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segunda-feira, 15 de abril de 2013

E por que não outras Lauras, Joaninhas, Daras para a Tereza Seiblitz?!


Por Isaac Santos

Renascer, novela em reprise no Canal Viva, além de belas imagens, trilha sonora marcante, texto característico do Benedito Ruy Barbosa, possibilita ao público saudosista rever alguns atores do elenco, distantes da telinha há algum tempo. É o caso da Tereza Seiblitz, atriz que admiro.

Dona de uma trajetória televisiva iniciada com sucesso, mas lamentavelmente, sem a devida manutenção com o passar dos anos, ela tem se dedicado ao Cinema e ao Teatro. O que não chega a ser nenhum demérito ou castigo para a atriz que, consciente da importância de sua arte, prima sempre por desempenhá-la com louvor. Talento e dedicação não lhe faltam para isso.

Não é de hoje que alguns diretores optam por escalar para suas novelas, além dos tarimbados [que obviamente são maioria], atores desconhecidos do grande público, dando a estes oportunidade de começar na televisão, veículo de maior alcance que os demais.

Os vocacionados aproveitam a chance de contracenar com os mais experientes, que dominam a arte da telenovela, e daí em diante engrenam uma carreira sólida. Foi o que fez a então jovem atriz Tereza Seiblitz quando em 1990 viveu a Laura em Barriga de Aluguel, novela de grande sucesso, da autora Glória Perez. Sua personagem disputava o amor do Tadeu [Jairo Mattos] com a Clara [Cláudia Abreu] e com ele se casava, na expectativa de viver um romance perfeito. Mas aos poucos percebia ter sido usada num jogo de interesses. E como se isto não bastasse, a Laura passava a lutar pelo Tadeu, contra uma mulher envolvente, madura, experiente. Mal sabia ela tratar-se de Aída, a sua própria mãe, vivida magistralmente pela Renée Vielmond.


Em 1992, agora pelas mãos de Aguinaldo Silva, viveu a Jerusa. A novela era Pedra Sobre Pedra, e a Tereza Seiblitz dava sinais de que poderia interpretar personagens diferentes, desprovidos de vaidades. Curiosamente, nesta, sua personagem se envolvia com Ulisses, personagem interpretado pelo ator Jackson Costa, com quem repetiria a parceria 1 ano depois.


Sim, foi na já citada Renascer [1993] que a atriz foi lançada ao sucesso de público e de crítica. Fez de Joaninha uma de suas personagens mais marcantes até o momento. A atriz estava completa em cena. Se o Osmar Prado encarnou um perfeito Tião Galinha, o mesmo não teria acontecido com tamanha naturalidade se o ator não pudesse contar com uma atriz competente ao seu lado, dividindo cenas memoráveis como as que registradas em Renascer.


Preparo, competência, capacidade de entrega que, infelizmente, não teve o Ricardo Macchi ao ser escolhido para protagonizar a novela Explode Coração [1995], de Glória Perez. Era tudo o que não precisava a Tereza Seiblitz em sua primeira novela das oito, como protagonista. A parceria com o Macchi não foi bem sucedida. Mas apesar disso, a atriz obteve êxito com a sua personagem. Uma cigana que contra os dogmas de seu povo/família vive um romance avassalador com um rico empresário de uma realidade oposta à sua. A Dara foi inspirada numa cigana da vida real. A atriz fez laboratório por algumas semanas para que a cigana da ficção fosse o mais crível possível. E o resultado disso foi plausível. Não decepcionou.


Depois disso a atriz continuou a mostrar seu talento noutras produções, dentre elas Hilda Furacão e Amazônia, de Galvez a Chico Mendes [na Rede Globo, ambas de Glória Perez], e em Donas de Casa Desesperadas [versão brasileira de uma minissérie americana], uma produção da Rede TV.

Ora, a atriz continua na ativa e imagino que sendo convidada voltaria à telinha. O que não é má ideia.


Ela acaba de filmar o curta Fora de Série, em que divide a cena com Déo Garcez. Roteiro e direção de Ed Lopez. Produção toda rodada num apartamento no Rio de Janeiro.    

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Mas será o Benedito... quando o Ruy Barbosa volta ao ar?!



Por Isaac Santos

Confesso que estou numa fase de completa infidelidade às tramas inéditas da teledramaturgia. Mas, um dos momentos prazerosos aos quais me acostumei, é acompanhar as novelas reprisadas pelo Canal Viva, de segunda a sexta. Muito bom poder conferir três histórias marcantes, três estilos distintos, autores inspiradíssimos... muito bom poder revisitar épocas tão memoráveis. Rainha da Sucata, Felicidade e Renascer super valem a pena!

O Silvio de Abreu, autor principal de Rainha da Sucata, está no ar com a atual novela das sete e já se fala em seu retorno numa das próximas novelas das nove. Manoel Carlos, autor principal de Felicidade, esteve mal de saúde, mas felizmente em breve retoma os seus trabalhos na Globo. Benedito Ruy Barbosa, autor de Renascer, em bre... Não, eu não saberia dizer quando ele terá novamente uma novela inédita no ar. Leio notícias sobre um provável retorno com mais um de seus remakes pro horário das seis. Mas sinto tudo tão na base do "o que há de ser será!", e a história mostra que a telinha é um caixa de surpresas, então prefiro aguardar. 

Talvez seja muito entusiasmo meu, excesso de positividade de minha parte, mas o fato é que eu acredito ser possível um retorno do Benedito ao horário das nove, desde que haja uma base que isto favoreça. 
Antes que alguém diga que eu  não sou conhecedor dos reais motivos que o impedem, reconheço que não faço parte dos bastidores, mas considerando apenas o pouco do que sei, questiono se não seria mais equânime se a ele fosse dispensado o mesmo tratamento dado ao Manoel Carlos. Adoraria uma trama brasileiríssima de volta ao horário nobre da Globo. Opinião de telespectador e não de especialista, obviamente. 


Enquanto isso,  continuemos a nos emocionar, divertir com Renascer!


Depois de uma bem sucedida passagem pela extinta TV Manchete, onde fez Pantanal, foi com Renascer que o Benedito voltou ao seleto grupo de autores da Globo. O título da novela seria Bumba-meu-boi, mas o Boni achou muito folclórico e o Benedito concordou em mudar. Muito do que é retratado na novela é baseado em experiências dele com sua família, enquanto passavam pela Bahia. Em depoimento ao "Memória Globo", ele declarou: " - Em Renascer, duas passagens da trama foram inspiradas no que eu vivi enquanto estava na Bahia. A primeira foi com a minha mulher e meus quatro filhos, quando eles ainda eram pequenos. [...] Nós estávamos numa região chamada Floresta Negra [...]. Uma noite fui ver os tabaréus da fazenda rastelando cacau, numa fornalha igual àquela que aparecia na novela. [...] Eles se submetem a uma temperatura de 100º dentro da fornalha, enquanto lá fora bate uma brisa fria. Mas são muito fortes. Tomam pinga na garrafa e lhe oferecem: e se você limpar a garrafa é uma ofensa; tem que pegar e beber direto. Fiquei ali ouvindo histórias e levantando a bola pra eles chutarem. Eu tinha ouvido um causo sobre um tal de seu Firmo, o fundador das fazendas da região, que havia dividido suas terras entre os sete filhos, e eu queria saber o que os tabaréus tinham a dizer. A história era que esse seu Firmo tinha a proteção do capeta, e guardava o diabo na garrafa. Eles confirmaram: "É mentira não, sô! O homem tinha o capeta na garrafa. Tinha o coisa ruim ali, o 'cramulhão'". Contaram que,  um dia, seu Firmo havia aparecido com essa garrafa, botado dentro de casa e, a partir de então, virado protegido: nenhuma bala entrava nele. Todo mundo ali confirmava a história. Um dos tabaréus disse que, nas noites de florada, seu Firmo abria a garrafa, o diabinho pulava para fora e virara um bode enorme, com os olhões brilhando feito brasa. Seu Firmo montava nele, e o bode saía voando, mijando no cacau. Quando ele voltava para casa, abria a garrafa, e o bode virava de novo o capetinha. Na manhã seguinte, o que nascia de flor era uma maravilha! Por isso que não tinha cacau. Quando ele voltava para casa, abria a garrafa, e o bode virava de novo o capetinha. Na manhã seguinte, o que nascia de flor era uma maravilha! Por isso que não tinha cacau que desse mais do que o do seu Firmo, por causa do mijo do diabo, que adubava. Ninguém ali sabia que fim levara a garrafa: se fora enterrada com ele , se alguém arrumara um jeito de botar dentro do caixão. Os tabaréus contaram que uma mulher que trabalhava na casa , Donana, largara o serviço porque tinha visto o diabo. Ela disse ao patrão que não serviria enquanto o capeta estivesse ali, em cima da mesa. Seu Firmo deu um jeito de sumir com a garrafa, e Donana ficou trabalhando com ele até morrer. Todos aqueles homens acreditavam de verdade nessa história." 


O elenco também é um trunfo da novela. Para protagonizar a saga do fazendeiro José Inocêncio, ninguém melhor que o Antônio Fagundes, e o autor sabia muito bem disso. Tanto que foi pessoalmente convidá-lo: " - Eu estava com todo o elenco escalado, mas faltava o intérprete para o personagem principal, o Painho. Já tínhamos o Painho da primeira fase, que foi um sucesso danado, mas precisava do Painho mais velho. Fui ver o Fagundes, que estava encenando uma peça de Shakespeare no Teatro Rui Barbosa, e o convidei para jantar depois do espetáculo. Expliquei que precisava de um ator para o papel, mas ele disse que não queria fazer novela naquele momento. "Mas você nunca fez novela minha", argumentei. Ele disse que teria prazer, mas que não dava. Fagundes estava irredutível. Então, resolvi contar a ele o primeiro e o último capítulos da história, coisa que nunca faço. Quando escrevo novela, já sei exatamente o começo, o meio e o fim da trama. O primeiro capítulo não seria com ele, mas com o personagem ainda jovem, que chegava na região, desbravava as terras para fazer sua roça de cacau e se apaixonava por uma menina que dançava o bumba-meu-boi. Ela seria a mãe dos quatros filhos dele. Com a passagem de tempo, os filhos já crescidos, o Fagundes faria o personagem mais velho: um homem que nunca havia esquecido aquela menina, que morrera no parto do último filho. Toda vez que o Painho se sentasse na cadeira de balanço e se cobrisse com o cobertor, o público saberia que ele estava pensando nela. Ela aparecia para ele em sonho, e ele achava que ela não tinha morrido, No começo da história, ele havia fincado um facão na terra, junto a um jequitibá, e jurado que, enquanto eles existissem, ele não morreria nem de morte matada, nem de morte morrida. E contei ao Fagundes o final da história. Ele começou a chorar. Esse choro se repetiu depois, quando ele gravou a cena. Fagundes perguntou se eu garantiria que seria assim, e eu assegurei que não mudaria a história. Então, ele aceitou fazer. Eu quis saber se já podia começar a escrever pensando nele, ele confirmou, e fiz as cenas. Foi assim."



Não há como falar de Renascer e não mencionar as belíssimas músicas que tão bem casaram com cada trama da novela. As trilhas sonoras estão entre as mais vendidas da Rede Globo. 



De igual modo, seria injusto não destacar a qualidade das cenas primorosas dirigidas com a sensibilidade ímpar do Luiz Fernando Carvalho, com quem o Benedito tem uma identificação muito grande e falando ao "Memória Globo" ele dá testemunho disso: " - Ele lê o texto e parece que aquilo é dele. Eu me identifico muito com a sua direção. Gostei demais quando fizemos Renascer, um trabalho brilhante, que depois ele repetiu em O Rei do Gado, novela que também achei maravilhosa. Tenho paixão de trabalhar com o Luiz Fernando, porque sinto que ele tem a minha origem. Ele tem a sola do pé cheia de barro, como a minha. Já viveu muito. Faz bem porque conhece. Há diretores que trabalharam com ele que estão muito bem, seguindo a mesma linha. Além disso, o Luiz Fernando tem uma forma especial de trabalhar com o elenco."     


terça-feira, 11 de setembro de 2012

“A Próxima Vítima” x “Renascer”: o duelo de reprises


Lirismo rural de Benedito Ruy Barbosa desbanca o thriller de Sílvio de Abreu na grade do Canal Viva!


Por Júlio Cesar Martins
Reprodução da home-page oficial do "Vídeo Show": mais de 8 mil acessos ao vídeo de "Renascer"

Embalado pelas comemorações de 2 anos de sucesso, o Canal Viva (do Grupo Globosat)  anunciou com antecedência as novidades programadas para a grade vespertina: as novelas “Felicidade” – sucesso de Manoel Carlos - e “A Próxima Vítima” – rocambole policial de Sílvio de Abreu - substituem “Top Model” e “Barriga de Aluguel” no segundo semestre. As chamadas de “Felicidade” já pipocam ao longo da programação e reestréia em 24 de setembro.

No início do mês, o site oficial do Canal anunciou a substituição de “A Próxima Vítima” por “Renascer”, e justificou: “A apresentação de “Renascer” atende aos constantes pedidos dos assinantes pela trama. Por esse motivo, o canal decidiu antecipar a exibição da novela assim que conseguiu a liberação de seus direitos.”

Muita gente não engoliu esse papo torto. Nem eu. Agora vamos aos fatos:

Em junho, o “Vídeo Show” exibiu em seu novo quadro-coqueluche, o “Novelão da Semana”, um resumo de “Renascer”, em 5 partes. O primeiro vídeo da série alcançou números surpreendentes de acessos no site oficial do programa – mais de 8.000 – uma marca incomum. A repercussão inusitada provavelmente reverberou na direção do canal, ansiosa para repetir o burburinho causado pela reprise de “Vale Tudo”, no ano passado.

Patrícia França e Antônio Fagundes em "Renascer"
Trocando em números, basta pesquisar um pouco para descobrir que a expectativa de “A Próxima Vítima” em 1995 era elevar a audiência do horário das oito - em crise por conta do quiproquó ufanista de Gilberto Braga, “Pátria Minha”. Mas ao contrário do esperado, o suspense de Sílvio de Abreu derrubou ainda mais a audiência: o capítulo de estréia atingiu bons índices - 52 pontos - mas no sábado seguinte, já amargava a assustadora marca de 35 pontos. Habilidoso, o autor conseguiu pouco a pouco elevar os números, e no final das contas a novela acabou registrada na história da teledramaturgia como “um grande sucesso”, graças aos truques de suspense. Porém, o mistério já está mais do que desvendado, já conhecemos os finais – o original e o alternativo – e o apelo popular está enfraquecido, portanto.

“Renascer” trouxe um sopro de luz para o horário das oito, espantando de vez o clima nefasto da antecessora “De Corpo e Alma”, por conta do assassinato de Daniella Perez. A saga rural, ambientada no interior da Bahia, trazia de volta o melhor de Benedito Ruy Barbosa para a Vênus Platinada. Satisfeito por ter conseguido provar seu valor de novelista para a Globo depois do efeito “Pantanal”, em 1990, ele voltou por cima da carne seca direto para o horário nobre, com a responsabilidade de superar ou, no mínimo, repetir a repercussão da novela que escreveu para a emissora concorrente. Logo de cara, os primeiros capítulos arrebataram o Brasil, que se encantou com as desventuras de José Inocêncio (Leonardo Vieira/ Antônio Fagundes). As sequências antológicas do jovem coronel que vivia entre a fábula e a realidade, aliadas ao trabalho de direção apurado de Luiz Fernando Carvalho – com seus enquadramentos incomuns, perscrutando frestas e janelas, sobrevoando o cenário natural em travellings gigantescos – trouxeram um frescor cinematográfico para o confortável ambiente da telenovela. As novidades garantiram os Prêmios APCA e Troféu Imprensa de melhor novela de 1993 e a média geral consolidada de 60 pontos de audiência.

“Barriga de Aluguel” é a única novela do Viva com 4 anunciantes: Papel Higiênico Personal, Maionese Hellmans, Iogurte Activia Danone e Embelleze. Será que os anunciantes torceram o nariz para a escolha de “A Próxima Vitima” e induziram a troca?

Só sei que, entre todas as possibilidades, a da “substituição a pedido dos assinantes” me parece a menos provável.
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