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sábado, 9 de maio de 2015

É Claudia Raia, Saaabe?

Por Marcelo Alves

Ela comemora seus 30 anos de carreira este ano. Dos musicais às novelas, ela nos presenteia com suas atuações marcantes, sua presença tão agradável na telinha. Não tem pra ninguém, seja no teatro ou na TV, ela rouba a cena e nunca passa despercebida – nem teria como – pelo público.
Nesta data tão importante, rememoremos a carreira da nossa principal triple threat brasileira: CLAUDIA RAIA!

Rebobinamos a fita para o ano de 1985, mais precisamente na novela Roque Santeiro. Claudia estreia nas novelas no papel de Ninon, uma das dançarinas da boate Sexus.

“Eu fazia uma figuração de luxo [...] Eu fiz a primeira cena, que eu tinha uma frase que era ‘eu também’[...] Eu fiquei um mês assim ‘Eu também... eu também... eu também... eu também... eu também” [...] A minha fala era no meio de duas da Regina [Duarte], que tinha laudas pra decorar [...] E eu ali na minha ‘deixa’. Aí no ensaio ela emendou uma fala na outra, eu falei: ‘Não, não, pera ai, pelo amor de Deus!’”

No decorrer da novela a personagem cresceu, graças ao encantamento do público. Por esta personagem, Claudia ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).


Em 1988, na novela Sassaricando, de Silvio de Abreu, com quem viria a trabalhar em várias outras novelas, viveu a espevitada Tancinha, que é uma de suas personagens mais lembradas até hoje. A feirante Tancinha, umas das filhas de Aldonza (Lolita Rodrigues), não levava desaforo pra casa. Era disputada por Beto (Marcos frota) e Apolo (Alexandre Frota). Seu sotaque paulistano exagerado e seu jeito diferente de oferecer melões na feira, balançando junto com os seus seios, são sua marca registrada.

“Acho que foi uma das personagens de maior sucesso que fiz, mas malharam no início. Era uma mulherona, meio Sophia Loren, mas superingênua.”


Em 1989, no quadro “As Presidiarias” do programa TV Pirata, Tonhão, uma presidiária lésbica, fez enorme sucesso. No quadro, a personagem tinha trejeitos masculinos e dava em cima das companheiras de cela, em mais uma brilhante atuação de Claudia.

“Eu sempre fazia a gostosona, até que, depois do quarto programa, cheguei para o Guel Arraes e disse: ‘Olha, eu queria mudar’. Tonhão foi o meu maior sucesso no programa. Eu me descobri uma comediante de verdade, e o estilo de comédia que gosto de fazer.”

Em Rainha da sucata (1990) a atriz deu vida a Adriana de Albuquerque Figueroa, que é lembrada até hoje como “bailarina da coxa grossa”. Ao lado do gago Caio Szimanski (Antônio Fagundes), protagonizaram ótimas cenas de humor, no decorrer da novela. Uma personagem divertidíssima, uma de minhas preferidas.

“Esse papel foi uma consagração né? A bailarina da coxa grossa e o gago eram um casal completamente inadequado. Silvio disse: ‘Escrevi um papel para você, mas queria que você engordasse, porque queria que fizesse a bailarina da coxa grossa, que nada dá certo para ela. E ela se apaixona por um gago. Quero que seja um casal de comédia: você e Antonio Fagundes’. Fiquei uma balofa!”

A certa altura, Claudia não aguentou mais ficar tão acima de seu peso e pediu a Silvio de Abreu que fizesse a personagem emagrecer, e o autor criou sequencias divertidíssimas de Adriana tentando perder peso.


Em 1992, na novela Deus nos Acuda, viveu Maria Escandalosa, uma trambiqueira de marca maior, que é salva da morte pelo anjo Celestina (Dercy Gonçalves), e passa a ser vigiada por forças divinas, com o intuito de torná-la uma pessoa de bom caráter. Foi durante as gravações desta novela, que a atriz começou um romance real com o ator Edson Celulari, que fazia seu par romântico. Com ele se casou e tiveram dois filhos. A relação durou até alguns anos atrás.

Na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), Claudia interpretou a personagem titulo, na segunda fase. Uma mulher bonita, mãe de família e religiosa, que é casada com Zózimo (Pedro Paulo Rangel) e vive uma paixão secreta com Luiz Claudio (Alexandre Borges). A atriz faz questão de citar em suas entrevistas, que a partir de Engraçadinha se tornou uma atriz que podia fazer drama.




Em Torre de Babel (1998), Claudia viveu a perversa Ângela Vidal, primeira vilã de sua carreira. Braço direito da família Toledo na administração do Tropical Towers Shopping, nutria uma paixão platônica por Henrique Toledo (Edson Celulari). Da paixão não correspondida brota um sentimento doentio. Ela se torna uma mulher fria, assassina perigosa. A personagem tem um trágico desfecho: se joga do alto do shopping.

"Sabia que ela era uma vilã horrível. Foi estratégia do Silvio [de Abreu] começar devagar, pela sombra, aparecendo uma coisinha aqui e ali. Tive que estudar muito para fazer esse papel. Quando começa uma novela, a gente brinca que, depois de dois ou três meses, o papel sai na urina. A Ângela não saiu facilmente para mim."


Em 2001, em As Filhas da Mãe, Claudia encarnou a estilista Ramona, um transexual, que choca a família ao voltar ao Brasil com a novidade de que teria mudado de sexo. Envolve-se amorosamente com Leonardo (Alexandre Borges).

“Não me pergunte como um transexual, num país que é machista e conservador, pôde ter feito tanto sucesso. As crianças diziam: ‘Ramona, você tem que ficar com o Leonardo. A gente está torcendo!’ Era um sucesso inacreditável, foi uma novela ousada.”


Em O Beijo do Vampiro (2002), interpretou a esfuziante vampira Mina de Montmartre. Era uma grande atriz parisiense de sua época. Foi conduzida ao mundo sobrenatural em algum momento do século XIX. Bonita, sensual, cruel e engraçada, foi seduzida e vampirizada por Bóris (Tarcísio Meira), tornando-se cúmplice dele por mais de um século. 


Já em Belíssima (2005), Claudia interpretou Safira, filha de Katina e Murat (Irene Ravache e Lima Duarte, respectivamente). Depois de vários casamentos, vai se sentir fortemente atraída pelo mecânico Paschoal (Reynaldo Gianecchini). Os dois protagonizaram cenas pra lá de calientes!


Em 2007, Claudia vivia mais uma vilã em sua carreira, Agatha, na novela Sete Pecados de Walcyr Carrasco. Sua primeira (e única) parceria com o autor não foi algo muito bom para a carreira de Claudia. Ela foi novamente criticada por seu desempenho como vilã e, segundo boatos, após inserir cacos (improvisação nas falas) no texto – o que o autor não admite que façam de forma alguma – teve sua personagem morta.


Em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro, deu vida a Donatela Fontini. A socialite vê sua vida virar um inferno com a saída de Flora (Patrícia Pillar) da cadeia, a quem ela acusa de ter matado seu marido, Marcelo (Flávio Tolezani).

“O João Emanuel escreveu a Donatela pra mim, por causa da Engraçadinha.”


No remake de Tititi (2010), na pele de Jaqueline Maldonado, Claudia brilhou! Sua personagem não ficou devendo em nada para a Jaqueline de Sandra Bréa. Uma tresloucada perua, que se apaixona pelo estilista Jaques Leclair (Alexandre Borges). Nesta novela a atriz viveu ótimos momentos, cenas divertidíssimas que só reafirmaram o talento da atriz para o humor. A personagem fez tanto sucesso com o público que quase virou um seriado. Quem aí não se lembra de quando Jaqueline, que adorava Xuxa, cantou com a própria? Ou quando fundou um grife no convento? Jaqueline entrou para a galeria de suas melhores personagens.


Lívia Marine, de Salve Jorge (2013), da autora Glória Perez, talvez tenha sido a personagem mais criticada de Claudia. A vilã elegante e acima de qualquer suspeita, que agenciava garotas para sua quadrilha de tráfico internacional de pessoas, não agradou. Muito porque Lívia acabou sendo esmagada por outra vilã da novela: Wanda (Totia Meireles).

O método assassino da vilã virou piada na internet. Quem não se lembra da Seringada da Lívia?


Samantha Santana, sua personagem mais recente, fez muito sucesso na trama das sete, Alto Astral, que teve o seu último capítulo exibido nesta sexta. Ao lado de seu fiel escudeiro, Pepito (Conrado Caputo), arrancou boas risadas do público. Samantha, uma das melhores personagens da novela, vai deixar saudades!




Ah, mas o sucesso foi tanto, que se fala na criação de um seriado para a personagem e seu parceiro Pepito. 


Marcelo Alves é um jovem estudante do ensino médio, apreciador da teledramaturgia brasileira, curioso por tudo que envolva o gênero telenovela. 

Sua fonte de pesquisa: Sites Memória Globo, Teledramaturgia e Folha de São Paulo.     

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Por que os vilões nos fascinam?


Por Henrique Melo

Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora, contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais doentios da essência humana.


Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú. Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.

Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes, ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no desfecho de tudo. 

Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.

Independente de qual for a sua situação financeira!
Faça questionamentos sobre a sua vida com Félix Khoury

Como afugentar gente chata com elegância.
Siga os ensinamentos da Rainha da Mentira...
Manifeste sua dor, ao ser bloqueado no Whattsapp, com Soraya Montenegro!
Aprenda a ter autoestima com Nazaré Tedesco

Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são dotados de um lado bom e ruim. 



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Retrospectiva e Expectativa – Parte 2

         

Por Leonardo Mello de Oliveira

              
              Assim como em qualquer início de ano, os aficionados por TV ficam na espera por melhores produções e por novidades que melhorem o estado instável da atual televisão brasileira. Em 2015, temos promessas de boas novelas para comemorar os 50 anos da Globo, com autores novos e veteranos tentando emplacar sucessos, seja no horário das seis, sete, nove ou onze.
            Na segunda e última parte dessa postagem especial, falaremos sobre as novelas globais que estrearão neste novo ano. Tentaremos nos ater um pouco à história, à equipe e ao que se esperar de cada uma.

            SETE VIDAS


            Horário: 18h
            Estréia: 9 de março
            Autor: Lícia Manzo
            Direção: Jayme Monjardim
       Elenco: Domingos Montagner, Débora Bloch, Vanessa Gerbelli, Ângelo Antônio, Isabelle Drummond, Jayme Matarazzo, Thiago Rodrigues e Regina Duarte.
  História: Miguel (Domingos Montagner) é um fotógrafo que foi doador de sêmen, o que o faz pai de 6 jovens. Depois de passar um período depressivo, decide se dedicar ao seu trabalho e viaja para a Antártida. Lá, sofre um acidente e é dado como morto, o que abala Lígia (Débora Bloch), com quem teve um relacionamento antes de sua viagem e que se descobre grávida de Miguel. Depois de anos, Júlia (Isabelle Drummond), uma das filhas geradas pelo personagem de Montagner, acaba se apaixonando por um meio-irmão, Pedro (Jayme Matarazzo), também filho de Miguel. Juntos, resolvem reunir todos os 7 irmãos e ir atrás do pai.
 O que esperar: Autora da excelente A Vida da Gente (2011), Lícia promete uma novela polêmica, com direito a Regina Duarte em um papel homossexual e muita discussão sobre a doação de sêmen. Podemos esperar uma história realista, com personagens femininas fortes, dramas familiares e diálogos bem escritos. Lícia possui um estilo semelhante ao de Manoel Carlos, o que se evidencia ainda mais com a direção de Monjardim. A novela será curta, o que pode extinguir a barriga que novelas mais pé-no-chão podem originar. Aliás, Sete Vidas possui diversos elementos muito mais ficcionais, diferente de sua irmã de 2011, cuja história era super simples e realista. Apesar de talvez não segurar muita audiência, a história envolvente e diferente, com o estilo de Lícia, pode reerguer o horário, que anda mal das pernas nos últimos anos.

ENCONTRO MARCADO



Horário: 18h
Estreia: Segundo semestre de 2015
Autor: Elizabeth Jhin
Direção: Rogério Gomes
Elenco: Rafael Cardoso (cotado), Letícia Persiles, Nívea Maria e Jandira Martini
História: Ainda não há muitas informações quanto à história, apenas sabe-se que seguirá o estilo espírita da autora, terá a cabala como seus temas e a Serra Gaúcha como pano de fundo.
O que esperar: O estilo de romance com o espiritismo, já bem explorado por Elizabeth Jhin, se mostrou um pouco desgastado na sua última obra, Amor Eterno Amor (2012). No entanto, a autora parece buscar temas diferentes a serem trabalhados neste novo folhetim, além de contarmos com uma direção mais amadurecida de Rogério Gomes, como se vê atualmente em Império. A autora não deverá repetir seu erro na novela de 2012, onde explorou por demasia o espiritismo, esquecendo a história principal. Também se deve esperar que tanto autora quanto diretor evitem um elenco gigantesco, como aconteceu em Amor Eterno Amor, onde personagens acabam sendo mal-explorados. A escritora domina os métodos para se ter um folhetim agradável, portanto, pode nos surpreender.

PARAISÓPOLIS FOREVER



Horário: 19h
Estreia: Abril
Autor: Alcides Nogueira e Mário Teixeira
Direção: Wolf Maya
Elenco: Bruna Marquezine, Tatá Werneck, Maurício Destri, Caio Castro e Letícia Spiller.
História: Marizete/Mari (Bruna Marquezine) viaja com sua amiga Fernanda (Tatá Werneck) para os Estados Unidos, com a esperança de uma vida melhor. No entanto, ambas são obrigadas a voltar para Paraisópolis, favela onde cresceram. Mari vai trabalhar como segurança na casa de Soraia (Letícia Spiller), que quer destruir a favela para construir condomínios. Maria se apaixona pelo filho da vilã, Benjamin (Maurício Destri), mas também tem que resolver sua situação com o ex-namorado Grego (Caio Castro), criminoso de Paraisópolis.
O que esperar: De todas as novelas de 2015, Paraisópolis Forever é a que dá mais medo. Com uma sinopse cheia de clichês e elementos bizarros, o clima é de desconfiança. O tom popular foge do estilo de Alcides Nogueira, que já escreveu novelas mais refinadas, como Ciranda de Pedra (2008) e O Astro (2011). A direção de Wolf Maya também preocupa, além do elenco ser bem fragmentado, com atores bons, médios e ruins. Agora é esperar e ver se as próximas notícias nos animam mais. O que dá esperanças é o estilo de texto de Nogueira e a experiência de Mário Teixeira, que foi co-autor de O Cravo e a Rosa, uma ótima comédia. O último trabalho de Alcides e sua equipe de colaboradores foi o remake de O Astro, onde mostrou um grande profissionalismo e adaptou de uma maneira excelente uma das obras mais marcantes de Janete Clair. Então, talvez possamos nos surpreender com uma abordagem completamente diferente dos elementos populares em folhetins.

BABILÔNIA



Horário: 21h
Estreia: 23 de março
Autor: Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga
Direção: Dennis Carvalho
Elenco: Glória Pires, Adriana Esteves, Camila Pitanga, Thiago Fragoso, Gabriel Braga Nunes, Marcos Palmeira, Bruno Gagliasso, Sophie Charlotte, Chay Suede, Cássio Gabus Mendes, Daisy Lúcidi, Nathália Timberg e Fernanda Montenegro.
História: Com várias tramas paralelas que se encontram, Babilônia gira em torno de 3 mulheres: Regina (Camila Pitanga) é uma moradora do Morro da Babilônia, batalhadora e que namora Vinícius (Thiago Fragoso), um advogado rico e idealista, e também é cortejada pelo malandro Luis Fernando (Gabriel Braga Nunes); Beatriz (Glória Pires) é uma ninfomaníaca assassina que se aproxima do milionário Evandro (Cássio Gabus Mendes); e Inês (Adriana Esteves), rival ferrenha de Beatriz, que faz tudo para prejudicá-la. A filha de Inês, que será vivida por Sophie Charlotte, deverá se tornar uma prostituta de luxo agenciada pelo cafetão interpretado por Bruno Gagliasso. A novela ainda conta a história do casal formado por Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg), que vive sendo perseguido por Consuelo (Daisy Lúcidi), uma rica perua que, suspeita-se, seja uma homossexual enrustida. O casal possui um filho, Rafael (Chay Suede), que sofreu discriminação por ser filho de um casal homossexual.
O que esperar: Gilberto Braga volta ao horário das nove com uma trama forte, envolvente e que promete abordar diversas polêmicas. O elenco de peso (há tempos não se via tantos astros em uma só produção) e a direção, que sempre se reinventa, de Dennis Carvalho, só aumenta as expectativas. Braga sempre apresentou um texto refinado, com crítica social e diálogos muito bem pensados. Como sempre, o autor deve abordar a diferença de classes e a ascensão social, além de falar mais sobre homossexualismo. Com doses de elementos tanto populares quanto sofisticados, Babilônia tem tudo para ser um fenômeno tão grande quanto foi Avenida Brasil. E é o que esperamos que seja.

FAVELA CHIQUE



Horário: 21h
Estreia: Setembro
Autor: João Emanuel Carneiro
Direção: Amora Mautner
Elenco: Murilo Benício, Giovanna Antonelli, Andreia Horta, Cauã Reymond, Marco Pigossi, Juliano Cazarré, Marcos Caruso e Suzana Vieira.
História: A novela conta a história de um bandido (Murilo Benício), que age nas favelas, mas que decide abandonar o crime e virar uma pessoa do bem. Ele se relaciona com uma mulher de moral duvidosa (Giovanna Antonelli) e outra mais jovem (Andreia Horta). Esta última também mantém um relacionamento com o chefe comunitário de uma favela (Cauã Reymond). A história mostrará uma visão da favela do futuro, com estabelecimentos sofisticados, mas que ainda sofre com os núcleos criminosos.
O que esperar: Depois de escrever o último grande fenômeno da Globo, Avenida Brasil (2012), João Emanuel Carneiro, o JEC, volta com uma trama diferente, mas que conterá as principais características das obras do autor. Muito se espera de Favela Chique, o que pode ser ruim. As comparações com Avenida Brasil serão inevitáveis, o que faz com que JEC tenha que escrever algo muito melhor que seu folhetim anterior para agradar. A estréia de Amora Mautner como diretora de núcleo também causa curiosidade. O elenco ainda está sendo escalado, mas se vê que as panelinhas vão continuar, o que não é ruim, já que atores como Benício, Reymond e Caruso sempre se dão bem com o texto de João Emanuel e a direção de Amora.

VERDADES SECRETAS



Horário: 23h
Estreia: Ainda não confirmada, provavelmente no fim do primeiro semestre ou no início do segundo
Autor: Walcyr Carrasco
Direção: Mauro Mendonça Filho
Elenco: Deborah Secco, Rodrigo Lombardi, Reynaldo Gianecchini, Marieta Severo, Guilhermina Guinle, Klara Castanho, Mouhamed Harfouch e Marco Nanini
História: A sinopse ainda não foi divulgada. Tudo indica que há uma força-tarefa na emissora para que a sinopse não seja revelada até o momento desejado pela Globo. Porém, há boatos de que a novela seja parcialmente baseada no livro Mildred Place, em que uma mulher (Deborah Secco) mal-tratada pelo marido deixa a família e se torna uma bem sucedida empresária. Entretanto, seu mundo desaba quando descobre que seu novo amor (Rodrigo Lombardi) a trai com sua filha.
O que esperar: Walcyr retorna ao horário das onze com uma trama que promete ser polêmica, com violência e cenas de sexo. O autor está obstinado a não deixar a sinopse da novela vazar, o que faz com que pouco possa se esperar da trama. Mauro Mendonça Filho, assim como Amora Mautner, estreia como diretor de núcleo. O autor fez um trabalho razoável em Gabriela (2012), e talvez se saia melhor que na criticada Amor à Vida (2013). A novela será a primeira inédita do horário. Todas as demais foram remakes de folhetins dos anos 70 da Globo.

Ainda neste ano, teremos mais uma novela das sete, que deve substituir Paraisópolis Forever, escrita pela atual autora de Malhação, Rosane Svartman. Não há ainda muitos detalhes da trama. Mais uma temporada de Malhação também estreia em Agosto, com o autor, já experiente na novela teen, Emanoel Jacobina.

Como se vê, muitas obras estão para estrear em 2015. A Globo provavelmente irá caprichar nestas produções, de modo que marquem os 50 anos da emissora. Qual novelas vocês, leitores do blog, mais esperam? Quais acreditam que serão os fiascos do ano? Concordam com as expectativas? Deixem sua opinião. Um ótimo 2015 a todos, e que também possamos dizer isso a todas as novelas que virão por aí.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Retrospectiva e Expectativa - Parte 1



Por Leonardo Mello de Oliveira

Chegamos a mais um final de ano, momento para recapitularmos o que aconteceu neste 2014 e analisarmos as promessas para 2015. Nesta postagem especial em duas partes, faremos um balanço das novelas deste ano e as expectativas para as que nos aguardam ano que vem. Como não assisti a novelas de outras emissoras que não da Globo, não vou me ater a estas, de modo a evitar críticas e comentários rasos e sem uma boa base. Lembrando que iremos desconsiderar novelas que tenham iniciado em 2013, que são Amor à Vida, Joia Rara, Além do Horizonte e a temporada anterior de Malhação.
         Depois de um 2013 difícil, tanto em termos de qualidade quanto de audiência, a Globo iniciou 2014 com a missão de se reerguer. A emissora tinha planos ousados, entre eles novelas pretensiosas e diferentes. Apesar da mesma não ter conseguido chegar nem perto do auge que conseguiu em 2012, pode-se dizer que o ano que passou foi mediano para a teledramaturgia global. Em termos técnicos, não temos muito que reclamar. A “Vênus Platinada” conseguiu recuperar alguns pontos sim, mas ainda está em sinal de alerta.


             A primeira estréia do ano foi a de Em Família, em fevereiro. Anunciada como sendo a última novela de Manoel Carlos, a trama prometia trazer novamente o estilo de Maneco, que marcou tanto a nossa teledramaturgia, principalmente nos anos 90 e início dos 2000. Infelizmente, o “bom velhinho do Leblon” não conseguiu fechar sua carreira com chave de ouro. Em Família penou para conseguir alguns índices, e apesar de contar com histórias supostamente envolventes e dramas polêmicos, a novela não conseguiu agradar nem público, nem crítica. Maneco trazia de volta personagens de difícil aceitação, tais como a mimada Luiza (Bruna Marquezine); a apática Helena (Júlia Lemmertz); o egoísta e perturbado Laerte (Gabriel Braga Nunes); e o “banana” Virgílio (Humberto Martins). Nota-se que houve diversos problemas, principalmente na condução e desenvolvimento dos personagens, além de uma direção mediana de Jayme Monjardim, que já fez bem melhor do que mostrou aqui. Apesar de tudo, a novela teve seus êxitos: os diálogos de Maneco são uma atração à parte em qualquer novela, e o elenco estava afiadíssimo, pode-se dizer que eram os atores que faziam da novela uma atração “assistível”. As primeiras fases foram também um acerto, o que só piorou a sensação de decepção ao criar tanta expectativa para o que viria depois.


          Substituindo a meia-boca (porém bem produzida) Joia Rara, Meu Pedacinho de Chão estreou em abril trazendo novos ares (novos até demais) para o horário das 18h. Longe de ser uma novela convencional, a fábula de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho continha personagens exagerados, com hábitos esquisitos, roupas extravagantes, feitas de papel, plástico e sucata, e uma história linda com um bonito toque infantil. Foi uma das poucas vezes em que se viu uma obra em que tudo se encaixou perfeitamente: direção, texto, elenco e produção, todos juntos, trabalhavam em harmonia para fazer uma das melhores novelas dos últimos anos. Analisando, se vê que, caso um desses fatores não estivesse bem, toda a novela se comprometia. Infelizmente, não obteve números de audiência muito significativos, mantendo, mais ou menos, o que sua antecessora havia conseguido. Também vale elogiar a Globo, que se arriscou ao apostar em um tipo de produção extremamente diferente de tudo o que já se produziu no meio.


           A estréia de Geração Brasil foi anunciada com pompa e circunstância pela emissora, deixando claro que a novela era dos mesmos autores de Cheias de Charme, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. As chamadas traziam boas expectativas, tudo indicava que a Globo conseguiria restaurar o decadente horário das sete. Tudo não passou da expectativa. O que se recebeu foi uma trama bagunçada, cheia de personagens sem utilidade e mal-desenvolvidos, com uma direção convencional e abordagem de temas que nada combinam com o estilo folhetinesco. Além disso, a novela passou as dificuldades de não ser exibida no período da Copa do Mundo, o que criou esperanças de que voltasse melhor do que antes. Porém, não se conseguiu notar praticamente nada de diferente. O elenco tinha seus ganhos, como a presença de Leandro Hassum e Luís Miranda em bons personagens. Mas todos pareciam perdidos em uma produção que tentava se provar novela. Obviamente, houve muitos equívocos, ao meu entender, principalmente por parte dos autores. Uma pena, pois, de certa forma, a ideia original de Geração Brasil era boa, simplesmente foi mal-desenvolvida.


                   Novamente, a Globo voltava a apostar em Malhação nos finais de tarde. A nova temporada trouxe mais uma vez a equipe da bem aceita temporada de 2012: Rosane Svartman e Paulo Halm como autores titulares, Glória Barreto, desta vez, na supervisão de texto, e Luiz Henrique Rios e José Alvarenga na direção. O resultado é satisfatório: tentando fugir dos clichês óbvios de Malhação e se aprofundando mais em dramas do universo jovem (diferentemente da temporada anterior, que mostrava jovens em dramas adultos), a atual temporada tem conseguido manter a audiência do horário e vem sendo comentada pelo seu público alvo. Focando em temas já até explorados pela “soap opera”, como a música e as artes marciais, porém com abordagem diferenciada, a novelinha mostra que, nas mãos certas, ainda consegue manter seu espaço na grade. Vale ressaltar o bom elenco, tanto de jovens quanto de veteranos, contando com nomes como Eriberto Leão, Odilon Wagner, Marcelo Faria, Felipe Camargo e Patrícia França, voltando a Globo depois de praticamente 10 anos fora da emissora.


                 Mais um remake marcava presença no horário das 23h. Desta vez, a atualização de O Rebu, novela inovadora de Bráulio Pedroso dos anos 70, tentava a sorte no horário alternativo de teledramaturgia. A bela produção também trazia uma equipe já prestigiada da casa: George Moura e Sérgio Goldenberg, que já haviam feito um sucesso tremendo com Amores Roubados no início do ano, no texto e direção com Walter Carvalho e José Luiz Villamarim. A novela tinha ares cinematográficos, tanto no tema do qual tratava quanto na direção. Além disso, os diálogos e situações não cronológicas muito bem estruturadas pelos autores enchiam os olhos dos apreciadores do gênero. Grandes destaques no elenco, com pesos pesados interpretando personagens fortes e enigmáticos. Se O Rebu teve defeitos, apenas a confusão que poderia causar no telespectador menos atento. Pode-se dizer que foi uma das mais caprichadas produções da Globo dos últimos tempos.


           Aguinaldo Silva retornava ao horário nobre com a promessa de um novelão clássico: sua Império teria que fazer com que os telespectadores que haviam abandonado a TV durante Em Família voltassem para a emissora. Porém, mais uma vez, Aguinaldo entregou bem menos do que prometeu (como já comentou diversas vezes o crítico de telenovelas Nilson Xavier). A começar pela sua tão aguardada vilã Cora (Drica Moraes), que demorou capítulos e mais capítulos para mostrar alguma característica genuína de vilã. No entanto, o autor conhece as manhas de se escrever para as 21h, e conseguiu criar uma trama até certo ponto envolvente e popular, que fisgou o público o suficiente para se manter estável na audiência e na repercussão. Vale ressaltar a grande evolução do núcleo de Rogério Gomes na direção, mostrando uma grande maturidade em relação às demais novelas às quais ficou responsável anteriormente, dando novos ares às obras de Aguinaldo Silva, que vinham contando com a direção mais “tradicional” de Wolf Maya há 10 anos. O elenco é equilibrado, visto que não há um número considerável de personagens fortes para os atores se aprofundarem. Uma notável surpresa foi o casal formado por Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes, concebido para ser um mero alívio cômico, mas que ganhou destaque pela excelente performance dos atores.


             A segunda novela das 18h do ano, Boogie Oogie criou expectativa nos saudosistas de plantão. Trazendo os anos 70 como pano de fundo, a novela do autor iniciante Rui Vilhena (já experiente em Portugal, onde morou por muitos anos) divide opiniões. Entre os adoradores de teledramaturgia, faz um considerável sucesso e é frequentemente elogiada pela crítica. Porém, não segura audiência, apresentando número instáveis. Também não gera tanta repercussão quanto sua antecessora cheia de atrativos. O autor português utiliza diversos clichês já manjados do grande público, e escolhe seguir uma linha de texto mais exagerado, cheio de comparações estranhas e forçando um ar irônico. Apesar de tudo, deve-se elogiar a agilidade da trama. Rui consegue intercalar bem as cenas e conduzir bem os dramas, de modo que a novela poucas vezes se torne cansativa. Discordo daquilo que muitos especialistas já declararam: não há a sensação de confusão caso você perca um capítulo. Isso porque pouco da história principal foi resolvido até agora. A direção é neutra: ao mesmo tempo em que mostra inovações, segue uma linha tradicional, talvez para lembrar novelas mais antigas. Também pode-se responsabilizá-la por algumas incoerências de cenário, figurino e penteado, que não condizem totalmente com a época retratada. Aliás, Boogie Oogie transmite isso: tirando a discoteca e os hábitos das crianças, a história poderia se passar em qualquer época. Não há um laço muito grande com os anos 70.


         Alto Astral é a mais nova aposta para reerguer o horário das 19h. A Globo foi esperta, e decidiu seguir uma linha extremamente despretensiosa, apresentando uma novela tradicionalíssima. Também do estreante Daniel Ortiz, com base em uma sinopse escrita por Andrea Maltarolli, a comédia romântica tem tudo o que uma novela das sete clássica tem: um mocinho corajoso, uma mocinha ingênua (até demais para uma jornalista), um vilão inescrupuloso que conta com a ajuda da secretária (também inescrupulosa) e diversos alívios cômicos, entre eles uma vilã atrapalhada. Depois de 3 novelas supostamente revolucionárias (duas grandes fracassos de audiência), a emissora via no convencional uma chance de voltar aos tempos áureos. Alto Astral cumpre razoavelmente sua missão. Mas o direcionamento, que utiliza clichês e situações já desgastadas, tira a identidade da obra. O elenco é enxuto e bem escalado. Destaque para Sérgio Guizé, Christiane Torloni e Claudia Raia (apesar de seu desempenho dividir opiniões, a atriz cumpre o que sua personagem pede). A direção, outrora inovadora, de Jorge Fernando, dá ainda mais o clima de tradicionalismo à novela: tudo nela já foi visto diversas e diversas vezes, desde a fotografia até o encadeamento da trilha sonora. Apesar de tudo, a novela está há pouco tempo no ar, então ainda tem muito a mostrar.
           2014 foi um ano de produções que se neutralizam: ao mesmo tempo em que tivemos novelas inovadoras nas mais diversas áreas, também vimos obras que seguem o estilo clássico de se fazer teledramaturgia. Vale ressaltar e elogiar a Globo pelo seu esforço na iniciação de novos autores, necessários à nossa TV. Sem grandes sucessos, o ano acaba com o clima de dúvida: quais caminhos a Globo vai seguir a partir de agora? O que fará para não cometer os mesmos erros e manter a fórmula dos sucessos? Com os 50 anos da emissora em 2015, espera-se ver cada vez mais produções caprichadas e surpreendentes. Mas falaremos mais disso na segunda parte desta postagem, com as expectativas na área de teledramaturgia para o ano que vem.
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