Mostrando postagens com marcador Gilberto Braga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gilberto Braga. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de outubro de 2013

10 anos de "Celebridade"

Por Flávio Michelazzo

Há incrivelmente e exatamente 10 voadores anos atrás, Gilberto Braga voltava ao horário nobre, depois de um injusto jejum de outros - estes sim, longos - 9 anos. "Celebridade" estreou em grande estilo, inspirada no filme "A Malvada" e no musical "Chicago" e marcando 50 pontos de audiência, embalados por chamadas inesquecíveis que prometiam - e cumpriu - uma eletrizante, divertida e emocionante saga.
A trama contava a trajetória de Maria Clara Melo Diniz (Malu Mader), uma produtora musical que ficou famosa no fim dos anos 80 como modelo e, após um escândalo, viu sua vida mudar completamente. Seu noivo, Wagner, havia composto uma música em tributo à beleza de sua amada, "Musa do Verão". Porém, Ubaldo Quintela (Gracindo Jr.), alegando ser o verdadeiro compositor, invade a igreja no dia do casamento de Maria Clara e Wagner e mata o noivo. Ubaldo é condenado a 15 anos de prisão. Maria Clara, em choque com a tragédia, abandona a carreira de modelo para se dedicar à música, mas continua fotografando para a "Summer Spell", o perfume que fora inspirado na música, e vê sua vida pessoal se tornar pública, pois passa a ser perseguida pela imprensa, o que a faz questionar se vale a pena pagar o preço da fama.
É exatamente nesse momento, no ano de 2003, que a trama se inicia, com Maria Clara pensando ter finalmente encontrado o amor nos braços de Otávio Albuquerque (Thiago Lacerda), com quem pretende se casar. Mas a nossa heroína, além de ser perseguida pela imprensa, principalmente por Renato Mendes (Fábio Assunção), o inescrupuloso editor da revista Fama, do Grupo Vasconcelos, presidido por seu tio, Lineu (Hugo Carvana), o principal patrocinador de Maria Clara e amor de juventude da mãe da produtora, Corina (Nívea Maria).
A vida de Maria Clara está prestes a mudar por completo com a chegada da misteriosa Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu), uma jovem que faz de tudo para ganhar sua confiança e vê todos os seus planos darem certo, com a ajuda de seu comparsa e amante, Marcos Andrade Rangel (Márcio Garcia). Rapidamente, Laura se torna braço direito de Maria Clara na produtora e vai até morar com ela. Laura arma, inclusive, para que Otávio e Maria Clara terminem.


É assim que Maria Clara conhece Fernando Amorim (Marcos Palmeira), diretor de cinema que passou 18 anos na Europa e retorna ao Brasil para receber um importante prêmio, o Troféu Celebridade. Várias idas e vindas fazem com que eles se esbarrem e acabem por conhecer o verdadeiro amor um nos braços do outro. O que Maria Clara não sabe é que Fernando é nada menos que o genro odiado de Lineu, casado com sua única filha, a fútil e mimada Beatriz (Deborah Evelyn) com quem tem dois filhos, Fábio (Bruno Ferrari) e Inácio (Bruno Gagliasso, estreando como bastardinho oficial das novelas do Gilberto Braga). 
Fábio, filho preferido de Beatriz, sai a passeio de canoa com seu irmão e acaba morto. Beatriz culpa Inácio, que surta, e Maria Clara descobre no velório a verdadeira identidade de Fernando Amorim.


Laura, que está sempre ligada em tudo, se aproxima de Beatriz, ganha sua confiança e consegue armar um flagrante para que a perua saiba com quem o marido está saindo. É nessa altura da história que descobrimos os reais objetivos da psicopata. Laura é filha de Marília (Alessandra Negrini), uma garota de programa que teve um envolvimento com Ubaldo, e consegue as provas de que foi sua mãe, e não Maria Clara, a inspiração para a canção! Laura se une a Ubaldo e juntos, deixam Maria Clara na miséria. Nesse ínterim, Lineu é assassinado e todos passam a ser suspeitos, principalmente Ubaldo, Fernando e Inácio.


Maria Clara vê Fernando entrando às pressas no estacionamento do Grupo Vasconcelos no dia da morte de Lineu e, pensando ser ele o assassino, rompe com ele, grávida dele. Ela então se envolve com Hugo (Henri Castelli) enquanto que Fernando passa a ter um caso com Tânia (Lavínia Vlasak). Laura passa a ascender profissionalmente, com o apoio de Beatriz, que se torna a diretora do Grupo Vasconcelos e corta o patrocínio de Maria Clara, que começa a decair.


Mas a vingança de Laura não parou por aí e ela passa a perseguir incessantemente Maria Clara, que até vai presa por tráfico de drogas. Tudo armado por Laura, claro. Cansada de tanta perseguição, Maria Clara tranca Laura num banheiro e lhe aplica uma chuva de bofetadas no meio de um evento em que Laura finalmente consegue ganhar o Troféu Celebridade roubando uma ideia de Maria Clara. Uma cena que entrou para a história da teledramaturgia e é referência constante nas novelas atuais.


Clara consegue virar o jogo e aos poucos vai reassumindo seu lugar ao sol, com a abertura da casa de samba Sobradinho, no bairro do Andaraí (outro ponto inesquecível da trama, com tantos personagens genuinamente DIVINOS), pelos amigos Cristiano Reis (inesquecível e sensível atuação de Alexandre Borges) e Vladimir Coimbra (Marcelo Faria). Laura não deixa barato e coloca dois ratos mortos num freezer do local, o que provoca a interdição da casa. 
Para se livrar do processo de tráfico de drogas, Maria Clara descobre a existência de uma fita de circuito interno de um hotel onde Laura negociou com um traficante a compra das drogas que a incriminaram. As provas estão em posse de Renato Mendes, que, apaixonado por Laura, a força a se casar com ele e a humilha de todas as maneiras, num divertido jogo de nervos. Laura consegue virar a mesa e obriga Renato a circular com ternos cafonas e de carro velho. Maria Clara consegue roubar as provas de Renato, seduzindo-o, mas acaba perdendo a fita no meio de uma confusão.


A fita vai parar nas mãos de Fernando, pois estava com Beatriz, que deixa com o ex-marido e desiste de brigar com Maria Clara por seu amor após ver quem Laura é de verdade. Nesse meio tempo, Fernando também descobre que Inácio é filho de Renato e Beatriz só engravidou do primo pra poder forçar Fernando a se casar com ela e juntos fugirem.
Desesperada e vendo sua casa cair, Laura sequestra a filha de Maria Clara e Fernando - que nessa altura já se reconciliaram - para conseguir reaver a fita. Laura acaba morta por Renato junto com seu amante Marcos. Mas antes, confessa que matou Lineu, que realmente tinha ajudado Wagner a roubar a música de Ubaldo e no momento tinha conseguido interceptar as provas do seu crime. Maria Clara então, prova sua inocência, reassume seu lugar no show biz e finalmente passa a ter uma vida tranquila ao lado de Fernando e sua filha.


Vários foram os destaques da trama. Deborah Secco brilhou como a manicure Darlene, que fez de tudo pra ser famosa sem ter talento para nada, ao lado de sua colega de profissão Jaqueline, interpretada por Juliana Paes. Alexandre Borges e Julia Lemmerz, casados na vida real, deram um show como casal também na ficção. Ana Beatriz Nogueira e Nathália Timberg divertiram com as trambiqueiras Ana Paula, irmã de Maria Clara, e Yolanda, avó de Renato. Os mocinhos e vilões também entraram para a história. "Celebridade" tinha o título original de "Fama", que foi cedido para o fracassado programa que descobria novos talentos musicais. Na sinopse original, Maria Clara era apresentadora de telejornal. Fernando foi escrito para Fábio Assunção, e Renato para Eduardo Moscovis. Que sorte a nossa que Fábio ficou com Renato, seu mais inesquecível personagem.


Outro destaque da trama foi o imenso número de celebridades do mundo real que participaram como elas mesmas: Julio Iglesias, Simply Red, Alanis Morissette, Rita Lee, Gal Costa, Roberto Carlos, entre muitos outros. 
"Celebridade" fechou com uma média de 46 pontos de audiência, empatando com "O Clone" e "Mulheres Apaixonadas" e seu último capítulo marcou 63 pontos, sendo uma das maiores audiências da Globo na década de 2000.



A novela também é lembrada por um fato triste: Leonor Bassères, que escreveu tantos anos ao lado de Gilberto Braga, faleceu em janeiro de 2004. Para preencher sua lacuna, Gilberto convocou Ricardo Linhares, que passou a escrever a trama e mais tarde veio a dividir a autoria das novelas que vieram a seguir: "Paraíso Tropical" e "Insensato Coração". Dedico esse texto à memória de Leonor e à parceria de Gilberto Braga com Cláudia Abreu e Malu Mader, fazendo um apelo para que ela seja retomada.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vamos falar de coisa boa? ÁGUA VIVA!!!!!!!


                                                                                                                       Por Daniel Pilotto

Eu devo confessar que a minha postagem de hoje seria outra, falaria sobre um tema relacionado a novelas como sempre faço. Mas algo me fez mudar de ideia na última hora e resolvi usar este espaço para defender algo que acho muito importante neste momento.
Como todos sabem o canal VIVA já está escolhendo a substituta de RAINHA DA SUCATA no horário da meia noite. Mas, como o canal sempre apronta das suas, desta vez eles resolveram fazer com que o público vote na próxima trama a ocupar a vaga da novela de Sílvio de Abreu. As concorrentes são ÁGUA VIVA (1980), O DONO DO MUNDO (1991), FERA FERIDA (1993) e A INDOMADA (1997).
Esta votação seria normalíssima se as outras concorrentes fossem tramas dos anos 70 ou 80 como o canal sempre fez questão de deixar claro ao criar o horário da meia noite “apenas novelas anteriores a 1990”. É claro que o público, com seus desejos e vontades cai sempre como um patinho nestas balelas criadas apenas para confundir e esconder os reais motivos das exibições do canal.
Por isto resolvi escrever sobre a novela que acho que deve ocupar o horário e assim manter a continuidade das exibições dos chamados clássicos da TV.

ÁGUA VIVA foi a novela seguinte de Gilberto Braga após o fenômeno DANCIN’ DAYS (1978). Como na anterior o autor precisou de um elemento que desse um charme e uma identidade característica, uma cara para a trama. Portanto saíam as discotecas e a vida noturna carioca e entravam em cena o mar, os barcos e os dias ensolarados do Rio de Janeiro do começo da nova década.
A história é aparentemente simples e trabalha com personagens bastante identificáveis. Mas desta vez Gilberto Braga estava mais afiado no estilo, e o dramalhão da antecessora dava lugar a uma trama mais ágil e cheia de acontecimentos.


Basicamente a história é centrada nos irmãos Miguel (Raul Cortez) e Nelson Fragonard (Reginaldo Farias). O primeiro um conceituado e bem sucedido cirurgião, casado com Lucy (Tetê Medina) e pai de Sandra (Glória Pires) e o segundo um bon vivant que vive de algumas poucas rendas e que sempre se mete em negócios furados. Miguel não vê com bons olhos a vida flutuante do irmão e quase sempre os dois estão às turras.
A partir da história dos dois surgem os outros personagens da trama que se interligam de alguma maneira com a vida de ambos.
Um exemplo é Maria Helena (Isabela Garcia) uma criança órfã de apenas oito anos que vive num orfanato da Ilha do Governador. Desamparada pela própria sorte ela conta apenas com a ajuda de Sueli (Ângela Leal), uma modesta comissária de trem que está sempre ali para visitar e levá-la para passear. Sueli era amiga da mãe de Maria Helena e conhece a identidade do pai da menina, e fará de tudo para que os dois se encontrem, mesmo acreditando que ela não tem um bom pai.


Na outra ponta da novela está Lígia (Betty Faria) a síntese da mulher borboleta que o autor usaria em diversas outras tramas. Mulher ambiciosa que deseja se ver flanando no “soçaite” carioca e que acredita piamente que o jogo dos interesses é o que move as peças adiante. Casada pela segunda vez, se vê numa crise que resulta na sua separação, o marido não aguenta o que considera futilidade e sai de casa. A partir daí seu mundo e sua ascensão começam a declinar. Se dinheiro ela faz o que pode para ainda continuar na vida que levava.

Maria Helena e Lígia irão se encontrar em algum momento desta trama. E mais ainda, o caminho das duas também vai ao encontro dos irmãos Fragonard. Lígia conhece Nelson num dia péssimo para ambos e este é o mote inicial de um romance avassalador. Ela quer mais do que ele pode dar, e ele vive às voltas com complicações causadas por pessoas erradas que cruzam seu caminho. 


Entre as idas e vindas de todo o bom folhetim a separação é inevitável e no decorrer da novela ela se casa com o viúvo Miguel (um tanto por interesse, um tanto por carinho), e adota Maria Helena após descobrir que a menina é filha de seu grande amor, Nelson. É claro que antes de ser adotada por Lígia ela passa por quase todos os cenários da novela, o que faz com que a menina nunca consiga conceber o que é um verdadeiro lar.

No círculo social dos irmãos Fragonard transitam todos aqueles personagens típicos e fascinantes das obras de Gilberto Braga. Um dos dois maiores exemplos são Stella Simpson (Tônia Carrero) e Lourdes Mesquita (Beatriz Segall), dois expoentes da sociedade carioca da trama e cada qual com suas particularidades.

Stella é uma milionária excêntrica que tem sonhos de atuar no teatro, sem perceber que seu dinheiro diminui a olhos vistos. Contando quase sempre com a ajuda financeira do ex-marido Kleber (José Lewgoy) ela vive num apartamento luxuoso ao lado do filho Bruno (Kadu Moliterno) que sempre lhe chama atenção para suas extravagâncias.
Kleber é um homem que vive aparentemente de forma muito digna e correta, mas aos poucos o público toma conhecimento de seu verdadeiro caráter, ele é o principal responsável pela ruína de Nelson e no fim da trama ainda se descobre que é o assassino de Miguel. Sim ÁGUA VIVA tem um dos “Quem matou?” mais famosos da história das novelas.


Lourdes, outrora rica, hoje tem que se manter as custas de uma empresa de organização de festas ao lado da filha Márcia (Nathália do Valle), casada com Edyr (Cláudio Cavalcanti) um professor universitário. Arrogante ela não perde a oportunidade de jogar na cara da filha o péssimo casamento que ela fez, o que quase sempre resulta nas brigas constantes do casal.
Lourdes também vive em conflito com o filho Marcos (Fábio Jr.) estudante de medicina que não gosta nem um pouco da forma preconceituosa e elitista com que a mãe encara a vida. Ela sonha que o filho se envolva com Sandra a romântica filha do médico Miguel Fragonard, pois só assim o rapaz terá um futuro garantido.
Desencanado com o papo de diferenças sociais ele acaba se apaixonando por Janete (Lucélia Santos) uma jovem batalhadora e de poucos recursos financeiros, para desespero de Lourdes que arma coisas terríveis par acabar com o romance dos jovens.

Janete vive com os pais Evaldo (Mauro Mendonça) e Vilma (Aracy Cardoso) e a tia Irene (Eloísa Mafalda) num pequeno apartamento. A tia trabalha para o médico Miguel Fragonard e é praticamente a responsável pelo sustento da casa já que o irmão, um trambiqueiro de marca maior não consegue parar em emprego nenhum. Janete tem vergonha da situação da mãe e do pai, e principalmente de ter que depender da tia e tenta dar a volta por cima trabalhando e estudando. Ela é uma das personagens mais corretas e emblemáticas da novela, para se ter uma idéia consegue até se formar física nuclear!!!!


Gilberto Braga criou uma trama fascinante e rica em personagens nada maniqueístas e situações para render muita novela, mas em determinado momento precisou contar com a ajuda de um co-autor. Entrava em cena então o experiente Manoel Carlos.
O autor vinha de novelas do horário das seis da tarde e teve que se adaptar rapidamente ao ritmo de Gilberto Braga, aos seus diálogos ágeis e coloquiais. Mesmo assim conseguiu alavancar mais a audiência boa que a novela tinha e ainda acrescentar mais vida ao folhetim.

Outro destaque da novela era a direção de Roberto Talma e Paulo Ubiratan, que davam às imagens da novela um charme todo especial, com muitas externas mostrando as belezas do Rio de Janeiro. Existiam cenas praticamente realizadas no mar, aliás, o mar era quase como um personagem da trama, tamanho sua influência e presença na vida dos personagens. Os diretores também souberam se utilizar de duas trilhas sonoras impecáveis para embalar as cenas que criavam.


As trilhas sonoras de ÁGUA VIVA são um charme à parte. A trilha sonora nacional concebida com maestria pelo produtor musical Guto Graça Mello é com toda a certeza uma das melhores trilhas já feitas, com músicas marcantes que ficaram no imaginário das pessoas que as ouviram na novela. Até mesmo para quem não viu a trama ao ouvi-las irá reconhecer de imediato, pois algumas são tocadas até hoje. Canções como “Sinal de Alerta” com Maria Bethânia, “Altos e Baixos” com Elis Regina, “Vinte e Poucos Anos” com Fábio Jr., “Realce” com Gilberto Gil, “Amor, Meu Grande Amor” com Ângela Rô Ro, “Cais” com Milton Nascimento, “Wave” com João Gilberto, além da já clássica e marcante “Menino do Rio” com Baby Consuelo. Era tão perfeita que o autor Gilberto Braga questionou ser desnecessária a criação de uma trilha internacional para que se mantivessem os temas nacionais até o fim.
Ainda bem que não lhe deram ouvidos pois a trilha internacional é emblemática e trouxe verdadeiras pérolas da música romântica da época como “Do That To Me One More Time” com Susan Case & Sound Around, “Ships” com Barry Manilow, “Babe” com Styx, “Just Like You Do” com Carly Simon, “Cruisin” com Smokey Robinson, além das dançantes D.I.S.C.O. com Ottowan e The Second Time Around”com Shalamar. O cantor Jimmy Cliff que está na trilha com a música “Love I Need” fez uma participação na novela numa das festas da história.

Alguns pontos da trama ficaram marcados até hoje na memória dos telespectadores. Logo nos primeiros meses da trama a personagem Lucy (Tetê Medina) morre na explosão de uma lancha. O acontecimento causou uma verdadeira comoção diante o público, já que ela era uma mulher extremamente boa e correta, que estava até pensando em adotar a pobre Maria Helena. O incidente foi uma das grandes sacadas do autor, pois Miguel Fragonard o marido da personagem precisava ficar viúvo e carente para movimentar a história, assim como Sandra a jovem filha tinha que viver todas as contradições decorrentes do fato e começar a questionar sua entrada na vida adulta, e Maria Helena voltar para a roda viva de lares provisórios e adoções frustradas.
Mais tarde o próprio Miguel Fragonard é assassinado, a filha entra em parafuso e a trama ganha um verdadeiro clima policial digno de livros de Agatha Cristhie com vários dos personagens sendo considerados suspeitos do crime, afinal estavam todos na casa de praia do médico numa ilha afastada. O público tinha agora o trabalho de adivinhar os motivos dos principais suspeitos.
Outro ponto que deu o que falar foi uma surra que Lígia dá em Selma (Tamara Taxman) no banheiro feminino da casa de shows Canecão em plena apresentação de Maria Bethânia. A cena representava uma ruptura no passado de Lígia que acabava de descobrir que sua melhor amiga Selma havia lhe traído todo o tempo. A mesma situação seria reproduzida pelo próprio Gilberto Braga anos depois na novela CELEBRIDADE (2003) com as personagens Maria Clara e Laura.


Para terminar outro destaque interessante, a famosa cena de topless nas areias do posto 9 em Ipanema. A personagens de Maria Padilha, Glória Pires e Tônia Carrero quase foram agredidas pelas pessoas que estavam na praia no momento da gravação e consideravam aquilo um absurdo, uma ousadia. A cena deu tanto que falar que todo mundo já sabia de antemão e ficou ligado na TV no dia da exibição do capítulo.

Enfim, já dá para fazer uma breve ideia do que esta novela tem de bom. Tentei dar uma pincelada na história, do que eu tinha de lembranças na memória, do pouco que vi de um compacto muito editado que existe em dvds vendidos por colecionadores e de dois livros que tenho com um resumo romanceado da trama. Com isto quero lembrar o quanto esta novela é rara e da importância de sua reprise. Uma trama assim, de 1980 abre um precedente que é a volta de outras novelas tão raras quanto. A escolha desta trama por parte do público representa a preservação do horário para a exibição das novelas mais antigas. Portanto mesmo que você considere estranha a primeira vista ou desconhecida e pouco atrativa, pense que seu retorno pode garantir que a próxima novela do horário seja alguma outra antiga por qual você sempre sonhou conhecer.

domingo, 5 de maio de 2013

Quem matou Helena? Arebaba dona Carminha, foi o Caderudo!

Por André Cavalini

Popularmente chamada de novela das oito, as histórias que vemos na tv logo após o Jornal Nacional é o produto mais caro e mais valorizado da Rede Globo de Televisão. Também não podia ser diferente, pois este é o horário em que as famílias de todo o país estão reunidas na frente do aparelho. Talvez o único momento do dia em que pais e filhos, avós e netos tenham pra se encontrarem dentro da própria casa e fazerem algo juntos.

Ganhar  público família não é fácil, pois ali estão uma mistura de gerações e de cabeças pensantes em sentidos diferentes. É preciso agradar desde o mais jovem, até o mais velho,e para isso os autores precisam cada vez mais rebolar, e rebolar feito uma Gretchen na fase, pra não fazer feio.

Dessa maneira, a emissora platinada mantém a sete chaves, do lado esquerdo do peito, um time seleto para tentar dar conta do recado. Denominados “OS IMORTAIS” do horário nobre.

Já velhos conhecidos nossos, atualmente cabe essa difícil tarefa a Aguinaldo Silva, Silvio de Abreu, Gilberto Braga, Manoel Carlos, Glória Perez, e ao recém chegado ao time (e já muito admirado) João Emanuel Carneiro.


Num revezamento rígido de ideias, são as histórias criadas na cabeça de cada um deles, que sentamos todas as noites no sofá da sala para assistir. 


Provavelmente cada um já sentiu o amargo de um fracasso. Uma história que não pegou, que não rendeu, que não agradou. Que gerou críticas, baixa audiência, rejeição. Nesse momento talvez, tenham pensado em desistir. Ou talvez não, já que também brindaram com largos sorrisos a sucessos que marcaram pra sempre a teledramaturgia de nosso país. Que grudaram as pessoas na tela da tv, que foi capa de revista, recorde de audiência e motivo de orgulho para quem a escreveu.


Acredito eu, que o lombo dos imortais do horário nobre já estejam calejados, prontos pra receberem a chibata do fracasso ou a glória do sucesso.
A maioria já está há muitos anos exercendo a tarefa de nos entreter e sabem a dor e a delícia de realizar tal tarefa.


E como não podia ser diferente, cada um deixou em suas obras uma personalidade própria, nos permitindo imaginar o que vem por ai quando sabemos que a próxima novela será de fulano ou ciclano.
É possível imaginarmos sinopse, cenários, o tipo de diálogo e até mesmo alguns atores e atrizes que farão parte da trama, só de saber quem será o seu autor.



O tempo nos ensinou a conhecê-los, e a cada história nos sentimos mais íntimos, próximos. Como amigos que se conhecem e vão afinando a relação no decorrer do tempo.
Se olharmos bem, com olhos não de telespectador, mas sim de ser humano, conseguimos até mesmo encontrar muito de cada um nas entrelinhas de suas histórias e dessa maneira traçar um perfil certeiro sobre quem são ou quem foram, do que gostam e não gostam, como pensam, o que sonham.



Porque, acredito eu, as histórias que escrevemos, sempre tem um pouco de nós, e esse nós de cada autor, cada vez mais vai ficando claro aos nossos olhos.

Não sou nenhum especialista da área, até mesmo porque não acompanhei todas as novelas destes autores. Mas como bom noveleiro, dentro daquilo que vi de cada um, me arrisco a palpitar um pouco sobre cada mente pensante desses ilustres seres. 

E aí, concordam ou discordam???







A partir do próximo mês, o time de Imortais do horário nobre será reforçado pelo talento do autor Walcyr Carrasco, que estréia nas noites globais com a trama Amor à Vida, substituta de Salve Jorge. 
Fica aqui, desde já, as nossas boas vindas e a nossa torcida pra o sucesso da história!

terça-feira, 5 de março de 2013

Paraíso Tropical: 6 anos!

Por Flávio Michelazzo

Parece que foi ontem que, ao som de Mart'nália cantando uma composição de Ana Carolina, numa sequência cinematográfica feita na praia de Copacabana, estreava Paraíso Tropical, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares sob a direção de núcleo de (novidade!) Dennis Carvalho. Mas seis longos anos já se passaram desde aquele 05/03/2007, e o horário nobre, desde então, não registrou uma média de audiência superior à dela.
Antes de estrear, a novela já dava o que falar pela baixa da protagonista, Cláudia Abreu, que se descobriu grávida dias antes de começarem os workshops para a trama. Depois de muita especulação, Alessandra Negrini ficou com os papéis principais: As gêmeas Paula e Taís Grimaldi. Além de Cláudia, Joana Fomm, que já tinha começado a gravar, teve que deixar a trama para tratar da saúde, sendo substituída por Vera Holtz.
Outra surpresa foi a não-escalação de Malu Mader. Gilberto Braga declarou na época que nenhum papel se encaixava no perfil da atriz, e se não fosse para ela ter destaque, preferia liberá-la para outro autor.
A trama girava em torno da disputa de poder no Grupo Cavalcanti. Olavo Novaes (Wagner Moura em seu possivelmente último papel em novelas) é sobrinho preterido de Antenor Cavalcanti (Tony Ramos), um self-made man impulsivo e grosseiro que iniciou sua rede de hotéis do nada. Antenor prepara Daniel Bastos (Fábio Assunção), o filho de um de seus caseiros, para ser seu substituto na diretoria do grupo. Olavo também trabalha no grupo e fica o tempo todo procurando uma falha no caráter de Daniel para derrubá-lo. Como não consegue, passa a criar situações para limar a confiança de Antenor em Daniel.  E é durante uma viagem de Daniel a um resort baiano recém-comprado por Antenor que Olavo dá seu golpe com a ajuda de seu capanga, Jader (Chico Diaz): Arma para que Daniel seja pego em flagrante na cama com uma prostituta menor de idade. Daniel é preso, porém a confiança de Antenor não é abalada. Ainda.
É durante essa viagem que Daniel conhece Paula, uma linda e jovem gerente de uma pousada, e descobrem o verdadeiro amor. Paula é criada como filha pela cafetina Amélia (Susana Vieira), dona de um bordel dentro do resort que Antenor adquiriu e quer que seja fechado. Jader, ao saber que Daniel está apaixonado, arma para que ele e Paula se desencontrem, com a ajuda de Bebel (Camila Pitanga), uma das meninas de Amélia, que mais tarde também acaba indo morar no Rio, onde Jader, que na verdade é um cafetão perigoso, coloca Bebel para trabalhar no calçadão. Bebel acaba por atender Olavo e os dois se apaixonam, garantindo momentos de diversão na história, mostrando o lado humano de ambos.
Amélia, ao saber que sua casa de lazer noturno será fechada, sofre um infarto. No leito de morte, confidencia a Paula que ela é adotada e sua família mora no Rio de Janeiro, mas não consegue falar mais que isso... Paula, então, se muda para o Rio em busca de seus parentes e finalmente descobre algo que jamais sonhara: Tem uma irmã gêmea.


Taís é a irmã gêmea de Paula, e vive de pequenos trambiques. Faz de tudo para entrar para a alta sociedade e vê na irmã, uma futura esposa de um possível sucessor de Antenor Cavalcanti, sua grande chance. Nesse ínterim, Taís conhece Marion Novaes (Vera Holtz), uma socialite falida, mãe de Olavo e o jovem Ivan (Bruno Gagliasso) - irmãos que se detestam - com quem inicia um caso. Marion nada mais é do que um reflexo do que Taís seria no futuro, porém, Taís é azarada (talvez a vilã mais azarada da história da teledramaturgia!) e todos, todos mesmo, os seus golpes ao longo da trama deram errado.
Olavo menospreza Ivan pelo fato de eles serem meios-irmãos e o chama o tempo todo de "bastardinho".

Antenor conhece Lúcia (Gloria Pires) uma mulher batalhadora que criou o filho sozinha no Espírito Santo e se torna sócia de Paula numa pousada. É Lúcia que vai fazer com que esse homem estúpido se torne uma pessoa melhor. Porém, Olavo vai destruir também a felicidade do casal, colocando Bebel no caminho de Antenor e fazendo ele pensar que ela está grávida dele.
A obsessão de Taís em derrubar Paula chega ao ápice quando, no dia do casamento da irmã, ela a dopa e usurpa seu lugar, jogando seu corpo no mar. Só que Paula é encontrada ainda com vida por Olavo e levada a um cativeiro. Eis que, com a ajuda de Taís, se passando por Paula, que, chantageada pelo único que sabe a verdade - Olavo - faz com que Daniel assine papéis que acabam com a confiança de Antenor em seu pupilo.

Daniel começa a estranhar o comportamento de "Paula" e acaba descobrindo que é Taís, bem como o paradeiro de seu verdadeiro amor. Ele resgata Paula, que volta do mundo dos mortos fingindo ser Taís!
"Taís" então força "Paula" a ir atrás de provas que façam com que Antenor volte a dar crédito a Daniel. Mas Taís, que nessas alturas prejudicou muita gente, acaba sendo assassinada dentro da casa de Paula e Daniel, que passam a ser os suspeitos número um. Paula é detida até que se encontrem provas de que não é a assassina.
No fim, o mistério é descoberto: Olavo matou Taís por ela ter descoberto seu maior segredo: Ivan é filho bastardo sim, mas de Antenor! Daniel consegue uma ponta solta na armação de Olavo e prova para Antenor sua inocência. Ivan, apesar de descobrir sua verdadeira identidade, não tem final feliz, e morre nos braços de quem acabara de saber ser seu pai. Antes de morrer, Ivan atira em Olavo por ele ser o assassino de Taís, mas Olavo consegue atirar nele também, e ambos morrem, frente a frente, numa cena épica. 


Paula e Daniel enfim são felizes com a chegada de gêmeas, e Lúcia dá um herdeiro a Antenor.


Entre os destaques da trama vale ressaltar o trabalho de Wagner Moura, que fez de seu Olavo um vilão tão odioso quanto charmoso e alavancou a carreira de Camila Pitanga. Alessandra Negrini deu um show à parte como as gêmeas, principalmente na fase em que uma assume o lugar da outra. Os veteranos dispensam comentários. Glória Pires e Tony Ramos, após formarem o casal mais triste, forçado e péssimo de toda a história da teledramaturgia em Belíssima, experimentaram personagens que, assim como no cinema, fizeram com que eles convencessem e tivessem química. Renée de Vielmond, presença rara na TV, fez com maestria a esposa que fora traída a vida toda por Antenor, o que fez com que sua participação fosse esticada. A volta de Daisy Lucidi também merece destaque. As cenas de briga entre sua personagem e a de Yoná Magalhães foram um dos pontos altos da novela. Entre os jovens, destaque para Fernanda Machado, Paulinho Vilhena, Patrícia Werneck. Fernanda e Patrícia faziam irmãs num núcleo que tinha como pais Beth Goulart e Daniel Dantas, numa trama que muitas vezes roubou a cena. Outra característica marcante da novela foram as diversas participações especiais. Novos personagens entravam e saíam da história, trazendo frescor e agilidade à trama. A trilha sonora era tida pela crítica como elitizada demais, porém bateu recordes de vendagem, números que não se viam já há algum tempo.


Paraíso Tropical começou com baixa audiência e logo várias teorias do porquê surgiram. A existência de um bordel e uma trama centrada demais no casal de protagonistas foram umas das teorias mais ventiladas. Coincidência ou não, após a extinção do núcleo do bordel e as entradas de Taís e Lúcia trouxeram números confortáveis ao folhetim, que terminou com média de 43 pontos no Ibope. Uma novela que deixou saudades na maioria dos fãs de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

"Quem sabe escrever novelas, escreve. Quem não sabe, critica"

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Da televisão à literatura: as novelas que deram origem a livros


Por FÁBIO COSTA

É muito comum que o universo da literatura, especialmente a brasileira clássica, origine adaptações de grande sucesso na televisão e no cinema. Atualmente podemos atestar a validade da afirmação de terça a sexta-feira às onze da noite, com mais uma versão de Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, adaptado agora por Walcyr Carrasco. A Escrava Isaura, romance de Bernardo Guimarães, deu origem a duas telenovelas de sucesso, sendo a primeira delas (1976/77) um fenômeno de exportações para sempre presente no imaginário do público. O horário das 18h da Rede Globo foi dedicado durante quase dez anos apenas a adaptações. E exemplos são muitos.
No entanto, não é com a mesma frequência que surgem obras no caminho inverso: livros surgidos de telenovelas. Talvez seja porque não se acredita que o leitor quererá ter nas mãos uma história da qual já conhece o desenrolar e o desfecho após tê-la assistido na televisão. Além, é claro, do desafio que é adaptar um número de páginas que chega aos milhares para uma versão muito menor e sem a possibilidade de tantos detalhes e diálogos, narrando os acontecimentos. Por outro lado, ainda que hoje em dia existam os DVDs, os blu-rays, a internet, a história da novela contada em livro é uma maneira a mais de perpetuá-la e, por que não, de torná-la respeitável a uma parcela da intelectualidade que ainda hoje, passados doze anos do século XXI, renega suas qualidades e sua importância no panorama cultural brasileiro.

Capa da adaptação de Ídolo de Pano, de Teixeira Filho.
Ainda na década de 1960 temos notícia de uma novela que devido ao sucesso é adaptada para o formato de romance literário: A Deusa Vencida (1965), de Ivani Ribeiro, originou um livro de grande vendagem publicado pelas Edições O Cruzeiro. No início da década de 1970 a Editora Bruguera, do Rio de Janeiro, publicou algumas novelas em romances cujos fascículos eram vendidos periodicamente nas bancas de jornal, dentre as quais Irmãos Coragem (1970/71) e O Homem que Deve Morrer (1971/72), ambas de Janete Clair. Nos anos 70, algumas novelas da Rede Tupi também deram origem a livros, como foi o caso de Ídolo de Pano (Abril), em adaptação do próprio autor Teixeira Filho, e A Viagem (Bels), de Ivani Ribeiro. Em 1980 Leonor Bassères escreveu o livro baseado nos scripts de Gilberto Braga e Manoel Carlos para Água Viva, que se tornou best seller.

Quarta capa de um dos volumes de As Grandes Telenovelas, trazendo a coleção completa.
Em 1985 ocorreu uma das iniciativas mais bem-sucedidas nesse campo, senão a mais. Junto ao sabão em pó Omo, foi lançada pela Editora Globo (através do selo Rio Gráfica e Editora) a coleção As Grandes Telenovelas, que contava com doze livros que adaptavam para o formato de romance novelas de sucesso da Rede Globo exibidas entre 1970 e 1983, a saber: Irmãos Coragem, Pecado Capital e Pai Herói, de Janete Clair; Anjo Mau, Locomotivas e Marron Glacé, de Cassiano Gabus Mendes; Dancin’ Days, Água Viva e Louco Amor, de Gilberto Braga; Carinhoso e Escalada, de Lauro César Muniz; e O Bem-amado, de Dias Gomes. Os livros vinham embalados junto às caixas de sabão, e era possível escolher os que interessavam para completar a coleção.
Capa de uma versão de Água Viva em livro.
Entre 1987 e 1988 a Editora Globo lançou uma série de proposta semelhante nas bancas: Campeões de Audiência – Telenovelas, que relançou alguns títulos e substituiu outros, contando também com doze livros. Irmãos Coragem, Pecado Capital, Pai Herói, Anjo Mau, Locomotivas, Dancin’ Days, Água Viva e Escalada foram mantidos, enquanto Bandeira 2, Roque Santeiro, Guerra dos Sexos e Roda de Fogo substituíram O Bem-amado, Marron Glacé, Louco Amor e Carinhoso. Junto com o primeiro volume (Roque Santeiro) foi distribuído aos leitores um marcador de página que trazia a novela a ser lançada em seguida (Roda de Fogo) e os títulos de outras dezoito telenovelas que comporiam a série, no total de vinte títulos. Até hoje não foram lançados os oito livros restantes, dentre os quais prometiam-se O Espigão, Saramandaia e até Selva de Pedra numa “versão não censurada” (em alusão à censura sofrida por Janete Clair, que não pôde desenvolver a história como gostaria).
Quase todos os livros foram escritos pelo jornalista Eduardo Borsato, que adaptava as tramas das novelas a partir dos scripts originais dos capítulos cedidos pelos autores. Compartilhando uma experiência pessoal, posso dizer que gosto muito de todas as adaptações que pude ler e sem dúvida o trabalho de Borsato (e de outros adaptadores como Maria Helena Muniz de Carvalho e Lafayette Galvão) me ajudou a saber mais sobre o desenvolvimento das histórias das novelas e admirá-las ainda mais, com maior “conhecimento de causa”, por assim dizer, embora não tenha ainda podido (e quem sabe nem mesmo venha a poder) assisti-las.
Vale Tudo também teve lançada uma versão literária em 1989, logo após o término de sua exibição. O livro, mais uma adaptação feita por Eduardo Borsato, trazia além da revelação de Leila como assassina de Odete Roitman desfechos para o mistério que mobilizou o Brasil. Num dos finais, é Maria de Fátima quem mata Odete; noutro, o assassino é César. Já em 1992 foi a vez de um projeto que não vingou: o Globo Novela, com o qual a Editora Globo lançou um livro com a história de Pedra Sobre Pedra e que veio acompanhado de uma revista com os bastidores da novela. A coleção ficou apenas nesse título e durante mais de dez anos não se lançou nada semelhante.


Capa do livro com a versão de Selva de Pedra feita por Mauro Alencar para a coleção Grandes Novelas.
Até que em 2007 chegou às livrarias o primeiro volume da coleção Grandes Novelas, da mesma Editora Globo: Selva de Pedra, a clássica história de amor de Cristiano e Simone em meio aos desafios da vida na cidade grande, foi adaptada por Mauro Alencar a partir do original de Janete Clair. Posteriormente foram lançados outros quatro títulos, também escritos por Mauro: O Bem-amado, Pecado Capital, Roque Santeiro e Vale Tudo. Os livros da coleção Grandes Novelas têm formato de bolso e preço acessível (em média quinze reais cada), e podem ser encontrados. Ótima chance para conhecer essas novelas, apesar de duas terem sido recentemente reprisadas pelo Viva, ou para relembrá-las, numa plataforma diferente da TV, mas que conserva a atemporalidade dos personagens e entrechos dramáticos que prendem a atenção e nos fazem ansiar por finais felizes aos mocinhos e punições aos vilões. E que sejam lançados mais livros baseados em telenovelas. Boas histórias a contar (ou recontar) não faltam e certamente há público para tal empreitada.

Capa do livro com a versão de Roque Santeiro feita por Mauro Alencar para a coleção Grandes Novelas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...