) e a doce e pobre Joana (Maytê Piragibe), a novela agradou desde o início.
Quando a novela começou, Miguel era noivo da estilista Erinia (Lavínia Vlasak), mas se envolvia com Joana, ex-namorada de um perigoso traficante, Jeferson (Angelo Paes Leme), que àquela altura, cumpria pena de quatro anos na cadeia.


Apaixonado, Miguel rompia com Erinia para ficar com Joana, mas o inesperado aconteceu: Jeferson saiu da prisão e voltou para a favela, disposto a reconquistar sua ex, que a essa altura já estava caída de amores pelo milionário.


Jeferson voltava ao mundo do crime e queria transformar a amada Joana na rainha da bandidagem, mas ela se recusava, gerando sua ira. E como se não bastasse, Erinia também passou a praticar diversas armações para ter seu noivo de volta, o que quase aconteceu.
Na favela, a comunidade tomou o partido de Joana, e torcia para que ela ficasse com Miguel. Jeferson acaba morto. É quando entra em cena o perigoso Jacson (Heitor Martinez), irmão do falecido que, além de se tornar o novo chefe do tráfico, decide ficar com Joana também, resultando numa guerra. O novo “rei do Torto”, contava com um aliado poderosíssimo: O delegado corrupto Dênis Nogueira (Marcelo Serrado), que o favorecia.


Uma história paralela também chamou atenção: A viúva Ísis (Lucinha Lins), mãe de Miguel, embora fosse rica, linda e chique, vivia sozinha, comandando os negócios que seu falecido deixara. Mas se reencontra com Bóris (Nicola Siri), um italiano dado como morto há muitos anos. Foi ele o grande amor de Ísis na juventude. E é no momento em que a mãe de Miguel está prestes a perder tudo devido a um golpe financeiro de Mário (Cecil Thiré), vice-presidente da empresa, que Bóris surge e salva Ísis da falência, desmascarando o vilão que contava com o apoio do advogado Félix (Roger Gobeth) e de Maria Lúcia (Flávia Monteiro), prima da mãe de Ísis.


Desesperado de paixão, Jacson chega a sequestrar Joana, mas a delegada Carmo (Raquel Nunes) invade o cativeiro e atira no bandido. Jacson morre nos braços da mocinha, numa cena lírica; Erinia, que havia se tornado aliada do delegado Nogueira, acaba matando-o, mas é presa depois da denúncia de sua mãe Cilene (Silvia Bandeira). Mário, Félix e Maria Lúcia são processados.
morte de Jacson
morte de Nogueira
Ísis e Bóris até que se esforçam, mas concluem que não podem ficar juntos, uma vez que o italiano vive fugindo da polícia. A despedida dos dois é emocionante e o beijo que eles trocam, inesquecível.
Joana e Miguel? Nada mais justo que fiquem juntos e felizes, o que de fato acontece.


Com 240 capítulos, por muitas vezes “VIDAS OPOSTAS” bateu a Rede Globo em audiência, o que era praxe às quartas-feiras. A novela foi levada ao ar entre 21 de Novembro de 2006 e 27 de Agosto de 2007. O último capítulo registrou 25 pontos de audiência, um recorde.

Reprisada entre 28 de Março e 11 de Junho de 2012, o sucesso não foi o mesmo, mas chamou atenção e muita gente reviu a  melhor novela que a Rede Record produziu nos últimos sete anos.

domingo, 13 de outubro de 2013

10 anos de "Celebridade"

Por Flávio Michelazzo

Há incrivelmente e exatamente 10 voadores anos atrás, Gilberto Braga voltava ao horário nobre, depois de um injusto jejum de outros - estes sim, longos - 9 anos. "Celebridade" estreou em grande estilo, inspirada no filme "A Malvada" e no musical "Chicago" e marcando 50 pontos de audiência, embalados por chamadas inesquecíveis que prometiam - e cumpriu - uma eletrizante, divertida e emocionante saga.
A trama contava a trajetória de Maria Clara Melo Diniz (Malu Mader), uma produtora musical que ficou famosa no fim dos anos 80 como modelo e, após um escândalo, viu sua vida mudar completamente. Seu noivo, Wagner, havia composto uma música em tributo à beleza de sua amada, "Musa do Verão". Porém, Ubaldo Quintela (Gracindo Jr.), alegando ser o verdadeiro compositor, invade a igreja no dia do casamento de Maria Clara e Wagner e mata o noivo. Ubaldo é condenado a 15 anos de prisão. Maria Clara, em choque com a tragédia, abandona a carreira de modelo para se dedicar à música, mas continua fotografando para a "Summer Spell", o perfume que fora inspirado na música, e vê sua vida pessoal se tornar pública, pois passa a ser perseguida pela imprensa, o que a faz questionar se vale a pena pagar o preço da fama.
É exatamente nesse momento, no ano de 2003, que a trama se inicia, com Maria Clara pensando ter finalmente encontrado o amor nos braços de Otávio Albuquerque (Thiago Lacerda), com quem pretende se casar. Mas a nossa heroína, além de ser perseguida pela imprensa, principalmente por Renato Mendes (Fábio Assunção), o inescrupuloso editor da revista Fama, do Grupo Vasconcelos, presidido por seu tio, Lineu (Hugo Carvana), o principal patrocinador de Maria Clara e amor de juventude da mãe da produtora, Corina (Nívea Maria).
A vida de Maria Clara está prestes a mudar por completo com a chegada da misteriosa Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), uma jovem que faz de tudo para ganhar sua confiança e vê todos os seus planos darem certo, com a ajuda de seu comparsa e amante, Marcos Andrade Rangel (Márcio Garcia). Rapidamente, Laura se torna braço direito de Maria Clara na produtora e vai até morar com ela. Laura arma, inclusive, para que Otávio e Maria Clara terminem.


É assim que Maria Clara conhece Fernando Amorim (Marcos Palmeira), diretor de cinema que passou 18 anos na Europa e retorna ao Brasil para receber um importante prêmio, o Troféu Celebridade. Várias idas e vindas fazem com que eles se esbarrem e acabem por conhecer o verdadeiro amor um nos braços do outro. O que Maria Clara não sabe é que Fernando é nada menos que o genro odiado de Lineu, casado com sua única filha, a fútil e mimada Beatriz (Deborah Evelyn) com quem tem dois filhos, Fábio (Bruno Ferrari) e Inácio (Bruno Gagliasso, estreando como bastardinho oficial das novelas do Gilberto Braga). 
Fábio, filho preferido de Beatriz, sai a passeio de canoa com seu irmão e acaba morto. Beatriz culpa Inácio, que surta, e Maria Clara descobre no velório a verdadeira identidade de Fernando Amorim.


Laura, que está sempre ligada em tudo, se aproxima de Beatriz, ganha sua confiança e consegue armar um flagrante para que a perua saiba com quem o marido está saindo. É nessa altura da história que descobrimos os reais objetivos da psicopata. Laura é filha de Marília (Alessandra Negrini), uma garota de programa que teve um envolvimento com Ubaldo, e consegue as provas de que foi sua mãe, e não Maria Clara, a inspiração para a canção! Laura se une a Ubaldo e juntos, deixam Maria Clara na miséria. Nesse ínterim, Lineu é assassinado e todos passam a ser suspeitos, principalmente Ubaldo, Fernando e Inácio.


Maria Clara vê Fernando entrando às pressas no estacionamento do Grupo Vasconcelos no dia da morte de Lineu e, pensando ser ele o assassino, rompe com ele, grávida dele. Ela então se envolve com Hugo (Henri Castelli) enquanto que Fernando passa a ter um caso com Tânia (Lavínia Vlasak). Laura passa a ascender profissionalmente, com o apoio de Beatriz, que se torna a diretora do Grupo Vasconcelos e corta o patrocínio de Maria Clara, que começa a decair.


Mas a vingança de Laura não parou por aí e ela passa a perseguir incessantemente Maria Clara, que até vai presa por tráfico de drogas. Tudo armado por Laura, claro. Cansada de tanta perseguição, Maria Clara tranca Laura num banheiro e lhe aplica uma chuva de bofetadas no meio de um evento em que Laura finalmente consegue ganhar o Troféu Celebridade roubando uma ideia de Maria Clara. Uma cena que entrou para a história da teledramaturgia e é referência constante nas novelas atuais.


Clara consegue virar o jogo e aos poucos vai reassumindo seu lugar ao sol, com a abertura da casa de samba Sobradinho, no bairro do Andaraí (outro ponto inesquecível da trama, com tantos personagens genuinamente DIVINOS), pelos amigos Cristiano Reis (inesquecível e sensível atuação de Alexandre Borges) e Vladimir Coimbra (Marcelo Faria). Laura não deixa barato e coloca dois ratos mortos num freezer do local, o que provoca a interdição da casa. 
Para se livrar do processo de tráfico de drogas, Maria Clara descobre a existência de uma fita de circuito interno de um hotel onde Laura negociou com um traficante a compra das drogas que a incriminaram. As provas estão em posse de Renato Mendes, que, apaixonado por Laura, a força a se casar com ele e a humilha de todas as maneiras, num divertido jogo de nervos. Laura consegue virar a mesa e obriga Renato a circular com ternos cafonas e de carro velho. Maria Clara consegue roubar as provas de Renato, seduzindo-o, mas acaba perdendo a fita no meio de uma confusão.


A fita vai parar nas mãos de Fernando, pois estava com Beatriz, que deixa com o ex-marido e desiste de brigar com Maria Clara por seu amor após ver quem Laura é de verdade. Nesse meio tempo, Fernando também descobre que Inácio é filho de Renato e Beatriz só engravidou do primo pra poder forçar Fernando a se casar com ela e juntos fugirem.
Desesperada e vendo sua casa cair, Laura sequestra a filha de Maria Clara e Fernando - que nessa altura já se reconciliaram - para conseguir reaver a fita. Laura acaba morta por Renato junto com seu amante Marcos. Mas antes, confessa que matou Lineu, que realmente tinha ajudado Wagner a roubar a música de Ubaldo e no momento tinha conseguido interceptar as provas do seu crime. Maria Clara então, prova sua inocência, reassume seu lugar no show biz e finalmente passa a ter uma vida tranquila ao lado de Fernando e sua filha.


Vários foram os destaques da trama. Deborah Secco brilhou como a manicure Darlene, que fez de tudo pra ser famosa sem ter talento para nada, ao lado de sua colega de profissão Jaqueline, interpretada por Juliana Paes. Alexandre Borges e Julia Lemmerz, casados na vida real, deram um show como casal também na ficção. Ana Beatriz Nogueira e Nathália Timberg divertiram com as trambiqueiras Ana Paula, irmã de Maria Clara, e Yolanda, avó de Renato. Os mocinhos e vilões também entraram para a história. "Celebridade" tinha o título original de "Fama", que foi cedido para o fracassado programa que descobria novos talentos musicais. Na sinopse original, Maria Clara era apresentadora de telejornal. Fernando foi escrito para Fábio Assunção, e Renato para Eduardo Moscovis. Que sorte a nossa que Fábio ficou com Renato, seu mais inesquecível personagem.


Outro destaque da trama foi o imenso número de celebridades do mundo real que participaram como elas mesmas: Julio Iglesias, Simply Red, Alanis Morissette, Rita Lee, Gal Costa, Roberto Carlos, entre muitos outros. 
"Celebridade" fechou com uma média de 46 pontos de audiência, empatando com "O Clone" e "Mulheres Apaixonadas" e seu último capítulo marcou 63 pontos, sendo uma das maiores audiências da Globo na década de 2000.



A novela também é lembrada por um fato triste: Leonor Bassères, que escreveu tantos anos ao lado de Gilberto Braga, faleceu em janeiro de 2004. Para preencher sua lacuna, Gilberto convocou Ricardo Linhares, que passou a escrever a trama e mais tarde veio a dividir a autoria das novelas que vieram a seguir: "Paraíso Tropical" e "Insensato Coração". Dedico esse texto à memória de Leonor e à parceria de Gilberto Braga com Cláudia Abreu e Malu Mader, fazendo um apelo para que ela seja retomada.

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