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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"Cine Holliúdy": realidade regional com leveza e sem estereótipos

Por Jonathan Pereira

Cine Holliúdy estreia sexta-feira (15) no Sudeste depois de atrair cerca de 450 mil espectadores aos cinemas nordestinos. A produção cearense diverte e traz para a tela o regionalismo sem os estereótipos que se vê na TV, abrindo novos caminhos para os filmes nacionais.

Com elenco predominantemente do próprio Estado, é exibido legendado em português por ser falado em "cearensês", com várias expressões locais, muitas delas desconhecidas do grande público acostumado a ouvir apenas "vice", "oxe" e "oxente" nas novelas. Termos como "ispilicute", "diabéiss?" e "joiado" saem naturalmente da boca do elenco, como no cotidiano do povo de lá.

História e elenco

O longa do diretor Halder Gomes conta a história de Francisgleydisson (Edmilson Filho), homem apaixonado por cinema que, nos anos 70, abre uma sala de exibição na pequena Pacatuba mas teme que a popularização dos aparelhos de TV, que estão chegando por lá, acabe com seu sonho.  Casado com Maria das Graças (Miriam Freeland) e com um filho para criar, também chamado Francisgleydisson (Joel Gomes),  ele investe em filmes com muita "pêia" para atrair o público. 

A brincadeira com a criatividade dos nomes que os pais dão aos filhos continua com Valdisney, menino de imaginação fértil.  Falcão ataca de ator como o cego Isaías, Roberto Bomtempo vive o prefeito Olegário Elpídio (lembrando muito o sotaque de quando interpretava Jacques em Porto dos Milagres, que se passava na Bahia) e Rainer Cadete, o advogado Rafael da novela Amor à Vida, aparece como Shaolin. Fiorella Mattheis faz uma participação especial, sem falas.

Miriam Freeland e Joel Gomes em cena
Miriam Freeland, uma das poucas não cearenses do elenco, está bem como sempre. Mesmo não sendo conhecido do grande público, Edmilson Filho, que também é produtor associado e coreógrafo, segura o posto de protagonista. "O desafio foi deixar esse personagem real, sem caricaturas, sem exageros e uma figura que tivesse carisma", afirmou.

Pontos positivos

Alguns anos atrás, quando o cinema nacional estava voltado a mostrar as mazelas brasileiras, a ideia de fazer um filme cearense provavelmente cairia no clichê do retirante nordestino que sofre com a seca e busca condições melhores na cidade grande. Felizmente o momento é outro e o que se vê é uma história com gente comum sendo contada, sem vitimização.

O filme é derivado do curta-metragem Cine Holliúdy – O Astista Contra o Caba do Mal e, além de Fortaleza, teve Pacatuba e Quixeramobim como locações. No momento em que a ação se passa dentro do cinema, perde um pouco do ritmo e graça, mas isso não chega a comprometer. Tivesse como um todo 10 minutos a menos, ficaria redondo.


Além de atuar, Edmilson também é coreógrafo
O grande mérito de Cine Holliúdy - que está sendo comparado a Cinema Paradiso pela crítica - é ser produzido por e com gente local. Se alguém de fora tentasse contar essa história perderia a naturalidade, cairia no estereótipo e os cearenses - que fizeram com que o filme quebrasse o recorde de público de Titanic em seu Estado - não se reconheceriam. "Quando o cearense se vê na novela ele pergunta pro pernambucano: 'Mah, é tu ali?', porque ele não se reconhece", disse o diretor.

"Estar dentro de um filme que é a nossa cara, nosso dia a dia, é joia. Acho que estamos muito bem porque tá todo mundo representando sua alma, o ser cearense", analisa Falcão, um dos mais assediados na pré-estreia realizada em São Paulo na noite de terça-feira (12). 

A produção estreou no fim de agosto no Nordeste, em setembro no Centro Oeste e Norte e está em cartaz a partir de sexta-feira, 15, nos cinemas do Sudeste (na região Sul, segundo a produção, ainda não há data para ser exibido). Assista ao trailer abaixo. O sucesso de Cine Holliúdy abre portas para a partir de agora o cinema nos proporcionar conhecer outras realidades regionais como a da Amazônia ou do Pantanal, por exemplo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vamos ser uma Legião.

 Por Vanessa Carvalho


Que Renato Russo foi uma pessoa ímpar como líder da Legião Urbana ninguém duvida. Agora é difícil imaginar alguém como ele sendo “normal”. Estudando, trabalhando, se relacionando, tendo amigos. É essa fase da vida dele que aparece no filme “Somos tão jovens” (2011), filme que mostra o começo da formação musical dele.

O filme não conta a história de Renato Russo em si, mas mostra como Renato Manfredini Júnior se tornou Renato Russo. Ele era um cara normal, vivendo em Brasília, numa época em que o “punk” inglês estava crescendo. Através de um colega de trabalho, Renato é apresentado ao Sex Pistols e logo começa a se questionar sobre tudo que o cerca.

O que mais me chamou a atenção no filme não foi a forma como mostraram as criações de músicas que escutamos desde o início dos anos 80 ou as relações que ele tinha com o Herbert Vianna ou Dinho Ouro Preto, mas foi a caracterização dos personagens, principalmente do Tiago Mendonça. Alguns momentos do filme é preciso lembrar que Renato morreu.


Tendo Brasília como pano de fundo, fica fácil imaginar como era a vida na capital do país no final da década de 70 e início da década de 80. A criação do Aborto Elétrico, o som punk rock que eles faziam ocupa boa parte do filme. Há também um pouco de como surgiu a Plebe Rude e o Capital Inicial.

Os pontos negativos que eu vi no filme, além do roteiro um pouco fraco, foi a caracterização do Herbert Vianna e do Dinho Ouro Preto. Ambos os atores, muito parecidos com os artistas, se esforçaram tanto para se parecerem com eles, que se tornou uma caricatura grosseira dos originais. E o sumiço repentino do pai do Renato na metade do filme. Ele aparece em uma cena e na outra não mais sem explicação nenhuma. Mas nada que estrague a beleza e sutileza do filme.

A bissexualidade do cantor, um dos traços mais fortes da personalidade forte dele, foi tratada de uma forma tão naturalmente simples que faz com que não se sinta falta dela. Nem os grandes conflitos que passava na cabeça das pessoas naquela época. Uma das cenas mais divertidas do filme é quando o Renato está conversando com a mãe dele sobre sua orientação sexual. Foi uma forma tão naturalmente divertida que fica impossível não se divertir com isso. Isso não agradou boa parte dos fãs mais fervorosos do cantor, que podem ver tal cena como um deboche.


Tiago Mendonça foi o grande diferencial do filme. Se há uma coisa que não se pode questionar foi na caracterização do ator. A semelhança física com o Renato no início da carreira é um ponto que não se pode passar despercebido, claro, mas foi na interpretação da forma como o Renato via o mundo que Tiago ganhou toda a atenção da mídia. Ele mostra com maestria a profunda depressão que perseguiu o Renato por toda a sua vida. E a forma como ele canalizou isso para as suas músicas.

As relações pessoais também foram tratadas de maneira séria, porém leve. A relação com sua eterna amiga Ana, a primeira paixão por um amigo de banda, o relacionamento conturbado com os integrantes do Aborto, foram tratados tão delicadamente que é até difícil não imaginar o quanto conviver com ele era sublime. A relação familiar, o apoio dos pais, assim como a preocupação deles foi tratado tão rápido que acabou nem fazendo falta.
Ir ao cinema assistir ao filme esperando a vida do Renato, como apareceu no filme “Cazuza” é pedir para sair decepcionado. Os produtores não quiseram mostrar o Renato Russo, e sim o processo para o surgimento da Legião Urbana. Tanto que, o filme termina quando a banda começa a ser mais conhecida.

“Somos tão jovens” é um filme que vale a pena assistir não pela vida do Renato em si, mas por trazer o cantor mais próximo do público, mostrar um pouco do pensamento dos jovens em plena ditadura, e principalmente pela trilha sonora.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Bicentenário da Imigração Chinesa - Um Viva ao Cinema Oriental!


Por Paulo Lannes 

2012 é o ano que marca o bicentenário da imigração chinesa no Brasil. Muitos deles tiveram como maior motivo a vinda para cá por causa da falta de alimentos ocasionadas pelas constantes guerras que aconteciam na continente amarelo. Com isso, eles acabaram por influenciar (mesmo que pelas beiradas) o cotidiano brasileiro. Entre elas está a gastronomia, a acupuntura, o horóscopo, os fogos de artifício, literatura e as artes marciais. O cinema chinês, apesar de não ser valorizado por aqui também conta com opções especiais, que não devem passar despercebidas.

Adeus, minha concubina.

O filme fala da história de dois amigos que vivem do teatro, onde um deles faz o papel da mocinha enquanto o outro faz o do mocinho. É muito interessante perceber a cultura chinesa no que se diz respeito às artes. Era normal que muitos homens atuassem em papeis de mulheres, principalmente onde o sexo feminino era extremamente desvalorizado (e ainda se vê muitos resquícios dessa desvalorização na sociedade atual). Então todos aqueles que tivessem voz de soprano acabavam por atuar em papéis femininos e eram ovacionados pelo país inteiro. Mas no filme, a história vai além disso, mostrando o amor clandestino do soprano com o seu amigo. Por não ser correspondido (no amor), o ciúme acaba por minar a amizade deles, deixando também o teatro por um fio. O filme fez tanto sucesso que concorreu a muitos prêmios internacionais (como Oscar pelo melhor filme estrangeiro) e ganhou alguns (como Globo de Ouro, BAFTA e Palma de Ouro no Cannes).

O Tigre e o Dragão.

Talvez esse seja o filme chinês mais conhecido em todo o mundo. E tratando de um folclore asiático, o país conta com um drama muito bem elaborado além de usar bons efeitos especiais. O país ainda é valorizado na maravilhosa fotografia da área rural chinesa, o que lhe valeu um Oscar por essa área (e mais três, por melhor filme estrangeiro, melhor direção de arte e melhor trilha sonora). É impossível não se apaixonar pela guerreira rebelde e sua indecisão de qual lado seguir na hora de lutar.

A Batalha dos 3 reinos.

Esse é outro filme que se trata da história de um folclore chinês. A história se trata basicamente da luta entre o império contra os senhores feudais do Sul da China. De produção megalomaníaca, o filme conta com um sem número de figurantes e cenas absurdamente belas de guerras e batalhas. Em diversos momentos percebe-se o uso de estratégias encontradas na Arte da Guerra, livro famoso chinês. Imperdível.
 
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