Em
meio a tantas histórias essa podia ser mais uma contada por um artista que vive
a se reinventar, Adilson Dias já contou para o público deste blog sua historia
de superação. Detalhes de como foi ser menino de rua e virar um diretor de teatro
com a ajuda do teatrólogo Sergio Britto, o que foi conviver com as crianças
chacinadas na Igreja da candelária e montar uma polêmica paixão de Cristo na
Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.
Hoje
Adilson Dias se revela um poeta das artes e em suas muitas facetas, a
descoberta da música. Intuitivo e autodidata, ele passou a vestir seus versos
com música e partiu para as ruas com seu violão. Dessa vez sem pés descalços,
sem canivete ou gargalho de garrafa, mas como artista que é hoje. O poeta vem
cantando e encantando nos trens da Super via e nas praças por onde passa.
Em
suas andanças o seu som acabou parando em um estúdio musical. Com a ajuda do
produtor Guilherme Gê, que percebeu o talento do ‘Poeta de Rua’ e decidiu
produzir suas canções. Gê que já produziu
grandes nomes da musica brasileira como Sergio Brito dos Titãs, Luis Melodia e
Roberto Menescal, vem investindo na descoberta de novos talentos da MBP e
Adilson Dias é um deles. Confira o bate-papo com Adilson Dias:
Como aconteceu seu encontro com o
Guilherme Gê?
Eu
assistia ao programa Dando as Letras, do canal Music Box Brasil da TV por
assinatura. Um programa apresentado por Guilherme Gê, Alan Dias e Marcos
Suzano. Decidi procurar o Guilherme no Facebook e ficamos amigos, trocamos
algumas ideias e lhe enviei o áudio de minha canção, gravado no celular mesmo.
Ainda muito receoso de receber um não, mas ele gostou do que ouviu e me chamou
para gravar. Eu dei pulos de alegria e não acreditei no que estava acontecendo.
Tomei coragem e fui.
Você me disse que nunca havia entrado num
estúdio de música profissional. Fala do processo de gravação...
Ainda
estou na gravação da primeira canção que foi feita no Estúdio Hanói, em
Botafogo (RJ). Quando eu cheguei ao estúdio foi um baque. O lugar é
maravilhoso, parece uma nave espacial. Tocar e cantar em um estúdio num
silêncio total é muito diferente de fazer isso numa rua com muita poluição
sonora. Era como se eu estivesse patinando no gelo depois de ralar muito os
meus pés e minha garganta no chão grosso.
A música em sua vida é algo recente...
Foi
no ano de 2012, quando voltei de Cuba e percebi certa musicalidade em meus
versos. Então comprei um violão em um brechó e comecei a bater tentando tocar.
Aprendi algumas notas em uma revistinha de música e hoje faço acordes que não
sei o nome. Ando pelo braço do violão como se fosse a extensão do meu próprio
braço, ouço minhas palavras vestidas com som e tenho muito prazer em fazer
isso. Não me considero um cantor, mas gosto de cantar e poder dizer o que penso
em minhas canções.
Fale sobre as canções que comporão seu
primeiro CD independente. A propósito, alguém está o financiando? Existe
mercado musical para o seu trabalho?
São canções
autorais mais politizadas e também coisas que falam de amor e outros universos.
O titulo vai ao encontro com o que vivo no cotidiano de tocar e cantar pelas
ruas da cidade, minha poesia sempre bem-vinda nas margens urbanas. Não penso em
expor meu trabalho atrelado a um Rio de Janeiro de uma mídia alienada que vende
a cidade como uma referência internacional de arte e cultura, mas que fecha as
portas para o fluxo cultural existente na mesma. Pra mim, o Rio que vivo está
aberto. Aberto para as artes do gueto em suas ruas, favelas e periferias. Quando
não há palco e nem foco de luz, tem sempre uma calçada e uma gambiarra pra eu
fazer um show.
Às
vezes penso que seria muito mais comercial se eu fosse só “uma linda história
de superação”, mas eu penso e falo o que penso. E isso não é legal para esse
sistema alienador. Um suposto ‘mercado musical’ alucinante sofrendo de amor e
agressão. Por isso, na dúvida: “Se dou na cara dela ou bato em você” eu não
pago cinquenta reais! (risos)...
Estou
estudando a possibilidade do financiamento coletivo para terminar de fazer o
CD. Quero entregar um bom trabalho ao publico que estou conquistando. Venho
estudando, buscando e me esforçando para isso. Uma qualidade sonora que vista
com sinceridade os meus versos.
Um caminho alternativo no atual cenário
de produção industrial...
O
caminho para mim é fazendo shows em espaços mais alternativos, coisa que já
faço. Procurar um selo que se interesse na comercialização do meu trabalho e
divulgar. Não dá para ralar tanto, fazer um CD e colocar na gaveta. Eu tenho
plena consciência da crise fonográfica existente em nosso país, mas o que mais
me preocupa é a crise auditiva. Às vezes parece que todos estão com o ouvido no
mesmo lugar, querendo ouvir repetidas vezes as mesmas coisas. Caindo no feitiço
dos jabás financiados pelos fazendeiros universitários que não se formam nunca.
Não me preocupo com o que está na moda, faço o que acredito e o que me faz bem.
Ter discernimento sobre o que eu ouço é o que me inspira e me faz feliz.
Você ouve...
Não
vou cair no clichê de dizer que ouço de tudo um pouco, porque estarei mentindo.
Ouço Beatles, Caetano Veloso, João Gilberto, Nina Simone, Lenine e por ai vai.
Querendo ou não, pra mim o que ouço influencia diretamente na minha
musicalidade, por isso preciso ter critérios no que estou ouvindo e também ter
um pensamento critico sobre o mundo que estou vivendo.
Margens Urbanas é o título do seu CD.
Qual é a proposta desse trabalho?
Eu
espero conseguir comunicar, tocar nas pessoas. Acho que pra fazer algum sentido.
Não quero ser genial, quero só fazer música e ser feliz.
Convidados
inquietos com o atraso de Marcelo. O buchicho é cada vez maior. CAM vai buscar
Rosana e Mercedes, que estão em algum canto da sala.
ROSANA - Que
atraso da porra é esse? Será que o Marcelo vai dar pra trás, Mercedes?
MERCEDES - Não, acho que não. O Marcelo mudou muito depois
que conheceu a Júlia. Ele queria tanto esse casamento, tava tão apaixonado...
Deve estar estourando por aí já, já.
Enquanto
Mercedes falava, Rosana olhava para Aurélio, que, sozinho do outro lado da
sala, tomava uma taça de champagne e a observava.
MERCEDES – Tá me ouvindo, Rosana? O que é que tú tanto olha,
hein?
ROSANA - (dando
um risinho) Nada, ué!
MERCEDES -
(percebendo) Sei...
Flávia
está numa conversa com Mildred, mas não tira os olhos de Aurélio.
MILDRED - A
Tércia deve estar uma pilha de nervos. Imagina a noiva lá dentro. (T) Você é
que nem demonstra inquietação pelo atraso do noivo.
FLÁVIA -
Não, é que eu já estou acostumada com esses atrasos. O diferente aqui é que o
noivo é o atrasado da história. Mas da parte da organização tá tudo ok.
Corta
para Amélia angustiada em um canto. Mercedes se aproxima dela.
MERCEDES - E aí, dona
Amélia, como é que está a Júlia?
AMÉLIA - Tá
aperreada. Já nem sei mais o que dizer pra acalmar os nervos dela.
MERCEDES - Fica
calma, dona Amélia. Ó, conheço o noivo faz tempo. Tenho certeza que já, já ele
está por aqui.
AMÉLIA - Deus
lhe ouça, minha filha.
Corta
para Justiniano, Osvaldo e Zoraide em outro canto.
JUSTINIANO - Mas será
possível que esse cabra vai desistir do casamento?
ZORAIDE - Deve
de ter acontecido. (T) Já imaginou a Júlia passar por um vexame desses?!
OSVALDO - Olha
lá, painho, a mãe do cara tá conversando com o juiz.
ZORAIDE - E ele
já tá agoniado também.
Corta
para Tercia conversando fora de áudio com o juiz de paz, que demonstra, embora
discretamente, já estar chegando ao seu limite. Tercia se afasta dele e se
coloca no centro da sala. Pede a atenção dos convidados.
TERCIA - Eu
quero pedir um minutinho da atenção de todos. (T) Sabemos que o meu filho
Marcelo está um tanto atrasado, mas eu peço que tenham só mais um pouco de
paciência. (T) Estamos em família, entre amigos próximos, então imagino que
todos saberão compreender. O Marcelo deu um pulo lá em Feira de Santana pra
tomar posse na Universidade e muito provavelmente aconteceu algo lá que tenha
causado esse atraso. Infelizmente a data coincidiu com a do casamento, e não se
pode alterar nenhuma das duas. Mas eu tenho certeza que ele já deve estar
chegando. Peço desculpas a todos vocês, principalmente ao senhor juiz. (ao
juiz) Obrigado pela paciência, doutor Ademar.
Todos
parecem compreender. Tércia tenta disfarçar a sua preocupação. Amélia percebe e
se aproxima dela.
AMÉLIA - Eu
também continuo preocupada, mas já estou orando em espírito. Vai dar tudo
certo!
Corta
para:
CENA
2. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Celular de Júlia
tocando. Ela continua muito aflita. Amélia também está no quarto.
AMÉLIA - Não vai atender, filha?
JÚLIA - Atende pra mim, mainha.
AMÉLIA - (ao tel) Alô... Quem?... Ah, oi,
Rosinha, tudo bem?... A Júlia? A Júlia tá aqui, toda nervosa. É... (pausa) Tá,
tá bom, eu vou passar pra ela. Beijo!
Amélia entrega o
celular para Júlia, que tenta disfarçar certo incômodo.
JÚLIA - (a Amélia) Mainha, eu tava
querendo falar com o Danilinho. Será que a senhora podia chamar ele lá embaixo?
Amélia
sai. Só então Júlia começa a falar com Rosa Maria.
JÚLIA - (ao tel) Alô, tudo bem,
Rosinha?
ROSA
MARIA - (off, tel) Oi, Júlia! Eu não vou
poder falar muito, porque eu tô ligando da casa da dona Erundina. (pausa) Olha,
Julinha, eu pensei muito em te ligar antes. Talvez você preferisse nem falar
comigo, mas é que eu queria muito ouvir a tua voz. Mesmo que fosse pela última
vez...
JÚLIA - (ao tel) Não, que é isso? É
muito bom falar contigo. (T) Rosinha, faz o seguinte: Me dá o número de onde tu
tá ligando, que eu retorno a ligação. (procura um bloco de papel e uma caneta)
Peraí, só um minutinho... (encontra o que procura) Pronto, pode falar...
(pausa) uhum... Sei... Tá, já anotei tudo. Aguarda aí, que eu já te ligo!
Júlia
desliga o celular no momento em que Danilo entra no quarto.
DANILO - Licença...
Júlia olha séria para
ele, como quem diz: “foi você, né?”, e faz um gesto para que ele feche a porta.
Danilo obedece. Júlia retorna a ligação do telefone da cabeceira da cama.
JÚLIA - (ao tel) Oi, Rosinha, sou eu...
ROSA
MARIA - (off) Como eu tava dizendo, eu
queria falar contigo há um tempão. Não liguei antes porque fiquei constrangida,
com vergonha... Agora... Agora acho que já é tarde demais, né?
JÚLIA - (ao tel) Claro que não!
ROSA
MARIA - (off, esperançosa) Não?!
JÚLIA - (ao tel, casual) Não. Aconteceu
um contratempo, a cerimônia tá atrasada... (meio ácida) Eu não taria aqui
falando contigo agora se tivesse acabado de me casar, né?
ROSA
MARIA - (off, triste) Desculpa se eu tô
atrapalhando. Eu... Eu só quero que você saiba que... que eu continuo gostando
muito de você e que eu desejo que você seja muito feliz, assim como eu também
espero ser um dia.
JÚLIA - (ao tel) Tenho certeza que nós
duas vamos ser muito felizes, minha amiga. (T) Olha, desculpa se eu acabei
sendo grossa, mas é que eu tô muito nervosa, nem sei direito o que eu tô
falando. Outra hora a gente conversa, tá? (pausa) Tá bom. Outro pra você.
Tchau.
Júlia desliga o
telefone e encara Danilo. Durante toda essa cena o cachorrinho Tico esteve andando
pelo chão do quarto. Corta para:
CENA
3. RODOVIA BAIANA. EXT. DIA
Abre na BR 324. Vemos
um congestionamento quilométrico no sentido Feira de Santana-Salvador. Há alguns
policiais perto de uma viatura da polícia rodoviária. Corta pra uma ambulância
do SAMU, onde profissionais deste serviço prestam os primeiros socorros a
Marcelo. O estado dele é gravíssimo. Corte
descontínuo: Sirene da ambulância é ligada. Carros vão abrindo
passagem.
Corte
para:
CENA
4. ENTRE SERTÕES. RUAS/PRAÇA. EXT. DIA
Acompanhamos Rosa
Maria caminhando por algumas ruas até a pracinha principal. Ela senta num
banco. Está desiludida. Um garotinho que passeia por ali com seus pais se
aproxima dela e lhe dá uma flor. Ela sorri pra ele, que depois corre na direção
dos pais. Tempo na tristeza de Rosa Maria. Música “Mentiras” de Adriana
Calcanhoto, de fundo. Corta para:
CENA 5. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Danilo e Júlia.
Conversa em andamento.
DANILO - Eu não achei que teria problema
passar o teu número pra Rosinha... Cês duas sempre foram tão amigas...
JÚLIA - Eu sei, mas é que eu não gosto
que ninguém tome decisões por mim. Olha aqui, Danilinho, você tá proibido de
dar o meu número pra quem quer que seja sem me consultar antes.
DANILO - Tudo bem. Desculpa.
JÚLIA - (nervosa) E o Marcelo que não
chega, hein! Já tô ficando agoniada, esse vestido tá começando a me sufocar.
DANILO - Deixa de besteira, tia. Você tá
linda! Relaxa, que vai dar tudo certo!
JÚLIA - (sorri) Tenho uma novidade pra
te contar. Dessa vez não vai ser em primeira mão como das outras vezes, mas em
segunda. (sorri, cria expectativa)
DANILO - Vai, tia, fala! Que novidade é
essa?!
JÚLIA - (feliz) Tô grávida! Até agora o
Marcelo é o único que já tava sabendo.
DANILO - (feliz) Pôxa, tia, que novidade
maravilhosa! Parabéns!
Os dois se abraçam,
muito felizes. A alegria dos dois é interrompida por um grito agudo de Tercia
vindo da sala. Ouvem um grande burburinho vindo de lá.
JÚLIA - (assustada) Quê que tá
acontecendo?
Júlia e Danilo saem
apressados do quarto. Tico continua por ali, agora tirando um cochilo na cama. Corta para:
CENA 6. APTO DE TÉRCIA. SALA PRINCIPAL. INT. DIA
Abre em Júlia
descendo a escada sem nada entender da cena. Danilo vem logo atrás dela. Tércia
está aos prantos, amparada por Aurélio e Mildred. Amélia corre ao encontro de
Júlia que “desaba em si” já podendo imaginar que algo de muito grave deve ter
acontecido a Marcelo. Todos chocados! Música triste de fundo. Um tempo no clima
de tristeza geral e corta para:
CENA 7. HOSPITAL. CORREDOR. INT. NOITE
É o mesmo hospital
público para onde Júlia foi levada quando precisou de socorro. Júlia e Tercia,
desoladas, estão sentadas em cadeiras dispostas no corredor. Aurélio e o médico
amigo de Marcelo (também abalado, mas procurando manter uma postura
profissional), conversam à parte e fora de áudio. Médico se afasta e Aurélio se
aproxima delas.
TERCIA - Então, Aurélio? O que foi que ele
disse? Por que é que ainda não transferiram o Marcelo prum hospital particular?
Aurélio olha muito
triste para elas. Tercia começa a desconfiar do que aconteceu.
TERCIA - Que foi, Aurélio? Por que você tá
assim? (quase chorando) Aconteceu... aconteceu alguma coisa com o meu filho?
AURÉLIO - (sem conseguir se conter, voz
embargada) Eles... não puderam fazer mais nada. O Marcelo já estava morto quando
deu entrada no hospital.
Tercia e Júlia
arrasadas. Aurélio se agacha diante de Júlia e com olhos marejados olha nos
olhos dela.
AURÉLIO - O médico me disse que a equipe que
prestou socorro ao Marcelo ouviu claramente ele balbuciar “meu... meu filho”...
Júlia não segura as
lágrimas. Tercia, surpresa, olha pra Aurélio. Por um instante aquela dúvida
deles paira como um refrigério em meio a uma profunda dor. Os três começam a
chorar em silêncio. Emoção, tristeza. CAM vem recuando devagar. Fusão:
CENA 8. CEMITÉRIO. EXT. DIA
Abre no cortejo de
familiares e amigos em direção ao local onde o corpo de Marcelo será sepultado.
Júlia caminha amparada por Amélia e Danilo, ladeados por Justiniano, Osvaldo,
Zoraide, Mercedes, Rosana, Flávia, Aurora, a empregada de Tércia. Tercia vem
abraçada com Aurélio e Mildred. O médico e demais amigos de Marcelo, além de
colegas e alunos, também estão por ali. A secretária e demais funcionários da
clínica de Tércia, além de seus amigos, e amigos de Aurélio também acompanham o
cortejo.
Corte
descontínuo:
PADRE, fora de áudio,
diz algumas palavras de conforto aos familiares e amigos. Todos o acompanham
numa prece.
CAM vai buscar a
expressão dos personagens principais. Vemos Amélia, que embora evangélica, se
mostra respeitosa ao ritual e ora em silêncio, ao seu modo. Instantes. Caixão
vai descendo à sepultura. Reação de Júlia já mais contida em seu sofrimento, de
Tércia que faz como quisesse ir junto com o filho. Aurélio a contém com um
forte abraço. Tristeza.
Uma ALUNA de Marcelo
começa a cantar “To Sir With Love” de Lulu e é logo acompanhada em coro por
alguns dos demais alunos presentes. O áudio é abafado pela mesma música, agora
na voz da própria Lulu.
Num cantinho, mais
afastadas, encontramos Mercedes e Rosana, que consternadas observam tudo.
Rosana parece agoniada com sua vestimenta negra sob o forte calor.
MERCEDES
- (baixo) Que agonia é essa, Rosana?
ROSANA - (com aquele jeitinho dela) Calor da
porra. Não tá agoniada, não?
MERCEDES - Tô, mas não fica bem se abanar todinha
assim. Parece mais que tá é com fogo. (T) Também escolheu logo essa roupa. Luto
fechado é só pra parente, minha filha. O povo vive falando na televisão.
ROSANA - (cochichando) E tu acha que eu ia me
vestir de qualquer jeito pra enterro de gente rica? Olha como tá todo mundo
aprumado, (tom de cochicho logo se esvai, e ela passa a falar gesticulando)
olha pra isso, que coisa fina é enterro de grã-fino: Todo mundo chora baixinho,
ninguém se joga por cima do caixão. (tom de fofoca) Menina, teve um enterro de
um tio meu, que a mulher dele se rasgou todinha, de peito pra fora e tudo! Ave
Maria! Pense na vergonha.
Mercedes já não sabe
onde enfiar a cara. Flávia, mesmo de longe, as repreende com um olhar
fulminante. Mercedes dá uma cotovelada em Rosana.
MERCEDES - (falando quase entre os dentes) Daqui a
pouco tá é todo mundo olhando pra nossa cara, Rosana. Olha lá a tal da Flávia.
ROSANA - Aquela dali faz é tempo que tá
medindo a gente de baixo pra cima. Deve ser inveja! Eu continuo uma gostosa
mesmo assim chorosa, de luto.
Mercedes vai saindo à
francesa e puxa Rosana consigo.
ROSANA - Ave Maria, Mercedes, tu tá é
machucando meu braço. Me solta.
MERCEDES - Fica aí falando besteira o tempo todo.
Respeita a porra da morte dos outros. Esqueceu que é o Marcelo quem tá ali
sendo enterrado?
ROSANA - É, tá certa! (T) Mas eu não tava
falando nada demais, não.
CAM vai buscar amigos
e familiares, tanto de Júlia quanto de Tércia, que recuam, deixando espaço para
que elas, abraçadas, ao lado de Aurélio, prestem suas últimas homenagens a
Marcelo. Ambas depositam flores sobre o caixão.
Corta
para:
CENA 9. APTO DE TÉRCIA. SALA. INT. DIA
Justiniano,
Amélia, Danilo e Zoraide estão prontos pra voltar pra Entre Sertões. Conversam
(fora de áudio) com Tércia e Aurélio, já perto da porta. Osvaldo e Júlia conversam
à parte.
OSVALDO - (voz embargada)
Então, minha irmã, tu me perdoa?
Júlia
pensa um pouco.
JÚLIA - Eu
sei que eu tive um comportamento errado, que eu não agi certo. Eu sei disso.
Mas eu acho também que eu não merecia ser tratada daquele jeito.
OSVALDO - (contrito)
É, eu sei.
JÚLIA - Durante
muito tempo eu senti um ódio danado de você. Quando eu me lembrava das coisas
que você me disse, da surra de cinto, dos seus gritos. (T) No fundo eu te
culpava pelas coisas terem chegado a uma situação extrema. (T) Mas teria sido
pior... Se eu não tivesse mais nenhum
tipo de sentimento por você. Foi por te amar tanto, meu irmão, que doeu muito
em mim. (T) Mas tudo o que eu venho passando nos últimos tempos tem servido pra
eu repensar a vida, refletir sobre uma série de coisas.
Osvaldo
emocionado ouve com atenção.
JULIA - Eu
não vou te pedir perdão, porque sinceramente eu não vejo motivo pra isso. Mas
acho que eu cansei de te odiar, ou desisti, sei lá. (Silêncio, os dois se
olham, emoção aumenta) Eu te perdoo, meu irmão.
Osvaldo
sorri. Abraço caloroso deles. Tempo na emoção dos irmãos abraçados, chorando.
Tico se aproxima todo serelepe. CAM vai buscar, Tercia, Danilo, Justiniano,
Amélia, Zoraide e Aurélio, que param de conversar e observam emocionados, a reconciliação
dos irmãos.
Corta
para:
CENA 10. APTO DE TÉRCIA. QUARTO DE HÓSPEDES. INT. DIA
Tercia conversa com
Júlia num tom de saudosismo.
TERCIA - Ele tava tão feliz, né? Tão feliz...
As
duas ficam em silêncio um pouco. Tercia procura sorrir, apesar da tristeza.
TERCIA - Eu sei que você e o Marcelo
planejavam nos fazer uma surpresa com essa gravidez. Infelizmente as coisas não
saíram como vocês planejaram, mas apesar de tudo, apesar de toda essa tristeza
que eu tô sentindo, é um consolo pra mim, saber que tem uma sementinha do meu
filho crescendo dentro de você. (T) Eu e o Aurélio... A gente não sabe direito
como agir nessa situação, mas vamos procurar um advogado e nos orientar sobre
todas as providências que devem ser tomadas para que essa criança seja
devidamente registrada no nome do Marcelo. Eu tenho certeza que esse filho ou
filha vai nos trazer muitas alegrias. Essa criança é um pedacinho do Marcelo
que vai continuar sempre conosco.
JÚLIA - (emocionada) Eu decidi que...
se for menino vai se chamar Marcelo. Marcelo Filho. E se for menina... Por que
não, Marcela?
TERCIA - (sorri) Uma coisa eu te garanto:
não vai faltar nada a você nem ao nosso neto ou neta.
As
duas se abraçam muito emocionadas, lágrimas nos olhos.
JÚLIA - (desfaz o abraço) Tércia, eu
não fui com eles hoje, mas eu to pensando em passar uns dias com a minha
família.
TERCIA - Ah, eu acho que vai te fazer muito
bem, passar uns dias com a sua família, com os seus amigos... Até eu iria se
pudesse!
Nas
duas se olhando com cumplicidade, o
corte:
CENA
11. STOCK-SHOTS. EXT. DIA/NOITE/DIA
Passagem de tempo: Imagens
aceleradas de diferentes pontos de Salvador, terminando na fachada do Aeroporto
Luis Eduardo Magalhães sob a legenda: MESES
DEPOIS.
CENA
12. AEROPORTO. SAGUÃO. INT. DIA
Tercia e Mildred
caminham em direção ao guichê da companhia aérea.
MILDRED - Tô feliz por você ter se permitido
essa viagem, e claro, mais feliz ainda por estar fazendo parte dela. Quinze
dias entre Lisboa e Paris era tudo o que a gente estava precisando.
TÉRCIA - (suave tristeza) Acho que o
Marcelo, de onde quer que ele esteja, também está feliz por isso, Mildred.
MILDRED - Tenho certeza que sim, amiga! Bom
seria se a Julia pudesse ir com a gente.
TÉRCIA - Mas com aquele barrigão, nem dava,
né? (T) Eu te falei que ela chamou o sobrinho pra morarem juntos no
apartamento? (Mildred faz que não) Então, eu passei o apê do Marcelo pro nome
dela. Aí ela me perguntou se havia alguma problema em o Danilo vir morar com
ela. E é claro que não. Eu acho até que é muito bom pra ela.
MILDRED - Ah, sim, o sobrinho dela é aquele
rapazinho fofo que você contratou como Office-boy pra sua clínica?
TÉRCIA - Ele mesmo. Menino bom, interessado!
MILDRED - Ô, amiga, mudando de assunto: E o
Aurélio, hein? Voltou mesmo com a Flávia!
TÉRCIA - Olha, se voltaram é porque se
gostam, se merecem, e combinam bem um com o outro. Ela é ciumenta até a alma e
ele não cansa de dar motivos. Tomara que se resolvam!
MILDRED - Ah, mas ela é muito dramática, Tércia.
TÉRCIA - E esse papo, hein? Vamo falar de
coisa boa? (riem)
Elas continuam na
fila do guichê da companhia aérea. Close de Tércia, que por um instante parece
perdida em seus pensamentos. Entra a música “Saudades de Amar” de Nana Caymmi,
de fundo. Corta para:
CENA
13. CLÍNICA MEU BICHO. ANTESSALA DE TÉRCIA. INT. DIA
Abre na secretária
fazendo recomendações de praxe a Danilo, que ouve tudo atentamente antes de
sair. Ele está feliz pela oportunidade.
SECRETÁRIA - Então é isso, Danilo: banco e depois
entregar as notas lá no contador.
DANILO - Tudo certo, Yasmim, vou num pé e
volto no outro.
SECRETÁRIA
- Não precisa pressa, Danilo. Antes eu queria que você botasse esses documentos
(pega uma papelada) no arquivo. Eu tô meio atolada hoje.
Danilo sorri, toma a
papelada das mãos de Yasmim. Ao se virar se choca violentamente com Aurélio.
Papelada se espalha pelo chão da sala.
SECRETÁRIA - (toma aquele susto) Gente!
Yasmim esboça
ajudá-los, mas toca o telefone. Ela atende. Rapidamente, Danilo se abaixa para
recolher os papéis. Aurélio faz o mesmo. Eles se encaram.
AURÉLIO - Desculpa aí, meu camarada, é que o mau-jeito
(aponta para si) passou por aqui e ficou.
DANILO - Imagina, não foi culpa do senhor,
eu é que sai de cabeça baixa, conferindo a papelada.
AURÉLIO - (fazendo graça) Ai, ai, ai, que agora
doeu!
DANILO - (assustado) O que foi? O senhor se
machucou?
AURÉLIO - Ai, ai, ai, que agora doeu mais!
Yasmim, ao telefone,
ouve os gemidos de Aurélio, mas percebe ser brincadeira. Aurélio termina de
recolher a papelada e se levanta num pulo. Danilo vem com ele. Instantes. Um
encara o outro.
AURÉLIO - Você tá vendo algum senhor, rapaz?!
Danilo suspira
aliviado. Aurélio dá uma de suas gargalhadas. Danilo ruboriza, mas fica em
silêncio.
AURÉLIO - (abraça) Eu sou palhaço assim mesmo.
No abraço, Danilo
sorri encabulado. Aurélio o segura pelos ombros e o encara mais uma vez.
AURÉLIO - Vem cá, você não é parente da Júlia?
DANILO - Sou sim. Sou sobrinho dela.
Aurélio se volta pra
secretária.
AURÉLIO - Eu vim buscar um documento que Tércia
deixou aí, Yasmim.
SECRETÁRIA - Claro, seu Aurélio. Tá ali na sala
dela. Vou lá pegar.
A secretária sai.
Danilo arquiva os papéis e se retira. Aurélio o acompanha com o olhar. Corta para:
CENA
14. FACHADA DA CLÍNICA/RUA/CARRO. EXT/INT. DIA
Danilo, munido de uma
pasta, sai do prédio e caminha pela calçada no sentido do ponto de ônibus. Aurélio
sai do prédio logo em seguida. Ele avista Danilo e entra em seu carro, que está
estacionado por ali. Carro vai saindo devagar até alcançar Danilo. CAM
acompanha essa movimentação e a breve conversa deles fora de áudio. Do ponto de
vista de Aurélio, vemos Danilo se aproximar e entrar no carro. O carro de
Aurélio segue adiante e dobra uma esquina. Corta
pro interior: Danilo está pouco à vontade. Aurélio ri.
AURÉLIO - Impressão minha ou você tá tenso?
DANILO - (ri, respira fundo e relaxa) Não, é
besteira minha.
AURÉLIO - (morde o lábio) Sim, sei como é...
Aurélio repousa uma
das mãos na coxa de Danilo, que continua olhando pra frente, mas sorri. CAM
recua do interior do carro. Vemos o carro se distanciando. Corta para:
CENA
15. APTO DE FLÁVIA. QUARTO DO CASAL. INT. DIA
Aurélio
está tomando banho. Flávia fuça nos bolsos das roupas dele. Conversa ao meio.
FLÁVIA - Ah,
mas você sabe como é a Márcia: Ela tem insistido pra gente ir nesse jantar na
casa dela.
AURÉLIO - (off) A
Márcia é chata pra caralho. Se eu não for, você vai e dá uma desculpa qualquer lá.
FLÁVIA - Na
boa, Aurélio, mas você fala isso de todas as minhas amigas. (T) Se não quer ir,
não vamos. A gente fica em casa, inventa alguma coisa.
Som
de chuveiro ligado. Aurélio vem de mansinho saindo do banheiro. Flávia é
flagrada.
AURÉLIO -
(rindo) você continua a mesma, hein?
Reação
de Flávia.
FLÁVIA - (disfarça
o susto) O que é? Eu continuo a mesma, sim senhor.
Ela
se aproxima dele, provocante.
FLÁVIA - Você
sabe que eu sou louquinha por você. Sabe que eu sou capaz de tudo por você, né seu
cafajeste?
Aqui
entra a música “A Maçã” de Deborah Blando, de fundo. Flávia começa a beijá-lo
na boca, no rosto, no pescoço. Sua boca percorre o corpo molhado e nu de Aurélio.
Ela se abaixa diante dele. Do ponto de vista de Flávia, vemos Aurélio sorrir de
um jeito sacana.
Corta
para:
CENA
16. ENTRE SERTÕES. EXT. DIA
Clipe de imagens da
cidade, terminando na fachada do Boteco Cai Duro.
CENA
17. BOTECO CAI DURO. INT/EXT. DIA
Um
dia comum: TV ligada, clientes sendo atendidos por um efusivo Osvaldo e pelos
dois rapazes que o ajudam. Zoraide no caixa. Corte descontínuo: O movimento agora é menor. Do ponto de
vista de Zoraide, vemos Osvaldo de costas pro boteco, em pé na calçada. Ele
observa a rua, as pessoas que passam, se perde em pensamentos. Zoraide vai até
ele, e o abraça. Ele sorri e retribui o abraço.
ZORAIDE - Tudo
bem?
OSVALDO - Tá sim!
Zoraide
desvia o olhar pro outro lado da rua. Corta para Justiano e Amélia, vindos caminhando
na direção do boteco.
ZORAIDE - Espia quem
vem ali!
OSVALDO - (feliz)
Oxente, é painho e mainha!
Justiniano
e Amélia finalmente chegam e são abraçados pelo casal.
OSVALDO - Mas que
coisa boa receber vocês aqui. Painho vem sempre, mas a senhora, mainha! Que
milagre é esse?
JUSTINIANO - Quarenta
e cinco, filhão... Quarenta e cinco anos! Não são dias, né?
Osvaldo
olha surpreso para os pais.
ZORAIDE - De
casados? (Justiniano faz que sim) Mas tudo isso? Será que a gente chega lá, Osvaldo?
AMÉLIA
- O Tino tava querendo que eu fizesse
uma maniçoba e chamasse vocês pra comer lá, pra gente comemorar. Oxe, eu fui é logo
falando que eu queria era comer fora.
Todos
riem.
OSVALDO - Tá
certa, minha véia?
Zoraide
faz sinal pra que eles entrem.
ZORAIDE - Vou
caçar um cantinho pra gente, seu Tino e dona Amélia. Eu e Osvaldo vamos almoçar
com vocês.
OSVALDO - (a um dos
ajudantes) Pega uma breja bem geladinha pra gente! (olha pra mãe) Ah, e um
refrigerante!
Corta
para Zoraide que se aproxima do outro ajudante.
ZORAIDE - O
movimento tá mais fraco agora. Cês dão conta né? (ele faz que sim) Qualquer
coisa, chama a gente!
Zoraide
se vira e observa Osvaldo carinhoso com os pais. Sorri.
Corta
para:
CENA
18. APARTAMENTO DE JÚLIA. SALA DE JANTAR. INT. DIA
Júlia, já de
barrigão, come por dois. Mercedes e Danilo também estão sentados à mesa. Rosana
vem trazendo uma travessa de lasanha.
ROSANA - Vai ficar aí só olhando, Danilo? Quer
fazer o favor de ajudar e pegar os refrigerantes lá na geladeira?
DANILO - (alfineta) Simpática como sempre!
Danilo sai para
buscar os refrigerantes. Todos riem. Clima de alegria, descontração.
MERCEDES - Mas tú sabe que a Júlia não pode nem pensar
em tomar refri, né, Rosana?
ROSANA - E eu não sei? É por isso que o suco
de maracujá dela tá prontinho lá na jarra. Vai lá pegar!
MERCEDES - Aproveita, Júlia, aproveita enquanto tu tá
com esse barrigão. Logo as mordomias vão acabar.
Mercedes
sai. Júlia ri, tocando e olhando para sua barriga.
JÚLIA - Tá vendo como a sua mãe é
querida, filho? Logo, logo cê vai fazer parte de toda essa festa aqui!
Mercedes
e Danilo voltam nesse momento e tomam seus lugares à mesa.
MERCEDES - (a Júlia) Precisa ver como tu baba olhando
pra essa barriga! Ê mãe coruja!
JÚLIA - Sou mesmo! Bem corujona! Não
vejo a hora de ter essa coisinha fofa nos meus braços!
ROSANA - Falando em coisa fofa, o que é que tu
fez do Tico?
JÚLIA - Ele tá passando uns dias com a
dona Aurora, fazendo companhia pra ela, enquanto a Tercia tá viajando. (T) Ai,
agora que você falou, me deu uma saudade dele! Daqui a uns dias eu vou querer o
meu bichinho de volta!
DANILO - Não é querendo cortar esse (faz
biquinho, zoando) clima fofinho, não, mas será que dá pra adiantar logo
o meu lado aqui na lasanha? Tenho hora pra voltar pra clínica!
ROSANA - É, bem? Pois pode ir se servindo, que
eu não sou empregada de ninguém não, tá?
JÚLIA - (ri) Ai, como é bom ter vocês
aqui comigo! Esse daí (aponta Danilo) só veio porque eu disse que teria lasanha
pro almoço.
ROSANA - Fazer o quê? Gente gulosa é assim
mesmo. Só pensa em encher o bucho!
DANILO - Não é todo dia que dá pra vir
almoçar em casa. Mas eu sei que vocês fazem questão da minha presença
arrebatadora!
Risos de todos, que
começam a se servir. Rosana e Danilo brigando pra ver quem se serve primeiro;
Mercedes já saboreando a lasanha: “hum, tá dos deuses!”; Danilo prova: “Humm...
Divina”; Rosana: “Tá muito boa mesmo!”. Júlia bebe um gole de suco, olhando
emocionada para os três.
JÚLIA - Obrigada, gente! Muito obrigada
por vocês fazerem parte da minha vida!
Entra a música “Eu Apenas
Queria Que Você Soubesse” de Gonzaguinha, de fundo. No clima de felicidade
geral, Fusão:
CENA
19. PRAIA. EXT. FIM DE TARDE
Sol se pondo. Som das ondas do mar. Júlia
caminha pela areia da praia. Sorri, tocando e olhando para sua barriga. Para um
pouco. Tempo em Júlia contemplando o horizonte. Ela chora e ri de felicidade. De repente:
ROSA
MARIA - (grita em off) Ei, Júlia!
Do ponto de vista de
Rosa Maria, vemos a reação de Júlia ao reconhecer a sua voz. Rosa Maria corre
ao encontro de Júlia. CAM vai buscar Danilo sorridente a observar o reencontro. Tempo no beijo apaixonado das duas. A música “Primeiros Erros”, de Simonny, de fundo. CAM vem recuando lentamente.Corta para o: