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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Para quem faz questão de brilhar!

Por Henrique Domingos Melo

Certa vez, há alguns anos, vi um anúncio de um produto de limpeza com o seguinte slogan: “Para quem faz questão de brilhar!”. O reclame não teria me chamado tanto a atenção caso a modelo não fosse ninguém menos que Elizabeth Savalla, no auge de seus 50 anos e a beleza genuína que a consagrou durante quase quatro décadas de telenovelas.

Ignorando a dúbia interpretação que o anúncio comercial exige, e o empregando em seu sentido literal, Elizabeth Savalla Casquel pode não fazer muita questão de brilhar, mas o de cumprir sua tarefa com maestria, o que é inevitável para alguém com tanto talento. Se houver alguma dúvida sobre isso, pode-se comprovar ligando a TV às 21h00min da noite enquanto “Amor à Vida” estiver sendo exibida. Dona de boa parte das cenas, a atriz consegue domar a construção textual farsista de Walcyr Carrasco e fazer da caricata ex-chacrete Márcia, uma personagem humana e de forte apelo popular.  Resultado disso? Savalla teve seu valor reconhecido e ganhou, recentemente, o Prêmio Extra de Melhor Atriz Coadjuvante.  Foi mais que merecido.


Em seu discurso emocionado, a atriz disse fazer parte de uma geração de atores que “sonhava” em mudar o mundo, usando seu trabalho para algo maior do que simplesmente se manter forte na mídia – o que parece ser a prioridade de muitos profissionais de artes cênicas atualmente -, levando para cada lar provocação e reflexão, que gerasse mudanças positivas no telespectador. Frente ao deprimente rumo que a televisão tem tomado, surge o desejo de que esta geração nunca morra. Ou pelo menos deixe suas marcas imortalizadas quando partir.

Ainda em seu agradecimento, Elizabeth declarou sua satisfação de fazer uma “novela das nove” por atingir um número maior de pessoas. Particularmente, nunca entendi a razão de a atriz não emprestar seu brilho ao horário nobre global há mais de vinte anos. Seja lá qual for, Tetê Parachoque e Paralama e seus hot dogs, filha periguete e infame bordão que não pegou, foi uma das poucas coisas que funcionou em Amor à Vida. Prova de que a atriz merece figurar em outras produções desta faixa, brindando o público com mais personagens dignamente Savallianas.

Falando nisso, farei um breve (e um tanto negligente) apanhado da contribuição desta grande diva para o teatro, televisão e cinema. 

Malvina, Gabriela – 1975 


Ainda muito jovem, porém com atuação madura e competente, interpretou a feminista Malvina, na adaptação de Walter George Durst para a TV da obra Gabriela de Jorge Amado

Lili, O Astro – 1977.


Outro personagem extremamente popular da atriz. O jeito desbocado, encantador e batalhador de Lili, não demorou em fisgar o público na novela de Janete Clair.

Marcela, Plumas e Paetês – 1981


Uma anti-heroína singular que, nas mãos de Savalla, se tornou um primor. Arrisco em dizer que Marcela foi a mais interessante protagonista de Cassiano Gabus Mendes.

Bruna, Pão, Pão, Beijo, Beijo – 1982


Calou a boca de todos que duvidaram de sua capacidade de encarar uma vilã. Bruna foi tão odiada, que Savalla quase apanhou na rua pelas vilanias de sua personagem.

Auxiliadora, Quatro por Quatro – 1994 


Na novela de Carlos Lombardi, viveu a dona de casa vingativa Auxiliadora. A suavidade de sua atuação marcou época e arrancou muitos risos de quem acompanhou a trama.

Morgana, Sítio do Picapau Amarelo – 2002


Nem mesmo a temida Cuca foi páreo para suas maldades e brilhante interpretação. As crianças da época passaram a idolatrá-la como uma “mãe”.

Jezebel, Chocolate com Pimenta – 2003


Seu trabalho mais feliz ao lado de Walcyr Carrasco. Uma vilã saborosa como chocolate e ardente como pimenta, munida do antológico refrão “Ai como eu sofro!”

Friziléia, uma esposa a beira de um ataque de nervos! – Peça Teatral


Talentosa também fora da TV, Elizabeth Savalla arrasa nos palcos. No monólogo escrito por seu marido, ela é uma esposa neurótica, que diverte a platéia por mais de uma hora de peça.
Em 2007, deu nome ao troféu do Festival Nacional de Teatro de Juiz de Fora – MG. Ao lado de seu esposo, Camilo Átila, criou o ESCA, grupo teatral. Além de ser incentivadora das Artes Cênicas. 

Mariana, Pra Frente Brasil – Filme de 1982


Nas telonas, Beth Savalla também deu as caras em um filme do início da década de 80. Na produção de Roberto Farias, viveu uma guerrilheira de esquerda, numa clara crítica ao regime político da época. 

terça-feira, 30 de abril de 2013

Entrevista com o ator Bruno Fracchia - Intérprete de "Algumas Histórias" do talentoso Paulo José


Por Isaac Santos


Isaac Santos - Fale um pouco sobre a sua formação profissional.
Bruno Fracchia - Comecei no teatro em 1998, num curso em Santos. Em 2002/2003 comecei a sentir a necessidade de novos ares, comecei a perceber que minha formação não era uma formação, que precisa de novos rumos, novos conhecimentos. Foi neste momento, após tirar meu DRT (por exame de banca do SATED). Estudei com Cleyde Yáconis em São Paulo. Mas a formação mesmo, a base (porque formado um ator nunca pode se considerar) veio somente ao cursar a USP. Na USP tive minha formação teórica e durante o curso universitário comecei e desenvolvi meus estudos na área da dramaturgia, destacando, sem dúvida nenhuma, entre as experiências, as aulas magmas que eram a Master Class, ministradas por nosso querido professor Aguinaldo Silva.
Isaac Santos - A Master Class ministrada pelo Aguinaldo Silva foi sobre roteiros. É de sua autoria o texto do espetáculo "Algumas Histórias"?
Bruno Fracchia - Digamos que a adaptação, a construção dramatúrgica seja minha, mas o ponto de partida, a inspiração (e a base da dramaturgia) é o livro “Memórias Substantivas”, de Tânia Carvalho (escritora e jornalista de uma generosidade ímpar).
Isaac Santos - Foi imediatamente a partir da leitura do “Memórias Substantivas” que surgiu a ideia pro espetáculo, ou serviu apenas como incentivo pra concretização de um desejo adormecido seu?
Bruno Fracchia - Foi a partir da leitura. Imediatamente após ler o livro (que peguei na biblioteca da ECA-USP) sugeri a um professor que convidassem o Paulo José pra dar uma palestra, pois havia muitas coisas importantes a serem compartilhadas com jovens.
O professor sugeriu que eu selecionasse uns trechos e falasse pra classe. Até cheguei a rascunhar, separar algo, mas decorei e não levei a idéia adiante. Porém a vontade de compartilhar as palavras nunca morreu.
Até que em 2009, quando estava no Rio de Janeiro fazendo a Master Class, li uma entrevista da Fernanda Montenegro falando que o monólogo era de certa forma a única alternativa restante a muitos atores. Daí, maio de 2009, começou a nascer a idéia de levar as palavras, algumas histórias de Paulo aos palcos.
Isaac Santos - Imagino que não seja tarefa fácil destacar num monólogo, pontos importantes da trajetória do Paulo José. Como se deu o levantamento de "todo" o histórico da carreira do ator?
Bruno Fracchia - Não é mesmo. Se dependesse de mim a peça teria umas 4 horas (risos), porque um defeito de quem pesquisa muito é ter dificuldade em cortar texto, situações. O que seria uma adaptação fiel do livro ganhou mais "completude", mais olhares, pois partimos para outras entrevistas do Paulo e sobre o Paulo.
Inicialmente pus tudo o que queria no papel, daí, durante os ensaios, começamos a fazer cortes. E até agora, após a pré-estréia, ouvindo a Paula D´Albuquerque, minha excelente diretora, e outros artistas da equipe, e sentindo a peça com o púbico, faremos novos cortes, novas alterações.
Seja na dramaturgia, na cenografia, na interpretação, nunca teremos uma peça fechada, acabada. Mesmo porque a pesquisa sobre Paulo José nunca parará!

Isaac Santos - Com base num livro biográfico já publicado, o homenageado precisa querer sê-lo e dar a sua permissão para que o espetáculo aconteça?
Bruno Fracchia - No Brasil, até o presente momento sim. Tendo a autorização dele (quando o artista é vivo), aí sim, se pode pedir a autorização da editora que detém os direitos do livro, e/ou do autor do mesmo.
Isaac Santos - Espetáculo já com estréia marcada nos próximos dias, óbvio, a equipe envolvida cumpriu todo esse processo. Mas, especificamente, como foi recebida pelo Paulo José, a proposta do espetáculo?
Bruno Fracchia - Nunca conversei com o Paulo. Meu contato foi por e-mail, através da secretaria dele. Mas pela simplicidade com a qual obtive o aval, acredito que a proposta tenha sido recebida com naturalidade. Naturalidade no bom sentido, não com empáfia (risos).

Isaac Santos - Pro ator de formação, vocação, ainda que difícil interpretar um personagem real, é sempre prazeroso e só enriquece a sua carreira artística. Você que nunca teve contato pessoal com o interpretado, como encontrou o tom, a postura, enfim, as características adequadas pra compor o personagem?
Bruno Fracchia - Não posso dizer que tenha encontrado. Deixemos o público e o tempo dizer isso (risos), mas o que procurei fazer foi assistir muitos vídeos (o you tube nos ajuda muito) e filmes antigos, para buscar o "meu Paulo José" nas diferentes faixas etárias do artista.
Também precisei usar a imaginação e uma liberdade criativa, pois o Paulo criança e o Paulo adolescente são frutos da minha imaginação. Não tenho registros da época.
Parti sempre do Paulo atual para criar a criança e o adolescente a partir deste referencial. Seja buscando semelhanças ou diferenças. E, sempre tendo ciência de que nunca poderei dizer que faço o Paulo. É uma leitura minha.
Em busca da universalidade dos sentimentos, fundamental foi a convivência com portadores de Parkinson. Durante quase dois anos ministrei oficina de teatro em uma ONG e a convivência com os "meus alunos/mestres" foi fundamental. Não porque tenha estudado-os. Não os estudei. A relação foi de amizade, carinho, amor. Mas, por osmose, quando me dei conta os estava levando para cena.
E procuro me aperfeiçoar. Posturas, gestos, "caminhares". Algumas coisas observei no Paulo (em vídeo), outras, "apreendi" na convivência com meus amigos parkinsonianos (aos quais dedico o espetáculo!).

Isaac Santos - Se pretende um tom de espetáculo com merchandising social?
Bruno Fracchia - Não diria merchandising social. Mas apelo social, papel social sim! Tanto que além do espetáculo, onde for possível, realizaremos atividades falando do Cinema Novo e do Teatro Brasileiro dos anos 60 e, em especial, da importância da arte como uma ferramenta, sim, de inclusão social. Falaremos de respeito aos portadores de limitações.
Isaac Isaac Santos - Há uma ordem cronológica de apresentação do espetáculo?
Bruno Fracchia - Não. Num dado momento, o espetáculo passa a trabalhar com essa ordem. Mas ele não começa com ela e tampouco a trata de forma ininterrupta quando a adota.

Isaac Santos - Houve ao longo do processo, algum impasse, cenas reescritas, cortes, acréscimos, por orientação da autora do livro, ou mesmo por interferência do próprio Paulo José?
Bruno Fracchia - Jamais. Não do modo que você perguntou. Houve impasses e cenas reescritas, com cortes e acréscimos pelo processo do próprio trabalho. Mas nunca por interferência. Liberdade total.
Isaac Santos - Descreva o momento "o ator Bruno Fracchia interpreta Paulo José, sob o olhar atento do homenageado".
Bruno Fracchia - “Um sonho que me leva a um sorriso de orelha a orelha, a visualizar imagens muito concretas e a não ter ideia de como me sentiria. Um sonho difícil de concretizar, mas que só deixará este projeto ser completo se for realizado!".

Isaac Santos - Rir, chorar, sensibilizar-se. O que o público pode esperar do espetáculo? 
Bruno Fracchia - Eu diria que principalmente sensibilizar-se. Há momentos em que se pode chorar, em que se pode rir. Em especial, refletir.
Isaac Santos - Bruno, desejo excelentes apresentações. Agradeço pela atenção!
Bruno Fracchia - Também agradeço e aproveito para convidar o público do blog para prestigiar o espetáculo.


Espetáculo homenageia Paulo José

"Algumas Histórias", de Bruno Fracchia, traz aos palcos a vida do ator e diretor. O espetáculo estréia de 3 a 6 de maio, em Santos, e percorre diversas cidades do Estado

Programação

3 de maio (sexta-feira)

21h: Apresentação do espetáculo

4 de maio (sábado)

16h: Mesa redonda “A importância de práticas artísticas para portadores de deficiência”

A mesa apresenta experiências artísticas que, além de valiosos instrumentos de inserção e reinserção social, contribuem para a melhoria da qualidade de vida das pessoas acometidas por enfermidades ou limitações físicas e /ou mentais. Com Waldir Côrrea (Grupo Viva a Vida de Teatro para Afásicos), Cláudia Rodrigues (Grupo Lótus – Associação Parkinson da Baixada Santista) e Tina Cruz (Trup TriArte). Mediação de Ana Carolina Ramos.

21h: Apresentação do espetáculo

5 de maio (domingo)

17h: Apresentação do espetáculo

20h: Apresentação de dança em cadeira de rodas, seguida por apresentação do espetáculo

6 de maio (segunda)

15h: Coral do Lar das Moças Cegas e apresentação do espetáculo exclusiva para ONGs (gratuito, necessário agendamento prévio)

20h: Apresentação gratuita para escolas de teatro, seguida de bate-papo sobre o processo (necessário agendamento prévio)

Apresentações:

Teatro Municipal Brás Cubas
Av. Pinheiro Machado, 48 – Vila Mathias, Santos
Tel.: 3226-8000

Venda de ingressos e agendamento:

Teatro Municipal Brás Cubas (endereço citado acima)
Centro Europeu
Rua Timbiras, 7, Gonzaga, Santos
Tel.: 3301101

Agendamentos para apresentações:
 


Interpretação e dramaturgia: Bruno Fracchia
Direção: Paula D´Albuquerque
Direção musical: Alexandre Birkett
Preparação Vocal: Cadu Witter
Preparação para canto: Cláudia Rodrigues
Figurino: Kadu Veríssimo
Cenografia: Karla Lacerda
Adereços:Gilson de Melo Barros
Iluminação (desenho e operação): André Cajaíba
Operador de som e vídeo: David Sebastião
Produção audiovisual: Dino Menezes
Edição e mixagem de som: Rodrigo Alves
Assessoria de imprensa: Márcio Garoni
Assessoria jurídica: Grace Carreira/ Márcia Haron Cardoso 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Entrevista com Adilson Dias - Batalhador, Conquistador... Um cara de sorte!

Adilson Dias é artista plástico, ator, coreógrafo, diretor teatral. Um cara talentoso que soube abraçar as oportunidades quando estas lhe foram apresentadas. Conheçam um pouco mais do meu entrevistado, a quem desde já agradeço pela atenção!


Por Isaac Santos

Isaac Santos – Quem é o Adilson Dias?
Adilson Dias – Alguém fora do meu tempo, que oscila entre o ser e não ser com muita facilidade... Não gosto de definições, mas acredito em minhas verdades nada absolutas.
Isaac Santos – Mas você tem uma história de vida que vale a pena ser evidenciada. Fale-nos sobre a sua infância.
Adilson Dias – Minha infância no país em que vivemos, foi como a de muitos brasileiros do Oiapoque ao Chuí... Minha mãe teve onze filhos. Eu saí de casa para engraxar sapatos na Central do Brasil. Daí até eu parar nas ruas a distância foi mínima.
Isaac Santos – Você deve ter enfrentado muitas adversidades nesse período.
Adilson Dias – Sim. Com certeza... A vida nas ruas não é nada fácil. Os meninos marginalizados assaltavam com gargalo de garrafas e canivete.
Isaac Santos – Isso me remete a um instante crucial de sua vida, em que o destino pôs em seu caminho o saudoso Sérgio Brito, um "monstro" da dramaturgia brasileira.


Adilson Dias Sergio Britto foi meu pai, meu mestre... Todo o conteúdo e referências artísticas que tenho hoje, sem duvida, devo a ele. Ainda não superei a sua ausência. Desde a sua morte não tive coragem de ir em Santa Tereza, onde ele morava. Antes tinha um objetivo mais que a beleza para ir lá, hoje ficou um vazio para mim.
Isaac Santos – E você sofreu preconceito por optar por uma vida artística?
Adilson Dias – Até hoje. Ainda me perguntam quando essa loucura vai passar (risos).


Isaac Santos – A arte te possibilita uma vida estável financeiramente?
Adilson Dias – Ainda não. Mas sou um “favelado” de sorte... Moro na Cidade de Deus. E quando digo “de sorte”, me refiro ao fato de ter agarrado as oportunidades que surgiram.


Isaac Santos – Como é a sua relação com os demais artistas “favelados”?
Adilson Dias – Aqui na Cidade de Deus mora meu grande amigo Leandro Firmino [fez o Zé Pequeno no filme Cidade de Deus], o cara que me recebeu muito bem aqui na comunidade, há dois anos. A família dele me adotou (risos). Quanto aos demais, tenho uma boa relação com a maioria. Todos envolvidos com os seus projetos.
Isaac Santos – E você, o que tem feito?
Adilson Dias – Cheguei de Cuba no início do mês, onde estive representando o Brasil num festival. Desenvolvo um trabalho de arte educação [Projeto SESI Cidadania em Comunidades Pacificadas - UPP] na Cidade de Deus e no Morro do Andaraí. Sou cria de Comunidade, é o espaço urbano em que atuo, minha linguagem, minha “pegada”. Sinto-me honrado por ter o meu trabalho reconhecido: no último dia 17, recebi o Prêmio Lions Clube pela minha atuação como arte educador de comunidades cariocas.   
Isaac Santos – O público de modo geral, ou até mesmo os seus colegas artistas de outros meios, como percebem a sua arte?
Adilson Dias – Sou oriundo do meio, consigo falar a linguagem do meu povo com mais propriedade. Hoje consigo que as pessoas observem a minha arte sem necessariamente pensar em quem fui. Oscilo entre um grande encontro de artistas chiques e famosos numa galeria na Barra da Tijuca e um churrasco na casa de Seu Jorge, o pai do Leandro Firmino, na Cidade de Deus.
Isaac Santos – Projetos?
Adilson Dias – Estou dirigindo um Infantil para o final do ano. E outro projeto envolvendo o ritmo funk, voltado para as comunidades.
Isaac Santos – Então desejo mais e mais projetos concretizados, bem sucedidos, enfim. Obrigado pela atenção!

Vídeos: Programa Arte com Sergio Brito - TV Brasil

domingo, 23 de setembro de 2012

ARTE!

by Sidney Rodrigues





A peça ARTE em cartaz em São Paulo até dia 07 de Outubro, além de ser uma ótima diversão, garantia de boas risadas, é o tipo de espetáculo que faz o espectador sair de lá pensando e tentando chegar a um consenso sobre o que foi discutido e é incrível o quanto você fica pensando e tentando trazer para sua vida.

O tema da peça é a amizade entre 3 homens, que poderiam ser 3 mulheres ou pessoas de sexos diferentes, o que está em questão na peça é o fato de que nas nossas relações de amizade nem sempre somos transparentes e dizemos aquilo que realmente achamos do outro, às vezes para não magoar, às vezes por receio de parecer ridículo ou até mesmo por não saber o que dizer em certas situações. Muitas vezes deixamos de dizer o que pensamos e isso torna-se uma bomba relógio em nossa mente, que mais cedo ou mais tarde acaba por explodir e nem sempre na melhor hora. Muitas vezes estas explosões de humor acabam detonando amizades que poderiam durar a vida toda, ou aquelas que permanecem vivas por muito tempo.

O fato é que a peça nos faz pensar nas relações de amizade. Quem nunca perdeu um amigo de longa data, por uma frase mal dita, numa hora errada e esta pessoa deletou você de sua vida sem ao menos vir falar com você?

Quem nunca teve uma amizade por longos anos e do nada o outro lado corta o vínculo com  sem ao menos lhe dizer o porque de tal ação?

Vejo apenas que algumas pessoas são suas amigas em certos momentos da vida, mas não se preparam para serem honestas. Sou sempre muito a favor de que ao ser magoado por alguém, eu possa chegar até essa pessoa e expor o que ela fez que me chateou, para que ela possa se desculpar, entender que não foi legal ou até mesmo confirmar que fez porque quis e que era o que sempre quis fazer. Só acho ruim, quando a relação é interrompida sem nunca saber o que você fez de mal ao outro, se é que fez, pois sabemos que muitas vezes não é o que você fez, mas algumas pessoas que invejam seu relacionamento e não conseguem ter o mesmo afeto, que acabam por envenenar seus amigos.

Claro que se a pessoa se diz sua amiga e não lhe procura para aparar as arestas e resolver as pendências, é bem provável que ela NÃO SEJA sua amiga de verdade, e nesses casos é melhor que nunca mais participe de sua vida, afinal, se ela não tem a gentileza de resolver fofocas que alguém disse de você, apesar dos anos de convivência, talvez seja o momento de você perceber quem realmente esta pessoa é.

ARTE é uma peça que fala de amizade, de entender que os amigos são amigos independente do que fazem e das ações que tomam na vida, ser amigo é respeitar a opinião e não tentar vender aquilo que você acha correto.

O verdadeiro amigo dá a sua opinião sobre as coisas mas não força você a ver as coisas apenas pela ótica dele. Respeito ao outro é a maior prova de amizade que alguém pode dar, e quando somos sinceros e verdadeiros, mesmo as grandes polêmicas ou os grandes QUADROS BRANCOS (quem viu ou for ver a peça vai entender) são bem interpretadas (os).

Vladimir Britchta, Marcelo Flores e Claudio Gabriel têm, cada um, grandes momentos na peça, e é impossível que você não torça por um deles em algum momento do espetáculo. Mas sem dúvida a maior das torcidas é a de que a amizade sobressaia a todas as turbulências.

     
     ARTE    

      De Yasmina Reza
        Direção Emílio de Mello
 VLADIMIR BRITCHTA, MARCELO FLORES e CLAUDIO GRABRIEL


Serviço:
                                                                                                                          
ARTE
Teatro Renaissance (462 lugares)
Alameda Santos, 2.233 - Cerqueira César. 
Central de Informações: (11) 3069-2286

Sextas às 21h30, Sábados às 21h e Domingo às 18h.

Ingressos: R$ 80,00
Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos

Temporada: até 07 de outubro

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A NARRATIVA NO TEATRO MUSICAL

Por Romulo Barros 

Curiosamente mesmo sendo um país muito rico musicalmente falando, o Brasil é pobre em se tratando de espetáculos musicais. 





Contamos nos dedos os espetáculos desse gênero como: Gota d’água, Ópera do malandro, de Chico Buarque de Holanda, Sete, de Cláudio Botelho e Ed Motta, Ô Abre alas, Império, entre outros. Mas normalmente importamos grandes espetáculos da Broadway, rua que concentra os grandes teatros em Nova York ou do West End Londrino, bairro dos teatros ingleses.



Talvez isso se deva às especificações do autor que precisa aliar ao talento de dramaturgo as qualidades de compositor, letrista e fino poeta. Parabéns para aqueles que conseguem congregar todas essas qualidades.

O musical é um estilo de teatro que congrega música, canções, dança e diálogos falados. Só nessa frase vemos a complexidade que pode ser a criação e escritura desse espetáculo. Ele está intimamente ligado a ópera e ao cabaré. Os três apresentam estilos singulares, mas estão intimamente integrados.


O cabaret nasceu nas tavernas e com os menestréis medievais. Depois invadiu a Europa no início do século XIX. Posteriormente se transformou no chamado teatro de bolso, pequeno teatro feito em pequenos espaços. Em seguida se transformou em pequenos shows noturnos com novas expressões musicais que chamamos de alternativos.

Já o grande musical é uma dissidência da ópera clássica. A estrutura que conhecemos hoje foi estabelecida em 1943 com a estreia de “Oklahoma!”, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. 


O que passou a ser diferente? A narrativa não parava para ser executada uma canção, a história seguia firme dentro das canções e com isso o tema fluía sem problemas. Ficou mais interessante. Os personagens eram bem desenvolvidos, assim como as coreografias que ajudavam a contar o enredo sem a desculpa para colocar mulheres com roupas reduzidas no palco.


Rodgers e Hammerstein desafiaram a convenção dos musicais ao colocar uma voz fora do palco cantando em vez de um coro de garotas no primeiro ato. Oklahoma! foi o primeiro “blockbuster”, grande sucesso dos shows na Broadway feito para a família americana.

Junto criaram uma coleção extraordinária de clássicos mais amados e duradouros musicais: Carrousel (1945), South Pacific (1949), The king and I (1951), Cinderella (1957) e The sound of music (1959). Mas para que o sucesso de um musical aconteça antes é preciso um imenso trabalho colaborativo.

Normalmente existem vários autores em um musical, os escritos por uma pessoa só são quase raros. O roteirista de musicais cuida da estrutura do tema, o compositor da música, o letrista da parte lírica ou todas essas partes podem ficar sob a responsabilidade de uma só pessoa, o escritor/compositor.

Não existe uma regra para o que vem primeiro, se é a música ou a letra. Às vezes a melodia inspira uma letra ou a letra a melodia. Contudo a maior inspiração para todos os roteiristas de musicais é o tema da história principal.

A ideia para um espetáculo musical pode vir dos próprios autores ou pode vir de quem os contratou para a composição do espetáculo. O teatro musical tem a tradição de converter livros e outros materiais para o gênero. A mais conhecida transposição de livro para musicais é O fantasma da ópera de Andrew Lloyd Webber.

Nunca esquecer que a história de um musical segue uma linha dramática teatral pura.E mesmo que seja uma comédia ou drama, sempre terá uma inflexão romântica.
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