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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um balanço do horário nobre: A volta do bom texto com Em Família

Por Leonardo Mello de Oliveira

 Não há como negar a incrível campanha de popularização que acontece atualmente na televisão brasileira. A incansável busca por audiência vem tentar capturar um público que assiste a novelas diariamente desde os anos 70: a chamada classe C. Porém, dizem alguns, estamos em um período de transição, onde vários membros antes considerados da classe D emergiram, e agora figuram nesta chamada “nova classe C”. Esse é o público que a TV quer, e não mede esforços pra isso. Infelizmente, popularização no Brasil muitas vezes vira sinônimo de má qualidade, principalmente no quesito telenovela. É incrível como a Rede Globo, a maior emissora do país, conseguiu, em tão pouco tempo e de forma nada sutil, inundar sua programação com programas e novelas de fácil digestão, com forte apelo popular e que resultam, muitas vezes, em produtos execrados pela crítica. Não estou falando que apelo popular sempre acaba em equívocos. O Esquenta, programa apresentado por Regina Casé, é um dos mais popularescos que já assisti, porém, não deixa de ser um programa que funciona, que dá certo e que tem grandes qualidades, muito mais do que defeitos. O grande problema é como o popular é conduzido, como é dosado. Tudo isso altera o resultado, e também a maneira que será visto, tanto pela classe C quanto por todas as outras classes que, com certeza, também assistem à TV aberta.


      Vamos analisar brevemente o histórico de novelas populares no horário nobre desde Fina Estampa, trama que iniciou essa “epopéia popularesca”. Um fato engraçado é que somente o horário das nove foi praticamente obrigado a transmitir esse tipo de produção. O horário das seis, das sete e das onze receberam uma dose ou outra de popularismo, mas não se prendeu à fórmula. Vale lembrar também que não é de hoje que esse tipo de trama existe. Os seus próprios autores hoje alcançaram o sucesso usando o apelo popular.
      Fina Estampa foi escrita por Aguinaldo Silva, autor já consagrado por tramas de cunho popular. Aguinaldo já havia nos apresentado nos últimos anos Senhora do Destino e Duas Caras, novelas bem populares. Mas o que se viu em Fina Estampa foi a fórmula escancarada, sem medo de mostrar um apelo gigantesco por audiência. Uma protagonista maniqueísta, uma vilã caricata e tão maniqueísta quanto sua rival, um gay mega afetado, personagens cômicos, gente pobre e honesta sofrendo e muito barraco eram as principais táticas do autor para alcançar a classe C, que começava a virar o assunto do momento quando se falava em televisão. Aguinaldo conseguiu, e com um gigante sucesso, cessar o declínio de audiência do horário nobre global. Porém, isso tudo teve um preço. A crítica caiu em cima. Situações incoerentes, dignas de desenho animado, subestimavam a inteligência do telespectador e baixavam o nível da trama.


      Logo depois veio o furacão Avenida Brasil. A novela parou o Brasil como há tempos não acontecia. João Emanuel Carneiro, o JEC, apostou em uma trama pesada, com inspiração em vários clássicos literários e teatrais, mas que ao mesmo tempo tinha vários elementos populares. Modismos e trejeitos do subúrbio enriqueciam a novela, que, aliás, mostra uma evolução gigantesca do JEC como autor. Seus defeitos característicos ainda estavam lá, mas muitos haviam sido corrigidos. João Emanuel é outro autor conhecido por suas tramas populares, mas ao mesmo tempo profundas. O entrosamento entre a equipe de produção era notável, tanto que praticamente tudo deu certo em Avenida Brasil.


      O mesmo não pode se disser de sua sucessora, Salve Jorge. Glória Perez foi uma das primeiras autoras a retratar a vida do subúrbio, das favelas, de um povo pouco mostrado nas novelas antigamente. Sua nova trama trazia como protagonista uma menina da favela, jovem, que teve um filho muita nova e que acaba sendo traficada e prostituída na Turquia. A trama era inicialmente densa, mas o grande erro de Glória foi mais o menos o mesmo de Aguinaldo Silva em Fina Estampa. A autora utilizou quase todos os recursos que conhecia e que já haviam sido garantia de sucesso. Falhas da direção, mau direcionamento de personagens, elenco sumido, texto fraco para uma autora que já nos trouxe Barriga de Aluguel e O Clone, um déjà vu de outras tramas de Glória, enfim, vários foram os fatores para a rejeição do público e da crítica.


      Então vem Amor à Vida! Estreia de Walcyr Carrasco, autor de clássicos do horário das seis, no horário nobre. O início foi empolgante, muitos viam uma segunda Avenida Brasil, a expectativa aumentava a cada capítulo. Porém, já na terceira semana de novela, a decepção veio como um balde de água fria. Carrasco fazia uma novela das sete no horário das nove, e era clara a busca por audiência. Tudo parecia ser feito pra fazer mais barulho, pra chamar o público a assistir à novela. Mudanças drásticas e sem sentido em personagens, armações, segredos de família revelados uma vez por mês, tudo era feito para que seguisse aquilo o que o povo queria. Me pergunto: de quem é a culpa da falta de qualidade em Amor à Vida? Será que realmente é de Walcyr Carrasco? Pois eu não consigo acreditar que quem escreveu uma novela como essa nas primeiras e nas últimas semanas tenha sido a mesma pessoa que escreveu o meio. Pressão da emissora ou do público por uma novela de fácil digestão? Se foi da emissora, o objetivo foi alcançado. A novela conseguiu uma média bem decente e repercutiu como poucas.


      Atualmente podemos ver um Manoel Carlos inspiradíssimo no horário nobre. Mas sua novela não condiz com nada do que foi visto nas últimas quatro tramas das nove. Em Família chegou com um texto brilhante, caprichado, sem medo de agradar a essa ou àquela classe. Um elenco primoroso, desde os desconhecidos das primeiras fases até os medalhões da terceira. Maneco diz que não há pressão por audiência que lhe faça baixar o nível. E vemos que ele não mente. Apesar dos pífios números alcançados por Em Família nos seus primeiros capítulos, tudo o que foi feito foi agilizar a trama, fazendo os capítulos mais longos, nada de mexer na história! Talvez o único grande problema desta novela seja a cronologia, com idades de atores que não condizem com o de seus personagens e elementos de cenário e figurino que não batem com a época. Mesmo assim, a crítica aplaude essa brilhante e corajosa obra do “bom velhinho do Leblon”, que promete mais e mais a cada capítulo.



      Em momento algum quis passar que o programa popular é algo ruim. Mas sim que tudo deve ser bem pensado e feito, para que não se cometam exageros nem erros ao tentar fazer um produto que visa a classe C.  Como o próprio nome diz, a TV é aberta, todos assistem a ela. A busca incansável por audiência tem sido o maior inimigo da qualidade quando se trata de televisão. Que a Globo pense nisso, que não siga o caminho mais fácil. Afinal, é menos trabalhoso agradar a um só do que a todos. Principalmente se esse “um só” for garantia de dinheiro e repercussão...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Pô, bota tempero nesse caldo, minha gente!


Por André Cavalini

Quando vemos uma novela ir ao ar, mal sabemos todo o processo que ela precisou passar para estar ali. A ideia inicial, a construção da sinopse, a aprovação desta pela alta cúpula da emissora, os preparativos para escalação de elenco, figurino, cenografia, trilha sonora. As exaustivas horas de seus autores em frente a um computador. Enfim, é algo tão grandioso, que nós, simples mortais, nem podemos imaginar.

Ela acontece para distrair a população. Para levar ao público a possibilidade de se desligar da realidade e viver um pouco de fantasia. A mesma fantasia que tivemos em nossa infância, quando mamãe contava as histórias antes da gente dormir (tem como voltar nesse tempo??).

A novela é como as histórias de nossa mãe, contadas porém, através de um aparelho que a faz chegar para milhões de pessoas ao mesmo tempo.
Devido a isso, é assunto nas manicures, nas feiras, nos ônibus, na porta da vizinha, nas mesas de bar, e mesmo quem alega odiar o gênero, uma vez ou outra se pega falando de alguma coisa que remeta a alguma novela. Pois a verdade é que para o brasileiro, uma boa novela é como um grande clássico de futebol.

Sabemos porém, que nem só de flores vive uma trama. Muitas acertam, mas outras tantas deixam o caldo entornar. E são muitos os motivos que podem levar uma novela ao fundo do poço. O principal deles, em minha opinião, é a escolha errada dos protagonistas. Porque uma receita que começa com os principais ingredientes vencidos, dificilmente cairá no gosto do povo.

Se a história for ruim, mas o casal tiver liga, há esperança no fundo do tacho. Se qualquer outra coisa der errado, mas o casal principal estiver explodindo em química, a água ferve.
Pensem comigo: quando ligamos a TV para assistir uma história, a gente busca aquilo que não temos, ou que até temos, mas que não está bem do jeito que gostaríamos que fosse. A gente quer ver os protagonistas nos dando aquilo que sonhamos, vivendo aquilo que está lá no mais remoto de nossos desejos. Se não encontramos isso, perde a graça. E novela com protagonista sem graça é pior do que macarrão sem molho, avião sem asa, fogueira sem brasa, queijo sem goiabada...

Claro que muitos irão discordar, mas se pararem pra pensar, vão ver que tenho razão. Se analisarem as grandes novelas da nossa TV, aquelas que fizeram história, verão que os protagonistas eram “OS” protagonistas. Não falo nem mesmo pela interpretação, mas pelo conjunto da obra. Sabe? Aquilo que já falei, tinham a tal da química. Invadiam nosso inconsciente deixando um gostinho de quero mais.

Tudo bem, concordo que casal de protagonista não completa o bolo, mas sabemos que eles são o recheio. É preciso mais sim, bons vilões, bom texto...óbvio. Mas sem o recheio a massa fica seca, entala.

Os autores sabem disso, e quando percebem que erraram na receita, tratam logo de dar uma arrumada na coisa. Um jeitinho de não deixar o caldo desandar.
Eu só queria saber, de verdade, como é que, depois de tanto tempo cozinhando nesse caldeirão, alguns autores ainda erram a mão nesse quesito mandando pra gente, pra casa da gente, um pessoalzinho sem nem um tiquinho de sal. A receita é velha, é só seguir direitinho que a gente gosta.

Novela é comida para o povo, e o povo gosta é de receita simples, bem temperada, mas sem a necessidade de ingredientes muito mirabolantes.
E olha que sabemos bem que corre o risco de sobrar comida na mesa quando mudam demais essa receita.

Fazer uma lista é complicado, são anos de histórias pra serem lembrados e milhares de casais que poderiam ser citados em cada categoria. Mas segue ai a opinião deste autor que vos escreve:

Casais Gororóba - A gente vê, mas torce o nariz.


2013 – Salve Jorge – Théo e Morena: Já começa pelos atores que nem no meio de uma pizza quatro queijos desceriam guela abaixo. Não falo de interpretação, pois cada um está fazendo direitinho seu trabalho. Mas não dá, não tem química, nem física nem história e nem geografia entre os dois. Eles não ornam e ponto final. Sem falar que Morena é muito guerreira pra um cara tão pastel, feito o Théo. Melhor pra “Donelô” que se tornou o melhor da novela.


2011 – Insensato Coração – Marina e Pedro: O casal até que tinha uma quimicazinha. Nesse caso é que os personagens era ruins mesmo. Uma patricinha que só sabia chorar e que ia sofrer em Nova Yorque não é o que gostamos de ver em nossas heroínas. A não ser que ela voltasse de NY e se infiltrasse na casa do amado disfarçada de Rita pra fazer pagá-lo por todo sofrimento que ele causou. E também um mocinho mimadinho e sem força de vontade pra dar a volta por cima e mostrar o saco roxo que tem no meio das pernas, não tinha como ganhas nossos sensatos corações. Melhor para Gabriel Braga Nunes que tomou conta da história.


2010 – Viver a vida – Marcos e Helena: Acalmem-se moçoilas que querem me matar por falar de Zé Mayer. O fato aqui é que aqui nem mesmo o Chuck Norris da mulherada conseguiu dar liga com a chata da Helena de Thaís Araújo. Personagem foi terrivelmente insuportável, uma inhaca! E a gente torcia mesmo era pro Zé encher a cabeça de Helena de galhos, muitos galhos. Quem gostou disso foi Lilia Cabral que chamou todos os holofotes para si.


2005 – América – Tião e Sol: Outro casal que nem com muito catchup a gente conseguiu engolir. Ela sofreu, chorou, a gente teve pena. Ele gostava mais dos rodeios do que da mulher de sua vida. E sinceramente, nas cenas juntos, era melhor ver Tião com as vacas do que com Sol. Murilão não honrou os cowbois do Brasil e acabou ficando sem a Sol no fim do túnel, ops, no último capítulo. Ponto pra gente que viu Déborah Secco bem gostosa dançando em cima do balcão.


2002 – Esperança – Maria e Toni: Priscila Fantin e Gianechini sofreram para convencer o público exigente. Era tanta choradeira, tanto sofrimento, tanta lágrima, tanto “pelamore de dio” que até a mais santa das criaturas se entediou. Trocaram até o autor da novela, mas nem assim o angu engrossou. Ponto pro Ratinho que alavancou a audiência de seu programa.

Casais Banquete - A gente se deliciou com eles.


1994 – Quatro por quatro – Eram quatro casais de protagonistas e adivinha quem se destacou? O desastrado Raí de Marcelo Novaes e a desbocada Babalú de Letícia Spiller. Deu tão certo, mas tão certo, que os dois ficaram juntos também na vida real. E até hoje a gente pede bis.


2001 – O Cravo e a Rosa – Catarina e Petruchio: Pra mim, o melhor de todos. Interpretação excelente, história gostosa e todos os ingredientes necessários pra uma receita de sucesso. Adriana Esteves e Du Moscovis tinham sal, pimenta, manjericão. Eles tinham a horta inteira na composição desse maravilhoso casal.


2004 – Da Cor do Pecado – Para a novela que apresentou a primeira protagonista negra na Globo, a produção acertou em cheio ao escalar Thais Araújo para viver a guerreira Preta e Gianechini para o confuso Paco. Os dois juntos causou na gente aquilo que já falei que um casal precisa causar. Torcemos e muito para o viveram felizes para sempre dos dois.


2002 – O Clone – Jade e Lucas: Murilo Benício foi 3 nessa novela. Mas a gente queria mesmo é um só com a maluca Jade de Antoneli. Lucas era chato, Benício ainda falava muito pra dentro, mas Jade era tão, tão...TÃO! Que tudo bem, ela valia pelos dois e a gente gostou dessa receita brasileira com tempero marroquino.

Casais Molho de Cachorro Quente. O recheio é mais gostoso que o ingrediente principal.


2007 – Paraíso Tropical – Bebel e Olavo: A química entre os dois era tão explosiva que ofuscou todo o resto da novela. Nem Alessandra Negrini em Dose dupla conseguiu apagar o fogo que o casal tacou no Brasil.


1997 – Por Amor – Milena e Nando são outros que viviam soltando faíscas quando apareciam na TV. A típica patricinha sem freios, que bate de frente com a mãe, que é uma desmiolada, e que se entrega pra o cara certinho, de nível social diferente e cheio de sonhos fez o país suspirar. Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis fizeram o Brasil torcer por esse casal inesquecível igual pela seleção em final de copa do mundo.



2010 – Viver a Vida: Matheus Solano roubou a mulher dele mesmo, digo, de seu irmão gêmeo na história e o romântico médico Miguel ganhou não só o coração da filhinha de papai e modelete Luciana, mas o de todos nós. Afinal, ele gozando de plena saúde e boa forma, se rendeu aos encantos de uma mulher com deficiência física. A típica história de que não é preciso ser perfeito para amar e ser amado. Uma lição para todo o Brasil. Palmas para Aline Morais e sua grande interpretação.

Casais bolo embatumado – tentamos, mas entalou na garganta.

1999 – Torre de Babel – Rafaela e Leila: Eu gostava as duas e torcia todo dia pra ver uma cena bem picante entre elas. Porém, em minha pesquisa elas se encaixam nessa categoria, e tanto foram rejeitadas que explodiram juntinhas no shopping. O dó!


2001 – Estrela Guia – Cristal e Tony:  Prefiro nem comentar.


Que tal vocês agora darem continuidade na lista? Quais casais trouxeram emoção até você? E quais você não curtiu? Ajude a gente a escrever essa receita!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O pai errado, o marido errado, e... a audiência errada?


Por Flávio Michelazzo

Vou ter que fazer outra postagem falando sobre a novela "Salve Jorge", não pra falar da Thammy porque ver uma mulher vestida de mulher não é algo que me mobilize como acontece com a maioria, mas porque preciso falar do casal Stênio (Alexandre Nero) e Heloísa (Giovanna Antonelli). Tenho acompanhado a novela com frequência nas minhas férias e me causa um imenso espanto a falta de caráter do advogado (não dá pra chamar de ingenuidade, perdão, Gloria Perez, você não está escrevendo para o Duda Nagle e o personagem não é mais estudante de Direito) e a maciça torcida do público para o casal.
Stênio engana a ex-mulher quando o assunto é a problemática filha Drica (Mariana Rios) como pode, inclusive acobertando o gravíssimo crime da filha de traficar drogas em seu apartamento só para ficar bem com a ex-mulher (sim, ainda por cima se trata de um ex-casal e a mulher ainda dá trela pro traste) e defende sua única cliente, Lívia Marini (Claudia Raia) - Ainda que para atendê-la seja necessário ter um grande escritório cheio de funcionários - com unhas e dentes. Com uma credulidade irritante, porque nenhum advogado, por mais "porta-de-cadeia" que fosse, acreditaria realmente na inocência de seu cliente com o mundo desabando nas suas costas. Mais uma vez, se o personagem fosse do Duda Nagle e se tratasse de um estagiário, a gente podia até embarcar nesse dirigível da Good-Year e deixar a Tiazinha chamar de disco voador no Domingo Legal.
É justo que depois dessas cenas citadas acima teve uma cena da delegada colocando o crédulo ex pra correr porque pegou a mentira dele no ar. Gloria não está conduzindo a coisa de maneira tão fantasiosa assim, apesar da novela ser uma sucessão de mulheres traídas e falas repetidas ad nauseam como "Ai amiga, 'cê' sabe que homem é tudo igual, né?", então não importa o homem ser doutor, coronel, turco ou morador do Alemão. Ele trai e fica por isso mesmo. Concluo que temos uma novela machista escrita por uma mulher. E essa traição não precisa necessariamente ser física. Pode ser uma traição de confiança. Agora vem o que me assusta: No dia que Gloria separa o casal "Steloisa" eu entro no Twitter e me deparo com hashtags favoráveis ao casal. Ou seja, o público é conivente com tudo de errado que o advogado faz e torce por ele! O público também é machista.
Não é a primeira vez que um homem engana uma mulher e o público torce por ele. Não precisa ir muito longe pra acharmos casos assim. Em "Belíssima", André (Marcello Antony) aceitava participar de um golpe para tirar a fortuna de Julia (Gloria Pires) e acabava traído por seu coração, apaixonando-se de verdade pela empresária e o público torceu por eles. Silvio de Abreu, o autor, foi moralista e, inspirado nas tragédias gregas, matou André. Aguinaldo Silva mudou o final de "Duas Caras" e fez com que Ferraço (Dalton Vigh) ficasse com Maria Paula (Marjorie Estiano) para agradar a audiência.
Prefiro pensar que tudo se deva ao imenso carisma dos atores Nero e Antonelli que estão desempenhando com maestria seus papéis e por isso o público perdoe os "deslizes" de Stênio. Nero passou por isso em "Fina Estampa". Seu personagem batia na mulher e no final terminou arrependido e reconquistou a esposa. Prefiro pensar que seja só isso, que eu esteja enganado, e que o público não seja conivente com o personagem, mas com o brilhante ator.
Mas talvez tudo não passe de um mal-entendido. Talvez a novela no papel seja outra e a culpa seja do diretor... Não seria a primeira vez, né???

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Twitterspectadores

Por Daniel Couri

Um novo jeito de assistir TV se popularizou nos últimos dois ou três anos. Confesso que – pelo menos para pessoas como eu, que ainda engatinham nesse mundo de tecnologias galopantes – a nova forma de ver televisão requer certo malabarismo. Refiro-me ao twitter, a rede social que une telespectadores do país (e do mundo) todo.

Atualmente é bem comum comentar as novelas em tempo real. Falo das novelas porque é quando a maioria dos tuiteiros 'comentaristas' convergem para o mesmo programa. Novela ainda é uma paixão nacional, por mais que o gênero passe por altos e baixos. Seja para aplaudir ou atirar pedras, o Brasil está sempre de olho nela.


Não sou tuiteiro muito assíduo, mas tenho notado cada vez mais claramente um lado positivo e outro negativo nessa história. O bom é que assistir a um programa que você curte e poder comentá-lo com outras pessoas que também curtam é muito divertido. É como reunir um grupo de amigos em casa para ver um filme que todos gostam, ou o último capítulo de uma novela. No caso do twitter, são amigos virtuais, claro, mas acabam muitas vezes sendo mais assíduos do que amigos 'reais'.


O lado ruim é que os tuiteiros mais beligerantes costumam assumir uma atitude arrogante e até agressiva com quem não compartilha do mesmo ponto de vista deles. Uma simples divergência de opiniões a respeito do personagem de uma novela, de uma celebridade ou de uma música torna-se motivo para bate-bocas intermináveis e bobos. O twitter nos deixou mais melindrosos e presunçosos. Todos se julgam experts e críticos imbatíveis e isso acaba gerando um mal-estar.

O grande prazer de hoje não está simplesmente em se sentar na frente da TV e acompanhar a novela passivamente. O público do twitter elogia, ataca, compartilha, repassa, defende, dá pitaco. A novela quase fica em segundo plano, já que o foco é comentar freneticamente. Vira uma espécie de competição para ver quem vai dar a tuitada mais engraçada ou inteligente primeiro. Ou quem vai fazer a piada mais rapidamente. Com Avenida Brasil, no ano passado, era pura catarse coletiva: todos vibravam, brincavam, elogiavam, sentiam-se parte da novela. Com Salve Jorge é o contrário: repudiada pela maioria dos tuiteiros noveleiros, a novela virou o tema favorito de piadas, deboches e troca de farpas.


Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o saldo disso tudo. Se por um lado o público (por meio do twitter) está muito próximo de quem faz a novela (emissoras, autores, artistas) e tem a chance de expressar sua euforia pelas tramas, por outro parece que muita gente está mais preocupada em achar falhas e defeitos nas novelas do que em mergulhar nas histórias. É válida a 'vigilância' dos telespectadores. O público não precisa engolir tudo só porque a novela “é uma obra de ficção”. Aceitar furos grosseiros numa trama, por exemplo, é subestimar a capacidade intelectual do público. Porém me pergunto: até que ponto esses furos não ficaram gigantescos aos olhos do público justamente por causa dos vigilantes que não deixam passar absolutamente nada? Pelo visto, daqui pra frente os autores de novelas vão precisar de muito mais cuidado, até mesmo nos mínimos detalhes. Os twitterspectadores não perdoam. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

A virada de Claudia Raia


Por Flávio Michelazzo

Não é surpresa para mim que Claudia Raia esteja na boca do povo. Considero-a uma atriz dedicada, versátil e talentosa, e conseguiu fazer da sua Lívia Marini um sucesso nessa reta final da novela "Salve Jorge", escrita - com um roteiro muito mais, digamos, "turbinado" que de costume - por Gloria Perez e dirigida - mal - por Marcos Schechtman.

A arqui-vilã que elimina suas vítimas de uma maneira um tanto quanto inovadora na TV aberta, injetando um coquetel de drogas letais na carótida de quem atravessa seu caminho, começou fria, dura, engessada, e, após a eliminação de Jéssica (Carolina Dieckmann), por medo de ser entregue às autoridades, fez com que a personagem finalmente mostrasse a que veio. Claudia ganhou mais cenas, mostrou o que o público já sabe que ela pode fazer, que era muito além de ficar xingando sua quadrilha pelo telefone e se fazendo de boazinha para a sociedade. O papel de Claudia, até o momento, era tão importante quanto o de Irina (Vera Fischer), que passa capítulos a fio sentada atrás de uma cortina fazendo a contabilidade da "buate".

Mas foi ao cruzar seu caminho com o de Théo (Rodrigo Lombardi) - o "cara" quarentão que mora com a mãe super-protetora e é infiel - que a personagem passou a dominar a cena. A paixão obsessiva da vilã pelo mocinho tem rendido os melhores (?!) momentos da trama, e Claudia está tirando todo proveito disso. Lívia viu seu coração de gelo ser jogado numa churrasqueira e está fazendo de tudo para ir para o espeto e ser a carne mais pedida no rodízio de Théo. Para fechar com chave de ouro, uma música de Luís Miguel, que já embalou com outras canções, cenas românticas de Claudia em "Deus nos Acuda" e "Belíssima". É... Bate e fica. Literalmente.



Apesar de particularmente não ter gostado, num geral, da novela, achei que ela começou muito bem, depois desandou, e agora voltou a ficar interessante. Uma pena não ter feito jus a tantos talentos que foram sendo desperdiçados enquanto poderiam ter rendido ótimos momentos. Felizmente, Claudia Raia, uma grande atriz, acabou não sendo tão injustiçada assim. Resta saber qual será seu final. E torcer para que venham trabalhos muito melhores tanto para Claudia Raia quanto para Gloria Perez. Não necessariamente juntas.

domingo, 24 de março de 2013

Salve Jorge, ame ou odeie!

Por André Cavalini

A novela Salve Jorge, desde a sua estréia chamou mais a atenção pelas polêmicas do que pela própria história.

Já na escolha da protagonista, a autora Glória Perez teve que enfrentar a ira daqueles que torceram o nariz ao ver o nome de Nanda Costa ser o escolhido. Quanto a isso, os que julgaram tiveram que morder a língua, pois a menina está dando conta do recado, marcando a personagem com uma interpretação muito bem feita na minha opinião. Morena pode não ser a personagem mais legal dos últimos tempos, mas a atriz deu a ela o precisava. É uma típica garota do morro, com caras e bocas que passam essa realidade e nos convence, principalmente quando o sangue sobe a seus olhos.

Depois vieram os milhares de personagens que tentavam ganhar o público, ao mesmo tempo que nos confundiam. Era tanta gente que demorei mais de quinze dias pra guardar o nome de cada um e saber a que núcleo pertenciam. Um desperdício de talentos.

Sobre o casal de protagonistas, não senti química, não vi beleza e mudo o canal em todas as cenas que aparece o capitão Téo, de tão chato que Rodrigo Lombardi está no papel. Tão chato, mas tão chato, que nem mesmo pegando todas as gostosas da história, me faz ficar seu fã.


Vieram também as criticas à vilã de Cláudia Raia, que segundo alguns, não tinha brilho de vilã e por isso foi ofuscada por Wanda [Totia Meireles]. Essa sim, despertando no público aquela vontade de encontrá-la na esquina para dar uma boa sova. Eu, particularmente acho que Cláudia está bem no papel. Desde o principio ela disse que sua Livia seria uma vilã “bege”, e é isso que vemos. As criticas, acredito, são porque estávamos acostumados com a deliciosa interpretação de Adriana Esteves e sua marcante Carminha. Tínhamos esperança de que Livia herdasse alguma coisa da megera do Divino. Mas devemos relevar, afinal, Carminha gostava era de encher a cabeça do marido de chifre, e não a Turquia de traficadas.


Com o tempo, fomos aprendendo a engolir a novela. Saboreando belas imagens da Turquia e nos surpreendendo com presentes como a extensão da personagem de Carolina Dickman, que era pra sair logo e ficou bastante tempo na história, especulando-se que tomaria o lugar de Morena. Ponto para Carolina que mostrou a grande atriz que é. 

Outro presente é a delegada  Helô, de Giovana Antonele, que pra mim, roubou a atenção pra ela e hoje é a personagem principal, segurando a trama e despertando em nós aquela vontade de ligar a TV no horário nobre. Destacaria também Dira Paes e sua Lucimar, que já vinha me agradando, mas que me ganhou na cena em que descobre a morte da filha, uma das mais bem feitas até agora.

Também devemos agradecer a autora por nos trazer a realidade o tema do tráfico humano.
No entanto, o que me chama a atenção em toda a construção de Salve Jorge são as constantes falhas da produção de continuidade e no roteiro.
Quem nunca percebeu a mudança dos cabelos de Morena, que ao correr pela Capadócia estavam encaracolados, e na cena seguinte escovados. Em uma das cenas deixaram o furo da mesma personagem , já grávida, correr pelos campos turcos sem barriga.
Ontem o mesmo erro aconteceu, mas com a personagem Irina. Ela aparece com os cabelos ondulados  na cena em que Russo dá uns bons tapas na cara de Rosângela e logo em seguida, quando vai trancar a traficada no quarto, os cabelos estão lisos e escorridos.

Pode parecer implicância, mas não é. Estamos falando do padrão globo de qualidade, e erros infantis como esses, derrubam esse padrão, nos fazendo acreditar que a emissora platinada já não é mais a mesma.

Assim como parece que Glória Perez, única autora do Brasil a ter um prêmio Emmy por uma telenovela, também não é mais a mesma. Vira e mexe, vemos furos na história que nos levam a pensar que Glória está se perdendo, sem contar a barriga* que temos que aguentar para ver simples coisas acontecerem. Vale ressaltar aqui o fato de Barros se “esquecer” que conhecia Wanda. Quando percebe furos grandes, a autora tenta consertar mais adiante. A ideia é válida, mas a essa altura, as críticas mais uma vez ofuscaram o brilho da história. Sem falar em cenas desnecessárias que nada acrescentam à trama, como por exemplo a fuga de Morena do restaurante para ter a filha sozinha nas cavernas. Pra que? Pra nos perguntarmos quem cortou o cordão umbilical do bebê? Ou até mesmo a ingenuidade dos advogados Stenio e Aroldo que contam detalhes de casos confidenciais para suas clientes. Ou então Livia matar Raquel em um elevador sendo que hoje em dia não se acha mais um elevador sem câmera filmadora... Esse ultimo caso, me lembra Nina não se recordar, em pleno séc XXI de um pen-drive para guardar suas fotos... Avenida Brasil também teve as suas falhas! 


Entendo que a maioria do público de uma novela não se liga em detalhes como estes. Quer mais é ver uma boa história e pronto. Mas uma novela também é assistida por aqueles que a observam com olhares mais técnicos, e é justamente para este público, que a obra precisa ser perfeita, e apresentar o mínimo possível de falhas.
Entendo que o desgaste acontece na dura jornada de vida de uma trama das 20h. E por isso os erros são perdoados. Mas é preciso ter cuidado, porque quando os erros começam a ser mais comentados do que a própria história, é possível que a novela seja lembrada mais com gargalhadas que com admiração.
E é por tudo isso, e muito mais, que não sei ao certo se amo ou odeio a novela.

*chamamos de barriga o fato de uma história enrolar em determinado momento, onde as coisas acontecem, acontecem e continua tudo na mesma.

sábado, 16 de março de 2013

Papéis Trocados?!

Por Autran Amorim

                                                           
Claudia Raia é uma atriz versátil, talentosa, vide Tititi, A Favorita, O Beijo do Vampiro, Roque Santeiro, Belíssima. Porém errou a mão feio nessa vilã da trama das 9. Lívia Marini é engessada, tem frases curtas como se fosse sinal de discrição, não dá medo em ninguém. Só digo uma coisa, Claudia está linda, é inegável. Não é a primeira vez que ela não se dá bem com vilãs, vide as péssimas Ângela (Torre de Babel) e Ágatha (Sete Pecados). Como ela já mostrou seu lado para o drama, eu acharia melhor que ela fizesse o papel de Berna (Zezé Polessa). Não descreditando a ótima performance da Zezé, mas se sairia melhor. E Ana Beatriz Nogueira faria a perigosa Lívia Marini, ia contrastar ou até ofuscar a inspirada atuação de Totia Meirelles.

Ora, vejamos... Não é de hoje que Salve Jorge vem dando o que falar, seja para mal,  criticada às vezes,ou caindo na língua dos mais complacentes. A própria Glória declarou que a quantidade de núcleos e personagens foi um jeito de ver qual ia ‘’pegar’’ primeiro, causando descontentamento no elenco. Atores de alto cacife que mal aparecem na trama, como Rosi Campos, Walderez de Barros, Eva Todor, Cristiana Oliveira, Nicette Bruno que é relegada a brincar com uma cadelinha, e os casos mais graves, Natália do Vale e Ana Beatriz Nogueira tendo que fazer cena lendo revista de fofoca, é o cúmulo! Aí, fiquei pensando se a personagem da Lívia Marini (Claudia Raia) estivesse nas mãos da Ana Beatriz?



Ana é uma atriz singular, como poucas, tem uma marca forte no olhar, na forma de dizer o texto, de forma despretensiosa. Ana Beatriz simplesmente arrasou como a amarga Eva de A Vida da Gente, brilhou a trama inteira, como uma mãe que "amava" uma filha e a tratava de modo superior em detrimento da outra. 


Seus olhos com as bordas escuras dão intensidade a ela, olhar esse que usou muito bem ao interpretar a esposa de Cortês (Herson Capri). Clarice, uma mãe dedicada, esposa traída e morta pelo próprio marido (em Insensato Coração).


Imagino que ela faria miséria como a Lívia Marini, daria profundidade, humanidade e seria discreta com a personagem, nos deixaria com raiva dela, pena que os papéis foram invertidos. Quando eu lia o belo romance Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles a personagem chamada Frau Herta, uma governanta apaixonada pelo dono da casa, era má, fria, sem expor sentimentos, mas tinha alguma humanidade, e quando vi a trama fiquei abismado, Ana Beatriz Nogueira conseguiu fazer uma vilã incrível, parecidíssima com a do livro. 


Mas, em Salve Jorge, por não ter muita visibilidade na trama, a Ana Beatriz não aguentou e pediu para sair da novela. Nesta segunda (18), vai ao ar a cena em que, pelas mãos de Lívia Marini, a sua personagem é morta. A atriz irá participar do remake de Saramandaia, a convite de Denise Saraceni, diretora da novela. 

Vida longa a Ana Beatriz Nogueira!!!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Salve Glória, Salve Jorge... Salve salve!!!

Dia desses estávamos batendo um papo sobre novelas, eu e o brother Marcelo Alves*. Falávamos especificamente sobre Salve Jorge, então perguntei o que ele pensava sobre a trama. Daí propus que escrevesse algo que pudesse ser publicado aqui. Ele topou, e o fez de modo bem despretensioso. Eu agradeço. Espero que prestigiem. 



Glória Perez, uma autora com grandes novelas de sucesso em seu currículo e que em várias delas retratou outras culturas e teve merchandising social. Glória foi a primeira autora brasileira a ter uma novela vencedora do Emmy internacional por Caminho das Índias (2009). Então será que uma autora com todo esse porte não merecia um pouco mais de respeito com a sua atual novela? Uma novela de temática que merece toda uma ênfase, mas que não agradou muito aos fãs de Avenida Brasil, sua antecessora. 

Não é preciso gostar de Salve Jorge, muito menos assistir aos capítulos todos os dias, mas nem por isso criticar de modo destrutivo, falar mal da novela que está trazendo à tona um tema que muita gente nem sabia que existia na realidade. O tráfico de pessoas está sendo muito bem representado na atual trama das nove. É claro que a novela tem alguns furos, como tantas outras de sucesso [inclua-se nisto a retumbante Avenida Brasil] também tiveram. A audiência não anda lá em cima, é bem verdade. Embora para o padrão atual esteja dentro do aceitável, principalmente se considerado o painel nacional.  É válido ressaltar que uma novela pra ser boa não precisa ter uma audiência altíssima, vide Lado a Lado [atual das seis] que não tem tanta representatividade no ibope, mas é uma obra de qualidade inquestionável.

Sim, concordo com a crítica de que a novela tem personagens demais, alguns até desnecessários, que poderiam muito bem ser traficados pra Turquia também, mas opto por reverenciar os ótimos personagens, como Hêlo e Stênio, Giovana Antonelli e Alexandre Nero, respectivamente.


A novela não é a melhor de todos os tempos, a autora já teve em mãos histórias mais interessantes, mas também está bem longe de ser a pior.
Acredito que a autora, dona de uma trajetória marcante na teledramaturgia, nem se importe tanto com comentários maldosos, ainda assim, vai do bom senso respeitar toda a estrutura que envolve uma novela e principalmente aos profissionais que deste processo participam. Salve Glória, Salve Jorge... Salve Salve!!!


Marcelo Alves é um garoto inteligente, adora TV e assuntos inerentes ao tema. Tímido, mas se mostra desinibido quando escreve. Atualmente cursa o 2º ano do ensino médio.

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