sábado, 14 de julho de 2012

MINICLÁSSICOS - Cenas da Teledramaturgia Nacional


Por Eduardo Vieira

Na história das novelas, e principalmente pelos livros já lançados que cobrem a teledramaturgia, são sempre citadas cenas super clássicas dessas histórias. Como exemplo, podemos citar em “Saramandaia” a famosa cena da explosão da personagem Dona Redonda, o final de “O Casarão” quando João Maciel e Carolina se reencontram na Confeitaria Colombo, depois de um amor suspenso pelo tempo ou o famoso entrave no café da manhã de Bimbo e Cumbuca em “Guerra dos Sexos”.


Nada como o tempo para dar status de clássicos a essas cenas, mesmo sabendo que nessas e em muitas outras novelas há momentos tão bons ou até melhores, mas há de se eleger algumas e vem à cabeça o que li sobre teledramaturgia desde as comunidades do orkut até os comentários diários  no facebook ou em blogs especializados.

As cenas clássicas hoje são aquelas que têm uma excelência de escrita e de interpretação. Geralmente têm surgido no clímax de uma história ou até despretensiosamente, causando surpresas, catarses e até raiva nos espectadores.

Nas novelas atuais é possível enxergar cenas que marcaram e já se tornaram um tanto clássicas pelo esmero com que foram feitas. Se são ou não merecedoras desse adjetivo tão desgastado atualmente, só o tempo dirá.  

Mesmo assim atualmente é possível apontar cenas que se tornaram ilustres por várias razões.
Recentemente em “Cheias de Charme” houve  duas que chamaram a atenção: uma engraçada e outra dramática, porém as duas redentoras, de limpar a alma do brasileiro médio que se refugia nesse  espaço ficcional para além de se entreter também poder crer que às vezes algumas coisas podem ser justas, numa esperança sem fim que a vida imite a arte.

A primeira delas aconteceu quando a empregada Cida libertou-se dos grilhões da família Sarmento que a explorara por todo o sempre, bem no dia do casamento da irmã da “gata borralheira”, sendo capturada por uma carruagem na forma de uma limousine cor de rosa e resgatada pelas colegas empreguetes. Outra cena bem mais contundente foi a constatação e a decepção de um pai perante a desonestidade de um filho, cena muito bem feita, envolvendo grandes interpretações de Leopoldo Pacheco, Tato Gabus, Taís Araújo e Humberto Carrão.


Nessas últimas novelas, nas duas últimas décadas pode-se citar algumas cenas particulares que me sensibilizaram por razões as mais diversas.

Vemos, por exemplo, em “Viver a Vida”, novela massacrada pelo público noveleiro, uma cena polêmica (adjetivo ainda mais gasto), a famosa cena do tapa que a personagem de Lília Cabral, Tereza, desfere em Helena, a personagem principal da trama, por esta ter dado um tapa em sua filha e ter desencadeado (segundo a mãe) o acidente em que ela  teria ficado paraplégica. Alguns enxergaram com o olhar do racismo jamais abordado pelo autor Manoel Carlos, diga-se de passagem inteligentemente, outros não perdoaram a heroína rebaixar-se a tal ponto de ajoelhar e expiar a sua culpa de tal modo.


Seja por qual razão tenha sido, (se é que a ficção deve tê-las) não se pode negar a excelência da escrita da cena, (duração) em que se comprova o talento das duas exuberantes atrizes, Taís Araújo e Lília Cabral, talvez o melhor momento desta última no folhetim.

Também, recentemente, vimos numa das várias cenas (Araguaia) das atrizes Laura Cardoso e Flávia Guedes, uma cena que se destaca, quando a personagem de Laura Cardoso, dona Mariquita, pede à agregada para cuidar de seu neto Solano caso aconteça algo com ela. A cena veio mostrar todo o respeito que a senhora implicante tinha na verdade pela fiel Aspásia, levando as duas atrizes às lágrimas e os espectadores idem. 


Já uma outra cena, igualmente memorável e  completamente oposta a esta, aparece em “Passione”, de Silvio de Abreu quando a ótima personagem Clô vai visitar a família quatrocentona de sua ídola Beth Gouveia para dar os pêsames pela morte do filho da milionária e começa a relatar as agruras de seu período numa  kitchnette, momento glorioso de três atores maravilhosos, a dona da cena, Irene Ravache, a receptora, Fernanda Montenegro, num registro diferente da sofreguidão eterna de sua personagem e de Leonardo Villar que aparece no final para encerrar brilhantemente essa cena de comédia tão bem feita e escrita.


Minha cena clássica preferida dessa semana foi a que se deu na mansão da vilã das nove, Carminha, quando tudo que parecia ser mais uma cena de cumplicidade entre a mau caráter e a heroína, como houve várias, desponta em uma cena cheia de mágoa e sentimentos que nos leva ao início da novela quando a menina desafia a madrasta. A personagem de Débora Fallabella não consegue sustentar o ar subserviente de sua nina e não ouve direito o que Carminha tem a dizer. Esta, que já está sem paciência com os mimos da criada trata-a com desprezo e agressividade, momento especial nesse balé que essas duas atrizes compõem.


É sempre espetacular sabermos que em pleno 2012, cenas como essas, sejam dramáticas ou cômicas, estejam presentes nas novelas de agora, por vezes tão injustamente criticadas por um público cada vez mais exigente.

E pra vocês, quais são os seus miniclássicos particulares?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sem moral


Por Daniel Couri

O tão anunciado "Na Moral", programa do jornalista Pedro Bial que estreou na última quinta-feira, decepcionou os que esperavam algo minimamente interessante. Com o prestígio e a experiência que Bial tem na Globo, é difícil entender como ele permitiu que um programa tão confuso como aquele fosse ao ar.

Quatro convidados compareceram para comentar os temas: o filósofo Luiz Felipe Pondé, (autor de O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia), o jornalista Antônio Carlos Queiroz (que escreveu o Guia do Politicamente Correto), o cantor de pagode Alexandre Pires e a ex-musa do Casseta & Planeta, Maria Paula.


Potencial não faltou. Mas a edição apressada deixava o telespectador irritado. Cada vez que um convidado começava a falar sobre um tema, era cortado e Bial já pulava para outro assunto. Ninguém conseguiu concluir um raciocínio sequer. A impressão foi que os participantes do debate estavam sendo deliberadamente cortados devido ao curtíssimo tempo.

Aliás, tempo foi outro fator crucial que faltou ao programa. Enfiaram vários temas potencialmente interessantes num espaço que não foi suficiente para serem debatidos e explorados. Foi um tanto quanto embaraçoso ver os convidados tolhidos o tempo todo, mal conseguindo terminar as frases.

Os assuntos não tinham gancho. Bial pulava de um tema a outro como se houvesse alguém ali ao lado dizendo 'rápido, passe para o próximo!'. E a dramatização feita por Adriana Lessa foi totalmente descabida. Não pela atriz, que é maravilhosa e talentosíssima, mas sim porque não tinha nada a ver encenar um depoimento. (Aliás, espero que Adriana não seja mal aproveitada na Globo. Ela merece um destino melhor que o “Na Moral”).

Como li em uma das várias críticas negativas ao programa, a impressão passada ao telespectador é que 5 horas foram editadas às pressas para caberem em pouco mais de trinta minutos de programa.

Apesar de achar que o programa não disse a que veio, considero a ideia boa, mas o tempo apertadíssimo de exibição somado ao número de convidados e temas não funcionou bem. Se “Na Moral” não pode ter uma duração maior, o ideal seria eleger apenas um assunto para ser tratado por programa. Do contrário, o que era para ser novidade vai ficar com cara de comida requentada. Às pressas.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O AMOR, ETC E TAL

por José Vitor Rack

Não existe teledramaturgia sem romance.

Não me lembro de ter assistido na minha vida uma novela que não tivesse pelo menos um casamento. A maior parte dos casais românticos troca tudo pelo amor. Tudo. Viagens, mordomias, heranças, nada vale o amor verdadeiro...



A Nina/Rita de Avenida Brasil tem sua falsidade e dissimulação plenamente justificada, pois se trata de uma moça que foi uma fofa criança que descobriu algo valioso no lixão: O amor do Batata/Jorginho. O Otávio Benaro de Máscaras se tornou chefe de uma organização criminosa internacional em nome do amor à mulher e ao filho. Tudo é justificado quando existe AMOR...

Amor é um negócio tão complicado, tão complicado, mas tão complicado de definir, contextualizar e até mesmo de identificar, que qualquer sujeito minimamente sadio chega a pensar em algum momento que não existe.

O amor é um sentimento que nutrimos por alguém, alguma coisa ou até mesmo por alguma idéia. Há amor no meu coração por alguém quando o efeito que este alguém causa em mim é agradável. Ou seja: ele é sempre dependente do outro. O amor é o outro em mim.

Mas e eu nos outros?

O amor é via de mão única. E pronto, acabou!

Raciocine por um minuto de maneira lúcida e liberte-se: O amor é o outro em mim. Eu nos outros, é problema dos outros. Ninguém tem controle sobre os pensamentos dos outros, sobre os sentimentos dos outros, sobre o amor dos outros. Até quando o amor dos outros é devotado a você, os efeitos deste sentimento sobre sua vida não estão em seu raio de ação.

Esta é a tragédia humana, amigo leitor.

O meu rosto, justamente o único que eu não vejo a não ser no espelho, é tudo o que o outro tem como referência minha. A imagem que fazem de mim eu desconheço. Somos todos personagens de um espetáculo para o qual não fomos convidados.

O amor que você recebe é fruto da experiência dos outros com a imagem que fazem de você. Como dormir com um barulho destes?

Este exercício de compreensão da vida nos mostra uma verdade inexorável, inequívoca, inquestionável: Não existe amor correspondido. Um casal que se ama mutuamente, o faz de maneira individual. O amor dela por ele é um. O dele por ela é outro. São dois amores que passeiam juntos no parque. Fenômenos diferentes, individuais, que podem ser simultâneos ou não.

Sorte sua compreender isso logo. Poupa dinheiro gasto em terapia, macumba, dízimo, créditos de celular, tranquilizantes ou chocolates. Descobri isso aos trinta e me custou caro. Estou repassando meu expertise de graça, vejam como sou caridoso.

Não estou me opondo ao romantismo. Não é papo de deprimido. É apenas um exercício de lucidez que vem de encontro à nossa necessidade mais que urgente de nos sentirmos preenchidos pelo amor. Sentimos essa necessidade e nos confundimos, achando que o amor que nos falta sempre vem de fora.

Pode ser que venha. E quando vem, quase nunca é do jeito que a gente imagina, em delirantes exercícios de megalomania. Portanto, é hora de largar as ilusões todas na primeira caçamba de lixo e descobrirmos o amor real, o único possível: o seu amor. O que sai de você prontinho pra ser distribuído à sua volta.

Repita comigo, torne essa frase um mantra: O amor é via de mão única.



Ame muito, ame mais, cada vez mais e melhor até morrer afogado em ternura. É bom para a saúde e prolonga a vida. Mas cuide de si e do seu amor. Não cobre, não julgue, não adivinhe, não seja babaca. O amor é seu. Falar do nosso amor fica lindo em diálogos de Walcyr Carrasco. Em alguns casos, até na vida real fica fofinho. Mas é apenas uma expressão. Não existe o nosso amor. Existe o nosso casamento, a nossa amizade, o nosso parentesco. Não confunda relacionamento, que é uma convenção social, com um sentimento. O amor é sempre seu.

Seu! Só seu. Dê para quem merecer. E cuide bem do amor que lhe ofertarem. Sem misturar as coisas.

Nesse caso, a ordem dos fatores desanda a maionese espetacularmente.

Agora me dêem licença que está na hora de AMOR ETERNO AMOR...

FACEBOOK – josevitor.rack
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sábado, 30 de junho de 2012

O deprimente – e deprimido – triângulo amoroso de “Top Model”


Por Marcelo Ramos* (blogueiro convidado)

Não pretendo necessariamente ser dono da razão, mas é a terceira vez que estou vendo a novela e já considero a Duda uma das mocinhas mais chatas de toda a teledramaturgia brasileira. Acho que o inconsciente dela funciona de uma forma autodestrutiva, ela gosta de viver angustiada. Mesmo que isso seja uma escolha inconsciente dela, a Duda procura os piores caminhos no amor com um único objetivo: viver sofrendo, na agonia, na angústia.           

Quando ela namorava o mauricinho Felipe Augusto (Marcello Novaes), em Salvador, ela vivia tirando onda de "amadurecida" e "bem-resolvida" com ele, mas ela só tripudiava em cima da total falta de noção dele porque ele era um babaca, que não tinha um pingo de autoconhecimento.


O Lucas não foi feito pra Duda. Decididamente, eles "não nasceram um para o outro". Lucas é marginal, é sofrido, é um fugitivo da polícia de São Paulo. Só não está atrás das grades porque saiu do Estado de São Paulo. Lucas é problemático demais, não sabe quem é seu pai, vive chorando, é um cara rebelde, foi rejeitado pelo pai, é fruto do movimento hippie dos anos 70, do qual participavam Gaspar e Suzana, sua mãe. Eles viviam o "amor livre", por isso Suzana engravidou e não sabe de qual dos dois irmãos foi. Lucas é filho de Gaspar, não de Alex, mas leva 180 capítulos para descobrir isso. Agora, com a trilha internacional e a esotérica "Stairway to Heaven", musica composta em 1970-1971, da banda inglesa Led Zeppelin, favorita de 10 entre 10 ex-hippies, tocando durante as cenas do passado de Suzana, Alex e Gaspar (o gatíssimo Eduardo Felipe, que infelizmente só voltou às novelas em 1994, em “A Viagem” e “A Próxima Vítima” e sumiu da TV), vão começar a serem exibidas em preto & branco e o drama de Suzana, dividida entre os dois irmãos vai começar a ser apresentado. 

Duda só agrava mais o processo autodestrutivo de Lucas, pois ela só cria problemas para ele. É o tipo de relacionamento que um pai não aprovaria para um filho e faria de tudo para afastá-lo dessa pessoa. O tema internacional deles é muito triste, porque reflete a imensa tristeza que um causa ao outro.

Já a Giulia, desde que chegou de São Paulo e conheceu Lucas no jantar oferecido por Morgana, só fez ajudá-lo, descompromissadamente, de coração aberto. Ela ajudou um desconhecido apenas por ser caridosa, por compaixão do grave quadro psicológico em que viu um vizinho, amigo de seu pai. Ela poderia ter ajudado Lucas como poderia ter ajudado qualquer outra pessoa que fosse um amigo em potencial, numa cidade estranha. Quando Giulia chegou ao Rio, Lucas estava em estado de petição de miséria. Ele estava no fundo do poço. Ela cuidou dele, mediu a febre dele, fazia sopinha pra ele e o agasalhava, além de ter sido ótima confidente e excelente conselheira. Pintou um clima e ela se apaixonou por ele. O namoro de Lucas e Giulia é alegre, eles vão ver o mar, curtir a beleza do Rio de Janeiro, riem, se beijam, são soft. Por isso, Morgana e Silas, mesmo tendo conhecimento de toda a problemática de Lucas, dão todo o apoio ao relacionamento deles, enquanto o protegem da má-influência de Duda, que sempre que aparece no apartamento de Morgana, é pra trazer mais problemas pro cara. A Duda vai ganhar essa competição no final da história, mas eu não acho justo. Enquanto Giulia cuidava de Lucas, praticamente sendo enfermeira dele, Duda estava envolvida com seus delírios de perseguição e com sua carreira como modelo.

Vídeo acima: Duda vê Lucas e Giulia juntos
 
Vídeo acima: Final de Lucas e Duda

Duda e Lucas, pra resumir, são de universos diferentes. Por mim, Felipe Augusto voltaria de Salvador, alugaria um quarto-e-sala na Zona Sul com ela e eles levariam adiante a carreira de modelo dos dois, como aconteceu no período em que ele voltou atrás dela. As mães deles, Cleide (Suzana Faini) e a dondoca Clarice (Ilka Soares) são baianas, soteropolitanas, estudaram juntas na mesma escola, formaram-se juntas. Por mais fresca que Clarice seja, ela é amiga de Cleide. Está tudo em casa. Ainda mais agora que Cleide conseguiu realizar-se através de Duda (Cleide é uma manequim de passarela frustrada, como já falou diversas vezes e projeta o sucesso na filha). Pronto! Duas peruas baianas, colegas de juventude, unindo seus filhos. O final perfeito pra eles e viveriam felizes para sempre.





*Marcelo Ramos é formado em Publicidade pela UFRJ e mestrando em Comunicação pela mesma Universidade. É sempre uma honra ter os seus textos postados no blog.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Quero ser ator. E agora?


Por Bernardo Dugin


Muita gente me pergunta qual caminho trilhar para ser ator. O que fazer para chegar às telinhas? Como brilhar no teatro? Tem que ter QI (quem indica)? DRT (registro profissional) resolve? Um desespero só...
Antes faço uma pergunta: você quer ser ator ou quer ser famoso?
...

Depois de um longo silêncio e de deixar a pessoa pensando, digo: tem que ESTUDAR! Muito! Quase que "para sempre".

Tem que amar o que faz porque é muito difícil sobreviver da arte. 

Quer fazer televisão?

Saiba que as grandes emissoras que fazem dramaturgia estão no Rio e em São Paulo. Se você não tem oportunidade de se mudar para as capitais, ou quem sabe para fora do país, continue fazendo teatro em sua cidade.

Leia. Leia!

Cuide da aparência, da voz e do corpo. Eles são seu instrumento de trabalho. A TV é cruel com a imagem. Implica com os gordinhos. Ou você é gordo, gordo, gordo ou magro.  Repare: o meio termo é raro. Para um pequeno conforto, existem as exceções em que o talento falou mais alto.

Não se mate para querer ser o mocinho ou a mocinha perfeita da novela.

Não fuja da sua essência. Existe papel pra todo mundo. Ator trabalha até morrer.

Tenha em mente que trabalho chama trabalho. Não fique parado em casa esperando oportunidades surgirem. Crie oportunidades. Escreva projetos, mas na hora de buscar patrocínio, não peça favor, não peça esmola. Ofereça seu produto, ofereça parceria. Por que vale a pena a marca associar o nome dela ao seu espetáculo? As empresas devem encarar como investimento.

Filme curtas, experimente. Erre, acerte. O youtube está aí para isso!
Não fique com vergonha de pagar mico, a maioria dos bons atores da atualidade já fracassou em alguns trabalhos.
Mas, atenção. Bom senso é fundamental.

Guarde todos os materias gráficos com seu nome. Reúna tudo numa pasta. Isso comprovará a sua história nas artes (inclusive o ajudará a tirar o DRT).

Invista em cursos. Mas, cuidado com os charlatões! 

Invista em seu material de trabalho. Tenha fotos de qualidade.
Saiba que ator não é modelo. Fazer poses, achar que é sensual queima o filme.
Foto de ator deve ser natural. Frontal, com sorriso, pouca maquiagem e roupas casuais.

Um videobook é fundamental para certos trabalhos. Ele será um cartão de visita para que os produtores de elenco tenham noção sobre sua atuação, dicção e perfil. Atenção ao texto: não force no drama, nem tente ser engraçado demais.
Vá na sua verdade.

E tenha na cabeça uma certeza: um dia sua hora vai chegar. 
Mas para ficar no mercado, não basta a sorte. Tem que ter talento e surpreender a cada trabalho.

Bons estudos para nós.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Retrato de Dorian Gray

                                                                                                             
Por Antenor Azevedo


Uma história envolvendo uma paixão de um pintor por um modelo, a beleza como única solução para os problemas e vida dupla, no século XXI não são uma novidade para a sociedade, mas nos anos finais de 1800 isso causou um reboliço no high society da Inglaterra e arredores.

Muito influenciado pelo Esteticismo, movimento recém-chegado na época, Oscar Wild foi convidado a escrever um livro repleto de ideias esteticistas. Uma visita ao estúdio de um pintor, Wild viu a pintura de um jovem modelo finalizada e pensou: “é uma pena que tal gloriosa criatura um dia envelheça”. E o pintor consentiu respondendo que “seria maravilhoso se ele pudesse permanecer exatamente como ele é a imagem do quadro que deveria ganhar as marcas do tempo”. Depois do ocorrido, a primeira edição do polêmico “O Retrato de Dorian Gray” foi lançada em 20 de junho de 1890 na revista literária norte-americana Lippincott’s Monthly Magazine. 

Um jovem com seus 17 aninhos dono de uma beleza apaixonante tirava o sono de homens e mulheres por onde passava, sabe quando uma pessoa entra num lugar e nos remete aquele efeito câmera lenta, aquela magia?  Assim era com Dorian, Basil Hallward, famoso pintor entre os nobres, logo quis fazer uma obra com a figura do reservado rapaz.
Quadro finalizado, Dorian é apresentado ao interessante e cínico Lorde Henry Wotton, esse é daqueles que coloca perdida a pessoa de alma mais pura. Harry, assim chamado pelos mais próximos, logo ficou amigo de Gray, colocando certas ideias na cabeça do rapaz que mudaria seu destino para sempre.
Seduzido pelo mundo da beleza e da vida profana, Dorian sente-se capaz de tudo, ele vê todos rastejando aos seus pés, eu diria que ele tinha uma estima muito elevada não fosse sua fraqueza mental ao deixar-se influenciar por terceiros.


Com tantas polêmicas, Oscar Wild teve que relançar o livro acrescentando algumas histórias para suavizar um pouco a vida desse moço bonito chamado Dorian Gray. A versão original, a mais polêmica e intensa e essa que eu recomendo que vocês leiam, contém 13 capítulos e a segunda versão finalizou em 20 capítulos.

Claro que eu não iria revelar os lances dessa maravilhosa obra prima, espero que leiam e se deliciem. 

Segue abaixo o trailer do filme 


sábado, 23 de junho de 2012

"Hoje é dia de Maria" e "Once upon a time": refazendo os contos de fadas

Por Paula Teixeira


Estamos em uma onda de contos de fadas. E isso não é de agora.  O filme "Shrek", por exemplo, já é uma adaptação, uma quebra aparente dos paradigmas dos contos. Mas algo nunca muda nessas estórias: a questão moral e, principalmente, a estrutura arquetípica.

Uma das teorias mais adequadas para analisar esse tipo de produção é a psicologia analítica ou junguiana. Sua base foi desenvolvida por Carl Gustav Jung que, diferentemente de Freud, leva em consideração o místico, o religioso e outros aspectos para analisar a estrutura da psiquê humana, individual e coletiva.

Coletiva. Obras arquetípicas chamam muito a atenção do público. Parecem puxar algo que está guardado em um lugar perdido. Reacendem buscas individuais que são as jornadas de todos, desde que o mundo "é" mundo.

Jornada. Tanto "Hoje é dia de Maria" quanto "Once upon a time" apresentam jornadas de personagens femininos, em um enredo rodeado de imagens arquetípicas. A primeira adapta e exalta as especificidades do folclore brasileiro, adaptado para o formato do conto de fadas. A segunda mergulha o estilo de vida ocidental (não só norte-americano, mas de grande parte do mundo atual) na magia dos fairy tail.

Nas duas tramas, os arquétipos femininos dominam. Em "Hoje", Maria (Carolina Oliveira/Letícia Sabatella)  representa uma Cinderela às avessas, a menina do conto pele de asno, entre outros. Ela é forte e rompe as barreiras. Luta contra uma Madrasta má (Fernanda Montenegro), uma mãe postiça que usurpa sua identidade de filha.


Maria - "Hoje é dia de Maria" Foto: Divulgação TV Globo


Em "Once", Emma (Jennifer Morrison) precisa cumprir o seu destino: resgatar os personagens de contos de fadas que estão presos em uma pequena cidade nos EUA, curiosamente chamada de StoryBrooke. Ela é cética, impulsiva e com forte retidão moral. A perfeita heroína em uma jornada que mescla realidade e fantasia.

Nas duas estórias, todas as personagens femininas são ativas, lutam pelo que querem. São guerreiras e não apenas meras princesas. Temos também representações falhas do feminino: a madrasta. Elas sempre têm inveja das mais jovens e são extremamente egoístas. A competição mina a relação entre protagonistas e antagonistas femininas. O sobrenome da personagem, Swan (significa Cisne, em inglês), ainda indica o processo de transformação, individuação. 


Elenco - "Once upon a time" Foto: Divulgação ABC


Ledo engano pensar que estórias assim são maniqueístas. Elas separam sim o bem e o mal, mas é uma divisão simbólica. Na psiquê individual é justamente esses dois polos que colidem. E os contos de fadas clamam por esse conflito. No dia a dia, temos sempre que escolher um caminho: o mais fácil ou o mais difícil. Normalmente, o mais fácil corresponde a coisas que moralmente podem não ser aceitas e que geram consequências ruins mais a frente. O mais difícil costuma ser o mais correto.

As duas estórias têm outros dois componentes recorrentes em estruturas de contos: espaço e representação do mal misturado com a ideia de tempo. No caso de "Hoje", esse espaço é a caatinga do nordeste, regionalizando a obra. Ela precisa atravessar esse espaço para chegar ao seu objetivo, as franjas do mar (mar, na psicologia analítica, representa o inconsciente, se autoconhecer).

Em "Once upon a time", o espaço é sempre uma floresta que tem uma estrutura parecida tanto quando a estória está ambientada na "realidade" quanto na fantasia. Todos precisam procurar, fugir, achar algo nesse lugar.

O outro componente é um ser maléfico, poderoso. Em "Once", ele é o Mr. Gold ou Rumpelstiltskin (Robert Carlyle). Para além da concessão de desejos, ele parece dominar o tempo. Ele oferece a caminhada mais fácil, mas sempre cobra o preço por esse "adiantamento".

"Hoje é dia de Maria" tem, literalmente, o capeta! Asmodeu (Stênio Garcia) aparece nas diferentes formas, com uma caracterização judaíca-cristã. E suas artimanhas também são bem brasileiras! Ele também oferta a realização dos desejos. Maria sempre recusa suas propostas.

A relação entre esse tipo de estrutura narrativa e de conteúdo com a psicologia analítica é complexa. Cada personagem representa um faceta ou um arquétipo. O mais forte em ambos é o feminino, demonstrado na relevância das personagens femininas. Tantos as do "bem" quanto as do "mal". Ambas são faces da mesma moeda.

Estórias assim inspiram as crianças. Elas parecem resgatar algo escondido, velado. A luta pela construção da personalidade que enfrentarão. Os contos representam de forma extremamente simbólica os conflitos externos e, especialmente, os internos.

Para os adultos que são fisgados pelas estórias, que se identificam ou projetam sua vida nos personagens, é a oportunidade de uma reflexão muitas vezes não percebida, que acontece nas profundezas do inconsciente e questiona: o que sou e o que quero ser.


Confira vídeos de "Hoje é dia de Maria" e "Once upon a time". Repare nas semelhanças:

"Hoje é dia de Maria"


"Once upon a time"

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