quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

EL MISTERIOSO PAÍS DEL AMOR!

por DENIS PESSOA



Depois de uma série de novelas contemporâneas ágeis e preenchidas com intermináveis aventuras, Carlos Lombardi escreveu a série O Quinto dos Infernos, comédia que contava a história de nosso país de uma forma totalmente nova e divertida. A ideia de escrever uma história de época pareceu agradá-lo, porque, pouco mais de um ano depois, precisamente em 5 de Maio de 2003, estreava Kubanacan, cuja trama se passava nos encantadores anos 50, cuja história passava-se numa fictícia ditatura localizada na ilha que dá nome à trama.
Marisol e Esteban
Como em todas as novelas do autor, a trama não é assimilada sem um pouco de esforço de raciocínio, o que incomodava muita gente que, entre diversas críticas, plausíveis ou não, simplesmente não conseguiam entender ou apreciar o universo criado pelo autor.
Porém, o que Carlos Lombardi costuma proporcionar em suas novelas, além de histórias geralmente intrincadas e até mesmo confusas, é a oportunidade de rir, e muito, e de se emocionar. Embora seus enredos possam ser considerados de alta complexidade, as tramas que emocionam o telespectador estão sempre presentes em suas novelas, seja com tramas que envolvam pais e filhos, amor fraterno, ou um bom romance, cheio de idas e vindas.




 A história girava em torno de cinco personagens principais: Esteban (Marcos Pasquim), Lola (Adriana Esteves), Enrico (Vladmir Brichta, Rubi (Carolina Ferraz), e Marisol (Danielle Winits). Por maiores que fossem as confusões e desencontros, estes personagens estavam basicamente juntos, todos envolvidos nos mistérios que envolviam a vida do desmemoriado Esteban, assim batizado na vila de pescadores onde foi resgatado por Enrico e Marisol, ao vê-lo literalmente caindo do céu.
Esteban, que nem seu próprio rosto reconhecia, passa a viver com Marisol em Santiago, cidade litorânea de Kubanacan, até que ela, seduzida pelo ditador Carlos Camacho (Humberto Martins), abandona o marido com seu filho para viver em La Bendita, capital do país.
Em busca da mulher que ama, Esteban parte no encalço de Marisol, logo envolvendo-se em diversas confusões pela cidade; Perseguido, conhece Lola Calderon, uma pacata e ingênua dona de casa, que é obrigada a enganar seu marido para realizar seu maior prazer: o de canter. Por coincidência, ou não, Lola, é casada com Enrico, que mudou-se para a capital logo após ter sido trocado por Esteban por Marisol.


Passado um tempo, Esteban, já estabelecido na capital, envolve-se na vida politica local, além de descobrir-se perseguido por pessoas que pareciam conhecê-lo do passado – principalmente mulheres apaixonadas e magoadas por seu suposto comportamento cafajeste. O porém, é que Esteban simplesmente não consegue recordar dessas pessoas. Ele passa a ser perseguido também por pessoas perigosas, que o questionam a respeito de uma tal Fênix, algo que logo descobre tratar-se de uma fórmula, embora desconheça o produto dela.
As mulheres da vida de Esteban causam muitas cenas cômicas entre ele e Lola, que se desentendiam e reconciliavam em praticamente todos os capítulos da novela. Outro fator que servia para confundir o casal era o fato de que Esteban, quando ameaçado, exibia resquicios de algo que parecia uma personalidade anterior: quando acuado, tornava-se violento e um exímio lutador. Aos poucos, essa personalidade começa a exercer domínio sobre ele, que age de maneira totalmente diferente com todos, especialmente com Lola, chegando incusive a trair a mulher que ama.


Ao lado do protagonista, que dominava a maior parte das cenas, havia Enrico, que mostrara-se logo no início da trama um homem hipócrita, boêmio e cinico, que embora proibisse a mulher de excercer sua paixão pela música por não querer vê-la em uma casa noturna, passava lá todas as suas noites, bebendo e jogando. Com a descoberta dessa mentira, perde o amor de Lola, porém, não desiste facilmente de seu casamento, especialmente quando percebe que tem como rival, outra vez, o pescador Esteban. Porém, seu par romântico verdadeiro é a truculenta e defensiva Rubi, irmã de Lola, em uma atuação divertida de Carolina Ferraz, mais conhecida pelos dramas que interpretou,
A novela corria, e inúmeras participações iam e vinham, fazendo com que público e crítica tivesse mais dificuldade em compreender a trama. Atores como Ângela Vieira e Humberto Martins deixaram a novela, abrindo lacunas, e enfraquecendo as tramas paralelas da novela. Ainda assim, as participações explicavam um pouco sobre o passado de Esteban. Regina Duate interpretou a mafiosa Maria Félix, sua mãe, que chega inclusive a salvar sua vida. Regina Duarte foi uma das poucas personagens que participaram mais de uma vez da novela, retornando em seu desfecho. Gabriela Duarte também fez uma participação, em um papel que nada tinha de relacionado com sua mãe. Vivia a atriz Veruska Verón, sempre a beira de um ataque de nervos. Letícia Spiller como a misteriosa Laura. Outros artistas participaram da novela, como Gabriel Braga Nunes, Daniela Escobar, Daniel Boaventura, Ingrid Guimarães, em uma vasta lista de intérpretes, dos personagens mais cômicos e misteriosos.


No final da novela, conhecemos então o pai de Esteban, Alejandro, vivido por Werner Schunemann, que logo revelou-se o grande vilão da trama.
As ultimas semanas de Kubanacan foram extremamente movimentadas, inclusive com o retorno de Carlos Camacho, que retornou depois de muito tempo ausente. Descobrimos então do que se tratava realmente a tal Fênix, que gerou tantas perseguições a Esteban, e o que se pretendia com ela: era uma bomba que seria utilizada em um grande atentado contra a população de Kubanacan: sem causar danos à cidade, destruiria apenas os seres vivos. Essa bomba chegou de fato a ser detonada no penúltimo capítulo, causando uma terrível devastação.
Lola e Esteban
O último capitulo surpreendeu o público com a resposta a vérios questionamentos, sendo que muito de tudo pareceu extremamente controverso: a explicação pareceu ignorar acontecimentos precedentes, e dificilmente se passou pela cabeça de qualquer fã da novela. Mas tudo foi explicado: quem era verdadeiramente Esteban, porque caiu do céu no primeiro capítulo, a origem de sua dupla personalidade, e diversas outras revelações, em um último capítulo cheio de ação e comedia, como todas as suas novelas. O desfecho foi decidido pelo autor em cima da hora, para que, segundo declarações dadas na época, não corresse o risco da Globo vetar a explicaçao dada por acharem absurda demais – o que, dado o decorrer da novela, não poderia ter menos do que isso.
O final da novela envolveu viagens no tempo, algo novo na teledramaturgia nacional, e embora tenha gerado alguns conflitos, inclusive o polêmico incesto entre tia e sobrinho através de Rubi e o próprio Esteban, que na verdade chamava-se León, e, por incrível que pareça, era filho... dele mesmo, sendo que o verdadeiro Esteban falhara em salvar Kubanacan de Alejandro, na verdade esteve ausente a novela inteira, revelando que o nosso protagonista era na verdade seu filho, em uma realidade paralela. Complicado assim.


A despeito da história surreal, Kubanacan era um folhetim, com suas características típicas. Bons ganchos, uma trilha sonora interessante e bem dançante, de sabor latino, com diversas músicas muito características. As mais marcantes foram Carnavalera, tema de Enrico, Coubanakan, tema de abertura, interpretada por Ney Matogrosso, e No Me Platiques Más, tema tocado à exaustão, que envolvia inúmeras cenas românticas entre o casal Lola e Esteban.


Foi uma novela longa, o que desagradou o autor, que chegou a cogitar desistir das telenovelas após o término desta. Seu trabalho, porém, pode ser considerado bem sucedido e inovador: Kubanacan inovou, resistindo a todas as críticas, e mantendo bons níveis de audiência. Com todas as suas características peculiares, suas qualidades e defeitos, Kubanacan é uma novela que merece ser lembrada e, quem sabe um dia, reassistida!


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

QUE CARA BACANA!

Por José Vitor Rack
Dizem que ele é chato. Mal humorado, até.

Eu já vi algumas entrevistas dele na televisão e não consigo vê-lo assim. Claro que ninguém em seu juízo perfeito sai distribuindo patadas em rede nacional... Mas eu acredito que ele tenha alguma alegria em seu estilo de vida fora do ar.

Dizem que ele é a cara do meu primo Mauro Galvão, ex-zagueiro do Internacional, Grêmio, Botafogo, Vasco, Seleção Brasileira, etc. Talvez seja o cabelo muito liso e a expressão facial grave que causem essa semelhança. Mas o Mauro é bem mais tímido. Jamais faria graça na televisão.


O fato é que o Pedro Cardoso é o que há! Que ator...

E roteirista também. Dos bons. Ter TV Pirata e Comédia da Vida Privada no currículo é selo de qualidade indiscutível. O cara manda muito bem no teatro, mas ele mesmo declarou em entrevistas que se sente muito bem trabalhando em TV, sente-se em casa, confortável.

Durante muito tempo ele não foi popular. Era o ator que aparecia nos produtos mais sofisticados da TV Globo, sem muito apelo junto ao grande público. Até fez uma novela das oito, mas o escândalo envolvendo Vera Fischer e Felipe Camargo atrapalhou o IBOPE e a repercussão de Pátria Minha. O sucesso popular teve de esperar.

E veio o Agostinho. A Grande Família estourou de modo improvável, tornando-se um fenômeno de popularidade, audiência e longevidade. E mais que todo o resto do excelente elenco, Pedro Cardoso foi o destaque maior.

Garanto que você conhece algum Agostinho na vida real. Aquele cunhado folgado, o genro explorador, o marido machista. Cheio de defeitos mas que, no fundo, têm sentimentos bonitos e faz o que faz devido à vida tirana que todos nós, brasileiros, costumamos levar.

O filme O Que é Isso Companheiro? mostrou um Pedro Cardoso diferente, incorporando o jovem Fernando Gabeira, esquerdista que lutou contra o regime militar em plena luta armada. Primo de Fernando Henrique Cardoso, Pedro soube dar dignidade e verdade ao personagem, ainda vivo e hoje candidato à Prefeito do Rio de Janeiro.

Conheça melhor Pedro Cardoso. O do teatro besteirol, o de Redentor (de Cláudio Torres), o cara que nunca votou no próprio primo.

Vale a pena ir além do Agostinho.

José Vitor Rack
@josevitorrack

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

MEUS TEMAS MUSICAIS INESQUECÍVEIS! APENAX!

POR Thiago Ribeiro



As músicas com toda certeza são grandes responsáveis pela popularização das novelas e vice e versa. Muitas vezes ao ouvirmos determinados acordes já nos surge em mente a lembrança deste ou daquele personagem. Alguns temas viram clássicos, perdurando a lembrança da novela por anos e anos. Muitas músicas são compostas especialmente para as tramas outras são escolhidas já prontas e fazem o maior sucesso. Na lista a seguir, os meus temas musicais favoritos. Os que estão no meu mp3 e não me abandonam jamais!

ME CHAMA QUE EU VOU – SIDNEY MAGAL (RAINHA DA SUCATA)


Temas de Rainha da Sucata, impossível eu não me balançar escutando essa pérola da sensualidade (#not) de Sidney Magal. E a abertura é muito divertida.

AGUENTA CORAÇÃO – JOSÉ AUGUSTO (BARRIGA DE ALUGUEL)



De volta a tv no Canal Viva, Barriga de Aluguel foi um grande sucesso de Glória Pérez que trazia essa balada na abertura e que casa perfeitamente com a história da novela, embora não tenha sido composta especialmente para a trama.

NOITE PRETA – VANGE LEONEL (VAMP)



Umas das aberturas mais legais e divertidas dos anos 90, essa música é bem a cara da novela de Antônio Calmon que divertiu crianças e adultos na década passada.

O AMOR E O PODER – ROSANA (MANDALA)



Toda bicha que se preze já dublou (ou se imaginou dublando) essa pérola trash da Rosana. Tema da Deusa Vera Fischer (Jocasta).

PEDRAS QUE CANTAM – FAGNER (PEDRA SOBRE PEDRA)



“Quem é rico mora na praia, mas quem trabalha nem tem onde morar...” Fagner sabe das coisas, e a  prova disso é essa filosófica frase que abre o tema de abertura de Pedra Sobre Pedra, de Aguinaldo Silva.

SONHO MEU – JOSÉ AUGUSTO E XUXA (SONHO MEU)



Assumo que bate uma nostalgia dessa época quando escuto Sonho Meu. Rainha Xuxa (sua linda!) e José Augusto (de novo!) embalando a trama que conta a história de Laleska (Carolina Pavanelli).


LINGER – THE CRANBERRIES (A VIAGEM)



Vou contar um segredo e não me trollem: quando eu era criança, na época em que passava A VIAGEM, eu morria de medo da dona Guiomar (Laura Cardoso) e, não riam, eu achava que quem cantava a música Linger era ela!! Hahahahaha. Delírios infantis. Anos depois me decepcionei ao descobrir que era o The Cranberries e não Laura Cardoso que cantava essa pérola dos anos 90.

PICADINHO DE MACHO – SANDRA DE SÁ (QUATRO POR QUATRO)



Foi a primeira novela da Globo que me pegou. A minha favorita de Carlos Lombardi. Eu adorava Babalu (Letícia Spiller) e a abertura, que trazia Sandra de Sá mandando ver.

IBIZA DANCE – ROUPA NOVA (EXPLODE CORAÇÃO)



“ÔOOOOOOOOO, Ibiza Dance!!!!” Minha abertura favorita de todas, Explode Coração, trazia Roupa Nova embalando o remelexo de Ana Furtado (sim, a querida-simpática-natural-expressiva apresentadora do Vídeo Show, #not).

REI DO GADO – ORQUESTRA DA TERRA (O REI DO GADO)



Acho que essa música representa muito bem a novela do Bené (sim, somos íntimos. Ok, isso foi estranho...)

UNICAMENTE – DEBORA BLANDO (A INDOMADA)



Prefiro a abertura do Vale A Pena Ver De Novo com essa música do que a versão original com Maracatudo. ProntoFaleiTôLeve!

ESPERANÇA – LAURA PAUSINE (ESPERANÇA)



Acho que esperança era uma história legal que Benedito deixou muito chata. Mas quando vejo o clipe não deixo de amar aquelas imagens lindas da Itália ao som de Laura Pausine.

DIVANO – ERA (UM ANJO CAIU DO CÉU)



Levei anos para descobrir o nome dessa música. Divano é um canto gregoriano lindo que eu uso para aulas de teatro e etc. E pasmem, mesmo não sabendo o nome todo mundo que ouve associa à novela Um Anjo Caiu Do Céu.

ALÔ ALÔ BRASIL – EDUARDO DUSSEK (AS FILHAS DA MÃE)



Gostei muito dessa novela de Sílvio de Abreu e a abertura super criativa era um luxo.


A MIRAGEM – MARCUS VIANA (O CLONE)



“Someeeeeeeente por amooooooooorrrrr...” –Lucas!! –Jade!! –Jade!! –Lucas!! E assim passaram-se capítulos e mais capítulos até que o casal interpretado por Murilo Benício e Giovanna Antonelli tivessem seu final feliz. Até lá foram muitas cenas embaladas por Marcus Viana. “Someeeeeeeente por amoooooooorrrr”.


VIVIR SIN AIRE – MANÁ (MULHERES APAIXONADAS)



Hora de reviver nosso casa lésbico favorito, Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli). Como não amar essa música tão legal?? Essa balada integra o cd que tem uma das melhores trilhas de todas, Mulheres Apaixonadas. Na minha opinião, claro.

SE QUISER – TÂNIA MARA (PÁGINAS DA VIDA)



Enquanto Isabel (Viviane Pasmanter) não decidia se queria ou não ter um tche tchere re tche  tche com Renato (Caco Ciocler), Tânia Mara se esgoelava cantando essa música que tocou 2006 por diante... É brega, mas eu gosto.

SINHÁ MOÇA – LEONARDO (SINHÁ MOÇA)



Além da imagem de cinema, que deixava as cenas belíssimas, a única coisa dessa novela que eu gostava era a abertura com essa música, cantada por Leonardo, de quem não sou fã, que fique claro. Passei a gostar mais da novela quando passou no Vale A pena Ver De Novo...

REDESCOBRIR – ELIS REGINA (CIRANDA DE PEDRA)




“Como se for a brincadeira de rodaaaaa....” Amei essa novela linda de Alcides Nogueira, baseado no romance de Lígia Fagundes Telles. Muito linda, adorava, e a abertura embalada por Elis deixava minhas tardes ainda mais românticas... “Jogo do trabalho na dança das mãos...”

ORAÇÃO AO TEMPO – MARIA GADÚ (A VIDA DA GENTE)



Encerro meu post com a música de A Vida Da Gente. “Tempo, tempo, tempo, tempo...” Essa belíssima canção de Caetano Veloso teve uma releitura produzida para a novela de Lícia Manzo e tem tudo a ver com a história das irmãs Ana (Fernanda Vasconcellos) e Manuela (Marjorie Estiano). E a novela já ta acabando... Onde vou achar doses de angústia meu Deus???


E VOCÊ? QUAL SEU TEMA DE NOVELA INESQUECÍVEL?

ATÉ A PRÓXIMA!!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

MOMENTO TRASH: ABERTURAS DE NOVELAS PORTUGUESAS.

Júnior Bueno

Se tem uma coisa que esse noveleiro aqui adora é abertura. Tanto que eu às vezes passo a gostar de novelas consideradas ruins por causa das aberturas, quando são boas (O amor está no ar, Lua cheia de amor e Pé na jaca são exemplos). E torço o nariz , quando a novela tem uma abertura feia ou pouco criativa, que não marca. Já fiz até um post aqui sobre isso. Mas hoje vou trazer algumas coisas realmente curiosas pra vocês. Com a minha mania de fuçar pelo Youtube atrás de raridades aleatórias me deparei com as aberturas (ou genéricos, como eles chamam) mais bizarras já criadas. Aqui vou listar cinco que não "fazem o requisito", como diria a moça da lage e três que eu achei bem feitinhas. Mas tem mais no Youtube, recomendo, são hilárias.

As Bizarras:


  • Flor do Mar - A princípio, a imagem da mulher nua (rola um peitinho!) dá a impressão de algo na linha de Mulheres de areia, mas a colagem com o chroma key é tão mal feita, e as imagens de flores se abrindo no fundo do mar (literais eles né?) não deixam dúvidas, é uma novela portuguesa com certeza!


  • Mar de Paixão - Mais uma trama sobre o mar, mas dessa vez o responsável estava sob efeito de chá-de-cogumelo. Nada mais explica a a profusão de imagens onde nada combina com nada, sem falar na medonha maquiagem dos bailarinos.


  • Sedução - Dessa vez o fator responsável pelo humor involuntário é o carão da atriz Maria João Luis (só pra constar, toda novela tem de lá tem pelo menos uma Maria João no elenco). A moça é expressividade pura.



  • Olhos de Água - Se existir um Troféu Sem Noção, com certeza vai pra essa abertura. Começa bem, com um imagem poética de gotas de orvalho, mas daí aparece uma árvore com corpo de mulher (what?), com direito a peitinhos (what²?), seguido por um relógio voador (what ³?) e de repente uma menina aparece (criança e mulher com peitinho de fora na mesma abertura, reparem) o relógio vira um espelho e tudo que acontecer de surreal aí já vai ser normal.


  • Ganancia - Segundo a Wikipedia, essa novela foi protagonizada pelo Leonardo Vieira, embora ele não conste nos crédito. Mas a curiosidade maior sobre a novela, ou melhor sobre a abertura é a semelhança do modelo com Lord Voldemort, o vilão de Harry Potter. Antes de gritarem plágio, saibam que a novela é de 2001, ou seja antes.




As bem-feitinhas

  • Perfeito Coração - Primeiro, reparem em quem aparece na abertura: o NOSSO Ricardo Pereira, hoje galã de Aquele Beijo. Segundo, a música é um fado de Amália Rodrigues (a cantora-símbolo portuguesa) cantado por um grupo chamado Amália Hoje, que recria as músicas da diva pros dias de hoje. Recomendo. Por último, não é bonitinha (e cafoninha) essa abertura? Passaria facilmente numa novela daqui, das 6, ou da Record.

  • Sentimentos - Amei a solução que deram pra apresentar os personagens na abertura, já que o título é bem vago e poderia gerar as mais variadas interpretações para a abertura. Os créditos acompanhando o movimento da câmera é um luxo só. Lembra um pouco Sete pecados.



  • Vila Faia - Trata-se de um remake da primeira produção portuguesa, datada de 1980 (quase 30 anos depois da primeira brasileira, diga-se). A primeira abertura é risível, mas a da segunda versão é soberba, mostrando o passo-a-passo do vinho da parreira à taça. E a tipografia dos créditos, então? E o logotipo? Tudo muito lindo.

E aí, gostaram?

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Uma Saga Familiar Sob a Forma de uma Épica Minissérie



Em 1985, em comemoração aos seus vinte anos, a Rede Globo levou ao ar a mais ousada e grandiosa produção, até então: O Tempo e o Vento, adaptação da imortal obra de Érico Veríssimo (como homenageia a própria abertura da minissérie), mais especificamente da sua primeira parte, "O Continente", publicada em 1949.
A minissérie quebrou recordes e fez grande sucesso - especialmente entre a crítica especializada - , sendo, inclusive, premiada no exterior (prêmio Coral Negro de Melhor Vídeo no Festival de Cinema e Vídeo de Havana, em 1986). No Brasil, foi reprisada três vezes em diversos horários (1986, 1991 e 1995) e lançada em DVD quando do centenário de Érico Veríssimo em 2005 (não agradando à totalidade dos fãs da obra, ante a severa edição que suprimiu por inteiro uma das histórias, "A Teiniaguá"). E em janeiro de 2012, O Tempo e o Vento foi novamente reprisada, no Canal Viva, canal de TV por assinatura, na íntegra, em seus 26 capítulos.

DVD de O Tempo e o Vento lançado pela Globomarcas.

O roteiro, adaptado por Doc Comparato e transformando em vistosas imagens pela direção de Paulo José, valeu-se de quatro histórias de "O Continente": "Ana Terra", "Um Certo Capitão Rodrigo", "A Teiniaguá" e "O Sobrado". O texto primou por uma narrativa diferenciada: as histórias eram apresentadas fora de ordem, desenvolvidas separadamente e interligadas por meio de flashbacks e lembranças pessoais dos personagens.

De imediato, o telespectador é apresentado à fase mais longínqua da saga de Érico Veríssimo: "O Sobrado" , que se passa em 1895, tendo como plano de fundo a Revolução Federalista. O líder político da fictícia Santa Fé, o republicano Licurgo Cambará (Armando Bógus), está cercado em seu sobrado junto com a família sob a ameaça dos opositores do regime, os maragatos, comandados pelo coronel Bento Amaral (José Lewgoy). Alheia ao conflito, a matriarca da família, a velha Bibiana (Lélia Abramo), relembra seus antepassados e fatos marcantes dos Terra Cambará, refletindo sobre a guerra, a vida e a morte, enquanto admira a centenária figueira pela da janela de seu quarto. Esta fase é pautada pelos conflitos internos da família, acuada pela opressão dos inimigos e pelo estado de penúria que ali se instaura. Destaque para as bem dirigidas cenas de batalhas entre os grupos armados, que ainda hoje se mantém interessantes.

Lélia Abramo emocionou com a sábia velha Bibiama, unindo as arestas de O Tempo e o Vento com suas memórias.
Por meio das memórias da velha Bibiana, a narrativa retrocede a 1777, período em que o Brasil-Colônia ainda definia as suas fronteiras territoriais mediante violentas disputas entre portugueses colonizadores e espanhóis. Se inicia a história "Ana Terra" (Glória Pires), a avó de Bibiana, jovem introspectiva que vive com os pais e irmãos agricultores nas isoladas coxilhas gaúchas, e passa a maior parte do tempo a tecer na fiadeira. Nessa fase imperam os conflitos interpessoais sob a ótica feminina, especialmente pela personagem-título, descobrindo o amor com o índio Pedro Missioneiro  e também a crueldade dos homens, retratada na pele dos inimigos castelhanos, que queimam sua casa, matam seus irmãos e seu pai e a estupram. Destaque para a direção contemplativa, privilegiando a beleza natural da bucólica região sulista, e para o texto poético e sensível, muito bem interpretado pelo núcleo, especialmente por Aldo César (o chefe da família, Maneco Terra) e por uma jovem e serena Glória Pires.

A jovem Glória Pires como Ana Terra.
 Em seguida, com a decisão de Ana Terra de reconstruir sua vida em um novo povoado (a futura Santa Fé), a história avança no tempo, mais precisamente para 1828, ponto de partida da história "Um Certo Capitão Rodrigo". O Capitão Rodrigo Cambará (Tarcísio Meira) é um virtuoso, sedutor e alegre militar que acabou de voltar da batalha e pretende se estabelecer em Santa Fé, se chocando com os poderosos da região em razão de seus liberais costumes. Imediatamente se apaixona pela jovem Bibiana (Louise Cardoso), neta da já finada Ana Terra, disputando-a com o seu noivo Bento Amaral (aqui vivido por Breno Bonin). O militar vence e se casa com a moça, vivendo um grande amor, por vezes conflituoso, já que não abandona a vida mundana. Nesta fase, se visualiza a formação do povo gaúcho, perpassando a Revolução Farroupilha e a imigração europeia. Mostra um interessante retrato do típico homem gaúcho: libertário, decidido, virtuoso e guerreiro, muito bem representado por um inspirado Tarcísio Meira.

O sedutor Capitão Rodrigo (Tarcísio Meira) e sua amada Bibiana (Louise Cardoso).
Com a morte do Capitão Rodrigo, a história migra para 1853, onde se desenrolam os acontecimentos de "A Teiniaguá". A Bibiana de meia-idade, aqui vivida por Lilian Lemmertz, já calejada pela vida, arranja o casamento do filho que teve com o Capitão Rodrigo - o demasiadamente sensível Bolívar (Daniel Dantas) - com a bela e mórbida Luzia (Carla Camurati), moça vinda da Corte que entra em conflito com a sogra em razão de suas excêntricas atitudes. O destaque fica por conta da complexa e intrigante psique de Luzia, apaixonada pelo perigo, pelo mórbido e pela morte, transformando a vida do fraco marido num suplício e enfrentando a racionalidade e a dureza da robusta Bibiana.

Com essa interessante estrutura do roteiro baseada na memória de seus personagens e a meticulosa direção de Paulo José, O Tempo e o Vento traduziu um verdadeiro espetáculo televisivo, coroado com um elenco estelar e incríveis atuações.

Armando Bógus e José Lewgoy estiveram ótimos como os políticos rivais e Tarcísio Meira, em uma sedutora atuação, exibiu um carismático Capitão Rodrigo. Carla Camurati  construiu uma fascinante, mórbida e misteriosa Luzia, com classe e exuberância. Louise Cardoso esteve sensível com sua amorosa Bibiana, enquanto Lilian Lemmertz  impressionou com a mesma personagem numa visão diametralmente oposta - dura, calejada pela vida atribulada e pelas sucessivas perdas, e até mesmo interesseira, materialista. Lélia Abramo brilhou como a velha Bibiana, expressando com emoção os momentos poéticos e de sabedoria da personagem, ligada à família e admiradora de seus antepassados, num apaixonante trabalho de interpretação.


Interessante, ainda, se mostrou o desenrolar da história: o Tempo e o Vento ilustrou, sobretudo, dramas pessoais mesclados aos fatos históricos, sem que estes sobrepusessem àqueles. Cada personagem vivia dado momento histórico inserido naturalmente naquele contexto de formação da cultura e da sociedade, de forma que o roteiro preocupava-se em mostrar como viviam e o que sentiam os personagens, e não em simplesmente narrar o entrecho político, como normalmente trabalhos dessa espécie se propõem. Não se tratou de uma minissérie meramente histórica, didática, mas uma obra sobre sentimentos humanos.


Tarcísio Meira, Louise Cardoso e Lélia Abramo.
O Tempo e o Vento, um das mais emblemáticas obras da Literatura Brasileira, cuja adaptação, difícil e trabalhosa por natureza, indubitavelmente merecia algo à altura de sua importância. Se não perfeita, a adaptação televisiva, ao menos, manteve o espírito e a essência da obra, contando com tudo o que havia de mais avançado e caprichado para a época, mantendo-se impressionante até hoje. A disposição e coragem de levar à frente um projeto dessa magnitude, e com êxito, há de ser louvado: alternando realismo e lirismo, e driblando as dificuldades inerentes ao projeto, O Tempo e o Vento proporcionou um verdadeiro espetáculo televisivo. E não seria diferente: para retratar uma importantíssima obra literária, somente uma produção épica poderia fazer-lhe justiça. E assim foi.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Será a nova novela do Tiago Santiago, mais do mesmo? E vocês, o que sugerem? Nós sugerimos!!!


Isaac Santos & Convidados 

Dia desses, lendo uma nota sobre o autor Tiago Santiago já estar desenvolvendo a sua próxima novela no SBT, pensei em escrever algo referente a isso, pra este espaço.

Tiago, com passagens pela Globo e também pela Record, nesta última, obteve maior prestígio, sendo um dos principais autores da emissora. Foi nessa fase que ele e sua equipe conquistaram índices de audiência respeitosos com a exibição de novelas bem sucedidas, também pela crítica, vide ‘Prova de Amor’ e ‘Escrava Isaura’. Ainda com boa visibilidade do público, mas sob o “olhar atravessado” da maioria dos críticos de TV, fez por lá a trilogia ‘Mutantes’.


Ora, eu que sempre critiquei publicamente o Tiago Santiago, pelo excesso de didatismo [repare, eu disse “excesso”, pois sei que cada autor tem a sua característica e não há que ser incompreendido por isso], admiro a sua capacidade de criação [não me xinguem, mas os primeiros capítulos de ‘Caminhos do Coração’ demonstravam que viria algo interessante, a idéia original era legal, infelizmente se tornou numa estória sem noção, então desisti de acompanhá-la] e penso que não deva ser ignorada.

No SBT, ‘Uma Rosa com Amor’, embora uma produção modesta, se manteve com índices aceitáveis aos padrões da emissora. Mas foi com ‘Amor e Revolução’ que Tiago Santiago chamou a atenção de todos para a TV do Sílvio Santos. Ele ousou e de fato, deu uma aula de história [pecou nisso] sobre um tema político e polêmico, do nosso país, gabando-se por isso. Ah! Não conseguiu ser o responsável pela cena de beijo gay entre homens, porém conseguiu fazer barulho em cima do beijo entre personagens lésbicas.
  
‘Amor e Revolução’ se manteve nos TT (assuntos mais comentados do twitter) por força dos seus críticos. Aliás, essa prática virtual tem se tornado cada vez mais comum e os autores conscientes disso têm interagido por essas ferramentas.

Lembro da fala fervorosa de um dos seus fãs, em resposta a um comentário meu, no twitter (à época da exibição de Amor e Revolução). Algo sem maiores conseqüências, contudo demonstrando a postura que alguns preferem adotar, a da ignorância. Tudo muito passível de interpretações errôneas. Mas, certo de que as minhas opiniões nunca objetivaram uma simples “trolagem”, nem mesmo uma crítica destrutiva, não estou aqui a pedir desculpas. No entanto, acho digno que do mesmo modo a que nos habituamos criticar, evidenciemos a nossa insatisfação, justificando-a e o mais importante, motivando-o a alcançar sempre os melhores resultados possíveis.

Nesse intuito, propus uma tarefa a alguns amigos noveleiros e eles toparam. Pedi que partissem da seguinte hipótese: “A teledramaturgia do SBT quer saber a sua opinião sobre o estilo de escrita do autor Tiago Santiago. Feito isso, sugira ao mesmo, elementos que possam levá-lo a obtenção de uma trama bem sucedida. Capriche no texto ou tópicos, pois o faremos saber.”


Óbvio que seria pretensioso de minha parte, imaginar o autor lendo essa postagem, mas ao menos compartilhamos algumas idéias. O que já é muito válido!!!

Posto abaixo, o que a mim foi enviado pelos amigos Daniel Couri, Fábio Leonardo e Sidney Rodrigues, aos quais agradeço pela gentileza.

Fábio Leonardo (http://supercult01.blogspot.com) sugere:

A nova novela do SBT deve ser um bom folhetim, na acepção da palavra: manter ganchos atrativos, uma relação balanceada de ação, drama, comédia e romance. Pode ter uma trama policial, ou até mesmo uma pitada de realismo fantástico, desde que tratada de forma coerente com a proposta da trama. Cabe ao autor respeitar a inteligência do público: não propor situações nababescas, se elas não estiverem de acordo com aquilo que a trama se propõe a ser. Mesmo em tramas de época (e falo agora do lugar de aprendiz de historiador), a explicação sobre os acontecimentos reais que contextualizam a trama devem vir sublimados em situações, e não em diálogos professorais. Cabe lembrar que a novela tem o dever de informar, mas não é uma sala de aula.

Sidney Rodrigues sugere:

O que encanta a tantas pessoas que assistem os reality shows? É ver tramas que acontecem com pessoas normais, a novela poderia ter até um metateatro, um reality show na novela e como vivem as pessoas que estão no reality e as pessoas que ficaram de fora do local

- um jovem viciado em twitter e redes sociais e que através da rede faça uma mobilização pela trama central da novela
- uma "mocinha" que não aceite todas as malvadezas da vilã e só se rebele no último capítulo, as pessoas de verdade tem atitudes mais imediatas
- um "mocinho" que se apaixone por uma pessoa normal e que mostre os problemas do relacionamento cotidiano, não penas traições e chifres, indas e vindas, acho que falta mais naturalismo, pois há muitos temos a serem observados numa relação amorosa comum a de muitos seres humanos
- um chefe inseguro, que se apropria das ideias dos outros no trabalho
- um profissional de marketing, que faz de tudo para que seu produto seja aceito pelo mercado, tipo, vender uma Maria chuteira. 


Daniel Couri sugere:

Pode me chamar de saudosista e até de conservador, mas sempre achei que, para conquistar o público e prender a atenção, uma novela precisa ter os elementos "clássicos" das telenovelas. Não necessariamente copiar outras, mas fazer uso de situações que despertem o interesse do público.

Personagens que são dados como mortos e reaparecem na trama; barracos conjugais; mocinhas ambiciosas em busca de ascensão social; galãs acusados injustamente tentando provar sua inocência; vilã que coloca anel de brilhante na bolsa da empregada para acusá-la de roubo, rivalidade entre irmãos e por aí vai. Variações sobre o mesmo tema que sempre agradam, desde que sejam bem apresentadas em uma trama bem amarrada.

O que eu observo na grande maioria das novelas atuais - ou melhor, dos últimos 10 anos - é que as histórias não têm muito apelo. O público se entedia e perde o interesse. As “encheções” de lingüiça ocupam a trama quase toda. Muitas novelas simplesmente copiam tramas anteriores sem ao menos se dar ao trabalho de usar uma "roupagem" nova. Não acho que excesso de inovação funcione em novela, salvo raríssimas exceções. Tramas muito rocambolescas e inverossímeis, que tentam enfiar goela abaixo temas "modernos" mas chatos de serem visto em novelas, algumas vezes até forçados, personagens incoerentes e rasos, que não nos fazem torcer contra e nem a favor deles, essas coisas também não costumam colar.

Um problema das novelas de hoje, na minha opinião, é o excesso de personagens. Muitos não têm função nenhuma na trama, ficam desfilando e falando textos chatos que nada acrescentam à história. Mas ocupam espaço. E os personagens que deveriam ser os principais e ter mais profundidade acabam não sendo tão bem aproveitados como poderiam. Por isso acho mais fácil apontar os "problemas" das novelas atuais do que sugerir inovações. Até porque (quase) nada se cria, tudo se transforma.

Sou a favor de novelas com menos personagens e mais história. O foco deve ser a trama e não a infinidade de personagens desnorteados. Novelas simples como "Dancin' Days", mas com elementos que prendem o público, são muito gostosas de ser ver. Outras com tramas mais arrojadas, como "Vale Tudo", prendem a atenção do primeiro ao último capítulo. Tudo é muito bem amarrado, não há nenhuma história paralela sem importância, tudo se liga de forma espetacular, todos os personagens têm uma razão de existir. "Mulheres de Areia" mesmo, mistura elementos simples com uma trama empolgante. Difícil ter um capítulo chato. Um outro estilo diferente foi "Mulheres Apaixonadas", que apesar de não ter uma trama cheia de mistérios e reviravoltas, tinha um texto maravilhoso e empolgava bastante.

Em minha opinião são esses os pontos fracos das novelas atuais: muitos personagens sem função na trama, diálogos fracos e histórias que acabam se perdendo no meio do caminho. A adaptação de "A Escrava Isaura" que o Tiago Santiago fez foi muito boa. A produção era simples mas a novela, mesmo sendo o remake de um clássico, atraiu a atenção do público. "Prova de Amor" também. Estilos diferentes, mas ambas muito atraentes e empolgantes. Até o remake de "Uma Rosa com Amor", apesar de modesto, teve seus encantos. Mas "Caminhos do Coração" e "Os Mutantes" foram muito ruins. Como eu disse, acho que tentar 'inovar' demais em novelas pode ser um perigo. Vira um “samba-do-crioulo-doido” totalmente inverossímil, como foi o caso da novelas dos mutantes. Uma verdadeira salada sem pé nem cabeça. Outra coisa que no meu ponto de vista não funciona é tentar transplantar para nossas telenovelas o estilo das séries americanas - com vários personagens que vão surgindo ao longo da trama e depois desaparecendo - como o Gilberto Braga fez em "Insensato Coração". A novela tinha muita coisa boa, mas se perdeu com um emaranhado de personagens e sub-tramas que mais cansaram do que empolgaram. Quem levantou a novela foi a Norma.

Fotos: Google Imagens
Portal R7
Site do SBT



quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Direito de Amar - O renascimento do horário das seis


Por FÁBIO COSTA

No final de 1986, a Rede Globo passava por problemas junto ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões do Rio de Janeiro (Sated-RJ), que reivindicava que seus afiliados trabalhassem no máximo 36 horas por semana, ou seja, seis horas por dia de segunda-feira a sábado. Assim, enquanto se buscava uma solução para a questão, o horário de novelas das seis foi temporariamente desativado entre novembro de 1986 e fevereiro de 1987, período durante o qual a primeira versão de Sinhá-Moça, de Benedito Ruy Barbosa, foi substituída por uma reprise de Locomotivas, de Cassiano Gabus Mendes, exibida pela primeira vez em 1977 às 19h.

Walther Negrão, autor da novela.
Caso não houvesse meios de manter o horário das seis para produções inéditas de teledramaturgia, provavelmente outras reprises seriam providenciadas após a de Locomotivas ou mesmo outras atrações ocupariam a faixa, mas em 16 de fevereiro de 1987 estreou uma novela inédita, produzida com todo o cuidado para mostrar que os problemas que ameaçaram o horário das seis estavam superados. Baseada em A Noiva das Trevas, radionovela escrita por Janete Clair (1925-1983) na década de 1950 e adaptada aqui por Walther Negrão - com Alcides Nogueira, Marilu Saldanha e Ana Maria Moretzsohn, Direito de Amar trazia como protagonistas os jovens Rosália (Glória Pires) e Adriano (Lauro Corona). Os atores encontravam-se novamente em telenovelas, após formarem pares românticos em Dancin' Days (1978/79) e Louco Amor (1983), ambas de Gilberto Braga.

A história se inicia na virada de 1899 para 1900, o alvorecer de um novo século, e o casal se conhece durante uma festa de Réveillon. Apaixonam-se de pronto, mas não contam com a armadilha inesperada do destino: falido, o industrial Augusto Medeiros (Edney Giovenazzi), pai de Rosália, concede a mão da filha em casamento ao banqueiro Francisco de Monserrat (Carlos Vereza) - por ironia do destino, pai de Adriano. Mesmo apaixonada por Adriano, Rosália tem se de casar com o Senhor de Monserrat, e divide suas angústias e sofrimentos com Leonor (Esther Góes), sua mãe, que não tem como deixar de se compadecer do destino da filha apesar de manter-se ao lado do marido.

Os protagonistas de Direito de Amar: Carlos Vereza, Glória Pires e Lauro Corona.
O Senhor de Monserrat é uma pessoa cruel, mas ama Rosália verdadeiramente e faz tudo para conquistar o amor da moça (a única pessoa que trata com carinho), apesar dos meios pouco usuais de que fez uso para casar-se com ela; com isso Adriano sofre por ver o pai mover mundos e fundos pelo amor da mulher que ele também deseja ter junto de si. Na casa da família vivem ainda Joana (Ítala Nandi), uma mulher enlouquecida que Monserrat maltrata e mantém presa num dos quartos; a governanta Mercedes (Suzana Faíni), extremamente fiel ao patrão; Raimundo (Rogério Márcico) e Berenice (Célia Helena), os caseiros, pais de Rogério (Carlo Briani).

Carlos Zara, que viveu o médico Jorge Ramos.
Um personagem de muito destaque na história é o médico Jorge Ramos (Carlos Zara), amigo de Adriano e desafeto do Senhor de Monserrat, que o odeia devido a desentendimentos no passado, quando os dois disputaram o amor da mesma mulher - Bárbara, a prisioneira que Monserrat chama de Joana. No decorrer da trama revela-se que ela é esposa do banqueiro, que forjou sua morte e prendeu-a para castigá-la após uma traição dela com o Dr. Ramos e pretendia também matar o fruto do adultério, mas mudou de ideia e resolveu criá-lo como filho legítimo. Ou seja, Adriano era filho do médico, um laço descoberto e apenas confirmado após anos de entendimento e identificação - o jovem também pretendia seguir carreira na medicina, influenciado pelo pai que desconhecia sê-lo.

Ítala Nandi, intérprete de Bárbara e Joana.
Havia também a confeitaria que era o ponto de encontro dos personagens de Direito de Amar, de propriedade de Manuel (Elias Gleizer) e Catarina (Yolanda Cardoso), irmã de Leonor. Os dois, representantes do humor da trama, eram pais de Nelo (Rômulo Arantes) e Paula (Cissa Guimarães), a prima invejosa de Rosália que era apaixonada por Adriano e forja uma gravidez para casar-se com o rapaz. Uma das frequentadoras da confeitaria é Carola (Cristina Prochaska), bela, independente, representante dos novos tempos que o século XX prenunciava. Carola morava sozinha e trabalhava fora, o que causava espanto na maioria das pessoas que acreditavam que moças da sua idade e bonitas como ela deviam mais é preocupar-se em arrumar um bom marido e cuidar dele e dos filhos que tivessem. Descobre-se ao final da novela que Carola era filha de uma irmã gêmea da mãe de Adriano, a verdadeira Joana, que vivia em Paris sob o pseudônimo de Nanette, que adotara em sua vida de cortesã.

É claro que ao final o sentimento verdadeiro vence, a prima de mau caráter ganha o castigo que merece e o casal Adriano e Rosália pode enfim viver seu amor plenamente. Quanto ao Senhor de Monserrat, conforme a verdade sobre a esposa e a paternidade de Adriano vem à tona, desafia Jorge Ramos para um duelo a tiros e se deixa matar. A cena foi sugerida pelo ator Carlos Vereza - aqui num de seus melhores desempenhos em toda a carreira - ao autor Walther Negrão, e sua inspiração foi o romance do alemão Thomas Mann A Montanha Mágica. Curioso é lembrar que Vereza recebia diversas cartas de telespectadoras apaixonadas, apesar de seu personagem praticar maldades desde o primeiro capítulo; os autores foram obrigados a intensificar seu caráter vilanesco, mas ainda assim havia quem torcesse pelo Senhor de Monserrat.

Carlos Vereza como o vilão da história.

A novela foi reprisada no Vale a Pena Ver de Novo entre 25 de novembro de 1993 e 25 de fevereiro de 1994, e em tempos de Viva não seria nada mau ter uma nova oportunidade de acompanhá-la, ouvir novamente todos os dias a bela canção da abertura, "Iluminados", interpretada por Ivan Lins: "O amor tem feito coisa/Que até mesmo Deus duvida/Já curou desenganados/Já fechou tanta ferida...". Uma bela história de amor passada num período não muito visitado pela dramaturgia (a virada dos séculos XIX e XX), personagens muito bem construídos, ótima reconstituição de época e um trabalho de adaptação dos originais de rádio digno de elogios. Fica a dica, neste aniversário de 25 anos de uma das melhores e mais saudosas novelas das seis.
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