sábado, 30 de junho de 2012

O deprimente – e deprimido – triângulo amoroso de “Top Model”


Por Marcelo Ramos* (blogueiro convidado)

Não pretendo necessariamente ser dono da razão, mas é a terceira vez que estou vendo a novela e já considero a Duda uma das mocinhas mais chatas de toda a teledramaturgia brasileira. Acho que o inconsciente dela funciona de uma forma autodestrutiva, ela gosta de viver angustiada. Mesmo que isso seja uma escolha inconsciente dela, a Duda procura os piores caminhos no amor com um único objetivo: viver sofrendo, na agonia, na angústia.           

Quando ela namorava o mauricinho Felipe Augusto (Marcello Novaes), em Salvador, ela vivia tirando onda de "amadurecida" e "bem-resolvida" com ele, mas ela só tripudiava em cima da total falta de noção dele porque ele era um babaca, que não tinha um pingo de autoconhecimento.


O Lucas não foi feito pra Duda. Decididamente, eles "não nasceram um para o outro". Lucas é marginal, é sofrido, é um fugitivo da polícia de São Paulo. Só não está atrás das grades porque saiu do Estado de São Paulo. Lucas é problemático demais, não sabe quem é seu pai, vive chorando, é um cara rebelde, foi rejeitado pelo pai, é fruto do movimento hippie dos anos 70, do qual participavam Gaspar e Suzana, sua mãe. Eles viviam o "amor livre", por isso Suzana engravidou e não sabe de qual dos dois irmãos foi. Lucas é filho de Gaspar, não de Alex, mas leva 180 capítulos para descobrir isso. Agora, com a trilha internacional e a esotérica "Stairway to Heaven", musica composta em 1970-1971, da banda inglesa Led Zeppelin, favorita de 10 entre 10 ex-hippies, tocando durante as cenas do passado de Suzana, Alex e Gaspar (o gatíssimo Eduardo Felipe, que infelizmente só voltou às novelas em 1994, em “A Viagem” e “A Próxima Vítima” e sumiu da TV), vão começar a serem exibidas em preto & branco e o drama de Suzana, dividida entre os dois irmãos vai começar a ser apresentado. 

Duda só agrava mais o processo autodestrutivo de Lucas, pois ela só cria problemas para ele. É o tipo de relacionamento que um pai não aprovaria para um filho e faria de tudo para afastá-lo dessa pessoa. O tema internacional deles é muito triste, porque reflete a imensa tristeza que um causa ao outro.

Já a Giulia, desde que chegou de São Paulo e conheceu Lucas no jantar oferecido por Morgana, só fez ajudá-lo, descompromissadamente, de coração aberto. Ela ajudou um desconhecido apenas por ser caridosa, por compaixão do grave quadro psicológico em que viu um vizinho, amigo de seu pai. Ela poderia ter ajudado Lucas como poderia ter ajudado qualquer outra pessoa que fosse um amigo em potencial, numa cidade estranha. Quando Giulia chegou ao Rio, Lucas estava em estado de petição de miséria. Ele estava no fundo do poço. Ela cuidou dele, mediu a febre dele, fazia sopinha pra ele e o agasalhava, além de ter sido ótima confidente e excelente conselheira. Pintou um clima e ela se apaixonou por ele. O namoro de Lucas e Giulia é alegre, eles vão ver o mar, curtir a beleza do Rio de Janeiro, riem, se beijam, são soft. Por isso, Morgana e Silas, mesmo tendo conhecimento de toda a problemática de Lucas, dão todo o apoio ao relacionamento deles, enquanto o protegem da má-influência de Duda, que sempre que aparece no apartamento de Morgana, é pra trazer mais problemas pro cara. A Duda vai ganhar essa competição no final da história, mas eu não acho justo. Enquanto Giulia cuidava de Lucas, praticamente sendo enfermeira dele, Duda estava envolvida com seus delírios de perseguição e com sua carreira como modelo.

Vídeo acima: Duda vê Lucas e Giulia juntos
 
Vídeo acima: Final de Lucas e Duda

Duda e Lucas, pra resumir, são de universos diferentes. Por mim, Felipe Augusto voltaria de Salvador, alugaria um quarto-e-sala na Zona Sul com ela e eles levariam adiante a carreira de modelo dos dois, como aconteceu no período em que ele voltou atrás dela. As mães deles, Cleide (Suzana Faini) e a dondoca Clarice (Ilka Soares) são baianas, soteropolitanas, estudaram juntas na mesma escola, formaram-se juntas. Por mais fresca que Clarice seja, ela é amiga de Cleide. Está tudo em casa. Ainda mais agora que Cleide conseguiu realizar-se através de Duda (Cleide é uma manequim de passarela frustrada, como já falou diversas vezes e projeta o sucesso na filha). Pronto! Duas peruas baianas, colegas de juventude, unindo seus filhos. O final perfeito pra eles e viveriam felizes para sempre.





*Marcelo Ramos é formado em Publicidade pela UFRJ e mestrando em Comunicação pela mesma Universidade. É sempre uma honra ter os seus textos postados no blog.

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Bom, como o texto demorou pra ser aprovado, algumas mudanças aconteceram na reprise que está no ar.

    Lucas soube, na quinta-feira (capítulo 139), que seu pai é Gaspar e não Alex - que o havia enganado, por pura maldade.

    Também com a descoberta pelo detetive Silas (Luiz Carlos Arutin), da carta destinada a Alex, escrita por Suzana, ficou claro que Suzana sempre rejeitou a paixão de Alex e teve apenas Gaspar como amante. Por isso, ela nunca teve dúvidas de que o pai de Lucas é Gaspar.

    Eu fiz confusão porque me recordo das cenas (citadas no texto) em flashback, onde os irmãos Gapar Alex se lembram, com muito pesar, da disputa que os dois viveram nos anos 60 pelo amor de Suzana. As cenas ainda não foram exibidas na reprise do Viva, mas elas começaram timidamente, até que todoo passado do trio surge, mostrando que desde aquele tempo Alex já era mau e invejoso, funcionando como pedra no caminho do relacionamento de Gaspar (André Felipe)e Suzana.

    Em tempo: não lembrei desse detalhe, mas ainda em 1990, pouco depois de fazer o Gaspar jovem, o ator André Felipe foi o nativo de Fernando de Noronha, Chico, na minisérie "Riacho Doce", na TV Globo.

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  3. Sidney Rodrigues1 de julho de 2012 17:17

    Acho que a Duda e o Lucas não tem nada a ver, ela realmente deveria ficar é comigo. heheheh

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  4. Não vi Top Model, mais pelo que li já vi que esse triangulo deu o que falar.
    Particularmente adoro triângulos amorosos, principalmente daqueles que a gente que assiste fique na dividido. Nas recentes Araguaia e A vida da gente tivemos dois muito bons. Quase sempre o casal que se forma no final não me agrada rsrs mais ta valendo.

    http://brincdeescrever.blogspot.com.br/

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  5. Deprimente é saber que o Taumaturgo Ferreira era galã! :p
    Lucas - www.cascudeando.zip.net

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    1. FALANDO SOBRE ATORES

      "É difícil de agüentar aquela voz de Taumaturgo Ferreira, mais apropriada para personagem de Chico Anysio. Não dá, por mais esforço que se faça. Aliás, até agora, o seu melhor trabalho foi em Anos Dourado. Desde então, vem dizendo textos com aquele tom modorrento. Sem nenhuma variação. Foi assim em Mandato e o mesmo acontece neste desastre que tem por título Top Model. Como Lucas, ele faz o possível para ser aceito. Principalmente pela belíssima Malu Mader. O que já aconteceu na vida real. Até aí, tudo bem. Mas a coisa fica feia quando seu personagem quer dar uma de charmoso e elegante. E põe roupas, se produz e até pergunta para a avó, a "brejeira" Eva Todor, se está bem. Ela concorda. Os personagens de Eva nunca foram muito de discordar.

      O grande desacerto desta novela, porém, como trabalho de ator fica por conta de Nuno Leal. Maio, ainda falando como o Tony Carrado, o bicheiro que perdeu Vera Fischer para Felipe Camargo na mesma Mandala, onde Taumaturgo fazia o marido da Jocasta jovem, Giulia Gam. Nuno Leal Moia também não teve sorte com seu personagem em Top Model, mais próximo de um Noé dos anos 70, sobrevivente das dunas da Gal. Vamos ver se estes dois atores, em próximos trabalhos, voltam a acertar, como já aconteceu em tempos idos. Esperamos, no entanto, que Glorinha Beutenmuller dê um jeito naquela voz do nosso jovem Taumaturgo."

      Arthur Laranjeira
      Jornal "O Dia"
      04 de fevereiro de 1990

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  6. nossa, como eu achava isso tb qdo vi.... a Giulia era um amor e o tema deles também é lindo, wish you were here...mas fazer o quê, né? alguns autores não têm coragem de mudar...estranho que o Walter Negrão por vezes mudava os pares definitivos de suas novelas...Podia fazer um texto só sobre isso, né? tb temos o Caco Ciocler em Chocolate com pimenta que o público torceu pra acabar com a Aninha na época.

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  7. Também considero a Duda uma mocinha chatíssima: uma atrevidinha mal-educada super pedante e sem sal. Fãs de Malu Mader que me perdõem, mas parece que ela transparecia uma falta de vontade nessa personagem, não curti mesmo. Sou muito mais a sua concorrente no mundo da moda Carla: altiva sem ser grosseira, mais pra cima, positiva.

    Quanto ao triângulo amoroso, concordo com o texto: Duda é a paixão, só que representa algo destrutitvo para o também chato Lucas, enquanto ao lado de Giulia ele ecnontra a paz e a serenidade num relacionamento mais estável.

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  8. Pois então, meninos: eu tinha 15 anos na primeira exibição da novela (e na reprise do VPVN) e nas duas apresentações em 1990, eu e meus dois irmãos detestávamos a Giulia, por ela "se intrometer" no meio do casal romântico da trama.

    Hoje, 22 anos mais velho e mais experiente, eu mudei totalmente de lado. Mesmo porque eu me vejo espelhado na Duda, causando mal-estar nas pessoas por quem me apaixono, fazendo confusão o tempo todo e servindo de elemento de dispersão na vida dessas pessoas.

    O namoro de Giulia e Lucas, como disse o Emerson, é tão saudável, eles vão À praia, passeiam, comem algodão doce, fazem carinho... Tem Bee Gees tocando de fundo. Será que daqui a 22 anos eu terei tido algum relacionamento nesse patamar? Ou serei uma eterna Duda Pinheiro, narcisista e egoísta, causando tribulação na vida das pobres pessoas por quem me apaixono?

    Não pensem que essa situação não me desperte a autocrítica, não! Os altos e baixos de Duda são muito parecidos com o que eu tenho vivido na vida pessoal, talvez por isso eu rejeite tanto o modo como ela se comporta, esse narcisismo inveterado dela e a falta de semancol em perceber que a avó do Lucas quer ela a quilomêtros de distância do seu neto, que ainda está em fase de recuperação.

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