Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Homenagem. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de maio de 2015

É Claudia Raia, Saaabe?

Por Marcelo Alves

Ela comemora seus 30 anos de carreira este ano. Dos musicais às novelas, ela nos presenteia com suas atuações marcantes, sua presença tão agradável na telinha. Não tem pra ninguém, seja no teatro ou na TV, ela rouba a cena e nunca passa despercebida – nem teria como – pelo público.
Nesta data tão importante, rememoremos a carreira da nossa principal triple threat brasileira: CLAUDIA RAIA!

Rebobinamos a fita para o ano de 1985, mais precisamente na novela Roque Santeiro. Claudia estreia nas novelas no papel de Ninon, uma das dançarinas da boate Sexus.

“Eu fazia uma figuração de luxo [...] Eu fiz a primeira cena, que eu tinha uma frase que era ‘eu também’[...] Eu fiquei um mês assim ‘Eu também... eu também... eu também... eu também... eu também” [...] A minha fala era no meio de duas da Regina [Duarte], que tinha laudas pra decorar [...] E eu ali na minha ‘deixa’. Aí no ensaio ela emendou uma fala na outra, eu falei: ‘Não, não, pera ai, pelo amor de Deus!’”

No decorrer da novela a personagem cresceu, graças ao encantamento do público. Por esta personagem, Claudia ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).


Em 1988, na novela Sassaricando, de Silvio de Abreu, com quem viria a trabalhar em várias outras novelas, viveu a espevitada Tancinha, que é uma de suas personagens mais lembradas até hoje. A feirante Tancinha, umas das filhas de Aldonza (Lolita Rodrigues), não levava desaforo pra casa. Era disputada por Beto (Marcos frota) e Apolo (Alexandre Frota). Seu sotaque paulistano exagerado e seu jeito diferente de oferecer melões na feira, balançando junto com os seus seios, são sua marca registrada.

“Acho que foi uma das personagens de maior sucesso que fiz, mas malharam no início. Era uma mulherona, meio Sophia Loren, mas superingênua.”


Em 1989, no quadro “As Presidiarias” do programa TV Pirata, Tonhão, uma presidiária lésbica, fez enorme sucesso. No quadro, a personagem tinha trejeitos masculinos e dava em cima das companheiras de cela, em mais uma brilhante atuação de Claudia.

“Eu sempre fazia a gostosona, até que, depois do quarto programa, cheguei para o Guel Arraes e disse: ‘Olha, eu queria mudar’. Tonhão foi o meu maior sucesso no programa. Eu me descobri uma comediante de verdade, e o estilo de comédia que gosto de fazer.”

Em Rainha da sucata (1990) a atriz deu vida a Adriana de Albuquerque Figueroa, que é lembrada até hoje como “bailarina da coxa grossa”. Ao lado do gago Caio Szimanski (Antônio Fagundes), protagonizaram ótimas cenas de humor, no decorrer da novela. Uma personagem divertidíssima, uma de minhas preferidas.

“Esse papel foi uma consagração né? A bailarina da coxa grossa e o gago eram um casal completamente inadequado. Silvio disse: ‘Escrevi um papel para você, mas queria que você engordasse, porque queria que fizesse a bailarina da coxa grossa, que nada dá certo para ela. E ela se apaixona por um gago. Quero que seja um casal de comédia: você e Antonio Fagundes’. Fiquei uma balofa!”

A certa altura, Claudia não aguentou mais ficar tão acima de seu peso e pediu a Silvio de Abreu que fizesse a personagem emagrecer, e o autor criou sequencias divertidíssimas de Adriana tentando perder peso.


Em 1992, na novela Deus nos Acuda, viveu Maria Escandalosa, uma trambiqueira de marca maior, que é salva da morte pelo anjo Celestina (Dercy Gonçalves), e passa a ser vigiada por forças divinas, com o intuito de torná-la uma pessoa de bom caráter. Foi durante as gravações desta novela, que a atriz começou um romance real com o ator Edson Celulari, que fazia seu par romântico. Com ele se casou e tiveram dois filhos. A relação durou até alguns anos atrás.

Na minissérie Engraçadinha: Seus Amores e Seus Pecados (1995), Claudia interpretou a personagem titulo, na segunda fase. Uma mulher bonita, mãe de família e religiosa, que é casada com Zózimo (Pedro Paulo Rangel) e vive uma paixão secreta com Luiz Claudio (Alexandre Borges). A atriz faz questão de citar em suas entrevistas, que a partir de Engraçadinha se tornou uma atriz que podia fazer drama.




Em Torre de Babel (1998), Claudia viveu a perversa Ângela Vidal, primeira vilã de sua carreira. Braço direito da família Toledo na administração do Tropical Towers Shopping, nutria uma paixão platônica por Henrique Toledo (Edson Celulari). Da paixão não correspondida brota um sentimento doentio. Ela se torna uma mulher fria, assassina perigosa. A personagem tem um trágico desfecho: se joga do alto do shopping.

"Sabia que ela era uma vilã horrível. Foi estratégia do Silvio [de Abreu] começar devagar, pela sombra, aparecendo uma coisinha aqui e ali. Tive que estudar muito para fazer esse papel. Quando começa uma novela, a gente brinca que, depois de dois ou três meses, o papel sai na urina. A Ângela não saiu facilmente para mim."


Em 2001, em As Filhas da Mãe, Claudia encarnou a estilista Ramona, um transexual, que choca a família ao voltar ao Brasil com a novidade de que teria mudado de sexo. Envolve-se amorosamente com Leonardo (Alexandre Borges).

“Não me pergunte como um transexual, num país que é machista e conservador, pôde ter feito tanto sucesso. As crianças diziam: ‘Ramona, você tem que ficar com o Leonardo. A gente está torcendo!’ Era um sucesso inacreditável, foi uma novela ousada.”


Em O Beijo do Vampiro (2002), interpretou a esfuziante vampira Mina de Montmartre. Era uma grande atriz parisiense de sua época. Foi conduzida ao mundo sobrenatural em algum momento do século XIX. Bonita, sensual, cruel e engraçada, foi seduzida e vampirizada por Bóris (Tarcísio Meira), tornando-se cúmplice dele por mais de um século. 


Já em Belíssima (2005), Claudia interpretou Safira, filha de Katina e Murat (Irene Ravache e Lima Duarte, respectivamente). Depois de vários casamentos, vai se sentir fortemente atraída pelo mecânico Paschoal (Reynaldo Gianecchini). Os dois protagonizaram cenas pra lá de calientes!


Em 2007, Claudia vivia mais uma vilã em sua carreira, Agatha, na novela Sete Pecados de Walcyr Carrasco. Sua primeira (e única) parceria com o autor não foi algo muito bom para a carreira de Claudia. Ela foi novamente criticada por seu desempenho como vilã e, segundo boatos, após inserir cacos (improvisação nas falas) no texto – o que o autor não admite que façam de forma alguma – teve sua personagem morta.


Em A Favorita (2008), de João Emanuel Carneiro, deu vida a Donatela Fontini. A socialite vê sua vida virar um inferno com a saída de Flora (Patrícia Pillar) da cadeia, a quem ela acusa de ter matado seu marido, Marcelo (Flávio Tolezani).

“O João Emanuel escreveu a Donatela pra mim, por causa da Engraçadinha.”


No remake de Tititi (2010), na pele de Jaqueline Maldonado, Claudia brilhou! Sua personagem não ficou devendo em nada para a Jaqueline de Sandra Bréa. Uma tresloucada perua, que se apaixona pelo estilista Jaques Leclair (Alexandre Borges). Nesta novela a atriz viveu ótimos momentos, cenas divertidíssimas que só reafirmaram o talento da atriz para o humor. A personagem fez tanto sucesso com o público que quase virou um seriado. Quem aí não se lembra de quando Jaqueline, que adorava Xuxa, cantou com a própria? Ou quando fundou um grife no convento? Jaqueline entrou para a galeria de suas melhores personagens.


Lívia Marine, de Salve Jorge (2013), da autora Glória Perez, talvez tenha sido a personagem mais criticada de Claudia. A vilã elegante e acima de qualquer suspeita, que agenciava garotas para sua quadrilha de tráfico internacional de pessoas, não agradou. Muito porque Lívia acabou sendo esmagada por outra vilã da novela: Wanda (Totia Meireles).

O método assassino da vilã virou piada na internet. Quem não se lembra da Seringada da Lívia?


Samantha Santana, sua personagem mais recente, fez muito sucesso na trama das sete, Alto Astral, que teve o seu último capítulo exibido nesta sexta. Ao lado de seu fiel escudeiro, Pepito (Conrado Caputo), arrancou boas risadas do público. Samantha, uma das melhores personagens da novela, vai deixar saudades!




Ah, mas o sucesso foi tanto, que se fala na criação de um seriado para a personagem e seu parceiro Pepito. 


Marcelo Alves é um jovem estudante do ensino médio, apreciador da teledramaturgia brasileira, curioso por tudo que envolva o gênero telenovela. 

Sua fonte de pesquisa: Sites Memória Globo, Teledramaturgia e Folha de São Paulo.     

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Para quem faz questão de brilhar!

Por Henrique Domingos Melo

Certa vez, há alguns anos, vi um anúncio de um produto de limpeza com o seguinte slogan: “Para quem faz questão de brilhar!”. O reclame não teria me chamado tanto a atenção caso a modelo não fosse ninguém menos que Elizabeth Savalla, no auge de seus 50 anos e a beleza genuína que a consagrou durante quase quatro décadas de telenovelas.

Ignorando a dúbia interpretação que o anúncio comercial exige, e o empregando em seu sentido literal, Elizabeth Savalla Casquel pode não fazer muita questão de brilhar, mas o de cumprir sua tarefa com maestria, o que é inevitável para alguém com tanto talento. Se houver alguma dúvida sobre isso, pode-se comprovar ligando a TV às 21h00min da noite enquanto “Amor à Vida” estiver sendo exibida. Dona de boa parte das cenas, a atriz consegue domar a construção textual farsista de Walcyr Carrasco e fazer da caricata ex-chacrete Márcia, uma personagem humana e de forte apelo popular.  Resultado disso? Savalla teve seu valor reconhecido e ganhou, recentemente, o Prêmio Extra de Melhor Atriz Coadjuvante.  Foi mais que merecido.


Em seu discurso emocionado, a atriz disse fazer parte de uma geração de atores que “sonhava” em mudar o mundo, usando seu trabalho para algo maior do que simplesmente se manter forte na mídia – o que parece ser a prioridade de muitos profissionais de artes cênicas atualmente -, levando para cada lar provocação e reflexão, que gerasse mudanças positivas no telespectador. Frente ao deprimente rumo que a televisão tem tomado, surge o desejo de que esta geração nunca morra. Ou pelo menos deixe suas marcas imortalizadas quando partir.

Ainda em seu agradecimento, Elizabeth declarou sua satisfação de fazer uma “novela das nove” por atingir um número maior de pessoas. Particularmente, nunca entendi a razão de a atriz não emprestar seu brilho ao horário nobre global há mais de vinte anos. Seja lá qual for, Tetê Parachoque e Paralama e seus hot dogs, filha periguete e infame bordão que não pegou, foi uma das poucas coisas que funcionou em Amor à Vida. Prova de que a atriz merece figurar em outras produções desta faixa, brindando o público com mais personagens dignamente Savallianas.

Falando nisso, farei um breve (e um tanto negligente) apanhado da contribuição desta grande diva para o teatro, televisão e cinema. 

Malvina, Gabriela – 1975 


Ainda muito jovem, porém com atuação madura e competente, interpretou a feminista Malvina, na adaptação de Walter George Durst para a TV da obra Gabriela de Jorge Amado

Lili, O Astro – 1977.


Outro personagem extremamente popular da atriz. O jeito desbocado, encantador e batalhador de Lili, não demorou em fisgar o público na novela de Janete Clair.

Marcela, Plumas e Paetês – 1981


Uma anti-heroína singular que, nas mãos de Savalla, se tornou um primor. Arrisco em dizer que Marcela foi a mais interessante protagonista de Cassiano Gabus Mendes.

Bruna, Pão, Pão, Beijo, Beijo – 1982


Calou a boca de todos que duvidaram de sua capacidade de encarar uma vilã. Bruna foi tão odiada, que Savalla quase apanhou na rua pelas vilanias de sua personagem.

Auxiliadora, Quatro por Quatro – 1994 


Na novela de Carlos Lombardi, viveu a dona de casa vingativa Auxiliadora. A suavidade de sua atuação marcou época e arrancou muitos risos de quem acompanhou a trama.

Morgana, Sítio do Picapau Amarelo – 2002


Nem mesmo a temida Cuca foi páreo para suas maldades e brilhante interpretação. As crianças da época passaram a idolatrá-la como uma “mãe”.

Jezebel, Chocolate com Pimenta – 2003


Seu trabalho mais feliz ao lado de Walcyr Carrasco. Uma vilã saborosa como chocolate e ardente como pimenta, munida do antológico refrão “Ai como eu sofro!”

Friziléia, uma esposa a beira de um ataque de nervos! – Peça Teatral


Talentosa também fora da TV, Elizabeth Savalla arrasa nos palcos. No monólogo escrito por seu marido, ela é uma esposa neurótica, que diverte a platéia por mais de uma hora de peça.
Em 2007, deu nome ao troféu do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora – MG. Ao lado de seu esposo, Camilo Átila, criou o ESCA, grupo teatral. Além de ser incentivadora das Artes Cênicas. 

Mariana, Pra Frente Brasil – Filme de 1982


Nas telonas, Beth Savalla também deu as caras em um filme do início da década de 80. Na produção de Roberto Farias, viveu uma guerrilheira de esquerda, numa clara crítica ao regime político da época. 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Cláudio Marzo: Rebeldia e Arte

                                                                                                                           por Daniel Pilotto

Hoje, dia 26 de Setembro, é o aniversário do ator Cláudio Marzo.
Seria uma data a passar despercebida não fosse o fato de eu ser um fã confesso deste grande talento da nossa TV, teatro e cinema. Digo confesso, pois não perco a oportunidade de sempre recordar e relembrar sua trajetória na TV pelas redes sociais em grupos de novelas e destacar para os que não tiveram oportunidade de ver seus trabalhos a sua importância na história da teledramaturgia.
Portanto nada mais justo do que comemorar com uma pincelada de cada momento desta carreira brilhante. Poderíamos falar muito sobre seu extenso currículo no teatro e no cinema (veículo preferido do ator), mas vamos nos deter apenas na televisão, paixão de todo noveleiro.
Cláudio nunca foi um ator muito contente com a TV, por diversas vezes foi crítico com os rumos do veículo, a mesmice das histórias e volta e meia ameaçava abandoná-la. Por sorte nossa, de seu imenso público, ele sempre voltava atrás e realizava novas tramas com a mesma competência, dignidade e entrega que só um grande ator é capaz.
 “Eu queria ser ator de teatro, entende? E achava que, na minha cabeça, na época, fazer sucesso em televisão era uma coisa que te queimava. Novela, televisão, isso era uma coisa inferior. Mas eu precisava trabalhar”.

Cláudio Marzo nasceu em São Paulo, filho de um pai metalúrgico e de uma dona de casa descendentes de italianos, desde cedo começou a se interessar por teatro, iniciando sua carreira como ator de tele-teatro da Rádio Nacional e depois como figurante na TV Paulista - Organizações Victor Costa (que mais tarde viria ser a Rede Globo). “Sempre tive vontade de ser ator, achava uma coisa fantástica. Os atores me emocionavam. Achava interessante você transmitir emoções e consciência de mundo para as pessoas.”
Com a pequena experiência adquirida partiu para a TV Tupi, onde conseguiu um personagem em sua primeira novela, MOULIN ROUGE, A VIDA DE TOULOUSE LAUTREC (1963), trama escrita e dirigida por Geraldo Vietri.
No ano seguinte vai para a Record, participar da novela MARCADOS PELO AMOR (1964) de Walther Negrão, ao lado de atores como Francisco Cuoco e Aracy Balabanian. Este início de carreira é bastante tímido e os personagens bastante secundários. Após um tempo de estudo no teatro Oficina com Eugênio Kusnet veio o convite para trabalhar na TV GLOBO no Rio de Janeiro. A emissora recém inaugurada estava iniciando suas primeiras produções em teledramaturgia, e ele fez parte de seu primeiro grupo de atores contratados.
A primeira novela na emissora carioca foi A MORENINHA (1965) adaptação de Graça Melo para o romance de Joaquim Manoel de Macedo. Cláudio teve destaque como Rodolfo um jovem apaixonado pela personagem título vivida por Marília Pêra.
No mesmo ano, a emissora dava inicio a sua fase de adaptações de sucessos latinos e de tramas épicas baseadas em literatura estrangeira e o ator esteve presente em UM ROSTO DE MULHER (1965/66) adaptada por Daniel Más da obra original de Estela Calderón Sánchez. Em EU COMPRO ESTA MULHER (1966) escrita por Glória Magadan e baseada em “O Conde de Monte Cristo” de Dumas.
Ainda em 1966 participou do grande sucesso O SHEIK DE AGADIR também de Glória Magadan, baseado em “Taras Bulba” de Gogol. Na trama que contava a história da invasão nazista na França da Segunda Guerra Cláudio viveu o francês Marcel Delaporte.


Em 1967, mais uma trama “excêntrica de Glória Magadan, a novela A RAINHA LOUCA. Inspirada em “Memórias de um Médico” de Dumas a trama se passava no México do século XIX durante a intervenção de Napoleão III no país. Cláudio vivia o índio Robledo e usava uma maquiagem que o deixava mais moreno.
Seguem a estes trabalhos as novelas SANGUE E AREIA (1968) adaptação de Janete Clair para o romance de Vicente Blasco Ibañez, como o mulherengo Miguel Gallardo; A GRANDE MENTIRA (1968/69) de Hedy Maia como o milionário Roberto Albuquerque e A ÚLTIMA VALSA (1969) de Glória Magadan como o Duque de Olemberg na Áustria do século XIX.


O ano de 1969 marca um momento de mudança na carreira do ator e na história das novelas da TV GLOBO. Influenciada pela nova tendência de novelas que buscavam cada vez mais uma identidade próxima a nossa cultura iniciada por BETO ROCKFELLER na TV TUPI, a emissora carioca definiu Janete Clair como sua principal autora e deu a ela a missão de realizar a primeira novela “realista”, mas próxima do contemporâneo e com diálogos coloquiais. E assim era anunciada sua próxima atração: “Em VÉU DE NOIVA tudo acontece como na vida real.”
Na trama Cláudio Marzo vivia o piloto de corridas Marcelo que se vê envolvido em seu noivado com. Irene (Betty Faria) e sua paixão por Andréa (Regina Duarte). A trama contava com este lado moderno das corridas de Fórmula 3.


No ano seguinte um dos maiores sucessos da emissora a novela IRMÃOS CORAGEM (1970) também de Janete Clair. Na trama Cláudio era um dos três irmãos Coragem, Duda um famoso jogador de futebol que vive um romance com a ingênua Ritinha (Regina Duarte) e sua carreira em declínio no futebol. Mas apesar de todo o sucesso a trama foi polêmica para o ator, que revelou o verdadeiro motivo de sua saída da novela numa entrevista de 1993: “Os militares acharam que IRMÃOS CORAGEM incentivava a insubordinação, pela rebeldia dos protagonistas. Chamaram a Janete Clair em Brasília e ditaram modificações. Quando ela voltou, disse que meu personagem o Duda, voltaria para a cidade e se tornaria aliado do delegado. Eu não aceitei. Sou porra louca mesmo, preferi sair da novela.”


Por conta da saída da novela, Cláudio e Regina Duarte foram escalados para a novela das sete MINHA DOCE NAMORADA de Vicente Sesso. Ele era Renato, um estudante rico, mas de boa índole. Nesta fase o ator vivia mal humorado, fugindo quando se falava em novelas. Viajou por meses pelo interior, sem destino, mas acabou voltando para a TV quando o dinheiro acabou. “Descobri que este negócio de romper é fajuto, que nada é isolado a única solução é coexistir”.
No ano seguinte a resposta veio como reviravolta no estilo dos personagens que fazia até então. Com Demétrius o Grego, um mecânico de uma oficina de subúrbio que se torna artista plástico famoso em O BOFE (1972) de Bráulio Pedroso o ator teve a oportunidade de quebrar com o estereótipo de mocinho/galã dos últimos trabalhos, o personagem era amargurado, agressivo e com visual desleixado. A novela era uma tentativa de experimentalismo na TV, com uma idéia ousada demais para a época, onde muitas vezes imperava o improviso. Para o ator o personagem não poderia ser mais sob medida para o momento que atravessava. “O Grego, além de estar me realizando, me diverte muito. Estou trabalhando como sempre quis, isto é, muito à vontade e sentindo prazer no que faço.”
Mas não durou muito a fase de mudança de estilo. No ano seguinte o ator voltaria novamente a encarnar o mocinho romântico, desta vez na novela de Lauro César Muniz CARINHOSO (1973). Como o milionário Humberto o ator fazia sua última parceria ao lado da atriz Regina Duarte que vivia a romântica aeromoça Cecília. A trama interessante, baseada na peça “Sabrina Fair” que também deu origem ao filme “Sabrina” não era exatamente o que o ator buscava como realização artística. “Eu tenho necessidade de um trabalho que me realize artisticamente, mas o ritmo acelerado das novelas impede uma maior elaboração das personagens a serem interpretados.”


Com a novela seguinte O ESPIGÃO (1974) de Dias Gomes ele deu vida Léo um estudante que vinha do Nordeste e tinha que se adaptar a uma cidade cruel e cada vez mais individualista e competitiva. Este personagem teve um forte apelo diante do público levantando a bandeira de uma primeira grande ação socieducativa em novelas, a ecologia, discutindo o avanço da expansão imobiliária nas grandes cidades. Em meio ao cenário caótico Léo mantinha sempre seus valores humanos e lutava contra a ação de Lauro Fontana (Milton Moraes) e a construção de seu “espigão” que devastaria uma grande área verde da cidade.
Em 1975 sua última novela na Globo nos anos 70. A adaptação de SENHORA de José de Alencar por Gilberto Braga. Na trama ele vivia o jornalista Fernando Seixas, que é comprado por Aurélia (Norma Blum) em sua busca por vingança por ele ter lhe abandonado no passado. Entretanto a trama representava um retrocesso em tudo aquilo que o ator queria e mais uma vez a idéia de abandonar tudo voltou com força.
A gota d’água veio com o cancelamento pela censura da novela das 22 horas DESPEDIDA DE CASADO de Wálter George Durst por acharem que a novela pregava a dissolução do casamento, o amor livre e os conflitos familiares. Na trama Cláudio faria o Dr. Laio um psicanalista que usa uma técnica de terapia específica para tratar de casamentos em crise. O personagem representava uma nova criação para a carreira do ator. 


O elenco da novela foi reaproveitado a seguir em NINA, também de Wálter George Durst, mas Cláudio abandonou a produção com as gravações já sendo realizadas. “Não briguei com ninguém na Globo. Simplesmente tive vontade de rescindir meu contrato por que achei que não dava mais para ficar lá. De repente não me senti mais enquadrado no esquema.”

Em 1978, Cláudio volta às telinhas, só que desta vez na TV TUPI, na novela RODA DE FOGO de Sérgio Jockyman e Walther Negrão. Ao lado de Eva Wilma ele interpretava Jacques um contato de um grupo financeiro interessado em investir no jornal da trama. Sobre o personagem o ator disse na época: “Jacques é como eu, fala pouco e observa muito.”

Sua volta à TV Globo acontece em 1980 com a adaptação de OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO de Érico Veríssimo por Geraldo Vietri e Wilson Rocha. Cláudio era o Dr. Eugênio Fontes um médico recém formado e bastante cheio de complexos de inferioridade por sua infância pobre e que busca ascender socialmente na Porto Alegre dos anos 30.
No mesmo ano o ator foi convidado para viver o milionário Edgar em PLUMAS E PAETÊS de Cassiano Gabus Mendes. Anos mais tarde o ator diria em entrevista, indagado sobre qual seria seu pior personagem: “Foi... Nem me lembro mais o nome dele. O da novela PLUMAS E PAETÊS. Acho que foi a pior coisa que já fiz na minha carreira”.

No ano seguinte ele esteve em BRILHANTE (1981) de Gilberto Braga, como Carlos. A trama não teve a repercussão esperada e não cativou o público, mas o personagem dele sim. Carlos era motorista de táxi e sonhava em ter uma oficina mecânica, mas sua vida muda quando passa a ser motorista particular de Chica Newman (Fernanda Montenegro) a vilã da novela e com ela vive um tórrido romance. E é este romance entre uma milionária e um homem de classe social inferior o grande atrativo da novela e que fez com que o público torcesse muito por eles.
Em 1983 Cláudio volta a participar de uma novela de Walther Negrão, PÃO PÃO, BEIJO BEIJO como o motorista de ônibus Ciro, que se vê envolvido pelo amor por duas irmãs, a mimada Bruna (Elizabeth Savalla) e a delicada Luiza (Maria Cláudia).


No ano seguinte participa de PARTIDO ALTO (1984) de Aguinaldo Silva e Glória Perez. Na trama ele é Maurício Villela, professor de História, que é extremamente preocupado com os problemas de sua época. Engajado é ele que funciona como um elo de ligação entre a zona Norte e a zona Sul da história.
Em 1986 viveu o advogado Rogério Guerreiro em CAMBALACHO de Sílvio de Abreu. Na trama Rogério é casado com Amanda (Susana Vieira) também advogada. Em determinado momento a relação dos dois se complica e ambos se vêem brigando também em lados contrários num tribunal.


No ano seguinte o ator esteve numa das minhas novelas preferidas, a romântica BAMBOLÊ (1987) de Daniel Más. Na trama Cláudio interpretou o viúvo Álvaro Galhardo. Uma espécie de bom vivant dos anos 50, ele era um homem sonhador e boêmio que definitivamente não se enquadrava nos padrões da época e que apesar de seu bom caráter é tomado por irresponsável pela cunhada Fausta (Joana Fomm) que vive a ameaçar de separá-lo de suas três filhas. Nesta novela ele também fez par com Susana Vieira que vivia Marta, uma mulher separada.


Nesta mesma época o ator foi afastado da Globo (existia até um veto à seu nome) por ter apoiado uma greve de técnicos da emissora. O exílio fez com que ele partisse para a concorrente na época a REDE MANCHETE e ali fizesse um de seus maiores sucessos na TV.
Logo em sua chegada à emissora em 1989 o ator participou da novela KANANGA DO JAPÃO de Wilson Aguiar Filho, como Noronha, um dono de jornal do Rio de Janeiro dos anos 30. Homem de caráter duvidoso acaba sendo assassinado por Dora (Cristiane Torloni) no meio da trama. A situação facilitava sua saída para a próxima produção da casa, a novela PANTANAL.
Em PANTANAL (1990) de Benedito Ruy Barbosa, Cláudio viveu dois personagens, o fazendeiro Zé Leôncio e o pai dele Joventino, o Velho do rio, uma espécie de entidade, espírito do lugar. Cláudio considera este um dos seus melhores trabalhos em TV, pois nem mesmo o diretor acreditava que ele pudesse fazer dois personagens tão distintos. “PANTANAL era um barato de novela, feita num local fantástico, saía do cotidiano assustador em que a gente vive. Foi um dos meus melhores personagens em TV. Até então, só havia feito galãs ou maridos traídos.” ou “Tenho saudades de PANTANAL não só pela história, mas por ter passado um ano naquele paraíso de lugar. O sucesso fora da Globo, aliás, quando acontece, é muito gratificante.”
Ainda na Manchete o ator fez a mini novela O FANTASMA DA ÓPERA.


A volta para Globo foi apenas em 1993. A princípio o ator era um dos nomes certos para o elenco de O MAPA DA MINA como Rodolfo, mas o ator teve uma hepatite e teve que se afastar. Depois seu nome foi cogitado para viver o coronel José Inocêncio em RENASCER, mas a direção da emissora concluiu que havia semelhanças com o José Leôncio de PANTANAL e o personagem ficou com Antonio Fagundes.
Também chegou a ser lembrado para viver o incorruptível comissário Mattos na minissérie Agosto, mas teve que recusar por conta de uma delicada cirurgia para a extração de um cisto benigno no cérebro.
Ainda no mesmo ano e alguns quilos acima do peso por conta da cirurgia o ator deu vida a um dos seus personagens mais fascinantes na TV, o coveiro Orestes Fronteira em FERA FERIDA (1993) de Aguinaldo Silva. O personagem tinha o poder de conversar com os mortos e fazia parte da ala “realismo mágico” da trama das oito. Com Orestes, Cláudio reencontrou o prazer de fazer novelas. “Ele é um homem especial, simples, que tem sensibilidades mediúnicas. Estou adorando brincar neste universo dos personagens de Lima Barreto”.
Nos anos seguintes participou das novelas IRMÃOS CORAGEM (1995) remake de Dias Gomes da obra de Janete Clair, agora na pele do cruel Coronel Pedro Barros.
Em 1996 de VIRA LATA de Carlos Lombardi uma participação como o lunático Lupércio Botelho, pai dos personagens Lênin, Fidel e Mussolini.
Em 1997 de A INDOMADA de Aguinaldo Silva, o ator interpretou Pedro Afonso de Mendonça e Albuquerque. Casado com Maria Altiva (Eva Wilma) o usineiro falido tem que aceitar o casamento da sobrinha Lúcia Helena (Adriana Esteves) com Teobaldo Faruk (José Mayer) para manter o pouco que ainda lhe resta. Sobre este personagem o ator também deixou uma impressão: “A INDOMADA era muito aqui e agora. Há muitos Pedros Afonsos no Nordeste. É fazer o tipo sustentado indiretamente, sem trabalhar, pelo Banco do Brasil. Isso é revoltante, dá mau humor.”


Em 1998, o ator é escalado para mais uma trama do amigo Walther Negrão, a novela das seis ERA UMA VEZ... (1998). Na trama ele era Xistus Kleiner, o rico e rigoroso avô dos filhos do veterinário Álvaro (Herson Capri). Um personagem interessante em sua carreira. Começa a novela quse como um vilão, exigindo uma certa disciplina, uma conduta muito rígida e tradicional dos netos. Em contrapartida eles vivem livremente num sítio com o outro avô paterno, o simplório Pepe (Elias Gleiser), e então o milionário é obrigado a mudar, amolecer aos poucos para conquistar as crianças. “Xistus é um desafio, porque é oposto a mim. Mais ainda: a novela se chama ERA UMA VEZ... Depois deste título, vêm todas as histórias que ouvimos desde que nascemos. ERA UMA VEZ... desperta a imaginação e é o oposto do aqui e agora.”.

No ano seguinte faz um vilão, Antonio San Marino na novela ANDANDO NAS NUVENS (1999) de Euclydes Marinho.
Em 2002 mais um homem autoritário em com um pé na vilania em CORAÇÃO DE ESTUDANTE de Emanuel Jacobina. Na trama é João Alfredo Mourão, um fazendeiro ganancioso que quer a todo custo uma grande área verde pertencente a uma universidade.


Os anos seguintes vieram com uma sucessão de pequenos personagens nada marcantes e com muita pouca possibilidade do ator mostrar seu talento.
Em 2003 viveu o gerente de hotel Rafael em MULHERES APAIXONADAS de Manoel Carlos (aqui cabe um aparte do fã: um dos piores personagens que já lhe deram na vida, uma total falta de respeito por parte do autor, Cláudio ficava semanas sem dar as caras na novela). Em 2005 foi Ivan em A LUA ME DISSE de Miguel Falabella, outro personagem pequeno e sem função na história. E por fim em 2007 sua última aparição em novelas DESEJO PROIBIDO de Walther Negrão, como Lázaro, o avó da mocinha da trama. Aqui um personagem também pequeno, mais uma participação afetiva já que o ator estava recém saído de mais um problema de saúde que havia comprometido bastante seus movimentos.

Em meio a tantas novelas não se pode esquecer também sua participação em minisséries.
Em QUEM AMA NÃO MATA (1982) de Euclydes Marinho, ele viveu o dentista Jorge, que mata a esposa depois de uma conturbada crise do casal. A minissérie muito bem esquematizada revela um crime nas primeiras cenas, mas não se sabe quem matou ou quem morreu, apenas no último capítulo é que se descobre o assassino, Jorge.
Em 1985 outro grande sucesso com TENDA DOS MILAGRES, da obra de Jorge Amado com adaptação de Aguinaldo Silva, Cláudio era Jerônimo um homem rico e simpatizante do movimento negro na Bahia dos anos 30.
Já nos anos 2000 vive Rodolfo o pai do tenente Hélio (Edson Celulari) em AQUARELA DO BRASIL de Lauro César Muniz, e em 2007 o governador Ramalho Jr. Em AMAZÔNIA, DE GALVEZ A CHICO MENDES de Glória Perez.

Cláudio Marzo guarda uma diferença básica em relação aos atores de sua geração (como Tracísio Meira e Francisco Cuoco). Como eles, foi um galã de sucesso nos anos 70, mas ao contrário deles rompeu com esta imagem no auge. Sem a vaidade comum ao tipo “galã” pode exigir e compreender outros tipos de personagens.
Com um pensamento político e com uma consciência muito nítida de sua função como ator e pessoa, sempre foi muito claro em seus valores: “O importante para mim é a consciência tranqüila de que estou, honestamente, fazendo algo que não venha a prejudicar ninguém. De que, num mundo de tantas ambições, as minhas não irão destruir pessoa alguma.”
Perguntado certa vez se era um homem desiludido ele respondeu: “Não, sou realista. Já me iludi e desiludi muito. Sou um emergente da desilusão.”
E mesmo sendo um crítico ácido do veículo com declarações como: “Se houvesse possibilidade de se falar com as pessoas pela televisão, coisas que fossem realmente importantes, que dissessem respeito à vida e as necessidades do povo, seus problemas, existenciais e transcendentais... Só que a televisão não fala de nada disto, não está preocupada com isto. Ela é um instrumento de poder e o poder não quer modificar nada e, sem mudança não há salvação. Então a televisão não vai salvar nada, por que ela não quer mudança nenhuma.” Tem uma carreira maravilhosa, com personagens inesquecíveis e uma história única. Este é Cláudio Marzo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rede Manchete - a "televisão do ano 2000" - Parte III

Por FÁBIO COSTA

No texto anterior desta série em que proponho relembrar alguns pontos da trajetória da infelizmente extinta Rede Manchete, que teria completado três décadas no ar em junho, falei de alguns noticiários da emissora, como o áureo Jornal da Manchete, carro-chefe do departamento de jornalismo, e o Manchete Esportiva. Hoje entram na berlinda os jornalísticos.

Logotipo do Rio em Manchete, jornal local do Canal 6 carioca.
Na década de 80, a Rede Manchete começou a implantar o jornalismo local, com edições produzidas pelas emissoras afiliadas. Assim, surgiram Rio em Manchete, São Paulo em Manchete, Ceará em Manchete, Minas em Manchete etc. A exibição variou entre uma e duas edições diárias e também em relação ao horário, conforme a praça, mas em geral havia sempre uma edição no começo da noite, que competia com a novela global das sete. Um desses telejornais locais da Manchete, Mar em Manchete, da TV Mar (emissora do litoral sul de São Paulo), sobreviveu ao fim da rede dos Bloch e só saiu do ar em 2006.

Roberto Maya no Documento Especial.
Um programa jornalístico que marcou a televisão brasileira através da emissora de Adolpho Bloch foi o Documento Especial – Televisão Verdade, que foi ao ar pela primeira vez em agosto de 1989. Exibido semanalmente, com apresentação de Roberto Maya, trazia aos telespectadores reportagens polêmicas e audaciosas, tendo temas espinhosos como prostituição infantil, violência contra a mulher, tráfico de drogas, a então relativamente desconhecida Igreja Universal do Reino de Deus e até uma atividade arriscada que estava em voga no fim dos anos 80 e começo dos 90: o surf ferroviário.

A direção do programa era do jornalista Nelson Hoineff, que foi também seu criador. Inicialmente eram quatro reportagens por edição, número que diminuiu para duas até que se chegou ao formato que consagrou o programa: uma grande reportagem por edição, ou mesmo grandes reportagens de duas horas, divididas em dois programas de uma hora cada.

Foram cerca de duzentas edições exibidas até 1992, quando Nelson Hoineff transferiu-se para o SBT e levou consigo o programa. Como o título era de Hoineff, não foi preciso mudá-lo, e a Manchete estreou outro jornalístico chamado Documento Verdade, juntando as duas partes do título, que não emplacou da mesma maneira. A partir de 2007, vários programas do Documento Especial – Televisão Verdade passaram a ser reprisados pelo Canal Brasil.

Semelhante em alguns aspectos ao Bem-estar, que a Rede Globo exibe atualmente em suas manhãs, o programa Os Médicos foi ao ar entre 1994 e 1996 nas tardes da Manchete. Apresentado por Anna Bentes Bloch, esposa de Adolpho Bloch, recebia especialistas em diversas áreas da saúde para esclarecimentos ao público sobre doenças, tratamentos e qualidade de vida.


Em 18 de setembro de 1995, o jornalista Fernando Barbosa Lima criou outro programa jornalístico importante e marcante na televisão brasileira: o 24 Horas, que tinha o propósito de mostrar a realidade de um determinado local durante as 24 horas de um dia, sem quaisquer retoques. Foi ao ar até 1999, semanalmente.

Carlos Chagas e Pedro Simon no Jogo do Poder.
Entre diversos programas jornalísticos e de entrevistas exibidos pela emissora, merece destaque o Jogo do Poder, debate entre jornalistas e políticos mediado pelo lendário comentarista Carlos Chagas. Exibido ao longo de toda a década de 90 (ainda que posteriormente com outro nome, Se Liga, Brasil) após a “linha de shows”, teve também trajetória na emissora paranaense CNT, após o fim da Rede Manchete. O programa cumpriu importante papel na discussão de assuntos de interesse público e ao trazer para mais perto do eleitor o pensamento e as ações daqueles que o representavam nos poderes Legislativo e Executivo.

Também merece destaque um telejornal pouco lembrado: o Repórter Manchete, que estreou em 1985. Entrava no ar às oito da manhã e ficava três horas no ar, com atualização das notícias a cada trinta minutos – esquema ao qual estamos hoje em dia habituados graças a canais pagos, como Globo News e Band News. A apresentação era de Jacira Lucas, Paulo Carvalho, Ana Maria Badaró e Gilberto Nascimento.

No próximo texto dessa série que relembra a saudosa Rede Manchete, o tema será a teledramaturgia da emissora. Mais precisamente as minisséries, das quais a primeira foi Marquesa de Santos, em 1984, com Maitê Proença no papel-título e Gracindo Júnior como D. Pedro I. Até lá!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...