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sábado, 9 de maio de 2015

É Claudia Raia, Saaabe?

Por Marcelo Alves

Ela comemora seus 30 anos de carreira este ano. Dos musicais às novelas, ela nos presenteia com suas atuações marcantes, sua presença tão agradável na telinha. Não tem pra ninguém, seja no teatro ou na TV, ela rouba a cena e nunca passa despercebida – nem teria como – pelo público.
Nesta data tão importante, rememoremos a carreira da nossa principal triple threat brasileira: CLAUDIA RAIA!

Rebobinamos a fita para o ano de 1985, mais precisamente na novela Roque Santeiro. Claudia estreia nas novelas no papel de Ninon, uma das dançarinas da boate Sexus.

“Eu fazia uma figuração de luxo [...] Eu fiz a primeira cena, que eu tinha uma frase que era ‘eu também’[...] Eu fiquei um mês assim ‘Eu também... eu também... eu também... eu também... eu também” [...] A minha fala era no meio de duas da Regina [Duarte], que tinha laudas pra decorar [...] E eu ali na minha ‘deixa’. Aí no ensaio ela emendou uma fala na outra, eu falei: ‘Não, não, pera ai, pelo amor de Deus!’”

No decorrer da novela a personagem cresceu, graças ao encantamento do público. Por esta personagem, Claudia ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).


Em 1988, na novela Sassaricando, de Silvio de Abreu, com quem viria a trabalhar em várias outras novelas, viveu a espevitada Tancinha, que é uma de suas personagens mais lembradas até hoje. A feirante Tancinha, umas das filhas de Aldonza (Lolita Rodrigues), não levava desaforo pra casa. Era disputada por Beto (Marcos frota) e Apolo (Alexandre Frota). Seu sotaque paulistano exagerado e seu jeito diferente de oferecer melões na feira, balançando junto com os seus seios, são sua marca registrada.

“Acho que foi uma das personagens de maior sucesso que fiz, mas malharam no início. Era uma mulherona, meio Sophia Loren, mas superingênua.”


Em 1989, no quadro “As Presidiarias” do programa TV Pirata, Tonhão, uma presidiária lésbica, fez enorme sucesso. No quadro, a personagem tinha trejeitos masculinos e dava em cima das companheiras de cela, em mais uma brilhante atuação de Claudia.

“Eu sempre fazia a gostosona, até que, depois do quarto programa, cheguei para o Guel Arraes e disse: ‘Olha, eu queria mudar’. Tonhão foi o meu maior sucesso no programa. Eu me descobri uma comediante de verdade, e o estilo de comédia que gosto de fazer.”

Em Rainha da sucata (1990) a atriz deu vida a Adriana de Albuquerque Figueroa, que é lembrada até hoje como “bailarina da coxa grossa”. Ao lado do gago Caio Szimanski (Antônio Fagundes), protagonizaram ótimas cenas de humor, no decorrer da novela. Uma personagem divertidíssima, uma de minhas preferidas.

“Esse papel foi uma consagração né? A bailarina da coxa grossa e o gago eram um casal completamente inadequado. Silvio disse: ‘Escrevi um papel para você, mas queria que você engordasse, porque queria que fizesse a bailarina da coxa grossa, que nada dá certo para ela. E ela se apaixona por um gago. Quero que seja um casal de comédia: você e Antonio Fagundes’. Fiquei uma balofa!”

A certa altura, Claudia não aguentou mais ficar tão acima de seu peso e pediu a Silvio de Abreu que fizesse a personagem emagrecer, e o autor criou sequencias divertidíssimas de Adriana tentando perder peso.


Em 1992, na novela Deus nos Acuda, viveu Maria Escandalosa, uma trambiqueira de marca maior, que é salva da morte pelo anjo Celestina (Dercy Gonçalves), e passa a ser vigiada por forças divinas, com o intuito de torná-la uma pessoa de bom caráter. Foi durante as gravações desta novela, que a atriz começou um romance real com o ator Edson Celulari, que fazia seu par romântico. Com ele se casou e tiveram dois filhos. A relação durou até alguns anos atrás.

Na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), Claudia interpretou a personagem titulo, na segunda fase. Uma mulher bonita, mãe de família e religiosa, que é casada com Zózimo (Pedro Paulo Rangel) e vive uma paixão secreta com Luiz Claudio (Alexandre Borges). A atriz faz questão de citar em suas entrevistas, que a partir de Engraçadinha se tornou uma atriz que podia fazer drama.




Em Torre de Babel (1998), Claudia viveu a perversa Ângela Vidal, primeira vilã de sua carreira. Braço direito da família Toledo na administração do Tropical Towers Shopping, nutria uma paixão platônica por Henrique Toledo (Edson Celulari). Da paixão não correspondida brota um sentimento doentio. Ela se torna uma mulher fria, assassina perigosa. A personagem tem um trágico desfecho: se joga do alto do shopping.

"Sabia que ela era uma vilã horrível. Foi estratégia do Silvio [de Abreu] começar devagar, pela sombra, aparecendo uma coisinha aqui e ali. Tive que estudar muito para fazer esse papel. Quando começa uma novela, a gente brinca que, depois de dois ou três meses, o papel sai na urina. A Ângela não saiu facilmente para mim."


Em 2001, em As Filhas da Mãe, Claudia encarnou a estilista Ramona, um transexual, que choca a família ao voltar ao Brasil com a novidade de que teria mudado de sexo. Envolve-se amorosamente com Leonardo (Alexandre Borges).

“Não me pergunte como um transexual, num país que é machista e conservador, pôde ter feito tanto sucesso. As crianças diziam: ‘Ramona, você tem que ficar com o Leonardo. A gente está torcendo!’ Era um sucesso inacreditável, foi uma novela ousada.”


Em O Beijo do Vampiro (2002), interpretou a esfuziante vampira Mina de Montmartre. Era uma grande atriz parisiense de sua época. Foi conduzida ao mundo sobrenatural em algum momento do século XIX. Bonita, sensual, cruel e engraçada, foi seduzida e vampirizada por Bóris (Tarcísio Meira), tornando-se cúmplice dele por mais de um século. 


Já em Belíssima (2005), Claudia interpretou Safira, filha de Katina e Murat (Irene Ravache e Lima Duarte, respectivamente). Depois de vários casamentos, vai se sentir fortemente atraída pelo mecânico Paschoal (Reynaldo Gianecchini). Os dois protagonizaram cenas pra lá de calientes!


Em 2007, Claudia vivia mais uma vilã em sua carreira, Agatha, na novela Sete Pecados de Walcyr Carrasco. Sua primeira (e única) parceria com o autor não foi algo muito bom para a carreira de Claudia. Ela foi novamente criticada por seu desempenho como vilã e, segundo boatos, após inserir cacos (improvisação nas falas) no texto – o que o autor não admite que façam de forma alguma – teve sua personagem morta.


Em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro, deu vida a Donatela Fontini. A socialite vê sua vida virar um inferno com a saída de Flora (Patrícia Pillar) da cadeia, a quem ela acusa de ter matado seu marido, Marcelo (Flávio Tolezani).

“O João Emanuel escreveu a Donatela pra mim, por causa da Engraçadinha.”


No remake de Tititi (2010), na pele de Jaqueline Maldonado, Claudia brilhou! Sua personagem não ficou devendo em nada para a Jaqueline de Sandra Bréa. Uma tresloucada perua, que se apaixona pelo estilista Jaques Leclair (Alexandre Borges). Nesta novela a atriz viveu ótimos momentos, cenas divertidíssimas que só reafirmaram o talento da atriz para o humor. A personagem fez tanto sucesso com o público que quase virou um seriado. Quem aí não se lembra de quando Jaqueline, que adorava Xuxa, cantou com a própria? Ou quando fundou um grife no convento? Jaqueline entrou para a galeria de suas melhores personagens.


Lívia Marine, de Salve Jorge (2013), da autora Glória Perez, talvez tenha sido a personagem mais criticada de Claudia. A vilã elegante e acima de qualquer suspeita, que agenciava garotas para sua quadrilha de tráfico internacional de pessoas, não agradou. Muito porque Lívia acabou sendo esmagada por outra vilã da novela: Wanda (Totia Meireles).

O método assassino da vilã virou piada na internet. Quem não se lembra da Seringada da Lívia?


Samantha Santana, sua personagem mais recente, fez muito sucesso na trama das sete, Alto Astral, que teve o seu último capítulo exibido nesta sexta. Ao lado de seu fiel escudeiro, Pepito (Conrado Caputo), arrancou boas risadas do público. Samantha, uma das melhores personagens da novela, vai deixar saudades!




Ah, mas o sucesso foi tanto, que se fala na criação de um seriado para a personagem e seu parceiro Pepito. 


Marcelo Alves é um jovem estudante do ensino médio, apreciador da teledramaturgia brasileira, curioso por tudo que envolva o gênero telenovela. 

Sua fonte de pesquisa: Sites Memória Globo, Teledramaturgia e Folha de São Paulo.     

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Por que os vilões nos fascinam?


Por Henrique Melo

Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora, contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais doentios da essência humana.


Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú. Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.

Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes, ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no desfecho de tudo. 

Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.

Independente de qual for a sua situação financeira!
Faça questionamentos sobre a sua vida com Félix Khoury

Como afugentar gente chata com elegância.
Siga os ensinamentos da Rainha da Mentira...
Manifeste sua dor, ao ser bloqueado no Whattsapp, com Soraya Montenegro!
Aprenda a ter autoestima com Nazaré Tedesco

Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são dotados de um lado bom e ruim. 



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Retrospectiva e Expectativa - Parte 1



Por Leonardo Mello de Oliveira

Chegamos a mais um final de ano, momento para recapitularmos o que aconteceu neste 2014 e analisarmos as promessas para 2015. Nesta postagem especial em duas partes, faremos um balanço das novelas deste ano e as expectativas para as que nos aguardam ano que vem. Como não assisti a novelas de outras emissoras que não da Globo, não vou me ater a estas, de modo a evitar críticas e comentários rasos e sem uma boa base. Lembrando que iremos desconsiderar novelas que tenham iniciado em 2013, que são Amor à Vida, Joia Rara, Além do Horizonte e a temporada anterior de Malhação.
         Depois de um 2013 difícil, tanto em termos de qualidade quanto de audiência, a Globo iniciou 2014 com a missão de se reerguer. A emissora tinha planos ousados, entre eles novelas pretensiosas e diferentes. Apesar da mesma não ter conseguido chegar nem perto do auge que conseguiu em 2012, pode-se dizer que o ano que passou foi mediano para a teledramaturgia global. Em termos técnicos, não temos muito que reclamar. A “Vênus Platinada” conseguiu recuperar alguns pontos sim, mas ainda está em sinal de alerta.


             A primeira estréia do ano foi a de Em Família, em fevereiro. Anunciada como sendo a última novela de Manoel Carlos, a trama prometia trazer novamente o estilo de Maneco, que marcou tanto a nossa teledramaturgia, principalmente nos anos 90 e início dos 2000. Infelizmente, o “bom velhinho do Leblon” não conseguiu fechar sua carreira com chave de ouro. Em Família penou para conseguir alguns índices, e apesar de contar com histórias supostamente envolventes e dramas polêmicos, a novela não conseguiu agradar nem público, nem crítica. Maneco trazia de volta personagens de difícil aceitação, tais como a mimada Luiza (Bruna Marquezine); a apática Helena (Júlia Lemmertz); o egoísta e perturbado Laerte (Gabriel Braga Nunes); e o “banana” Virgílio (Humberto Martins). Nota-se que houve diversos problemas, principalmente na condução e desenvolvimento dos personagens, além de uma direção mediana de Jayme Monjardim, que já fez bem melhor do que mostrou aqui. Apesar de tudo, a novela teve seus êxitos: os diálogos de Maneco são uma atração à parte em qualquer novela, e o elenco estava afiadíssimo, pode-se dizer que eram os atores que faziam da novela uma atração “assistível”. As primeiras fases foram também um acerto, o que só piorou a sensação de decepção ao criar tanta expectativa para o que viria depois.


          Substituindo a meia-boca (porém bem produzida) Joia Rara, Meu Pedacinho de Chão estreou em abril trazendo novos ares (novos até demais) para o horário das 18h. Longe de ser uma novela convencional, a fábula de Benedito Ruy Barbosa e Luiz Fernando Carvalho continha personagens exagerados, com hábitos esquisitos, roupas extravagantes, feitas de papel, plástico e sucata, e uma história linda com um bonito toque infantil. Foi uma das poucas vezes em que se viu uma obra em que tudo se encaixou perfeitamente: direção, texto, elenco e produção, todos juntos, trabalhavam em harmonia para fazer uma das melhores novelas dos últimos anos. Analisando, se vê que, caso um desses fatores não estivesse bem, toda a novela se comprometia. Infelizmente, não obteve números de audiência muito significativos, mantendo, mais ou menos, o que sua antecessora havia conseguido. Também vale elogiar a Globo, que se arriscou ao apostar em um tipo de produção extremamente diferente de tudo o que já se produziu no meio.


           A estréia de Geração Brasil foi anunciada com pompa e circunstância pela emissora, deixando claro que a novela era dos mesmos autores de Cheias de Charme, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. As chamadas traziam boas expectativas, tudo indicava que a Globo conseguiria restaurar o decadente horário das sete. Tudo não passou da expectativa. O que se recebeu foi uma trama bagunçada, cheia de personagens sem utilidade e mal-desenvolvidos, com uma direção convencional e abordagem de temas que nada combinam com o estilo folhetinesco. Além disso, a novela passou as dificuldades de não ser exibida no período da Copa do Mundo, o que criou esperanças de que voltasse melhor do que antes. Porém, não se conseguiu notar praticamente nada de diferente. O elenco tinha seus ganhos, como a presença de Leandro Hassum e Luís Miranda em bons personagens. Mas todos pareciam perdidos em uma produção que tentava se provar novela. Obviamente, houve muitos equívocos, ao meu entender, principalmente por parte dos autores. Uma pena, pois, de certa forma, a ideia original de Geração Brasil era boa, simplesmente foi mal-desenvolvida.


                   Novamente, a Globo voltava a apostar em Malhação nos finais de tarde. A nova temporada trouxe mais uma vez a equipe da bem aceita temporada de 2012: Rosane Svartman e Paulo Halm como autores titulares, Glória Barreto, desta vez, na supervisão de texto, e Luiz Henrique Rios e José Alvarenga na direção. O resultado é satisfatório: tentando fugir dos clichês óbvios de Malhação e se aprofundando mais em dramas do universo jovem (diferentemente da temporada anterior, que mostrava jovens em dramas adultos), a atual temporada tem conseguido manter a audiência do horário e vem sendo comentada pelo seu público alvo. Focando em temas já até explorados pela “soap opera”, como a música e as artes marciais, porém com abordagem diferenciada, a novelinha mostra que, nas mãos certas, ainda consegue manter seu espaço na grade. Vale ressaltar o bom elenco, tanto de jovens quanto de veteranos, contando com nomes como Eriberto Leão, Odilon Wagner, Marcelo Faria, Felipe Camargo e Patrícia França, voltando a Globo depois de praticamente 10 anos fora da emissora.


                 Mais um remake marcava presença no horário das 23h. Desta vez, a atualização de O Rebu, novela inovadora de Bráulio Pedroso dos anos 70, tentava a sorte no horário alternativo de teledramaturgia. A bela produção também trazia uma equipe já prestigiada da casa: George Moura e Sérgio Goldenberg, que já haviam feito um sucesso tremendo com Amores Roubados no início do ano, no texto e direção com Walter Carvalho e José Luiz Villamarim. A novela tinha ares cinematográficos, tanto no tema do qual tratava quanto na direção. Além disso, os diálogos e situações não cronológicas muito bem estruturadas pelos autores enchiam os olhos dos apreciadores do gênero. Grandes destaques no elenco, com pesos pesados interpretando personagens fortes e enigmáticos. Se O Rebu teve defeitos, apenas a confusão que poderia causar no telespectador menos atento. Pode-se dizer que foi uma das mais caprichadas produções da Globo dos últimos tempos.


           Aguinaldo Silva retornava ao horário nobre com a promessa de um novelão clássico: sua Império teria que fazer com que os telespectadores que haviam abandonado a TV durante Em Família voltassem para a emissora. Porém, mais uma vez, Aguinaldo entregou bem menos do que prometeu (como já comentou diversas vezes o crítico de telenovelas Nilson Xavier). A começar pela sua tão aguardada vilã Cora (Drica Moraes), que demorou capítulos e mais capítulos para mostrar alguma característica genuína de vilã. No entanto, o autor conhece as manhas de se escrever para as 21h, e conseguiu criar uma trama até certo ponto envolvente e popular, que fisgou o público o suficiente para se manter estável na audiência e na repercussão. Vale ressaltar a grande evolução do núcleo de Rogério Gomes na direção, mostrando uma grande maturidade em relação às demais novelas às quais ficou responsável anteriormente, dando novos ares às obras de Aguinaldo Silva, que vinham contando com a direção mais “tradicional” de Wolf Maya há 10 anos. O elenco é equilibrado, visto que não há um número considerável de personagens fortes para os atores se aprofundarem. Uma notável surpresa foi o casal formado por Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes, concebido para ser um mero alívio cômico, mas que ganhou destaque pela excelente performance dos atores.


             A segunda novela das 18h do ano, Boogie Oogie criou expectativa nos saudosistas de plantão. Trazendo os anos 70 como pano de fundo, a novela do autor iniciante Rui Vilhena (já experiente em Portugal, onde morou por muitos anos) divide opiniões. Entre os adoradores de teledramaturgia, faz um considerável sucesso e é frequentemente elogiada pela crítica. Porém, não segura audiência, apresentando número instáveis. Também não gera tanta repercussão quanto sua antecessora cheia de atrativos. O autor português utiliza diversos clichês já manjados do grande público, e escolhe seguir uma linha de texto mais exagerado, cheio de comparações estranhas e forçando um ar irônico. Apesar de tudo, deve-se elogiar a agilidade da trama. Rui consegue intercalar bem as cenas e conduzir bem os dramas, de modo que a novela poucas vezes se torne cansativa. Discordo daquilo que muitos especialistas já declararam: não há a sensação de confusão caso você perca um capítulo. Isso porque pouco da história principal foi resolvido até agora. A direção é neutra: ao mesmo tempo em que mostra inovações, segue uma linha tradicional, talvez para lembrar novelas mais antigas. Também pode-se responsabilizá-la por algumas incoerências de cenário, figurino e penteado, que não condizem totalmente com a época retratada. Aliás, Boogie Oogie transmite isso: tirando a discoteca e os hábitos das crianças, a história poderia se passar em qualquer época. Não há um laço muito grande com os anos 70.


         Alto Astral é a mais nova aposta para reerguer o horário das 19h. A Globo foi esperta, e decidiu seguir uma linha extremamente despretensiosa, apresentando uma novela tradicionalíssima. Também do estreante Daniel Ortiz, com base em uma sinopse escrita por Andrea Maltarolli, a comédia romântica tem tudo o que uma novela das sete clássica tem: um mocinho corajoso, uma mocinha ingênua (até demais para uma jornalista), um vilão inescrupuloso que conta com a ajuda da secretária (também inescrupulosa) e diversos alívios cômicos, entre eles uma vilã atrapalhada. Depois de 3 novelas supostamente revolucionárias (duas grandes fracassos de audiência), a emissora via no convencional uma chance de voltar aos tempos áureos. Alto Astral cumpre razoavelmente sua missão. Mas o direcionamento, que utiliza clichês e situações já desgastadas, tira a identidade da obra. O elenco é enxuto e bem escalado. Destaque para Sérgio Guizé, Christiane Torloni e Claudia Raia (apesar de seu desempenho dividir opiniões, a atriz cumpre o que sua personagem pede). A direção, outrora inovadora, de Jorge Fernando, dá ainda mais o clima de tradicionalismo à novela: tudo nela já foi visto diversas e diversas vezes, desde a fotografia até o encadeamento da trilha sonora. Apesar de tudo, a novela está há pouco tempo no ar, então ainda tem muito a mostrar.
           2014 foi um ano de produções que se neutralizam: ao mesmo tempo em que tivemos novelas inovadoras nas mais diversas áreas, também vimos obras que seguem o estilo clássico de se fazer teledramaturgia. Vale ressaltar e elogiar a Globo pelo seu esforço na iniciação de novos autores, necessários à nossa TV. Sem grandes sucessos, o ano acaba com o clima de dúvida: quais caminhos a Globo vai seguir a partir de agora? O que fará para não cometer os mesmos erros e manter a fórmula dos sucessos? Com os 50 anos da emissora em 2015, espera-se ver cada vez mais produções caprichadas e surpreendentes. Mas falaremos mais disso na segunda parte desta postagem, com as expectativas na área de teledramaturgia para o ano que vem.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As maiores rivalidades da teledramaturgia

 por Vinicius Pantoja

Uma novela, para manter a atenção do telespectador, além de uma boa história e tramas interessantes, também tem que ter personagens que se confrontem e se antagonizem. E na teledramaturgia brasileira, existem rivalidades clássicas. Resolvi então listar as que mais chamaram a atenção do público.

10: Ana (Cássia Kiss) e Clara (Cláudia Abreu) em Barriga de Aluguel (1990)


A primeira tinha o sonho de ser mãe, porém não podia ter do modo natural. A segunda queria dinheiro rápido. A rivalidade das duas para conseguir a guarda da criança dividiu o país, pois ali não tinha a certa ou a errada, cabia ao público escolher quem ele achava que tinha razão. Tanto que o final da novela foi em aberto, com as duas dizendo que não importa com quem a criança ia ficar, elas queriam apenas a felicidade da criança.
 
9: Ruth e Raquel (Eva Wilma/Glória Pires) em Mulheres de Areia (1973/1993)


As gêmeas mais famosas da teledramaturgia, interpretadas brilhantemente por Eva e Glória nas duas versões da novela, disputavam o amor do mesmo homem, Marcos (Carlos Zara/Guilherme Fontes). Mas enquanto Ruth era apaixonada pelo bom moço, Raquel queria apenas o dinheiro dele.

8: Maria Clara (Malu Mader) e Laura (Cláudia Abreu) em Celebridade (2003)
  
Com o pretexto de ser admiradora de Maria Clara, Laura se aproxima dela, iniciando um plano para tirar tudo o que Maria Clara tem e tomar o lugar dela na sociedade. Na verdade tudo isso faz parte de uma vingança, pois Laura é filha da mulher que foi a verdadeira inspiração para a música Musa do Verão, que tornou Maria Clara famosa, enquanto Laura e sua mãe estavam na miséria. A cena em que Maria Clara dá uma surra em Laura dentro de um banheiro de uma casa de shows é uma das mais marcantes da novela.


7: Família Berdinazzi e Família Mezenga em O Rei do Gado (1996)
 
Aqui a rivalidade atravessou gerações. Tudo começou quando Giuseppe Berdinazzi (Tarcísio Meira) e Antonio Mezenga (Antônio Fagundes) viraram inimigos porque um queria tirar um pedaço de terra do outro, e vice-versa. O conflito piorou quando Giovanna (Letícia Spiller) e Enrico (Leonardo Brício) se apaixonaram e resolveram fugir juntos. E o fruto desse romance, Bruno (Antônio Fagundes) cresceu odiando a família materna por influência do pai. A velha rivalidade volta quando Bruno se apaixona por Luana (Patrícia Pillar), uma boia-fria que na verdade é a sobrinha que Jeremias Berdinazzi (Raul Cortez) tanto procurava.

6: Nina (Débora Falabella) e Carminha (Adriana Esteves) em Avenida Brasil (2012)
 

O maior sucesso dos últimos anos tinha como protagonistas duas personagens fortes e que prenderam a atenção do público. Nina, quando criança, perdeu o pai e logo depois foi jogada por sua madrasta num lixão. Lá, ela é criada por Mãe Lucinda (Vera Holtz) , depois adotada por Martín (Jean Pierre Noher) e se muda pra Argentina. Já adulta, após a morte do pai adotivo, ela decide voltar pro Brasil e se vingar da mulher que lhe fez tão mal. Os capítulos em que Nina finalmente se vinga de Carminha e faz a megera de gato e sapato na mansão do Divino lavaram a alma do público.

5: Charlô (Fernanda Montenegro/Irene Ravache) e Otávio (Paulo Autran/Tony Ramos) em Guerra dos Sexos (1983/2012)


Dizem que ódio, às vezes, pode ser paixão recolhida. E essa expressão cabe perfeitamente nesse caso. Charlô era uma mulher forte, independente, uma feminista. Já Otávio era um homem machista, conservador, que dizia que lugar de mulher é no fogão. E por causa dessas diferenças, os dois, que eram primos, viviam às turras. E pra piorar, por causa de uma herança, os dois são obrigados a morar e trabalhar juntos e se aturar todos os dias. E isso criava situações hilárias, como a clássica cena do café da manhã na primeira versão. Mas no fim eles reconhecem que tudo isso era amor e acabam se casando.


4: Maria do Carmo (Regina Duarte) e Laurinha Figueroa (Glória Menezes) em Rainha da Sucata (1990)


A primeira é uma ex-sucateira que subiu na vida depois que o pai construiu um império. A segunda, uma socialite falida de uma família quatrocentona de São Paulo. As diferenças entre elas já começam aí. E pra piorar, elas são apaixonadas pelo mesmo homem: Eduardo Figueroa (Tony Ramos), enteado de Laurinha. Após muito se enfrentarem, Laurinha, vendo que estava com a vida acabada e que não sairia mais da pior, acaba tirando a própria vida, mas armando para poder incriminar Do Carmo, em uma cena antológica.


3: Jacques Leclair (Reginaldo Faria/Alexandre Borges) e Victor Valentim (Luis Gustavo/Murilo Benício) em Ti Ti Ti (1985/2010)


Inimigos desde quando eram crianças, esses eram os “nomes artísticos” de André Spina e Ariclenes Martins, respectivamente. André já estava há algum tempo no mundo da moda, quando reencontra Ariclenes e aquela velha inimizade volta à tona. Disposto a derrubar André, Ariclenes cria um pseudônimo, Victor Valentim, e usa os vestidos que Cecília (Nathalia Timberg/Regina Braga), uma senhora, faz para suas bonecas para confeccionar os vestidos. Mas o que Ariclenes não sabe é que Cecília é a mãe de André. Os embates entre os dois personagens criava cenas hilárias, tanto na primeira quanto na segunda versão.

2: Maria do Carmo (Susana Vieira) e Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) em Senhora do Destino (2004)


Nazaré, ao enganar o marido dizendo que estava grávida, se aproxima de Do Carmo, que tinha um bebê de colo, Lindalva e acabara de chegar no Rio de Janeiro, e com isso rouba o bebê de do Carmo.
Mais de vinte se passam e Do Carmo ainda está disposta a procurar sua filha que lhe foi roubada. Até que ela reencontra Nazaré, e dá a surra que ela merecia. E então as duas travam uma batalha pelo amor de Lindalva, que agora se chama Isabel (Carolina Dieckmann).



1: Flora (Patrícia Pillar) e Donatela (Claudia Raia) em A Favorita (2008)


O destino sempre deu um jeito de unir as duas. Elas tiveram um romance com o mesmo homem no passado, Marcelo (Deco Mansilha). Só que uma das duas o assassinou, e esse é o fio condutor da primeira parte da história, o público descobrir qual das duas matou Marcelo. Flora é presa e condenada pela morte de Marcelo. Dezoito anos depois, flora sai da cadeia e diz que quer reconstruir a vida, reconquistar a filha Lara (Mariana Ximenes) e provar que não matou ninguém. E Flora e Donatela novamente se envolvem com o mesmo homem, Zé Bob (Carmo Dalla Vecchia). Só que na segunda parte da história, Flora se revela a grande vilã da história, e quer acabar de vez com a rival.

Que outras rivalidades você lembra? Comente!
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