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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Twitterspectadores

Por Daniel Couri

Um novo jeito de assistir TV se popularizou nos últimos dois ou três anos. Confesso que – pelo menos para pessoas como eu, que ainda engatinham nesse mundo de tecnologias galopantes – a nova forma de ver televisão requer certo malabarismo. Refiro-me ao twitter, a rede social que une telespectadores do país (e do mundo) todo.

Atualmente é bem comum comentar as novelas em tempo real. Falo das novelas porque é quando a maioria dos tuiteiros 'comentaristas' convergem para o mesmo programa. Novela ainda é uma paixão nacional, por mais que o gênero passe por altos e baixos. Seja para aplaudir ou atirar pedras, o Brasil está sempre de olho nela.


Não sou tuiteiro muito assíduo, mas tenho notado cada vez mais claramente um lado positivo e outro negativo nessa história. O bom é que assistir a um programa que você curte e poder comentá-lo com outras pessoas que também curtam é muito divertido. É como reunir um grupo de amigos em casa para ver um filme que todos gostam, ou o último capítulo de uma novela. No caso do twitter, são amigos virtuais, claro, mas acabam muitas vezes sendo mais assíduos do que amigos 'reais'.


O lado ruim é que os tuiteiros mais beligerantes costumam assumir uma atitude arrogante e até agressiva com quem não compartilha do mesmo ponto de vista deles. Uma simples divergência de opiniões a respeito do personagem de uma novela, de uma celebridade ou de uma música torna-se motivo para bate-bocas intermináveis e bobos. O twitter nos deixou mais melindrosos e presunçosos. Todos se julgam experts e críticos imbatíveis e isso acaba gerando um mal-estar.

O grande prazer de hoje não está simplesmente em se sentar na frente da TV e acompanhar a novela passivamente. O público do twitter elogia, ataca, compartilha, repassa, defende, dá pitaco. A novela quase fica em segundo plano, já que o foco é comentar freneticamente. Vira uma espécie de competição para ver quem vai dar a tuitada mais engraçada ou inteligente primeiro. Ou quem vai fazer a piada mais rapidamente. Com Avenida Brasil, no ano passado, era pura catarse coletiva: todos vibravam, brincavam, elogiavam, sentiam-se parte da novela. Com Salve Jorge é o contrário: repudiada pela maioria dos tuiteiros noveleiros, a novela virou o tema favorito de piadas, deboches e troca de farpas.


Ainda não cheguei a uma conclusão sobre o saldo disso tudo. Se por um lado o público (por meio do twitter) está muito próximo de quem faz a novela (emissoras, autores, artistas) e tem a chance de expressar sua euforia pelas tramas, por outro parece que muita gente está mais preocupada em achar falhas e defeitos nas novelas do que em mergulhar nas histórias. É válida a 'vigilância' dos telespectadores. O público não precisa engolir tudo só porque a novela “é uma obra de ficção”. Aceitar furos grosseiros numa trama, por exemplo, é subestimar a capacidade intelectual do público. Porém me pergunto: até que ponto esses furos não ficaram gigantescos aos olhos do público justamente por causa dos vigilantes que não deixam passar absolutamente nada? Pelo visto, daqui pra frente os autores de novelas vão precisar de muito mais cuidado, até mesmo nos mínimos detalhes. Os twitterspectadores não perdoam. 
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