Por Isaac Santos
Acusado
injustamente [ou, ao menos é o que é mostrado até o episódio que vi] pela morte
de pessoas inocentes, tendo o seu nome relacionado ao terrorismo, o pai da
protagonista Emily é condenado à prisão e lá morre [ou, ao menos é o que é
mostrado até o episódio que vi], mas deixa uma fortuna em herança para a sua
filha. Esta, depois de passar alguns anos num reformatório, volta ao convívio
dos detratores do seu pai, para iniciar o seu plano de vingança.
Tramas
sobre vingança não são nenhuma novidade na TV, no Teatro e nem no Cinema. Sem
dúvida, um tema instigante e na maioria das vezes, bem recebido pelo público.
Sempre recorrente por ser fator de sucesso “garantido”, principalmente nas novelas.
Mas fugindo do universo novelístico, também as séries americanas têm merecido
um olhar mais atencioso. Já há algum tempo, o meu irmão mais velho, tenta mudar
o meu foco para o cinema/séries/seriados, pelos quais é apaixonado. Não que eu
esteja traindo o gênero telenovela, mas tenho comprovado as boas intenções do
meu irmão. Estou apaixonado [perdoem-me o exagero tão peculiar aos meus textos,
rs] por várias pessoas ao mesmo tempo, pelos seus dilemas, conflitos, medos,
suas ambições, suas fraquezas... tou envolvido por REVENGE. Detalhe: assisti
aos cinco primeiros episódios de uma só vez e no dia seguinte, mais cinco. Já
estou bem mais adiante e o meu interesse se mantém.
Eu, como tantas outras
pessoas, comecei a ver Revenge por curiosidade, pelas comparações com a trama
do João Emanoel Carneiro. Constatei que há sim bastantes pontos semelhantes,
mas nisto, coincidência ou não, não vejo problema algum. As diferenças também
existem, principalmente na condução da trama. Não comentarei os episódios,
considerando aquelas pessoas que porventura ainda não os tenham assistido e
pretendam fazê-lo [Spoiler não trabalhamos, rs]. Mas super indico a série e essa
postagem é só para congratular com os fãs de Revenge e que imagino, também
foram fisgados pelo conjunto da obra.
A
trama é toda amarrada, se há brechas ainda não percebi. Texto adulto, direção
irrepreensível, atuações dignas de nossos melhores atores [olha aí o meu proposital
exagero mais uma vez... ou não?! rs], trilha sonora pontuando perfeitamente as
emoções da trama, iluminação que torna tudo ainda mais envolvente. Eles
conseguem harmonizar os recursos primários necessários ao sucesso de uma obra
de teledramaturgia e as ferramentas tecnológicas, hoje tão indispensáveis às
produções. Um bom exemplo é o chroma key (tela azul usada especialmente para a
inserção de efeitos especiais/visuais) que não parece gritar o tempo todo “estou
aqui nessa cena”. É natural.
Não
há mocinhos ou vilões, heróis ou bandidos, os personagens são humanos, as
emoções é que são intensas, e este é um trunfo da série. Mesmo com elementos
fictícios, o texto se sobressai pelo tanto que é inteligentemente crível. A
história consegue ser reflexiva até. As atitudes da personagem principal, que
se alimenta de ódio, são absolutamente questionáveis. Ela não perdoa, quer
vingança. Vale ressaltar que “não” há a quem perdoar, “não” existe
arrependimento da outra parte. No máximo paira sobre eles um remorso. E mesmo
se houvesse verdadeiro arrependimento pelos envolvidos, teria ela a capacidade
de agir de modo diferente? Cabe, julgá-la por isso? O fato é que sem perceber,
ou o que é pior, mesmo consciente disso, ela se transforma numa mulher sem
limites pela busca de vingança. Um perfil sombrio, triste, amargurado, num
plano infeliz, e sofre também por isto, pois não se permite viver o amor
conflitante, que ainda insiste em expulsar o ódio de dentro de si.
Todo
o elenco e profissionais responsáveis por Revenge estão de parabéns!


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