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domingo, 13 de dezembro de 2015

As vilãs de Ana Beatriz Nogueira


Por Henrique Melo

No ar em Além do Tempo, a experiente Ana Beatriz Nogueira dá vida (novamente) a uma vilã. Sua Emília Beraldini é amarga, vingativa e carrega as dolorosas marcas de ter sido abandonada pela mãe, Vitória Ventura, ainda criança. Uma personagem tão profunda e cheia de nuances, brilhantemente defendida pela atriz que sabe como ninguém interpretar megeras deste gênero.

O olhar altivo, quase duro, a voz rouca e a sofisticação de Ana lhe conferem um ar antagônico, mesmo quando interpreta personagens “do bem”. Não é de hoje que essa dama da TV provoca a ira do público com as maldades de suas vilãs. Como forma de homenagem, e congratulação, ao trabalho primoroso da atriz no atual folhetim das 18h global, vale a pena relembrar outras vezes em que ela aterrorizou na pele do mal.

Ana Paula Dinis Moutinho – Celebridade



Apesar de não ser a antagonista da história, Ana Paula era uma oponente de peso. Não teve a mesma sorte que a irmã Maria Clara Diniz, objeto de seu ódio, ambição e inveja. Por isso, aliou-se a pérfida Laura Prudente para poder destruir Maria Clara. Foi a primeira malvadona da longa lista de Ana Beatriz e foi tão bem recepcionada pelo público, que rendeu outros tantos personagens do mesmo naipe.

Leocádia – Essas Mulheres


Na adaptação livre das obras de José de Alencar para a telenovela Essas Mulheres, da Record, Ana viveu Leocádia, uma matriarca nada gentil. Empenhada em perseguir a filha Mila, todas as vezes que Leocádia entrava em cena a nossa vontade era espancar a tela da TV!

Lili Sampaio – Bicho do Mato


Durante quase toda a exibição da novela, todos julgavam que a personagem Lili Sampaio de Bicho do Mato fosse do bem. Aliás, a jornalista vivida por Ana nesta novela revelava um grande lado cômico, surpreendendo a todos no desfecho da história quando foi revelado que ela era uma das aliadas do vilão Ramalho e a responsável pelo assassinato do mesmo.

Frau Herta – Ciranda de Pedra


A primeira grande vilã de Ana Beatriz Nogueira, Frau Herta foi responsável por muitas maldades nesta readaptação para a TV da obra Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Teles. Uma governanta fria, ardilosa e calculista, que engendrava planos diabólicos ao lado do patrão Natércio, vivido por Daniel Dantas. Em uma atuação impecável, a atriz não deixou a dever em nada para o também primoroso trabalho de Norma Blumm na versão de 1981.

Eva – A vida da gente


Outra antagonista de peso de Ana e talvez o melhor momento da atriz na telinha global. Eva era uma mãe manipuladora, que não escondia de ninguém a predileção pela filha Ana e o desprezo por Manuela, a quem destratava constantemente. Por ser um texto mais realista, Eva não era uma personagem muito maniqueísta e de grandes vilanias, porém não menos detestável. A título de comparação, lembrava (de longe) a Branca Letícia de Por Amor remoçada e mais humana. Rendeu ótimos momentos, como os em que discutia com a mãe Iná ou com a neta Júlia.

O fato é: seja como heroína ou como nêmesis, Ana Beatriz Nogueira sempre dá um show! Todos esperamos que em Além do Tempo, Emília perdoe Vitória e se torne uma mulher melhor graças ao amor de Bernando, rumando para o final feliz. Enquanto isso não acontece, vamos acompanha-la por muito tempo empenhada em se vingar da mãe.

Ao lado de outras divas como Fernanda Montenegro, Joanna Fomm, Cláudia Raia, Adriana Esteves, Eva Wilma, Elizabeth Savalla, Marília Pêra, Drica Moraes e tantas outras famosas por suas vilãs, Ana já faz presença com seu talento inquestionável. 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os seriados da TV Cultura que marcaram a minha, a sua, a nossa infância


Por Henrique Melo

Uma boa maneira de celebrar a infância, neste dia 12 de outubro, é relembrar as saudosas atrações infantis da TV Cultura. Para quem foi criança na década de 80, 90 e até no comecinho dos anos 2000, é um banho de nostalgia voltar aos velhos tempos de fazer o dever de casa correndo e grudar em frente à televisão.
Fundada em 1960, pelos Diários Associados, a emissora paulistana se popularizou pelo seu conteúdo de qualidade. No que diz respeito ao segmento infantil, sempre foi uma grande alternativa às atrações importadas de fora, exibidas pelas outras emissoras, comprovando a eficácia da união entre algo educativo e atraente aos olhos dos pequenos.

Abaixo, vou elencar alguns programas que fizeram parte da minha infância. E da de muita gente também, COM CERTEZA!


     01.  Vila Sésamo (1972 a 1974)



Há exatamente 43 anos estreou o programa Vila Sésamo, produzido pela Cultura em parceria com a Rede Globo. Inspirado no sucesso norte-americano Sesame Street, foi uma atração de grande repercussão na década de 70. Apesar de não ter feito parte da minha infância, achei legal citá-la aqui, principalmente pela importância que teve para nossos pais e avós.

Vila Sésamo foi exibida pela Cultura até 1974, quando sua parceira Vênus Platinada assumiu inteiramente a produção do programa. Mesclando assuntos educativos, como higiene e trânsito, por exemplo, com uma grande dose de humor e diversão, o programa lançou personagens que até hoje povoam o universo infantil. 

O atrapalhado pássaro Garibado (confesso que tenho medo dele), o tamanduá Funga-Funga e os Mupets são figuras conhecidas até por quem – assim como eu – nunca chegaram a acompanhar o programa.






     2.  Bambalão (1977 a 1990)




“Esta história entrou por uma porta e saiu pela outra. Quem souber, que conte outra!” Este bordão marcou a infância de muitos pequenos da década de 80. Um premiado programa educativo, cheio de competições, brincadeiras, e é claro, muita história! Tudo isso remetendo ao universo circense.



     03.  Rá Tim Bum (1990 a 1994) 


A minha atração favorita da Cultura. O sucesso de Rá Tim Bum foi tão grande que chegou a ganhar o prêmio Medalha de Ouro, no Festival de Nova York. Ao longo de seus 192 episódios, reprisados constantemente com sucesso, a série revolucionou a forma de se fazer um programa infantil, indo de encontro aos moldes tradicionais.

Quem não se lembra do bordão “Senta que lá vem história”? Ou do Jornal da Criança? Ou do Professor Tibúrcio? Da Nina e da Boneca Careca? Se eu for citar todos os quadros consagrados da atração, terei que fazer um post exclusivo! O clipe de abertura fazia referência a Máquina de Rube Goldberg e é impossível não ser atacado por uma onda de nostalgia ao revê-la. 

Sem subestimar a inteligência dos pequenos, Rá Tim Bum tratava de forma lúdica sobre assuntos de grande importância, como alfabetização, cuidados com a higiene, matemática, saúde e entre outros. Entrou para o hall da cultura cult, quando se trata de algo voltado para o público infantil. 




     04.  Glub Glub (1991 a 1999)


Outro programa que fez a alegria das crianças na década de 90. Era apresentado por um casal de peixes, ambos chamados Glub, que assistiam desenhos animados em uma televisão caída no fundo do mar e abastecida por um peixe-elétrico. 


Muitas animações vindas de países como Alemanha, República Tcheca, Inglaterra, França e Bélgica foram exibidos no Glub Glub. Alguns deles se tornaram icônicos, como o Pingu, onde uma família de pinguins se comunicavam por um dialeto incompreensível.

     05.  X Tudo (1992 a 2002)


Outro programa assistido por pelo menos nove em cada dez crianças noventistas, X Tudo foi um grande sucesso da Cultura em parceria com o SESI. Mais uma vez, a emissora inovou com uma atração infantil educativa e diferente, tratando de todo tipo de assuntos, como biologia, química, matemática, culinária, esportes, física e por ai vai! Ensinava sem adotar um ar professoral. Pelo contrário, nós nem percebíamos que aquilo na verdade era uma grande “aula” disfarçada. Quem não cantava junto aquela musiquinha de abertura: “Xiiiiiiiiiiiiiiiiis... Tuuuuuuuuuuuuuuuuudo!”?


     06.  Cocoricó (1996 a 2013)


Talvez o mais famoso e duradouro programa infantil da TV Cultura, já ganhou quatro prêmios, um deles internacional, e é exibido fora do Brasil. Fez parte da vida de muitas crianças, inclusive aquelas que nasceram após a década de 90.

Cocoricó conta a história de Júlio, um garoto da cidade grande que vai passar as férias na fazenda de seus avós. Lá ele encontra vários amigos, como o cavalo atrapalhado Alípio, o papagaio Caco, a vaca Mimosa, as galinhas Lilica, Lola e Zazá e outros personagens que foram aparecendo no decorrer dos anos.  Impossível ouvir a música da abertura e não lembrar daqueles finais de tarde da infância... “Tá na hora do Cororicó/O Júlio na gaita/E a bicharada no coco-coral".


     07.  Confissões de Adolescente (1994 a 1995)


Apesar de não ser exatamente voltado ao público infantil, essa série também é um marco. Com um elenco jovem, afiado e muito bonito, levantou questões tabu (para a época, principalmente) de um jeito que só a Cultura sabe fazer. A trilha sonora é um outro grande destaque.


     08.  O Mundo da Lua (1991 a 1992)


Outro campeão de audiência da emissora, Mundo da Lua povoou a imaginação de muitas crianças. Todos os meninos e meninas sonhavam em ter um gravador igual ao do Lucas Silva e Silva. Afinal, qual foi a criança que nunca sonhou em criar um mundo alternativo para viver? Cada episódio era uma aventura diferente, nos quais – como não poderia deixar de ser- lições importantes sempre ganhavam espaço no desfecho. 


O programa nos ensinou que não há como fugir dos problemas do mundo real, pois até mesmo numa realidade paralela as coisas podem sair de controle. Crescer é enfrentar as situações difíceis de frente... E o sonhador Lucas estará para sempre em nossos corações. “Planeta terra chamando!”.

     09.  Castelo Rá Tim Bum (1994 a 1997)



Clift, cloft, still... A porta se abriu! E mais uma vez temos acesso ao mundo mágico do Castelo Rá Tim Bum. De todos os programas infantis da Cultura, Castelo foi o de maior audiência até hoje, tendo sido adaptado para o cinema e até mesmo recebido uma exposição em sua homenagem, no Museu da Imagem e do Som. 

Acompanhar as peripécias de Nino, um solitário garoto de 300 anos, Biba, Pedro e Zequinha era como fazer uma viagem a um mundo lúdico, surreal e quase bizarro. No universo deste castelo, há duas botas roqueiras chamadas Tap e Flap, também uma cobra falante conhecida como Celeste, duas fadas gêmeas que moram no lustre do lugar, Lana e Lara, os dedos (também roqueiros) que ensinam a contar e lavar as mãos, um monstro habitante dos encanamentos, conhecido como Mau e seu amigo Godofredo, espécie de elfo-ratazana, o Porteiro, o Relógio, a gralha Adelaide, o João de Barro instrumentista e as patativas, os cientistas Tíbia e Perônio, Miau, o gato bibliotecário, o Telekid e até um Ratinho que toma banho e escova os dentes.

Considero Castelo Rá Tim Bum o melhor programa infantil que já vi, em termos de produção, roteiro e conteúdo. Tudo era muito bem encaixado e sempre com um propósito educativo. Números musicais antológicos como “Meu pé, meu querido pé” e “Uma mão lava a outra” ensinavam hábitos de higiene para as crianças, sem cair na pieguice. 


Outro destaque do programa eram seus “personagens adultos”, muito bem construídos e que interagiam brilhantemente com os bonecos e o elenco infantil. A bruxa Morgana, Dr. Victor e seu bordão “Raios e Trovões”, que quase provocava uma tempestade, o entregador de pizza Bongô, a jornalista Penélope, o ET Etevaldo, a Caipora e o Dr. Abobrinha eram divertidos e sempre pareciam estar muito à vontade em cena. Infelizmente, raramente encontra-se algo assim nos dias de hoje. 



     10.  Ilha Rá Tim Bum (2001 a 2002)



  Pelo menos na minha infância, este seriado foi histórico! Três adolescentes e duas crianças perdidos numa ilha deserta. A história poderia ser clichê, se não fosse tão bem desenvolvida e construída. Era lei chegar na escola e conversar sobre a Ilha, defender meus personagens favoritos, ficar ansioso para saber o que aconteceria no próximo episódio...


Uma diferença entre este programa e os outros da trilogia Ra Tim Bum, era a narrativa serializada, concentrada nos personagens principais e sem quadros avulsos, muito semelhante aos seriados americanos que começavam a se popularizar na época. O sucesso da produção saiu das telas da TV e ganhou os cinemas com o filme O Martelo de Vulcano.

     11.  Tudo o que é sólido pode derreter (2009)


Mais uma produção que não era voltada especialmente para as crianças e nem fez parte da minha infância, mas vou citá-la por sua importância tele dramática. Tudo o que é sólio pode derreter mesclava literatura brasileira com problemas da adolescência, através da ótica de Thereza, sua protagonista, que associava os dilemas do seu dia a dia aos vividos por personagens de clássicos como Dom Casmurro.


     12.  Pedro e Bianca (2012)


Provavelmente daqui a 10 anos, as futuras gerações lembrarão de Pedro e Bianca com a mesma saudade que nós, hoje, lembramos de Castelo Rá Tim Bum, Mundo da Lua e cia. Mais um grande acerto da Cultura no segmento jovem, assim como Confissões de Adolescentes e Tudo o que é Sólido Pode Derreter, essa série retrata com muito humor e realismo a vida de dois irmãos gêmeos de classe média.


Pedro e Bianca são gêmeos bivitelinos. Ele branco e ela negra. Os dois se veem envolvidos em muitas confusões por causa disso, mas gostam muito do outro. Assuntos como orientação sexual, preconceito racial, ascensão da Classe C, perda da virgindade e tantos outros são abordados pela série, sempre com o selo TV Cultura de qualidade.


Infelizmente, todos sabemos da atual situação da TV Cultura. Seja como for, espero que Pedro e Bianca não seja o canto do cisne desta grandiosa emissora e que ela possa nos brindar com muitas outras produções primorosas. Com um histórico de dar inveja, a segunda melhor emissora do mundo, em termos de qualidade, nunca morrerá, independente do que acontecer futuramente. A Cultura vai continuar Viva, juntamente com a criança que habita dentro de cada um de nós.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A magia do anti-heroísmo na ficção



Por Henrique Melo

Em minha postagem anterior aqui no blog, falei um pouco sobe os vilões e o fascínio provocado por esses personagens, tão aclamados pelo público. Mas nem só de maldades versus bondades vive o universo ficcional. Existe uma categoria que dança na corda bamba de sombrinha entre a turma do bem e do mal: a dos anti-heróis.

Ao contrário do arquétipo de herói, proveniente da antiguidade grega e cujos personagens são dotados de grandes virtudes, voltando-se sempre contra o mal provocado pelos vilões e se sacrificando em nome de uma razão nobre, os anti-heróis são personagens mais comuns e que agem movidos por interesses pessoais. Muitas vezes se utilizam de métodos pouco aceitáveis, como vingança, roubo e até homicídio. Mesmo diante disso, recebem a torcida popular e ganham admiradores. 


Não podem ser considerados maus ou vilões devido ao seu lado mais humano. Os anti-heróis carregam traumas do passado, como maus tratos na infância, assassinatos dos pais e por aí vai... Também são carismáticos e têm atitudes heroicas, embora visem, quase sempre, o benefício próprio. Nasce daí o jogo dúbio, que tem rendido ótimas produções ultimamente, tanto na literatura, quanto no Cinema e na TV.


Vejamos alguns exemplos:

Beto Rockefeller


Interpretado por Luís Gustavo na saudosa TV Tupi, o personagem Beto Rockefeller foi o responsável por uma grande revolução nas telenovelas brasileiras. O simplório vendedor de sapatos consegue se infiltrar na alta sociedade paulistana, passando-se por herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes dos EUA: os rockefeller.

Odorico Paraguaçu – O Bem Amado


O prefeito de Sucupira adora levar o seu povo no bico. Abusando de neologismos, Odorico Paraguaçu sempre se utiliza de um discurso pouco compreensível e de sua lábia irresistível. Determinado a inaugurar um cemitério em Sucupira, uma cidade onde ninguém morre, Odorico contrata os serviços de um assassino de aluguel.

Comendador José Alfredo – Império


O último sucesso global no horário nobre, Império, tinha como protagonista o garimpeiro José Alfredo que constrói um verdadeiro império ao se tornar traficantes de diamantes. Além disso, o personagem teve um caso com a cunhada, matou, mentiu e traiu a esposa com uma moça bem mais jovem. Sua (suposta) morte no desfecho do folhetim causou rebuliço nas redes sociais, pois muitos a julgaram “injusta”. 

Walter White – Breaking Bad


De professor de química a traficante, Walter White faz de tudo para se curar do câncer e garantir uma vida segura a sua esposa e filho. Na aclamada série americana, ele chega até mesmo a matar friamente. Mas o público o adora.

Dr. House


O mesmo acontece com o arrogante House, personagem de Hugh Laurie na série homônima. Apesar de salvar muitas vidas a cada episódio, seu mau-humor e ego inflado o tornam deliciosamente insuportável.

Malévola


Na readaptação feita pela Disney em 2014, a personagem-título deixa de ser uma vilã para se tornar a anti-heróina da história. Ao se vingar de seu amor do passado, ela lança uma maldição sobre a filha dele. Anos depois, arrependida do que fez, passa a proteger a garota. 

Amora – Sangue Bom


A protagonista de Sangue Bom passou uma infância difícil nas ruas, sem ter ao menos um par de sapatos para calçar. Após ser adotada por uma atriz decadente, Amora virou o jogo e se tornou uma ambiciosa it girl, humilhando e pisando em todo mundo (com um dos milhares de pares de sapatos de seu closet). 

Sister Jude – Asylum (2º temporada de American Horror Story)


Judy atropelou uma menina enquanto dirigia embriagada e fugiu sem prestar socorro. No manicômio católico de Briarcliff encontrou abrigo e se converteu, tornando-se Sister Judy. Mas seu lado freira está longe da santidade, pois ela é sádica e cruel. Após pagar (com juros) por todos os seus pecados nas mãos da literalmente diabólica Sister Mary Eunice, Judy se arrepende de suas maldades e ajuda Lana Banana, que estava internada injustamente no lugar, a fugir.

Severus Snape – Saga Harry Potter


O ranzinza professor de poções sempre pareceu fazer parte da galera do Lorde Voldemort. Mas no fim da história, descobriu-se que o tempo todo Snape se empenhou para proteger Harry Potter, filho de sua grande paixão da adolescência, das maldades do Lorde das Trevas. 

Jacques Laclair e Victor Valentim


No bem sucedido remake de Ti Ti Ti (2010), pudemos nos divertir com as peripécias de dois canalhas: André Spina, vulgo Jacques Laclair, e seu inimigo de morte Ariclenes Martins, que ficou conhecido nos tabloides de fofoca como Victor Valentim. Enquanto um não tinha o menor talento para ser estilista, se aproveitando de sua amante Jacqueline Maldonado para poder criar modelos fashions, o outro nunca tinha pegado em uma agulha na vida, copiando descaradamente os vestidos que a morada de rua Cecília, a quem passa a ajudar, criava para suas bonecas. 

Atualmente, temos um exemplo de anti-heroína clássica na novela das 21h global, a Inês de Babilônia. Determinada a se vingar de sua amiga de adolescência, Beatriz, que se envolveu com seu pai quando as duas ainda eram jovens e foi responsável por sua prisão. Eu, particularmente, estou aguardando com imensa ansiedade o momento em que Inês irá fazer sua rival pagar pelos crimes que cometeu. E espero que isso movimente a audiência da novela que, até agora, tem se mostrado inexpressiva. 


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Por que os vilões nos fascinam?


Por Henrique Melo

Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora, contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais doentios da essência humana.


Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú. Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.

Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes, ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no desfecho de tudo. 

Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.

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Como afugentar gente chata com elegância.
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Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são dotados de um lado bom e ruim. 



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