História de Isaac Abda Seleção de Repertório e Masterização: Heyner Mercado ... E quando a paixão se transforma em ódio?! Pra você que tá acompanhando a história de Clotilde e Olga e deseja baixar as músicas da trilha internacional de Arbitrário Folhetim, clique aqui.
01. HOW INSENSITIVE 5'18 Diana Krall - 02. SLOW 3'34 Rumer - 03. THIS IS WHERE I CAME IN 4'44 Bee Gees - 04. DAYS EVEN YEARS 4'36 Dan Arborise - 05. SO WE MEET AGAIN MY HEARTACHE 4'21 Melody Gardot - 06. LA VIE EN ROSE 3'50 Pablo Alborán - 07. YEAH YEAH 2'37 Dirty Loops - 08. ALL I HAVE TO DO IS DREAM 2'32 Andy Gibb & Victoria Principal - 09. JE N'ATTENDAIS QUE VOUS 5'15 Garou - 10. CALLING OUT 5'49 Curt Smith - 11. ALONE AGAIN (NATURALLY) 3'54 Neil Diamond - 12. FLIP 4'31 Jesse Green - 13. EL BODEGUERO 3'40 Karl Zéro & Henri Salvador - 14. GOOD RIDDANCE (TIME OF YOUR LIFE) 2'33 Green Day
História de Isaac Abda Direção Musical de David Oak ... E quando a paixão se transforma em ódio?! Pra você que tá acompanhando a história de Clotilde e Olga e deseja baixar as músicas de Arbitrário Folhetim, clique aqui.
Estamos vivendo uma época de contradições, de mudanças, o
que era bom ontem hoje já não é mais. E não poderia ser diferente dentro
daquilo que o brasileiro mais gosta: a novela de TV.
As tramas se modificaram e hoje tem que atingir
principalmente a dois públicos bem distintos, os de maior poder aquisitivo que
abandonaram as redes abertas e migraram para a tv a cabo e também ao público
mais popular ao qual eles costumam classificar como “classe c”. Atualmente
estamos assistindo novelas num ritmo cada vez mais ágil semelhantes aos
seriados da tv norte-americana, e que ao mesmo tempo contam com ingredientes,
personagens e situações consideradas popularescas.
Como não poderia deixar de ser, no meio desta nova realidade
a música é uma das principais vitrines da mudança. E para as trilhas sonoras
nacionais (as principais vítimas desta tendência) sobrou uma diversidade
extravagante de estilos, e que em determinados casos chega a ser gritante vide
a irregularidade dos volumes nacionais de AVENIDA BRASIL, por exemplo.
Nesta contradição surgem as trilhas instrumentais ganhando
cada vez mais espaço e adquirindo um status nunca antes imaginado diante do
cenário descrito logo acima.
A princípio este tipo de música ficava restrito apenas à
execução dentro da novela, em sua grande maioria como temas de ação, suspense
ou romance tocando no fundo das cenas. Em alguns casos eram adicionadas às
trilhas nacionais, em no máximo duas ou três faixas, apenas como complemento.
Hoje o cenário é outro e percebeu-se que estas faixas por si só podiam e deviam
ganhar um cd próprio, pois havia um público bastante interessado no produto.
Não há um registro preciso da primeira trilha instrumental
composta especialmente para uma novela. Elas sempre existiram, principalmente
numa época da tv em que ainda não se tinha o hábito de criar temas para os
personagens das tramas. Em sua maioria estas trilhas eram executadas por
orquestras das próprias emissoras, e os temas eram variações de temas da música
clássica ou arranjos instrumentais de músicas americanas. Quase sempre lançadas
em vinil, no formato compacto de no máximo quatro faixas. Desta fase são bem conhecidas
as trilhas compostas ou executadas por Erlon Chaves e sua orquestra em novelas
como O PREÇO DE UMA VIDA (Tupi 1966) entre outras.
É apenas nos anos oitenta que uma trilha instrumental ganha
uma edição especialmente composta para a novela, o que consideramos até hoje
como trilha complementar, em BAILA COMIGO (1981). Além da trilha nacional e
internacional a trama ainda contava com a instrumental composta por Robson
Jorge e Lincoln Olivetti, um compacto simples com apenas quatro faixas.
Anos mais tarde a trilha instrumental ganha o destaque que
merece pelas mãos do músico e compositor Marcus Vianna. O ano era 1990 e a
novela era o grande sucesso PANTANAL da Rede Manchete. Aqui os temas
instrumentais tinham tanta importância quanto a história da novela, pois eles
eram a síntese das imagens daquele cenário tão fascinante. A trilha foi
amplamente executada dentro da trama e foi um grande êxito de vendas ao lado
das duas belíssimas trilhas nacionais.
Marcus Vianna ainda compôs as trilhas instrumentais das
novelas ANA RAIO E ZÉ TROVÃO (Manchete 1991) que só teve um lançamento oficial
em cd com sua reprise recente pelo SBT, da novela A IDADE DA LOBA (Band 1995),
XICA DA SILVA (Manchete 1996/97), TERRA NOSTRA (Globo 1999), O CLONE (Globo
2001) e das minisséries CHIQUINHA GONZAGA (1999) e A CASA DAS SETE MULHERES
(2002), todas estas lançadas não oficialmente pelas emissoras, apenas pela
gravadora do próprio compositor.
Na Globo, a primeira novela a ganhar uma trilha instrumental
complementar foi ESPERANÇA (2002). Assinada pelo maestro John Neschling a
convite do diretor da novela Luís Fernando Carvalho, os trinta temas da trilha
foram compostos especialmente para os personagens e as situações de uma novela
de época. Executados por uma orquestra completa é um dos maiores exemplos de
criação, podendo até ser considerado verdadeiramente um álbum de música
clássica tamanha a grandiosidade de sua produção.
Depois de uma breve ausência as trilhas instrumentais
voltariam com tudo. A novela BELÍSSIMA (2005) marca este retorno. Composta por
Sergio Saraceni (AEIO URCA, A MURALHA, O CRAVO E A ROSA, A PADROEIRA) esta é
uma trilha sofisticada com temas de suspense e mistério dignos de uma trilha
sonora de filme de Hitchcock. Uma das trilhas instrumentais mais difíceis de
ser encontrada. Na própria época de exibição da novela ela já era rara nas
lojas, e hoje alcança preços absurdos em sites de vendas.
Este é um detalhe bastante relevante sobre as instrumentais,
suas tiragens são bastante limitadas, não passando de mil cópias.
Diversos nomes ficaram conhecidos pelos fãs de novelas por
conta das trilhas instrumentais. Além dos já citados Marcus Vianna e Sergio Saraceni,
temos Edom Oliveira (ANOS REBELDES, HILDA FURACÃO, SENHORA DO DESTINO) André
Sperling (RAINHA DA SUCATA, RIACHO DOCE, VAMP, PEDRA SOBRE PEDRA, DE CORPO E
ALMA, OS MAIAS, BELEZA PURA, PARAÍSO),Alberto Rosenblit (AGOSTO, EXPLODE
CORAÇÃO, POR AMOR, TORRE DE BABEL, ETERNA MAGIA, MAD MARIA. A FAVORITA) Guilherme
Dias Gomes (O FIM DO MUNDO, ANJO DE MIM, DONA FLOR, PORTO DOS MILAGRES), Alexandre
Guerra (A VIDA DA GENTE), Victor Pozas (DUAS CARAS, FINA ESTAMPA) Rodolfo
Rebuzzi (BELEZA PURA) entre outros.
Com destaque para três nomes bem
representativos: Roger Henri, Mu Carvalho e Alexandre de Faria.
Roger Henri é arranjador e produtor musical de trilhas
sonoras de programas da Rede Globo desde 1983. Mas com toda a certeza suas
composições mais famosas estão na teledramaturgia, somando mais de 1.600
músicas veiculadas em trilhas sonoras da emissora, incluídas em novelas como
MEU BEM MEU MAL (1990/91), LUA CHEIA DE AMOR (1990/91), DESPEDIDA DE SOLTEIRO
(1992), ANJO MAU (1997), FORÇA DE UM DESEJO (1999), PARAÍSO TROPICAL (2007),
INSENSATO CORAÇÃO (2011) e LADO A LADO (2012/13). E em minisséries como O PRIMO
BASÍLIO (1988), DESEJO (1990), TEREZA BATISTA (1992), MEMORIAL DE MARIA MOURA
(1994), ENGRAÇADINHA (1995), UM SÓ CORAÇÃO (2004).
Com a novela LADO A LADO o compositor ganhou uma trilha
instrumental inteira contendo 32 temas especialmente criados para a trama. Suas
composições casam muito bem em tramas de época.
Mu carvalho é outro compositor bastante produtivo.
Ex-integrante do grupo A Cor do Som, Mu se dedica atualmente apenas á
composição de temas para trilhas sonoras de filmes e novelas. É o compositor
mais solicitado para as tramas dirigidas por Jorge Fernando, em novelas como
ZAZÁ (1997), ERA UMA VEZ (1998), VILA MADALENA (1999), AS FILHAS DA MÃE (2001),
CHOCOLATE COM PIMENTA (2003), ALMA GÊMEA (2005), SETE PECADOS (2007), CARAS E
BOCAS (2008), TI-TI-TI (2010) e GUERRA DOS SEXOS (2012/13).
Teve suas composições originais lançadas em três cds de
trilhas instrumentais, são eles TRÊS IRMÃS (2008), CARAS E BOCAS e GUERRA DOS
SEXOS. Seus temas são essencialmente voltados para tramas mais ágeis e com
forte influência de comédia.
Alexandre de Faria é um nome novo entre os compositores mais
conhecidos, entretanto vem demonstrando uma composição forte e bastante fértil
em trilhas sonoras. Está presente nas últimas tramas de Glória Perez,
responsável pelos instrumentais da minissérie AMAZÔNIA DE GALVEZ A CHICO MENDES
(2007) e das novelas CAMINHO DAS ÍNDIAS (2009) e SALVE JORGE (2012/13). Estas
duas últimas com trilhas instrumentais maravilhosas e de uma emoção sem igual.
Se forte são os temas étnicos com arranjos épicos e dramáticos, a cara das
novelas da autora.
Enfim, as trilhas instrumentais representam uma grande parte
do sucesso das novelas, pois dão vida às cenas e aos personagens quando não é
possível a utilização dos temas cantados. E que mesmo com a baixa qualidade da
música nacional que estas pelo menos tenham vida longa, encantando, emocionando
e sendo lançadas cada vez mais.
Com a inauguração do museu oficial do ABBA
na próxima terça-feira, em Estocolomo, capital da Suécia, o momento é mais do que oportuno para
trazer à baila o nome do quarteto que dominou as paradas de sucesso nos anos
70. Ainda que aqui no Brasil o evento não crie a expectativa que vem criando na
Europa, não se pode negar que o ABBA tem conquistado mais espaço também entre
os brasileiros nos últimos anos.
O crescente interesse pelo grupo só reforça
seu carisma internacional. Em 2010, por exemplo, o ABBA entrou para o Rock and
Roll Hall of Fame, honra concedida apenas aos gigantes da música (Elvis
Presley, Beatles, Rolling Stones, Michael Jackson etc.). Naquele mesmo ano, Mamma Mia!, um dos musicais mais famosos
do mundo – composto de canções do ABBA – ganhou uma montagem brasileira e
permaneceu um ano em cartaz em São Paulo. Em 2012, finalmente o mercado
editorial brasileiro resolveu traduzir um livro sobre o ABBA (O Que Há por Trás de Cada Canção, ed.
Larousse), do inglês Robert Scott.
Agora em maio, além da inauguração do museu do
grupo, Agnetha Fältskog (a loira do ABBA) lança também seu álbum solo A, depois de quase dez anos em silêncio.
A volta de Agnetha também tem causado alvoroço entre os fãs do grupo. Benny e
Björn, os homens do ABBA, compuseram We
Write the Story, o tema para a edição 2013 do Eurovision Song Contest (o
festival musical que catapultou o ABBA para a fama em 1974).
Ainda que o mercado brasileiro seja bem
limitado no que diz respeito ao quarteto sueco, as coisas parecem mudar aos
poucos. Sorte da nova geração de fãs brasileiros do ABBA, que encurta as
distâncias graças à internet. Mas houve um tempo em que a música do grupo era
presença constante nas rádios, programas de televisão e lojas de discos no
Brasil. Sem falar nas novelas, cujas trilhas sonoras internacionais funcionavam
como uma espécie de ‘suprassumo’ do que havia de melhor no hit parade mundial. Aliás, as novelas foram um dos fatores que
contribuíram para a descoberta do ABBA no Brasil, na segunda metade dos anos
70.
A canção Honey
Honey (que o grupo havia lançado em 1974) foi incluída na trilha sonora internacional
da novela O Casarão (1976), de Lauro
César Muniz. Isso chamou a atenção dos brasileiros, que começaram a querer
conhecer outros trabalhos daquela banda até então misteriosa por aqui. Depois
disso, outros sucessos do ABBA apareceriam em trilhas sonoras de telenovelas
de sucesso.
No ano seguinte foi a vez de The Name Of The Game integrar a trilha
internacional de outro sucesso da Rede Globo: O Astro (1977-78), de Janete Clair. Nessa época o ABBA já estava
entre os mais tocados nas rádios brasileiras. Mas foi em 1980 que um dos
maiores hits do grupo, The Winner Takes
It All, fez imenso sucesso na trilha internacional de Coração Alado, também de Janete Clair. A música foi tema dos
personagens de Vera Fischer e Tarcísio Meira, nos papeis de Vivian e Juca,
respectivamente. A canção rendeu bastante por aqui e originou várias versões em
português.
Em 1983 o ABBA já havia se dissolvido. Seus
ex-integrantes trilharam caminhos separados, mas duas canções solo das mulheres
fizeram parte das trilhas sonoras internacionais de duas novelas da Globo
naquele ano: I Know There’s Something
Going On, do álbum solo de Frida Something’s
Going On, entrou no LP internacional da novela Louco Amor, de Gilberto Braga. Wrap
Your Arms Around Me, do álbum homônimo de Agnetha, foi usada na trilha de Eu Prometo, última novela de Janete
Clair.
Lembranças de um tempo em que o sucesso dos
temas internacionais das novelas continuava mesmo após o fim da novela.
Exatamente como o sucesso dos indefectíveis hits do ABBA.
Twitter: @danielcouri
(*) Autor de Made in Suécia – O paraíso pop do ABBA (Página Nova, 2008) e Mamma Mia! (Panda Books, 2011).
Não sei precisar se a música internacional
divide com a MPB a atenção do telespectador de novelas, de modo equitativo. Mas
ambas fazem toda a diferença nas produções de teledramaturgia. Quem curte telenovelas
não consegue imaginá-las sem as tradicionais trilhas sonoras. É um casamento
perfeito, mas não de aparência. Há um envolvimento, um sentimento harmonioso
pra toda a vida.
Eu curto algumas internacionais. Porém
minha preferência tende a ser pelas nossas músicas. Adoro escutá-las. E quem me
conhece, bem sabe que elas fazem parte de minha rotina [o exagero é proposital].
Seja amenizando o estresse diário no transporte público, com fones
providenciais, ou mesmo em som ambiente em meu local de trabalho, ou ainda,
quando fazendo faxina em minha casa... Hoje foi dia [risos]. Clima frio, super
agradável. Convidei a Selma Reis pra me fazer companhia [mais risos]. Pedi que cantasse
seus maiores sucessos, e ela prontamente me atendeu. Ok! Antes que perguntem,
esclareço que não era a própria, em pessoa. Não, não era. Quem esteve aqui em
casa foi a sua voz forte, marcante. Aliás, ainda está a tocar enquanto escrevo
estas linhas.
Que prazer poder apreciar belas
canções de uma cantora, dona de expressividade tão particular. Selma Reis já fez
participações como atriz, na TV e também no Teatro. Mas é cantando que seu talento
é facilmente ratificado.
Em 1990 a Globo exibia a minissérie
Riacho Doce, e a música “O que é o Amor” embalava as cenas da romântica e
sofredora Francisca, personagem de Luiza Tomé. Letra e música totalmente pertinentes
à trama. Algo cada vez mais raro em produções atuais.
No mesmo ano, estreava na emissora a
novela Araponga e a cantora emplacava mais uma música. “Estrelas de Outubro”
era tema do personagem Érico, interpretado por Paulo José.
Ter uma música incluída em trilha
sonora de novela, e ainda mais sendo da Globo, antigamente não era pra qualquer
cantor/grupo. Selma teve a honra de, em 1991, já em sua terceira inserção na
área musical da teledramaturgia, ser convidada pra cantar o tema de abertura da
novela Salomé. “Sombra em Nosso Olhar”, uma adaptação da “Smoke Gets In Your
Eyes” do The Platters. Bela canção pra uma belíssima novela.
Noutra trama das seis, Despedida de
Solteiro (1992), Selma canta as dores e mágoas da personagem Marta, vivida por
Lucinha Lins. “Deságua” é uma de minhas prediletas da cantora.
Curiosamente, Selma Reis parecia ter a
preferência da diretoria musical quando se tratava de escalação das trilhas sonoras das
novelas do horário das seis.
O ano era 1993. A novela Sonho Meu
alcançava índices memoráveis à época, e lá estava a voz penetrante da Selma
mais uma vez abrilhantando uma trama. A personagem Cláudia, protagonizada pela
Patrícia França, sofria nas mãos do marido violento, e ao fugir dele perde a
guarda da filha. A música “O Preço de uma vida” calhava perfeitamente com a
trama.
Interessante observar que há uma
característica comum às músicas interpretadas pela Selma Reis e que ilustraram
essa postagem. Falam de mágoas, infelicidades, tristezas, dores, amores,
amarguras, paixões, desejos da alma, de sentimentos muito fortes do homem. Não
são banais, não são coloridas, e talvez por isso mesmo toquem no profundo do
ser.
Tomara, em breve possamos ter o prazer
de mais uma vez curtir a voz da cantora numa trilha sonora.
Antes de a telenovela brasileira ser real e genuinamente
um produto nacional, as trilhas sonoras de novelas eram músicas retiradas de
filmes, quase sempre orquestradas e sem vocal. Não havia cuidado especial com o
que era veiculado tampouco havia lançamento de discos, salvo raras exceções.
Aí
a TV Tupi veio com BETO ROCKFELLER trazendo Beatles, Jorge Ben, Bee Gees,
Erasmo Carlos... E as novelas descobriram o maravilhoso mundo da música
popular. Mais ou menos na mesma época Nelson Motta começou a produzir as
trilhas das novelas da TV Globo para a Philips. Em 1971 a Som Livre de João
Araújo profissionalizou o negócio e criou-se uma invejável indústria que unia o
maior divertimento do povo com o melhor da música.
Na
década de 1970 foram criadas pérolas como as trilhas de O Bem Amado, Gabriela,
Selva de Pedra, O Grito, O Primeiro Amor, O Rebu, O Bofe, compostas
especialmente por gente do calibre de Roberto Carlos, Raul Seixas, Vinícius de
Moraes, Dorival Caymmi, Victor Assis Brasil, etc. Era o auge da criatividade na
telenovela, incluindo-se aí a sonoplastia.
Vieram
as décadas seguintes e o conceito de trilha sonora exclusiva se perdeu. Ainda
assim, os discos de novela traziam grandes nomes da música nacional e
internacional e, em sua maior parte, refletiam o gosto musical da época com
competência e algum bom gosto.
Veio
a internet, a indústria fonográfica desabou, o Plano Real colocou uma televisão
de 42 polegadas em cada cômodo de cada casa desse país. A transformação foi
intensa e causou uma enorme e devastadora diarréia mental nas cabeças pensantes
da televisão. Criou-se a máxima de que tudo que é bom deveria ser cortado para
que as telenovelas atraíssem essa nova leva de consumidores. E as trilhas sonoras
vieram ladeira abaixo.
O
auge desse conceito novo de vender música via novela foi a bem sucedida Avenida
Brasil. O oi-oi-oi tomou conta do país. Às nove da noite a luz azulada das
televisões levou aos lares do país inteiro as delícias poéticas de Michel Teló,
Luan Santana, Lucenzo e congêneres. Marisa Monte e Rita Lee eram
constrangedoramente exceções no repertório da novela.
Na
Record o conceito logo foi copiado. Em sua delirante Balacobaco, artistas como
Lady Lu, Amado Batista e inúmeras duplas de sertanejo universitário fazem da
trilha sonora da novela um bom substituto de qualquer laxante.
Voltando
a TV Globo, Salve Jorge parecia que mudaria o panorama. Glória Perez sempre
influiu positivamente na trilha sonora de suas tramas incluindo samba, Nana
Caymmi e muita (verdadeira) MPB. Mas o que se vê no ar é um espetáculo
dantesco.
Ao
fim de um capítulo qualquer outro dia, vi uma cena muito bem escrita por ela
que terminou num clímax de suspense muito bem urdido. Fechando a cena no clima
tenso, vieram os créditos finais ao som de um funk de letra absolutamente
debochada e de mau gosto.
Nada
contra funk debochado e de mau gosto. Mas combina com a cena? A sonoplastia de
cena também anda de uma pobreza atroz. A música simplesmente toca ao fundo.
Clímax, corte, usar a letra da música para dar dimensão ao que a tela mostra,
nada disso mais é utilizado de modo competente.
Parece
que desaprenderam a fazer algo que antes era tão simples e usual. Qual o sentido
de se colocar música popular que não combina com a obra? Sentido ainda é um
critério para quem faz TV?
É estranho
quando começamos algo pela primeira vez, por mais que saibamos o que estamos
fazendo, sempre há aquele frio na barriga por medo de fracassar. Nesses
dias que se passaram, fiquei pensando no que escrever, pois o assunto mais
corriqueiro do blog são as novelas, e confesso que ando algum tempo afastada
delas; e como a que eu costumava assistir, estreou algum tempo, não gostaria de
falar no lugar comum.
Foi
quando pensei em escrever sobre trilhas sonoras e o efeito que elas têm na vida
das pessoas, afinal de contas, o que seria de uma produção (Seja ela novela,
série, filmes, etc.) se não fosse sua trilha sonora? É a trilha sonora que liga
o espectador ao programa (Seja ele de forma positiva ou não). E as trilhas
sonoras mais interessantes que eu já vi no que se trata de novelas, são as de “Lado
a Lado” e “Salve Jorge”.
Ambas
são recheadas por artistas consagrados da música brasileira e dificilmente se
encontra uma música ruim nelas... Bem, sejamos sinceros? Tirando “Esse cara sou
eu” que parece que já encheu a paciência de todo mundo!
Sempre
gostei das trilhas sonoras, algumas das novelas que eu mais gostei, eu sempre
lembro primeiro da sua trilha sonora. É ela que me liga a determinada cena ou
personagem. Particularmente, estou fascinada com a trilha de “Lado a Lado”,
delicada e sincera assim como a novela. Caso as músicas já não existissem há algum tempo, seria possível dizer que todas as músicas foram compostas
especificamente para a novela.
De
Nando Reis a Diogo Nogueira, a trilha passeia pelos anos que se seguiram à
Proclamação da República trazendo a baila assuntos que, ainda hoje, são atuais.
Salve Jorge é o tipo de trilha alegre e divertida que nos faz esquecer um pouco
do tempo e relaxar com os grandes intérpretes da nossa música.
São
duas trilhas sonoras que valem a pena ter para a coleção de músicas. E tenho
certeza que vocês irão se divertir bastante.
26 de setembro, dia de aniversário de Gal Costa, uma das artistas mais completas da Música Popular Brasileira. Convidei o amigo Robério Silva, um de seus fãs mais fervorosos, a desenvolver um texto sobre a presença marcante da cantora nas trilhas sonoras da teledramaturgia brasileira. Ele topou, e o fez primorosamente. Obrigado pela sua participação especial, meu caro. Confiram!
Robério Silva é professor universitário, Doutor em Literatura pela UFF.
Escrever sobre a participação de uma de nossas maiores
cantoras no repertório já extenso das trilhas televisivas no Brasil é uma
tarefa das mais saborosas, pois me faz voltar a momentos preciosos de nossa
teledramaturgia bem como, no caso das canções mais antigas, a lembranças
saborosas da infância e adolescência.
Talvez uma das vozes mais
presentes nas trilhas de nossas telenovelas, Gal Costa está presente em obras
históricas da teledramaturgia, chegando mesmo a participar de cenas, sobretudo
de uma já antológica, em Dancin’ Days, e outras também da fatura de
Gilberto Braga.
Tentei aqui reunir dois critérios
na classificação e apresentação das canções que mais marcaram a obra televisiva
e a carreira da cantora junto ao aspecto afetivo que sempre permeia os textos
que escrevemos sobre teledramaturgia. Também segui nosso querido blogueiro e
roteirista Vìtor de Oliveira e criei um
rank de melhores canções da Gal. Vamos a elas.
10 – Caminhos Cruzados (Mulheres
de Areia – 2a. versão, 1993; O Profeta – 2a. versão, 2006):
nessa bela canção, Gal Costa mostra seu canto límpido e disciplinado nos
acordes da bossa nova de Tom Jobim, que a considerava uma de suas melhores
intérpretes. A gravação se adaptava bem aos rumos amorosos das duas tramas
globais, acentuando o clima romântico de ambas.
9 – Meu bem, meu mal (Brilhante
– 1981; Queridos Amigos – 2008) esta parceria sexy com seu irmão artístico
e principal influência nos primeiros anos de carreira, Caetano Velloso, foi um
hit romântico durante quase toda a década de 80, e ajudou a compor o clima
chique de Brilhante e os desencontros amorosos da minissérie Queridos
Amigos.
8 – Futuros Amantes (História
de Amor – 1995): curiosamente, tinha quase certeza de que esta bela canção
de Chico Buarque que encontrou uma suave tradução na voz de Gal, também fazia
parte da trilha de A idade da Loba, exibida pela Bandeirantes no mesmo
ano em que a Globo transmitia mais uma trama envolvendo uma Helena de Manoel
Carlos, a primeira encarnada por Regina Duarte e que alcançou grande sucesso.
Ao som da bela interpretação de Gal Costa, acompanhávamos a luta de Helena por
seu amor e pela formação final da terrível filha. Na verdade, a canção que
soava na trama da Band era Lindeza, mais uma bela composição do Mano Caetano.
7 – Dez Anos (Ciranda
de Pedra – 1981; Dinheiro Vivo [Tupi]- 1979) – esse bolerão
romântico até a raiz encontrou uma interpretação sofisticada na voz cristalina
de Gal, criando um clima todo especial para a personagem Laura, de Ciranda
de Pedra. Tenho uma relação especial com esse tema por já possuir o disco
“Gal Tropical” à época em que a adaptação do romance homônimo de Lygia Fagundes
Telles ia ao ar no horário das seis. Deliciava-me com Gal e me assustava um
pouco com a trama algo sombria da novela.
6 – Baby (Transas e
Caretas – 1984 ; Ninho da Serpente – 1982 ; Anos Rebeldes – 1992): chegamos
ao terreno dos clássicos de Gal, encontrando aquele que foi seu primeiro hit
radiofônico e encontrou repercussão em três produções da teledramaturgia. Acredito
que a versão presente na trilha de Transas e Caretas seja a de 1982,
gravada em parceria com o Roupa Nova. A versão clássica compôs a trilha do
grande melodrama Ninho da Serpente, exibido pela Bandeirantes, trilha,
aliás, composta por grandes clássicos. No entanto, é na minissérie Anos
Rebeldes que a canção ganha um status de grande tema de toda a história,
sendo repetida em diversas cenas, ajudando a compor e embalar os conflitos dos
jovens, revolucionários ou não. “Baby” é quase uma personagem da obra.
Impossível pensar na minissérie e não nos remetermos à gravação da jovem Gal.
5 – Força Estranha (Os
Gigantes – 1979): se a novela foi um fracasso – uma pena, pois lá estava
uma das maiores interpretações de Dina Sfat, no papel de Paloma – o mesmo não
se pode dizer desse registro de Gal Costa, uma de suas mais fortes
interpretações, dessa maravilhosa letra de Caetano Velloso. Em nossa modesta
opinião, nenhuma versão, nem mesmo a de Roberto, superou a de Gal. Neste caso,
venceu a música.
4 – Só Louco (O Casarão
– 1976): Gal Costa como abertura de novela e cantando Dorival Caymmi, eis
um paradigma das trilhas de novela. Embora não tenha sido a primeira vez, a
canção se colava imediatamente à novela, uma das mais líricas da história
televisiva. Todo o clima romântico da obra já aparecia embalado na
interpretação intimista da cantora e no arranjo sutil.
3 – Folhetim (Dancin’
Days - 1978): não bastava a canção para representar a sofrida, mas
batalhadora Júlia Mattos, vivida inesquecivelmente por Sônia Braga, Gal acabou
aparecendo em uma cena da novela cantando numa festa de Yolanda Pratini (Joana
Fomm), que pede à irmã heroína que preste atenção à letra de Chico. Momento e
gravação antológicos.
2 – Brasil (Vale Tudo –
1988): embora cantada pelo próprio compositor, Cazuza, e por outros
artistas, foi na voz de Gal que o grito de impaciência da nação diante da
cultura da Lei de Gèrson encontrou a mais forte transmissão. Já no primeiro
capítulo, com a abertura da novela, os telespectadores sabiam o que esperar; a
intensidade da interpretação de Gal não cansou o público que se viu preso às
aventuras e dramas de Raquel e Maria de Fátima Aciolly e os Roitman, nessa que, com certeza, é uma
das cinco mais importantes telenovelas da história.
1 – Modinha para Gabriela (Gabriela
– 1975 e 2012). Será mesmo uma coincidência escrever sobre o clássico de
Caymmi, no momento em que mais uma vez a Globo adapta o romance de Jorge Amado,
e mais uma vez a gravação histórica de Gal é utilizada para a abertura da
novela? Talvez. Mas o que poderia traduzir e resumir melhor uma telenovela
através de sua canção-tema? Pouquíssimas vezes uma canção pode estar tão ligada
a uma telenovela como neste caso. Gal empresta toda a brejeirice baiana para
dar vida à voz de Gabriela, interpretando quase como atriz a canção do baiano
maior da música. É sintomático que se tenha recorrido à mesma gravação para o
remake da clássica novela. Na minha cabeça de criança pequena, a imagem de
Sônia Braga e a voz de Gal se fundiam para formar essa figura maior chamada
Gabriela. Clássico dos Clássicos das trilhas e das aberturas.
Gal Costa é definitivamente uma
das vozes maiores da teledramaturgia musical.