Por Eduardo Vieira
Na história das novelas, e
principalmente pelos livros já lançados que cobrem a teledramaturgia, são
sempre citadas cenas super clássicas dessas histórias. Como exemplo, podemos
citar em “Saramandaia” a famosa cena da explosão da personagem Dona Redonda, o
final de “O Casarão” quando João Maciel e Carolina se reencontram na Confeitaria
Colombo, depois de um amor suspenso pelo tempo ou o famoso entrave no café da
manhã de Bimbo e Cumbuca em “Guerra dos Sexos”.
Nada como o tempo para dar
status de clássicos a essas cenas, mesmo sabendo que nessas e em muitas outras
novelas há momentos tão bons ou até melhores, mas há de se eleger algumas e vem
à cabeça o que li sobre teledramaturgia desde as comunidades do orkut até os comentários
diários no facebook ou em blogs
especializados.
As cenas clássicas hoje são
aquelas que têm uma excelência de escrita e de interpretação. Geralmente têm
surgido no clímax de uma história ou até despretensiosamente, causando
surpresas, catarses e até raiva nos espectadores.
Nas novelas atuais é
possível enxergar cenas que marcaram e já se tornaram um tanto clássicas pelo esmero com que foram feitas. Se são ou não merecedoras desse adjetivo tão
desgastado atualmente, só o tempo dirá.
Mesmo assim atualmente é
possível apontar cenas que se tornaram ilustres por várias razões.
Recentemente em “Cheias de Charme”
houve duas que chamaram a atenção: uma engraçada
e outra dramática, porém as duas redentoras, de limpar a alma do brasileiro
médio que se refugia nesse espaço
ficcional para além de se entreter também poder crer que às vezes algumas coisas
podem ser justas, numa esperança sem fim que a vida imite a arte.
A primeira delas aconteceu quando
a empregada Cida libertou-se dos grilhões da família Sarmento que a explorara
por todo o sempre, bem no dia do casamento da irmã da “gata borralheira”, sendo
capturada por uma carruagem na forma de uma limousine cor de rosa e resgatada
pelas colegas empreguetes. Outra cena bem mais contundente foi a constatação e
a decepção de um pai perante a desonestidade de um filho, cena muito bem feita,
envolvendo grandes interpretações de Leopoldo Pacheco, Tato Gabus, Taís Araújo
e Humberto Carrão.
Nessas últimas novelas, nas
duas últimas décadas pode-se citar algumas cenas particulares que me
sensibilizaram por razões as mais diversas.
Vemos, por exemplo, em “Viver
a Vida”, novela massacrada pelo público noveleiro, uma cena polêmica (adjetivo
ainda mais gasto), a famosa cena do tapa que a personagem de Lília Cabral, Tereza,
desfere em Helena, a personagem principal da trama, por esta ter dado um tapa
em sua filha e ter desencadeado (segundo a mãe) o acidente em que ela teria ficado paraplégica. Alguns enxergaram
com o olhar do racismo jamais abordado pelo autor Manoel Carlos, diga-se de
passagem inteligentemente, outros não perdoaram a heroína rebaixar-se a tal
ponto de ajoelhar e expiar a sua culpa de tal modo.
Seja por qual razão tenha
sido, (se é que a ficção deve tê-las) não se pode negar a excelência da escrita
da cena, (duração) em que se comprova o talento das duas exuberantes atrizes, Taís
Araújo e Lília Cabral, talvez o melhor momento desta última no folhetim.
Também, recentemente, vimos
numa das várias cenas (Araguaia) das atrizes Laura Cardoso e Flávia Guedes, uma cena que se
destaca, quando a personagem de Laura Cardoso, dona Mariquita, pede à agregada
para cuidar de seu neto Solano caso aconteça algo com ela. A cena veio mostrar
todo o respeito que a senhora implicante tinha na verdade pela fiel Aspásia, levando
as duas atrizes às lágrimas e os espectadores idem.
Já uma outra cena,
igualmente memorável e completamente
oposta a esta, aparece em “Passione”, de Silvio de Abreu quando a ótima
personagem Clô vai visitar a família quatrocentona de sua ídola Beth Gouveia
para dar os pêsames pela morte do filho da milionária e começa a relatar as
agruras de seu período numa kitchnette, momento
glorioso de três atores maravilhosos, a dona da cena, Irene Ravache, a
receptora, Fernanda Montenegro, num registro diferente da sofreguidão eterna de
sua personagem e de Leonardo Villar que aparece no final para encerrar
brilhantemente essa cena de comédia tão bem feita e escrita.
Minha cena clássica
preferida dessa semana foi a que se deu na mansão da vilã das nove, Carminha, quando tudo que parecia ser mais uma cena de cumplicidade entre a mau caráter e a heroína, como houve várias, desponta em uma cena cheia de mágoa e sentimentos
que nos leva ao início da novela quando a menina desafia a madrasta. A
personagem de Débora Fallabella não consegue sustentar o ar subserviente de sua
nina e não ouve direito o que Carminha tem a dizer. Esta, que já está sem
paciência com os mimos da criada trata-a com desprezo e agressividade, momento
especial nesse balé que essas duas atrizes compõem.
É sempre espetacular
sabermos que em pleno 2012, cenas como essas, sejam dramáticas ou cômicas,
estejam presentes nas novelas de agora, por vezes tão injustamente criticadas
por um público cada vez mais exigente.
E pra vocês, quais são os
seus miniclássicos particulares?













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