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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Luz, Câmera, Ação...Muita Ação!

by Sidney Rodrigues



Quando resolvei fazer esse post sobre Curta Metragem no Brasil, minha ideia inicial era mostrar as dificuldades que os novos cineastas têm para realizarem seus sonhos de conseguir filmar e mesmo assim vermos trabalhos ótimos feitos por aqui. Ocorre que no meio da ideia troquei algumas figurinhas com Zeca Rodrigues e Diego Sousa, dois amigos e grandes batalhadores desse país, e o resultado desse bate papo acabou gerando um material muito bacana e transcrevo aqui as opiniões de cada um deles sobre alguns assuntos pertinentes ao tema.
                                                       
Zeca Rodrigues
   
Diego Souza

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ser ou não ser Ator?!

by Sidney Rodrigues


Entra ano e sai ano e as escolas de teatro estão sempre cheias de novos alunos ávidos por se tornarem atores profissionais. Os processos seletivos das escolas de teatro estão cada vez menos pautados no talento e mais pautados na condição do "postulante" a ator em pagar as altas matrículas. Basta olhar o número de reprovações existentes nos cursos de teatro. O número de atores e atrizes que mal sabem ler e interpretar um texto cresce a cada dia. A grande maioria termina os cursos, mas nem sempre chega a exercer a atividade artística.

Muitos estudantes só começam os cursos porque sonham em fazer sucesso na televisão, ou seja, a arte mesmo e o domínio das habilidades necessárias para ser um grande ator ficam em segundo plano. As gravações de TV acabam sendo demoradíssimas porque muitos deles têm "dificuldade" em decorar o texto que precisam falar. Se não entendem a cena, o texto e a sua participação no contexto da cena, o resultado é apenas uma repetição de palavras decoradas.

Claro que em meio a essa nova leva de postulantes a atores e atrizes, existem pessoas repletas de talento, intuição e domínio da palavra, mas ser ator é muito mais do que isso, é preciso saber ler, escrever, interpretar e entender um texto, preparar-se vocal e corporalmente, ou seja, ter artifícios suficientes para exercer de forma correta a profissão e não prostituir a arte brasileira.


Penso que as escolas de formação de atores seriam mais efetivas se as provas seletivas tivessem uma amplitude maior e pudesse escolher entre os candidatos, não apenas aqueles que "gostem" de teatro, mas sim aqueles que saibam ler de forma correta, que não sejam um desastre com a língua portuguesa, tenham raciocínio lógico, bom senso de espaço, afinal não basta decorar um texto e subir ao palco, é preciso conhecer as técnicas, ter domínio de si para saber onde está, conhecer os seus sentimentos e as tantas pessoas que existam dentro de uma só, com as quais irá trabalhar ao longo de uma carreira.


Há um trecho memorável do clássico filme Cantando na Chuva, em que um ator com domínio de espaço, entendimento de cena, habilidades para dançar e cantar lindamente, dá um show. Em resumo, um ator completo. Basta reparar que a cena acima não tem cortes, o diretor conseguiu filmá-la da maneira que provavelmente imaginou. Podia contar com um excelente profissional envolvido no projeto.

Ser ator é bem mais do que ser bonito, decorar e falar um texto, é preciso contracenar, perceber o outro que está em cena com ele, ter noção da técnica e porque está ali. Já vi cenas onde os atores e as atrizes sofriam, choravam e saiam de cena achando que tinham arrasado, quando na verdade a interpretação foi tão rasteira que as palavras mal saiam da boca.

Tem uma coisa que me irrita mais que tudo quando vou ao teatro e este é pequeno, e ainda assim, percebo os atores com microfone em cena. Seria falta de extensão vocal? Não haveria possibilidade de ser ouvido até na última fileira, de forma precisa? Se não tem esse domínio, precisa voltar a estudar. A voz e o corpo são os elementos fundamentais do ator e é preciso que o mesmo tenha consciência disso, caso contrário fará sempre o mesmo personagem ou a representação de si em cada trabalho que fizer.

É comum ver alguns atores criticados de modo bem humorado com a frase "ele/ela estudou na escola CIGANO IGOR de interpretação?!". A explicação para isso é óbvia. O intérprete do personagem Igor, o ator Ricardo Macchi, não estava preparado para o papel. Ele mesmo concorda com isso. Sua participação na novela era pequena, num outro papel, de uma hora para outra o colocaram como protagonista, sem preparação, sem direção efetiva e sem conseguir entender o que era ser ator e o que o papel pedia dele. Claro que o resultado foi uma catástrofe e marcou negativamente a carreira dele, mas o erro não foi dele e sim de quem o escalou para o papel. E isso acontece TODOS os dias no teatro, cinema e TV. Todos os elencos estão sempre às voltas com um ator ou atriz que só foi escalado para o papel porque o produtor, o autor ou o diretor "GOSTA" dele. Nada demais ter simpatia por uma pessoa ou outra, mas achar que só porque ela é bacana pode se dar bem atuando é outra coisa bem diferente.

Tive o prazer de ser aluno da saudosa Célia Helena e ela sempre dizia que nós atores nunca estamos prontos, nunca estamos completos, precisamos aprimorar e estudar sempre, e que sem essa dedicação estaremos sempre fadados ao fracasso ou à interpretações rasas e medianas. O teste para adentrar ao Curso Célia Helena não era dos mais complexos. Antes de me decidir por fazê-lo, eu estudava no Conservatório Carlos Gomes, em Campinas/SP. Neste, o teste durava 5 dias e além do entendimento de 5 peças de teatro clássico, teste vocal, corporal, improviso, era exigido ter noções de história do teatro. 

Se quisermos ver trabalhos com mais qualidade precisamos de atores e atrizes que possam se preparar mais para o exercício da profissão!

Não é todo dia que brota um Tony Ramos, um Antonio Fagundes, uma Walderez de Barros ou uma Adriana Esteves, que aliás, sofreu na pele a inexperiência, mas se esforçou e deu a volta por cima, mostrando dedicação, garra, preparação e talento.

Em Renascer (1993)

Em Avenida Brasil (2012)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Você já foi ao Teatro esse ano?!

by Sidney Rodrigues


O teatro é a casa do ator é onde ele tem a chance de se sobressair.

Pergunte a um grande ator ou atriz que iniciou sua carreira no teatro o que ele prefere: Teatro, Cinema ou TV?

Muitos dirão que preferem ganhar dinheiro e nesse ponto eu concordo, a TV e o Cinema pagam muito melhor que o teatro, claro, as grandes empresas e os grandes apoiadores só se interessam em vincular seus nomes ao de atores consagrados na TV, pouco importa se eles tem talento para encenar e manter uma peça em cartaz, no final das contas o que vale são as fotos que eles tiram com os patrocinadores e são amplamente divulgadas nas redes sociais.

Como ator, sou particularmente apaixonado pela arte de interpretar e mais precisamente por poder estar no palco!

A possibilidade de "ser" várias pessoas me fez querer ser ator, e é fato que cada um de nós tem milhares de pessoas e sentimentos distintos dentro de si.

Ir a uma peça de teatro era tão glamouroso no passado que as pessoas utilizavam seus trajes de gala. Hoje, não se precisa de tanta pompa, o visual passou a ser bem mais descolado e mesmo assim o que se percebe é que cada vez menos as pessoas vão ao teatro.

Você já foi ao teatro ver alguma peça, esse ano?
Já vi muita gente dizendo que o teatro está caro. Caro quanto? R$ 20,00, R$ 30,00 ou R$ 40,00 um ingresso? Você paga menos por uma pizza? Gasta menos tomando 3 cervejas numa balada?

Há ainda quem diga: "Eu não vou ao teatro para ver tragédia, basta o meu dia a dia!". Acho tão engraçado as pessoas que dizem isso, mas não perdem a chance de ficar grudadas nos programas sensacionalistas ou compartilhando tragédias e mais tragédias pelas redes sociais.

Gostaria que as pessoas saíssem da mesmice, que pudessem prestigiar mais o teatro brasileiro, não apenas as grandes montagens, essas já tem público garantido, devido ao alto investimento em mídia que conseguem angariar, gostaria que pudessem prestigiar as peças com atores ainda pouco conhecidos na TV, mas com imenso talento e na maioria das vezes com muito mais conhecimento da arte do que os atores que vemos.

Adoro ficar em casa vendo TV, mas nada substitui o prazer que me dá quando começo a ouvir o burburinho do teatro enchendo e as palmas da plateia ao final da apresentação.

Reclamamos que a TV sempre põe as mesmas caras nas novelas, mas antes mesmo da Nanda Costa estrear em Salve Jorge ela já era criticada pela maioria, comparando-a com a Adriana Esteves. Uma pena, porque o preconceito contra a Nanda Costa impede as pessoas de verem se a menina tem ou não talento para a arte.

Não seja você um crítico acomodado, vá ao teatro!

Pegue o roteiro de teatro da sua cidade, veja quantas peças estão em cartaz e quantas vezes você torce o nariz, apenas lendo o título da peça ou o elenco repleto de pessoas que você nunca viu na TV.

Aprenda a ser ousado, em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre, entre outras cidades, temos teatros repletos de grandes talentos, ávidos por serem descobertos, por você, o público. São atores que estudam, mergulham no entendimento do texto, na concepção do personagem em relação a peça.

Vá ao teatro! Prestigie essa arte tão importante e tão gratificante!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Entrevista com Eucir de Souza - Um ator de corpo e alma!


by Sidney Rodrigues

Entrevistar o Eucir é uma tarefa que me deixa muito feliz, pois acompanho a carreira dele há muito tempo e sempre que o vejo em cena me surpreendo como ele mergulha de cabeça em tudo o que faz, e faz bem feito.
Ele foi atencioso, receptivo. Desde já agradeço.Confira!

Você fez uma participação muito bacana em TAPAS & BEIJOS, como foi a experiência?
Fazer o Papai Noel do Tapas e Beijos foi um presente de Natal. A experiência foi muito boa mesmo. Quando li o roteiro já achei muito engraçado, ria alto, sozinho em casa. A gravação foi bem divertida e harmoniosa. Todos os profissionais envolvidos, direção, atores, produção e técnicos com muita leveza, boa vontade e talento. Delícia!

Costuma ver TV aberta/fechada? Que gênero de programa te atrai?
Assisto de tudo, TV aberta ou fechada. Não tenho horário fixo para ver TV, fico dias sem ver, então não sigo nenhum programa. Quando ligo, vou procurando do começo ao fim e paro no que mais me interessar, pode ser um filme, um programa desses da vida real, um documentário sobre uma terra distante, um desenho animado antigo...
O que mais me atrai são filmes, principalmente os nacionais ou clássicos do mundo todo, que porventura ainda não tenha visto ou que gostaria de rever.

A série "FDP", que você fez na HBO, foi um grande sucesso, teremos uma segunda temporada do Juarez da Silva? É amante do futebol ou teve que ralar muito pra entrar na pele do juiz?
Não sei nada sobre uma segunda temporada de FDP. Só sei que todos os profissionais envolvidos ficaram muito satisfeitos, durante as gravações e depois da série pronta e gostariam de continuar!
Não sou exatamente um amante de futebol. Quando criança ainda torcia, por influência do meu pai. Depois nunca mais acompanhei nenhum time. Vi muito futebol a vida toda porque sou brasileiro e simpatizante.
Mas acontece um fenômeno comigo! Quando pego um personagem, me apaixono pelo seu universo. Na época do Juarez, acompanhava todos os jogos, todos os campeonatos, tenho 5 canais de esporte na TV e era só o que eu via. E pensava, nossa, como é maravilhoso o futebol, como pude ficar tanto tempo sem acompanhar. Via filmes documentários antigos e ficava comparando o futebol de hoje com o de ontem. Hoje não vejo mais nada! E já foi assim com diversos assuntos, escultura, equitação...
E esse é meu objetivo maior como ator, abrir mão da minha personalidade por um tempo e ser outra pessoa. Quando me confundem com o personagem fico feliz e satisfeito!


Que atores/atrizes ou diretores são referências para você? Como um ator que já fez drama/comédia com bastante propriedade, tem algum gênero de preferência?
Não tenho hoje nenhuma referência específica. Admiro muitos atores e diretores e tenho uma preferência pelos brasileiros, mas sou muito aberto a novidades, um ator ou diretor que nunca vi pode me impressionar e passar a me influenciar, esteticamente, pelo assunto, pela ética envolvida, etc. Depois vem outro e muda.
Mas fui muito influenciado no início pelo Artaud, pelo Peter Brook e também pelo teatro antropológico.
No Gênero se dá o mesmo. Vou num rumo, me esgoto, vou para outro, depois volto.
Como não gosto muito de me repetir, a preferência depende do que acabo de fazer, do que estou vivendo na vida pessoal, do que acho necessário dizer naquele momento e do que acho mais interessante como carreira também.
Que livros nós podemos encontrar na cabeceira do Eucir? Tem alguma indicação a fazer?
Atualmente, na cabeceira tem “O Jardim e a Primavera – A História dos Quatro Dervixes” – de Amir Khusru. É uma compilação de contos de ensinamento do antigo Oriente Médio. É esse que agora estou lendo e relendo.
Tenho esse hábito e os que mais li até hoje foram o Werther do Goethe, o Dorian Gray do Oscar Wilde, e o Sidarta do Hermann Hess. Esses passaram anos ao meu lado, sendo relidos, e os recomendo muito!
O Hamlet do Shakespeare também não sai nunca da minha cabeceira, por vezes abro em alguma página e leio, e sempre ajuda e ensina. Toda a obra dele eu recomendo também! É o melhor escritor de todos os tempos, tudo que existe no homem e no mundo está na sua obra.

Qual trabalho no cinema te fez mais realizado? Que filme marcou sua vida como espectador?
Difícil escolher o filme que mais gostei de fazer. Cada um é bom do seu jeito. Fico feliz quando o ambiente criado durante a gravação é amigável e propício para a criação, sem muita tensão, porque assim consigo fazer o melhor que posso naquele momento. Gosto também quando o resultado final agrada a critica e quando o público se identifica. Até pensei em alguns aqui, mas tenho medo de esquecer-me de outros e ser injusto.
Como espectador, Asas do Desejo do Win Wenders é o mais forte para mim porque foi a primeira vez que passei por uma transformação visível. Entrei no cinema, vi o filme e ao sair era outra pessoa, pensava e via tudo diferente e não voltaria mais a ser o que eu era. Foi muito impactante. Depois isso voltou a acontecer outras vezes, com filmes e peças, mas esse virou minha referencia do que uma obra pode causar.


Você consegue tempo para ver os amigos em cena no teatro, cinema ou tv? O que pensa dos colegas que pedem convites e não ficam pra falar com o ator depois da peça?
Sim, consigo. E gosto muito! Meu programa preferido é ver os amigos no teatro, depois sair com eles para jantar ou beber. Também vou muito ao cinema ver os filmes nacionais, onde sempre tem um, e na TV também assisto, e se tiver amigo paro para ver. Torço e me emociono sempre! Sou um péssimo critico para os amigos!
Como espectador, tenho um critério para pedir convite. Se o dinheiro do ingresso vai para o grupo que está fazendo a peça eu pago, se vai para o patrocinador ou para a instituição eu aceito convite ou meia.
Particularmente, não me importo de dar convites. Seja qual for o motivo, às vezes a pessoa pede porque realmente não tem como pagar, ou porque quer se sentir privilegiada. Se for possível, se tiver uma cota e se a peça e os profissionais envolvidos não estiverem precisando do dinheiro não me importo. Mas é claro que prefiro que a pessoa pague, porque é um serviço como qualquer outro!
Quanto a ficar ou não para falar comigo no final, prefiro que seja sincero. Se a pessoa, pagando ou não, preferiu ir embora, ou porque ficou tocada ou porque odiou a peça, acho um direito dela! Às vezes é melhor do que receber todas as criticas ali no calor da hora, saindo de cena, quando estamos muito vulneráveis!
No fundo a gente sempre sabe se o que estamos fazendo é bom ou ruim...

Tive um professor que dizia que “o ator só cria no caos!”. Acha que essa frase faz sentido?
Acho que faz sim, mas não para mim!
Conheço atores e diretores que gostam de climas, de loucuras, de quebrar tudo... acho um processo bom também, pode dar ótimos resultados, já passei por alguns e o resultado variou.
Eu prefiro amor, calma, respeito. Crio muito mais quando estou lúcido, tranqüilo e estou sendo bem tratado e tratando bem dos parceiros, fico mais livre, vou me sentindo bem, relaxado, seguro, e daí vêm os meus melhores desempenhos.
Também, hoje, não ponho o resultado final acima de tudo. Acho mais importante que as pessoas se conheçam e fiquem amigas, melhor investimento para o futuro!


Há alguma novela, série ou filme que gostaria de ter participado como ator?
Eu gostaria de fazer tudo! Tenho essa loucura. Por mim estaria envolvido em todos os processos, faria todos os personagens na TV, no cinema e no teatro. Mas me controlo porque sei que isso não existe. Luto muito contra a avidez e a compulsão no trabalho!

Qual a trilha sonora para a sua vida?
Ouço de tudo! Atualmente tenho curtido muito o Odair José! Mas sempre ouço uma radio na internet que se chama radiodarvish, música clássica persa, alimento para a alma.


Tem algum vídeo que tenha visto na internet que tenha feito você rir muito? 
Muitos. Outro dia morri de rir com os vídeos da Roxane e da Taty Piriguete, personagens da Tata Werneck, bem louca. Só não acho engraçada gente sofrendo acidente, ou sendo humilhada. Meu humor não vai nesse sentido.


Como é sua relação com as redes sociais?  Compartilha da ideia de que as pessoas têm se sentido donas da verdade no Facebook ou Twitter, ou acha que isso é apenas um passatempo? Tem algum blog?
Não tenho blog não! Acho que não tenho tantas ideias interessantes assim!
O Facebook é o que tenho de mais próximo disso, mas lá falo basicamente de meus trabalhos e publico uma ou outra coisa que acho relevante.

Gosto muito do Facebook, encontro amigos distantes no tempo e no espaço, e estreitamos novamente os laços.
Quanto aos que não conheço pessoalmente ajo como na vida, tem gente que sabe chegar, com delicadeza, sutileza e respeito, para esses as portas estão abertas.
Mas tem gente estranha também, às vezes aparece uns excessivos, que mandam mensagens como se fossem amigos íntimos, normalmente apago sem responder. Se você reparar, meus amigos íntimos não me mandam mensagens abertas via Facebook...
Gosto muito da internet e das redes sociais, elas possibilitaram uma imensa abertura de ideias, opiniões e conceitos. Hoje podemos saber o que pensam e como vivem as pessoas em qualquer parte do mundo e de qualquer meio sociocultural. Isso ajuda muito a quebrar preconceitos, o que é essencial para a convivência pacífica e a tolerância.
Acho que os impactos reais disso ainda sentiremos daqui a alguns anos, mas as novas gerações já mostram como o mundo está mudando. Os jovens de hoje, na faixa dos seus 18 anos, são infinitamente mais abertos a outras formas de vida, de política, de religião, de sexualidades. Isso é muito positivo.
Tem um movimento acontecendo hoje em alguns lugares de São Paulo, que é fascinante. Você vai a uma rua, como a Peixoto Gomide, por exemplo, e lá estão todos! O rico, o pobre, o hippie com seu violão, o punk, o nerd, o gay, o hetero, meninos, meninas... Todos convivendo em paz e no mesmo espaço. Isso é maravilhoso e a internet ajuda muito nisso.
Acho ótimo cada um ter e manifestar sua opinião. Acho bom também poder trocar, se eu curtir a ideia, comento positivamente, se não curtir ignoro, se repudiar muito falo contra e assim vamos nos norteando!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Entrevista com Eduardo Martini - Versatilidade, competência e carisma!

by Sidney Rodrigues


Esta entrevista é com o ator, diretor, autor, e tantos outros adjetivos que compõem, Eduardo Martini, um símbolo de trabalho, atenção, carisma e talento. Além de podermos conhecer um pouco mais dessa pessoa incrível, é um grande prazer para mim, visto que além de amigo, sou grande fã dele. Confiram!


Que tipo de programa te atrai nas TV's aberta e fechada?
Vejo pouco Tv aberta porque trabalho muito mas adoro ver tudo. Vejo de tudo, desde os programas trashs até os que tentam ser (e as vezes são) coisa boa. Sempre me atraí pela comédia, seja ela romântica, ou escrachada mas sempre comedia. Tapas & Beijos, por exemplo, eu amo! 
Na Tv fechada eu adoro a Globo News, a seriedade deles é incrível, notícia 24 horas pra ficar antenado.

Muita gente assiste TV e comenta ao mesmo tempo nas redes sociais, Twitter, Facebook e outros, às vezes fazendo o programa visto ter até mais graça do que o original. Acha isso bacana ou vê como uma crítica rasa?
Vejo essa atitude às vezes como um "EU SOU O BOM , EU ENTENDO DE TUDO!" Pra você fazer uma análise ou até mesmo crítica de um programa você tem que assisti-lo todo! Depois sim você o comenta.
Acho que fica meio exibicionismo postar primeiro que os outros. Eu não curto não! Acho que o cara que faz isso não vê o que está vendo. (risos) Muito louco ver tv e escrever ao mesmo tempo!

Que perfil tem o ator e/ou atriz que chama a sua atenção num trabalho? Já viu alguém que te despertou interesse em trabalhar junto mesmo sem nunca ter visto a pessoa até então?
Eu me ajoelho quando o ator/atriz consegue a " verdade" do personagem. Fazer tv implica em você não dar bandeira que tem uma câmera te seguindo, não dá pra ficar ligado em enquadramento, luz , make ou cabelo que não se mexe. Nenhum ser humano discute, briga ou pensa sem mexer no cabelo, por exemplo! Vemos atrizes e atores completamente escravizados pela suposta beleza. Eles não se mexem !!!!
Quando você vê um trabalho como o da Adriana Esteves da vontade de beijar o chão que ela passa.
Um ator que eu sempre quis trabalhar pela sua versatilidade é o Vladimir Brichta, acho ele excelente desde a primeira vez que o vi.
Já trabalhei com gente incrível, mas nenhuma foi tão especial quanto Dercy Gonçalves.


Que tipo de livro chama sua atenção na hora de escolher a sua leitura? Já lê bastante em meios digitais ou ainda é adepto do bom e velho, folhear de páginas?
Eu adoro ler livro em papel mesmo, que você marca a página. Adoro ler sobre comportamento !
Tudo sobre comportamento eu fico absolutamente vidrado.
Acho que é porque sou muito obervador e adoro " gente ". rsrsrs


Como surgiu a NEIDE, da sua peça I LOVE NEIDE? Tem muitas Neides nas ruas da capital ou acha que ela é mais interiorana?
Ela surgiu de uma brincadeira com a Hebe. "Adorada Hebe" e por consequência do destino fui fazendo programa ao vivo e falando do cotidiano. Achoque esse foi o segredo dela ser tao atual e as pessoas se identificarem, pelo cotidiano vivido por todos.
Se você andar na Oscar Freire vai ver um monte de Neides Boa Sorte ! ahahahaha


Você consegue tempo para ver os amigos em cena, seja no teatro, cinema ou tv? O que mais gosta de ver no teatro ?
Não consigo! Infelizmente. Estou num período de férias e ja vi 3 peças ! Ufa ! Fiquei tão feliz que você nao tem ideia ! risos.
Eu gosto de ver teatro,  não curto nada mal acabado. Veja bem , nao é questão de ter dinheiro pra uma super produção, mas o mal acabo me dá raiva de estar lá assistindo, afinal o público não paga pra ver ator mal vestido, sapato usado, e nem cenário caindo aos pedaços.
Nas peças infantis, principalmente, dá até vergonha de ser ator !

Como é seu processo de criação? Reflexivo ou impulsivo? Sente-se à vontade para criar no improviso ou as coisas precisam estar bem claras na sua cabeça antes de começar o processo?
Totalmente impulsivo! Assim que leio um texto vem primeiro a imagem da montagem e depois o resto. Eu tenho que saber como ele ficara ao ficar "de pé", depois com os ensaios vem a procura pelo momento da virada do personagem. Não consigo fazer nada que não tenha uma pitada de emoção.

Que trabalho você fez na TV, Teatro ou cinema, que você tenha olhado pra trás e dito; CARA, ISSO FICOU MUITO BOM!!!!
Ah ! meio pretencioso falar sobre isso mas eu fiquei muito feliz com o resultado de DEUS NOS ACUDA, novela de Silvio de Abreu, quando eu trabalhei com a Dercy.
Fiquei feliz ao ser indicado pela VEJA SP e RJ com a comédia O FILHO DA MAE , no teatro e agora estou com dois textos que nao me deixam dormir..rsrsrsrs

Como é sua relação com as pessoas que lhe acessam via Facebook? Já fez amigos pela rede que tenham causado interesse profissional e acabaram trabalhando juntos? Costuma interagir com os fãs pelas redes sociais?
Eu adoro as redes sociais, adoro ! Posto coisas que eu quero e quem não gostar, por favor, pode me deletar. Como diz o outro, é a minha página ! risos.
Acho que pelo Facebook a gente pode ate ter um contato, mas decidir uma participacão num trabalho  acho um pouco demais. Trabalho pra mim é muito sério, sou muito chato, muito pentelho,  quando eu não sinto que tal ator/atriz possa fazer tal papel não há possiblidade dele(a) fazer.

Poderia nos dizer um pouco como se vê, quais as facilidades e as durezas que o sucesso atual lhe trás e que trabalho não fez que ainda gostaria de fazer?
Eu me vejo como um profissional de respeito, acho que essa minha chatice no processo de trabalho deu qualidade ao resultado final e isso eu me orgulho. Trabalho com duas produtoras de ponta: Adriana Amorim e Yara Leite. Somos muito parecidos no quesito profissionalismo e respeito ao público, infelizmente sucesso não tem receita então a cada trabalho é um começo. 

Não existe recomeçar, tenho uma relação maravilhosa com meus patrocinadores e disso eu me orgulho, a Porto Seguro, por exemplo, me patrocina há 9 anos !
Gostaria muito de ter um Espaço Cultural onde pudesse pautar espetáculos e dar aulas. As pessoas que administram a maioria dos teatros hoje em dia não são pessoas de teatro e isso esta afastando o público. Me preocupo muito com a formação do público,  pela falta de qualidade das peças infantis. Há trabalhos lindos mas pouco divulgados e os que usam a Disney como chamariz acaba transformando o teatro infantil num mico, mas claro, que há exceções !


Tem algum vídeo que tenha visto na internet que tenha feito você rir muito? Pode nos indicar? Se pudesse escolher uma música que representasse você, qual seria?
Olha eu vou ser bem egocêntrico, mas o vídeo que fizeram dos melhores momentos do jornal da Hebe é uma delícia de ver.



A música que hoje me acompanha é Last Dance da Donna Summer. Por que será ? ahahahahahaha

Quem são os profissionais da arte que mais tem sua admiração no Brasil?
Marco Nanini , Fernanda Torres, Andrea Beltrao , Ingrid Guimaraes, Heloisa Perrisse, Vladimir Brichta, Natalia Thimberg, Gloria Menezes, claro que tem os que nao são tão famosos….dentre eles Alice Borges, Blota Filho, Marcos Oliveira, Marcelo Saback, todos tem trabalhos dignos de aplaudir de pé.

O Posso Contar Contigo agradece a sua ligação!!!

sábado, 8 de dezembro de 2012

ENTREVISTA - CLAUDIO BOTELHO

by Sidney Rodrigues

Meu presente para os amigos do Blog "Posso Contar Contigo?" para esse final de ano é uma entrevista bem informal com um dos Reis dos musicais brasileiros, CLAUDIO BOTELHO.

Procurei traçar um roteiro com perguntas que todos devem ter curiosidades, para conhecer mais o lado pessoal desse cara incrível e não apenas o lado profissional, e como sempre acontece, ele foi super atencioso e disponível para o bate papo, prova de que os grandes talentos, não são inatingíveis.

Com vocês Cláudio Botelho:


Quais programas na TV aberta brasileira atraem sua atenção?
Na TV aberta, gosto de Zorra Total, que vejo  com prazer quando estou em casa na hora.

Que perfil tem o ator ou atriz que chama a sua atenção num trabalho? Já escolheu alguém apenas por um trabalho que viu e apostou nesse profissional movido pela sua intuição?
Já chamei pessoas por um único trabalho que assisti e gostei, e outros após vários testes. Cada caso é um caso. No início o que me interessa realmente é o personagem. Trato o teatro musical como ópera e os personagens têm registros, tanto vocais quanto físicos. Os atores se encaixam ou não nestes registros. Sabendo-se o registro do que se precisa, é uma questão de procurar o melhor intérprete dentro daquilo, ou o melhor disponível no momento.

Que tipo de livro chama sua atenção na hora de escolher a sua leitura? Já lê bastante em meios digitais ou ainda é adepto do bom e velho, folhear de páginas?
Leio o tempo inteiro, e mais de um livro ao mesmo tempo. Geralmente a ficção que me interessa envolve crime, detetives, ou no mínimo, com conspirações. Acabo de ler 'O Sequestro de Rembrandt', que me deixou completamente fascinado. Estou lendo (atrasado) a 'Trilogia Millenium'. E fora da ficção, estou lendo o livro de letras de Stephen Sondheim, onde ele comenta cada letra que escreveu em toda sua carreira nos musicais.

Você leva as pessoas para viagens incríveis com seus trabalhos. Qual a maior viagem que já fez e o que mais gostou nela?
Sinceramente, detesto viajar. Gosto mesmo da minha casa, que é uma bagunça, aliás. Viajo algumas veze por ano pra fora, mas sempre para Nova York, Londres, ou no máximo, algum país onde haja teatro. Não tenho nenhum interesse por lugares exóticos, paisagens incríveis, ecologia, montanhas pra subir e menos ainda inverno pra esquiar. Se alguém me convidar pra ir conhecer as pirâmides, eu prefiro só ver as fotos. De preferência, poucas.
Já no Brasil, gosto quando visito a casa de um amigo ou outro, aqui perto do Rio, que a gente vai e volta no mesmo dia, e de preferência, sem mar, pois cidade de praia (tipo Búzios) é tudo muito nojento, todo mundo anda de chinelo e tem areia em todo lugar, e os restaurantes têm o péssimo hábito de vestir os garçons com trajes do tipo sarongue ou umas túnicas, é tudo fake. Tenho horror.


Você consegue tempo para ver os amigos em cena?
Sou um péssimo colega, raramente vou ao teatro. Isso é um defeito meu, preciso corrigir. Não vejo nada, pois como já trabalho com isso, acho um saco sair à noite pra ir ao teatro. E pior: ter de falar depois da peça com elencos, é a coisa mais chata que existe. Geralmente compro os ingressos, não peço convite, pois aí posso ir embora quando fecha o pano e depois ligo pro amigo em questão. Mas sei que isso não é legal, as pessoas ficam sentidas, e têm razão. Preciso mudar esse meu jeito.

Reflexivo ou impulsivo. Como é seu processo de criação? Sente-se à vontade para criar no improviso ou as coisas precisam estar bem claras na sua cabeça antes de começar o processo?
É um misto de tudo. Depende muito de cada trabalho. Fiz as letras de 'Como Vencer na Vida Sem Fazer Força', com uma enorme facilidade, pois eu conheço a peça há anos, sei tudo de cor, então isso facilita. Mas, há peças que aceito escrever letras por um viés mais profissional, como por exemplo 'Shreck', que dão um enorme trabalho, pois não é meu estilo de música, tem muito rock & roll, daí  precisa de muito mais suor. Mas sempre me divirto. A única realmente que me deu quase nenhum prazer de traduzir foi 'EVITA', pois é um material que quase não tem humor, o assunto é muito chato e as letras originais são muito voltadas para uma verdade política com a qual não concordo, de modo que foi extenuante.

Qual espetáculo você montou que mais lhe fez parar, pensar e dizer: "Caracas, saiu exatamente como eu queria!"?
Vários: 'Um Violinista no Telhado' é o exemplo máximo. Mas eu destacaria ainda '7 – O Musical', 'Ópera do Malandro', 'Milton Nascimento – Nada Será Como Antes', 'A Noviça Rebelde', 'O Mágico de Oz', e muitos outros.


Como é sua relação com as pessoas que lhe acessam via Facebook? Já fez amigos pela rede que tenham causado interesse profissional e acabaram trabalhando juntos?
Adoro o Facebook. É a única rede social que me interessou pois acho divertido escrever, mesmo que ninguém leia. Às vezes tem uns chatos que levam a sério o que escrevo, e quase nunca escrevo a sério ali, apenas faço piadas. Fiz diversos amigos virtuais, os quais nunca encontrei, e que na verdade, nem preciso encontrar, já está ótimo ser amigo virtual mesmo.
Não me lembro de ninguém que me tenha despertado interesse profissional, pois meu ‘mood’ no FB é sempre de piada mesmo, mas sempre que me pedem pra ver algo, eu mando pra nosso pessoal de elenco, eles catalogam e chamam pra testes.

Como você se vê? 
Me vejo como um artista de muita sorte, que conseguiu tornar popular uma espécie de teatro que, quando eu e Charles Moeller começamos a nos dedicar, não era nem bem visto pela classe teatral.
Nunca mudamos de segmento, sempre fizemos musicais. Estamos nisso há 20 anos, e nem mesmo tentamos algo diferente. 

Quais as facilidades e as durezas que o sucesso atual lhe traz? 
Não há nada de duro no sucesso, é só alegria. Mas é uma ilusão achar que o sucesso é um patamar conquistado. Você está lá em cima, e no dia seguinte, se você não matar mais um leão, ninguém nem lembra que você existe. A única coisa que importa é estar trabalhando. Tenho 3 prêmios Shell na estante, 4 prêmios Contigo, e mais sei lá quantos outros prêmios... Se amanhã eu não tiver uma peça pra ensaiar, estarei em depressão.

Qual trabalho não fez que ainda gostaria de fazer?
O musical que ainda não fiz e farei é 'Black Orpheus', baseado no Orfeu Negro de Vinícius de Moraes, que dirigiremos na Broadway, em 2014.

Há algum vídeo na internet que tenha feito você rir muito? Pode nos indicar?
Todos do Paulo Gustavo (ator que faz o programa '220volts' no MULTISHOW)


Se pudesse escolher uma música que representasse você, qual seria?
'Some People', do musical 'Gypsy'.


Obrigado ao Cláudio Botelho pela gentileza!

Saiba mais sobre o entrevistado em 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

NELSON BASKERVILLE uma explosão de competência

by Sidney Rodrigues

Nelson Baskerville nasceu em Santos em 01 de setembro de 1961, é ator, diretor, autor e artista plástico brasileiro. Formado pela Escola de Arte Dramática - EAD - ECA - USP em 1983. Professor de interpretação do Teatro-Escola Célia Helena, desde 1991.
Este virginiano perfeccionista e talentoso está dirigindo duas das montagens mais brilhantes em cartaz em São Paulo/SP, o premiado LUIS ANTONIO - GABRIELA, típico espetáculo de teatro cada vez mais raro de se ver hoje em dia, pois tem, vários atores, cenário, música, dança, vários adereços e um texto muito forte e impactante que não tem como não atingir a todos os tipos de pessoas que se propõem a ver a montagem.

Tive o prazer imenso de ver 2 vezes esta montagem. A primeira vez eu fiquei paralisado com tudo, chorei mais de 50% da peça e tentava não perder um só segundo daquela história, contada por atores jovens, mas não menos intensos do que pedia a montagem, na segunda vez que eu vi, mais relaxado, curti a peça ainda mais e me emocionei tanto quanto da primeira vez.
O melhor de tudo é que no dia em que eu vi pela primeira vez, ainda tive a oportunidade de bater papo com o elenco e direção, onde eles disseram como foi concebido, quais os dilemas e os pontos que escolheram para montar a peça, que por sinal, é uma parte importante da vida desse diretor e se quiser saber mais, aconselho você a não perder a temporada popular que o espetáculo faz no Teatro Alfredo Mesquita em São Paulo.

A outra peça em cartaz dirigida por Nelson Baskerville em São Paulo é Córtex, que encerra temporada no dia 04 de Novembro no CCBB e tem no elenco um OTAVIO MARTINS inteiro e pleno em cena. Uma peça que nos faz pensar nas tragédias do dia a dia que qualquer um de nós pode vivenciar, e muitas vezes dentro delas nunca se sabe ao certo quem é a vítima e quem é o vitimado.


Olhando esses dois trabalhos de Nelson Barkerville me dá um orgulho tão grande, uma satisfação em vê-lo tão intenso e criativo, "pirado" como acho que só os grandes artistas são.

Tive o imenso prazer em trabalhar com o Nelson Baskerville em duas oportunidades, e foram momentos muito bacanas. Montamos O SENHOR DE PORQUEIRAL de Moliere, a primeira montagem foi ainda no Teatro Escola Célia Helena. Nelson me incumbiu de fazer o galã da peça, ERASTO, claro que eu titubeei, nunca me vi como um galã ou aquele tipo que pudesse conquistar alguém a ponto da pessoa arriscar ir contra os desejos do pai, mas lembro muito bem dele me dizer. "SE VIRA, TODO MUNDO TEM UM GALÃ DENTRO DE SI!", e não é que saiu! Consegui fazer o papel e até comecei a ter mais autoconfiança e encontrar o tal galã.

Anos depois a própria Célia Helena queria montar uma peça que representasse os trabalhos que a escola realizava, e lá estavam Nelson Baskerville, O SENHOR DE PORQUEIRAL e eu às voltas com Erasto novamente, o bom é que o Erasto desta nova fase já caminhava mais para o tipo de trabalho que realizei ao longo da carreira. Consegui dar uma cara paspalhona e engraçada ao mocinho, que nesta montagem virou um gaguinho, confesso que foi muito mais divertido do que na primeira montagem.

NELSON BASKERVILLE sempre foi aquele professor de teatro que conseguia o que queria do elenco, todos sempre se rendiam as suas ideias e embarcavam nela sem pestanejar. Prova disso é que entre os alunos da escola de teatro sempre havia o desejo de ser dirigido por ele e quem conseguia isso achava que estava um grau acima dos demais.

O bom disso tudo é que o tempo passou e esse cara ficou cada vez melhor, cada vez mais completo como ator, diretor e artista plástico, ou seja, sua alma inquieta sempre reinventa.

Ah! Lembro de quando Nelson estava fazendo PROCURA-SE UM TENOR, fui ver a peça e sentei na primeira fileira para poder apreciar o trabalho mais de perto, sempre fui fã, tinha orgulho de poder presenciar aquele momento.

Lógico que ele me deu um esporro por eu estar logo na primeira fileira, hehehehehe, mas esse é o Nelson.

Trabalhos na TV
  • 2010 - As Cariocas - Fagundes
  • 2009 - Viver a Vida - Leandro Machado
  • 2009 - Maysa - Quando Fala o Coração - Alcebíades Monjardim "Monja"
  • 1998 - Fascinação - Tomás Giuliani
  • 1998 - Chiquititas - pai de João Pedro
  • 1997 - Canoa do Bagre - João do Braço
  • 1996 - O Rei do Gado - participação especial
  • 1994 - Éramos Seis - Marcos
  • 1992 - Pedra Sobre Pedra - Murilo Pontes (jovem)

No Teatro

  • Quando Nietzsche Chorou
  • Camino Real
  • Uma Lição Longe Demais
  • Rua 10
  • Às Margens da Ipiranga
  • Solness, o Construtor
  • Senhor de Porqueiral
  • A Megera Domada
  • Alice no Pais das Maravilhas
  • Espectros

Como Diretor

  • A falecida
  • Luis Antonio-Gabriela
  • 17x Nelson- O inferno de todos nós
  • Os sete Gatinhos

Como Autor

  • Luís Antônio-Gabriela

Prêmios


  • Prêmio Shell - Pela Direção de Luis Antonio- Gabriela
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