No ar em Além do Tempo, a experiente Ana Beatriz Nogueira
dá vida (novamente) a uma vilã. Sua Emília Beraldini é amarga, vingativa e
carrega as dolorosas marcas de ter sido abandonada pela mãe, Vitória Ventura,
ainda criança. Uma personagem tão profunda e cheia de nuances, brilhantemente
defendida pela atriz que sabe como ninguém interpretar megeras deste gênero.
O olhar altivo, quase duro, a voz rouca e a sofisticação
de Ana lhe conferem um ar antagônico, mesmo quando interpreta personagens “do
bem”. Não é de hoje que essa dama da TV provoca a ira do público com as
maldades de suas vilãs. Como forma de homenagem, e congratulação, ao trabalho
primoroso da atriz no atual folhetim das 18h global, vale a pena relembrar
outras vezes em que ela aterrorizou na pele do mal.
Ana Paula Dinis Moutinho – Celebridade
Apesar de não ser a antagonista da história, Ana Paula
era uma oponente de peso. Não teve a mesma sorte que a irmã Maria Clara Diniz,
objeto de seu ódio, ambição e inveja. Por isso, aliou-se a pérfida Laura
Prudente para poder destruir Maria Clara. Foi a primeira malvadona da longa
lista de Ana Beatriz e foi tão bem recepcionada pelo público, que rendeu outros
tantos personagens do mesmo naipe.
Leocádia – Essas Mulheres
Na adaptação livre das obras de José de Alencar para a
telenovela Essas Mulheres, da Record, Ana viveu Leocádia, uma matriarca nada
gentil. Empenhada em perseguir a filha Mila, todas as vezes que Leocádia
entrava em cena a nossa vontade era espancar a tela da TV!
Lili Sampaio – Bicho do Mato
Durante quase toda a exibição da novela, todos julgavam
que a personagem Lili Sampaio de Bicho do Mato fosse do bem. Aliás, a
jornalista vivida por Ana nesta novela revelava um grande lado cômico,
surpreendendo a todos no desfecho da história quando foi revelado que ela era
uma das aliadas do vilão Ramalho e a responsável pelo assassinato do mesmo.
Frau Herta – Ciranda de Pedra
A primeira grande vilã de Ana Beatriz Nogueira, Frau
Herta foi responsável por muitas maldades nesta readaptação para a TV da obra
Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Teles. Uma governanta fria, ardilosa e
calculista, que engendrava planos diabólicos ao lado do patrão Natércio, vivido
por Daniel Dantas. Em uma atuação impecável, a atriz não deixou a dever em nada
para o também primoroso trabalho de Norma Blumm na versão de 1981.
Eva – A vida da gente
Outra antagonista de peso de Ana e talvez o melhor
momento da atriz na telinha global. Eva era uma mãe manipuladora, que não
escondia de ninguém a predileção pela filha Ana e o desprezo por Manuela, a
quem destratava constantemente. Por ser um texto mais realista, Eva não era uma
personagem muito maniqueísta e de grandes vilanias, porém não menos detestável.
A título de comparação, lembrava (de longe) a Branca Letícia de Por Amor
remoçada e mais humana. Rendeu ótimos momentos, como os em que discutia com a
mãe Iná ou com a neta Júlia.
O fato é: seja como heroína ou como nêmesis, Ana Beatriz
Nogueira sempre dá um show! Todos esperamos que em Além do Tempo, Emília perdoe
Vitória e se torne uma mulher melhor graças ao amor de Bernando, rumando para o
final feliz. Enquanto isso não acontece, vamos acompanha-la por muito tempo
empenhada em se vingar da mãe.
Ao lado de outras divas como Fernanda Montenegro, Joanna
Fomm, Cláudia Raia, Adriana Esteves, Eva Wilma, Elizabeth Savalla, Marília Pêra,
Drica Moraes e tantas outras famosas por suas vilãs, Ana já faz presença com
seu talento inquestionável.
Uma boa
maneira de celebrar a infância, neste dia 12 de outubro, é relembrar as
saudosas atrações infantis da TV Cultura. Para quem foi criança na década de
80, 90 e até no comecinho dos anos 2000, é um banho de nostalgia voltar aos
velhos tempos de fazer o dever de casa correndo e grudar em frente à televisão.
Fundada em
1960, pelos Diários Associados, a emissora paulistana se popularizou pelo seu
conteúdo de qualidade. No que diz respeito ao segmento infantil, sempre foi uma
grande alternativa às atrações importadas de fora, exibidas pelas outras
emissoras, comprovando a eficácia da união entre algo educativo e atraente aos
olhos dos pequenos.
Abaixo, vou
elencar alguns programas que fizeram parte da minha infância. E da de muita
gente também, COM CERTEZA!
01.Vila Sésamo (1972 a 1974)
Há
exatamente 43 anos estreou o programa Vila Sésamo, produzido pela Cultura em
parceria com a Rede Globo. Inspirado no sucesso norte-americano Sesame Street, foi
uma atração de grande repercussão na década de 70. Apesar de não ter feito
parte da minha infância, achei legal citá-la aqui, principalmente pela
importância que teve para nossos pais e avós.
Vila Sésamo
foi exibida pela Cultura até 1974, quando sua parceira Vênus Platinada assumiu
inteiramente a produção do programa. Mesclando assuntos educativos, como
higiene e trânsito, por exemplo, com uma grande dose de humor e diversão, o
programa lançou personagens que até hoje povoam o universo infantil.
O atrapalhado pássaro Garibado (confesso que tenho medo dele), o tamanduá
Funga-Funga e os Mupets são figuras conhecidas até por quem – assim como eu –
nunca chegaram a acompanhar o programa.
2.Bambalão (1977 a 1990)
“Esta
história entrou por uma porta e saiu pela outra. Quem souber, que conte outra!”
Este bordão marcou a infância de muitos pequenos da década de 80. Um premiado
programa educativo, cheio de competições, brincadeiras, e é claro, muita
história! Tudo isso remetendo ao universo circense.
03.Rá Tim Bum (1990 a 1994)
A minha
atração favorita da Cultura. O sucesso de Rá Tim Bum foi tão grande que chegou
a ganhar o prêmio Medalha de Ouro, no Festival de Nova York. Ao longo de seus
192 episódios, reprisados constantemente com sucesso, a série revolucionou a
forma de se fazer um programa infantil, indo de encontro aos moldes
tradicionais.
Quem não se
lembra do bordão “Senta que lá vem história”? Ou do Jornal da Criança? Ou do
Professor Tibúrcio? Da Nina e da Boneca Careca? Se eu for citar todos os
quadros consagrados da atração, terei que fazer um post exclusivo! O clipe de
abertura fazia referência a Máquina de Rube Goldberg e é impossível não ser
atacado por uma onda de nostalgia ao revê-la.
Sem
subestimar a inteligência dos pequenos, Rá Tim Bum tratava de forma lúdica
sobre assuntos de grande importância, como alfabetização, cuidados com a
higiene, matemática, saúde e entre outros. Entrou para o hall da cultura cult,
quando se trata de algo voltado para o público infantil.
04.Glub Glub (1991 a 1999)
Outro
programa que fez a alegria das crianças na década de 90. Era apresentado por um
casal de peixes, ambos chamados Glub, que assistiam desenhos animados em uma
televisão caída no fundo do mar e abastecida por um peixe-elétrico.
Muitas
animações vindas de países como Alemanha, República Tcheca, Inglaterra, França
e Bélgica foram exibidos no Glub Glub. Alguns deles se tornaram icônicos, como
o Pingu, onde uma família de pinguins se comunicavam por um dialeto
incompreensível.
05.X Tudo (1992 a 2002)
Outro
programa assistido por pelo menos nove em cada dez crianças noventistas, X Tudo
foi um grande sucesso da Cultura em parceria com o SESI. Mais uma vez, a
emissora inovou com uma atração infantil educativa e diferente, tratando de
todo tipo de assuntos, como biologia, química, matemática, culinária, esportes,
física e por ai vai! Ensinava sem adotar um ar professoral. Pelo contrário, nós
nem percebíamos que aquilo na verdade era uma grande “aula” disfarçada. Quem
não cantava junto aquela musiquinha de abertura: “Xiiiiiiiiiiiiiiiiis... Tuuuuuuuuuuuuuuuuudo!”?
06.Cocoricó (1996 a 2013)
Talvez o
mais famoso e duradouro programa infantil da TV Cultura, já ganhou quatro
prêmios, um deles internacional, e é exibido fora do Brasil. Fez parte da vida de
muitas crianças, inclusive aquelas que nasceram após a década de 90.
Cocoricó
conta a história de Júlio, um garoto da cidade grande que vai passar as férias
na fazenda de seus avós. Lá ele encontra vários amigos, como o cavalo atrapalhado
Alípio, o papagaio Caco, a vaca Mimosa, as galinhas Lilica, Lola e Zazá e
outros personagens que foram aparecendo no decorrer dos anos. Impossível ouvir a música da abertura e não
lembrar daqueles finais de tarde da infância... “Tá na hora do Cororicó/O Júlio
na gaita/E a bicharada no coco-coral".
07.Confissões de Adolescente (1994 a 1995)
Apesar de
não ser exatamente voltado ao público infantil, essa série também é um marco. Com
um elenco jovem, afiado e muito bonito, levantou questões tabu (para a época,
principalmente) de um jeito que só a Cultura sabe fazer. A trilha sonora é um
outro grande destaque.
08.O Mundo da Lua (1991 a 1992)
Outro
campeão de audiência da emissora, Mundo da Lua povoou a imaginação de muitas
crianças. Todos os meninos e meninas sonhavam em ter um gravador igual ao do
Lucas Silva e Silva. Afinal, qual foi a criança que nunca sonhou em criar um mundo
alternativo para viver? Cada episódio era uma aventura diferente, nos quais –
como não poderia deixar de ser- lições
importantes sempre ganhavam espaço no desfecho.
O programa
nos ensinou que não há como fugir dos problemas do mundo real, pois até mesmo
numa realidade paralela as coisas podem sair de controle. Crescer é enfrentar
as situações difíceis de frente... E o sonhador Lucas estará para sempre em
nossos corações. “Planeta terra chamando!”.
09.Castelo Rá Tim Bum (1994 a 1997)
Clift,
cloft, still... A porta se abriu! E mais uma vez temos acesso ao mundo mágico
do Castelo Rá Tim Bum. De todos os programas infantis da Cultura, Castelo foi o
de maior audiência até hoje, tendo sido adaptado para o cinema e até mesmo
recebido uma exposição em sua homenagem, no Museu da Imagem e do Som.
Acompanhar
as peripécias de Nino, um solitário garoto de 300 anos, Biba, Pedro e Zequinha
era como fazer uma viagem a um mundo lúdico, surreal e quase bizarro. No universo
deste castelo, há duas botas roqueiras chamadas Tap e Flap, também uma cobra
falante conhecida como Celeste, duas fadas gêmeas que moram no lustre do lugar,
Lana e Lara, os dedos (também roqueiros) que ensinam a contar e lavar as mãos,
um monstro habitante dos encanamentos, conhecido como Mau e seu amigo
Godofredo, espécie de elfo-ratazana, o Porteiro, o Relógio, a gralha Adelaide, o
João de Barro instrumentista e as patativas, os cientistas Tíbia e Perônio,
Miau, o gato bibliotecário, o Telekid e até um Ratinho que toma banho e escova
os dentes.
Considero
Castelo Rá Tim Bum o melhor programa infantil que já vi, em termos de produção,
roteiro e conteúdo. Tudo era muito bem encaixado e sempre com um propósito
educativo. Números musicais antológicos como “Meu pé, meu querido pé” e “Uma
mão lava a outra” ensinavam hábitos de higiene para as crianças, sem cair na
pieguice.
Outro
destaque do programa eram seus “personagens adultos”, muito bem construídos e
que interagiam brilhantemente com os bonecos e o elenco infantil. A bruxa
Morgana, Dr. Victor e seu bordão “Raios e Trovões”, que quase provocava uma
tempestade, o entregador de pizza Bongô, a jornalista Penélope, o ET Etevaldo, a
Caipora e o Dr. Abobrinha eram divertidos e sempre pareciam estar muito à
vontade em cena. Infelizmente, raramente encontra-se algo assim nos dias de
hoje.
10.Ilha Rá Tim Bum (2001 a 2002)
Pelo menos
na minha infância, este seriado foi histórico! Três adolescentes e duas
crianças perdidos numa ilha deserta. A história poderia ser clichê, se não
fosse tão bem desenvolvida e construída. Era lei chegar na escola e conversar
sobre a Ilha, defender meus personagens favoritos, ficar ansioso para saber o
que aconteceria no próximo episódio...
Uma
diferença entre este programa e os outros da trilogia Ra Tim Bum, era a
narrativa serializada, concentrada nos personagens principais e sem quadros
avulsos, muito semelhante aos seriados americanos que começavam a se
popularizar na época. O sucesso da produção saiu das telas da TV e ganhou os
cinemas com o filme O Martelo de Vulcano.
11.Tudo o que é sólido pode derreter (2009)
Mais uma
produção que não era voltada especialmente para as crianças e nem fez parte da
minha infância, mas vou citá-la por sua importância tele dramática. Tudo o que é
sólio pode derreter mesclava literatura brasileira com problemas da
adolescência, através da ótica de Thereza, sua protagonista, que associava os
dilemas do seu dia a dia aos vividos por personagens de clássicos como Dom
Casmurro.
12.Pedro e Bianca (2012)
Provavelmente
daqui a 10 anos, as futuras gerações lembrarão de Pedro e Bianca com a mesma
saudade que nós, hoje, lembramos de Castelo Rá Tim Bum, Mundo da Lua e cia. Mais
um grande acerto da Cultura no segmento jovem, assim como Confissões de
Adolescentes e Tudo o que é Sólido Pode Derreter, essa série retrata com muito
humor e realismo a vida de dois irmãos gêmeos de classe média.
Pedro e
Bianca são gêmeos bivitelinos. Ele branco e ela negra. Os dois se veem
envolvidos em muitas confusões por causa disso, mas gostam muito do outro.
Assuntos como orientação sexual, preconceito racial, ascensão da Classe C,
perda da virgindade e tantos outros são abordados pela série, sempre com o selo
TV Cultura de qualidade.
Infelizmente,
todos sabemos da atual situação da TV Cultura. Seja como for, espero que Pedro
e Bianca não seja o canto do cisne desta grandiosa emissora e que ela possa nos
brindar com muitas outras produções primorosas. Com um histórico de dar inveja,
a segunda melhor emissora do mundo, em termos de qualidade, nunca morrerá,
independente do que acontecer futuramente. A Cultura vai continuar Viva,
juntamente com a criança que habita dentro de cada um de nós.
Em minha
postagem anterior aqui no blog, falei um pouco sobe os vilões e o fascínio
provocado por esses personagens, tão aclamados pelo público. Mas nem só de
maldades versus bondades vive o universo ficcional. Existe uma categoria que
dança na corda bamba de sombrinha entre a turma do bem e do mal: a dos
anti-heróis.
Ao contrário
do arquétipo de herói, proveniente da antiguidade grega e cujos personagens são
dotados de grandes virtudes, voltando-se sempre contra o mal provocado pelos
vilões e se sacrificando em nome de uma razão nobre, os anti-heróis são
personagens mais comuns e que agem movidos por interesses pessoais. Muitas
vezes se utilizam de métodos pouco aceitáveis, como vingança, roubo e até
homicídio. Mesmo diante disso, recebem a torcida popular e ganham admiradores.
Não podem
ser considerados maus ou vilões devido ao seu lado mais humano. Os anti-heróis
carregam traumas do passado, como maus tratos na infância, assassinatos dos
pais e por aí vai... Também são carismáticos e têm atitudes heroicas, embora
visem, quase sempre, o benefício próprio. Nasce daí o jogo dúbio, que tem
rendido ótimas produções ultimamente, tanto na literatura, quanto no Cinema e
na TV.
Vejamos
alguns exemplos:
Beto
Rockefeller
Interpretado
por Luís Gustavo na saudosa TV Tupi, o personagem Beto Rockefeller foi o
responsável por uma grande revolução nas telenovelas brasileiras. O simplório
vendedor de sapatos consegue se infiltrar na alta sociedade paulistana, passando-se por herdeiro de uma das famílias mais ricas e influentes dos EUA: os rockefeller.
Odorico
Paraguaçu – O Bem Amado
O prefeito
de Sucupira adora levar o seu povo no bico. Abusando de neologismos, Odorico
Paraguaçu sempre se utiliza de um discurso pouco compreensível e de sua lábia
irresistível. Determinado a inaugurar um cemitério em Sucupira, uma cidade onde
ninguém morre, Odorico contrata os serviços de um assassino de aluguel.
Comendador
José Alfredo – Império
O último
sucesso global no horário nobre, Império, tinha como protagonista o garimpeiro
José Alfredo que constrói um verdadeiro império ao se tornar traficantes de
diamantes. Além disso, o personagem teve um caso com a cunhada, matou, mentiu e
traiu a esposa com uma moça bem mais jovem. Sua (suposta) morte no desfecho do
folhetim causou rebuliço nas redes sociais, pois muitos a julgaram “injusta”.
Walter White
– Breaking Bad
De professor
de química a traficante, Walter White faz de tudo para se curar do câncer e
garantir uma vida segura a sua esposa e filho. Na aclamada série americana, ele
chega até mesmo a matar friamente. Mas o público o adora.
Dr. House
O mesmo
acontece com o arrogante House, personagem de Hugh Laurie na série homônima.
Apesar de salvar muitas vidas a cada episódio, seu mau-humor e ego inflado o
tornam deliciosamente insuportável.
Malévola
Na
readaptação feita pela Disney em 2014, a personagem-título deixa de ser uma
vilã para se tornar a anti-heróina da história. Ao se vingar de seu amor do
passado, ela lança uma maldição sobre a filha dele. Anos depois, arrependida do que fez, passa a proteger a garota.
Amora –
Sangue Bom
A
protagonista de Sangue Bom passou uma infância difícil nas ruas, sem ter ao
menos um par de sapatos para calçar. Após ser adotada por uma atriz decadente,
Amora virou o jogo e se tornou uma ambiciosa it girl, humilhando e pisando em
todo mundo (com um dos milhares de pares de sapatos de seu closet).
Sister Jude –
Asylum (2º temporada de American Horror Story)
Judy
atropelou uma menina enquanto dirigia embriagada e fugiu sem prestar socorro.
No manicômio católico de Briarcliff encontrou abrigo e se converteu,
tornando-se Sister Judy. Mas seu lado freira está longe da santidade, pois ela
é sádica e cruel. Após pagar (com juros) por todos os seus pecados nas mãos da
literalmente diabólica Sister Mary Eunice, Judy se arrepende de suas maldades e
ajuda Lana Banana, que estava internada injustamente no lugar, a fugir.
Severus
Snape – Saga Harry Potter
O
ranzinza professor de poções sempre pareceu fazer parte da galera do Lorde
Voldemort. Mas no fim da história, descobriu-se que o tempo todo Snape se
empenhou para proteger Harry Potter, filho de sua grande paixão da adolescência, das maldades do Lorde das Trevas.
Jacques
Laclair e Victor Valentim
No bem
sucedido remake de Ti Ti Ti (2010), pudemos nos divertir com as peripécias de
dois canalhas: André Spina, vulgo Jacques Laclair, e seu inimigo de morte
Ariclenes Martins, que ficou conhecido nos tabloides de fofoca como Victor
Valentim. Enquanto um não tinha o menor talento para ser estilista, se
aproveitando de sua amante Jacqueline Maldonado para poder criar modelos
fashions, o outro nunca tinha pegado em uma agulha na vida, copiando descaradamente os vestidos que a morada de rua Cecília, a quem passa a ajudar, criava para suas bonecas.
Atualmente, temos um exemplo de anti-heroína clássica na novela das 21h global, a Inês de Babilônia. Determinada a se vingar de sua amiga de adolescência, Beatriz, que se envolveu com seu pai quando as duas ainda eram jovens e foi responsável por sua prisão. Eu, particularmente, estou aguardando com imensa ansiedade o momento em que Inês irá fazer sua rival pagar pelos crimes que cometeu. E espero que isso movimente a audiência da novela que, até agora, tem se mostrado inexpressiva.
Mais uma vez o SBT apostou na reprise de A Usurpadora,
contando com a ajudinha de Paola Brachio para bater de frente com O Rei do Gado. Diferentemente
da trama arrastada, porém emblemática, de Benedito Ruy Barbosa, o sucesso mexicano
é profundamente maniqueísta. Um alívio para aqueles que gostam de se deleitar
com as maldades dos vilões, verdadeiros promoters do inferno na vida dos
mocinhos.
Embora sejam rudes, perversos e traiçoeiros, os
antagonistas sempre acabam caindo no gosto popular. Curiosamente exercem
magnetismo sobre o espectador que pode não concordar com suas atitudes, mas
adora seus trejeitos, bordões e até mesmo o modo como se vestem. Eles são a
válvula propulsora da história, tiram os personagens bonzinhos da zona de
conforto e raramente demonstram algum sentimento positivo. Como em qualquer
obra de ficção, representam o arquétipo do mal e dão vida ao sentimentos mais
doentios da essência humana.
Talvez por isso o fascínio por essa galerinha Team Belezú.
Eles conversam com características das pessoas que os assistem, de carne e
osso. Ao contrário dos protagonistas, que beiram a chatice com discursos e
características pouco presentes na realidade, os vilões retratam as aflições da
psique humana que precisam ser sufocadas pelos conceitos de ética e moral.
Todos são passíveis do sentimento de inveja, ciúmes,
ganância, obsessão por alguém ou alguma coisa. Por não se sentirem
representados pelos heróis das histórias, os espectadores encontram nos vilões
os seus ídolos. Mesmo assim, não dá para alimentar sentimentos ruins, e a
torcida é sempre para que estes personagens paguem por suas maldades no
desfecho de tudo. Saindo da televisão e cinema, os vilões ganharam também a
Internet. Muitos memes são concebidos através de suas frases memoráveis.
Independente de qual for a sua situação financeira!
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Como afugentar gente chata com elegância.
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Aprenda a ter autoestima com Nazaré Tedesco
Eles são os donos da cultura mainstream, propagando seu
estilo e filosofia de vida. E exercem papel fundamental na dramaturgia, o de
lembrar que fazer o mal não compensa, que empurrar pessoas escada abaixo não
vai te fazer feliz e que cortar a língua e arrancar os olhos daquele colega
chato de trabalho pode não ser o ideal. E, principalmente, que seres humanos são
dotados de um lado bom e ruim.