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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Será a nova novela do Tiago Santiago, mais do mesmo? E vocês, o que sugerem? Nós sugerimos!!!


Isaac Santos & Convidados 

Dia desses, lendo uma nota sobre o autor Tiago Santiago já estar desenvolvendo a sua próxima novela no SBT, pensei em escrever algo referente a isso, pra este espaço.

Tiago, com passagens pela Globo e também pela Record, nesta última, obteve maior prestígio, sendo um dos principais autores da emissora. Foi nessa fase que ele e sua equipe conquistaram índices de audiência respeitosos com a exibição de novelas bem sucedidas, também pela crítica, vide ‘Prova de Amor’ e ‘Escrava Isaura’. Ainda com boa visibilidade do público, mas sob o “olhar atravessado” da maioria dos críticos de TV, fez por lá a trilogia ‘Mutantes’.


Ora, eu que sempre critiquei publicamente o Tiago Santiago, pelo excesso de didatismo [repare, eu disse “excesso”, pois sei que cada autor tem a sua característica e não há que ser incompreendido por isso], admiro a sua capacidade de criação [não me xinguem, mas os primeiros capítulos de ‘Caminhos do Coração’ demonstravam que viria algo interessante, a idéia original era legal, infelizmente se tornou numa estória sem noção, então desisti de acompanhá-la] e penso que não deva ser ignorada.

No SBT, ‘Uma Rosa com Amor’, embora uma produção modesta, se manteve com índices aceitáveis aos padrões da emissora. Mas foi com ‘Amor e Revolução’ que Tiago Santiago chamou a atenção de todos para a TV do Sílvio Santos. Ele ousou e de fato, deu uma aula de história [pecou nisso] sobre um tema político e polêmico, do nosso país, gabando-se por isso. Ah! Não conseguiu ser o responsável pela cena de beijo gay entre homens, porém conseguiu fazer barulho em cima do beijo entre personagens lésbicas.
  
‘Amor e Revolução’ se manteve nos TT (assuntos mais comentados do twitter) por força dos seus críticos. Aliás, essa prática virtual tem se tornado cada vez mais comum e os autores conscientes disso têm interagido por essas ferramentas.

Lembro da fala fervorosa de um dos seus fãs, em resposta a um comentário meu, no twitter (à época da exibição de Amor e Revolução). Algo sem maiores conseqüências, contudo demonstrando a postura que alguns preferem adotar, a da ignorância. Tudo muito passível de interpretações errôneas. Mas, certo de que as minhas opiniões nunca objetivaram uma simples “trolagem”, nem mesmo uma crítica destrutiva, não estou aqui a pedir desculpas. No entanto, acho digno que do mesmo modo a que nos habituamos criticar, evidenciemos a nossa insatisfação, justificando-a e o mais importante, motivando-o a alcançar sempre os melhores resultados possíveis.

Nesse intuito, propus uma tarefa a alguns amigos noveleiros e eles toparam. Pedi que partissem da seguinte hipótese: “A teledramaturgia do SBT quer saber a sua opinião sobre o estilo de escrita do autor Tiago Santiago. Feito isso, sugira ao mesmo, elementos que possam levá-lo a obtenção de uma trama bem sucedida. Capriche no texto ou tópicos, pois o faremos saber.”


Óbvio que seria pretensioso de minha parte, imaginar o autor lendo essa postagem, mas ao menos compartilhamos algumas idéias. O que já é muito válido!!!

Posto abaixo, o que a mim foi enviado pelos amigos Daniel Couri, Fábio Leonardo e Sidney Rodrigues, aos quais agradeço pela gentileza.

Fábio Leonardo (http://supercult01.blogspot.com) sugere:

A nova novela do SBT deve ser um bom folhetim, na acepção da palavra: manter ganchos atrativos, uma relação balanceada de ação, drama, comédia e romance. Pode ter uma trama policial, ou até mesmo uma pitada de realismo fantástico, desde que tratada de forma coerente com a proposta da trama. Cabe ao autor respeitar a inteligência do público: não propor situações nababescas, se elas não estiverem de acordo com aquilo que a trama se propõe a ser. Mesmo em tramas de época (e falo agora do lugar de aprendiz de historiador), a explicação sobre os acontecimentos reais que contextualizam a trama devem vir sublimados em situações, e não em diálogos professorais. Cabe lembrar que a novela tem o dever de informar, mas não é uma sala de aula.

Sidney Rodrigues sugere:

O que encanta a tantas pessoas que assistem os reality shows? É ver tramas que acontecem com pessoas normais, a novela poderia ter até um metateatro, um reality show na novela e como vivem as pessoas que estão no reality e as pessoas que ficaram de fora do local

- um jovem viciado em twitter e redes sociais e que através da rede faça uma mobilização pela trama central da novela
- uma "mocinha" que não aceite todas as malvadezas da vilã e só se rebele no último capítulo, as pessoas de verdade tem atitudes mais imediatas
- um "mocinho" que se apaixone por uma pessoa normal e que mostre os problemas do relacionamento cotidiano, não penas traições e chifres, indas e vindas, acho que falta mais naturalismo, pois há muitos temos a serem observados numa relação amorosa comum a de muitos seres humanos
- um chefe inseguro, que se apropria das ideias dos outros no trabalho
- um profissional de marketing, que faz de tudo para que seu produto seja aceito pelo mercado, tipo, vender uma Maria chuteira. 


Daniel Couri sugere:

Pode me chamar de saudosista e até de conservador, mas sempre achei que, para conquistar o público e prender a atenção, uma novela precisa ter os elementos "clássicos" das telenovelas. Não necessariamente copiar outras, mas fazer uso de situações que despertem o interesse do público.

Personagens que são dados como mortos e reaparecem na trama; barracos conjugais; mocinhas ambiciosas em busca de ascensão social; galãs acusados injustamente tentando provar sua inocência; vilã que coloca anel de brilhante na bolsa da empregada para acusá-la de roubo, rivalidade entre irmãos e por aí vai. Variações sobre o mesmo tema que sempre agradam, desde que sejam bem apresentadas em uma trama bem amarrada.

O que eu observo na grande maioria das novelas atuais - ou melhor, dos últimos 10 anos - é que as histórias não têm muito apelo. O público se entedia e perde o interesse. As “encheções” de lingüiça ocupam a trama quase toda. Muitas novelas simplesmente copiam tramas anteriores sem ao menos se dar ao trabalho de usar uma "roupagem" nova. Não acho que excesso de inovação funcione em novela, salvo raríssimas exceções. Tramas muito rocambolescas e inverossímeis, que tentam enfiar goela abaixo temas "modernos" mas chatos de serem visto em novelas, algumas vezes até forçados, personagens incoerentes e rasos, que não nos fazem torcer contra e nem a favor deles, essas coisas também não costumam colar.

Um problema das novelas de hoje, na minha opinião, é o excesso de personagens. Muitos não têm função nenhuma na trama, ficam desfilando e falando textos chatos que nada acrescentam à história. Mas ocupam espaço. E os personagens que deveriam ser os principais e ter mais profundidade acabam não sendo tão bem aproveitados como poderiam. Por isso acho mais fácil apontar os "problemas" das novelas atuais do que sugerir inovações. Até porque (quase) nada se cria, tudo se transforma.

Sou a favor de novelas com menos personagens e mais história. O foco deve ser a trama e não a infinidade de personagens desnorteados. Novelas simples como "Dancin' Days", mas com elementos que prendem o público, são muito gostosas de ser ver. Outras com tramas mais arrojadas, como "Vale Tudo", prendem a atenção do primeiro ao último capítulo. Tudo é muito bem amarrado, não há nenhuma história paralela sem importância, tudo se liga de forma espetacular, todos os personagens têm uma razão de existir. "Mulheres de Areia" mesmo, mistura elementos simples com uma trama empolgante. Difícil ter um capítulo chato. Um outro estilo diferente foi "Mulheres Apaixonadas", que apesar de não ter uma trama cheia de mistérios e reviravoltas, tinha um texto maravilhoso e empolgava bastante.

Em minha opinião são esses os pontos fracos das novelas atuais: muitos personagens sem função na trama, diálogos fracos e histórias que acabam se perdendo no meio do caminho. A adaptação de "A Escrava Isaura" que o Tiago Santiago fez foi muito boa. A produção era simples mas a novela, mesmo sendo o remake de um clássico, atraiu a atenção do público. "Prova de Amor" também. Estilos diferentes, mas ambas muito atraentes e empolgantes. Até o remake de "Uma Rosa com Amor", apesar de modesto, teve seus encantos. Mas "Caminhos do Coração" e "Os Mutantes" foram muito ruins. Como eu disse, acho que tentar 'inovar' demais em novelas pode ser um perigo. Vira um “samba-do-crioulo-doido” totalmente inverossímil, como foi o caso da novelas dos mutantes. Uma verdadeira salada sem pé nem cabeça. Outra coisa que no meu ponto de vista não funciona é tentar transplantar para nossas telenovelas o estilo das séries americanas - com vários personagens que vão surgindo ao longo da trama e depois desaparecendo - como o Gilberto Braga fez em "Insensato Coração". A novela tinha muita coisa boa, mas se perdeu com um emaranhado de personagens e sub-tramas que mais cansaram do que empolgaram. Quem levantou a novela foi a Norma.

Fotos: Google Imagens
Portal R7
Site do SBT



domingo, 17 de julho de 2011

Amor & Revolução... e Censura?

abertura da novela


Por Isaac Santos

"Amor e Revolução" estreou como a grande aposta da teledramaturgia do SBT em 2011. Passada toda essa expectativa, eis que a cúpula da emissora, entenda-se o seu dono, Silvio Santos, tem “orientado” o autor a promover mudanças na trama, devido a baixa audiência. Nada de anormal, pois fosse em qualquer outra empresa, a postura seria a mesma. No entanto há que se observar o modo como isto se dá, pois é inadmissível que um autor tenha que começar uma "nova novela" dentro da já existente, demonstrando falta de respeito com o seu público fiel. Penso que o Departamento de Teledramaturgia deva existir também por isso, é de sua responsabilidade analisar as possibilidades ou não, das sinopses apresentadas e somente depois disso, considerando os riscos é que se pode por uma novela ao ar. Ajustes que proporcionem uma melhor adequação ao público, aos críticos, enfim, estando a novela em exibição, devem ser os mínimos e necessários possíveis, ou seja, não podem ser tão bruscos, grosseiros, ao ponto de perder-se o rumo da história. Óbvio, que há exceções, como quando um autor é substituído por outro numa situação inevitável. A própria Janete Clair, um monstro sagrado da teledramaturgia, se utilizou deste artifício ao receber a incumbência de alterar a trama da telenovela Anastácia, a Mulher sem Destino, da Rede Globo, para reduzir drasticamente as despesas de produção. Ela então inseriu na história um terremoto que matou mais da metade dos personagens. Mas isso foi em 1967, há 44 anos, hoje seria de uma irresponsabilidade sem tamanho, iniciar uma produção e testá-la no ar. Os riscos admitidos pelas emissoras num mercado de altíssima concorrência, são mínimos.
Tiago Santiago, autor de Amor e Revolução

Assisti alguns capítulos iniciais de A&R por curiosidade e pra prestigiar, mas pela falta de identificação com o didatismo exagerado e tão característico do Tiago Santiago (aqui não contesto o talento e criatividade do autor, e sim o seu estilo), beirando o ridículo as cenas de determinados atores, optei por não continuar a vê-la, no entanto a torcida pelo sucesso da trama, de minha parte sempre existiu, pois todos ganhamos com a abertura de mercado e também em respeito aos profissionais que deste projeto participam, como a exemplo da querida Renata Dias Gomes, colaboradora do autor.
A trilha sonora da novela, e a reprodução de época são boas, merecem o reconhecimento, o elenco de atores experientes se esforça, com exceção de alguns canastrões comuns a todas as produções de novelas. Então, Por mais que Amor e Revolução não esteja atingindo as expectativas do SBT, o que é absolutamente relativo e naturalmente contestável, é revoltante o Tiago Santiago ser exposto a tanto constrangimento (obviamente, negado em público, por ele). 

um dos depoimentos mais emocionantes da novela 

Hoje li algo sobre a extinção dos depoimentos ao final da novela (curiosamente, o ponto alto “dos capítulos”, cheguei a me emocionar em alguns), sob a “justificativa” de que não há relatos favoráveis aos militares, somente contrários a estes. Mas ora, se não querem falar e convenhamos, nem há o que dizer, não é culpa da produção, o convite foi franqueado a todos. O Tiago pecou sim em alguns pontos estruturais da novela, inclusive nas cenas fakes de tortura, e por querer polemizar demais a novela, fugindo da proposta central e original, mas censurá-lo não o ajudará em nada. Não é assim que o departamento de telenovelas do SBT se consolidará. Torço para que ao menos, consigam na reta final, melhores resultados e que em sua próxima novela seja mais feliz.
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