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domingo, 1 de junho de 2014

“Déjà vu” com cara de novidade



Por Leonardo Mello de Oliveira
  
          A Rede Globo estreou sua nova programação há mais ou menos dois meses e trouxe para o público uma nova leva de programas, entre eles novelas, séries e reality shows. Apresentados em um mal organizado Vem Aí, as novas atrações vêm estreando ao longo desses dois meses, já criando assunto para muito debate televisivo. Vamos nos centrar em 5 novos programas globais: Meu Pedacinho de Chão, O Caçador, Superstar, Tá no Ar – A TV na TV e Geração Brasil. Todos eles, apesar de apresentarem características “revolucionárias”, têm, em sua essência, a mesma fórmula usada para outras atrações do gênero.
            Meu Pedacinho de Chão estreou causando barulho. O visual diferente e excêntrico da novela chamou a atenção inicialmente. Mesmo com todo o diferencial, a novela não anda bem de audiência. Mas não falemos de ibope. A produção tem a mão inconfundível de Luiz Fernando Carvalho, diretor conhecido por sua ousadia e originalidade. O texto, de um inspirado Benedito Ruy Barbosa, voltando com tudo a escrever novelas, é ótimo e casa bem com a proposta da direção. Apesar de tanta novidade, a novela tem sua em sua essência marcas clássicas de teledramaturgia, como dramas, romances e política. O grande diferencial da obra são as várias fontes de inspiração pegas por Luiz Fernando para compor a novela, que vão desde animações da Pixar, como Toy Story e Valente, passando por filmes western até elementos de literatura infantil, como obras de Monteiro Lobato. Isso tudo sem falar do elenco, com muitos estreantes e alguns medalhões, todos em excelente sincronia.



            O Caçador vem preencher o maior buraco negro da programação global: o horário de sexta à noite. A série, que tem José Alvarenga na direção e Marçal Aquino e Fernando Bonassi no roteiro, tem se mostrado um dos poucos casos de qualidade e originalidade nas séries da Globo. Um roteiro bem conduzido, personagens densos e uma boa direção são os elementos que enchem os olhos de quem a assiste. O horário permite mais ousadia, e é o que a produção nos apresenta. Além disso, atores nem sempre bem vistos pelos críticos como Cauã Reymond, Cleo Pires e Ailton Graça conseguem provar seu talento em personagens diferentes dos que costumam interpretar. Outro fator importante é o fato da série não querer mostrar um estereótipo do policial e do bandido brasileiro. Tudo parece mais real, mais tragável e menos exagerado. É uma pena a produção não ter a evidência que merece.



            Superstar foi proposto, principalmente, para cobrir o buraco entre uma temporada de The Voice e outra. O reality tem mostrado potencial, apresentando bandas com músicas de qualidade e diversificadas. Mas não vem empolgando tanto quanto seu colega na emissora. A Globo já declarou que o programa não terá uma segunda temporada. Uma lástima para aqueles que curtem um programa musical de qualidade, coisa rara na televisão atual. É claro que os problemas técnicos e as regras bem “flexíveis” do reality diminuem seus atributos. Apesar do formato diferenciado, o programa possui a espinha dorsal de um digno programa de calouros.



            Tá no Ar – A TV na TV é, sem dúvida, a maior ousadia já apresentada pela Globo há anos no quesito humor. Comandado e criado por Marcelo Adnet e Marcius Melhem, Tá no Ar é o típico programa humorístico que você nunca pensaria em encontrar na Globo: sátira de tudo o que você pode imaginar, críticas ácidas e politicamente incorreto. Para o tradicional conservadorismo da emissora, é um passo e tanto. Apesar das comparações constantes com humorísticos semelhantes como TV Pirata e Casseta & Planeta, Tá no Ar mostra toda sua originalidade com um humor inteligente e crítico sem ser ofensivo, poucas vezes visto na televisão. Que o programa tenha vida longa e que termine sem estar decante, o que geralmente acontece com humorísticos do gênero.



            Geração Brasil, a volta bem anunciada de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira como autores, tem a missão de levantar o ibope do horário das sete, que vem mal das pernas desde o remake de Guerra dos Sexos. A novela se mostra inovadora, aposta em temas “amaldiçoados” na teledramaturgia, como tecnologia, e tem uma pegada over, com personagens caricatos e exagerados. Além de mostrar um reality show dentro da novela apresentado de maneira que se pareça com a transmissão de um reality de verdade. O elenco é um primor, veteranos grandiosos e jovens atores já consagrados pela crítica. A trama ainda está se desenrolando e tem muita coisa ainda para acontecer. O que já se pode dizer é que Geração Brasil pode não entrar na história como foi com Cheias de Charme, mas com certeza ficará na cabeça de quem gosta de boa teledramaturgia.




            A Globo vem tentando inovar este ano, além de mostrar mais qualidade em suas novas produções. Depois de um negro 2013, a Vênus Platinada tem tentado consolidar sua liderança, ameaçada não apenas por concorrentes, mas também por outras mídias, como a internet. Esperamos mais produções de qualidade para 2014, e que a Globo continue surpreendendo os adoradores da boa televisão.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Glória Perez: Levando milhões de brasileiros pro seu mundo encantado.

Por Patrick Reis

Em sua última novela, exibida há um ano, Glória Perez recebeu duras críticas sobre a saga de Morena (Nanda Costa) e seu "herói" Téo (Rodrigo Lombardi). Salve Jorge teve problemas com a audiência - bem como outras novelas da atualidade -, mas chegou ao fim; uns alegam que foi justamente por seus absurdos que a novela cativou, já tem quem garanta que ela teve seu potencial. A verdade é que como se pode condenar uma autora como Glória por um simples trabalho quando olhamos pra trás e vemos sua enorme bagagem, que inclusive conquistou o Brasil e o mundo. Antes de acompanhar o post, confira o gif biográfico #risos da autora! 



Mas vamos ao que interessa: sua carreira. Glória começou por um apoio do destino, quando o script de um episódio de Malu Mulher que ela havia escrito, foi parar nas mãos de Janete Clair. Esta, que era (e ainda é) considerada sinônimo de sucesso na TV, a convidou para escrever a novela Eu Prometo (1983). Dentro desse processo, a autora escreveu em seguida Partido Alto (1984), sem muito êxito e foi parar na Manchete com a novela Carmem (1987). Porém, ela já havia entregado pra Rede Globo a sinopse de Barriga de Aluguel, que seria aceita somente em 1990. Esta novela foi considerada um grande sucesso pro horário das 18 hs. e é lembrada até hoje por muitos telespectadores.  Porém, em sua novela seguinte, Glória começava a interligar a realidade com uma ficção surreal. De Corpo e Alma (1992), novela das 20 horas, causou um enorme frisson por tantos tabus, como a relação de uma mulher mais velha com um striper. Também teve seu ápice quando se deu a morte da filha da autora, Daniela Perez, assassinada pelo colega de trabalho, Guilherme de Pádua. Porém, se focarmos na trama principal veremos um choque de ficção e verossimilhança. Através de um transplante de coração, um homem sai em busca de sua amada na pessoa cujo coração foi transplantado. E o melhor é que a mulher, que estava com o coração da falecida, se vê apaixonada por aquele homem. A ciência não explica, mas a Glória fabrica! 


Em sua próxima trama ela abordou o mundo virtual, que em 1995 ainda era pura ficção científica. Se hoje o whatsapp, chat de redes sociais, etc. é uma coisa comum, no passado tudo era meio estranho. E quando Glória assinou Explode Coração, ela foi novamente criticada por abordar uma coisa tão "surreal". Nos anos seguintes, Glória Perez criou a minissérie Hilda Furacão (1998), baseada no romance de Roberto Drummond e Pecado Capital (1998), remake de um sucesso de sua mestra, Janete Clair. Em 2001, ela vem a escrever aquele que seria seu maior sucesso. O Clone usou e abusou da ficção escancarada, não ousou em ser uma novela realista! Clonagem de seres humanos, muçulmanos falando português, enfim, tudo ali já era "absurdo", e mesmo assim o público não criticou, mas acabou se jogando de cabeça naquela bela história de amor proibido. A novela conseguiu atingir a maior audiência do horário, desde 1997, com a novela  A Indomada (de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares). Quando se deu a estreia, a emissora ficou meio atordoada. A novela teve início em outubro de 2001, algumas semanas depois dos ataques ao 11 de setembro, por membros da população árabe. Por conta de abordar essa mesma população, muito se comentou a respeito da estreia ousada da novela naquele ano. Outro grande problema que a novela quase enfrentou foi o reality show do SBT, A Casa dos Artistas. Estreando de surpresa, o programa do canal do Sílvio (Santos) cativou um público grande e a catástrofe não foi maior, porque Glória conseguiu prender o público no sofá da Globo e bateu de frente com um dos maiores empecilhos para a Vênus platinada, desde Pantanal (TV Manchete, 1990). Sua próxima trama, América (2005) não trouxe grandes "absurdos dramatúrgicos", mas fez com que Glória sofresse ameaças dos ditos "defensores de animais", por abordar o rodeio. A novela conseguiu uma audiência muito mais do que relevante em seu último capítulo - muitos consideram que tenha sido pelo suposto primeiro beijo gay da TV. Com picos de 70 pontos, América foi um dos seus grandes sucessos. 
Tempos depois, Glória volta à sua temática de sucesso, um país exótico e uma trama de amor proibido. Caminho das Índias (2008) chegou com cara de cópia de O Clone, mas saiu levando nas mãos o maior prêmio da TV mundia: o Emmy Awards. Mas nada disso impediu de que começassem a surgir as típicas críticas de que "se falava português na Índia", de que a Índia retratada não fazia jus ao país nos idos de 2008, etc. E em Salve Jorge, Glória finalizou (até então) sua trilogia de países exóticos, abordando a Turquia. Por conta dos novos tempos, onde ser "crítico" de novela se tornou algo tão banal quanto comer arroz e feijão, a autora recebeu uma bordoada de ofensas e piadas em seu twitter. E  sua novela acabou sendo a chacota nacional em 2012/2012 - mesmo com os absurdos de Amor à Vida. Na realidade eu estou aqui, em meu primeiro post, para dizer que uma mulher de tamanhas qualidades como Glória, com grandes sucessos em sua carreira não pode e nem deve ser achincalhada por conta de algumas falhas em apenas uma novela. A autora, com seus vôos - que não são de hoje, como fiz questão de abordar nesse texto -, levou milhões de brasileiros a voarem junto com ela, a tornar a vida menos árdua e mostrar que a ficção pode ser muitas vezes, mais interessante que a vida real. Que Glória Perez nos presenteie com obras tão boas e cativantes quanto as que ela já nos brindou. Essa é a minha estreia no blog, um noveleiro convicto que tentará extrair o melhor da ficção nacional pra vocês! 

Fonte: Teledramaturgia, Memória Globo. 

sábado, 23 de novembro de 2013

Novela de época... pero no mucho!

                                                                                                                        Por Daniel Pilotto

E mais uma vez temos no ar uma novela de época que não faz muita força para de ser considerada de época.
JÓIA RARA das autoras Thelma Guedes e Duca Rachid é atual trama do horário seis, apresentada ao público com uma embalagem aparentemente situada entre 1934 e 1945 (a segunda fase da história). E digo aparentemente, pois é só ter um olhar um pouco mais atento e minucioso para descobrir diversos equívocos que para os mais puristas no gênero (entre os quais me incluo) soam bastante incômodos.
A trama conta a história de uma criança brasileira que é a reencarnação de um monge budista que vivia num mosteiro no Himalaia, e a aceitação deste fato inusitado em sua família e no meio que a cerca. Até aí, sem problema algum, afinal a capacidade de criação e fantasia dos nossos autores é infindável e este é o propósito da teledramaturgia, inovar e ousar sempre em cima do velho e bom folhetim. Entretanto a questão que quero discutir é o por quê de se fazer uma novela de época sem um comprometimento total com o período retratado?

A trama da novela poderia ser crível e autêntica para quem assiste se a produção, direção ou sabe lá Deus quem, respeitasse o simples fato de que existe algo chamado: ambientação histórica.
Sei que muitos irão dizer que isto é irrelevante. E a emissora por sua vez, nesta sanha voraz de se popularizar a qualquer custo não perde tempo com os detalhes. Afinal, como alcançar classes mais baixas se ficar retratando tudo exatamente como era na época? Eles mesmos já decidiram que uma parcela do público não gosta de tramas de época, e não gosta de ver como era um comportamento específico, uma estética ou uma sociedade tão diferente da qual eles vivem.
Em parte por preguiça do público e comodismo da emissora, temos no ar algo não muito definido e muito incoerente até, por parte de uma emissora que sempre pode se gabar das melhores produções de época da TV brasileira. Capacidade e qualidade sempre existiram. Seja no princípio, nos tempos áureos das novelas de época das seis dos anos 70 e 80 como ESCRAVA ISAURA, O FEIJÃO E O SONHO, MARIA, MARIA, A SUCESSORA, OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO, TERRAS DO SEM FIM, DIREITO DE AMAR, BAMBOLÊ, VIDA NOVA, PACTO DE SANGUE, SALOMÉ e nas mais recentes anos 90 e 2000 com FORÇA DE UM DESEJO, ESPLENDOR, O CRAVO E A ROSA entre outras.

Anteriormente no horário tivemos dois exemplos bem específicos, as novelas CORDEL ENCANTADO (coincidentemente das mesmas autoras) e LADO A LADO da dupla João Ximenes Braga e Claudia Lage. A primeira era um conto de fadas ambientando em algum lugar do começo do século XX, digo algum lugar, pois nada era definido exatamente, existiam diversas influências estéticas na trama e nada era muito preciso. Neste exemplo tudo era perdoável já que a novela era vendida assim, como um cordel, um conto, uma história farsesca e quase teatral que não estava inserida em nenhum contexto. Portanto não podemos estranhar o fato de Jesuíno (Cauã Reymond) usar calças jeans em pleno sertão nordestino.
Já no caso de LADO A LADO, o momento histórico de um Rio de Janeiro da primeira década do século XX era bastante evidente, ali as influências históricas davam o tom e moviam as personagens da trama. Por conta disto era inadmissível ouvir uma personagem bem nascida e educada como a Laura (Marjorie Estiano) chamar a mãe, a Baronesa Constância (Patrícia Pillar) de “você”. Ou então ter atitudes comportamentais muito, mas muito à frente de seu tempo. Mesmo que os autores queiram nos fazer crer que ela era uma precursora.

Em JÓIA RARA as atitudes e as características das personagens não estão tão distantes da época retratada. Neste quesito as autoras até que mantém bem marcado o rigor e a formalidade da década, e com isto compõe os dramas e situações.
Exceto é claro pela caracterização equivocada das personagens criadas por elas. 


Um dos exemplos mais gritantes vem do núcleo do Cabaré da novela. É ali que coristas e bailarinas cometem as maiores incoerências, a começar pelo excesso de cabelos tingidos de “platinum blonde” por metro quadrado. Nos anos 30 este tipo de descoloração do cabelo era moda, influenciada por atrizes do cinema americano como Jean Harlow ou Carole Lombard, entretanto a moda era apenas para as mulheres que tivessem mais posses, afinal de conta era um tratamento caro e não se fazia num salão da esquina. Aliás, aqui no Brasil isto era praticamente inexistente já que estes produtos eram em sua maioria importados e muito complexos de serem manipulados. Então fica a pergunta. Como as coristas que mal tem dinheiro para pagar suas contas na pensão onde moram fazem um tratamento de cabelo tão caro?
E como se não bastasse, na trama outras personagens aparecem com o mesmo tipo de cabelo, ou então como explicar o cabelo de Volpina (Paula Burlamaqui) a lavadeira do cortiço da novela? Ela é russa, dinamarquesa? É a novela com a maior quantidade de loiras (mesmo que tingidas) já feita até hoje. E não, a novela não se passa no Sul do país.


Outra que chegou há pouco na trama e também é um completo equívoco temporal, é a personagem de Mariana Ximenes, Aurora Lincoln. Vedete internacional a moça chegou ao Brasil vinda de Paris, trazendo suas modas e costumes. O que não explicaram muito bem é o por que de em plenos 1945 a personagem tem um visual completamente final dos anos 50? Sim, além do cabelo (nitidamente inspirado em Marilyn Monroe no auge de sua carreira dos anos 50, já que nos 40 Marilyn era ruiva de cabelos compridos), ela também usa roupas que jamais seriam usadas na época, mesmo por uma pessoa que trouxe a moda de fora. Nos anos 40, em nenhum lugar do mundo se usava calça fuseau, simplesmente por que elas não existiam. E ainda mais para sair na rua. Uma mulher? Nem prostituta “das mais rampeira” como diria a Perpétua de TIETA. 


Isto sem falar nos sapatos. Aurora é realmente muito a frente de seu tempo, pois dia destes apareceu usando um modelo destes que vemos hoje nas lojas de sapatos femininos, bem modernos e estranhos.
Aí fica a dúvida, é uma desconexão total da figurinista com a época da trama ou uma liberdade para fazer moda e propaganda de produtos para as consumistas atuais? Numa entrevista recente a figurinista da novela Marie Salles deu a seguinte declaração: "Me senti livre para percorrer diferentes momentos da história. Pego vários elementos. Peguei referências de grandes atrizes do cinema, de Madonna e até de Beyoncé, nos dias de hoje. Não preciso ficar presa no tempo. Eu vou e volto", ela explica.


Agora, por que não fazer uma novela de época exatamente como a época retratada, uma pesquisa exata. E emissora já tinha ambientado uma novela em 1945 e a reconstituição, tanto cenográfica quanto de figurinos e composição era exatíssima. Em VIDA NOVA (1988) estes detalhes eram fundamentais e davam o tom na viagem no tempo do telespectador. A única personagem loura (e não platinum blonde) daquela trama era uma prostituta interpretada por Vera Zimerman, que tinha origens polonesas.

Ainda na parte do Cabaré, temos também um avanço no que se refere aos musicais apresentados no palco. Quando a trama ainda estava na primeira fase, portanto anos 30, a personagem Lola (Letícia Spiller) apareceu cantando “Copacabana”. Nada ruim se não fosse o fato de que esta música foi composta por Barry Manilow no auge da discoteca em 1978.
Agora nos anos 40, é Aurora (novamente) que tem o seu famoso número antecipado no tempo. A personagem interpreta “Fever”, canção que ficou famosíssima na voz da cantora americana Peggy Lee apenas no final dos anos 50 (novamente).
E por falar em trilha sonora, a da novela não fica muito diferente do que é apresentado na história. As músicas escolhidas são uma viagem pelas mais diferentes épocas, menos a que nos remete à trama. Sinto muito quem não gosta de músicas antigas em trilhas de novela, mas sinceramente, como se situar nos anos 40 ouvindo Novo Baianos cantando “A menina Dança” ou então Tim Maia com “Eu Amo Você” ( aliás, pela terceira vez em trilhas)? Canções com um estilo tão anos 70?

Enfim, poderia ficar horas lembrando coisas fora de época nesta novela de época. Ainda mais por que a novela ainda não terminou e muita água vai rolar.
Na contramão disto tudo a surpresa vem da concorrente, Record. Lá Carlos Lombardi leva ao ar seu PECADO MORTAL. A trama ambientada nos anos 70 (mais precisamente em 1977) os detalhes são de um rigor absoluto. Tudo ali nos remete a década, desde os figurinos, cenários e expressões usadas pelos personagens. E antes que me questionem, anos 70 também já é de época.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Horário ingrato? É difícil fazer sucesso na sexta à noite

Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres
 Por Jonathan Pereira

Desde a série Os Normais, exibida entre 2001 e 2003, a Globo não emplaca um programa que dure três anos seguidos na sexta à noite. A faixa destinada à linha de shows depois do Globo Repórter não teve só fracassos, mas ajudou a enterrar algumas atrações e causou a morte prematura de outras.

Depois que as desventuras de Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) saíram do ar, muita coisa foi testada, mas poucas deixaram saudade. Na sequência veio Sexo Frágil, quadro do Fantástico que ganhou vida devido à graça de ver Vladimir Brichta, Wagner Moura, Lázaro Ramos e Lúcio Mauro Filho vestidos de mulher. Vinte episódios divididos em duas temporadas foram o suficiente para deixar a grade e o elenco ser aproveitado  em outras atrações.

Cidade dos Homens, continuação do filme Cidade de Deus, teve uma temporada exibida às terças-feiras, e suas duas últimas ocuparam a sexta a noite, quando chegou ao fim já desfigurada da proposta original e com a missão de mostrar o crescimento de Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) mais que cumprida.

Também adaptada de um filme, Carandiru - Outras Histórias teve 10 episódios exibidos em 2005. Essa não dá para culpar o horário pela não continuidade e sim o esgotamento do tema, já que no roteiro foram utilizadas histórias que estavam no livro Estação Carandiru não desenvolvidas nas telonas. Nessa linha, Antônia ganhou duas temporadas entre 2006 e 2007 depois que o longa levou a Brasilândia, na zona Norte de São Paulo, para o cenário nacional. E Ó Pai Ó, protagonizada por Lázaro Ramos assim como no filme, também resistiu duas temporadas, embora no fim da segunda já apresentasse a mesma semidescaracterização que atingiu Cidade dos Homens.

Outra que começou às terças e viu seu término chegar quando disputou a atenção do público com o início do fim de semana foi Carga Pesada. Embora atraísse um público mais velho que geralmente fica em casa mesmo na sexta, seus episódios foram sofrendo um desgaste natural que, aliado ao pouco apelo para o público jovem, tiraram o fôlego de Pedro e Bino para continuar suas aventuras nas estradas.

O elenco de Os Aspones
Os Aspones, em 2004, foi elogiada pela crítica, mas não passou da primeira temporada, apesar de ser de autoria de Fernanda Young e Alexandre Machado, os mesmos que escreveram Os Normais, e do bom elenco. Selton Mello, Andréa Beltrão, Marisa Orth, Pedro Paulo Rangel e Drica Moraes eram funcionários de um escritório que não tinham o que fazer. A dupla de roteiristas tentaria novamente em 2007 emplacar O Sistema, com Selton e Graziella Moretto, mas o projeto morreu com uma única temporada.

Em mais uma tentativa, eles se uniram com Luiz Fernando Guimarães para criar Minha Nada Mole Vida. Esta conseguiu quebrar o estigma dos roteiristas com as anteriores pós-sucesso, rendendo três levas de episódios em 2 anos. Empolgado, o ator protagonizou Dicas de um sedutor, que penou com a baixa audiência.
Pasquim e Winits em "Guerra e Paz"

O último trabalho de Carlos Lombardi como autor titular na Globo foi com a série Guerra e Paz, na qual Danielle Winits e Marcos Pasquim repetiam o par romântico que já haviam formado em Uga Uga (2000) e Kubanacan (2003). Ele demorou a achar o tom para histórias que começassem e terminassem no mesmo dia e só quando deu continuidade aos episódios é que foi engrenar. Já era tarde. Mais uma que não passou da primeira temporada, infelizmente.

Em 2009 Tudo Novo de Novo e Decamerão - A Comédia do Sexo ocuparam a faixaFernanda Young e Alexandre Machado voltariam a acertar com Separação?!, que em 2010 pulou de 12 para 23 semanas no ar, devido à boa audiência das enrascadas que as personagens de Débora Bloch e Vladimir Brichta se metiam. Reis do horário, os roteiristas ainda desenvolveram Macho Man, com Jorge Fernando voltando a atuar entre 2011 e 2012.

Bruno Mazzeo foi um dos responsáveis por Junto e Misturado que, embora tenha trazido um pouco de frescor ao humor, teve a segunda temporada cancelada. Desgastados às terças, a turma do Casseta & Planeta ficou um ano fora do ar e voltou às sextas trocando o Urgente! pelo Vai Fundo. A graça não veio junto e foi tirado do ar ainda em 2012 para não mais voltar.

Marcelo Adnet, o Dentista Mascarado
Outro que não agradou, embora bastante esperado, foi o projeto para Marcelo Adnet em seu retorno à Globo, onde fez pequenas participações em novelas como Pé na Jaca (2006/07) antes de se destacar na finada MTV. O Dentista Mascarado flertava com os quadrinhos e super heróis, mas estava longe do adequado para prender a atenção tanto dos jovens que estão saindo para curtir a noite quanto os de mais idade que estavam vendo o Globo Repórter. Se foi sem deixar saudades.

Os Normais saiu de cena no auge por opção dos roteiristas, que desenvolveram ainda dois longas com o casal. Já se especulou a produção de novos episódios, assim como de A Diarista, o que nunca aconteceu. Com a volta do Sai de Baixo, que teve quatro episódios inéditos produzidos para o canal Viva, pode haver esperança entre os fãs que Rui e Vani voltem a aprontar daqui a algum tempo. E você, sente saudade de qual desses programas?

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um mundo de tantas vozes

Por André Cavalini

Na última quinta-feira estreou a nova temporada do The Voice Brasil nas telas da Rede Globo. Mesmo tendo mudado o dia e o horário, a audiência se manteve nas alturas, confirmando que a boa fórmula do programa continua funcionando.
Realmente o formato do The Voice é algo que agrada ao público daqui. Talvez pela inovação que propõe aos candidatos em todas as quatro fases e pela emoção causada em cada pessoa ligada na TV para acompanhar o su ou insucesso daqueles que buscam a fama soltando a garganta.


É instigante a espera em saber se os técnicos virarão a cadeira para aquela voz que se apresenta e que eles não sabem a quem pertence. A gente fica na torcida, vibra com cada virada de cadeira, se frustra às vezes, quando curtimos alguém e nenhuma cadeira vira, e até conseguimos rir das brincadeiras trocadas por aqueles que estão ali para escolher a nova voz do Brasil.


Nas batalhas dentro do ringue musical, é muito bom ver talentos se confrontando ao mesmo tempo que enchem nosso coração.
E nas apresentações individuais, é fantástico ver a superação pessoal que cada um busca para se tornar o melhor, tendo a ousadia de mudar canções consagradas.

Na primeira temporada vimos tudo isso, e ela deixou uma boa impressão, apresentando candidatos capacitados e com talento para honrar a proposta do programa. Infelizmente, como em todos os reality's do gênero, em nosso país, a vencedora sumiu após ser consagrada campeã. Se começou a busca por uma nova voz, sendo que a primeira escolhida nem mesmo teve tempo para se propagar. Talvez, um dos grandes erros apresentados pelos responsáveis pelo The Voice brasileiro.
Resta-nos então esperar para o que está por vir. A julgar pelo primeiro episódio, fica aqui os meus comentários:

TÉCNICOS


Lulu Santos – Lulu é pra mim o mais espontâneo. Em alguns casos, já na primeira fala do cantor/a sua cadeira está virada. Quando não vira, seus argumentos são condizentes e bem elaborados. Ele chora, canta junto ao candidato, e tudo com naturalidade, sem exageros. A escolha mais acertada entre os quatro.


Carlinhos Brown – Gosto do estilo dele, mas a forçação de barra em querer ser muito alegre, divertido e carismático acaba enchendo o saco.

Cláudia Leite  Esperava mais atitude de Claudinha. Ela tenta passar tanta doçura em seus comentários e julgamentos que se esquece de que muito açúcar causa diabetes.


Daniel – O mais apagado dos técnicos. A emoção que extrapola em Brown, falta no sertanejo. Tudo bem que ele faz a linha Don Ruan, mas um pouco mais de atitude não faria mal a sua performance.




O APRESENTADOR

A apresentação de Thiago Leifert é algo que não consigo entender. Não duvido de seu carisma e nem de sua competência. Reconheço a nova cara que ele deu aos programas esportivos no comando do Globo Esporte, mas para mim deveria ter continuado lá. O vejo apagado no comando do The Voice e tenho a sensação de que nunca está à vontade. Diferente de quando entrava ao ar para falar de esporte. Mas já que insistem no nome dele, preferiria o palco dividido com uma mulher, como acontece em edições internacionais. Fernanda Lima seria uma boa aposta.

APRESENTAÇÕES

O Brasil é um país de muitos talentos escondidos. Muita gente boa sem espaço para mostrar o que sabe fazer. Sabendo disso, acredito que o alto nível dos candidatos será mantido nessa segunda temporada. O episódio de quinta já começou deixando um gosto de favoritismo ao primeiro candidato, Dom Paulinho, que encantou os quatro técnicos e também o público de casa. Eu não deixaria passar despercebido a voz de Rubens Daniel e o ótimo som da roqueira Luana Camarah.

OUTRAS VERSÕES

O The Voice tem sua versão apresentada em vários países ao redor do mundo. Originalmente surgiu na Holanda em 2010, mas só começou a ganhar fama e outras versões após a primeira temporada da versão americana que estreou em abril de 2011.
E em cada país, teve os seus grandes momentos que deixaram  saudades...

The Voice UK
Liah Mcfall em uma versão mais que original para I Will Survive, já nas finais da segunda temporada em 2013.


Mas a grande campeã foi Andrea Begley, que venceu além do programa, o preconceito por ser deficiente visual.


Bo Bruce, também protagonizou um dos melhores momentos na temporada de 2012. Entre as quatro finalistas, ela arrebentou ao lado de Danny cantando sua versão de Read all about it.


Contudo, Bo Bruce ficou na vice liderança, que teve como grande campeã Leanne Mitchell


Estados Unidos
Javier Colon foi o campeão da primeira temporada, em 2011.


Já em 2012, foi Jermaine Paul o vencedor.


E em 2013, Danielle Bradberry confirmou seu favoritismo desde o início e levou o prêmio.


Austrália
Karise Edén venceu a temporada 2012.


E em 2013 Harrison Craig levou a melhor.


Portugal
Em Portugal o título foi traduzido e virou A voz. Na sua única versão, Dennis Filipi foi eleito a melhor voz do país.


Holanda
Quem aqui não se lembra do grupo Rouge? Banda infanto-juvenil criada também em um reality de música. Pois é, a banda se desfez e cada participante seguiu seu rumo. Uma delas foi parar na Holanda, e arriscou a sorte mais uma vez soltando a voz por lá! A edição ainda acontece, então, Boa Sorte Fantini!


Brasil
A primeira versão brasileira teve grandes momentos. Na fase das batalhas, a melhor delas (ou pelo menos a mais divertida de se ver) aconteceu entre Ludmila Anjos x Karol Cândido.

Já nas apresentações individuais, Liah Soares arrepiou o coração de todos com sua versão de Asa Branca, em homenagem ao centenário de Luis Gonzaga.

Mas  a preferida do público foi Elen Oléria.


domingo, 8 de setembro de 2013

Roque Santeiro: O Brasil em uma cidadezinha

Por Leonardo Mello de Oliveira

Sem dúvida uma das mais memoráveis novelas de todos os tempos, Roque Santeiro arrebatou o coração dos brasileiros com seus personagens deliciosos e dúbios. Analisando bem, nenhum dos personagens de Roque Santeiro era 100% do bem, todos tinham algo obscuro em sua personalidade, um erro, uma fraqueza. Dias Gomes apresentava personagens caricatos, mas ao mesmo tempo complexos e humanos, a ponto de fazer-nos acreditar que aquelas pessoas tão absurdas existissem mesmo, e elas existem, só ganharam um pouco de dramaticidade. Asa Branca era um microcosmo do Brasil, e os autores não queriam esconder isso. Enquanto Porcina e Sinhozinho Malta tinham um forte sotaque nordestino, Matilde e suas meninas vinham do Rio de Janeiro. Houve menções de que o delegado Feijó fosse gaúcho e Dona Marcelina aparentava ter saído de alguma família da alta sociedade paulistana. Enfim, Dias Gomes e Aguinaldo Silva tentaram mostrar todos os diferentes tipos que poderíamos encontrar Brasil afora, todos juntos e vivendo as mais diversas situações.


Porém, infelizmente, a novela parece ser muito mais conhecida pelas situações engraçadas do triângulo amoroso central que pelo seu significado social. A trama tratava desde comunismo escondido até celibato religioso. Atreveu-se até mesmo a falar sobre homossexualismo, o que foi completamente vetado. E, é claro, da exploração do povo através da crença. Dias era mestre em colocar o dedo na ferida da sociedade, mas tratava de vestir uma luva para tentar esconder as digitais na hora de pôr o dedo, então tudo era meio escondido, por baixo dos panos. 
Talvez o tema que eu mais goste de ver na telinha tenha sido tratado com perfeição nesta novela: a hipocrisia. A novela chegou a um ponto em que quase todos os personagens já sabiam da verdade sobre o Santo Roque, mas tinham que manter o segredo, pois todos tinham algum interesse, e, é claro, não poderiam desrespeitar os poderosos da região. A personificação da hipocrisia já tem uma imagem na teledramaturgia brasileira: a beata. E Dona Pombinha é, sem dúvida, a melhor beata das nossas novelas (desculpem-me os adoradores de Perpétua). 
Antes de Vale Tudo e Que Rei Sou Eu?, (coincidentemente reprisadas, respectivamente, antes e depois de “Roque”) Roque Santeiro já tentou falar sobre o povo brasileiro como ele realmente é, com todos os seus defeitos e suas qualidades.


Acho que nunca será feita uma novela tão completa quanto foi Roque Santeiro. Era rápida, não teve “barriga” (apesar de seus mais de 200 capítulos), com bom texto, bom elenco, boa direção e com uma crítica social super bem bolada. A quem nunca assistiu a essa obra prima da televisão brasileira, sugiro que assista, principalmente se deseja algum dia trabalhar com novelas. Dias Gomes faz falta nos nossos dias atuais, pois ninguém como ele conseguia colocar um espelho no lugar da tela da TV quando o povo brasileiro fosse assistir a uma novela sua.
Sem deixar de mencionar o trabalho de Aguinaldo Silva, que escreveu boa parte dos capítulos e seguiu com maestria a ideia original do Dias, inclusive adotando o estilo do autor e fazendo o gênero regionalista render muitas outras tramas maravilhosas posteriormente.


      
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