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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Das ruas para o estúdio


Em meio a tantas histórias essa podia ser mais uma contada por um artista que vive a se reinventar, Adilson Dias já contou para o público deste blog sua historia de superação. Detalhes de como foi ser menino de rua e virar um diretor de teatro com a ajuda do teatrólogo Sergio Britto, o que foi conviver com as crianças chacinadas na Igreja da candelária e montar uma polêmica paixão de Cristo na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
Hoje Adilson Dias se revela um poeta das artes e em suas muitas facetas, a descoberta da música. Intuitivo e autodidata, ele passou a vestir seus versos com música e partiu para as ruas com seu violão. Dessa vez sem pés descalços, sem canivete ou gargalho de garrafa, mas como artista que é hoje. O poeta vem cantando e encantando nos trens da Super via e nas praças por onde passa.

Em suas andanças o seu som acabou parando em um estúdio musical. Com a ajuda do produtor Guilherme Gê, que percebeu o talento do ‘Poeta de Rua’ e decidiu produzir suas canções.  Gê que já produziu grandes nomes da musica brasileira como Sergio Brito dos Titãs, Luis Melodia e Roberto Menescal, vem investindo na descoberta de novos talentos da MBP e Adilson Dias é um deles. Confira o bate-papo com Adilson Dias:

Como aconteceu seu encontro com o Guilherme Gê?

Eu assistia ao programa Dando as Letras, do canal Music Box Brasil da TV por assinatura. Um programa apresentado por Guilherme Gê, Alan Dias e Marcos Suzano. Decidi procurar o Guilherme no Facebook e ficamos amigos, trocamos algumas ideias e lhe enviei o áudio de minha canção, gravado no celular mesmo. Ainda muito receoso de receber um não, mas ele gostou do que ouviu e me chamou para gravar. Eu dei pulos de alegria e não acreditei no que estava acontecendo. Tomei coragem e fui.

Você me disse que nunca havia entrado num estúdio de música profissional. Fala do processo de gravação...

Ainda estou na gravação da primeira canção que foi feita no Estúdio Hanói, em Botafogo (RJ). Quando eu cheguei ao estúdio foi um baque. O lugar é maravilhoso, parece uma nave espacial. Tocar e cantar em um estúdio num silêncio total é muito diferente de fazer isso numa rua com muita poluição sonora. Era como se eu estivesse patinando no gelo depois de ralar muito os meus pés e minha garganta no chão grosso.

A música em sua vida é algo recente...

Foi no ano de 2012, quando voltei de Cuba e percebi certa musicalidade em meus versos. Então comprei um violão em um brechó e comecei a bater tentando tocar. Aprendi algumas notas em uma revistinha de música e hoje faço acordes que não sei o nome. Ando pelo braço do violão como se fosse a extensão do meu próprio braço, ouço minhas palavras vestidas com som e tenho muito prazer em fazer isso. Não me considero um cantor, mas gosto de cantar e poder dizer o que penso em minhas canções. 

Fale sobre as canções que comporão seu primeiro CD independente. A propósito, alguém está o financiando? Existe mercado musical para o seu trabalho? 

São canções autorais mais politizadas e também coisas que falam de amor e outros universos. O titulo vai ao encontro com o que vivo no cotidiano de tocar e cantar pelas ruas da cidade, minha poesia sempre bem-vinda nas margens urbanas. Não penso em expor meu trabalho atrelado a um Rio de Janeiro de uma mídia alienada que vende a cidade como uma referência internacional de arte e cultura, mas que fecha as portas para o fluxo cultural existente na mesma. Pra mim, o Rio que vivo está aberto. Aberto para as artes do gueto em suas ruas, favelas e periferias. Quando não há palco e nem foco de luz, tem sempre uma calçada e uma gambiarra pra eu fazer um show. 

Às vezes penso que seria muito mais comercial se eu fosse só “uma linda história de superação”, mas eu penso e falo o que penso. E isso não é legal para esse sistema alienador. Um suposto ‘mercado musical’ alucinante sofrendo de amor e agressão. Por isso, na dúvida: “Se dou na cara dela ou bato em você” eu não pago cinquenta reais! (risos)...

Estou estudando a possibilidade do financiamento coletivo para terminar de fazer o CD. Quero entregar um bom trabalho ao publico que estou conquistando. Venho estudando, buscando e me esforçando para isso. Uma qualidade sonora que vista com sinceridade os meus versos.

Um caminho alternativo no atual cenário de produção industrial...

O caminho para mim é fazendo shows em espaços mais alternativos, coisa que já faço. Procurar um selo que se interesse na comercialização do meu trabalho e divulgar. Não dá para ralar tanto, fazer um CD e colocar na gaveta. Eu tenho plena consciência da crise fonográfica existente em nosso país, mas o que mais me preocupa é a crise auditiva. Às vezes parece que todos estão com o ouvido no mesmo lugar, querendo ouvir repetidas vezes as mesmas coisas. Caindo no feitiço dos jabás financiados pelos fazendeiros universitários que não se formam nunca. Não me preocupo com o que está na moda, faço o que acredito e o que me faz bem. Ter discernimento sobre o que eu ouço é o que me inspira e me faz feliz.

Você ouve...

Não vou cair no clichê de dizer que ouço de tudo um pouco, porque estarei mentindo. Ouço Beatles, Caetano Veloso, João Gilberto, Nina Simone, Lenine e por ai vai. Querendo ou não, pra mim o que ouço influencia diretamente na minha musicalidade, por isso preciso ter critérios no que estou ouvindo e também ter um pensamento critico sobre o mundo que estou vivendo.

Margens Urbanas é o título do seu CD. Qual é a proposta desse trabalho?

Eu espero conseguir comunicar, tocar nas pessoas. Acho que pra fazer algum sentido. Não quero ser genial, quero só fazer música e ser feliz.

Que venha Margens Urbanas... Sucesso e obrigado!   

sábado, 12 de julho de 2014

Ei, Júlia - último capítulo

Perdeu o capítulo anterior? Clique aqui.

EI, JÚLIA
ÚLTIMO CAPÍTULO

WEB NOVELA DE
ISAAC SANTOS

ESCRITA COM A COLABORAÇÃO DE:

ALEX SPINOLA
LEANDRO BRASIL
RAFAEL BARBOSA
RAUL FELIPE SENNGER

CENA 1. APTO DE TÉRCIA. SALA PRINCIPAL. INT. DIA
Convidados inquietos com o atraso de Marcelo. O buchicho é cada vez maior. CAM vai buscar Rosana e Mercedes, que estão em algum canto da sala.
ROSANA         - Que atraso da porra é esse? Será que o Marcelo vai dar pra trás, Mercedes?
MERCEDES - Não, acho que não. O Marcelo mudou muito depois que conheceu a Júlia. Ele queria tanto esse casamento, tava tão apaixonado... Deve estar estourando por aí já, já.
Enquanto Mercedes falava, Rosana olhava para Aurélio, que, sozinho do outro lado da sala, tomava uma taça de champagne e a observava.
MERCEDES – Tá me ouvindo, Rosana? O que é que tú tanto olha, hein?
ROSANA         - (dando um risinho) Nada, ué!
MERCEDES   - (percebendo) Sei...
Flávia está numa conversa com Mildred, mas não tira os olhos de Aurélio.
MILDRED        - A Tércia deve estar uma pilha de nervos. Imagina a noiva lá dentro. (T) Você é que nem demonstra inquietação pelo atraso do noivo.
FLÁVIA            - Não, é que eu já estou acostumada com esses atrasos. O diferente aqui é que o noivo é o atrasado da história. Mas da parte da organização tá tudo ok.
Corta para Amélia angustiada em um canto. Mercedes se aproxima dela.
MERCEDES   - E aí, dona Amélia, como é que está a Júlia?
AMÉLIA           - Tá aperreada. Já nem sei mais o que dizer pra acalmar os nervos dela.
MERCEDES   - Fica calma, dona Amélia. Ó, conheço o noivo faz tempo. Tenho certeza que já, já ele está por aqui.
AMÉLIA           - Deus lhe ouça, minha filha.
Corta para Justiniano, Osvaldo e Zoraide em outro canto.
JUSTINIANO  - Mas será possível que esse cabra vai desistir do casamento?
ZORAIDE        - Deve de ter acontecido. (T) Já imaginou a Júlia passar por um vexame desses?!
OSVALDO       - Olha lá, painho, a mãe do cara tá conversando com o juiz.
ZORAIDE        - E ele já tá agoniado também.
Corta para Tercia conversando fora de áudio com o juiz de paz, que demonstra, embora discretamente, já estar chegando ao seu limite. Tercia se afasta dele e se coloca no centro da sala. Pede a atenção dos convidados.
TERCIA           - Eu quero pedir um minutinho da atenção de todos. (T) Sabemos que o meu filho Marcelo está um tanto atrasado, mas eu peço que tenham só mais um pouco de paciência. (T) Estamos em família, entre amigos próximos, então imagino que todos saberão compreender. O Marcelo deu um pulo lá em Feira de Santana pra tomar posse na Universidade e muito provavelmente aconteceu algo lá que tenha causado esse atraso. Infelizmente a data coincidiu com a do casamento, e não se pode alterar nenhuma das duas. Mas eu tenho certeza que ele já deve estar chegando. Peço desculpas a todos vocês, principalmente ao senhor juiz. (ao juiz) Obrigado pela paciência, doutor Ademar. 
Todos parecem compreender. Tércia tenta disfarçar a sua preocupação. Amélia percebe e se aproxima dela.
AMÉLIA           - Eu também continuo preocupada, mas já estou orando em espírito. Vai dar tudo certo!
Corta para:

CENA 2. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Celular de Júlia tocando. Ela continua muito aflita. Amélia também está no quarto.
AMÉLIA           - Não vai atender, filha?
JÚLIA               - Atende pra mim, mainha.
AMÉLIA           - (ao tel) Alô... Quem?... Ah, oi, Rosinha, tudo bem?... A Júlia? A Júlia tá aqui, toda nervosa. É... (pausa) Tá, tá bom, eu vou passar pra ela. Beijo!
Amélia entrega o celular para Júlia, que tenta disfarçar certo incômodo.
JÚLIA               - (a Amélia) Mainha, eu tava querendo falar com o Danilinho. Será que a senhora podia chamar ele lá embaixo?
Amélia sai. Só então Júlia começa a falar com Rosa Maria.
JÚLIA               - (ao tel) Alô, tudo bem, Rosinha?
ROSA MARIA - (off, tel) Oi, Júlia! Eu não vou poder falar muito, porque eu tô ligando da casa da dona Erundina. (pausa) Olha, Julinha, eu pensei muito em te ligar antes. Talvez você preferisse nem falar comigo, mas é que eu queria muito ouvir a tua voz. Mesmo que fosse pela última vez...
JÚLIA               - (ao tel) Não, que é isso? É muito bom falar contigo. (T) Rosinha, faz o seguinte: Me dá o número de onde tu tá ligando, que eu retorno a ligação. (procura um bloco de papel e uma caneta) Peraí, só um minutinho... (encontra o que procura) Pronto, pode falar... (pausa) uhum... Sei... Tá, já anotei tudo. Aguarda aí, que eu já te ligo!
Júlia desliga o celular no momento em que Danilo entra no quarto.
DANILO           - Licença...
Júlia olha séria para ele, como quem diz: “foi você, né?”, e faz um gesto para que ele feche a porta. Danilo obedece. Júlia retorna a ligação do telefone da cabeceira da cama.
JÚLIA               - (ao tel) Oi, Rosinha, sou eu...
ROSA MARIA - (off) Como eu tava dizendo, eu queria falar contigo há um tempão. Não liguei antes porque fiquei constrangida, com vergonha... Agora... Agora acho que já é tarde demais, né?
JÚLIA               - (ao tel) Claro que não!
ROSA MARIA - (off, esperançosa) Não?!
JÚLIA               - (ao tel, casual) Não. Aconteceu um contratempo, a cerimônia tá atrasada... (meio ácida) Eu não taria aqui falando contigo agora se tivesse acabado de me casar, né?
ROSA MARIA - (off, triste) Desculpa se eu tô atrapalhando. Eu... Eu só quero que você saiba que... que eu continuo gostando muito de você e que eu desejo que você seja muito feliz, assim como eu também espero ser um dia.
JÚLIA               - (ao tel) Tenho certeza que nós duas vamos ser muito felizes, minha amiga. (T) Olha, desculpa se eu acabei sendo grossa, mas é que eu tô muito nervosa, nem sei direito o que eu tô falando. Outra hora a gente conversa, tá? (pausa) Tá bom. Outro pra você. Tchau.
Júlia desliga o telefone e encara Danilo. Durante toda essa cena o cachorrinho Tico esteve andando pelo chão do quarto. Corta para:

CENA 3. RODOVIA BAIANA. EXT. DIA
Abre na BR 324. Vemos um congestionamento quilométrico no sentido Feira de Santana-Salvador. Há alguns policiais perto de uma viatura da polícia rodoviária. Corta pra uma ambulância do SAMU, onde profissionais deste serviço prestam os primeiros socorros a Marcelo. O estado dele é gravíssimo. Corte descontínuo: Sirene da ambulância é ligada. Carros vão abrindo passagem.
Corte para:

CENA 4. ENTRE SERTÕES. RUAS/PRAÇA. EXT. DIA
Acompanhamos Rosa Maria caminhando por algumas ruas até a pracinha principal. Ela senta num banco. Está desiludida. Um garotinho que passeia por ali com seus pais se aproxima dela e lhe dá uma flor. Ela sorri pra ele, que depois corre na direção dos pais. Tempo na tristeza de Rosa Maria. Música “Mentiras” de Adriana Calcanhoto, de fundo. Corta para:

CENA 5. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Danilo e Júlia. Conversa em andamento.
DANILO           - Eu não achei que teria problema passar o teu número pra Rosinha... Cês duas sempre foram tão amigas...
JÚLIA               - Eu sei, mas é que eu não gosto que ninguém tome decisões por mim. Olha aqui, Danilinho, você tá proibido de dar o meu número pra quem quer que seja sem me consultar antes.
DANILO           - Tudo bem. Desculpa.
JÚLIA               - (nervosa) E o Marcelo que não chega, hein! Já tô ficando agoniada, esse vestido tá começando a me sufocar.
DANILO           - Deixa de besteira, tia. Você tá linda! Relaxa, que vai dar tudo certo!
JÚLIA               - (sorri) Tenho uma novidade pra te contar. Dessa vez não vai ser em primeira mão como das outras vezes, mas em segunda. (sorri, cria expectativa)
DANILO           - Vai, tia, fala! Que novidade é essa?!
JÚLIA               - (feliz) Tô grávida! Até agora o Marcelo é o único que já tava sabendo.
DANILO           - (feliz) Pôxa, tia, que novidade maravilhosa! Parabéns!
Os dois se abraçam, muito felizes. A alegria dos dois é interrompida por um grito agudo de Tercia vindo da sala. Ouvem um grande burburinho vindo de lá.
JÚLIA               - (assustada) Quê que tá acontecendo?
Júlia e Danilo saem apressados do quarto. Tico continua por ali, agora tirando um cochilo na cama. Corta para:

CENA 6. APTO DE TÉRCIA. SALA PRINCIPAL. INT. DIA
Abre em Júlia descendo a escada sem nada entender da cena. Danilo vem logo atrás dela. Tércia está aos prantos, amparada por Aurélio e Mildred. Amélia corre ao encontro de Júlia que “desaba em si” já podendo imaginar que algo de muito grave deve ter acontecido a Marcelo. Todos chocados! Música triste de fundo. Um tempo no clima de tristeza geral e corta para:

CENA 7. HOSPITAL. CORREDOR. INT. NOITE
É o mesmo hospital público para onde Júlia foi levada quando precisou de socorro. Júlia e Tercia, desoladas, estão sentadas em cadeiras dispostas no corredor. Aurélio e o médico amigo de Marcelo (também abalado, mas procurando manter uma postura profissional), conversam à parte e fora de áudio. Médico se afasta e Aurélio se aproxima delas.
TERCIA           - Então, Aurélio? O que foi que ele disse? Por que é que ainda não transferiram o Marcelo prum hospital particular?
Aurélio olha muito triste para elas. Tercia começa a desconfiar do que aconteceu.
TERCIA           - Que foi, Aurélio? Por que você tá assim? (quase chorando) Aconteceu... aconteceu alguma coisa com o meu filho?
AURÉLIO        - (sem conseguir se conter, voz embargada) Eles... não puderam fazer mais nada. O Marcelo já estava morto quando deu entrada no hospital.
Tercia e Júlia arrasadas. Aurélio se agacha diante de Júlia e com olhos marejados olha nos olhos dela.
AURÉLIO        - O médico me disse que a equipe que prestou socorro ao Marcelo ouviu claramente ele balbuciar “meu... meu filho”...
Júlia não segura as lágrimas. Tercia, surpresa, olha pra Aurélio. Por um instante aquela dúvida deles paira como um refrigério em meio a uma profunda dor. Os três começam a chorar em silêncio. Emoção, tristeza. CAM vem recuando devagar. Fusão:

CENA 8. CEMITÉRIO. EXT. DIA
Abre no cortejo de familiares e amigos em direção ao local onde o corpo de Marcelo será sepultado. Júlia caminha amparada por Amélia e Danilo, ladeados por Justiniano, Osvaldo, Zoraide, Mercedes, Rosana, Flávia, Aurora, a empregada de Tércia. Tercia vem abraçada com Aurélio e Mildred. O médico e demais amigos de Marcelo, além de colegas e alunos, também estão por ali. A secretária e demais funcionários da clínica de Tércia, além de seus amigos, e amigos de Aurélio também acompanham o cortejo.
Corte descontínuo:
PADRE, fora de áudio, diz algumas palavras de conforto aos familiares e amigos. Todos o acompanham numa prece.
CAM vai buscar a expressão dos personagens principais. Vemos Amélia, que embora evangélica, se mostra respeitosa ao ritual e ora em silêncio, ao seu modo. Instantes. Caixão vai descendo à sepultura. Reação de Júlia já mais contida em seu sofrimento, de Tércia que faz como quisesse ir junto com o filho. Aurélio a contém com um forte abraço. Tristeza.
Uma ALUNA de Marcelo começa a cantar “To Sir With Love” de Lulu e é logo acompanhada em coro por alguns dos demais alunos presentes. O áudio é abafado pela mesma música, agora na voz da própria Lulu.
Num cantinho, mais afastadas, encontramos Mercedes e Rosana, que consternadas observam tudo. Rosana parece agoniada com sua vestimenta negra sob o forte calor.
MERCEDES - (baixo) Que agonia é essa, Rosana?
ROSANA         - (com aquele jeitinho dela) Calor da porra. Não tá agoniada, não?
MERCEDES   - Tô, mas não fica bem se abanar todinha assim. Parece mais que tá é com fogo. (T) Também escolheu logo essa roupa. Luto fechado é só pra parente, minha filha. O povo vive falando na televisão.
ROSANA         - (cochichando) E tu acha que eu ia me vestir de qualquer jeito pra enterro de gente rica? Olha como tá todo mundo aprumado, (tom de cochicho logo se esvai, e ela passa a falar gesticulando) olha pra isso, que coisa fina é enterro de grã-fino: Todo mundo chora baixinho, ninguém se joga por cima do caixão. (tom de fofoca) Menina, teve um enterro de um tio meu, que a mulher dele se rasgou todinha, de peito pra fora e tudo! Ave Maria! Pense na vergonha.
Mercedes já não sabe onde enfiar a cara. Flávia, mesmo de longe, as repreende com um olhar fulminante. Mercedes dá uma cotovelada em Rosana.
MERCEDES   - (falando quase entre os dentes) Daqui a pouco tá é todo mundo olhando pra nossa cara, Rosana. Olha lá a tal da Flávia.
ROSANA         - Aquela dali faz é tempo que tá medindo a gente de baixo pra cima. Deve ser inveja! Eu continuo uma gostosa mesmo assim chorosa, de luto.
Mercedes vai saindo à francesa e puxa Rosana consigo.
ROSANA         - Ave Maria, Mercedes, tu tá é machucando meu braço. Me solta.
MERCEDES   - Fica aí falando besteira o tempo todo. Respeita a porra da morte dos outros. Esqueceu que é o Marcelo quem tá ali sendo enterrado?
ROSANA         - É, tá certa! (T) Mas eu não tava falando nada demais, não.
CAM vai buscar amigos e familiares, tanto de Júlia quanto de Tércia, que recuam, deixando espaço para que elas, abraçadas, ao lado de Aurélio, prestem suas últimas homenagens a Marcelo. Ambas depositam flores sobre o caixão.
Corta para:

CENA 9. APTO DE TÉRCIA. SALA. INT. DIA
Justiniano, Amélia, Danilo e Zoraide estão prontos pra voltar pra Entre Sertões. Conversam (fora de áudio) com Tércia e Aurélio, já perto da porta. Osvaldo e Júlia conversam à parte.
OSVALDO    - (voz embargada) Então, minha irmã, tu me perdoa?
Júlia pensa um pouco.  
JÚLIA             - Eu sei que eu tive um comportamento errado, que eu não agi certo. Eu sei disso. Mas eu acho também que eu não merecia ser tratada daquele jeito.
OSVALDO    - (contrito) É, eu sei.
JÚLIA             - Durante muito tempo eu senti um ódio danado de você. Quando eu me lembrava das coisas que você me disse, da surra de cinto, dos seus gritos. (T) No fundo eu te culpava pelas coisas terem chegado a uma situação extrema. (T) Mas teria sido pior...  Se eu não tivesse mais nenhum tipo de sentimento por você. Foi por te amar tanto, meu irmão, que doeu muito em mim. (T) Mas tudo o que eu venho passando nos últimos tempos tem servido pra eu repensar a vida, refletir sobre uma série de coisas.
Osvaldo emocionado ouve com atenção.
JULIA             - Eu não vou te pedir perdão, porque sinceramente eu não vejo motivo pra isso. Mas acho que eu cansei de te odiar, ou desisti, sei lá. (Silêncio, os dois se olham, emoção aumenta) Eu te perdoo, meu irmão.
Osvaldo sorri. Abraço caloroso deles. Tempo na emoção dos irmãos abraçados, chorando. Tico se aproxima todo serelepe. CAM vai buscar, Tercia, Danilo, Justiniano, Amélia, Zoraide e Aurélio, que param de conversar e observam emocionados, a reconciliação dos irmãos.
Corta para:

CENA 10. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Tercia conversa com Júlia num tom de saudosismo.
TERCIA           - Ele tava tão feliz, né? Tão feliz...
As duas ficam em silêncio um pouco. Tercia procura sorrir, apesar da tristeza.
TERCIA           - Eu sei que você e o Marcelo planejavam nos fazer uma surpresa com essa gravidez. Infelizmente as coisas não saíram como vocês planejaram, mas apesar de tudo, apesar de toda essa tristeza que eu tô sentindo, é um consolo pra mim, saber que tem uma sementinha do meu filho crescendo dentro de você. (T) Eu e o Aurélio... A gente não sabe direito como agir nessa situação, mas vamos procurar um advogado e nos orientar sobre todas as providências que devem ser tomadas para que essa criança seja devidamente registrada no nome do Marcelo. Eu tenho certeza que esse filho ou filha vai nos trazer muitas alegrias. Essa criança é um pedacinho do Marcelo que vai continuar sempre conosco.
JÚLIA               - (emocionada) Eu decidi que... se for menino vai se chamar Marcelo. Marcelo Filho. E se for menina... Por que não, Marcela?
TERCIA           - (sorri) Uma coisa eu te garanto: não vai faltar nada a você nem ao nosso neto ou neta.
As duas se abraçam muito emocionadas, lágrimas nos olhos.
JÚLIA               - (desfaz o abraço) Tércia, eu não fui com eles hoje, mas eu to pensando em passar uns dias com a minha família.
TERCIA           - Ah, eu acho que vai te fazer muito bem, passar uns dias com a sua família, com os seus amigos... Até eu iria se pudesse!
Nas duas se olhando com cumplicidade, o corte:

CENA 11. STOCK-SHOTS. EXT. DIA/NOITE/DIA
Passagem de tempo: Imagens aceleradas de diferentes pontos de Salvador, terminando na fachada do Aeroporto Luis Eduardo Magalhães sob a legenda: MESES DEPOIS.

CENA 12. AEROPORTO. SAGUÃO. INT. DIA
Tercia e Mildred caminham em direção ao guichê da companhia aérea.
MILDRED        - Tô feliz por você ter se permitido essa viagem, e claro, mais feliz ainda por estar fazendo parte dela. Quinze dias entre Lisboa e Paris era tudo o que a gente estava precisando.
TÉRCIA           - (suave tristeza) Acho que o Marcelo, de onde quer que ele esteja, também está feliz por isso, Mildred.
MILDRED        - Tenho certeza que sim, amiga! Bom seria se a Julia pudesse ir com a gente.
TÉRCIA           - Mas com aquele barrigão, nem dava, né? (T) Eu te falei que ela chamou o sobrinho pra morarem juntos no apartamento? (Mildred faz que não) Então, eu passei o apê do Marcelo pro nome dela. Aí ela me perguntou se havia alguma problema em o Danilo vir morar com ela. E é claro que não. Eu acho até que é muito bom pra ela.
MILDRED        - Ah, sim, o sobrinho dela é aquele rapazinho fofo que você contratou como Office-boy pra sua clínica?
TÉRCIA           - Ele mesmo. Menino bom, interessado!
MILDRED        - Ô, amiga, mudando de assunto: E o Aurélio, hein? Voltou mesmo com a Flávia!
TÉRCIA           - Olha, se voltaram é porque se gostam, se merecem, e combinam bem um com o outro. Ela é ciumenta até a alma e ele não cansa de dar motivos. Tomara que se resolvam!
MILDRED        - Ah, mas ela é muito dramática, Tércia.
TÉRCIA           - E esse papo, hein? Vamo falar de coisa boa? (riem)
Elas continuam na fila do guichê da companhia aérea. Close de Tércia, que por um instante parece perdida em seus pensamentos. Entra a música “Saudades de Amar” de Nana Caymmi, de fundo. Corta para:

CENA 13. CLÍNICA MEU BICHO. ANTESSALA DE TÉRCIA. INT. DIA
Abre na secretária fazendo recomendações de praxe a Danilo, que ouve tudo atentamente antes de sair. Ele está feliz pela oportunidade.
SECRETÁRIA         - Então é isso, Danilo: banco e depois entregar as notas lá no contador.
DANILO           - Tudo certo, Yasmim, vou num pé e volto no outro.
SECRETÁRIA - Não precisa pressa, Danilo. Antes eu queria que você botasse esses documentos (pega uma papelada) no arquivo. Eu tô meio atolada hoje.
Danilo sorri, toma a papelada das mãos de Yasmim. Ao se virar se choca violentamente com Aurélio. Papelada se espalha pelo chão da sala.
SECRETÁRIA         - (toma aquele susto) Gente!
Yasmim esboça ajudá-los, mas toca o telefone. Ela atende. Rapidamente, Danilo se abaixa para recolher os papéis. Aurélio faz o mesmo. Eles se encaram.
AURÉLIO        - Desculpa aí, meu camarada, é que o mau-jeito (aponta para si) passou por aqui e ficou.
DANILO           - Imagina, não foi culpa do senhor, eu é que sai de cabeça baixa, conferindo a papelada.
AURÉLIO        - (fazendo graça) Ai, ai, ai, que agora doeu!
DANILO           - (assustado) O que foi? O senhor se machucou?
AURÉLIO        - Ai, ai, ai, que agora doeu mais!
Yasmim, ao telefone, ouve os gemidos de Aurélio, mas percebe ser brincadeira. Aurélio termina de recolher a papelada e se levanta num pulo. Danilo vem com ele. Instantes. Um encara o outro.
AURÉLIO        - Você tá vendo algum senhor, rapaz?!
Danilo suspira aliviado. Aurélio dá uma de suas gargalhadas. Danilo ruboriza, mas fica em silêncio.
AURÉLIO        - (abraça) Eu sou palhaço assim mesmo.
No abraço, Danilo sorri encabulado. Aurélio o segura pelos ombros e o encara mais uma vez.
AURÉLIO        - Vem cá, você não é parente da Júlia?
DANILO           - Sou sim. Sou sobrinho dela.
Aurélio se volta pra secretária.
AURÉLIO        - Eu vim buscar um documento que Tércia deixou aí, Yasmim.
SECRETÁRIA         - Claro, seu Aurélio. Tá ali na sala dela. Vou lá pegar.
A secretária sai. Danilo arquiva os papéis e se retira. Aurélio o acompanha com o olhar. Corta para:

CENA 14. FACHADA DA CLÍNICA/RUA/CARRO. EXT/INT. DIA
Danilo, munido de uma pasta, sai do prédio e caminha pela calçada no sentido do ponto de ônibus. Aurélio sai do prédio logo em seguida. Ele avista Danilo e entra em seu carro, que está estacionado por ali. Carro vai saindo devagar até alcançar Danilo. CAM acompanha essa movimentação e a breve conversa deles fora de áudio. Do ponto de vista de Aurélio, vemos Danilo se aproximar e entrar no carro. O carro de Aurélio segue adiante e dobra uma esquina. Corta pro interior: Danilo está pouco à vontade. Aurélio ri.
AURÉLIO        - Impressão minha ou você tá tenso?
DANILO           - (ri, respira fundo e relaxa) Não, é besteira minha.
AURÉLIO        - (morde o lábio) Sim, sei como é...
Aurélio repousa uma das mãos na coxa de Danilo, que continua olhando pra frente, mas sorri. CAM recua do interior do carro. Vemos o carro se distanciando. Corta para:

CENA 15. APTO DE FLÁVIA. QUARTO DO CASAL. INT. DIA
Aurélio está tomando banho. Flávia fuça nos bolsos das roupas dele. Conversa ao meio.
FLÁVIA            - Ah, mas você sabe como é a Márcia: Ela tem insistido pra gente ir nesse jantar na casa dela.  
AURÉLIO       - (off) A Márcia é chata pra caralho. Se eu não for, você vai e dá uma desculpa qualquer lá.
FLÁVIA            - Na boa, Aurélio, mas você fala isso de todas as minhas amigas. (T) Se não quer ir, não vamos. A gente fica em casa, inventa alguma coisa.
Som de chuveiro ligado. Aurélio vem de mansinho saindo do banheiro. Flávia é flagrada.
AURÉLIO        - (rindo) você continua a mesma, hein?
Reação de Flávia.
FLÁVIA            - (disfarça o susto) O que é? Eu continuo a mesma, sim senhor.  
Ela se aproxima dele, provocante.
FLÁVIA            - Você sabe que eu sou louquinha por você. Sabe que eu sou capaz de tudo por você, né seu cafajeste?
Aqui entra a música “A Maçã” de Deborah Blando, de fundo. Flávia começa a beijá-lo na boca, no rosto, no pescoço. Sua boca percorre o corpo molhado e nu de Aurélio. Ela se abaixa diante dele. Do ponto de vista de Flávia, vemos Aurélio sorrir de um jeito sacana.  
Corta para:

CENA 16. ENTRE SERTÕES. EXT. DIA
Clipe de imagens da cidade, terminando na fachada do Boteco Cai Duro.

CENA 17. BOTECO CAI DURO. INT/EXT. DIA
Um dia comum: TV ligada, clientes sendo atendidos por um efusivo Osvaldo e pelos dois rapazes que o ajudam. Zoraide no caixa. Corte descontínuo: O movimento agora é menor. Do ponto de vista de Zoraide, vemos Osvaldo de costas pro boteco, em pé na calçada. Ele observa a rua, as pessoas que passam, se perde em pensamentos. Zoraide vai até ele, e o abraça. Ele sorri e retribui o abraço.
ZORAIDE        - Tudo bem?
OSVALDO       - Tá sim!
Zoraide desvia o olhar pro outro lado da rua. Corta para Justiano e Amélia, vindos caminhando na direção do boteco.
ZORAIDE         - Espia quem vem ali!
OSVALDO       - (feliz) Oxente, é painho e mainha!
Justiniano e Amélia finalmente chegam e são abraçados pelo casal.
OSVALDO       - Mas que coisa boa receber vocês aqui. Painho vem sempre, mas a senhora, mainha! Que milagre é esse?
JUSTINIANO      - Quarenta e cinco, filhão... Quarenta e cinco anos! Não são dias, né?
Osvaldo olha surpreso para os pais.
ZORAIDE        - De casados? (Justiniano faz que sim) Mas tudo isso? Será que a gente chega lá, Osvaldo?
AMÉLIA           - O Tino tava querendo que eu fizesse uma maniçoba e chamasse vocês pra comer lá, pra gente comemorar. Oxe, eu fui é logo falando que eu queria era comer fora.
Todos riem.
OSVALDO       - Tá certa, minha véia?  
Zoraide faz sinal pra que eles entrem.
ZORAIDE        - Vou caçar um cantinho pra gente, seu Tino e dona Amélia. Eu e Osvaldo vamos almoçar com vocês.
OSVALDO       - (a um dos ajudantes) Pega uma breja bem geladinha pra gente! (olha pra mãe) Ah, e um refrigerante!
Corta para Zoraide que se aproxima do outro ajudante.
ZORAIDE        - O movimento tá mais fraco agora. Cês dão conta né? (ele faz que sim) Qualquer coisa, chama a gente!
Zoraide se vira e observa Osvaldo carinhoso com os pais. Sorri.
Corta para:

CENA 18. APARTAMENTO DE JÚLIA. SALA DE JANTAR. INT. DIA
Júlia, já de barrigão, come por dois. Mercedes e Danilo também estão sentados à mesa. Rosana vem trazendo uma travessa de lasanha.
ROSANA         - Vai ficar aí só olhando, Danilo? Quer fazer o favor de ajudar e pegar os refrigerantes lá na geladeira?
DANILO           - (alfineta) Simpática como sempre!
Danilo sai para buscar os refrigerantes. Todos riem. Clima de alegria, descontração.
MERCEDES   - Mas tú sabe que a Júlia não pode nem pensar em tomar refri, né, Rosana?
ROSANA         - E eu não sei? É por isso que o suco de maracujá dela tá prontinho lá na jarra. Vai lá pegar!
MERCEDES   - Aproveita, Júlia, aproveita enquanto tu tá com esse barrigão. Logo as mordomias vão acabar.
Mercedes sai. Júlia ri, tocando e olhando para sua barriga.
JÚLIA               - Tá vendo como a sua mãe é querida, filho? Logo, logo cê vai fazer parte de toda essa festa aqui!
Mercedes e Danilo voltam nesse momento e tomam seus lugares à mesa.
MERCEDES   - (a Júlia) Precisa ver como tu baba olhando pra essa barriga! Ê mãe coruja!
JÚLIA               - Sou mesmo! Bem corujona! Não vejo a hora de ter essa coisinha fofa nos meus braços!
ROSANA         - Falando em coisa fofa, o que é que tu fez do Tico?
JÚLIA               - Ele tá passando uns dias com a dona Aurora, fazendo companhia pra ela, enquanto a Tercia tá viajando. (T) Ai, agora que você falou, me deu uma saudade dele! Daqui a uns dias eu vou querer o meu bichinho de volta!
DANILO           - Não é querendo cortar esse (faz biquinho, zoando) clima fofinho, não, mas será que dá pra adiantar logo o meu lado aqui na lasanha? Tenho hora pra voltar pra clínica!
ROSANA         - É, bem? Pois pode ir se servindo, que eu não sou empregada de ninguém não, tá?
JÚLIA               - (ri) Ai, como é bom ter vocês aqui comigo! Esse daí (aponta Danilo) só veio porque eu disse que teria lasanha pro almoço.
ROSANA         - Fazer o quê? Gente gulosa é assim mesmo. Só pensa em encher o bucho!
DANILO           - Não é todo dia que dá pra vir almoçar em casa. Mas eu sei que vocês fazem questão da minha presença arrebatadora!
Risos de todos, que começam a se servir. Rosana e Danilo brigando pra ver quem se serve primeiro; Mercedes já saboreando a lasanha: “hum, tá dos deuses!”; Danilo prova: “Humm... Divina”; Rosana: “Tá muito boa mesmo!”. Júlia bebe um gole de suco, olhando emocionada para os três.
JÚLIA               - Obrigada, gente! Muito obrigada por vocês fazerem parte da minha vida!
Entra a música “Eu Apenas Queria Que Você Soubesse” de Gonzaguinha, de fundo. No clima de felicidade geral, Fusão:

CENA 19. PRAIA. EXT. FIM DE TARDE
Sol se pondo. Som das ondas do mar. Júlia caminha pela areia da praia. Sorri, tocando e olhando para sua barriga. Para um pouco. Tempo em Júlia contemplando o horizonte. Ela chora e ri de felicidade. De repente:
ROSA MARIA - (grita em off) Ei, Júlia!
Do ponto de vista de Rosa Maria, vemos a reação de Júlia ao reconhecer a sua voz. Rosa Maria corre ao encontro de Júlia. CAM vai buscar Danilo sorridente a observar o reencontro. Tempo no beijo apaixonado das duas. A música “Primeiros Erros”, de Simonny, de fundo. CAM vem recuando lentamente.  Corta para o:
FIM.


      
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